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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>&#8220;A fala pública de mulheres políticas não precisa caber no modelo da fala masculina&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 23:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[fala pública]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Romão]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem e poder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por que é tão mais difícil para as mulheres falar em público? Em seu primeiro livro, A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública, da Editora Appris, a jornalista Juliana Romão fala sobre como o modelo de fala pública vigente na política é feito por e para homens. E é [&#8230;]</p>
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<p>Por que é tão mais difícil para as mulheres falar em público? Em seu primeiro livro, <em>A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública</em>, da Editora Appris, a jornalista Juliana Romão fala sobre como o modelo de fala pública vigente na política é feito por e para homens. E é elitizado e conservador. “Importa o que está sendo dito e como, mas na valoração social o elemento definidor é quem está dizendo. A cor da pele, o gênero e o CEP são marcadores estruturantes das desigualdades e definem igualmente o grau de audiência à fala e à expressão”, disse a autora, em entrevista para a Marco Zero.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:43% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="648" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-648x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76383 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-648x1024.jpeg 648w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-190x300.jpeg 190w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-768x1214.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-972x1536.jpeg 972w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-150x237.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro.jpeg 1012w" sizes="(max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No livro, que será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Livraria do Jardim, Juliana defende que mulheres não precisam aprender a caber no molde da fala masculina, mas “desmecanizar” o pensamento: pensar sobre o próprio pensar antes de pensar no microfone. Cursos de oratória e <em>media training</em> capacitam a caber no modelo tradicional de fala. Romão não os descarta, e diz que são ferramentas importantes de letramento ao jogo midiático, mas argumenta que, quando despolitizados, como ocorre na maioria deles, reforçam um cânone estereotipado e esvaziam a força do discurso.</p>



<p>Mestra em comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Juliana Romão é assessora especial no Ministério da Igualdade Racial, professora universitária e há anos assessora discursos de candidatas, parlamentares e movimentos de mulheres. Nesta entrevista, ela fala sobre o que trava a mudança linguística no Brasil e sobre o tribunal das redes, mas avisa que não existe perfil prévio adequado: a boa oradora nunca é, até que seja.</p>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;A boa oradora nunca é, até que seja&#8221;</h2>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Você conta que apresentou um projeto de pesquisa sobre dominação masculina na linguagem e ouviu que o tema não frutificaria. O livro nasce dessa recusa?</strong></p>



<p><strong>Juliana Romão</strong> &#8211; Não exatamente. Olhando pelo retrovisor, essa recusa foi um significativo marco desmotivador, que talvez, por um tempo, tenha me feito achar que tudo o que eu enxergava era mais individual, “coisa minha”. Mas o interesse pelos fascínios da linguagem e de como ela está entranhada nas relações sociais e políticas sempre foi muito genuíno, então não parei de me misturar com o tema, estudando, refletindo, praticando.</p>



<p>Importa o que está sendo dito e como, mas na valoração social o elemento definidor é quem está dizendo. A cor da pele, o gênero e o CEP são marcadores estruturantes das desigualdades e definem igualmente o grau de audiência à fala e à expressão.</p>



<p>Levantei muitos debates sobre o tema em sala de aula, escrevi diversos artigos que sempre trouxeram perspectivas desse debate sobre poder, linguagem e gênero. As diversas funções na minha atuação profissional estiveram umbilicalmente marcadas por essas lentes. Nesse percurso, me aproximei também das mulheres da política institucional e passei a atuar na gestão de narrativas e articulação política. De maneira muito natural, a conexão entre os desafios da fala pública dessas mulheres diversas na política e as violências e as barreiras de acesso ao poder fizeram muito sentido e provaram que nunca foi uma questão individual, e sim um fenômeno coletivo.</p>



<p>Desenvolvi uma formação para fala pública de mulheres com a proposta de pensar a própria narrativa tendo referências da linguística, da política, da filosofia, do jornalismo, dos feminismos, das artes e da vida vivida. Não mais apenas pelos moldes pré-formatados de cursos de oratória, que se mostram sim importantes, mas depois da segunda página não são suficientes para dar conta das demandas ao mesmo tempo singulares, de cada potencialidade e trajetória, e coletivas.</p>



<p>O livro nasce de todos esses acúmulos, ficaram mais estruturados com a formação.</p>



<p>“<strong>A linguagem das mulheres políticas” se dirige a candidatas, eleitas, professoras, assessoras, jornalistas, ativistas. O que essas mulheres têm em comum quando pegam o microfone?</strong></p>



<p>Todas as mulheres são desafiadas na fala pública. Todas. A curta experimentação feminina na aparição pública com protagonismo não é de A ou B ou C, mas comum ao gênero, consequência da histórica dominação masculina na expressão do mundo. Ainda que as mulheres estejam cada vez mais presentes e atuantes, o déficit de tempo longe do púlpito é grande e simbólico.</p>



<p>Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Clarice mostrou que “saúde”, “educação” e “família” são os lugares vistos como naturais para elas. Já a “ciência e tecnologia”, “negócios” são espaços onde ainda parece estranho vê-las, sendo o grau máximo a “política”.</p>



<p>Por isso digo no livro que as mulheres falam com um canivete do julgamento mirando a jugular e isso as afeta diretamente, mas não é sobre elas, pessoalmente, tem relação com o que todas estão tentando desafiar, é sobre o padrão que não ‘pode’ ser desfeito.</p>



<p>E, nesse sentido, sem dúvida as mulheres plurais da política institucional sofrem desafios extras, uma vez que o discurso público é matéria prima da sua atuação. É comum falarmos que dar voz às pessoas, mas não é exatamente sobre ter voz, e sim sobre ter uma voz audível, respeitada.</p>



<p><strong>Você diz no livro que para cada especialista em redes sociais deveria haver uma especialista em vida real. O que se perde quando o discurso é construído pensando apenas na repercussão online?</strong></p>



<p>De cara, perde autenticidade e a rica dimensão de modulação discursiva desenvolvida com a troca, a partir da conexão que ocorre quando os olhos se cruzam. Não há edição que alcance o calor do abraço, a energia extraordinária da presença.</p>



<p>Agora, é indiscutível que a mensagem narrada nas redes, recortada e visibilizada em audiovisual, é a mais consistente estratégia de massificação discursiva do nosso tempo. Não integrar a virtualidade nem é mais uma opção viável para quem precisa se comunicar publicamente, então o desafio é movimentar-se bem e conscientemente na maré. Refletir, a partir da prática, sobre como atuar com segurança, estratégia e personalidade. Sem ingenuidade.</p>



<p>A fala que repercute nas redes, então, será tão ou mais potente quanto mais corresponder, em alguma medida, à vida de carne e osso, desenquadrada de uma tela. O efeito do virtual pode ser conduzido não para substituir quem somos, mas para alargar a performance, expandir e espalhar a mensagem que conduzimos.</p>



<p><strong>As redes sociais adicionaram uma camada nova ao receio das mulheres diante da fala pública? Nesses espaços, elas são julgadas mais que os homens e por fatores que extrapolam suas qualificações, como o corpo, a roupa, a aparência física. Isso muda o cálculo que uma mulher faz antes de se expor?</strong></p>



<p>As redes virtuais têm a capacidade de massificar ainda mais os discursos, que ganham contornos extraordinariamente mais vastos e complexos do que já era um sintoma com o advento da TV, quando a fala para grandes multidões presentes passou a ser feita para multidões ausentes; quando a imagem passou a ser tão o mais importante do que o conteúdo discursado.</p>



<p>Esse julgamento já existia na fala do púlpito, mas era exercido por menos pessoas. O tribunal das redes é mais violento e repetível, podendo ganhar escala, então sem dúvida essa camada muda o cálculo que se faz ao compor mensagens nas redes. Um cálculo que deve compor a estratégia comunicativa, não para paralisar, mas como medida de proteção e consciência, inclusive sobre as formas de denúncia e uso do ferramental jurídico para coibir práticas violentas e discriminatórias. Com firmeza e sem ingenuidade.</p>



<p><strong>No capítulo &#8220;Quem pode falar&#8221;, você retoma a <a href="https://medium.com/@fabi2moraes/falar-de-falar-sobre-falar-com-3b9e6ddb85a1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">distinção de Fabiana Moraes </a> entre falar “de” e falar “por”. Como manter a legitimidade de quem vive a experiência sem que isso restrinja os temas que uma pessoa pode abordar</strong>?</p>



<p>A legitimidade da experiência de quem vive é intransferível e inalienável. Mas não é a única perspectiva, inclusive pessoas que vivem realidades semelhantes podem ter visões distintas ou não. Essa dimensão de validação das abordagens exige um amadurecimento mesmo quanto aos caminhos para avançarmos.</p>



<p>Olhares distintos, vistos de perto, de longe ou de qualquer ângulo, enriquecem o debate, possibilitando o acesso a enquadramentos diversos do mesmo objeto, que de tão complexo são vários, com múltiplas interpretações. Nenhum deles é ilegítimo a priori. Eles vão ser primários, secundários, perspectivados, enviesados.</p>



<p>E tem algo importante também, tanto os discursos potentes quanto os vazios ou oportunistas podem ser identificados por quem escuta. Não devemos subestimar a capacidade interpretativa das pessoas e suas trajetórias.</p>



<p><strong>Você é professora, dá palestras, assessorou discursos de candidatas e parlamentares. O que desse método testou primeiro em si mesma e qual é a recomendação mais difícil de colocar em prática?</strong></p>



<p>Sem dúvida mirei em mim primeiro. Mas não como um teste de um método externo, ao contrário, a escuta e reflexão interna quanto às minhas inseguranças, potências, dúvidas e habilidades me mostrou o caminho para desenvolver uma proposta de formação alicerçada nas minhas pesquisas, estudos e práticas.</p>



<p>No livro deixo muito cristalino que não me considero uma exímia oradora e nem o objetivo é formar exímias oradoras. O projeto é dar suporte para comunicar melhor o que pretendemos, com troca, verdade e adubo para crescermos neste movimento superlativo que é pôr em comum.</p>



<p>Não existe um jeito “certo” de fazer, uma receita infalível à venda na Shopee. Então a proposta é também sobre libertação, de não precisar seguir um padrão. Não há perfil prévio adequado; a boa oradora nunca é, até que seja.</p>



<p><strong>Apesar do livro não ser exatamente um manual, há várias recomendações para quando uma mulher for falar em público: chegar cedo ao evento, não ficar no celular durante as demais falas, levar anotações impressas. Uma das recomendações mais específicas do livro é nunca abrir uma fala dizendo que está nervosa. Por quê?</strong></p>



