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	<title>Arquivos Fetape - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 03 Oct 2024 19:02:39 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Fetape - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Fetape impulsiona 94 candidaturas de agricultores nas eleições municipais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 19:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado.  “Demorou para que os [&#8230;]</p>
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<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado. </p>



<p>“Demorou para que os agricultores e agricultoras realmente quisessem entrar na política institucional, porque ainda era um campo desconhecido. Nós sempre fizemos incidência política, principalmente através da educação, mas ocupar os espaços de poder é algo um tanto recente”, afirmou Cícera Nunes, primeira mulher diretora da FETAPE. </p>



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	                                        <p class="m-0">Nalva do Sindicato (PT), candidata a vereadora em Vitória de Santo Antão. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>De acordo com a líder da federação, foi a partir da eleição de Manoel Santos para o cargo de deputado estadual, em 2010, que o movimento de candidaturas de representantes dos sindicatos rurais ganhou força. “Manoel mostrou o quanto era importante ter alguém que conhecesse de perto a nossa luta nas casas legislativas e incentivou que mais agricultores e agricultoras chegassem lá também”, contou Nunes. </p>



<p>Nestas eleições municipais, a Fetape apoia 94 candidaturas, que estão espalhadas pelos 10 polos sindicais que compõem a federação. Destas, 56 são homens e 38 são mulheres. </p>



<p>Uma das candidatas apoiadas pela Fetape é Nalva do Sindicato (PT), que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores de Vitória de Santo Antão. Esta é a primeira vez que Nalva, que é agricultora familiar, assentada e liderança sindical, se candidata a um cargo político e conta que foi um discurso do presidente Lula que a motivou: “no discurso Lula disse ‘todo mundo fala que os políticos não prestam, que são farinha do mesmo saco, que são corruptos, você quer ter um político honesto? Então seja você’. E isso chamou minha atenção”. </p>



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	                                        <p class="m-0">Val Lourenço e Nenê do Sindicato são candidatos a prefeitura de Tacaimbó. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O professor Mário João (PT) também é um dos candidatos a vereador apoiados pela Fetape, na cidade de Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte do estado. Antônia dos Santos, conhecida como Nenê do Sindicato (PT) e Val Lourenço (PT) formam uma chapa que disputa a prefeitura da cidade de Tacaimbó como representantes dos sindicatos de agricultores e agricultoras. </p>



<p>A grande maioria dos candidatos apoiados pela Fetape são do Partido dos Trabalhadores (PT) e Cícera Nunes explica o motivo: “É o PT e o presidente Lula que trabalha junto com a gente, que nos representa, e que mantém um diálogo com as nossas lutas e causas pela agroecologia, pela educação no campo, pelo combate a fome, então é natural que as candidaturas apoiadas pela Fetape se filiem ao PT”. </p>



<p>“Nós temos uma boa expectativa de que vamos eleger muitos representantes sindicais. Entendendo também que a campanha é importante, poder conversar com as pessoas e apresentar nossas propostas. Além disso, é importante que cada vez mais mulheres possam concorrer e ocupar mais espaços nas políticas porque este ainda é um ambiente muito machista”, concluiu a diretora da Fetape.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Número de candidatos/as apoiados pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais por polo Sindical:</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Mata Norte:                                                07</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mata Sul:                                                   12          </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Setentrional:                                 09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Central:                                         09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Meridional:                                   15</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Pajeú:                                        08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Central:                                          11</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Submedio São Francisco:              06</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do São Francisco:                          08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Araripe:                                     09</span></p>
	</div>
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		<title>Falta água e energia nas agrovilas de Itaparica, no sertão pernambucano</title>
		<link>https://marcozero.org/falta-agua-e-energia-nas-agrovilas-de-itaparica-no-sertao-pernambucano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2024 16:06:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[Chesf]]></category>
		<category><![CDATA[Doriel Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na manhã desta terça-feira, 28 de maio, a Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), realizou uma audiência pública para tratar sobre a falta de energia e de abastecimento de água na microrregião de Itaparica, localizada no sertão de Pernambuco em divisa com a Bahia. O Sistema Itaparica, implementado [&#8230;]</p>
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<p>Na manhã desta terça-feira, 28 de maio, a Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), realizou uma audiência pública para tratar sobre a falta de energia e de abastecimento de água na microrregião de Itaparica, localizada no sertão de Pernambuco em divisa com a Bahia.</p>



<p>O Sistema Itaparica, implementado na década de 1990 e que contempla 10 projetos de irrigação às margens do rio São Francisco, tem sofrido com a paralisação dos serviços de energia, que é consequência da ausência de investimentos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), privatizada durante o governo Bolsonaro.</p>



<p>Nos últimos anos, a Codevasf realizava os serviços de manutenção e operação do Sistema Itaparica mediante os repasses financeiros da Chesf, porém, a companhia paralisou os repasses. A Advocacia-Geral da União firmou um termo de conciliação entre as companhias, mas, alegando o não cumprimento do acordo pela Chesf, a diretoria-executiva da Codevasf aprovou a devolução da infraestrutura do sistema à empresa.</p>



<p>Em <a href="https://www.blognossavoz.com.br/sem-previsao-de-liberar-produtores-dos-projetos-do-sistema-itaparica-bloqueiam-trecho-no-trevo-do-ibo-chesf-emite-nota/">nota enviada à imprensa</a>, em outubro de 2023, a Chesf afirmou que a responsabilidade pela operação e manutenção do Sistema Itaparica era da Codevasf.</p>



<p>De acordo com o mandato do deputado estadual Doriel Barros (PT), mais de 45 mil agricultores estão sendo impactados pela falta de acesso a água para consumo e para a produção agrícola nas agrovilas da região de Itaparica, que, ironicamente, fica às margens do lago artificial da usina hidrelétrica Luiz Gonzaga. No final da audiência, Barros se comprometeu a articular junto ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, para que os dois reforcem a atenção à região.</p>



<p>“Nós não podemos admitir que o Governo Federal considere o reassentamento de Itaparica como uma responsabilidade dos reassentados sem que o Estado tenha compromisso. Por isso que, no acordo de 1986, está lá colocado o compromisso do Estado em relação à Itaparica, seja o governo que for. O estado de Pernambuco nunca assumiu o projeto de Itaparica como um instrumento de desenvolvimento do estado e precisa assumir”, declarou o diretor da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do estado de Pernambuco (Fetape), Adimilson Nunis.</p>



<p>Participaram da audiência pública seis deputados estaduais; o deputado federal Carlos Veras (PT); o bispo da diocese de Floresta, Dom Gabriel Marchesi; o secretário estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, José Almir Cirilo; sindicalista e prefeitos de municípios da região .</p>
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		<item>
		<title>Fetape promove feira da agricultura familiar no Recife Antigo</title>
		<link>https://marcozero.org/fetape-promove-feira-da-agricultura-familiar-no-recife-antigo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 00:53:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[feira agroecológica]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[rua do Bom Jesus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para conquistar visibilidade para o trabalho de agricultores e a produção de alimentos da agricultura familiar, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), realizam a 3ª Feira da Agricultura Familiar. O evento é aberto ao público [&#8230;]</p>
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<p>Para conquistar visibilidade para o trabalho de agricultores e a produção de alimentos da agricultura familiar, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), realizam a 3ª Feira da Agricultura Familiar. O evento é aberto ao público e acontece nos dias 21 e 22 de março, das 9h às 17h, na rua do Bom Jesus, no Recife Antigo. </p>



<p>Na ocasião, mais de cem agricultores da Zona da Mata, do Agreste e Sertão de Pernambuco irão expor e comercializar seus produtos agrícolas. Entre os produtos comercializados, além de frutas, verduras e legumes, há geleias, conservas, polpas de doces, chips e farinhas, todos cultivados e produzidos de forma artesanal e orgânica. A rua do Bom Jesus se transformará em uma grande feira agroecológica para aproximar os consumidores da cidade à produção do campo.</p>



<p>“Quem visitar a feira terá a oportunidade de conhecer pessoalmente a agricultora ou o agricultor que plantou de forma agroecológica, visando o cuidado da terra e do meio ambiente para colher para ele, para sua família e para a sociedade um alimento saudável”, explicou a agricultora familiar e presidenta da Fetape, Cícera Nunes.</p>



<p>A feira contará ainda com oficinas formativas gratuitas sobre diversos temas, como acesso ao crédito e à terra para produtores rurais; teatro de rua; agroecologia e cooperativismo. A programação completa e as inscrições para as oficinas estão disponíveis no Instagram da Fetape e no <a href="https://www.fetape.org.br/">site da federação.</a></p>


