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	<title>Arquivos ministério da saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos ministério da saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Zika: 10 anos depois, mães lutam pela sobrevivência e país vive a incerteza de novos surtos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raíssa EbrahimMariama Correia Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Raíssa Ebrahim</strong><br><strong>Mariama Correia<br></strong></p>



<p>Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus. “Foi uma pancada, um choque. ‘O que vai acontecer?’, foi o que eu perguntei para o médico. ‘E agora, eu faço o quê? Tem alguma solução, alguma cirurgia?’. Era uma coisa muito nova. Então um misto de sentimentos, um medo e uma incerteza.”</p>



<p>Dez anos depois, essa incerteza ainda é presente na vida da mãe e das várias outras famílias de crianças com microcefalia causada pelo surto da doença. Embora não existam dados oficiais sobre a quantidade de mães que cuidam sozinhas dos filhos com a síndrome congênita do zika vírus, boa parte dessas famílias são chefiadas por mães solo, como Adalgisa, que representam 13,5% das famílias brasileiras, segundo o IBGE. Em 11 de outubro de 2015, o Ministério da Saúde <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1813_11_11_2015.html#:~:text=no%20%C3%A2mbito%20nacional;-,Art.,na%20data%20de%20sua%20publica%C3%A7%C3%A3o." target="_blank" rel="noreferrer noopener">decretou</a> a epidemia do zika vírus como emergência de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023.</p>



<p>Uma década depois do surto, os casos diminuíram, as pesquisas evoluíram, mas algumas perguntas seguem sem respostas. Além das questões sobre a evolução clínica das crianças, que apresentam novas complicações a medida em que vão crescendo, e a capacidade do Estado de acolhê-las em suas necessidades, restam dúvidas sobre os riscos de vivermos novas epidemias por arboviroses como o zika no Brasil, sobretudo em outras regiões do país que estão ficando mais quentes, em razão das mudanças climáticas, onde a maioria da população ainda não desenvolveu imunidade ao vírus.</p>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> e a <strong>Agência Pública</strong> conversaram com mães de crianças com a síndrome congênita do zika vírus em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Abandonadas pelos parceiros, que fugiram das responsabilidades parentais logo após o diagnóstico dos filhos, elas vivem batalhas solitárias pela sobrevivência e qualidade de vida das crianças, se dedicando cotidianamente aos cuidados e às terapias, sem muito tempo para olhar para si.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Por que isso importa</span>

		<p>A epidemia de zika, que teve o seu auge no Brasil em 2015, foi um surto sem precedentes que causou o nascimento de bebês com microcefalia e outros problemas neurológicos a partir de mães que foram infectadas durante a gravidez. A maior parte dos casos no país aconteceu no Nordeste.</p>
<p>Apesar da diminuição dos casos, as mudanças climáticas podem alterar o comportamento e habitat dos mosquitos e levar a novas epidemias no futuro</p>
	</div>



<p>“Ele [o pai de Emily ] seguiu a vida dele e abandonou os dois filhos”, lembra Adalgisa Neta. “Quando ele saiu de casa, faltavam 10 dias para [pagar] o aluguel. Eu fiquei desesperada. Não tinha nem o que comer.” Ela conta que o ex-marido paga apenas R$ 116 de pensão para Emily. “Ele disse, na Defensoria Pública, que não tem como pagar a pensão. Eu fiquei chocada, comecei a chorar. Ele tem uma vida boa. Comprou uma moto, tem casa própria com a atual esposa, trabalha em ótimas academias como personal.”</p>



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	                                        <p class="m-0">O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023. (Crédito: Inês Campel/MZ)</p>
	                
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<p>A principal renda da família é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. Mãe e filhos dormem no mesmo quarto. O dinheiro mal dá para pagar o aluguel e cobrir os gastos domésticos, fora os remédios de Emily, que demanda vários tratamentos e aguarda uma cirurgia de quadril pelo SUS há quatro anos. “Muitas vezes no meio do mês ela não tem nem o que comer”, conta Neta, explicando que faz dois meses que ela não recebe o suplemento alimentar da menina, distribuído pela prefeitura.</p>



<p>A maior esperança da mãe, atualmente, tem sido receber a <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/familias-de-criancas-com-deficiencia-causada-pelo-zika-virus-receberao-indenizacao-de-r-60-mil-do-governo-federal#:~:text=Fam%C3%ADlias%20de%20crian%C3%A7as%20com%20defici%C3%AAncia,Direitos%20Humanos%20e%20da%20Cidadania&amp;text=Requerimentos%20de%20Pens%C3%A3o%20Especial%20da,Situa%C3%A7%C3%A3o%20dos%20processos%20em%20an%C3%A1lise." target="_blank" rel="noreferrer noopener">indenização</a> anunciada pelo governo federal para as famílias de crianças com deficiência causada por infecção pelo zika vírus, mas o processo dela ainda está em análise. “Quero comprar a cadeira de rodas dela. Organizar o quarto, dar mais qualidade de vida para ela. A questão da alimentação”, sonha.</p>



<p>Muitas mães ainda aguardam a análise e o pagamento da indenização. Algumas procuradas pela reportagem ficaram receosas em falar sobre o dinheiro, temendo se tornarem alvo de criminosos ou até dos próprios ex-maridos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pai ausente, mãe solo de três filhos</strong></h2>



<p>Hilda Venâncio da Silva, 47 anos, morava em San Martin, na zona oeste do Recife, quando engravidou de Matheus, que nasceu com microcefalia associada ao zika vírus. “Foi difícil aceitar. Mas eu nunca enxerguei Matheus com nenhuma deficiência. Para mim, ele é um bebê que tem limitações”, diz.</p>



<p>Na época do nascimento, há dez anos, ela era casada. Tinha mais duas filhas com o ex-marido, hoje com 18 e 16 anos. Quando Matheus fez três anos, sem conseguir no Recife as terapias de que a criança precisava, a mãe se mudou para Campina Grande, na Paraíba, para contar com o suporte do centro de reabilitação montado pelo Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq).</p>



<p>A temporada de reabilitação intensiva deveria durar três meses, mas Silva conseguiu suporte permanente para o filho na cidade nova. O pai e as meninas se mudaram para lá também. Mas a separação aconteceu dois meses depois da mudança. Ela tornou-se mãe solo de três, longe de casa, sem emprego, pensão nem rede de apoio.</p>



<p>“Ele me agredia desde antes de Matheus [nascer]. Antes com palavras e depois fisicamente. Eu resolvi seguir a minha vida sozinha mesmo com os desafios”, conta. Silva sustenta a família trabalhando como auxiliar de cozinha. “Hoje consigo trabalhar porque as meninas agora são grandes e me ajudam muito. Enquanto eu vou trabalhar, a mais velha fica com Matheus. É vida que segue porque ele depende de mim para tudo.”</p>



<p>Com um salário de R$ 1,6 mil e o BPC de Matheus, Silva sustenta toda a família sozinha. Até hoje, o ex-marido não paga pensão. Ela paga R$ 600 de aluguel e gasta entre R$ 200 e R$ 400 por mês de suplementos para o menino, que não são fornecidos pela prefeitura de Campina Grande.</p>



<p>Depois de muita luta, ela conseguiu um carro municipal para levar Matheus aos tratamentos semanais. Periodicamente ele precisa ir até o Recife para consultas médicas com especialistas, como neurologista e oftalmologista. Silva ainda está com a indenização federal em análise e teme que o pai das crianças e a família dele possam reaparecer por causa do dinheiro. Ela disse que o ex-marido chegou a dizer a ela que a indenização iria para os pais das crianças, não para as mães, o que é falso.</p>



<p>“Desde quando Matheus nasceu, sempre fui eu que levei para consulta e terapia. Ele já era um pai ausente, mesmo vivendo sob o mesmo teto”, desabafa. “É cansativo, é sobrecarregado, mas é aquela coisa: Deus só dá aquilo que sabe que a gente pode carregar”, acredita Silva, que há tempos não vai numa consulta médica nem faz exames. Ela também gostaria de ter acompanhamento psicoterapêutico para ela.</p>



<p>A mãe conta que não gosta de projetar o futuro, pelo medo que tem de perder seu filho. “Isso eu não quero nem pensar. Eu vivo o hoje. Eu já vi tantas mães perderam os filhos. Se eu for parar pra pensar, eu vou perguntar assim ‘ô meu Deus, será que daqui 10 anos meu filho vai estar vivo? Será que eu vou estar viva?’. A gente pede a Deus saúde para continuar firme e forte. O resto a gente corre atrás”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda”</strong></h3>



<p>“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia. Porque a gente não tem saneamento básico, é uma precariedade”. A fala é da dona de casa Claudilene Reis dos Santos, 30 anos, mãe de três filhos. A primeira gestação dela foi aos 18 anos. O filho do meio é Kauan, nasceu com microcefalia em decorrência da zika.</p>



<p>No dia em que a reportagem visitou a casa de Santos, em Peixinhos, na periferia de Olinda, Região Metropolitana do Recife, a família estava há dez dias sem água. Morando há dois anos no local, eles enfrentam a mesma realidade da época em que a mãe se infectou: o esgoto que escorre a céu aberto na entrada da casa simples, de dois quartos, onde Kauan dorme na sala.</p>



<p>“Eu me separei com três meses de gravidez de Kauan e, quando meu ex-marido soube (da microcefalia), não quis ter a responsabilidade de pai”, diz Santos. Ela espera desde 2019 o desfecho de uma ação judicial que moveu contra o ex para que ele pague a pensão dos dois filhos mais velhos, cerca de R$ 400. “Ele se manifestou e veio bater na minha porta armado depois que coloquei ele na Justiça”, conta.</p>



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	                                        <p class="m-0">“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia&#8221;, diz Claudilene Reis, mãe de Kauan. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Kauan passou recentemente mais de um mês internado no hospital em decorrência de uma pneumonia que se agravou. Em uma década, foi a primeira vez que Santos ficou longe do filho, enquanto ele estava entubado na UTI. Ele já passou por três cirurgias, uma delas para instalar uma sonda gastrointestinal, por onde ele se alimenta de três em três horas e por onde também são administradas as cinco medicações que ela toma diariamente.</p>



<p>Por conta da condição de saúde, ele tem desnutrição crônica, pesa 16 quilos, e a dificuldade de deglutir dificulta ainda mais o ganho de peso. Há um ano, quando fez a cirurgia de quadril tão aguardada por Emily, filha de Adalgisa Neto, Kauan chegou a pesar apenas 11 kg, após um pós-operatório complexo e delicado. “Depois que a gente é mãe, aprende a ser enfermeira, médica, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional”, brinca Santos. Ao longo dos anos, foi também entendendo as pequenas expressões de dor e de alegria do filho.</p>



<p>“No começo, quando ele nasceu, eu passei um mês sem sair de casa. Eu dizia &#8216;Ai meu Deus, como eu vou andar com ele na rua?’”, porque o povo ia olhar, ia falar. E a gente passou mesmo por isso no começo. Lembro que, num terminal de ônibus, uma mulher riu dele dizendo ‘eita, olha o menino da cabecinha’”, lembra. “Hoje Kauan é meu xodó, eu saio mais com ele do que com as minhas outras meninas. A gente vai para tudo que é canto, praia, piscina, shopping, igreja, jogo de futebol”, comemora.</p>