<p>Sim, há recomendações muito abertas. Não faz muito sentido pra mim as normas imperativas que dizem como fazer. É como pensar nas risíveis roupas tamanho único. Elas, ao final, não cabem em ninguém.</p>



<p>Mas sobre a recomendação de verbalizar o nervosismo, eu trouxe esse ponto pois é um recurso muito comum e um genuíno movimento por empatia. Não há nada errado com isso especificamente, contudo, é importante que saibamos que ao mencionar essa condição, é bem provável que ela seja acionada na cabeça de muita gente uma “confirmação” da imagem estereotipada de inexperiência ou de inabilidade, comumente associadas às mulheres quando discursam. Será erguida uma impressão ou barreira que tende reduzir o que virá depois.</p>



<p>Então, se possível, segura essa informação, jajá o nervosismo vai passar. Em 30 segundos após o começo da fala, mergulho na água gelada ficará mais agradável e até prazeroso. Deixemos o frio na barriga vir, o coração acelerar; costumo dizer que ambos são manifestações de vida e homenagem. É o nosso corpo em perfeita sintonia com o momento presente.</p>



<p><strong>Do Chile ao México, mulheres estão exigindo o feminino no nome do cargo. No Brasil, o pedido de Dilma Rousseff para ser chamada &#8220;presidenta&#8221; foi recusado, mesmo havendo uma lei de 1956 que determina a flexão em cargos públicos. Por que aqui isso trava?</strong></p>



<p>De maneira macro, esse assunto revela a violenta desigualdade de distribuição de poder e de espaços de decisão. A dificuldade das mulheres, especialmente as diversas, alçarem espaços de poder aumenta exponencialmente na medida em que os cargos ficam mais “altos”. Temos pouquíssimas mulheres presidentas no mundo, de modo que o imaginário demora a assimilá-las no poderosíssimo lugar de líder de uma nação. O mesmo vale para a língua, que se move orientada pelas necessidades de uso social. Como ainda são poucas as mulheres presidentas, a engrenagem linguística não tem forças para se impor, e o uso da palavra no feminino sofre rejeição, parece incorreção e soa estranha e desnecessária.</p>



<p>Revela também que as transformações estão em curso, mas são lentas, não lineares e nem sem tensão. No Brasil, elegemos nossa primeira e até agora única presidenta, Dilma Rousseff, 14 anos antes do México, contudo, não apenas Dilma foi retirada do poder por sua agenda e condição de gênero, como os mecanismos de política para uma &#8216;cota forte&#8217; sofreram e sofrem resistência contínua dos parlamentos.</p>



<p>No Brasil, as mudanças combinadas, que possam se dar ao mesmo tempo, sofrem barreiras mais consistentes e isso trava tudo mais visivelmente. Digo isso pois o caminho é conhecido, mas pouco aplicado. É necessário uma legislação inequivocamente orientada à mudança cultural, que favoreça a equidade de gênero e raça na política; também precisamos de uma corte firme, capaz de fazer cumprir as normas; além de estruturas partidárias mais democráticas e a forte atuação dos movimentos de mulheres. E uma ação linguística também: é preciso empurrar a engrenagem da língua para incluir e visibilizar as mulheres em sua pluralidade, como ocorreu no caso da Câmara do Chile. E torná-las cada vez mais conscientes da própria capacidade de expressão.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Serviço</span>

		<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal" dir="ltr">Lançamento de <em>A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública</em>, de Juliana Romão (Editora Appris), com bate-papo com a autora e a professora da UFPE Ana Veloso, prefaciadora do livro<br />
<strong>Quando:</strong> Quinta-feira, 6 de agosto, às 19h<br />
<strong>Onde:</strong> Livraria do Jardim — Av. Manoel Borba, 292, Boa Vista, Recife<br />
<strong>Quanto:</strong> Entrada gratuita. O livro custa R$ 55</p>
	</div>
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		<title>Recife recebe encontro internacional de lideranças femininas e LGBTQIA+ da América Latina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 19:42:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conecta Latinas]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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		<category><![CDATA[protagonismo feminino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desta quinta-feira, 22 de maio, até domingo, dia 25, o Recife será palco do Conecta Latinas, um encontro internacional que reunirá aproximadamente 200 mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ de mais de 20 países da América Latina e Caribe. Contando com participações do continente africano, o evento tem a intenção de fortalecer o debate sobre a [&#8230;]</p>
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<p>Desta quinta-feira, 22 de maio, até domingo, dia 25, o Recife será palco do Conecta Latinas, um encontro internacional que reunirá aproximadamente 200 mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ de mais de 20 países da América Latina e Caribe. Contando com participações do continente africano, o evento tem a intenção de fortalecer o debate sobre a democracia por meio do protagonismo político de quem atua nos territórios onde o Estado não chega.</p>



<p>Promovido pelo <a href="https://www.institutoupdate.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Update</a> em parceria com 12 organizações internacionais, o Conecta é aberto ao público e vai acontecer na Torre Malakoff, no Recife Antigo, com inscrições via Sympla. A <a href="http://institutoupdate.org/conectalatinas">programação</a> inclui mais de 20 atividades entre debates, atividades culturais, exibição de filmes e o Festival de Música e Imaginação Política. Entre os destaques estão a presença da ex-deputada Robeyonce Lima, além de lideranças como Valdecir Nascimento (Brasil), Paola Cabezas (Equador), Mikaelah Drullard (Colômbia) e Leonela Massocolo (Angola).</p>



<p>As lideranças que fazem a diferença em seus territórios estarão juntas para trocar estratégias, fortalecer alianças e ampliar a visibilidade de suas atuações, neste momento em que os direitos das mulheres vêm sendo atacados em diversas partes do mundo.</p>



<p>Durante o evento, também será lançado o <em>Mapeamento de iniciativas de apoio à liderança política na América Latina</em>, um levantamento inédito feito em parceria com a Better Politics Foundation, que identificou 207 iniciativas de mulheres e dissidências políticas na América Latina. O relatório é resultado de mais de um ano de escuta virtual e presencial com iniciativas do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México.</p>



<p>De acordo com a organização, o estudo revela um ecossistema robusto e diverso de iniciativas majoritariamente lideradas por mulheres e dissidências negras, indígenas, jovens, populares e LGBTQIA+ que têm ampliado a representatividade e inovação nas práticas políticas a partir dos seus territórios. O documento indica  que já existe um movimento articulado, consistente e interseccional que transforma a política com ações concretas, conquistando garantia de água, terra, educação, proteção e soberania para suas comunidades.</p>



<p>“A democracia só se torna real quando reconhece quem já a constrói todos os dias nos territórios. Essas mulheres estão formulando soluções concretas, sustentadas por ancestralidade, solidariedade e coragem política. Com o mapeamento, queremos mostrar que elas não são exceção”, afirma Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>
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		<title>Mulheres foram alvo de 68,2% dos comentários ofensivos no 2º turno</title>
		<link>https://marcozero.org/mulheres-foram-alvo-de-682-dos-comentarios-ofensivos-no-2o-turno/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 17:20:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Carolina Araújo e Gabi Coelho*, do portal AzMina O 2º turno das eleições 2024, talvez as mais violentas dos últimos tempos, está na reta final. As mulheres que seguem na disputa enfrentam a tensão política de forma diferente, desafiadas pela violência de gênero que marcou toda a campanha deste ano. As que superaram [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ana Carolina Araújo e Gabi Coelho*, do portal <a href="https://azmina.com.br/reportagens/mulheres-receberam-682-dos-comentarios-ofensivos-em-debates-no-2o-turno/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">AzMina</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="1024" height="496" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Az-Mina.jpeg" alt="" class="wp-image-66060 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O 2º turno das eleições 2024, talvez as mais violentas dos últimos tempos, está na reta final. As mulheres que seguem na disputa enfrentam a tensão política de forma diferente, desafiadas pela violência de gênero que marcou toda a campanha deste ano. </p>
</div></div>



<p>As que superaram o 1º turno continuam sendo alvo de insultos e ataques misóginos que vão além da crítica profissional, expondo o ódio contra as mulheres que permeia as redes sociais.</p>



<p>A jornada eleitoral de algumas dessas candidaturas foi acompanhada mais uma vez pelo MonitorA – observatório de violência política de gênero online do Instituto AzMina, InternetLab, Núcleo Jornalismo e Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia (LABHD-UFBA) -, que em 2024 analisou comentários feitos em transmissões de debates no YouTube por todo o Brasil. Nesta terceira etapa, foram coletados 6.673 comentários potencialmente ofensivos, 56,8% direcionados a mulheres candidatas, e 23% aos candidatos homens. Do total de interações confirmadas como ofensivas a candidaturas, 68,2% se dirigem a mulheres, e 31,7% a homens.</p>



<p>As candidatas são alvo de ataques diretos e violentos com mais que o triplo de frequência, representando 22,1% dos comentários ofensivos, enquanto apenas 6,3% são direcionados aos homens. O restante é dividido entre ofensas a eleitores, jornalistas dos dois gêneros, homens e mulheres não candidatos, grupos políticos, veículos de mídia e destinatários não identificados. A pesquisa concluiu que, sem recorte de gênero, 67% dos comentários nos debates analisados foram ofensivos, entre insultos e ataques.</p>



<p>A cada edição, o MonitorA classifica milhares de conteúdos ofensivos dirigidos a candidatas em redes sociais, e diferencia o que é insulto ou ataque. Os insultos são expressões desagradáveis, mas considerados parte do jogo político. Já os ataques, que podem ser misoginia, racismo, transfobia, assédio e incitação à violência, entre outros, tem recomendação de exclusão das redes.</p>



<h2 class="wp-block-heading">As mulheres no 2º turno</h2>



<p>Treze cidades brasileiras, sete capitais, têm mulheres disputando a prefeitura no 2º turno. O MonitorA coletou dados de transmissões de debates no YouTube em cinco capitais: Curitiba, Campo Grande, Porto Alegre, Natal e Porto Velho, com participação de Cristina Graeml (PMB-PR) e Eduardo Pimentel (PSD-PR), Adriane Lopes (PP-MS) e Rose Modesto (União-MS), Maria do Rosário (PT-RS) e Sebastião Melo (MDB-RS), Natália Bonavides (PT-RN) e Paulinho Freire (União-RN), e Mariana Carvalho (União-RO) e Léo Moraes (Podemos-RO). A candidata Emília Correa (PL-SE) desistiu do debate em Aracaju. O debate de Palmas só acontecerá hoje (25/10) à noite.</p>