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		<title>Alegria e esperança substituíram o medo na Marcha das Margaridas, em Brasília</title>
		<link>https://marcozero.org/alegria-e-esperanca-substituiram-o-medo-na-marcha-das-margaridas-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Aug 2023 19:25:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[brasilia]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres agricultoras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Viva a Marcha das Margaridas. Viva o presidente Lula. Viva o povo brasileiro!&#8221;. A saudação da coordenadora geral da 7ª Marcha das Margaridas, Maria José Moraes, deu o tom do que foi a edição 2023 da maior mobilização realizada por mulheres na América Latina. Nos dias 15 e 16 de agosto, mulheres dos campos, das [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Viva a Marcha das Margaridas. Viva o presidente Lula. Viva o povo brasileiro!&#8221;. A saudação da coordenadora geral da 7ª Marcha das Margaridas, Maria José Moraes, deu o tom do que foi a edição 2023 da maior mobilização realizada por mulheres na América Latina. Nos dias 15 e 16 de agosto, mulheres dos campos, das florestas, das águas e das periferias deixaram seus territórios em uma jornada até o Distrito Federal para anunciar o que imaginam ser “um novo tempo para o Brasil, um tempo de retomada e reconstrução”.<br><br>Com o lema &#8220;Pela reconstrução do Brasil e pelo bem-viver&#8221;, aproximadamente 100 mil mulheres de todas as regiões do Brasil foram ao encontro do presidente Lula para celebrar a sua volta à presidência e cobrar a efetivação de políticas públicas de valorização da vida de mulheres, sobretudo das agricultoras. No acampamento montado no Parque da Cidade de Brasília, caravanas de ônibus chegavam de todos os lugares, mulheres que viajaram por horas e dias para fortalecer um coro de vozes que desejam a mesma coisa: um país sem fome, com justiça climática e sem desigualdades sociais, raciais e de gênero.<br><br>Silvana de Jesus, do Quilombo São Sapé, no Maranhão, saiu de casa no domingo pela manhã e só chegou no acampamento na terça-feira no comecinho da tarde sem demonstrar nenhum cansaço. Ela estava entusiasmada para participar da caminhada e explica o porquê: &#8220;o nosso interesse em estar aqui é porque queremos moradia, terra pra trabalhar, educação para os nossos filhos e netos, isso que importa para nós aqui porque nada disso nós temos. A gente quer um poço, uma estrada, uma casa para morar&#8221;.<br><br>A delegação do Maranhão foi a maior a participar da 7ª Marcha das Margaridas. Nas faixas e camisas, as estampas explicavam o motivo: o grande número de representantes de quilombos. De acordo com o governo do Maranhão, o estado possui 1.500 comunidades quilombolas, e a força da incidência política desses territórios estava presente na mobilização.<br><br>Com a segunda maior delegação, o estado onde nasceu o Presidente Lula, Pernambuco, levou à marcha toda “a admiração e amor ao presidente”, nas palavras das camponesas que saíram de Afogados da Ingazeira no mesmo ônibus onde estavam as repórteres da Marco Zero e do Coletivo Acauã. Eram nítidas a ansiedade e a alegria das mulheres de Pernambuco em ver e ouvir o presidente. Durante o discurso de Lula, que aconteceu ao final da marcha, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na quarta-feira, 16 de agosto, aquelas que estavam abraçadas com a bandeira de Pernambuco ou com as camisas da delegação não seguraram a emoção e a grande maioria caiu no choro.<br><br>&#8220;É uma satisfação enorme estar aqui, é minha terceira marcha, é uma coisa brilhante lutar pelo direito das mulheres. Lula é o nosso grande nosso mestre e ele traz muita esperança para todas nós, mulheres&#8221;, declarou Safira Sipriano, secretaria de Agricultura do município de Solidão, integrantes da comitiva pernambucana.</p>



<p>O ambiente era tão diferente das duas marchas anteriores que, pela primeira vez, a manifestação recebeu uma representante do Congresso norte-americano. Quem estava na plenária de abertura contou foi Alexandria Ocasio-Cortez, deputada norte-americana de origem porto-riquenha, conhecida por ser a mulher mais jovem eleita para o CongressodosEUA.</p>



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	                                        <p class="m-0">Repórter da Marco Zero foi carona em ônibus de agricultoras do Pajeú. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Governo Federal e a Marcha</strong></h2>



<p>&#8220;Esse ano foi muito mais tranquilo&#8221;; &#8220;Tinha um clima de felicidade mesmo, de esperança&#8221;; &#8220;Parecia uma grande celebração mesmo&#8221;; &#8220;Muito diferente da última marcha&#8221;. As duas últimas Marcha das Margaridas, ocorreram em contextos sociopoliticos críticos para os movimentos sociais. Uma aconteceu em 2016, duas semanas antes do impeachment da presidenta Dilma Roussef, e a <a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">última em 2019, durante o governo Bolsonaro, que a Marco Zero também acompanhou.</a><br><br>De acordo com várias particiapantes que foram minhas companheiras de viagem desde o sertão do Pajeú, em 2019, havia uma estratégia de segurança reforçado por medo de confronto e represália policial. Medo e tensão tomavam conta, mas as margaridas não deixaram de marchar. Já neste ano, o que testemunhamos foi uma verdadeira festa em celebração repleta de esperança na recuperação de políticas voltadas para mulheres e agricultoras, que já haviam sido implantadas nos governos petistas anteriores.<br><br>“Essa é a marcha de reconstrução, é a marcha que a gente vai ter condição de recuperar tudo aquilo que a gente perdeu em sete anos de descaso. Após o golpe contra a presidenta Dilma, já começaram a destruir as politicas públicas para as mulheres, em especial as mulheres rurais, então, o governo Lula é o de caminhar para o bem viver das mulheres do campo, das águas e das florestas e da cidade”, afirmou a diretora de Política para as Mulheres da Fetape, Adriana do Nascimento.<br><br>Para esta edição, as organizadoras travaram diálogo com o Governo Federal, culminando na presença de Lula no desfecho da Marcha. De acordo com a diretora da Fetape, antes do presidente subir no palanque, no entanto, foram fundamentais as atuações da ministra da Mulher, Aparecida Gonçalves, e do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que entregaram o plano de ação formulado pelas mulheres da Marcha das Margaridas a Lula, o que resultou na criação de politicas públicas sancionadas pelo presidente durante a cerimônia de encerramento.</p>



<p>Já na plenária de abertura da Marcha das Margaridas, que aconteceu no Parque da Cidade, na noite da terça-feita, 15 de agosto, ministros e ministras se fizeram presentes no palanque e em meio às mulheres. Estavam lá Anielle Franco, Marina Silva, Margareth Menezes e Sônia Guajajara.</p>



<p>Ovacionada pelo público, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez uma das fala mais celebradas ao agradecer as mulheres por serem protagonistas na campanha de eleição do presidente Lula e na derrota de Bolsonaro. &#8220;Vocês vieram de longe, de muitos lugares desse Brasil profundo, trazendo a alma profunda das mulheres do Brasil. Nós só estamos aqui porque fomos capazes de colocar em seu devido lugar aquele que afrontou a nossa democracia, porque sem democracia não há como marchar&#8221;, declarou a ministra.</p>



<p>Emocionada, Anielle Franco agradeceu pelo carinho com sua irmã, Marielle, que teve seu rosto e suas frases estampados nas faixas que espalhadas pela manifestação. A ministra da Igualdade Racial reforçou a importância de garantir a vida e a segurança de mulheres que atuam na política e que, assim como Marielle Franco e Margarida Maria Alves, podem ser assassinadas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lula escuta Margarida Alves discursar em Alagoas Grande, nos anos 1980</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Retomada da reforma agrária e outras conquistas</h3>