<p>Santos casou de novo. O atual marido, com quem teve a terceira filha, assumiu o papel de pai das três crianças. Ela sabe que o caso dela é uma exceção. Os cinco vivem com dois salários mínimos, sendo um do BPC de Kauan e o outro do trabalho de motorista do marido num armazém de construção. Hoje, a única coisa que ela espera do futuro é que “Que Deus dê muita saúde” ao filho, “porque a gente vive um dia de cada vez. Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda.”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Uma mãe cuidando da outra”</strong></h4>



<p>Quando se viram sozinhas, sem o amparo adequado do Estado, as mães de crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika formaram redes de apoio entre elas para lutar por direitos, trocar experiências, desabafos e sonhos.</p>



<p>Luciana Arrais, presidente da Unizika, organização nacional dedicada à luta por políticas públicas para essas famílias, lembra que os direitos que elas conseguiram até agora, como as indenizações, foram conquistados a duras penas. “Nós que fomos organizadas nos ministérios, no Congresso, nos órgãos públicos dizer que nossos filhos estão aqui”. Atualmente, a principal luta da Unizika é para que todas as famílias recebam o BPC, porque ainda há muitas desassistidas.</p>



<p>“Somos nós por nós, uma mãe cuidando da outra. Há muitas mães que não têm um auxílio, uma ajuda de custo, que vivem com o BPC dos filhos. Se tirar algo pra comprar um sabonete pra ela, um absorvente que seja, são julgadas porque ‘é o dinheiro da criança’. Acontece que, se essa mãe não estiver bem, como ela vai cuidar da criança?”.</p>



<p>Germana Soares, presidente da União Mães de Anjo (UMA) de Pernambuco, tornou-se militante pela causa depois de ter Guilherme, hoje com dez anos. É ela quem muitas vezes impulsiona outras mães a lutarem por tratamentos, educação, inclusão e conseguirem na Justiça o direito à pensão dos filhos.</p>



<p>Soares também costuma dizer “somos nós, as mães pelas mães”. “São mulheres que afundaram seus sonhos, pararam de estudar, trabalhar, investir em si para viver a vida de um filho que teve um vírus atravessado por uma irresponsabilidade do Estado brasileiro”, diz. “O Estado falhou nas ações e na prevenção e continua falhando. Desde quando não controla o vetor, o mosquito Aedes aegypti, e os índices de contaminação, até quando falta saneamento básico para todos, abastecimento de água nas torneiras, água potável de uma forma regular. Ou quando o carro do lixo passa somente de 10 em 10 dias para recolher o lixo de uma comunidade inteira”, complementa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">“Mudanças climáticas são risco para nova epidemia”, diz médica</h5>



<p>A neurologista infantil Vanessa Van Der Linden trabalhava no hospital público Barão de Lucena, no Recife, em 2015, quando os casos de microcefalia começaram a aumentar. Ela foi a primeira médica a associar a relação entre o zika vírus e a microcefalia durante o surto da doença no Brasil. Naquele ano, estimativas apontavam para mais de um milhão de infecções pela doença no país e mais de <a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2015/12/30/brasil-registra-quase-3000-casos-de-microcefalia-em-2015" target="_blank" rel="noreferrer noopener">três mil</a> casos de microcefalia.</p>



<p>“Geralmente eu atendia um paciente com microcefalia por mês. Lembro que, em setembro daquele ano, cheguei a atender 12 casos. Aí fui na secretaria de Saúde falar sobre o que estava acontecendo”, conta. Ela contabiliza ao menos 400 crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika, no Recife, nesta época. Ao menos 150 eram seus pacientes.</p>



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	                                        <p class="m-0">A neurologista Vanessa Van Der Linden foi a primeira médica a associar a microcefalia com o zika vírus. Crédito: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados</p>
	                
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<p>De lá para cá, a ciência avançou muito na compreensão do vírus e seus impactos, mas ainda não existe uma vacina para o zika. A médica explica que, por causa do surto, muitas pessoas adquiriram imunidade, e isso contribuiu para a redução dos casos. Mas que chegou a acompanhar nascimentos de crianças com a síndrome congênita até 2018.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses" target="_blank" rel="noreferrer noopener">painel</a> de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde, os casos de zika seguem tendência de queda. Em 2023, foram 6,6 mil casos suspeitos, caindo para 5,1 mil no ano passado e 3,9 mil este ano, até novembro. Mas, a médica Van Der Linden alerta que a queda não significa que o vírus tenha desaparecido, nem que estejamos livres da possibilidade de novos surtos.</p>



<p>“Hoje é mais difícil, porque muita gente tem imunidade. Mas, como o mosquito gosta de áreas quentes, tropicais, pode ser que apareça em outras regiões, que ficarão mais quentes pelo aquecimento global, onde as pessoas ainda não tiveram contato com a doença”, alerta.</p>



<p>A neurologista também acredita que, como outros fatores de risco não foram resolvidos, como o acesso ao saneamento básico, que agrava a propagação dos mosquitos, é possível que outros vírus transmitidos por mosquitos, ou seja, outras arboviroses, ou mesmo mutações das que já existem, como a dengue, gerem novas epidemias.</p>



<p>Segundo Van Der Linden, o zika vírus atinge principalmente as células progenitoras neuronais. Isso quer dizer que o vírus chega aos neurônios antes mesmo dessas células migrarem para sua posição definitiva no cérebro dos bebês. “São crianças que nascem com um comprometimento muito grande. Mais de dois terços terminaram tendo outros problemas de saúde, 90% têm casos de epilepsia grave. Os tratamentos são no sentido de dar mais qualidade de vida para elas”, explica.</p>



<p>“A mãe termina tendo que se dedicar muito à criança porque a responsabilidade recai sobre elas”, diz a médica, que acompanha centenas de famílias de crianças com a síndrome congênita do zika. “Elas sofrem muito, mas, ao mesmo tempo, essas crianças passam a ser a vida delas”, diz.</p>
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		<title>Oficina Nacional debate estratégias de comunicação para a saúde da população negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 19:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[população negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo esteve presente na Oficina Nacional de Comunicação para o Fortalecimento da Saúde da População Negra, evento promovido pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz que aconteceu nos dias 22 e 23 de janeiro, em Brasília. A oficina reuniu comunicadores de todo o Brasil para debater estratégias que contribuam para o avanço [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Marco Zero Conteúdo esteve presente na Oficina Nacional de Comunicação para o Fortalecimento da Saúde da População Negra, evento promovido pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz que aconteceu nos dias 22 e 23 de janeiro, em Brasília. A oficina reuniu comunicadores de todo o Brasil para debater estratégias que contribuam para o avanço da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. A repórter Giovanna Carneiro, mestre em Comunicação pela UFPE, representou a MZ na atividade.</p>



<p>Essa política, instituída há 16 anos, tem como objetivo reduzir as desigualdades étnico-raciais e combater o racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da sua relevância, apenas 371 dos 5.570 municípios brasileiros aderiram à iniciativa e possuem estruturas para coordenar ações específicas voltadas à população negra, segundo dados do Ministério da Saúde.</p>



<p>Durante a oficina, foram discutidos caminhos para ampliar o alcance e a efetividade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Um dos principais resultados do evento foi a criação de um Grupo de Trabalho, que irá apoiar a construção de um plano de ação para fortalecer as pautas prioritárias na saúde da população negra.</p>



<p>A Marco Zero Conteúdo se soma a essa mobilização, reconhecendo o papel essencial da comunicação para dar visibilidade à luta contra o racismo e para promover o direito à saúde de forma mais equitativa e inclusiva.</p>
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		<title>O que esperar da política de vacinação do terceiro governo de Lula?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-politica-de-vacinacao-do-3-governo-de-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2022 23:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanhas de vacinação]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[PNI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucos dias após Lula (PT) ser eleito, o futuro vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o novo governo iria começar com uma grande campanha de vacinação, a partir de janeiro. Coordenador da transição do terceiro governo Lula, ele afirmou que, entre as medidas que estão, sendo discutidas está a retomada da cobrança da carteirinha de [&#8230;]</p>
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<p>Poucos dias após Lula (PT) ser eleito, o futuro vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o novo governo iria começar com uma grande campanha de vacinação, a partir de janeiro. Coordenador da transição do terceiro governo Lula, ele afirmou que, entre as medidas que estão, sendo discutidas está a retomada da cobrança da carteirinha de vacinação para o recebimento de programas sociais e de matrículas em escolas. As declarações de Alckmin não foram casuais, pois é quase certo que o governo Lula vai enfrentar desafios imensos no campo da vacinação, apontam especialistas ouvidos pela Marco Zero.</p>



<p>O primeiro deles é conseguir que a população se engaje novamente nas campanhas de vacinação. Isso porque os <a href="https://vocativo.com/contexto/antes-referencia-brasil-despenca-em-indices-mundiais-de-vacinacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">índices de vacinação dos brasileiros têm caído</a> e não é de hoje: de 2015 para 2016 a cobertura da vacinação de poliomielite caiu de 97% para apenas 72%. As campanhas de vacinação foram desidratadas, passando de um orçamento de R$97 milhões em 2017 para R$33 milhões em 2021. Na fala de Alckmin, ele destacou que a ideia era a participação de jogadores de futebol e artistas para ajudar a convencer a população a se vacinar.</p>



<p>Com a confirmação da socióloga Nísia Trindade, atualmente presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para o Ministério da Saúde, a comunidade científica está otimista de que a vacinação tenha um papel importante no próximo governo. </p>



<p>Para o pesquisador da <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fiocruz-Pernambuco</a> Rafael Dhalia, o que se espera do governo Lula é o resgate do Programa Nacional de Imunização (PNI), com um investimento maciço para fortalecer a sua infraestrutura física e seus recursos humanos. “O governo Lula precisa investir nas grandes campanhas nacionais de vacinação, para voltarmos a ser referência em coberturas vacinais contra doenças previamente erradicadas. É necessário combater as <em>fake new</em>s, o obscurantismo e voltar a valorizar a ciência e os órgãos públicos de saúde”, disse.</p>



<p>No governo Bolsonaro, o Brasil viu as taxas de vacinação diminuírem ainda mais e o país voltou a ser considerado de risco para poliomielite. Apesar do sucesso inicial, com mais de 80% da população adulta vacinada com as duas doses contra a covid-19, as doses de reforço não tiveram a mesma adesão, com apenas 58% da população recebendo a terceira dose. “O que observamos no atual governo foi um completo descaso em relação à pandemia de covid-19. O presidente promovia aglomerações, ignorava o uso de máscara e ainda desencorajava a população a se vacinar. O PNI foi completamente negligenciado. A consequência dessa atitude genocida foi uma escalada de mortes sem precedentes na história do Brasil”, avalia o pesquisador..</p>