<p>Nas cidades de regiões metropolitanas e do interior com mulheres na disputa, analisamos apenas Londrina, com a candidata Professora Maria Tereza (PP-PR) enfrentando Tiago Amaral (PSD-PR). Os debates de Olinda (PE), Ponta Grossa (PR) e Santos (SP) aconteceram após o fechamento dessa reportagem. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando o gênero é motivo de ataque</strong></h2>



<p>No YouTube, termos como “mentirosa”, “louca”, “despreparada” e “fraca” são frequentemente usados para as candidatas. A palavra mais frequente em comentários ofensivos às mulheres, candidatas ou não, é “mulher” (961). O termo “homem” aparece apenas 222 vezes em comentários ofensivos. Eles são mais ofendidos com a expressão “esquerdista” (294), mostrando que, nesses casos, a conversa gira em torno da ideologia política, e não do gênero. </p>



<p>Os dados também mostraram que a inferiorização está em 36,2% dos ataques a mulheres, seguida por misoginia, com 36,1%. Entre os homens, os ataques mais frequentes são de etarismo (34%), inferiorização (24,3%) e homofobia (23,1%). No entanto, muitos ataques classificados como homofobia não eram direcionados a candidatos gays, mas questionavam sua masculinidade a partir de estereótipos de gênero, usando a homossexualidade para desqualificá-los.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Az-Mina-eleicoes.jpg" alt="Você Imagem carregada descrever esse gráfico de forma resumida para uma pessoa cega Copilot O gráfico destaca diferentes formas de discriminação e preconceito enfrentadas por mulheres políticas. Cada seção do gráfico aborda um tipo de preconceito (transfobia, inferiorização, misoginia, intolerância religiosa e etarismo), acompanhado por citações ofensivas e a imagem de uma urna eletrônica com a foto de uma mulher política." class="" loading="lazy" width="669">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: AzMina</span>
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<p>Carolina Parreiras, pesquisadora do departamento de Antropologia e membro do Laboratório Etnográfico de Estudos Tecnológicos e Digitais (LETEC) na Universidade de São Paulo (USP), defende que a internet se tornou um ambiente propício à misoginia e ao machismo, por acelerar a circulação desses conteúdos. “O gênero passa a ser um marcador muito importante para entender essas questões”.</p>



<p>Sua posição é corroborada por achados do MonitorA 2022. Ao analisar perfis de candidatos homens, a pesquisa identificou ofensas a partir de marcadores sociais como orientação sexual e raça. “Diferentemente das mulheres, eles não foram atacados por serem homens, mas por pertencerem a grupos historicamente marginalizados”, aponta Catharina Vilela, pesquisadora do InternetLab.</p>



<p>Curitiba foi a cidade com maior participação da audiência, com 2.584 comentários no embate entre Cristina Graeml (PMB-PR) e Eduardo Pimentel (PSD). A candidata – que é filiada ao Partido da Mulher Brasileira, mas não traz a palavra mulher em seu plano de governo -, vem sendo considerada ‘azarona’ na capital paranaense, com uma campanha apoiada no extremismo de direita, é aliada de Jair Bolsonaro (PL) e apoiada por Pablo Marçal (PRB-SP).</p>



<p>Em seguida, aparecem Campo Grande (1892), Natal (1349), Londrina (790), Porto Alegre (35) e Porto Velho (23). Com exceção da capital de Rondônia, todas as cidades analisadas tiveram mais de 60% de comentários ofensivos (somando insultos e ataques).</p>



<h3 class="wp-block-heading">O caso de Campo Grande</h3>



<p>Candidata à reeleição em Campo Grande, Adriane Lopes (PP-MS), foi chamada de “lixo”, “imunda”, “capacho de marido”, “bandida desgraçada” e mais. Sua oponente, Rose Modesto (União-MS), foi descrita pela audiência como “cara de louca”, “feia”, “fraca”, “horrível”, entre outros.</p>



<p>O debate de Campo Grande foi o único entre duas mulheres, e o mais violento em comentários da audiência do YouTube. Luciane Belin, pesquisadora em gênero e misoginia em plataformas digitais no NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), relata evidências científicas de que mulheres na política recebem mais ataques digitais que seus colegas, com questionamentos sobre sua capacidade pública e ataques pessoais, “com xingamentos de teor sexual ou sobre aparência física e ofensas à família”.</p>



<p>A pesquisadora cita ainda o Censo das Prefeitas Brasileiras de 2020, que mostrou que homens comandam quase 90% dos municípios do país. “O dado ilustra como, longe dos grandes centros, há uma tendência à perpetuação da divisão sexual da sociedade, com homens à frente da esfera pública e mulheres responsáveis pela vida doméstica.” No 1º turno desse ano, o Brasil elegeu 4.744 prefeitos e 723 prefeitas. Elas são agora 14%, contra os 10% de 2020.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Ódio e violência dão mais lucro</strong></h3>



<p>A popularidade em Curitiba não livrou Cristina Graeml (PMB-PR) das ofensas da audiência. Durante o debate na TV Band, ela foi alvo de 446 ataques e 326 insultos, com frases como “bruxa Cristina tenebrosa”, “Cris louca”, “Coitada da Cristóxica”, “mandar (sic) essa mulher calar a boca” e “Chupa Cris”, entre outras. A candidata não respondeu nossos pedidos para comentar a questão.</p>



<p>Carolina Parreiras, do LETEC/USP, concorda, mas não acredita que o gênero explica tudo, chamando a atenção para a lógica algorítmica das plataformas digitais. Essa ‘nova economia’ tem a produção e captação de dados como moeda, mas esse processo não é neutro nem visível; tudo é rastreado e vigiado com ‘tecnologias opacas’. “O ódio e a violência dão muito mais lucro que postagens positivas. Não só misoginia, racismo, transfobia e homofobia, mas tudo que tem grande potencial de escalabilidade”, afirma.</p>



<p>“Estou recebendo ataques apenas pelo fato de ser mulher. São ataques machistas, como os que dizem que ‘não raspo sovaco’, junto de ataques criminosos que chegam ao ponto de incentivarem minha morte”, revela Natália Bonavides (PT-RN), deputada federal e atual candidata à prefeitura de Natal. Sua sua equipe jurídica monitora os ataques, denuncia à polícia e aciona a Justiça para derrubá-los, estratégia fora do alcance de muitas candidatas.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Natalia-Bonavides.jpeg" alt="A imagem mostra uma coletiva de imprensa. No centro da imagem, há uma mulher branca, de cabelos escuros compridos. É a candidata a prefeita de Natal, Natália Bonavides. Ela está usando uma blusa vermelha com bolinhas brancas, cercada por várias pessoas segurando microfones e câmeras. Ao fundo, há um banner com o número “13” e fotos com rostos de pessoas, incluindo a própria Natália. A foto foi feita em um ambiente fechado." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Em Natal, Natália Bonavides foi ameaçada de morte por mensagem de áudio
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Valcidney Soares/Saiba Mais</span>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Hostilidade no Bluesky</strong></h3>



<p>A partir de um levantamento da SimilarWeb, o cientista de dados Henrique Xavier verificou que os acessos ao X (antigo Twitter) no Brasil caíram 81% após o bloqueio determinado pelo Superior Tribunal Federal (STF) em setembro de 2024, contra 11% no resto do mundo. Já a rede social Bluesky, uma das principais concorrentes do X, passou de 747 mil acessos no Brasil em julho para 48 milhões em setembro de 2024. Um aumento de mais de 6000%. No resto do mundo, a Bluesky cresceu 31% no mesmo período.</p>



<p>A migração em massa de usuários do Twitter para o Bluesky gerou dúvidas sobre a capacidade da plataforma emergente para acomodar tantos novos usuários durante as eleições. A moderação de conteúdo seria suficiente para conter o ódio? A equipe do MonitorA analisou 1.206 comentários potencialmente ofensivos, com dados coletados pelo LABHD-UFBA, e encontrou um cenário de hostilidade. A amostra tinha respostas a posts de 27 candidatas e candidatos no Bluesky, a maioria de partidos de Centro e Esquerda.</p>



<p>Os dados mostram que 27% dos ataques foram contra mulheres candidatas, e 15% a candidatos homens. Sem recorte de gênero, os comentários considerados insultos somaram 33,2%. Termos como “burra”, “canalha” e “incompetente”, e comentários sexistas, como “gostosa” e “vadia”, mostram que a retaliação à ascensão das mulheres na política que extrapola os ambientes conservadores.</p>



<p>A análise mostrou que 18,16% dos ataques direcionados a candidatas foram de ofensa moral e descrédito intelectual. Para Fernanda K. Martins, diretora de pesquisa do InternetLab e pesquisadora do MonitorA, “o crescimento de usuários no Bluesky Brasil nos leva a questionar que tipo de futuro a rede social pode ter, e a pensar em saídas para conter a ‘twitterização’ do Bluesky”. Ela defende que a redução da violência política de gênero ‘só será possível com um olhar permanente para candidaturas e figuras políticas, mesmo depois das eleições’”.</p>



<p>Segundo a cientista social e pesquisadora do LABHD-UFBA especializada em discurso de ódio Juciane Pereira de Jesus, o futuro da rede dependerá dos interesses do CEO da plataforma, Jay Graber. “Para que o Bluesky não se transforme em um ‘Twitter 2.0’ a esperança maior está no surgimento de algum tipo de regulação jurídica e política que constranja não só o Bluesky, mas todas as plataformas a respeitarem os preceitos democráticos da lei”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Legislação é insuficiente</strong></h3>



<p>Na opinião de Maíra Recchia, do Observatório Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), a legislação brasileira atual não atende à realidade de violência de gênero na política. Ela entende que a Lei de Violência Política contra a Mulher é um avanço a celebrar, porque protege candidatas e detentoras de mandato, mas lembra que outras lideranças políticas atingidas não estão protegidas. “Assim como acontece na Lei Maria da Penha, precisamos de medidas protetivas de urgência, para cessar imediatamente a violência”, reivindica, explicando que muitos processos se estendem por meses e até anos, sem que haja responsabilização dos agressores. </p>