<p>Durante a sua participação no encerramento na Marcha das Margaridas, Lula assinou oito decretos e anunciou que outras dez políticas com foco nas mulheres agricultoras que serão assinadas ao longo da semana nos diversos ministérios.<br><br>Decretos assinados por Lula na Marcha:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Retomada da reforma agrária: Programa Nacional para Reforma Agrária priorizando famílias chefiadas por mulheres;</li><li>Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar financiará criação de 10 mil quintais produtivos;</li><li>Programa Nacional de Cidadania e bem viver para mulheres rurais- tetomada do programa de documentação para a trabalhadora real;</li><li>Criação da comissão de enfrentamento a violência ao campo;</li><li>Criação do Grupo de Trabalho interministerial de juventude e sucessão rural;</li><li>Pacto Nacional de prevenção aos feminicídios;</li><li>Retomada da política Nacional para trabalhadores rurais empregados, com Programa Nacional de Crédito Fundiário, que vai beneficiar mais de 1,5 mil famílias ainda sem acesso à terra. O programa oferece condições facilitadas de financiamento a agricultores sem ou com pouca terra para que possam comprar imóvel rural;</li><li>Comissão de trabalhadores rurais empregados;</li><li>Retomada do programa Bolsa Verde, de apoio à Conservação Ambiental, que prevê um pagamento a famílias de baixa renda, moradoras de áreas a serem protegidas ambientalmente. O pagamento por família, que era de R$ 300, passa a ser de R$ 600.</li></ul>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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	                                        <p class="m-0">A tensão da era Bolsonaro passou longe da Marcha das Margaridas deste ano. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
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<p></p>
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		<title>Com vaias a Raquel e João Campos, enfermagem &#8220;sequestra&#8221; evento de Lula no Geraldão</title>
		<link>https://marcozero.org/com-vaias-a-raquel-e-joao-campos-enfermagem-sequestra-evento-de-lula-no-geraldao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 23:33:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[enfermeiras]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[PAA]]></category>
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<p>O evento promovido com jeito de campanha para a reeleição do prefeito João Campos (PSB) e repleto de bons anúncios de programas do Governo Federal foi &#8220;sequestrado&#8221; por pelo menos dois mil profissionais de enfermagem, em sua maioria técnicos e auxiliares. Nas arquibancadas do Geraldão &#8211; vitrine da gestão municipal do PSB -, a categoria mobilizada por dois sindicatos roubou a cena e deu o tom da cerimônia, cobrando do presidente, do prefeito João Campos e da governadora Raquel Lyra o pagamento do piso salarial da categoria, em greve há 12 dias. Os protestos não cessaram nem mesmo durante o discurso de Lula.</p>



<p>“Ô, Lula, cadê você, assina logo a MP&#8221; e &#8220;Respeita a enfermagem&#8221; foi o que mais se ouviu no ginásio. Mas, quando chegou a vez de Raquel Lyra (PSDB) falar, pouco antes do presidente, a enfermagem em peso vaiou. E sem parar. Foram vários minutos seguidos de vaias, todo o discurso, com enfermeiros e enfermeiras vaiando e de costas para o palco. O MST até tentou puxar aplausos, mas foi sufocado. Raquel apelou iniciando o discurso com um &#8220;viva&#8221; para políticos que ajudaram a construir a democracia no Brasil. Até Eduardo Campos, do PSB, pai do adversário político João Campos, ela mencionou.</p>



<p>Lula bem que tentou apaziguar os ânimos se posicionando ao lado da governadora &#8211; como fez com sucesso durante a campanha para dar suporte ao então candidato Danilo Cabral (PSB). Desta vez, não teve efeito algum. Lula não silenciou o Geraldão. A governadora também não se calou e não fez nenhum aceno de negociação para a categoria. Ao final do discurso, disse que iria &#8220;trabalhar por vocês e para vocês&#8221;, citando &#8220;aqueles que estão de costas&#8221; como se ainda fosse candidata e não estivesse há quase três meses como governadora.  </p>



<p>Ao assumir o microfone, às 19h20min, mais de quatro cansativas horas depois do horário anunciado, o presidente estava irritado e optou por fazer um gesto político a Raquel: &#8220;Quando vocês estavam vaiando a governadora, vocês estavam me vaiando. Ela não está aqui porque quis, mas porque foi convidada. Poderiam ter vaiado Bolsonaro nos quatro anos em que ele esteve na presidência. Temos que aprender a conviver como adversários, não como inimigos. A governadora pode ser adversária política, mas ela foi eleita e iremos respeitá-la”. </p>



<p>O presidente, porém, não estava falando em um evento de campanha, só entre os seus. Os protestantes não recuaram. &#8220;Uma pena que tudo que era anunciado aqui era pequeno diante da vontade de vaiar a governadora. Podem me vaiar à vontade, mas, por favor, respeitem meus convidados”, pediu o contrariado Lula, sem intimidar as arquibancadas do Geraldão, que responderam em coro: &#8220;Respeita a enfermagem!”</p>



<p>Demorou um tempo para que o assunto Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) surgisse com força nas falas dos ministros e outras autoridades que usaram o microfone antes de Lula. O primeiro a falar, por exemplo, foi o ministro chefe da Secretaria Geral, Márcio Macedo (PT), que tratou logo de tentar acalmar o pessoal da enfermagem, com um discurso apaziguador: &#8220;Como deputado federal, votei a favor do piso. O presidente Lula tem compromisso, a equipe da saúde está trabalhando e a Casa Civil está trabalhando junto com o STF para que, muito breve, o presidente possa assinar a MP do piso&#8221;. Não adiantou, como se viu depois.</p>



<p>Àquela altura, a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti e a vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) já tinham recebido suas fartas cotas de vaias.</p>



<p>A tal Medida Provisória para a enfermagem se tornou necessária depois que o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, suspendeu a obrigatoriedade de pagamento do piso aprovado em agosto de 2002 e condicionou sua implantação à regulamentação da origem dos recursos financeiros que sustentarão o aumento dos salários. É exatamente uma MP com esse conteúdo que está sendo cobrada de Lula.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/satenpe-um-sindicato-de-parar-o-transito/" class="titulo">Satenpe, um sindicato de parar o trânsito</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/trabalho/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Trabalho</a>
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	            </div>
        </div>

		


<p>Após o evento, já na saída do Geraldão, o presidente do Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem em Pernambuco (Satenpe), Francis Herbert, afirmou que não engoliu o “esporro” que Lula deu em sua categoria. “O presidente foi eleito com os votos dos trabalhadores, mas hoje ele ficou contra o trabalhador, ficando ao lado da governadora que não negocia com a enfermagem. Se as coisas chegaram a esse ponto, é culpa do presidente&#8221;, disse. </p>



<p>Sobre a fala inflamada de Lula que disse que não era para se vaiar uma convidada, o presidente do Satenpe foi taxativo. &#8220;Ele tratou esse evento como se fosse um ato particular dele e disse que nós não fomos convidados”, reclamou Herbert, cujo sindicato é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). </p>



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	                                        <p class="m-0">Auxiliares e técnicas de enfermagem vaiaram o prefeito e a governadora. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">E o PAA?</h2>



<p>Em meio aos protestos, bons projetos foram anunciados em um evento que seria longo e confuso, mesmo se não tivesse contado com a participação explosiva da enfermagem. Mais de uma dúzia de pessoas falaram ao microfone. Na sua fala, o líder nacional do MST Jayme Amorim disse acreditar que o PAA resolverá “vários problemas. Um é o nosso: os agricultores vão produzir mais porque sabem que vão vender. Outro é que ter um estoque de alimentos é soberania nacional. Resolve o problema da falta de alimentos e de quem passa fome”.</p>



<p>Cícera Nunes, presidenta da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (Fetape), convidou Lula e a esposa Janja a participar da Marcha das Margaridas deste ano, além de ressaltar o papel do PAA para a população do campo: &#8220;somos milhares de agricultores e agricultoras e seguramos a alimentação desse país. E sofremos sem crédito e sem dinheiro para produzir. O PAA vai nos ajudar bastante e também para que as mulheres tenham liberdade econômica&#8221;.</p>



<p>Cícera aproveitou para fazer um aceno a Raquel Lyra pedindo para que seu governo invista em políticas públicas para a agricultura familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Chuvas na pauta</h3>



<p>Antes de Lula, o evento ofereceu a oportunidade para que ministros e autoridades locais pudessem mostrar serviço. O prefeito João Campos e o ministro das Cidades Jáder Barbalho Filho, por exemplo, assinaram no palco a ordem de serviço para o início das obras de contenção de encostas no Córrego do Sargento, na Linha do Tiro, zona norte do Recife. O valor de R$ 8 milhões já foi liberado hoje pelo Governo Federal e faz parte de um pacote de R$ 66 milhões anunciados para a prevenção de novas tragédias nos morros. </p>



<p>Em tom de campanha eleitoral, o prefeito prometeu que “para cada um real que o governo federal colocar, a prefeitura vai colocar mais um real&#8221;. O prefeito também foi vaiado pela enfermagem e, ao contrário da governadora, interrompeu o discurso, bastante incomodado com a reação da arquibancada. Mas conseguiu retomar a fala, com a ajuda de apoiadores que estavam na plateia do evento. </p>