<p>A epidemiologista Denise Garrett, do <a href="https://institutosabin.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Sabin</a>, faz coro com Dhalia na necessidade de se reconstruir as políticas de vacinação no Brasil. “Nós sempre tivemos um programa de imunização que era de dar orgulho e que foi desmantelado e sucateado. As decisões na pandemia foram feitas por pessoas que não tinham conhecimento técnico”, diz Garrett., apontando que os desafios do governo Lula serão enormes. “É muito mais do que recuperar um tempo perdido. Além de não ter sido feito avanços, houve um grande retrocesso”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Campanhas de vacinação mobilizavam o país em um único dia. Crédito: Tomáz Silva/Agência Brasil</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>O médico virologista <a href="https://marcozero.org/ernesto-marques-ainda-nao-temos-a-solucao-definitiva-contra-o-coronavirus-temos-as-solucoes-emergenciais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ernesto Marques</a>, pesquisador de vacinas e professor da Universidade de Pittsburgh, espera que o novo governo também faça pontes com o setor privado de biotecnologia. “O Brasil não tem uma indústria forte de biotecnologia, que é dominada por dois grandes fabricantes, a Fiocruz e o Butantan. Mas não temos<em> start-ups</em> e empresas menores. Seria bom ampliar essa indústria, porque daria mais flexibilidade, mais capacidade de inovação. E depois a produção em larga escala ficaria com as grandes fábricas”, afirma.</p>



<p>Outro ponto que Ernesto destaca é a qualidade e o gerenciamento das informações do setor público de saúde, que conta com prontuários, informações de saúde e carteira de vacinação acessíveis em qualquer hospital ou posto de saúde do país. “Eu diria que para cada R$ 1 que o governo investir em sistemas de informação, ele vai economizar R$ 10”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O gargalo da vacinação infantil</h2>



<p>Um estudo recente da Fiocruz mostrou que, do começo de 2022 até 11 de outubro, o Brasil registrou uma morte por dia entre crianças de 6 meses a 5 anos diagnosticadas com covid-19. Foram 314 óbitos no período. Mesmo sendo uma doença mortal, a imunização de crianças contra a covid-19 avança em ritmo lento no Brasil.</p>



<p>Segundo dados do Ministério da Saúde analisados pela Fiocruz, apenas sete de cada 100 crianças de 3 e 4 anos receberam as duas doses da vacina. Do total de 5,9 milhões de crianças nessa faixa etária, somente 1.083.958 tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19, enquanto 403.858 completaram a imunização com a segunda dose. Isso apesar de, desde julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter aprovado o uso emergencial da vacina Coronavac em crianças de 3 e 4 anos. </p>



<p>Desde setembro, a vacina Pfizer pediátrica está aprovada para bebês e crianças de 6 meses a 4 anos. Mesmo com a procura aquém do esperado dessas vacinas, vários estados e municípios, como o Recife, tiveram que paralisar a vacinação das crianças por falta de envio do imunizante pelo Ministério da Saúde.</p>



<p>Para o pediatra Eduardo Jorge, representante em Pernambuco da <a href="https://sbim.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sociedade Brasileira de Imunizações</a> (SBIm), a primeira tarefa do novo governo é recuperar a credibilidade da vacinação junto às famílias das crianças. “O ponto chave é uma comunicação efetiva. Nós tínhamos nos anos 1990, nos anos 2000, campanhas de vacinação de um dia só e toda a população acreditava, ia nos postos de saúde. Nós conseguíamos em um único dia vacinar 95% da população alvo. Hoje, a gente faz campanhas tímidas, sem envolvimento da sociedade, com pouca divulgação na mídia. Vejo com muito bons olhos a notícia que nos primeiros dias de janeiro vai haver uma grande campanha de vacinação”, afirmou. “Espero que o novo governo tente, de forma rápida, recuperar as coberturas vacinais Brasil e acredito que a vacinação voltará a ser uma prioridade”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/especialistas-explicam-porque-vacinar-criancas-contra-a-covid-e-necessario-e-seguro/" class="titulo">Especialistas explicam porque vacinar crianças contra a covid é necessário e seguro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<item>
		<title>Sociedades médicas pediram a Ministério campanha nacional contra a pólio</title>
		<link>https://marcozero.org/sociedades-medicas-pediram-a-ministerio-campanha-nacional-contra-a-polio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 21:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campanha de vacinação]]></category>
		<category><![CDATA[imunização]]></category>
		<category><![CDATA[imunização na primeira infância]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida Uma campanha de comunicação prolongada para conscientizar sobre a importância da vacina contra a paralisia infantil foi sugerida desde 17 de outubro ao Ministério da Saúde pelas Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP). Em carta conjunta, as entidades médicas justificam o pedido “frente à grande dificuldade de alcançarmos a [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>Uma <a href="https://sbim.org.br/noticias/1744-sbim-e-sbp-solicitam-ao-ms-ampla-campanha-informativa-sobre-a-polio">campanha de comunicação prolongada para conscientizar sobre a importância da vacina contra a paralisia infantil</a> foi sugerida desde 17 de outubro ao Ministério da Saúde pelas Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP). Em carta conjunta, as entidades médicas justificam o pedido “frente à grande dificuldade de alcançarmos a meta mínima de 95% da população-alvo da campanha de vacinação em curso no Brasil e tendo em conta que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou campanha de conscientização sobre vacina contra a poliomielite, vetando apenas o pronunciamento nacional do Excelentíssimo Ministro da Saúde”.</p>



<p>De acordo com o pedido, a campanha deveria focar em quatro pontos, considerados fundamentais pelas duas sociedades. O primeiro deles diz respeito aos “riscos reais que representa a poliomielite”, o segundo enfatiza a necessidade de alcançar “a cobertura vacinal de ao menos 95% da população-alvo para evitarmos que a doença retorne ao Brasil”, o terceiro defende “a segurança das vacinas VIP (injetável) e VOP (oral)”, enquanto o quatro destaca a “importância de seguir o esquema vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI)”.</p>



<p>O presidente da SBIm, Juarez Cunha, diz que é preciso recuperar “a efetividade do PNI, para que o programa continue sendo de sucesso”. Segundo ele, o trabalho conjunto de municípios, Estados e do Governo Federal tem destacada importância nesse cenário.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Agenda pelos direitos da infância</h2>



<p>A efetividade do PNI é uma questão defendida pela Sociedade Brasileira de Imunizações num grupo maior de entidades da chamada <a href="https://agenda227.org.br/propostas/">Agenda 227</a>, que levou recentemente a candidatos a presidente da República propostas para a saúde e outros temas relacionados ao desenvolvimento e proteção da infância e da adolescência. Movimento apartidário nacional, da sociedade civil, lançado em abril deste ano, a Agenda 227 formulou as sugestões principalmente em razão dos impactos da crise deixada pela pandemia de Covid-19 e dos retrocessos em políticas públicas dos últimos anos. Faz alusão ao artigo 227 da Constituição Federal de 1988: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.</p>



<p>No item saúde da Agenda 227, dentre as propostas estão “reconquistar as metas de cobertura vacinal, recuperando a efetividade do Programa Nacional de Imunizações” e “fortalecer a Atenção Primária em Saúde, promovendo os atendimentos com foco nas crianças e nos adolescentes na Atenção Básica, por meio da expansão da Estratégia de Saúde da Família (ESF)”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Informação contra fake news</h2>



<p>A SBIm lançou a campanha <a href="https://paralisiainfantil.com.br/"><em>#VacinarParaNãoVoltar (VPNV)</em></a>, sobre a vacinação contra a pólio. A entidade também integra o projeto <a href="https://sbim.org.br/prcv/"><em>Pela Reconquista das Altas Coberturas Vacinais (PRCV)</em></a> <strong> </strong>numa parceria com o<strong> </strong><a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/">Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz)</a> e o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programa-nacional-de-imunizacoes-vacinacao">PNI</a>, que tem apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e de outras entidades. O objetivo é recuperar as altas coberturas de vacinação e mobilizar a sociedade numa rede colaborativa e solidária. Dissemina informações seguras sobre doenças e vacinas, desfazendo notícias falsas e esclarecendo acerca dos imunizantes. O “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Zi7AqdoE5c">Tira-Dúvidas</a>” da iniciativa, em formato de vídeos, fala da importância de se vacinar contra doenças que não são transmitidas no momento no Brasil, mas que podem voltar, como a poliomielite, e da segurança das vacinas distribuídas no País pelo SUS.</p>



<p>*&nbsp;<strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;página de doação</a><em>&nbsp;ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>



<p></p>
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		<title>Ministério diz que &#8220;empenha esforços para elevar cobertura vacinal&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/ministerio-diz-que-empenha-esforcos-para-elevar-cobertura-vacinal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 20:54:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[cobertura vacinal]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Questionado sobre a baixa cobertura vacinal da infância nos últimos anos no Brasil e acerca de medidas cobradas por sociedades médicas e especialistas em saúde pública, o Ministério da Saúde respondeu por nota, alegando que “empenha esforços para elevar a cobertura vacinal, a fim de garantir a proteção da população e manter o país livre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Questionado sobre a baixa cobertura vacinal da infância nos últimos anos no Brasil e acerca de medidas cobradas por sociedades médicas e especialistas em saúde pública, o Ministério da Saúde respondeu por nota, alegando que “empenha esforços para elevar a cobertura vacinal, a fim de garantir a proteção da população e manter o país livre de doenças imunopreveníveis, como ocorre com a eliminação de diferentes formas de rubéola, poliomielite, tétano e com a erradicação da varíola”. Com o comunicado, o MS divulgou a cobertura parcial da vacinação deste ano recomendada a crianças de zero a um ano, que oscila de 35,5% a 57,9% dependendo da vacina. </p>



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<p>Na nota, o MS afirma que “o Brasil é uma das referências mundiais em vacinação em reconhecimento ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)” e que “a trajetória do programa é marcada por experiências inigualáveis, a exemplo da descentralização das ações de imunizações para estados e municípios, da universalidade de atendimento, a parceria e a participação social cada vez maiores nas três esferas de gestão, a utilização de novas tecnologias e novos imunobiológicos, sistemas de informação com ampla representatividade no território brasileiro, a qualificação da força de trabalho, a oferta de imunobiológicos seguros e com qualidade”.</p>



<p>Ainda de acordo com o Ministério da Saúde “essas ações contribuem para alcançar os objetivos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à proteção da população, ao alcance das metas de vacinação e à consequente redução da ocorrência de doenças e óbitos”.</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Suplementação de ferro e vitamina para crianças</title>
		<link>https://marcozero.org/suplementacao-de-ferro-e-vitamina-para-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[aleitamento materno]]></category>
		<category><![CDATA[ferro]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambnuco]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[suplementação crianças]]></category>
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		<category><![CDATA[vitamina A]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Verônica Almeida A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) explica que as políticas públicas voltadas à primeira infância são de “âmbito nacional, realizadas&#160;junto aos municípios por meio do Ministério da Saúde”. Na lista estão as ações de vigilância alimentar, os programas de suplementação de ferro e vitamina A (instituídos em 2005), o Auxílio [&#8230;]</p>
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<p><strong>* Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) explica que as políticas públicas voltadas à primeira infância são de “âmbito nacional, realizadas&nbsp;junto aos municípios por meio do Ministério da Saúde”. Na lista estão as ações de vigilância alimentar, os programas de suplementação de ferro e vitamina A (instituídos em 2005), o Auxílio Brasil (que substituiu o Bolsa Família) e a Estratégia de Fortificação da Alimentação Infantil com Micronutrientes em Pó (desde 2015), que antes ocorria nas creches e a partir desse ano passa para a Atenção Primária à Saúde (APS). Outros programas citados são a Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e de Alimentação Complementar Saudável no SUS.</p>



<p>Entre as condicionalidades para o Auxílio Brasil, de acordo com a SES-PE, estão a “atualização do calendário nacional de vacinação e o acompanhamento do estado nutricional dos beneficiários que tenham até 7 anos de idade incompletos e gestantes que façam pré-natal.”</p>