<p>A Lei de Violência Política Contra a Mulher aumenta a pena de crimes online, mas não especifica práticas digitais. Mesmo assim, A cientista política Beatriz Sanchez, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e da Rede de Pesquisas em Feminismos e Política, afirma que a norma é importante por nomear o problema, evitando a normalização da violência. “A gente tem que falar. Não podemos promover a cultura do silenciamento”, diz, ressalvando que, no cenário atual, “nem sempre é vantajoso que as mulheres façam a denúncia”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Az-mina-eleicoes-palavras.jpg" alt="O gráfico mostra que 67% dos comentários em transmissões de debates pelo YouTube no 2º turno, onde havia candidatas mulheres, foram classificados como ofensivos. As palavras ofensivas mais comuns são destacadas em diferentes tamanhos e cores, com mulher e homem sendo as mais proeminentes. O mapa do Brasil destaca as cidades com maior percentual de comentários ofensivos: Curitiba (38%), Campo Grande (29%), Natal (20%), Londrina (12%), Porto Alegre (0,5%) e Porto Velho (0,3%). A fonte dos dados é MonitorA 2024, com colaboração de AzMina, Núcleo e InternetLab." class="" loading="lazy" width="525">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: AzMina</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/mulheres-foram-alvo-de-682-dos-comentarios-ofensivos-no-2o-turno/">Mulheres foram alvo de 68,2% dos comentários ofensivos no 2º turno</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Vinicius Castello promete secretaria da Mulher em Olinda em dia de caminhada das mulheres</title>
		<link>https://marcozero.org/vinicius-castello-promete-secretaria-da-mulher-em-olinda-em-dia-de-caminhada-das-mulheres/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 19:05:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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		<category><![CDATA[Vinicius Castello]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste sábado, 19 de outubro, na reta final para o segundo turno, o candidato Vinicius Castello (PT) prometeu que, se eleito, vai criar uma secretaria da Mulher em Olinda. A cidade não tem uma pasta exclusiva para elas, apenas uma secretaria especial. Para isso, ele disse que já está em negociação com a ministra das [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/vinicius-castello-promete-secretaria-da-mulher-em-olinda-em-dia-de-caminhada-das-mulheres/">Vinicius Castello promete secretaria da Mulher em Olinda em dia de caminhada das mulheres</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado, 19 de outubro, na reta final para o segundo turno, o candidato Vinicius Castello (PT) prometeu que, se eleito, vai criar uma secretaria da Mulher em Olinda. A cidade não tem uma pasta exclusiva para elas, apenas uma secretaria especial. Para isso, ele disse que já está em negociação com a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, para assegurar orçamento. Ela esteve nesta sexta (18) em Olinda em agenda com o petista.</p>



<p>Vinicius antecipou a informação em entrevista antes da caminhada que reuniu centenas de mulheres, com presença dos movimentos sociais, em ato no bairro de Peixinhos. Em Olinda, 54% da população é formada por mulheres.</p>



<p>“Eu tenho a ministra da mulher, Cida Gonçalves, ao meu lado, e a gente já tem muitos programas nacionais que vamos querer fazer com que Olinda seja plataforma. Ser o candidato do presidente Lula me permite ter também a felicidade de saber que agora a gente pode ter muito mais acesso do que outrora”, anunciou.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/vini-mulheres-3.jpeg" alt="Foto colorida de Vinicius Castelo no meio da rua, cercado por dezenas de pessoas, olhando e sorrindo para a câmera entre duas mulheres. Ele é um homem negro, jovem, de cabelos curtos, vestindo uma camisa branca de botões. A mulher à esquerda da imagem é uma mulher negra, jovem, de cabelos crespos, usando camiseta vermelha e óculos escuros; a mulher à direita tem pele clara, cabelos pretos escorridos, com óculos de grau de armação vermelha e veste camiseta vermelha estampada com estrela branca do PT e, com sua mão esquerda, aparenta estar segurando um celular para fazer uma selfie." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Vinicius Castello reuniu centenas de mulheres e apoiadores em Peixinhos.
</p>
	                
                                            <span>CréditCrédito: Thiago Paixão/Frente Popular de Olinda</span>
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<p>Nas últimas semanas, <a href="https://marcozero.org/vinicius-castello-e-alvo-de-ataques-homofobicos-e-discurso-de-odio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Vinicius tem sido alvo de campanhas difamatórias</a> repletas de ataques homofóbicos e discursos de ódio por parte dos adversários. A caminhada das mulheres neste sábado (19), arrastando centenas de pessoas e com boa receptividade na porta das casas, levou para as ruas a adesão que o candidato recebeu nesta reta final, quando a base do prefeito Lupércio Nascimento (PSD), que tenta eleger Mirella Almeida (PSD) como sua sucessora, <a href="https://marcozero.org/adesao-a-vinicius-castello-inclui-aliados-de-lupercio-e-agremiacoes-de-carnaval/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">passou a debandar em peso para o lado de Vinicius</a>. </p>



<p>Estavam presentes na caminhada a ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovações), o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a senadora Teresa Leitão (PT), o senador Humberto Costa (PT), as deputadas Gleide Ângelo (PSB), Dani Portela (PSOL) e Rosa Amorim (PT), além da vereadora eleita de Olinda Eugênia Lima (PT) e as vereadoras eleitas do Recife Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL), além de apoiadores locais.</p>



<p>As olindenses esperam há dez anos pela execução do plano de políticas públicas, como mostrou a <strong>MZ</strong> em <a href="https://marcozero.org/mulheres-de-olinda-esperam-ha-10-anos-por-execucao-de-plano-de-politicas-publicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria</a> publicada em março deste ano. Dez anos e duas gestões municipais se passaram, mas o documento nunca saiu do papel. Em 2014, na segunda gestão do prefeito Renildo Calheiros (PCdoB), a prefeitura chegou a lançar, por meio da secretaria executiva da Mulher e dos Direitos Humanos, o 1º Plano Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. Porém, ele não chegou a ser implementado.</p>



<p>No primeiro semestre de 2024, uma década depois e sob pressão do movimento feminista, a prefeitura de Lupércio comunicou que iniciaria novamente o processo para elaboração de um novo plano. Como nada aconteceu, a frustração do movimento feminista deu mais gás para que as mulheres apoiassem as ideias de Vinicius.</p>



<p>“Meu plano é ter uma secretaria da Mulher para a gente poder conseguir de fato ter uma política direcionada, porque são muitas as violências para a maioria da população”, argumentou o candidato, lembrando que o índice de violência contra mulher explodiu em Olinda nos últimos anos. O plano do petista é que essa secretaria atue olhando para os eixos segurança, trabalho e renda, primeira infância e mulheres idosas, saúde e assistência social. Ele disse que também pretende dialogar com a governadora Raquel Lyra (PSDB) para ampliar o funcionamento das delegacias da Mulher para que atuem também nos fins de semana.</p>



<p>“Enquanto homem, eu preciso perceber que, no meu governo, a gente precisa tocar políticas direcionadas que envolvam não privilégios, mas a equiparação de quem comanda muitas famílias. Eu estou falando aqui de mães solos, que são uma parcela gigantesca da população. Eu estou falando aqui das que mais acessam os benefícios de assistência no município e que chefiam as suas famílias, de mulheres que estão na luta pela pauta da moradia e que precisam de um governo para poder viabilizar as zonas de regularização fundiária para poder dar dignidade a essas famílias. Isso tudo é política integrada das mulheres”, defendeu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/vini-caminhada-mulheres.jpeg" alt="Foto colorida de uma multidão no meio da rua, com a maioria das pessoas vestindo camisetas vermelhas ou brancas, além de portarem bandeiras na cor lilás com estrela branca e o número 13 na cor vermelha." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Militância de esquerda caminhou com Vinicius Castello (PT) em Olinda neste sábado (19)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Thiago Paixão/Frente Popular de Olinda</span>
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                    </figure>

	


<p>A agente de direitos humanos Lilian Fontinelly, mulher trans, deu seu depoimento de por que está apoiando Vinicius, e não Mirella: “Ele é um menino que conhece a cidade de Olinda, que nasceu dentro da comunidade, é um rapaz que vai fazer realmente a inclusão social. A LGBTfobia não vai impedir ele de se eleger. É de grande importância um jovem negro de periferia assumir essa responsabilidade”.</p>



<p>A reportagem consultou a assessoria de imprensa da candidata Mirella para saber se ela também pretende criar uma secretaria exclusiva para as mulheres caso eleita, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. </p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não sou qualquer mulher&#8221;, rebate Mirella</h2>



<p>Ao saber da repercussão, Mirella rebateu críticas das apoiadoras de Vinicius: “Eu acho que é muito triste escutar de uma mulher que a outra é ‘qualquer mulher’. Eu não sou qualquer mulher, eu sou uma mulher com muita competência, com muita história. Nascida e criada em Olinda, vinda do bairro de Rio Doce, vendi trufa aos meus 15 anos, então, eu não sou qualquer mulher. Eu estou longe de ser qualquer mulher, porque não existe qualquer mulher. Existe mulher forte, mulher de verdade e eu sou uma delas”. A informação foi publicada pelo <a href="https://blogcenario.com.br/2024/10/19/mirella-responde-aliadas-de-vinicius-eu-nao-sou-qualquer-mulher" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Blog Cenário</a>. </p>



<p>Neste sábado (19) pela manhã, ela esteve em caminhada na Cidade Tabajara com presença da governadora Raquel e a vice-governadora, Priscila Krause (Cidadania).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-19-at-16.25.14.jpeg" alt="Foto de centenas de pessoas no meio da rua, a maioria usando camisetas laranja, posicionadas para a câmera. Na multidão se sobressaem duas bandeiras laranjas, estampadas com uma foto de mulher branca e o número 55." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mirella Almeida (PSD) faz campanha com a governadora Raquel Lyra na Cidade Tabajara
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Instagram @mirellaalmeidaa.</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Lula pode vir a Olinda esta semana</h3>



<p>À imprensa, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, alfinetou o prefeito de Olinda e sua candidata, Mirella: “A adversária dele (de Vinicius) significa a família do Lupércio, significa cuidar de uma família que tenta se eternizar. Era a Cláudia de Lupércio, agora é a Mirela de Lupércio. Tudo tentando esconder o ‘Lupéssimo’ que está por trás de Lupércio, do desastre que é”.</p>



<p>“E Vinicius encara a mudança, encara essa representação do presidente Lula”, rebateu, dizendo que Lula vê em Vinicius a renovação, por ser um jovem trabalhador, hoje advogado, negro, da periferia de Olinda.</p>



<p>Sobre a ausência de Lula na cidade neste segundo turno, Padilha não descartou que o presidente ainda pode ter agenda em Olinda na próxima semana. “O presidente Lula está com agenda internacional, como presidente da república, que vai ocupar toda esta semana, mas não se surpreenda se o presidente Lula arrumar um jeito de baixar aqui em Olinda antes do segundo turno”, disse.</p>