<p>A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o Governo Estadual para a implantação de um sistema de monitoramento de cheias e morros. &#8220;É para evitar que eventos climáticos levem vidas&#8221;, resumiu, explicando que o sistema vai funcionar como um alerta de riscos, com monitoramento 24 horas, incluindo sensores capazes de medir a umidade das encostas em até quatro metros de profundidade. Um alerta será enviado quando a umidade dos terrenos estiver alta. &#8220;E a Defesa Civil recebe o alerta para retirar as pessoas das áreas de risco&#8221;, detalhou a ministra.</p>



<p>Outro ministro pernambucano, o da Pesca  e Aquicultura, André de Paula também ocupou o palco, o microfone e a caneta para assinar um convênio de qualificação de pescadores e pescadoras artesanais com os reitores da UFPE e UFRPE. Além de oficinas de capacitação, os convênios têm um objetivo que interessa diretamente às famílias que vivem da pesca. “Os restaurantes universitários vão comprar a produção de peixes da pesca artesanal. São mais de 10 mil refeições diárias. É uma compra sem atravessador. Um projeto piloto que começa aqui em Pernambuco, mas vai se espalhar pelo Brasil inteiro&#8221;, resumiu André de Paula.</p>



<p><strong>* </strong><em><strong>Colaborou Inácio França</strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Governo estadual desapropria engenho onde criança foi assassinada e agricultores vão ficar com as terras</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-estadual-desapropria-engenho-onde-crianca-foi-assassinada-e-agricultores-vao-ficar-com-as-terras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2022 13:56:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Barreiros]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[engenho Roncadorzinho]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Câmara]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O engenho Roncadorzinho, em Barreiros, onde o menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foi assassinado a tiros na noite de 10 de fevereiro, foi desapropriado pelo Governo de Pernambuco. O decreto de desapropriação foi publicado na manhã desta sexta-feira no Diário Oficial. As terras pertencem à massa falida da usina Santo André do Rio Una, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O engenho Roncadorzinho, em Barreiros, onde o menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foi assassinado a tiros na noite de 10 de fevereiro, foi desapropriado pelo Governo de Pernambuco. O decreto de desapropriação foi publicado na manhã desta sexta-feira no Diário Oficial.</p>



<p>As terras pertencem à massa falida da usina Santo André do Rio Una, pertencente à família Bezerra de Melo, e estavam arrendadas para a empresa agropecuária Javari, que cobrava na Justiça a reintegração de posse e o despejo das 77 famílias que ocupavam o engenho na Zona da Mata sul.</p>



<p>A decisão de desapropriar o engenho havia sido informada pelo governador Paulo Câmara aos agricultores na noite de quarta-feira, 17 de agosto, ao fim de uma manifestação organizada pela Comissão Pastoral da Terra e da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape). O anúncio durante a reunião realizada com representantes das famílias camponesas e das duas entidades.</p>



<p>O decreto estabelece que as terras desapropriadas “destinam-se à manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola”. O documento também prevê a regularização fundiária “em favor das famílias residentes na localidade”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/crianca-de-9-anos-filho-de-lider-rural-e-assassinada-na-mata-sul-e-entidades-exigem-rigor-nas-investigacoes/" class="titulo">Criança de 9 anos, filho de líder rural, é assassinada na Mata Sul e entidades exigem rigor nas investigações</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/conflitos-agrarios/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Conflitos Agrários</a>
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		<title>Fetape realiza seu 11º Congresso, em Garanhuns, no clima da campanha eleitoral</title>
		<link>https://marcozero.org/fetape-realiza-seu-11o-congresso-em-garanhuns-no-clima-da-campanha-eleitoral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jun 2022 20:28:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[camponeses]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[luta no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está sendo realizado em Garanhuns o 11º Congresso da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape). O encontro começou na noite de segunda-feira, 6 de junho, e prossegue até amanhã, quarta-feira, no Centro de Formação Luiz Inácio Lula da Silva. A abertura celebrou os 60 anos da Fetape com [&#8230;]</p>
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<p>Está sendo realizado em Garanhuns o 11º Congresso da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape). O encontro começou na noite de segunda-feira, 6 de junho, e prossegue até amanhã, quarta-feira, no Centro de Formação Luiz Inácio Lula da Silva.</p>



<p>A abertura celebrou os 60 anos da Fetape com apresentações do povo indígena Ualê Fulniô, de Águas Belas, e do grupo Negras Ubuntu da Comunidade Quilombola do Sítio Estivas, de Garanhuns. A presidenta da Federação, Cícera Nunes, falou da emoção pelo momento que o País passa com quase 700 mil pessoas vitimadas pela covid-19, destacando o papel dos sindicatos rurais que contribuíram com a segurança alimentar da população brasileira na pandemia.</p>



<p>A solenidade de abertura teve áreas de evento eleitoral da chamada Frente Popular, com presença do pré-candidato a governador Danilo Cabral (PSB), da pré-candidata ao senado pelo PT, Tereza Leitão, além dos parlamentares politicamente ligados à própria Fetape e demais entidades do campo, o deputado federal Carlos Veras e o deputado estadual Doriel Barros, ambos do PT.</p>



<p>O Congresso contou com representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (FETAEPE) Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, Secretaria de desenvolvimento Social da Criança e Juventude de Pernambuco e da Prefeitura de Tacaimbó e de Garanhuns.</p>



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		<title>Irmã e prima de Jonathas, menino assassinado em Barreiros, prestam depoimento à polícia</title>
		<link>https://marcozero.org/irma-e-prima-de-jonathas-menino-assassinado-em-barreiros-prestam-depoimento-a-policia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 20:35:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[caso Jonatas]]></category>
		<category><![CDATA[cendhec]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos agrários]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
		<category><![CDATA[criança assassinada]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra criança e adolescente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta quinta-feira, 3 de março, pela manhã, a irmã e a prima do menino Jonathas de Oliveira dos Santos, de nove anos, assassinado em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, prestaram depoimento à polícia. As duas são adolescentes, com 15 e 14 anos, respectivamente. As versões e os detalhes repassados por elas têm um peso [&#8230;]</p>
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<p>Nesta quinta-feira, 3 de março, pela manhã, a irmã e a prima do menino Jonathas de Oliveira dos Santos, de nove anos, <a href="https://marcozero.org/crianca-de-9-anos-filho-de-lider-rural-e-assassinada-na-mata-sul-e-entidades-exigem-rigor-nas-investigacoes/">assassinado em Barreiros</a>, na Mata Sul de Pernambuco, prestaram depoimento à polícia. As duas são adolescentes, com 15 e 14 anos, respectivamente. As versões e os detalhes repassados por elas têm um peso importante nas investigações, afinal elas presenciaram a invasão dos sete homens encapuzados à casa da família do agricultor Geovane da Silva Santos, liderança rural do Engenho Roncadorzinho, que levou um tiro no ombro e conseguiu sobreviver ao atentado.</p>



<p>As meninas foram acompanhadas pelas advogadas do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), Juliana Accioly e Manuela Soler. A Organização Não Governamental, com 32 anos de atuação na defesa e promoção dos direitos humanos, vem prestando assistência jurídica e também psicológica à família de Jonathas desde que aconteceu o crime, em 10 de fevereiro. Na Delegacia de Barreiros, as adolescentes também foram acompanhadas pelo Conselho Tutelar e por uma psicóloga do município. </p>



<p>A Polícia Civil de Pernambuco tem trabalhado em cima de uma linha de investigação que aponta que <a href="https://marcozero.org/traficantes-teriam-matado-crianca-em-engenho-porque-queriam-terra-para-criar-cavalo-afirma-policia/">traficantes de drogas teriam matado Jonathas</a> porque queriam a terra do pai Geovane para criar cavalos. O líder dos agricultores nega tal interesse. A versão de que a propriedade estaria sendo alvo de proposta de compra sequer apareceu no depoimento de Geovane. </p>



<p>Tanto ele quanto as organizações sociais que têm acompanhado o caso &#8211; com destaque para a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) &#8211; asseguram que o líder da Associação dos(as) agricultores(as) familiares do município não tem nenhum envolvimento com tráfico, dívidas ou qualquer atividade ilícita.</p>