<p>A suplementação de vitamina A, conforme a Secretaria Estadual de Saúde, tem por objetivo reduzir e controlar a hipovitaminose A, e o adoecimento na faixa etária de 6 meses a menos de 5 anos de idade. “No Brasil, a deficiência de vitamina A, de acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) &#8211; 2019, mostrou muitas melhoras”, diz a SES-PE. Mas “no Norte, Nordeste e Centro-Oeste essa suplementação deve ser universal para o público infantil de 6 a 24 meses”. Ainda conforme a SES-PE, entre crianças maiores de 2 anos e menores de 5 anos o Ministério da Saúde recomenda a suplementação apenas da população em maior vulnerabilidade”. A Secretaria de Saúde destaca que “a suplementação profilática de vitamina A deve fazer parte de um conjunto de estratégias para melhoria da ingestão desse nutriente, portanto associado à diversificação da alimentação”.</p>



<p>Quanto à suplementação de ferro, “o programa objetiva a prevenção e controle da anemia por meio da administração profilática de suplementos de ferro às crianças de 6 a 24 meses de idade, gestantes (incluindo também o ácido fólico) e mulheres até 3º mês pós-parto ou pós-aborto”.</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



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<p>* <strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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		<title>Movimento de médicos que mistura aborto com cloroquina tem ligações com Ministério da Saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 18:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariama Correia, da Agência Pública “Quem defende a vida não pode ser a favor do aborto”; “atendimento precoce salva sua vida”. Essas mensagens estão em dez outdoors espalhados por Fortaleza (CE). A ação é do “Ainda Há Bem”, um movimento formado por médicos conservadores do Ceará que surgiu de forma um tanto misteriosa. Sem [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariama Correia, da <a href="https://apublica.org/2021/04/movimento-de-medicos-que-mistura-aborto-com-cloroquina-tem-ligacoes-com-ministerio-da-saude/">Agência Pública</a></strong></p>



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<p>“Quem defende a vida não pode ser a favor do aborto”; “atendimento precoce salva sua vida”. Essas mensagens estão em dez outdoors espalhados por Fortaleza (CE). A ação é do “Ainda Há Bem”, um movimento formado por médicos conservadores do Ceará que surgiu de forma um tanto misteriosa. Sem divulgar a lista de seus integrantes, lançaram, em pleno feriado da Semana Santa, uma articulada campanha de marketing, com publicações em redes sociais, mídia exterior, jornais e distribuição de alimentos em bairros periféricos. Embora se diga apartidário, o grupo, que associa aborto e um suposto tratamento precoce contra a covid-19, tem ligações com gestores do Ministério da Saúde e com o grupo político do senador Eduardo Girão (Podemos).</p>



<p>Girão é autor do Projeto de Lei (PL) 5.435/2020, que ficou conhecido como “bolsa estupro”, porque queria criar um incentivo financeiro para que as vítimas de estupro não abortassem. Esse dispositivo foi retirado do PL depois da grande repercussão na mídia, mas os movimentos feministas defendem que a proposta seja cancelada por completo. “A ‘bolsa estupro’ é apenas um detalhe sórdido em um projeto cujo objetivo final é criminalizar ainda mais o aborto no Brasil”, comentou Jolúzia Batista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea).</p>



<p>Nas redes sociais, o “Ainda Há Bem” se apresenta como um movimento estadual de médicos cristãos que pretende se tornar nacional. O site do movimento foi registrado no fim de março em nome da Inovates, uma organização que trabalha com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para empresas. O responsável pelo domínio, de acordo com o site Registro.BR, é Gabriel Fabres Beliqui, diretor-presidente da Inovates. No registro aparece também o nome de Vinícius Nunes Azevedo, diretor do Ministério da Saúde. Ele é sócio de Gabriel Beliqui e de Anselmo Buss Júnior – o presidente da Inovates – na Inovates Consult, que tem outro CNPJ, mas o mesmo telefone e o mesmo endereço eletrônico da Inovates no cadastro da Receita Federal.</p>



<p>Vinícius foi nomeado diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (Deges) em julho do ano passado, ainda na gestão do ministro Eduardo Pazuello, substituído pelo médico Marcelo Queiroga em março deste ano. Chegou a ser exonerado do cargo em fevereiro pelo ministro chefe da Casa Civil, general Braga Netto, mas a decisão foi revista poucos dias depois. A reportagem procurou o Ministério da Saúde para esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação.</p>



<p>Em abril, pouco depois da aparição do “Ainda Há Bem”, Marcelo Queiroga designou Vinícius como substituto eventual da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, atualmente Mayra Pinheiro, a pediatra cearense conhecida como “capitã cloroquina”. Mayra ganhou relevância no Ministério da Saúde durante a gestão de Pazuello, quando virou uma espécie de porta-voz do chamado “tratamento precoce da covid-19”, que inclui ivermectina e cloroquina – medicações sem eficácia comprovada no combate à doença e que têm sido associadas a sérios efeitos colaterais, como hepatite.</p>



<p>A secretária Mayra divulgou o lançamento do “Ainda Há Bem” no seu perfil do Facebook. A postagem, em 31 de março, mostra os outdoors que já estavam sendo instalados em várias avenidas de grande circulação de Fortaleza e no município de Juazeiro do Norte, região do Cariri cearense. Cada outdoor custa aproximadamente R$ 750, segundo funcionários da Divulcart, empresa que assina as peças. Porém, ainda de acordo com as fontes consultadas pela reportagem, as dez peças da campanha de mídia exterior do “Ainda Há Bem” foram instaladas “sem custo, a pedido de representantes da empresa Coco Bambu”. A rede de restaurantes nascida no Ceará pertence ao empresário bolsonarista Afrânio Barreira, que, assim como o presidente, é devoto da cloroquina.</p>



<p>Pelo WhatsApp, Gabriel Beliqui informou que é “apoiador do projeto” que chamou de “bela iniciativa”. Ele disse que ajudou “apenas com o registro do domínio” do movimento Ainda Há Bem e negou que a Inovates tenha envolvimento institucional com o grupo, embora o site esteja registrado com o CNPJ da empresa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O senador e a secretária negacionistas</h2>



<p>Em 17 de março, pouco antes do lançamento do “Ainda Há Bem”, a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, se reuniu com o senador Eduardo Girão (Podemos) e com o presidente do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Wilames Freire Bezerra, que são seus conterrâneos. A reportagem solicitou detalhes sobre o assunto da reunião, mas não recebeu resposta do Ministério da Saúde.</p>



<p>A relação entre o empresário e senador Eduardo Girão e a secretária bolsonarista é antiga. Ela se candidatou ao Senado em 2018, formando chapa com ele, que conseguiu se eleger na época pelo Pros. Eles compartilham pautas conservadoras e são nomes fortes do ativismo antiaborto no Ceará. Como presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, ela mobilizou apoio para o movimento Pró-Vida de Fortaleza.</p>



<p>Desde 2008, a capital cearense é palco da Marcha pela Vida, um dos principais eventos do gênero Brasil, apoiado por artistas de relevo, como a cantora Elba Ramalho. A organização é do Movida (Movimento a Favor da Vida), pertencente a Eduardo Girão. Antes de assumir o mandato, Girão frequentava manifestações e audiências públicas, algumas ao lado da atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O papel do Sindicato dos Médicos do CE</h3>



<p>No Ceará, o sindicato dos médicos ainda é comandado pelo grupo político ligado à secretária Mayra Pinheiro. Conselheiro fiscal da atual gestão, o cirurgião Marcelo Esmeraldo Holanda apresenta o movimento de médicos anti-aborto e pró-cloroquina “Ainda Há Bem” em um vídeo. “Nós somos contra o aborto e a favor da vida porque somos cristãos por convicção”, diz na gravação. Ao lado dele está Fernando Dantas, da Associação Anjo Rafael, por meio da qual o grupo de médicos anti-aborto distribuiu alimentos na comunidade do Barroso, em Fortaleza.</p>



<p>“O grupo que está no comando do sindicato é muito ligado a pautas reacionárias. Defende cegamente Bolsonaro (mesmo com mais de 350 mil mortes por covid-19 no País), tratamento profilático ou precoce com medicações que as evidências científicas já demostraram ser ineficazes e inadequadas”, afirma o Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS do Ceará, que reuniu assinaturas de 1.113 médicos do estado, em oposição a uma nota de apoio a Bolsonaro lançada por médicos de Fortaleza, cuja lista de assinaturas inclui o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, o médico José Glauco Lobo Filho; a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro; Marcelo Esmeraldo e Edmar Fernandes de Araújo Filho, que é diretor financeiro do Sindicato dos Médicos do Ceará.</p>



<p>Edmar foi presidente da entidade na gestão anterior e candidato a vereador pelo Pros, mesmo partido que elegeu Eduardo Girão no Senado. Em seu perfil no Instagram, ele defende o uso profilático de azitromicina e ivermectina no combate à covid-19, ambos remédios do chamado “kit covid”, que, como já dito, não têm eficácia comprovada contra a doença.</p>



<p>Por telefone, a comunicação do sindicato dos médicos do Ceará informou que o Ainda Há Bem é um movimento independente e que a adesão do médico Marcelo Esmeraldo não tem relação com a entidade. A comunicação da entidade disse não ter informações sobre a participação de outros integrantes da diretoria no movimento de médicos conservadores. O ‘Ainda Há Bem’ informou, pela página do Facebook, que responderia os questionamentos da reportagem por telefone, mas não fez contato até a publicação.</p>



<p>Até o momento da publicação, não recebemos informações do ministério da Saúde sobre o envolvimento dos seus servidores no movimento de médicos pró-cloroquina e contra o aborto. Também não conseguimos contato com o diretor Vinícius Nunes Azevedo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mayra Pinheiro e Eduardo Girão em vídeo da Associação Médicos pela Vida (crédito: Reprodução)</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Extrema-direita de jaleco</h4>



<p>O “Ainda Há Bem” não é o único movimento de médicos conservadores articulado em defesa de tratamentos ineficazes contra a covid-19 no Brasil. O próprio Conselho Federal de Medicina tem se alinhado com o discurso bolsonarista pró-cloroquina. Em fevereiro deste ano, 11 grandes jornais brasileiros publicaram um informe publicitário pró-cloroquina da Associação Médicos pela Vida, que é bancada por indústrias farmacêuticas, como revelou o Estado de S. Paulo e tem manifestos na internet com mais de 4 mil assinaturas.</p>



<p>A secretária Mayra Pinheiro e o senador Eduardo Girão também estão envolvidos na Associação Médicos pela Vida. Eles até mesmo aparecem em um vídeo do movimento. “Todo brasileiro tem direito à sua própria autonomia de receber as medicações cloroquina e hidroxicloroquina associadas à azitromicina”, diz Mayra no vídeo. “A gente vai garantir isso ao povo cearense”, completa.</p>



<p>“Nunca tínhamos visto tantos movimentos articulados de médicos conservadores no Brasil como há agora”, comenta Cristião Rosas, ginecologista obstetra, representante da Rede Médica pelo Direito de Decidir. “Esses profissionais têm se empoderado politicamente e articulado redes estaduais e nacionais, com forte discurso religioso”, observa.</p>