<p></p>
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		<title>Quem é Eugênia Lima, a mulher que será a cara da esquerda na Câmara de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Oct 2024 16:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
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		<category><![CDATA[PT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Olinda, os partidos que estão mais à esquerda no espectro político também serão representadas por uma mulher na Câmara Municipal. Na primeira capital do estado, Eugênia Lima foi eleita vereadora pelo PT com 7.110 votos, a segunda maior votação entre todos os 17 eleitos – pela segunda vez seguida, o campeão de votos foi [&#8230;]</p>
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<p>Em Olinda, os partidos que estão mais à esquerda no espectro político também serão representadas por uma mulher na Câmara Municipal. Na primeira capital do estado, Eugênia Lima foi eleita vereadora pelo PT com 7.110 votos, a segunda maior votação entre todos os 17 eleitos – pela segunda vez seguida, o campeão de votos foi Saulo Holanda (MDB), com 200 votos a mais do que a petista.</p>



<p>Eugênia Lima tem 41 anos, é advogada, mestra em Desenvolvimento Urbano, nascida em Olinda e moradora da Cidade Alta, onde é conselheira da Sodeca, a tradicional Sociedade de Defesa da Cidade Alta, que atua no Sítio Histórico desde o final dos anos 1980. Mãe de duas filhas, Antônia e Helena, ela se define como militante feminista e antirracista. </p>



<p>Em 2020, ainda filiada ao PSOL, recebeu 2.876 votos, mas não conseguiu a vaga porque a legenda não atingiu o coeficiente eleitoral. No final de 2023, filiou-se ao PT, depois de também ter sido sondada pelo PCdoB.<br><br>Imersa na campanha do segundo turno de Vinicius Castello, Eugênia explicou que o aspecto que marcou sua campanha foi “manter a crença na participação popular e na política inclusiva”, pois realizou 13 reuniões temáticas e 70 encontros com moradores de 35 bairros da cidade. “Produzimos um livro para registrar as 76 propostas escolhidas como prioritárias pelas mais de mil pessoas que participaram desse processo de escuta”, explicou a vereador eleita.<br></p>
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		<title>Câmara do Recife teve apenas 21 mulheres vereadoras na história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2024 19:43:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na história da Câmara do Recife, apenas 21 mulheres ocuparam um assento como vereadoras. Somente duas se autodeclararam negras (Dani Portela e Elaine Cristina, ambas do PSOL) &#8211; Edna Costa, eleita pelo PMDB, era negra, mas não havia o registro de autodeclaração na época. Nenhuma delas era indígena ou trans. Muitas são filhas, netas ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na história da Câmara do Recife, apenas 21 mulheres ocuparam um assento como vereadoras. Somente duas se autodeclararam negras (Dani Portela e Elaine Cristina, ambas do PSOL) &#8211; Edna Costa, eleita pelo PMDB, era negra, mas não havia o registro de autodeclaração na época. Nenhuma delas era indígena ou trans. Muitas são filhas, netas ou esposas de políticas. Juntas, todas as parlamentares, de 1947 até 2024, não formariam nem uma legislatura completa, composta hoje por 39 vereadores — a partir de 2025, serão 37.</p>



<p>Juntas, elas não conseguiriam sequer aprovar leis orçamentárias anuais e matérias urbanísticas, por exemplo, que exige três quintos da Casa José Mariano (24 votos). Até 2000, quando o prédio passou por uma reforma, não havia um banheiro exclusivo para as parlamentares e uma mulher nunca presidiu a Câmara do Recife.</p>



<p>Nestas eleições no Recife, de um total de 425 candidaturas, entre prefeito e vereador, só 118 são de mulheres, isto é, cerca de 28%. É menos do que a média nacional no pleito atual, de 34%. O levantamento foi feito pela reportagem com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p>



<p>Segundo o relatório <a href="https://redeaponte.org/relatorios/#raioxdiversidade"><em>Raio X da Diversidade: VereadorAs do Brasi</em>l</a>, elaborado pela Rede A Ponte e lançado em agosto, também com informações do TSE, em 2020 apenas 5% das mulheres que se candidataram como vereadoras no país conseguiram se eleger. A taxa de sucesso dos homens, por outro lado, foi três vezes maior, de 15%. </p>



<p>A disparidade não é por falta de mulheres filiadas aos partidos políticos, pois 45% das pessoas filiadas são mulheres. Porém, historicamente quem ocupa os cargos de liderança são os homens.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/MULHERES-VEREADORAS-2.png" alt="O infográfico é uma homenagem às mulheres que ocuparam cadeiras na Câmara do Recife ao longo da história. Ele destaca que, desde 1947, apenas 21 mulheres ocuparam essas posições, e apenas duas se autodeclaram negras. O título do infográfico é “Todas as Mulheres vereadoras da história do Recife. Cada nome é acompanhado por um ícone de uma cadeira rosa e informações adicionais, como período de mandato ou afiliação partidária. O design inclui silhuetas de mulheres em várias poses, enfatizando o tema de empoderamento e reconhecimento feminino." class="" loading="lazy" width="674">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para entendermos a questão da subrepresentatividade de mulheres e, sobretudo, de mulheres negras e indígenas na política, é necessário olhar para os dois principais grupos de atores envolvidos numa eleição: os partidos e o eleitorado. “É preciso, de um lado, entender e fortalecer as lideranças femininas dentro dos partidos e, de outro lado, comunicar cada vez mais para o eleitorado que política é um espaço que as mulheres são mais do que capazes de ocupar, fortalecendo a nossa democracia em termos do tipo de política que é feita, como essa política é feita e que impactos isso tem para o futuro do Brasil”, avalia a co-fundadora e diretora executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque.</p>



<p>Criada em 2021, A Ponte é uma rede de mulheres especialistas nos mais diversos temas de política pública com o propósito de promover a carreira de mulheres na política e fortalecer a representatividade da democracia brasileira. Um dos projetos da organização é a Escola de Reeleição, para fortalecer mulheres em seu último ano de mandato e ajudá-las na campanha.</p>



<h2 class="wp-block-heading">945 municípios sem mulheres eleitas</h2>



<p>O relatório mostra que, em 2020, 945 municípios brasileiros não elegeram nenhuma mulher como vereadora. Embora esse número tenha diminuído (com uma queda de 40% dos municípios sem vereadoras entre 2000 e 2020), ainda é muito elevado. Considerando o total da população desses municípios, significa que cerca de 10,9 milhões de mulheres brasileiras não têm representantes nas casas legislativas municipais.</p>



<p>O cenário é ainda mais desigual para pessoas trans. Apenas 30 pessoas trans foram eleitas em 2020 nas eleições municipais, sendo dois homens trans e 28 travestis e mulheres trans.</p>



<p>“Os partidos políticos são reprodutores das hierarquias de poder já existentes na sociedade. A maioria das lideranças partidárias são homens, apenas seis partidos são comandados por mulheres, dentre os mais de 30 atuando no Brasil”, detalha Amanda. “E as candidaturas precisam de apoio. Não só de financiamento, mas também em relação a dobradinhas e suporte jurídico, por exemplo. Mas muitas vezes elas não têm acesso às lideranças partidárias. Como então vão conseguir fortalecer suas candidaturas?”, questiona.</p>



<p>“Os partidos também dão preferência para candidatos que consideram mais viáveis, que já têm algum cargo, ou seja, candidatos procurando uma reeleição. Se os homens são a maioria das cadeiras atualmente, a tendência é ficar numa inércia de repetição dessa estrutura”, analisa a especialista.</p>



<p>Do outro lado, está a disposição do eleitorado a votar em mulheres para começar a mudar as regras desse jogo. Apesar dos desafios e da necessidade de um esforço conjunto, Amanda acredita que “a expectativa é que cada vez mais, principalmente com as emergências climáticas e todo o desafio de desigualdades sociais, as pessoas entendam a importância de ter representatividade real no espaço de poder”. “Quando pensamos em lideranças indígenas, por exemplo, a importância que isso tem na questão climática é cada vez mais urgente”, finaliza.</p>



<p>De acordo com o TSE, somente 45 cidades, entre as 5.568 que realizaram eleições municipais em 2020, tinham maioria de mulheres na composição das câmaras de vereadores. O número não chega a 1% do total dos municípios que participaram daquele pleito. Sete em cada dez municípios onde ocorre essa maioria feminina têm população menor do que 15 mil pessoas, segundo o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<p>Somente um município desse universo tem mais de 100 mil habitantes. É Araras (SP), onde seis das 11 cadeiras da Câmara de Vereadores são ocupadas por mulheres. É um ponto fora da curva. A Rede A Ponte mostra que, em 2020, 19% das vereadoras estavam solitárias nas casas legislativas municipais, ou seja, foram as únicas eleitas.</p>



<p>“Apesar da presença de mais mulheres necessariamente não garantir a defesa real dos direitos das mulheres, uma vez que vivemos em um cenário de eleição de diversas mulheres não alinhadas com pautas progressistas, ter mais de uma mulher na câmara pode ser um elemento inibidor de atos de violência política de gênero e raça no interior da casa legislativa”, ressalta o relatório.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Laranjal&#8221; de mulheres candidatas</h3>



<p>Outra questão importante é o provável uso de candidaturas “laranjas” por parte dos partidos, que usam as cotas sem oferecer o apoio necessário. A Rede A Ponte mostra também que, desde 2012, quando as cotas para candidaturas femininas foram implementadas, a taxa de sucesso eleitoral das mulheres diminuiu: enquanto 10% das mulheres que se candidataram em 2000 foram eleitas, apenas 5% das que se candidataram em 2020 conseguiram uma cadeira.</p>



<p>Piedade Marques, da Rede Mulheres Negras de Pernambuco e uma das coordenadoras do movimento <a href="https://www.instagram.com/euvotoemnegra/">Eu Voto em Negra</a>, diz perceber que, ao longo desses quatro anos em que vem trabalhando com candidaturas de mulheres negras e lideranças, &#8220;o quanto a forma, a estrutura e o sistema eleitoral foram construídos por homens, para os homens e eles definindo a vida de toda a sociedade&#8221;. Nestas eleições, o Eu Voto em Negra recomenda cinco candidatas no Recife: as candidatas legislativas Ailce, Jô Cavalcanti, Elaine Cristina, Suzy Rodrigues e Yasmin Alves, além de Dani Portela, postulante à prefeitura.</p>



<p>&#8220;Temos uma construção de uma democracia que deveria ser de representatividade, deveria ser da construção de políticas para o conjunto da sociedade, e, no final das contas, temos pouco avanço na mudança do sistema&#8221;, avalia Piedade como uma das principais causas da subrepresentatividade de mulheres negras e indígenas. &#8220;Isso pensando o sistema como um todo, pensando na construção dos partidos, mesmo, por exemplo, nas secretarias de mulheres ou de igualdade racial, nós, enquanto mulheres negras, ainda não somos as que definem por dentro&#8221;, observa. </p>