<p>A versão da polícia também é <a href="https://marcozero.org/emocao-das-criancas-e-revolta-da-comunidade-com-hipotese-da-policia-marcam-ato-em-barreiros/">contestada pelas comissões de Direitos Humanos da Câmara Federal e do Senado</a>. O questionamento foi bastante enfatizado durante o ato em Barreiros, em 18 de fevereiro, que pediu justiça pela morte de Jonathas e uma solução definitiva para os conflitos agrários em Pernambuco.</p>



<p>O que vem acontecendo, já há alguns anos, são casos de <a href="https://marcozero.org/agricultores-vinham-denunciando-violencia-em-pernambuco/">ameaças e violências contra os trabalhadores</a> de diversos engenhos da Mata Sul, incluindo Roncadorzinho. Os agricultores vêm denunciando a situação e já registraram uma série de Boletins de Ocorrência. Mas, segundo as organizações sociais, nenhum deles foi adiante e a <a href="https://marcozero.org/mediacao-da-justica-no-engenho-onde-crianca-foi-assassinada-nao-saiu-do-papel/">mediação do conflito no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) também não avançou</a>. Por isso a comunidade local e os movimentos não dispensam que o conflito agrário pode ter sido a causa do assassinato de Jonathas.</p>



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	                                        <p class="m-0">ONG Cendhec vem dando apoio jurídico e psicológico à família de Jonathas. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>A briga pelas terras</strong> na Mata Sul</h2>



<p>Para entender o contexto desses conflitos na Mata Sul, é preciso lembrar que, aquilo que antigamente eram usinas de monocultura de cana-de-açúcar para produção de álcool e açúcar hoje são imóveis com dívidas milionárias. Em crise, a maioria dessas usinas faliu e terminou sendo repassada a empresas dos ramos imobiliário e agropecuário.</p>



<p>Famílias agricultoras que, há gerações, viviam e trabalhavam para essas usinas brigam na Justiça para receber indenizações e direitos trabalhistas. Segundo a Fetape, das cerca de 70 famílias, aproximadamente 30 são credoras das terras na Justiça. O cenário é semelhante, por exemplo, no <a href="https://marcozero.org/ameacadas-por-dono-de-imobiliaria-familias-agricultoras-estao-sob-pressao-na-mata-sul/">Engenho Batateiras</a>, no município de Maraial, e no <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/">Engenho Fervedouro</a>, no município de Jaqueira.</p>



<p>O Engenho Roncadorzinho é um dos imóveis pertencentes à massa falida da Usina Santo André, que decretou falência há 22 anos e foi arrendada, há cerca de 10 anos, pela Agropecuária Javari. Em 2019, a empresa solicitou na Justiça que as famílias fossem retiradas do local através de uma reintegração de possse, alegando que se tratavam de invasoras das terras, uma vez que muita gente tinha chegado depois ao local. </p>



<p>Os agricultores então contestaram. No segundo semestre do ano passado, em sessão realizada pelos desembargadores da 2ª Câmara Cível, foi determinada a intimação do Núcleo de Mediação do TJPE para a tentativa de conciliação entre as partes envolvidas. Mas nenhuma audiência chegou a acontecer.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Motivo do crime ainda não elucidado</h3>



<p>Segundo Juliana Accioly, uma das advogadas do Cendhec, com os depoimentos desta quinta (3), algumas questões foram elucidadas e outras ainda não . Ela reforça que a motivação do crime que culminou com a morte de Jonathas ainda não está elucidada. A polícia segue colhendo depoimentos dos homens detidos e outras pessoas mencionadas em depoimentos também serão ouvidas.</p>



<p>Por enquanto, dois homens foram presos e dois adolescentes foram detidos por envolvimento no crime. Em nota, a Polícia civil afirmou que “o caso segue sob investigação”, sem fornecer mais detalhes.</p>



<p>Apesar do medo e do trauma, Geovane e a família decidiram que querem permanecer na comunidade e por isso optaram por não entrar no Programa de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita).</p>



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	                                        <p class="m-0">Polícia Civil ainda vai ouvir pessoas citadas nos depoimentos. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>A nova Comissão de Acompanhamento dos Conflitos Agrários</strong></h4>



<p>Na quarta-feira, 2 de março, o governador Paulo Câmara (PSB) assinou decreto que cria a Comissão Estadual de Acompanhamento dos Conflitos Agrários de Pernambuco (Ceaca-PE), coordenada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. De caráter exclusivamente consultivo, diferente da Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Agrários, criada em 2019, o objetivo da nova comissão é contribuir na implementação de medidas de prevenção, mediação e resolução de conflitos, a fim de garantir o direito à terra e a efetivação de sua função social.</p>



<p>O decreto também regulamenta o Programa Estadual de Prevenção de Conflitos Agrários e Coletivos (PPCAC), anunciado em fevereiro, com investimentos de R$ 2 milhões.</p>



<p>“A comissão passa a colocar diversas secretarias e órgãos em uma mesma mesa para tratar individualmente de cada processo de conflito agrário, envolvendo vários órgãos do governo e as defensorias públicas da União e do estado. O grupo vai individualizar as demandas e discutir, de forma articulada, as melhores soluções para pacificar esses conflitos”, explicou o governador em comunicado.</p>



<p>No mesmo comunicado, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Eduardo Figueiredo, informou que a primeira reunião já foi realizada, em 23 de fevereiro. “O Programa de Prevenção de Conflitos Agrários e Coletivos vai dar suporte à comissão. Ao mesmo tempo em que nós vamos discutir alternativas, o programa, por meio da equipe técnica, vai realizar visitas, produzir relatórios técnicos e intervenções e vai subsidiar a comissão, além de fazer a proteção. Se for identificada alguma pessoa envolvida no conflito que esteja precisando da ordem de proteção, o programa já vai atuar, tanto na prevenção do conflito quanto na proteção”, afirmou Figueiredo.</p>



<p>A comissão conta com as participações de representantes titulares e suplentes das secretarias estaduais de Justiça e Direitos Humanos, Desenvolvimento Agrário, Defesa Social, Planejamento e Gestão e Procuradoria Geral do Estado, além do Instituto de Terras e Reforma Agrária (Iterpe), Ministério Público de Pernambuco, Defensoria Pública do Estado, Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Defensoria Pública da União, Tribunal de Justiça de Pernambuco, Comissão de Cidadania de Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa do Estado, Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal e entidades da sociedade civil.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Agricultores vinham denunciando violência na região onde criança foi executada em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultores-vinham-denunciando-violencia-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Feb 2022 00:14:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Barreiros]]></category>
		<category><![CDATA[criança assassinada]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
		<category><![CDATA[Zona da Mata]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhadores e trabalhadoras rurais de antigas usinas de cana-de-açúcar na Mata Sul de Pernambuco vêm reivindicando às autoridades proteção e soluções definitivas para os conflitos fundiários locais já há algum tempo. Esse movimento ganhou força no início de 2020, começo da pandemia, quando as ameaças e violências aumentaram, transformando engenhos de casas simples em palcos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Trabalhadores e trabalhadoras rurais de antigas usinas de cana-de-açúcar na Mata Sul de Pernambuco vêm reivindicando às autoridades proteção e soluções definitivas para os conflitos fundiários locais já há algum tempo. Esse movimento ganhou força no início de 2020, começo da pandemia, quando as ameaças e violências aumentaram, transformando engenhos de casas simples em palcos de roubos, queima e destruição de lavouras, contaminação de fontes de água e de cacimbas e também <a href="https://marcozero.org/onu-vai-investigar-ataques-quimicos-contra-camponeses-da-mata-sul-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aplicação de veneno</a> sobre casas e plantações.</p>



<p>Foi preciso que uma <a href="https://marcozero.org/crianca-de-9-anos-filho-de-lider-rural-e-assassinada-na-mata-sul-e-entidades-exigem-rigor-nas-investigacoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">criança de apenas nove anos fosse brutalmente assassinada</a> para que as famílias fossem ouvidas e o Programa Estadual de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PEPDDH-PE) fosse acionado, no fim de semana, pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos.</p>



<p>A notícia da morte de Jonathas Oliveira, filho de uma liderança rural do Engenho Roncadorzinho, em Barreiros, chocou o Brasil na manhã da última sexta-feira, dia 11, quando a notícia do crime espalhou-se pelo país. O pai dele, Geovane da Silva Santos, presidente da Associação de agricultores(as) familiares do local, foi atingido de raspão no ombro e sobreviveu ao atentado na noite anterior, quando sete homens encapuzados e armados invadiram a residência da família. O menino estava escondido debaixo da cama com a mãe e foi alvejado deliberadamente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Representantes do Programa de Proteção visitaram família do menino assassinado. Crédito: Ylka Oliveira/Fetape</p>
	                