<p>Cristião Rosas alerta que “políticas públicas de saúde – como o enfrentamento da covid-19 e do aborto, que é legalizado no Brasil quando a gestação traz riscos para a saúde da mulher, é resultante de um estupro ou se o feto for anencéfalo – não podem ser pautadas pela religião. “Sou presbiteriano, mas entendo que descriminalizar o aborto é reduzir as mortes das mulheres, sobretudo negras e pobres. Também sou médico pela vida, mas pela vida das mulheres. Ser pró-vida não é ser antidireitos”, diz.</p>



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		<title>Falta de estratégia nacional pode prejudicar vacinação no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/falta-de-estrategia-nacional-pode-prejudicar-vacinacao-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2020 22:25:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[butantã]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a nonagenária Margaret Keenan recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19, este oito de dezembro de 2020 entrou para a história. Residente de uma casa geriátrica na Inglaterra, Margaret usava uma camiseta natalina e uma máscara cirúrgica. Ter iniciado a vacinação em massa em dezembro, mesmo que ainda para poucas pessoas, é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a nonagenária Margaret Keenan recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19, este oito de dezembro de 2020 entrou para a história. Residente de uma casa geriátrica na Inglaterra, Margaret usava uma camiseta natalina e uma máscara cirúrgica. Ter iniciado a vacinação em massa em dezembro, mesmo que ainda para poucas pessoas, é uma vitória inconteste da ciência. O caminho é longo, a máscara que Margaret usou hoje nem tão cedo deve ser abandonada, mas a vacinação é o início do fim da pandemia que parou o mundo e ceifou mais de 1,5 milhão de pessoas.<br><br>A vacina da Pfizer, que Margaret recebeu, é uma das sete atualmente aprovadas por algum país para uso limitado. No caso do Reino Unido, os primeiros da fila são idosos com mais de 80 anos e profissionais de saúde. Todas as outras seis vacinas têm aprovação emergencial na China, nos Emirados Árabes ou na Rússia. França e Alemanha já têm cronogramas de vacinação iniciando nas próximas semanas. Os Estados Unidos vivem a expectativa de aprovação de uma vacina ainda neste ano.<br><br>Diante de tudo isso, a pergunta inevitável é: e o Brasil? Na semana passada o Ministério da Saúde apresentou um incompleto plano de vacinação contra a Covid-19. De acordo com ele, a vacinação aqui começaria somente em março de 2021 e apenas com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Vacinas adiantadas como as da Pfizer e a da Sinovac, desenvolvida com apoio do Instituto Butantan, ficaram de fora.<br><br>O plano foi bastante criticado. E agora o Ministério da Saúde afirma que está em negociação para a compra de 70 milhões de doses com a Pfizer. O acordo pode ser fechado ainda nesta semana, mas o governo não informou em que mês de 2021 todas as doses estariam disponíveis, nem quanto irão custar. Todas as vacinas até agora são de duas doses por pessoa.<br><br>Para a médica e pesquisadora do Instituto Sabin de Vacinas Denise Garrett, que trabalhou mais de de 20 anos no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, um país do tamanho do Brasil deve investir em vários tipos de vacinas. &#8220;É realmente lamentável o que está acontecendo. O Brasil deveria correr atrás de acordos. Não existe isso de que o Brasil não tem infraestrutura. O Brasil é um país de recursos. A vacina da Moderna é para ficar armazenada em -20 graus, não é nenhum absurdo. A da Pfizer é -70 graus. Pode não funcionar para o interior do Amazonas, mas é possível em muitas capitais&#8221;, diz.<br><br>O tema mais polêmico é a não inclusão da vacina da Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, rechaçada pelo presidente Bolsonaro e apoiadores como a &#8220;vacina chinesa&#8221;. Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Instituto Aggeu Magalhães Rafael Dhalia questiona se os critérios são políticos ou científicos. &#8220;Das 26 vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) mais da metade são produzidas pela Fiocruz e o Instituto Butantan. São duas instituições centenárias e bastante respeitadas. Não há motivos para considerar apenas uma delas como fornecedora&#8221;, diz Dhalia, lembrando que tanto a vacina da Sinovac quanto a de Oxford ainda precisam passar pelo processo de aprovação pelas agências reguladoras.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="AC14joYXr8"><a href="https://marcozero.org/abaixe-suas-expectativas-o-longo-e-tortuoso-caminho-para-a-vacinacao-contra-o-coronavirus/">Abaixe suas expectativas: o longo e tortuoso caminho para a vacinação contra o coronavírus</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Abaixe suas expectativas: o longo e tortuoso caminho para a vacinação contra o coronavírus&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/abaixe-suas-expectativas-o-longo-e-tortuoso-caminho-para-a-vacinacao-contra-o-coronavirus/embed/#?secret=ss4fxW8Fh9#?secret=AC14joYXr8" data-secret="AC14joYXr8" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<h2 class="wp-block-heading">Falta de coordenação pode ser caótica</h2>



<p>São Paulo lançou nesta semana um plano próprio de vacinação, com data de início em 25 de janeiro. O Paraná tem um acordo com a Rússia e a Sputnik V. A Bahia falou em comprar freezers para armazenar as vacinas de RNA, que exigem baixíssimas temperaturas. A Paraíba afirmou que vai entrar em negociação com São Paulo para receber as vacinas do Butantan. Estaria o Programa Nacional de Imunização (PNI) em risco?<br><br>De um lado, está a desconfiança em relação ao Governo Federal, que lavou as mãos e jogou para os estados a responsabilidade em conter a pandemia. Sem coordenação nacional, já são quase 180 mil mortes, colocando o Brasil como o segundo país com mais fatalidades pelo coronavírus. Do outro, os transtornos que uma vacinação em massa fragmentada entre os estados pode causar.<br><br>&#8220;É lamentável que os estados tenham que ir atrás de vacinas. Mas isso ocorre pela falta de liderança do Governo Federal, já demonstrada pelo descontrole da pandemia. E também é algo inadmissível o que o João Doria (governador) fez em São Paulo: você ter um político marcando uma data de vacinação sem nem ter enviado para a Anvisa os resultados dos testes ou o pedido para uso emergencial. Fica a pressão e gera ansiedade na população. O que precisamos agora é transparência. A população precisa ver os dados e saber se a vacina é eficaz e segura&#8221;, diz Garrett. O Instituto Butantan afirma que até o dia 15 deste mês a Sinovac deve apresentar o resultado dos testes.<br><br>Para Dhalia, é necessário que o Governo Federal assuma suas responsabilidades. &#8220;Temos um PNI antigo e eficiente, que fornece anualmente 300 milhões de doses não só de vacinas, mas também de alguns imunoterápicos. É, porém, um programa que vem recebendo menos investimentos com o passar dos anos, e não apenas nesse governo. Acho bastante temerária uma vacinação sem articulação total do Governo Federal&#8221;, diz Dhalia. &#8220;Alguém pode se vacinar em São Paulo com a do Butantan na primeira dose, que é uma vacina de vírus inativado, e achar que pode tomar a segunda dose da Sputnik V, que usa um adenovírus. Não há estudos sobre os efeitos disso&#8221;, diz.<br><br>Em coletiva na quinta-feira passada, ao ser questionado pela <strong>Marco Zero</strong>, o secretário estadual de Saúde André Longo afirmou que Pernambuco não pretende comprar por conta própria nenhuma vacina. E que acredita que o PNI vai cumprir seu papel.<br><br>A impressão, porém, é que o Brasil já perdeu o bonde para as primeiras levas de vacinações.<br><br>E as vacinas em si não são o único problema. Seringas, agulhas, rolhas, frascos, freezers, treinamento ou contratação de pessoal. Até agora, não foi anunciada nenhuma grande compra pelo Governo Federal, <a rel="noreferrer noopener" href="https://marcozero.org/abaixe-suas-expectativas-o-longo-e-tortuoso-caminho-para-a-vacinacao-contra-o-coronavirus/" target="_blank">mesmo com alertas tendo sido feitos há meses</a>. &#8220;Não dá para o Ministério da Saúde ficar vendo as coisas acontecerem e dizendo &#8220;não é comigo&#8221;. São mais de 200 milhões de pessoas, que usariam, por baixo, sem considerar as perdas, 400 milhões de seringas. A capacidade do Brasil é de 50 milhões de seringas por mês, em carga máxima. O edital de compra ainda não foi aberto&#8221;, critica Dhalia. &#8220;O governo tratou a Covid-19 como uma &#8220;gripezinha&#8221; e nunca colocou a prevenção como prioridade. Agora, está conduzindo a discussão sobre vacina com morosidade e sem organização&#8221;, afirma.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Governadores fazem pressão</h3>



<p>Na manhã desta terça-feira, o ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, se reuniu com governadores. Afirmou que a Anvisa deve demorar 60 dias para aprovar qualquer vacina e ainda se equivocou ao justificar a vacinação somente em março ao dizer que a fase 3 da vacina de Oxford/AstraZeneca seria divulgada até o fim do mês. O estudo já saiu hoje na prestigiada revista The Lancet.<br><br>Os governadores solicitaram a reunião para cobrar celeridade na vacinação. &#8220;Está na lei. Se outro país já aprovou a vacina, a Anvisa tem 72h para aprovar&#8221;, afirmou o governador de Goiás Ronaldo Caiado (DEM). É um <a rel="noreferrer noopener" href="https://twitter.com/dadourado/status/1336105762360266754" target="_blank">trecho da lei 13.979/2020 </a>que havia sido vetado por Bolsonaro, mas o Congresso derrubou o veto.<br><br>Os governadores querem que o Ministério da Saúde assuma a responsabilidade pela vacinação em todo o território nacional. &#8220;Não deve ser uma corrida maluca entre os estados. Nem todos têm o poder aquisitivo ou a logística para fazer uma vacina chegar ao Brasil&#8221;, disse Caiado, para repórteres que cobriram a reunião, parcialmente presencial, em Brasília.<br><br>Participando virtualmente, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) discutiu com Pazuello. Doria perguntou se a não inclusão da Coronavac no plano brasileiro era uma decisão ideológica, política ou mera falta de interesse em disponibilizar mais vacinas. O ministro tergiversou e falou sobre o Covax, consórcio de vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) do qual o governo brasileiro adquiriu a menor cota possível, de 42 milhões de doses.<br><br>A falta de celeridade, estratégia ou interesse do Governo Federal pode acabar na Justiça ou no Congresso. Ontem, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), afirmou que se o governo não refizer o plano, poderá ser elaborado um à parte no Congresso. Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, já avisou que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que libere para o Brasil as vacinas aprovadas no exterior o mais rápido possível e não no prazo de 60 dias defendido por Pazuello.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="PgZb3RP9ux"><a href="https://marcozero.org/quando-acabara-a-epidemia-do-coronavirus-em-pernambuco/">Quando acabará a epidemia do coronavírus em Pernambuco?</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Quando acabará a epidemia do coronavírus em Pernambuco?&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/quando-acabara-a-epidemia-do-coronavirus-em-pernambuco/embed/#?secret=dyYKiAcZAD#?secret=PgZb3RP9ux" data-secret="PgZb3RP9ux" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading">Pelo menos mais um ano de máscaras e distanciamento social</h4>