<p>Como consequência, ela enxerga que &#8220;temos uma democracia muito frágil, uma quantidade enorme de eleitores que prefere não votar, políticas públicas que não olham para esses corpos, essas vidas, além do enriquecimento ilícito de várias candidaturas que se colocam no campo da política e um descrédito da população&#8221;. </p>



<p>&#8220;Por isso acreditamos o quanto é importante ter mulheres negras nesses espaços, porque as mulheres negras que são sustentadas, são crias dos movimentos sociais, do movimento negro, do movimento mulheres negras, têm um olhar coletivo, um olhar para a sociedade, um olhar para o conjunto. E o papel que exercem, de fato, é tentar garantir que todos os homens, as mulheres, as crianças e os idosos estejam garantidos na sua vida&#8221;, crava.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/IMG_3939-980x653-1.jpg" alt="A foto mostra um grupo de quatro pessoas em pé atrás de uma mesa, segurando um grande certificado juntos. O certificado tem bordas ornamentadas e texto, mas não é totalmente visível. São dois homens, que estão nos extremos esquerdo e direito do grupo e duas mulheres negras ao centro. Eles estão vestidos de forma formal; com o homem brando da direita, usando terno, grabata laranja e óculos; as mulheres usando vestidos - uma delas com uma flor azul claro nos cabelos e o homem à direita usando uma camisa de de mangas curtas cinza chumbo. Há também um pequeno objeto metálico vermelho, parecido com um sino, sobre a mesa à frente deles. O ambiente parece ser um evento cerimonial interno, possivelmente uma cerimônia de premiação ou entrega de diplomas, indicado pelas roupas formais e pela presença do certificado." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dani Portela e Elaine Cristina foram as duas únicas vereadoras negras da história do Recife. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Crédito: site de Dani Portela.</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">“Precisamos formar mulheres e acompanhá-las”</h3>



<p>O afastamento dos processos e das decisões partidárias termina gerando outra consequência: a inexperiência das mulheres na política institucional. Por ser primeiro — e muitas vezes único — mandato, é necessário tempo para compreender a dinâmica da vida do legislativo.</p>



<p>A maioria que assume como vereadora não tem experiência prévia no cargo: em 2020, 62% das mulheres eleitas para as câmaras municipais estavam em seu primeiro mandato, comparado a 47% dos homens. A vereança, por sua vez, é uma porta de entrada fundamental para a vida política, uma vez que 89% das mulheres iniciam sua carreira política como vereadoras na primeira eleição.</p>



<p>Para a jornalista Germana Accioly, autora da pesquisa <a href="https://nossas.org/o-que-fazemos/publicacoes-e-conteudos-formativos/mandatos-ativistas/"><em>Mandatos ativistas no Brasil: um diagnóstico</em></a>, publicada em julho pela Nossas (organização que trabalha para fortalecer a democracia em defesa da justiça climática, racial e de gênero), os partidos precisam fazer mais formação política para as mulheres. “Muitas mulheres na política estão em lugares de não protagonismo. A gente brinca que as mulheres arrumam a mesa da palestra para os homens sentarem”, comenta. </p>



<p>O levantamento entrevistou 30 mandatos ativistas, entre municipais, estaduais e federais, comandados por homens e por mulheres. Germana tem larga experiência parlamentar, já foi chefe de gabinete de Fernando Ferro, Isabella de Roldão, Ivan Moraes, das Juntas e de Dani Portela, além de ter dado consultoria a Rosa Amorim. Também já foi diretora de comunicação da Câmara do Recife.</p>



<p>“Uma das principais conclusões é que precisamos formar essas mulheres e acompanhá-las. Porque ser ativista é diferente de ser parlamentar”, frisa, lembrando que as casas legislativas mantêm, na forma como se estruturam e são geridas, uma forte herança das capitanias hereditárias. “Não é só a Câmara do Recife que tem problemas. Há, por exemplo, histórias de mulheres que se elegeram vereadoras e tiveram de pegar o dinheiro do mandato para construir um espaço para as crianças ficarem e elas poderem amamentar”, cita.</p>



<p>“Quando falo em formar essas mulheres é para que elas também consigam se reeleger. A maioria não se reelege porque fica exausta, não dá conta, não suporta a violência, recebe ameaças. A política pode ser mais do que violenta para nós, ela pode ser inóspita”, afirma. Mais mulheres na política significa diminuir o isolamento delas nas casas legislativas e consequentemente criar uma barreira para a violência de gênero, que atinge todas.</p>



<p>Com foco nesses desafios, o Grupo de Pesquisa Estado, Gênero e Diversidade (Egedi) da Fundação João Pinheiro lançou, em 2023, o <a href="https://drive.google.com/file/d/1ZfAL8QD0GULV08INIGijaGADl1jqPwB7/view"><em>Guia de Orientação para Mulheres (feministas e antirracistas) Eleitas para as Casas Legislativas</em></a>. Os quatro principais temas abordados no documento &#8211; Gestão, Formação, Ação Política e Violência Política &#8211; foram identificados a partir de uma avaliação de mandato realizada pelo grupo em 2022 para a deputada estadual por Minas Gerais Andreia de Jesus.</p>
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		<title>Presidente da Alepe debocha de Raquel Lyra em áudio vazado e inflama crise entre poderes</title>
		<link>https://marcozero.org/presidente-da-alepe-debocha-de-raquel-lyra-em-audio-vazado-e-inflama-crise-entre-poderes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 21:21:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[governo Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[política pernambucana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Após a governadora Raquel Lyra (PSDB) deixar o plenário da Assembleia Legislativa, tudo indicava que a sessão de reabertura dos trabalhos terminaria de forma protocolar, na manhã desta quinta-feira (1º de fevereiro). A expectativa por conta da disputa entre Raquel e o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), havia se dissipado. Nas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Após a governadora Raquel Lyra (PSDB) deixar o plenário da Assembleia Legislativa, tudo indicava que a sessão de reabertura dos trabalhos terminaria de forma protocolar, na manhã desta quinta-feira (1º de fevereiro). A expectativa por conta da disputa entre Raquel e o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), havia se dissipado. Nas falas oficiais, frases de efeito, prestação de contas e chavões da política. Tudo previamente escrito pelas assessorias. Até vazar no sistema de som trecho de áudio do deputado debochando do discurso de Raquel.&nbsp;</p>



<p>“No dela, não entenderam nada. Conversou merda demais e não disse nada”, falou, em conversa com colegas, ainda sentado na cadeira central da mesa diretora. O presidente da Assembleia demonstrou ter conhecimento que permanecia sendo ouvido no plenário. Quando um parlamentar disse que queria perguntar à governadora onde era aquele Estado a que ela se referiu em discurso, Álvaro prosseguiu: “eu também queria saber. Está aberto aqui o (microfone), posso até perguntar”. Em seguida, risos de alguns deputados.</p>



<p>A disputa que o presidente do legislativo e a governadora travam desde o primeiro semestre do ano passado vem subindo de tom. O que antes era restrito a conversas reservadas em gabinetes passou a ser visível também em eventos públicos, como no lançamento do programa Juntos Pela Segurança, em novembro, até ir parar no Supremo Tribunal Federal (STF).&nbsp;</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/presidente-da-alepe-distorce-fatos-sobre-prisao-de-pms-do-bope-para-constranger-raquel-lyra/" class="titulo">Presidente da Alepe distorce fatos sobre prisão de PMs do Bope para constranger Raquel Lyra</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Recentemente, a governadora entrou com ação na Suprema Corte contra dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2024, aprovada pela maioria dos deputados no ano passado. Raquel vetou os trechos questionados, mas a Assembleia derrubou os vetos, num movimento que contou com a articulação de Álvaro Porto.</p>



<p>O discurso mais esperado da sessão de retomada dos trabalhos legislativos era o da governadora. Ela chegou acompanhada da vice Priscila Krause (Cidadania) e de uma comitiva de secretários. Assim que chegou à tribuna, estendeu sobre a estrutura uma bandeira de Pernambuco que carregava dobrada consigo.&nbsp;</p>



<p>Antes de cumprimentar, nominalmente, os deputados e deputadas presentes à sessão, Raquel disparou: “não é simples ser mulher na política, muito menos com filho pequeno”. Ela se dirigia à líder da bancada de oposição, Dani Portela (PSOL), que deu à luz há 20 dias, mas o recado tinha outro destinatário. A governadora não quis deixar passar a oportunidade de frisar a questão de gênero e fez a declaração acima, que não estava prevista no discurso que levou impresso.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PSDB se posiciona ao lado de Raquel</h2>



<p>À tarde, a executiva nacional do PSDB postou em seus perfis nas redes sociais uma nota se colocando ao lado de Raquel Lyra, condenando a fala do presidente da Assembleia, considerando que a governadora foi agredida: &#8220;Nós, tucanos, temos muito orgulho de termos eleito uma jovem e competente mulher como governadora de Pernambuco e não podemos tolerar manifestações agressivas contra ela venha de quem vier. Muito menos de um deputado do próprio PSDB. O Conselho Nacional de Ética e Disciplina do PSDB está pronto para avaliar eventuais medidas disciplinares contra o deputado Álvaro Porto.</p>





<p>Foi preciso a direção nacional do seu partido se posicionar duramente e a repercussão negativa do vazamento do seu áudio para que Porto se pronunciasse sobre o caso. E nem sequer pediu desculpas. Inicialmente, ele admitiu apenas o uso de &#8220;expressão não condizente com o contexto e local&#8221;, mas nos parágrafos seguintes da nota de esclarecimento preparada por sua assessoria em terceira pessoa, o presidente reitera que está disposto a manter o clima de guerra contra Raquel Lyra ao declarar que sua &#8220;reação é fruto de indignação em relação à falta de resultados do governo em questões sérias como saúde e segurança, por exemplo. Afirma ainda ter o direito e o dever de avaliar e criticar discursos que não correspondam à realidade observada&#8221;.</p>



<p>A governadora também demorou a se posicionar. Em entrevista a uma emissora de rádio na manhã desta sexta-feira, Raquel Lyra afirmou que a frase teria sido um &#8220;ato lamentável de violência política&#8221;. Na rede X, ela completou com críticas ao machismo do deputado estadual, mas sem mencionar seu nome: &#8220;parece que para alguns o que me condena é simplesmente o fato de eu ser mulher&#8221;.</p>





<p><br></p>





<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Má relação desde a campanha eleitoral</strong></h2>



<p>Embora sejam do mesmo partido, o PSDB, o presidente da Assembleia e a governadora do estado não possuem um bom relacionamento desde o primeiro turno das eleições de 2022. Em algumas cidades do interior, o deputado subiu no palanque da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil), alegando ser por conta de questões locais e características da eleição proporcional.</p>