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<p>Integrantes do Programa Estadual de Proteção realizaram uma visita à família da criança assassinada, no sábado, e fizeram uma escuta especializada com as vítimas sobreviventes. O PEPDDH-PE vai acompanhar as investigações junto à Polícia Civil de Pernambuco, que, nesta segunda-feira, dia 14, informou que “seguem as investigações. Mais informações não podem ser repassadas no momento para não atrapalhar as diligências”.</p>



<p>Na manhã da próxima sexta-feira, dia 18, está sendo programado um ato em Barreiros que reunirá as famílias que moram em comunidades de engenhos da região para pedir por justiça e pelo fim dos conflitos por terra. No dia, as comissões de Direitos Humanos do Senado e da Câmara Federal estarão no local para diligências. Nas redes sociais, o senador Humberto Costa (PT), que preside a comissão no Senado, disse que irá cobrar do governador Paulo Câmara (PSB) o rápido aprofundamento das investigações.</p>



<p>A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife publicou uma carta ao governador pedindo &#8220;empenho pessoal na rigorosa apuração do atentado&#8221;. &#8220;Esse crime bárbaro, perpetrado por sete homens encapuzados e fortemente armados, que não hesitaram em atirar no menino indefeso, escondido sob a cama com sua mãe, não pode ficar impune! V. Exa. não pode permitir que Pernambuco se transforme num estado dominado por milícias&#8221;, diz o texto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">CPT denunciou violência na Zona da Mata</h2>



<p>O <a href="https://www.cptnacional.org.br/publicacoes/noticias/conflitos-no-campo/5904-balanco-da-questao-agraria-no-brasil-em-2021-cpt-nordeste-ii" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Balanço da Questão Agrária no Brasil em 2021</a>, da Comissão Pastoral da Terra Nordeste 2 (CPT NE2), chamou a atenção para o que vem acontecendo na Mata Sul pernambucana. Situações como as do Engenho Roncadorzinho se repetem também no <a href="https://marcozero.org/ameacadas-por-dono-de-imobiliaria-familias-agricultoras-estao-sob-pressao-na-mata-sul/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Engenho Batateiras</a>, no município de Maraial, e no <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Engenho Fervedouro</a>, no município de Jaqueira. Os três engenhos já foram pauta de reportagens da Marco Zero nos últimos dois anos. </p>



<p>O que antes eram usinas de monocultura da cana para produção de álcool e açúcar hoje são imóveis com dívidas milionárias. Em crise, muitas usinas faliram e terminaram sendo repassadas a empresas do ramo imobiliário e da pecuária. “Esses empreendimentos estão sendo denunciados sob a acusação de invasão de terras e de promoverem práticas violentas contra centenas de famílias agricultoras que moram na região há décadas, sendo muitas, inclusive, credoras das antigas usinas falidas”, diz o relatório do balanço da CPT NE2.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/" class="titulo">Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading">A indiferença do governo estadual</h3>



<p>“Não queremos alimento com sangue na mesa das pessoas”, crava a presidenta da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), Cícera Nunes. “A gente já vem denunciando esse descaso, esse abandono do governo do Estado nessa região”, diz ela. Pelos cálculos da Cícera, o governador Paulo Câmara (PSB) já foi oficiado ao menos cinco vezes pela Fetape e CPT. Fora, segundo Cícera, os ofícios protocolados Fórum do Campo, que reúne em torno de 30 organizações. </p>



<p>No entanto, o governador nunca recebeu a comunidade nem as entidades representativas, diz a presidenta. Ela lembra ainda que, em Batateiras, um homem de 30 anos foi baleado e ficou com sequelas, mas a família nunca recebeu proteção. Secretarias de governo, Ministério Público e Tribunal de Justiça de Pernambuco também vinham sendo acionados.</p>



<p>Cícera lembra que Geovane já havia sofrido duas investidas com invasão à própria residência. Na primeira, levaram uma TV. Na segunda, no fim do ano passado, pularam a porta da casa e levaram um celular.</p>



<p>“Temos um governo nacional com o qual não contamos, não contamos com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Então temos que recorrer ao Governo do Estado na questão da reforma agrária”, acrescenta Cícera, lembrando que os governos estaduais também podem cuidar de questões relativas a massas falidas de antigas usinas.</p>



<p>“Não é uma questão de falta de cobrança ao Estado”, reforça a presidenta, se referindo à quantidade de vezes que as famílias rurais da Mata Sul já solicitaram ajuda. “Queremos justiça, queremos que achem os assassinos de Jonathas, queremos paz no campo, produção de qualidade e vida na mesa nas pessoas”, reivindica.</p>



<p>Nesta segunda (14), aconteceram, na Delegacia de Barreiros, as escutas do pai e da mãe de Jonathas. O irmão e irmã não foram ouvidas, como estava previsto, porque não deu tempo. </p>



<p>Em nota, as organizações sociais disseram que “estão acompanhando os desdobramentos do caso e seguem cobrando das autoridades uma rápida e contundente apuração do crime e de sua eventual relação com o conflito agrário instaurado no local, sendo certo que, independentemente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma família camponesa e a execução cruel de uma criança”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Nota do Governo de Pernambuco</strong></p><cite>A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), por meio de sua Executiva de Direitos Humanos (SEDH), informa que, desde a sexta-feira, 11.02, equipes do Programa Estadual de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PEPDDH) vêm realizando articulações com as polícias Militar e Civil de Pernambuco a fim de garantir a proteção da família e de todos os moradores da comunidade do Roncadorzinho, em Barreiros. Essa equipe mantém diálogos com representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (Fetape).<br><br>Juntamente com a equipe do PEPDH, a Secretaria de Justiça enviou ao local onde ocorreu o crime, ainda no final de semana, uma equipe técnica do Núcleo de Acolhimento Provisório (NAP) disponibilizando serviços para salvaguardar a vida da família e de possíveis testemunhas do crime. O atendimento realizado por profissionais de Psicologia, Serviço Social e Direito, é baseado em escuta humanizada e especializada. A SJDH ressalta que diversas ações estão programadas para os próximos dias visando à prestação da assistência psicossocial e jurídica à família da criança, bem como ao acompanhamento das investigações pelos órgãos responsáveis.<br><br>A secretaria reitera que vem somando esforços com as demais secretarias estaduais, Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Poder Judiciário e entidades da Sociedade Civil com a finalidade de desenvolver uma resolução pacífica para os conflitos agrários, atuando na perspectiva de proteger as comunidades vulneráveis e garantir os direitos humanos.</cite></blockquote>



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<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultores-vinham-denunciando-violencia-em-pernambuco/">Agricultores vinham denunciando violência na região onde criança foi executada em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Contra o desmonte, a resistência: como os movimentos rurais atravessaram 2019</title>
		<link>https://marcozero.org/movimentos-rurais-2019/</link>
					<comments>https://marcozero.org/movimentos-rurais-2019/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2019 11:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto o presidente Jair Bolsonaro anunciava a possibilidade de enviar um projeto de Garantia da Lei e Ordem (GLO) do Campo para o Congresso Nacional, no dia 25 de novembro, três acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) passavam por violentos despejos no município de Juazeiro, no norte da Bahia. Um integrante do movimento foi baleado durante ação das polícias federal e militar com o apoio de milícias armadas da região. Ao todo, 700 famílias viram suas casas desmoronarem e foram despejadas das terras que ocupavam desde 2012.</p>



<p>GLO é um recurso
previsto na Constituição Federal, que autoriza o uso das Forças
Armadas em situações de “pertubação da ordem”, e que pode ser
demandado apenas pelo presidente da República. Bolsonaro citou esse
projeto destinado à zona rural logo após encaminhar para a Câmara
Federal a proposta de excludente de ilicitude em operações de GLO
que, em resumo, considera a maioria das ações de agentes de
segurança e militares como “legítima defesa”. 
</p>



<p>No projeto, a
“legítima defesa” de agentes públicos é prevista em atuações
para quatro situações: prática ou iminência de prática de
terrorismo; prática ou iminência de prática de conduta capaz de
gerar morte ou lesão corporal; restrição da liberdade da vítima,
mediante violência ou grave ameaça e porte ou utilização
ostensiva de arma de fogo. O projeto proíbe ainda a prisão em
flagrante dos agentes e policiais. 
</p>