<p>&#8220;Ninguém está seguro enquanto todos não estiverem seguros&#8221;. Esse é um mantra que o pesquisador Rafael Dhalia repete desde o início da pandemia. &#8220;Não adianta a França estar com sua população imunizada, se no Brasil a pandemia está descontrolada. Cerca de 20% das pessoas não conseguem desenvolver imunidade para vacinas. Basta uma pessoa com o vírus chegar clandestinamente num país para que uma nova leva de infecções ocorra&#8221;, diz.<br><br>Médico infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paulo Sérgio Ramos lembra que medidas como distanciamento social, ventilação de ambientes, uso de máscaras e higienização das mãos são as principais armas que temos hoje contra o coronavírus. E que deveremos utilizá-las por algum tempo ainda.<br><br>&#8220;Somente em 2022 é que possivelmente teremos uma população vacinada que ofereça realmente proteção coletiva&#8221;, diz. &#8220;É necessário também que se invista em novos medicamentos, novos antivirais. Tudo que vem sendo pesquisado nesses dez meses de pandemia não teve impacto em um desfecho favorável da Covid-19. O único medicamento que teve certa eficácia foi o corticoide dexametasona dado na veia, mas exclusivamente em pacientes com a forma grave&#8221;, diz.<br><br>Apesar do caminho para a vacinação em massa ser longo, especialmente aqui no Brasil, sobram motivos para otimismo. Nenhuma vacina eficaz e segura foi desenvolvida tão rapidamente &#8211; e temos 13 delas na fase mais adiantada de testes. Estamos mais perto que longe de uma convivência menos traumática com o coronavírus. Mas, até lá, é preciso ação dos governos e responsabilidade dos cidadãos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero&#8230;</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<title>Abstinência e medo: as campanhas do Ministério da Saúde no carnaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2020 22:16:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagens que aparecem na tela e somem rapidamente mostram manchas e feridas. &#8220;Se no mundo acontece um milhão de casos de IST (infecções sexualmente transmissíveis) todo dia, para que arriscar a sua saúde nessa perigosa loteria?&#8221;, narra um jovem, enquanto faces igualmente jovens e preocupadas surgem na tela. A campanha de carnaval do Ministério da [&#8230;]</p>
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<p>Imagens que aparecem na tela e somem rapidamente mostram manchas e feridas. &#8220;Se no mundo acontece um milhão de casos de IST (infecções sexualmente transmissíveis) todo dia, para que arriscar a sua saúde nessa perigosa loteria?&#8221;, narra um jovem, enquanto faces igualmente jovens e preocupadas surgem na tela. A campanha de carnaval do Ministério da Saúde neste ano, com slogan de &#8220;Usar camisinha é uma responsa de todos&#8221;, gerou críticas em instituições que trabalham com jovens e HIV/Aids.<br><br>Isso porque a campanha vai pelo viés do reforço negativo, o que leva a estigmatização não só da doença, mas dos doentes. &#8220;Quando eu vi, me lembrou as campanhas que eram feitas no início da epidemia de HIV, há quase 40 anos, quando o Estado se isentava e responsabilizava a pessoa pela infecção&#8221;, diz Wladimir Reis, coordenador geral da GPT+,  ong que atua na educação e saúde preventiva. <br><br>Para Jô Menezes, da Gestos &#8211; Soropositividade, Comunicação e Gênero, é uma campanha que volta a trabalhar com o medo. &#8220;Tem uma proposta de temor, e não uma proposta de diálogo sobre prevenção. Há também um desrespeito com quem convive com HIV/Aids, porque reforça o estigma. O <em>´você tem que ter medo da doença´ </em>estimula o <em>´você tem que ter medo do doente</em>´, que é algo que combatemos tanto ao longo dos anos&#8221;, lamenta. <br><br>Jô também faz um link com a campanha de prevenção à gravidez na adolescência, lançada pelo Ministério da Saúde na mesma semana, e que ficou conhecida como a &#8220;campanha da abstinência&#8221;. &#8220;As duas campanhas se alinham porque não propõem um diálogo sobre a vivência da sexualidade. Parece que a mensagem que fica é assim: `<em>não transe! e, se você transar, olhe aí o que pode acontecer, cuidado</em>!`&#8221;, acredita.<br><br>Um dos coordenadores do Bigu, coletivo que trabalha com ativismo na comunicação entre jovens, Thiago Jerohan também estabeleceu uma ligação entre as campanhas. &#8220;Ninguém é responsabilizado porque comeu muita gordura e agora tem hipertensão. Ninguém é responsabilizado porque levou chuva e está resfriado. Mas as pessoas são responsabilizadas moralmente pelo sexo &#8211; não pela infecção. Há uma criminalização do sexo e da juventude, que está muito atrelada ao discurso da campanha de Damares (Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) sobre abstinência. Essa campanha do carnaval diz que é sobre camisinha, mas na verdade é sobre o medo de transar&#8221;, diz. </p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=e04cD5ExJ2o
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<p>Nem mesmo a rima que o Ministério da Saúde afirma ter sido inspirada na &#8220;poesia slam&#8221; é vista como positiva.  &#8220;É um texto todo rimado, como um poema, mas tem um discurso amedrontador. É a tática de ter medo do sexo, do prazer, para fomentar a abstinência e colocar as pessoas com HIV e outras ISTs em um lugar moral, e não de saúde pública. Esse discurso moralista afasta as pessoas da prevenção, do teste e do tratamento. Acaba alimentando uma cultura de preconceito&#8221;, analisa. <br><br>Em nota, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids repudiou as campanhas e a fala do presidente Jair Bolsonaro, dada no começo deste mês, de que as pessoas com HIV/Aids eram uma &#8220;despesa&#8221;. &#8220;A desinformação e a irracionalidade dos argumentos por chefes de estado têm sido uma tática recorrente para avançar em um modelo de sociedade onde a mercantilização dos direitos sociais é a peça da vez&#8221;, diz trecho da nota. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de diálogo e informação</h2>



<p>Outra crítica dos movimentos é sobre a falta de diálogo com a sociedade civil ao se construir as campanhas do Ministério da Saúde. Representante em Pernambuco da Rede Nacional de Pessoas Convivendo com HIV/Aids, José Cândido lembra que até antes do governo Michel Temer havia reuniões para sugestões e colaborações.<br><br>&#8220;A gente discutia, opinava. Aceitavam algumas propostas e recusavam outras, mas a gente era ouvido, havia uma construção. É difícil, claro, que tenha uma campanha 100% aprovada pelos movimentos, mas essa é uma campanha sem foco, antiquada, colocada goela abaixa&#8221;, diz José Cândido. <br><br>Em dezembro passado, a campanha do Dia Mundial da Aids também foi alvo de críticas. &#8220;Outras formas de prevenção, além da camisinha, estão sendo &#8216;esquecidas&#8217; pelas campanhas. Não se fala da PEP (profilaxia pós-exposição), da Prep (pré-exposição), desses novos métodos como um todo&#8221;, reclama Cândido. <br><br>Para Jerohan, é uma estratégia do Ministério da Saúde. &#8220;O governo está apostando em falta de informação, porque o próprio site tem uma mandala com 9 estratégias de prevenção e o MS foca somente na camisinha e não fala nas outras formas, está omitindo informações importantes para a população. Omite inclusive a questão de tratamento e o que fazer se for infectado. É uma campanha focada no medo e sem saída: o discurso é de que não se tem o que fazer. Assim, o estado se isenta de oferecer as medicações necessárias&#8221;, diz. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Publicitários: pode ser eficiente, mas não soma</h3>



<p>Para o publicitário Giovanni di Carlli, da agência BG9, a campanha de carnaval do Ministério da Saúde dá o recado. &#8220;Ela cumpre seu papel. Aborda o tema de forma muito direta&#8221;, acredita. &#8220;Estamos vivendo tempos  de um grau de intolerância muito grande, então qualquer escorregãozinho as pessoas reclamam. Achei que a mensagem foi passada de forma responsável&#8221;, diz. <br><br>Do ponto de visto técnico, Giovanni diz que é uma produção de &#8220;primeira linha&#8221;. &#8220;A fotografia, a direção e a abordagem estão dentro dos padrões&#8221;, afirma. <br><br>Professor de publicidade e propaganda na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Fernando Fontanella afirma que a peça é datada. &#8220;É uma campanha que dá ênfase ao estímulo negativo. É uma abordagem ingênua. É um tipo de campanha que é feita por quem não está inserido na discussão, o que não é o que se espera de um Ministério da Saúde, que deveria ter uma expertise no assunto&#8221;, afirma. <br><br>De acordo com o professor, a publicidade contemporânea tenta construir a motivação por meio de estímulos positivos. &#8220;Para quem faz campanha o desafio é a motivação. Você pode fazer uma abordagem racional, a pessoa vai entender e concordar, mas não necessariamente agir. Não só basta convencer, mas tem que trazer o motivacional &#8211; e isso é com emoção.  Essa campanha traz a emoção, que é o medo. Pode ser eficaz, mas a publicidade pode tentar construir essa motivação em cima do coletivo e não com uma campanha que vai pelo egoísmo&#8221;, diz. <br><br>Fontanella vê as recentes campanhas do Ministério da Saúde como uma tendência do governo Bolsonaro. &#8220;Trabalha muito com o moralismo. Na perspectiva também de apontar um culpado. Mas isso é feito de uma forma até sutil, em um governo que não trabalha com sutilezas&#8221;, comenta. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Campanha discreta</h4>



<p>Não é fácil achar a campanha no site do Ministério da Saúde, repleto de <em>banners </em>e notícias sobre o coronavírus, que, até a véspera do carnaval, ainda não tinha caso confirmado no Brasil. Não há nenhuma chamada na home do site para a campanha de carnaval. <br><br>Na página de Facebook do Ministério da Saúde há quatro postagens sobre a campanha. A mais recente é do dia 15 de fevereiro, com um <em>gif</em> de camisinha e o slogan. No texto, o MS recomenda: &#8220;se notar sinais de uma IST, procure uma unidade de saúde e informe-se&#8221;. Sem dizer quais seriam esses sinais &#8211; e sem considerar que algumas ISTs demoram meses ou anos para manifestar sinais. <br><br>A segunda postagem, de 11 de fevereiro, um dia dia após o lançamento oficial, avisa que &#8220;Comportamento de risco eleva infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil&#8221;, reforçando o tom moralista da campanha.<br><br>Além da invisibilidade nos meios oficiais, o lançamento da campanha também foi discreto. O ministro Luiz Henrique Mandetta participou de um evento na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, no segundo sábado de fevereiro. <br><br>Foi bem diferente da campanha de prevenção à gravidez, a chamada campanha da abstinência, que contou com coletiva de imprensa em Brasília, exibida ao vivo pelas redes do MS, com a presença da ministra Damares Alves, que contou na ocasião que passou um ano construindo a campanha junto ao Ministério da Saúde. A ideia é de que a campanha da abstinência seja levada para as escolas após o carnaval.<br></p>



<p>A Marco Zero questionou o Ministério da Saúde sobre os gastos com produção e veiculação das campanhas, além do período de cada uma e espaço nas mídias. </p>



<p>Em nota, o Ministério respondeu que a campanha do uso da camisinha será veiculada durante o ano de 2020 todo. &#8220;A campanha é permanente e veiculada em TVs aberta e fechada, rádio, mídia exterior, internet e cinema. Foram investidos R$ 15 milhões&#8221;. <br><br>Sobre a da abstinência, o Ministério afirma que &#8220;fez parte da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pelo governo federal, no ano passado, por meio da lei nº 13.798&#8221;. A campanha aconteceu na primeira semana de fevereiro. O orçamento, para apenas uma semana, foi de R$ 3,5 milhões para TV aberta, mídia exterior e internet. </p>
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		<title>Modelo do Hospital Hemope estrangula e pacientes morrem sem tratamento</title>
		<link>https://marcozero.org/modelo-do-hospital-hemope-estrangula-e-pacientes-morrem-sem-tratamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2019 10:56:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[hemope]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[secretaria estadual de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elisângela aguardava por uma sessão de quimioterapia no hospital do Hemope, fundação criada há quase 42 anos e referência em hematologia e hemoterapia, quando começamos a nos comunicar por telefone e WhatsApp, em meados de fevereiro. O combinado era que ela daria uma entrevista pessoalmente quando conseguisse ser internada para continuar o tratamento de leucemia. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Elisângela aguardava por uma sessão de quimioterapia no hospital do Hemope, fundação criada há quase 42 anos e referência em hematologia e hemoterapia, quando começamos a nos comunicar por telefone e WhatsApp, em meados de fevereiro. O combinado era que ela daria uma entrevista pessoalmente quando conseguisse ser internada para continuar o tratamento de leucemia.