<p>No segundo turno, Álvaro passou a estar mais junto à campanha de Raquel. Aliados da governadora dizem que isso só aconteceu quando o cenário passou a se mostrar favorável à então candidata do PSDB, que disputava o cargo com Marília Arraes (Solidariedade).</p>



<p>Com Raquel já empossada governadora, o primeiro grande desentendimento ocorreu depois do Carnaval de 2023, quando Álvaro encontrou dificuldades para emplacar em lugar de destaque no Executivo seu sobrinho Felipe Porto, ex-prefeito de Quipapá, município do Agreste pernambucano.</p>



<p>O deputado não conseguiu convencer nem “dobrar” a governadora. Meses depois, articulou uma outra função para o parente. Em novembro do ano passado, Felipe Porto assumiu o escritório em Pernambuco da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), já na gestão do ministro pernambucano Silvio Costa Filho (Republicanos) à frente do Ministério dos Portos e Aeroportos.</p>



<p>De lá para cá, a disputa entre Álvaro Porto e Raquel Lyra seguiu cada vez mais tensionada. Por conta de uma mudança no regimento da casa, o presidente da Assembleia sabe que ficará no cargo até o final do mandato da governadora, o que permite a leitura de que novos capítulos&nbsp;estarão por vir.&nbsp;</p>



<p>A reportagem fez contato com as assessorias da governadora e do deputado. Ambas informaram que não vão comentar o vazamento do áudio ao final da sessão de reabertura dos trabalhos legislativos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Clima amistoso do início deu lugar a deboche no final da sessão na Alepe. Crédito: Roberto Soares/Ascom Alepe</p>
	                
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<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
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		<title>Para garantir acordos políticos, João Campos ignora promessa de mulheres em metade das secretarias</title>
		<link>https://marcozero.org/para-garantir-acordos-politicos-joao-campos-ignora-promessa-de-mulheres-em-metade-das-secretarias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Nov 2023 20:27:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em janeiro de 2021, quando tomou posse como prefeito do Recife após derrotar a então petista Marília Arraes, João Campos cumpriu uma de suas promessas de campanha e garantiu a formação de um secretariado com paridade de gênero. Na ocasião, a capital pernambucana era a única do Brasil a garantir que metade das secretarias seria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em janeiro de 2021, quando tomou posse como prefeito do Recife após derrotar a então petista Marília Arraes, João Campos cumpriu uma de suas promessas de campanha e garantiu a formação de um secretariado com paridade de gênero. Na ocasião, a capital pernambucana era a única do Brasil a garantir que metade das secretarias seria chefiada por mulheres.</p>



<p>No discurso de posse, Campos fez questão de registrar o fato: “a gente chega hoje para um dia histórico. Um dia histórico para a nossa cidade, de poder ser a primeira capital do Brasil a ter igualdade de gênero no seu secretariado. E aqui eu queria ir além, destacar que isso não é apenas um número e é muito mais do que um símbolo porque cada um e cada uma que está aqui hoje chega com extrema competência, com dedicação e altamente capacitado para ocupar as funções que estão, a partir de agora, assumindo”.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Hoje tomou posse o novo secretariado. Estamos assumindo um jogo desafiador, que é liderar uma cidade do tamanho do Recife. Estou muito animado e otimista com o futuro que vamos construir. Contem comigo para que possamos vencer cada uma das tarefas que temos pela frente. <a href="https://t.co/bb4qYxMbWl">pic.twitter.com/bb4qYxMbWl</a></p>&mdash; João Campos (@JoaoCampos) <a href="https://twitter.com/JoaoCampos/status/1345530082383818753?ref_src=twsrc%5Etfw">January 3, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>O tempo passou e, agora, quase três anos após o início do seu mandato, o prefeito parece não dar a mesma importância à promessa. Metade do seu secretariado já não é composto por mulheres. Se antes, das 20 secretarias &#8211; incluindo a Procuradoria e a Controladoria Geral do Município -, dez eram ocupadas por mulheres, agora, 13 secretarias são chefiadas por homens e 7 permanecem com mulheres nos cargos. A mudança mais recente ocorreu em setembro de 2023, quando o deputado estadual pelo União Brasil, <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/22/09/2023/antonio-coelho-assume-secretaria-de-turismo-e-lazer-da-prefeitura-do-recife" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Antonio Coelho, foi empossado secretário de Turismo e Lazer</a>, ocupando o cargo que antes era de Cacau de Paula. </p>



<p>Filha do ministro da Pesca, André de Paula (PSD), Cacau deixou o governo municipal para ocupar o espaço aberto na máquina do estado pela aliança entre o PSD e a governadora Raquel Lyra (PSDB). Ela assumiu a Secretaria de Cultura de Pernambuco em agosto. Na prefeitura, o vazio deixado pelo grupo de André de Paula foi preenchido pela família Bezerra Coelho, já que o atual secretario de Turismo é filho de Fernando Bezerra Coelho, ex-líder do governo Bolsonaro no Senado.</p>



<p>Os demais cargos que antes eram ocupados por mulheres e que agora passaram a ser chefiados por homens foram os da Secretaria de Habitação, antes ocupado por Maria Eduarda Médicis e agora a cargo do petista <a href="https://www.edmarlyra.com/prefeitura-do-recife-tem-novos-nomes-nas-pastas-de-meio-ambiente-e-habitacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ermes Costa</a>, e da Secretaria de Saneamento, antes ocupado por Erika Moura e agora está sob a responsabilidade de <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/13/01/2023/tome-franca-assume-secretaria-de-saneamento-do-recife" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tomé Franca</a>. </p>



<p>Ermes Costa fez parte do grupo Cidades da equipe de transição do Governo Federal e assumiu a secretaria em março de 2023. Na ocasião, também houve uma mudança na Secretaria de Meio Ambiente, com a troca de Carlos Ribeiro por Oscar Barreto, que já havia ocupado o cargo de Secretário de Cultura de Pernambuco. As duas trocas contemplaram o PT, que preferiu indicar Ermes para substituir Maria Eduarda Médicis. A cerimônia de posse dos secretários petistas contou com a participação dos senadores do PT, Humberto Costa e Teresa Leitão. </p>



<p> Já Tomé Franca tomou posse em janeiro de 2023. Antes, Franca foi secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco do governo Paulo Câmara (PSB). Houve também uma troca de homem para mulher na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, antes sob responsabilidade de Rafael Dubeux, convidado para uma assessoria especial do Ministério da Fazenda. Em seu lugar, o prefeito nomeou <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/11/01/2023/joana-florencio-assume-secretaria-de-desenvolvimento-economico-do-recife" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Joana Florêncio</a>. </p>



<p>A primeira mulher a perder o cargo no primeiro escalão da prefeitura foi Giovanna Andréa Ferreira, que deixou a Procuradoria Geral do Município quatro meses após a posse do prefeito. Oficialmente, ela saiu por questões de saúde, sendo substituída por Carlos Alberto Vieira de Carvalho Júnior. Atualmente, o procurador geral é Pedro de Albuquerque Pontes. A escolha para esse cargo costuma ser exclusiva do prefeito, sem passar por indicação de partidos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/11/secretariado-PT-Wagner-Ramos.jpeg" alt="Grupo de oito homens, entre eles o prefeito João Campos, e uma mulher, a senadora Teresa Leitão, posando para foto em uma sala com estofados brancos e uma mesa de centro de madeira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">A senadora Teresa Leitão era a única mulher na posse dos secretários petistas. Crédito: Wagner Ramos/PCR</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Porque a paridade é importante?</h2>



<p>Para a socióloga e cofundadora do Observatório Feminista do Nordeste, Marília Gomes, os acordos políticos inviabilizam o cumprimento da promessa de manter um secretariado com paridade de gênero. “É possível, sim, realizar a paridade de gênero na formação do secretariado, existem muitas pessoas competentes para isso, mas falta vontade política. Colocar mulheres no centro do debate da formulação de políticas públicas que beneficiem toda a sociedade é fundamental porque são as mulheres que compõem o grupo social mais vulnerabilizado e, por isso, elas conhecem o contexto social melhor do que qualquer outra pessoa, elas possuem sensibilidade política e isso é essencial para conseguir fazer um bom governo. Porém, os cargos políticos não são escolhidos por competência e técnica, são definidos através de acordos entre partidos e isso compromete uma formação mais diversa”, afirmou Gomes. </p>



<p>&#8220;Não é só o recorte de gênero, o recorte de raça também é fundamental para a formação do secretariado de uma gestão municipal. Nossa formação está transpassada pela questão racial, somos nós mulheres negras que protagonizamos os piores índices de precarização da vida, por isso, nós precisamos de paridade de gênero e também de equiparação racial. Não basta ter nove mulheres se as nove são brancas&#8221;, concluiu a socióloga. </p>



<p>Se a paridade de gênero já não é mais garantida pela gestão municipal, a representação e equiparação racial nunca houve. Desde o início do mandato de João Campos, dos 20 secretários e secretárias, apenas o secretário de Segurança Cidadã, Murilo Cavalcanti é identificado como pessoa negra, considerando o processo de heteroidentificação realizado pela reportagem.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O processo de heteroidentificação é um procedimento complementar à autodeclaração que consiste na percepção social de outro(a)(s), além da própria pessoa, para a identificação étnico-racial.</p></blockquote>



<p>Procuramos a Prefeitura do Recife para questionar o que motivou a diminuição da quantidade de mulheres na ocupação do secretariado e se há intenção de retomar a paridade de gênero nos cargos além da implementação de uma política de representatividade racial, mas até o fechamento da matéria não obtivemos respostas.</p>



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		<title>Marília Arraes e Raquel Lyra disputam governo de Pernambuco em segundo turno sem o PSB</title>
		<link>https://marcozero.org/marilia-arraes-e-raquel-lyra-disputam-governo-de-pernambuco-em-segundo-turno-sem-o-psb/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Oct 2022 02:36:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
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		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pernambuco vai ter a primeira governadora da sua história. A votação deste domingo terminou com a definição de um segundo turno histórico com duas mulheres na disputa. Marília Arraes, do partido Solidariedade, ficou na frente com 23,97%, bem próxima de Raquel Lyra, do PSDB, com 20,58% das urnas. A vitória de Marília foi bem mais [&#8230;]</p>
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<p>Pernambuco vai ter a primeira governadora da sua história. A votação deste domingo terminou com a definição de um segundo turno histórico com duas mulheres na disputa. Marília Arraes, do partido Solidariedade, ficou na frente com 23,97%, bem próxima de Raquel Lyra, do PSDB, com 20,58% das urnas. A vitória de Marília foi bem mais apertada do que apontavam as pesquisas da última semana, que indicavam que ela ficaria com algo em torno de 30%.</p>