<p>Situações marcadas por vários tipos de violência, como aconteceu em Juazeiro, na Bahia, foram recorrentes em 2019, como mostra o levantamento do MST de Pernambuco (confira nas artes abaixo). No estado, oito acampamentos dos sem terra sofreram despejos e 17 são alvos de processos de reintegração de posse. Caso o excludente de ilicitude em GLOs seja aprovado pela Câmara e Senado Federal, a zona rural será a mais prejudicada.</p>



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	                                        <p class="m-0">17 acampamentos do MST em Pernambuco estão sob ameaça de reintegração de posse</p>
	                
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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">11 acampamentos do MST em Pernambuco passaram por ações de despejo em 2019</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>
Sendo a questão fundiária no Brasil uma disputa desigual já tão
regada a sangue, por que o presidente aposta no endurecimento das
medidas de reintegração de posse criando o excludente de ilicitude
em GLOs e uma GLO específica do campo? 
</p>



<p>A resposta parece óbvia: aumentar a pressão sobre os movimentos sociais no meio rural, sufocando seus meios de sobrevivência e resistência. Essa e outras medidas e ações efetuadas neste primeiro ano de governo fazem parte de um desmonte das forças do campo e de um projeto de país que não enxerga os agricultores, agricultoras familiares e as populações tradicionais do campo – quilombolas e indígenas &#8211; como prioridade.  </p>



<p>A preocupação de Bolsonaro, como ele mesmo afirmou no dia 25 de novembro, é com a “propriedade privada”. Sua postura intensifica a guerra de classes no campo, que acontece entre o latifúndio e os trabalhadores rurais. Por trás do latifúndio, está a bancada ruralista que apoiou veementemente a eleição do atual presidente. Por mais que as relações entre Bolsonaro e todas as forças neoliberais que o apoiam sejam instáveis, muito do que foi prometido pelo presidente em prol de uma elite social e econômica tem sido colocado em prática.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Reformas previdenciária e sindical</h2>



<p>
O MST não é o único alvo. Sindicatos rurais se movimentaram
fortemente para que a Reforma da Previdência não alcançasse os
trabalhadores do campo e conseguiram de certa forma uma vitória com
a manutenção da idade mínima para aposentadoria, mas a burocracia
tem se intensificado. A possibilidade de uma reforma sindical, que
Bolsonaro vem tentando articular, também ameaça a força de
mobilização dessas organizações. 
</p>



<p>Em maio, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a mover uma ação para cobrar do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que cumprisse o prazo legal de 45 dias para concessão do benefício de aposentadoria. Atualmente, esse prazo tem sido estendido para seis meses e há casos em que a espera passou de 12 meses.   </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Caruaru, 14 de setembro de 2019. Mulheres do Assentamento Normandia se unem contra ação de despejo do Centro de Formação Paulo Freire. Ação que é jurídica e política. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>
No campo, essa dificuldade tem sido ainda maior. Antes, com o
trabalhador rural apresentando documentos que comprovassem sua
filiação ao sindicato em 15 anos de atuação profissional já eram
suficientes. Isso evidencia justamente o papel indispensável das
entidades sindicais na garantia dos direitos da categoria dos
agricultores familiares. Hoje,
esses trabalhadores precisam comprovar muitas vezes a
produção de seu trabalho.</p>



<p>Mas, como comprovar
ou pôr em termos oficiais um trabalho que acontece de maneira tão
artesanal como é o caso da agricultura familiar? Para as mulheres, é
mais difícil. Muitas vezes as terras não estão registradas nos
nomes delas, os programas de financiamento muito menos. Como
comprovar o trabalho dessas mulheres e até a dupla jornada que elas
enfrentam? 
</p>



<p>São questões que a
burocracia não resolve, mas funciona para prejudicar a vida de
muitas famílias.</p>



<p>E existe um
agravante. Não há um critério regional para definir quem avalia os
pedidos de aposentadoria no sistema digital do INSS. Funcionários de
outros estados podem analisar a documentação de um agricultor
familiar do interior do Nordeste, por exemplo. 
</p>



<p>De acordo com a
presidenta da Federação de Trabalhadores Rurais Agricultores e
Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), Cícera
Nunes, isso tem impactos significativos no andamento dos benefícios
previdenciários rurais, já que nem todos os funcionários conhecem
“a realidade do campo e dos trabalhadores de cada lugar”.</p>



<p>Já o projeto de reforma sindical, deve ser apresentado ao Congresso Nacional em março de 2020. Cícera enxerga a possível reforma como uma tentativa de enfraquecer as organizações do campo e, com isso, tirar a força dos agricultores e das agricultoras familiares.  </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Brasília, 14 de agosto de 2019. Mulheres do campo de todo o Brasil tomam as ruas de Brasília na Marcha das Margaridas, reivindicando o direito a ter reconhecido o seu trabalho no meio rural, com renda e aposentadoria dignas. Crédito: Inês Campelo/MZConteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>
A proposta de Bolsonaro pretende afastar o Estado da fiscalização
dos sindicatos e afrouxar as regras para a criação das entidades.
Atualmente, organizações sindicais só saem do papel com o registro
dado pelo governo, o que ajuda a garantir a unicidade sindical. Hoje,
é proibido o estabelecimento de mais de um sindicato representativo
de uma categoria na mesma base territorial.</p>



<p>“Ter uma unidade sindical dá mais força às nossas lutas. A categoria já foi separada entre os trabalhadores assalariados e os agricultores e as agricultoras familiares, porque a relação de trabalho é diferente. Enquanto os assalariados têm o valor assegurado na carteira, a agricultura familiar tem a terra. O que não faz sentido é desmembrar a categoria dos agricultores familiares criando vários sindicatos e espalhando os trabalhadores. Essa é uma forma de nos enfraquecer”.  </p>



<h2 class="wp-block-heading">Semiárido</h2>



<p>
No que diz respeito ao acesso à água em regiões do campo, apenas
uma chamada pública foi feita pelo Governo Federal às organizações
da sociedade civil para a implantação de cisternas, em 2019.
Segundo a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), isso
evidencia a falta de atenção do Governo Federal com as políticas
públicas voltadas para o semiárido. 
</p>



<p>O governo Bolsonaro tem mantido os contratos de construções de cisternas que existem antes da sua gestão e feito novos contratos para a instalação dessas tecnologias em escolas. Contudo, essas medidas não garantem o suporte à questão da produção de alimentos, o que não corresponde com o grande potencial de produção alimentar do semiárido.  </p>



<p>A redução de investimentos no Programa Cisternas começou ainda em 2015, e aumentou no segundo ano da segunda gestão de Dilma Rousseff (PT), em 2016, quando o país enfrentava uma crise política e econômica que resultou no golpe que levou à presidência da República Michel Temer (MDB), com o apoio da bancada ruralista.</p>



<p>“O país não está criando condições para que se conviva com o semiárido e, não conviver com o semiárido significa uma não expansão da agroecologia, por exemplo. A região foi olhada durante alguns governos e o fato de se ter politicas voltadas adequadamente fez com que o semiárido se desenvolvesse. Fez com que tenhamos passado oito anos de estiagem sem ter uma morte humana. Perdemos alguns animais e plantas, mas ninguém morreu por causa disso. E, anteriormente, nós chegamos a ter um milhão de mortes.”, conta Naidison Baptista, da coordenação nacional da ASA.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Crédito-ASA-Brasil-300x200.jpg">
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	                                        <p class="m-0">A falta de prioridade do governo Bolsonaro para o Programa Cisternas pode fazer voltar ao campo o cenário de insegurança alimentar que marcou por séculos a vida no semiárido nordestino: Crédido: ASA Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p> Segundo matéria publicada no site UOL, entre 2015 e 2019, as verbas destinadas aos orçamentos do programa representaram 80% do valor investido em 2014. A ausência de recursos vai de encontro à fila de espera por cisternas, já que, segundo a ASA, 343 mil famílias do semiárido brasileiro não têm cisternas ou outra fonte de abastecimento ou reserva de água. O valor de investimento orçado para o Programa de Cisternas em 2019 foi de R$ 75 milhões, mas, ainda segundo a ASA, seriam necessários R$ 1,25 bilhão para atender à demanda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Crescimento neopentecostal</h2>



<p>
O desmonte que visa a desmobilização da esquerda na zona rural
acontece também por meio de outros fenômenos sociais como o avanço
do conservadorismo na América Latina e também do fundamentalismo
religioso. O padre Hermínio Canova, membro da Comissão Pastoral da
Terra (CPTNE2) desde 1988, aponta que um dos marcos do primeiro ano
de governo Bolsonaro no campo é o crescimento do fundamentalismo
neopentecostal nas comunidades rurais. 
</p>