A medicação, no entanto, nunca chegou. Elisângela morreu sem que ela tivesse tido a chance de se tratar e eu, de conhecer sua história. Sequer tive tempo de perguntar seu sobrenome. O que sei é que sua dor não era só física &#8211; sem tratamento, já não conseguia mais se levantar da cama -, era também a dor social da invisibilidade.

A unidade hospitalar que fica por trás do prédio principal do Hemope, no Derby, e é responsável por atender todo o estado de Pernambuco e alguns vizinhos, definha a cada dia. Faltam remédios (incluindo os mais simples, como analgésicos e antigases), vidros para cultura de sangue, agulhas para exames importantes, fraldas e até algodão. Dos 31 leitos da hematologia, apenas 18 estão ocupados, pois não há medicamentos o suficiente para mais pacientes.
<blockquote><em>Hemoterapia = coletas, doações e transfusões de sangue</em>

<em>Hematologia = tratamento de doenças do sangue, da medula e dos gânglios linfáticos</em></blockquote>
A conta da hematologia do Hemope, que já não fechava há mais de uma década, virou um nó que precisa ser desatado para dar o mínimo de dignidade a pacientes que não contam com outra alternativa, pois não têm plano de saúde nem renda para custear tratamentos de alta complexidade, e o serviço público não oferece outro lugar. São pessoas que enfrentam doenças como leucemias, anemia falciforme e hemofilia.

Estamos falando de cerca de quatro mil pacientes atualmente em tratamento no estado, reunindo todas as doenças hematológicas, sendo que 1,6 mil são falciformes e outros 800 são hemofílicos. Atualmente mais de 100 pessoas aguardam na fila por um transplante de medula óssea.

Vinculada à Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE), a Fundação Hemope tem mais de 1,3 mil funcionários e seu faturamento gira em torno dos R$ 38 milhões ao ano, arrecadados através dos serviços de hematologia e hemoterapia, com recursos oriundos do SUS, do governo estadual e de convênios com operadoras de planos de saúde. Na área da hemoterapia, apesar das muitas dificuldades, o Hemope consegue manter o atendimento de cerca de 90% do sangue utilizado pelo sistema público do estado, o que soma aproximadamente 18 mil leitos, do litoral ao sertão. A crise aguda, portanto, está na hematologia, sobretudo na oncohematologia, uma conta alta, com recursos infinitamente aquém dos custos.

De forma geral e resumida, o SUS paga as contas médicas, como consulta, internamento e medicações especiais. E o Governo do Estado, despesas como folha de pessoal e algumas atividades complementares. Por exemplo, o mielograma, exame que avalia a medula óssea, tem um repasse do Ministério da Saúde de menos de R$ 30,00, sendo que somente a agulha pode custar entre R$ 60,00 e R$ 110,00, sem contar com os demais custos, que vão do álcool ao médico.

A gravidade é que agora essa discussão, que deveria ter sido tratada com prioritária lá atrás, precisa ser travada num contexto de baixa capacidade de financiamento estadual da saúde e da “PEC da Morte”, como ficou conhecida a Emenda Constitucional 95, que congela gastos em saúde e educação por 20 anos. Somente em 2019, a previsão de perda para o SUS é de R$ 9,5 bilhões, e cada vez mais gente deixa os planos de saúde por não ter condições de pagar.

Sem honrar ou atrasando pagamentos, o Hospital Hemope, que faz compras em quantidades pequenas, perdeu seu poder de barganha com a indústria farmacêutica. Os sucessivos processos licitatórios dão desertos, sem nenhum fornecedor interessado, ou fracassados, ou seja, apenas com participação de empresas não habilitadas. O que pacientes e famílias ouvem, repetidamente, é que há problemas nessas licitações e, por isso, o estoque está vazio. Mas a verdade é que o sofrimento não quer saber de burocracia, e a vida não pode esperar.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/DívidasHemope.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14793 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/DívidasHemope.jpg" alt="DívidasHemope" width="700" height="460"></a>Para entender a situação do Hospital Hemope, é preciso desenrolar esse novelo, que envolve dor, modelo de atendimento e financiamento e decisão política.
<h2>A DOR</h2>
<strong><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_dor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14794 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_dor-1024x576.jpg" alt="hemope_dor" width="702" height="394"></a></strong>

“O que sinto é uma dor de esmagamento, sabe? Dói tudo, da cabeça aos pés. Quando eu era criança e alguém me perguntava ‘como é essa dor que tu sente’, a única associação que eu conseguia fazer era com aquela roda gigante passando por cima do Papaléguas, sabe? Era isso que eu sentia e continuo sentindo”. Dona de casa e mãe solteira de dois filhos, Ivana Patrícia Pereira, de 43 anos, tem anemia falciforme, uma doença hereditária crônica e incurável, exceto com transplante de medula óssea, e que causa anemia, icterícia, lesões em múltiplos órgãos e muita dor óssea. Por isso ela precisa tomar morfina quando entra em crise. Uma caixa custa, em média, R$ 30,00, mas está em falta no Hospital Hemope, onde ela se trata desde os três anos e está atualmente internada para tratar de uma pneumonia e as consequências de um AVC.

O estoque também não tem deferiprona, medicação responsável por diminuir a sobrecarga de ferro que pode se acumular em órgãos como coração, fígado e pâncreas. Está em falta desde outubro. A hidroxiureia, remédio que proporciona qualidade de vida a Ivana, chegou em fevereiro, após meses de espera e denúncias na imprensa. “Me sinto frustrada porque isso aqui era como se fosse a minha segunda casa há 40 anos. Nunca vi ficar desse jeito. Parece que querem nos deixar sem nada até que a gente pare de vir. Sabe esse Bipsoro (aparelho que emite alerta para o posto de enfermagem)? Está aqui desde que sou criança, só que agora não podemos mais usá-lo porque ele está quebrado e com os fios desencapados”.

No dia da entrevista, Ivana dividia um quarto da enfermaria com Fernanda Silva, de 26 anos, também com pneumonia. Autista e cadeirante, porque o excesso de ferro sem controle já comprometeu os movimentos das pernas, ela tem talassemia, outra hemoglobinopatia crônica e hereditária, e se trata no Hemope desde os três meses.

Fernanda não fala, quem me contou sua história foi sua mãe, Eliane Silva, de 48 anos, também mãe solteira. Ela começou só ouvindo minha conversa com Ivana, mas não conseguiu segurar o desabafo de revolta. “O risco de morrer é grande, os próprios médicos dizem isso. Um dia desses, Fernandinha não fez um tratamento porque não tinha bombinha de asma. Minha filha com 26 anos tem cirrose e estou praticamente aleijada da coluna por conta do peso que é carregá-la. Imagina vir da Imbiribeira até aqui pegando metrô e ônibus”. No dia da entrevista, Fernanda estava com diarreia. As fraldas que estava usando foram doadas por familiares.

Oito dias depois da nossa conversa, Ivana já não estava no quarto 12 com Fernanda: vítima de um AVC isquêmico, agora ela está internada na UTI. E Fernanda não resistiu e morreu na UTI&nbsp;nesta quinta (4), dia da publicação desta reportagem. Ficamos sabendo no fim da manhã.

“Se o paciente tiver febre agora, não temos como examiná-lo simplesmente porque não há vidro para hemocultura, fornecido por um laboratório terceirizado. A situação vem se agravando desde 2018. Os óbitos por falta de medicações estão cada vez mais recorrentes”, relata uma pessoa que trabalha no Hospital Hemope e preferiu não ser identificada. Além do risco para quem está internado, a situação impede que novos pacientes diagnosticados sejam acolhidos para tratamento. Lá dentro geralmente a escassez também é justificada por “problemas com licitações, compras e importações”.

A equipe do Hospital Hemope muitas vezes precisa indicar que as famílias “se virem” para bancar alguns remédios. Outras vezes, tem de praticar um difícil jogo de cintura para priorizar os pacientes mais graves. Médicos que trabalham em mais de um lugar chegam a recorrer a outras instituições públicas de saúde para garantir algumas medicações. A situação é tão grave que a unidade não tem conseguido garantir nem mesmo o Aracetim, a primeira droga, de urgência, que se prescreve quando um paciente chega com leucemia, para tirá-lo da gravidade e dar início ao tratamento. “É triste ver isso porque nós que trabalhamos aqui sabemos que conseguimos dar uma assistência diferenciada”, lamenta a pessoa entrevistada.

Até o tratamento da leucemia LMA M3 (promielocítica), o tipo que mais se cura no mundo, está comprometido. Com dois comprimidos de ácido transretinóico (Atra) por dia, durante 15 dias, já há uma reversão da doença. Mas o estoque do Hospital Hemope não tem a medicação. Recentemente uma paciente terminou cedendo os únicos 40 comprimidos que havia acabado de receber para uma outra paciente, em estado mais grave, e agora, para suprir sua necessidade, está fazendo uma cota com a igreja que frequenta para conseguir comprar por conta própria. Já virou rotina pedir para que os pacientes comprem o colírio dexametasona, usado quando se faz quimioterapia e que custa menos de R$ 15,00. “Mas o que são R$ 15 para quem, de tão pobre, chega sem roupa ao hospital, e o que são R$ 15,00 para o SUS ou o governo de Pernambuco”, questionam familiares e funcionários.

Quando as famílias recorrem à justiça e conseguem garantir os remédios, ainda assim o processo é lento por conta da burocracia e da falta de interesse dos fornecedores em participar de licitações de menor preço. Como o Hospital Hemope não consegue honrar com os compromissos financeiros e as compras são realizadas em pequenas quantidades, praticamente não há mais poder de barganha.

Além dos fármacos, a crise atinge também a estrutura, antiga, e a manutenção, restrita. Se a resistência de um chuveiro queimar ou a tampa de uma bacia sanitária quebrar, a troca pode levar semanas. “Alegam que a verba de suprimento é muito pequena”. Os ar condicionados e as mini TVs estão lá porque foram doados. Há dias em que não há sabão e também não há simples cadeiras plásticas suficientes para todos os acompanhantes sentarem.
<h2>O MODELO INVIÁVEL</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_modelo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-14797" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_modelo-1024x576.jpg" alt="hemope_modelo" width="702" height="394"></a>

“No modelo atual, a conta não se paga”, crava a diretora-presidente da Fundação Hemope, Yêda Maia. “A hematologia é uma atividade de alta complexidade e rápido avanço tecnológico a ponto de criar dificuldades de financiamento até mesmo em países ricos, como França e Inglaterra”, compara, destacando que a complexidade da área mudou muito desde a década de 1970, quando o Hemope foi fundado, mas que o financiamento da saúde pública, “bastante marcado pela impiedosa indústria farmacêutica”, não acompanhou essa evolução. Muitos remédios baratos e eficientes saíram do mercado nacional, mas continuam no mercado internacional, pondera a médica hematologista.