<p>A comissão
acompanha 87 comunidades camponesas em Pernambuco e 300, ao todo, nos
estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Durante a realização de uma pesquisa de atualização de dados, a
organização constatou que há muitos conflitos religiosos entre as
famílias dessas comunidades. Houve o aumento de instalações de
igrejas neopentecostais nas localidades, que são adeptas do que o
padre explica ser a Teologia da Prosperidade.</p>



<p>“Essas igrejas têm
muita influência do pentecostalismo americano e do capitalismo e
enxergam a riqueza material como uma benção de Deus. Não têm se
espalhado como nas periferias das grandes cidades, mas é real. O que
vemos no contato com as comunidades é a disseminação do
individualismo, da preocupação com a prosperidade e da
meritocracia. Com isso, as pessoas deixam de entender que a luta
pelos direitos é uma luta coletiva.”, conta Hermínio.</p>



<p>Em 2019, segundo dados da CPT divulgados no dia 10 de dezembro, o número de lideranças indígenas mortas em conflitos no campo foi o maior em onze anos. Ao todo, foram sete lideranças assassinadas, mais que o triplo do ano passado quando foram registradas duas mortes. O integrante do Conselho Missionário Indígena da Regional Nordeste (CIMI), Angelo Bueno, alerta para a ameaça às populações originárias em meio ao clima de guerra que toma conta da zona rural.</p>



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	                </figure>

	


<p>
“As populações tradicionais estão ainda mais vulneráveis,
porque falta também uma identificação com esses povos, entende?
Nós enxergamos o posicionamento do governo Bolsonaro como uma
tentativa de retomar a colonização no Brasil, um plano de voltar
para o ano 1.500. Isso tudo é por terra, para explorar
desenfreadamente os recursos naturais do país. A postura do
presidente diante das queimadas e do crescimento do desmatamento na
Amazônia são prova disso. Os povos tradicionais se tornam inimigos
porque são justamente aqueles que preservam esses recursos.”,
afirma Angelo.</p>



<p>O CIMI também vê a
ausência de resolução do Governo Federal para as questões
ambientais apresentadas em 2019 como uma ameaça às populações
originárias. 
</p>



<p>Com um aumento de
29,5%, comparando o período entre agosto de 2018 e julho de 2019, o
Brasil bateu o recorde de desmatamento na Amazônia da última
década, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe). O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
analisou imagens de satélite e constatou que 70% dos alertas de
queimadas emitidos pela Nasa, na Amazônia, foram feitos em áreas
produtoras de gado e próximas a frigoríficos.</p>



<p>Outro fator importante é o sucateamento da Fundação Nacional Indígena (Funai) que segue em curso. Em outubro, o atual presidente da fundação, Marcelo Augusto Xavier da Silva, substituiu antropólogos de dois grupos responsáveis por identificar terras indígenas em Pernambuco por indicações mais afinadas com a sua gestão. Marcelo prometeu modificar os critérios para as demarcações das terras indígenas porque, em sua avaliação, houve demarcações feitas de forma “ideológica e açodada”, como afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico no mês de novembro.</p>



<p>
Sobre as populações quilombolas, ainda não há dados desse ano.
Mas, em 2018, o número de assassinatos de vítimas desses povos
cresceu 350%, de acordo com a publicação “Racismo e Violência
contra Quilombos no Brasil”, organizada pela Coordenação Nacional
de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e
outras entidades. Foram 18 assassinatos em 2017, o que já
demonstrava um aumento significativo, já que o número registrado em
2016 foi de quatro mortes. Entre 2008 e 2017, ocorreram 29
assassinatos na região Nordeste. Desses, 13 foram na Bahia.</p>



<p>A violência de
gênero também se expressa de maneira específica nessas realidades.
Em 66% dos casos de assassinatos de mulheres quilombolas, foi
constatado o uso de arma branca e métodos de tortura.</p>



<p>Mesmo diante desse
cenário de intensa e constante ameaça às populações rurais, o
missionário do CIMI Angelo Bueno carrega resistência em sua fala:
“Os povos tradicionais são sementes da esperança e não se
intimidaram com os ataques”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resistência e articulação</h2>



<p>
Provavelmente, uma das frases mais ditas em 2019 foi “ninguém
solta a mão de ninguém”. O que muita gente não havia percebido é
que esse já era um lema dos movimentos rurais há muito tempo. Como
muitos movimentos urbanos têm percebido, ocampo é a
vanguarda da resistência e é para lá que se deve olhar quando tudo
parece perdido. 
</p>



<p>
Após doze anos no poder, uma das maiores críticas no campo
progressista feita ao Partido dos Trabalhadores (PT) é o
distanciamento da base. É recorrente ver essa crítica sendo
estendida aos movimentos de esquerda que compõe esse mesmo campo
político, mas essa realidade não se manifesta da mesma forma no
campo.</p>



<p>
Os movimentos, sindicatos e organizações continuam seus processos
de formação de base e estão em constante tentativa de diálogo com
a população. Não há um só dia de descanso entre despejos,
reformas e assassinatos políticos dos seus. A conjuntura política
atual que foi sendo desenhada bem antes do Golpe de 2016 evidenciou a
necessidade das pautas urbanas e rurais andarem lado a lado.</p>



<p>
“Tem que estar junto do povo e o povo tem que criar alternativas
para conseguir dar saltos. No nosso caso, a gente não quer que
exista acampamento, quer que exista acesso à terra. Acontece que
nesse período os acampamentos estão aumentando e, por aí, eu acho
que a gente pode ir fazendo um diálogo com o povo nos mais variados
modos.”, diz Paulo Mansan, da coordenação estadual do MST.</p>



<p>Ele aponta os espaços das feiras agroecológicas organizadas por várias entidades rurais, o Armazém do Campo e o Movimenta Cineclubes, iniciativa de audiovisual presente em várias comunidades do Recife,  como algumas maneiras de estabelecer diálogo com a população e chama atenção para a criação da Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional.</p>



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	                                        <p class="m-0">Brasília, abril de 2019, o deputado federal Carlos Veras (PT-PE) é escolhido presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Convivência com o Semiárido, na Câmara dos Deputados. Crédito: Fernanda Cruz/ASA</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>
Faz parte da resistência intervir no andamento da política
institucional e também cobrar dos políticos eleitos pela esquerda.
A presidenta da Fetape, Cícera Nunes, relembra que nas eleições de
2018  os movimentos do campo conseguiram chegar a um acordo e eleger
duas candidaturas no estado, a de Doriel Barros (PT) para a
Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e a de Carlos Veras (PT)
para a Câmara Federal. 
</p>



<p>Contudo, as
articulações não se restringem apenas à legenda petista e têm
sido feitas com PSOL, PSB, PDT e PCdoB. As eleições de 2020 se
anunciam também como uma oportunidade de eleger representantes de
origem popular para as câmaras municipais.</p>



<p>Alexandre Pires, da
ASA, afirma que a Frente Parlamentar em Defesa da Convivência com o
Semiárido e o Consórcio Nordeste, que reúne os governadores da
região, são espaços onde as organizações estão demarcando
presença e fazendo reivindicações.</p>



<p>“O que nós temos
defendido na ASA e na Articulação Nacional de Agroecologia é que
nós precisamos valorizar as lideranças locais, os trabalhadores e
as trabalhadoras, para ocuparem as cadeiras nas câmaras de
vereadores e nas prefeituras. Precisamos que o nosso povo, os
trabalhadores e trabalhadoras votem em trabalhadores e trabalhadoras
comprometidas e comprometidos com as necessidades e os sonhos e com
os desejos de uma sociedade mais justa. Não dá mais para
trabalhador continuar votando em patrão, em pessoas que são
bonitinhas porque são de uma família de políticos. Precisamos
renovar e renovar significa votar nos trabalhadores e trabalhadoras.”</p>



<p>Não à toa, a
maioria dos movimentos e entidades do campo hastearam conjuntamente a
bandeira em defesa da liberdade do ex-presidente Lula (PT). Para além
de englobar as pautas da esquerda, sejam elas de classe ou
identitárias, do campo ou da cidade, o
petista significa
para muitos trabalhadores e
trabalhadoras do campo e da cidade uma
possibilidade de retomar a força de articulação
e diálogo para a
restauração das bases
sociais da
democracia. Um desafio que
está posto para 2020.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/movimentos-rurais-2019/">Contra o desmonte, a resistência: como os movimentos rurais atravessaram 2019</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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