Para exemplificar a burocracia, Yêda cita o exemplo do Atra, a medicação para a leucemia LMA M3, a que mais se cura no mundo, mencionada acima. Trata-se de um comprimido que revolucionou o tratamento no início da década de 1990 a um custo de apenas R$ 12,00. A empresa que antes era fornecedora através de contrato com o hospital recebia o medicamento de uma distribuidora contratada da Roche. Quando o laboratório vendeu a patente, as empresas distribuidoras precisaram se ajustar aos novos contratos, e isso levou tempo, deixando os pacientes sem o remédio, mesmo o Hemope tendo um contrato.

Mesmo com mais de 10 anos, como permite a lei, a patente não foi quebrada e não há laboratórios públicos no país que fabriquem. O processo licitatório em 2018 deu deserto, não houve propostas. Solicitou-se então uma dispensa de licitação, que deu fracassada. Nesse caso, já que a lei impede que se dê continuidade à dispensa, um novo processo precisa ser aberto, e enquanto isso os pacientes continuam sem tratamento.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemopeDespesasPorFonte.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-14798" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemopeDespesasPorFonte.jpg" alt="hemopeDespesasPorFonte" width="700" height="450"></a>

Outra evidência de que o modelo precisa ser repensado é o atendimento da UTI, subutilizada, com apenas quatro leitos e portanto um custo leito / dia muito alto. O problema é que não há espaço físico para essa ampliação, que já foi alvo de pedido do Ministério Público.

Como forma de amenizar os custos, alguns medicamentos que eram comprados pela Fundação Hemope tiveram a responsabilidade transferida diretamente para a Secretaria Estadual de Saúde, a exemplo do hidroxiureia, que Ivana conseguiu em fevereiro, após muita pressão. A mudança rendeu uma economia de R$ 600 mil ao ano, segundo os cálculos da diretora-presidente. “Ele serve para câncer e para anemia falciforme, sendo que, dentro do programa nacional de anemia falciforme, ele é custeado pelo governo federal se comprado via secretaria. O Hemope comprava com recursos próprios e não tinha ressarcimento. Daí conseguimos negociar. Mas existe uma burocracia: para o Ministério da Saúde comprar, é preciso incluir o paciente num sistema chamado Hórus, realimentado trimestralmente, senão o remédio não vem”, justifica.

O Ministério Público, afirma a promotora Ivana Botelho, vem acompanhando as denúncias contra as faltas no Hospital Hemope, vai encaminhar a questão das tabelas do SUS extremamente defasadas para o Ministério Público Federal e tem estabelecido prazos para o governo do estado. Mesmo que todas as faltas de medicamentos fossem judicializadas, é a assistência como um todo que precisa ser revista, pondera a promotora. Os pacientes e as famílias têm direito de entrar com uma ação indenizatória contra o estado, procurando a Defensoria Pública em caso de não haver advogado particular.

“Estamos numa encruzilhada que nos entristece muito”, admite Yêda, que se despede do cargo este mês. Há uma seleção em aberto para renovar o cargo, juntamente com a renovação feita na SES-PE, que colocou o médico cardiologista André Longo no comando da pasta.

A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> solicitou uma entrevista com o novo secretário, mas não foi atendida.

Ex-servidores do Hemope com quem a reportagem conversou também apostam que uma mudança de perfil do hospital é urgente. O Hemope foi construído para ser um hemocentro, e não um hospital, mas foi acumulando a função porque nunca houve no estado uma política que centralizasse esse atendimento, o que onera a fundação e deixa os pacientes com câncer, e consequemente os demais, sem condições de tratamentos. Poucos hemocentros no Brasil concentram atendimento hospitalar, como em Pernambuco, no Amazonas e no Rio de Janeiro, onde o hospital de hematologia foi construído para essa finalidade e absorvido pelo Hemorio. Em São Paulo, por exemplo, os doentes hematológicos são atendidos no Hospital de Clínicas.
<h2>A DECISÃO POLÍTICA</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_decisoes.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-14799" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/hemope_decisoes-1024x576.jpg" alt="hemope_decisoes" width="702" height="394"></a>

Onde prestar o melhor atendimento com o menor custo? A resposta a essa pergunta precisa passar por uma decisão política do governo do estado e que faltou ser tomada pela secretaria de saúde, avalia Aderson Araújo, hematologista do Hemope, ex-presidente da fundação, de 2000 a 2004, e ex-secretário de saúde, entre 2004 e 2005, no governo Jarbas Vasconcelos. Para ele, está claro que da forma como está não se sustenta e mais pacientes correm risco.

“A verba do Ministério da Saúde já não dá para a hemoterapia, quem dirá para a oncohematologia”, justifica. O dinheiro do governo federal chega à fundação através da linha da hemoterapia, e não através de uma linha de financiamento oncológico. O transplante, lembra Aderson, fechou porque já não havia financiamento suficiente, por ser um procedimento de altíssima complexidade. A decisão do então secretário de saúde do governo Jarbas, Guilherme Robalinho, em vez de fortalecer o serviço público, foi credenciar um hospital particular, o Hospital Português, onde os transplantes são feitos até hoje, com uma fila que hoje está em mais de 100 pessoas. A oncohematologia pediátrica também já saiu do Hospital Hemope, com resistência de parte da fundação na época. As crianças são atendidas até hoje no Imip com uma equipe pediátrica especializada.

Já tentou-se levar o atendimento oncológico adulto do Hemope para o Barão de Lucena, o Otávio de Freitas e o Hospital do Câncer, todos atualmente também em situação difícil. Mas a mudança nunca se concretizou. Em 2015, época da gestão do então secretário Antônio Figueira, no governo Eduardo Campos, o Conselho Estadual de Saúde chegou a aprovar a transferência dos pacientes da onco hematologia para o HCP, principal serviço de oncologia do estado, na tentativa de concentrar esforços e recursos. O Hospital Hemope ficaria restrito ao atendimento dos pacientes hematológicos que não têm câncer.

O diagnóstico das leucemias no Hemope também já foi desmontado. Não há, por exemplo, raio x nem tomografia, assim como não há tratamento radioterápico para linfoma. Tudo é feito em outras unidades. “É preciso sentar para, de forma compartilhada, traçar uma política”, avalia Aderson, que acredita que essa política poderia prever colocar boa parte da área hospitalar do Hemope, para pacientes oncológicos e falciformes com intercorrências, dentro de um hospital geral, com os profissionais da hematologia. “O que não pode é deixar os doentes desassistidos ou mal assistidos com risco de morrerem por causa de uma instituição que está sendo desmontada”, argumenta.

A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> solicitou uma entrevista com o secretário André Longo, para ouvir do estado questões como a que o governo atribui a difícil situação do Hospital Hemope, qual a avaliação que se faz do atual modelo e quais os planos da gestão para a unidade hospitalar da fundação. A secretaria, porém, nos respondeu através de uma nota em que “reconhece as dificuldades que o Hospital do Hemope vem enfrentando nos últimos meses” &#8211; para quem o quadro é consequência da crise econômica e do aumento da demanda -, mas minimiza a gravidade do quadro. A SES informou que, além do processo de seleção pública para o cargo de diretor-presidente, estabeleceu, em fevereiro, um plano de ação com o objetivo de normalizar o abastecimento e que tem trabalhado e mantido o diálogo com parceiros do SUS em Pernambuco para ampliar a assistência especializada da onco hematologia.

<strong>Confira a nota na íntegra:</strong>

<em>A Secretaria Estadual de Saúde reconhece as dificuldades que o Hospital do Hemope vem enfrentando nos últimos meses, que foram motivadas, sobretudo, pela grave crise econômica e pela consequente migração de pacientes que deixaram os planos de saúde, o que gerou um aumento da demanda nos serviços de saúde. No entanto, a SES já estabeleceu, desde o mês de fevereiro, um plano de ação com o objetivo de normalizar o abastecimento dos medicamentos e insumos no serviço. Além disso, já está em curso o processo de seleção pública para o cargo de diretor-presidente da instituição.</em>

<em>É importante destacar, ainda, que o Hemope – um patrimônio do povo de Pernambuco – tem um importante papel para a rede estadual de Saúde, tanto área de hematologia, como no tratamento das doenças sanguíneas. E, desta forma, a valorização e potencialização desta vocação da unidade é um compromisso da gestão estadual. Sobre a questão específica da onco hematologia, a SES informa que tem trabalhado e mantido o diálogo constante com os parceiros do SUS em Pernambuco para ampliar essa assistência especializada.</em>

<em>Já com relação ao Programa de Oncologia, nos últimos anos, a rede estadual vem apresentando sucessivos aumentos de produção na área. Para se ter ideia, em 2008 foram realizados pouco mais de 4 mil cirurgias na área, e, em 2018, foram 6.908. Já com relação às sessões de quimioterapia, no ano passado foram 155.241, enquanto em 2008 foram contabilizadas 75.910. Também nas sessões de radioterapia houve grande incremento. Os números saltaram de 201.024 em 2008 para 419.016 em 2018.</em>

<em>Desta forma, os percentuais de incremento da produção oncológica em Pernambuco, entre 2008 e 2018, superaram a média nacional e do Nordeste. Nas cirurgias, o Estado apresentou aumento de 70%, enquanto que no Nordeste o crescimento foi de 68%. Com relação às sessões de radioterapia, Pernambuco aumentou em 91,2% o número de sessões, enquanto a média nacional ficou em 59,2% e a da Região Nordeste 84%. Já na quimioterapia, o percentual de aumento do Estado foi de 104,5%, muito acima do registrado na Região (94%) e no país (83,4%).</em>

<em>Mesmo com esta evolução, a Secretaria Estadual de Saúde continua promovendo melhorias e investimentos na rede estadual para ampliar e interiorizar a assistência oncológica em Pernambuco. O Hospital Mestre Vitalino, localizado em Caruaru e um dos mais modernos do interior pernambucano, inaugurou, no final do ano passado, um centro de oncologia (ambulatório oncológico e central de quimioterapia), com investimento de mais de R$ 1,4 milhão. Além disso, o hospital filantrópico Dom Tomás, em Petrolina, foi habilitado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), e também vai passar a ser referência no tratamento oncológico para os moradores do sertão do Estado.</em>

<em>A Secretaria Estadual de Saúde também vem dialogando com o Ministério da Saúde para a ampliação da radioterapia em Pernambuco, já que, em 2012, o Governo Federal havia pactuado a entrega de novas máquinas para o Estado. A previsão é que ainda neste ano, o órgão federal viabilize uma máquina para o Hospital de Câncer de Pernambuco e assine a ordem de serviço para outra no IMIP.</em>

Atualizado em 4/4/19, às 14h50<p>O post <a href="https://marcozero.org/modelo-do-hospital-hemope-estrangula-e-pacientes-morrem-sem-tratamento/">Modelo do Hospital Hemope estrangula e pacientes morrem sem tratamento</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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