<p>Foi uma disputa acirrada pelo segundo turno do início ao fim da campanha. Ao final, do terceiro ao quinto lugar foram apenas 5.273 votos de diferença: Anderson Ferreira (PL), o candidato de Bolsonaro, ficou com 18,15%. Danilo Cabral terminou a disputa com 18,06%, deixando o PSB de fora da disputa após 16 anos no governo de Pernambuco. Miguel Coelho ficou na quinta posição, com 18,04%, apenas pouco mais de 1 mil votos atrás de Danilo. </p>



<p>As trajetórias de Marília Arraes e Raquel Lyra encontram raízes em comum na política da década de 1960. Os cearenses João Lyra Filho e Miguel Arraes fizeram carreira política em Pernambuco na oposição à ditadura militar. O avô e o pai de Raquel Lyra foram prefeitos de Caruaru, cargo que ela deixou para concorrer ao governo. Ambas começaram na política no PSB e deixaram o partido em 2016. Raquel foi mais à direita e se filiou ao PSDB. Marília foi para o PT, em um momento em que o PSB se afastava da esquerda. Neste ano, se filiou ao Solidariedade para concorrer ao governo.<br><br>Os pontos em comum são muitos. Marília foi secretária estadual da Juventude no início do primeiro mandato de seu primo Eduardo Campos, de 2007 a 2008. Depois, Raquel Lyra assumiu a mesma pasta no início do segundo mandato de Campos, de 2011 a 2013.</p>



<p>A passagem de Raquel Lyra para o segundo turno tem uma comemoração amarga. Nas primeiras horas do dia da eleição, o marido dela, o empresário Fernando Lucena, sofreu um infarto e não resistiu, falecendo aos 44 anos. Os dois estavam juntos há 29 anos, desde a adolescência. A assessoria de Raquel chegou a dizer que a candidata não iria votar, mas ela foi às urnas pouco antes do fechamento, antes de seguir para o funeral do marido.</p>



<p>Apesar da representatividade de duas mulheres disputando um segundo turno em Pernambuco, não se trata por ora de uma vitória do movimento feminista. “Pode vir a ser uma vitória do movimento se uma delas, ou as duas, se comprometer com as pautas que o movimento coloca nas ruas cotidianamente nas suas lutas. No momento, o que podemos dizer é que nenhuma delas apresentou bandeiras feministas nas suas campanhas eleitorais. Para que isso se concretize, é necessário muito mais do que foi feito até agora”, afirma a socióloga e feminista Carmen Silva, do Forum de Mulheres de Pernambuco.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Estratégias para o segundo turno</h2>



<p>Em coletiva de imprensa, Marília afirmou que não há possibilidade de aliança com Anderson Ferreira (PL). Ela justificou o apoio que recebeu do candidato em 2020, quando disputou e perdeu a prefeitura do Recife para João Campos (PSB). “Queria deixar claro que o segundo turno durou apenas 12 dias e, naquele contexto, Anderson Ferreira me apoiou. Ele não era do partido de Bolsonaro naquela época. Mas, por um ano, ele correu o estado com Raquel Lyra, fundaram um movimento, o Levanta Pernambuco, e tinham pretensão de montar chapa juntos. Anderson escolheu o lado dele, o de Bolsonaro. E onde Bolsonaro estiver, eu não estou”, afirmou.</p>



<p>Gestante, Marília afirmou que não deve tirar licença maternidade, caso seja eleita. “Estar gestante não me impediu de fazer uma agenda tão ou mais puxada que outros candidatos. Tive que correr o estado em uma agenda intensa e, em hora nenhuma, minha gravidez foi motivo para não ir aos lugares. Falam que vou estar de licença se for assumir…não existe isso. É um mandato de quatro anos e não vou abrir mão de meio ano porque vou tirar licença-maternidade. Tenho uma filha de oito meses e isso não me impediu de ser candidata nem de ser mãe”, afirmou.</p>



<p>Na coletiva ela também defendeu um diálogo com Teresa Leitão (PT), senadora eleita na chapa de Danilo Cabral (PSB). “Ela tem um alinhamento progressista como eu e vou fazer o possível para me aliar com ela e com os outros dois senadores &#8211; Humberto Costa e Jarbas Vasconcelos &#8211; para garantir a governabilidade junto com o presidente Lula”, disse.</p>



<p>Questionada sobre o não comparecimento aos debates do primeiro turno, Marília Arraes afirmou que foi por estratégia política e que não foi para não ser alvo de outros quatro candidatos e dois “laranjas”. &#8220;Apresentei minhas propostas em mais 150 entrevistas com tempo para apresentá-las. Não fui para ringues: debate com um minuto, um minuto e meio é só para bater boca. Mas agora, de um para um, vou participar dos debates”, afirmou.</p>



<p>Por conta do falecimento inesperado do marido, Raquel Lyra, claro, não se pronunciou sobre a ida ao segundo turno, mas a vice dela, Priscila Krause, fez uma fala em Caruaru. Afirmou que no sábado as duas fizeram carreatas em seis municípios e que foram dormir com a certeza do segundo turno. Definiu o momento trágico da candidata como “absolutamente fora de qualquer imaginário de que essa seria a tônica do dia” e de que “foi um dia dificílimo”.</p>



<p>“No último ano Raquel percorreu o estado inteiro numa construção política que nos trouxe até onde estamos hoje. Nesses 45 dias de campanha a caminhada se intensificou”, afirmou. “Chegamos a um segundo turno histórico com uma chapa encabeçada por duas mulheres, isso é inédito na história do Brasil”, disse Krause. Ela falou ainda que nos próximos dias Raquel Lyra deverá se pronunciar pessoalmente sobre os posicionamentos e diretrizes da campanha para o segundo turno.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A despedida do PSB</h3>



<p>Foram 16 anos, quatro mandatos, com o PSB ininterruptamente no governo de Pernambuco. Com uma definição considerada tardia da candidatura de Danilo Cabral (PSB) para ser o candidato da Frente Popular, foi difícil reverter a má avaliação do governo Paulo Câmara e o natural desgaste de tanto tempo no poder. Danilo terminou a campanha em quarto lugar.</p>



<p>Mesmo tendo o apoio oficial do presidente Lula, não conseguiu reverter os votos do presidente para ele. Em Pernambuco, Lula teve 65,27% dos votos contra 29,92% de Bolsonaro.</p>



<p>Para o cientista político Antônio Torres, em uma avaliação rápida, o resultado das urnas mostra que a estratégia da campanha de Danilo não conseguiu se desvincular da má avaliação do PSB. “Para a prefeitura do Recife, João Campos (PSB) conseguiu reverter a imagem da gestão de Geraldo Julio, que também era má avaliada. Mas Danilo não conseguiu. Entre outros fatores, teve também os ataques das últimas semanas que foram muito direcionados a explorar as gestões do PSB. A campanha dele também teve dificuldade de caminhar ao lado de Lula e ainda há a configuração inédita desta eleição, com cinco candidaturas competitivas”, explicou.</p>



<p>Pelas redes sociais, Danilo Cabral agradeceu e afirmou que “nós, da Frente Popular, saímos dessa campanha de cabeça erguida” e “as nossas lutas vão continuar presentes em minha vida pública, como sempre estiveram por onde passei”. Apoiador de Bolsonaro, Anderson Ferreira (PL) agradeceu e disse que tinha feito uma &#8220;campanha linda”. Miguel Coelho fez uma coletiva de imprensa e também agradeceu. “A gente sai maior desta eleição”, afirmou, declarando também apoio a Raquel Lyra.</p>



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		<title>Conheça Rosa Amorim, nome e rosto do MST na eleição 2022 em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2022 21:04:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura orgânica]]></category>
		<category><![CDATA[combate à fome]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
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<p>Ela é filha de assentados da reforma agrária e cresceu nas fileiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). De Caruaru, no Agreste do estado, Rosa Amorim, 25 anos, foi escolhida pelo movimento para disputar um cargo legislativo. Ocupar a política institucional não era pretensão do MST – nem de Rosa. Mas muita coisa mudou no Brasil nos últimos anos. A perda de direitos e a fome de 33 milhões de brasileiros fez os dirigentes dos sem-terra reprogramarem a rota e lançarem, nestas eleições, 15 candidaturas próprias ao redor do Brasil pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Rosa é uma delas.</p>



<p>Jovem, negra, lésbica, atriz e estudante de teatro, ela é a síntese da pauta de transformação da sociedade no campo e na cidade pregada pelo MST – que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vê como seu principal inimigo e tenta criminalizar a qualquer custo. Foi pelo perfil e histórico de lutas que Rosa foi escolhida para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um espaço historicamente de baixa representatividade dos movimentos sociais, num cenário em que o Executivo estadual também dialoga pouco com os movimentos.</p>



<p>“O MST, há muito tempo, não vem lutando só pela terra. A gente compreende que a luta pela reforma agrária é uma luta do campo e da cidade. Porque não tem como pensar o campo sem pensar a cidade. Porque, se o campo não planta, a cidade não janta”, cita Rosa. Ela concedeu entrevista à <strong>Marco Zero</strong> esta semana e contou sobre suas propostas, suas estratégias e seus desafios.</p>



<p>É nessa costura campo-cidade e na necessidade de renovação do quadro político que entra o nome de Rosa Amorim. Desde cedo envolvida no movimento estudantil, ela é militante do Levante Popular da Juventude e diretora de cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). No Recife, está à frente de iniciativas políticas de solidariedade do MST, que, durante a pandemia, doou, no Brasil, 10 mil toneladas de alimentos para as periferias, além de ter construído diversas cozinhas solidárias.</p>



<p>Somente na capital pernambucana, o movimento tem inserção em mais 50 comunidades. Rosa construiu a campanha Mãos Solidárias e coordena o Armazém do Campo no centro da capital, loja de produtos orgânicos e agroecológicos da reforma agrária, onde também funcionam mercado, livraria e bar.</p>



<p>Ela é filha de Jaime Amorim, da direção nacional do MST e da coordenação da Via Campesina Internacional, e de Rubneuza Leandro, militante da educação que ajudou a formular a concepção de educação no campo e participou da primeira turma de formação de nível superior do MST. Na entrevista, a reportagem pediu que ela falasse também da mãe, já que as pessoas, de modo geral, se referem mais ao seu pai. “Tem uma frase da minha mãe que eu gosto muito: ‘é possível plantar feijão e ser doutor’”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Combate à fome e desapropriação de terras</strong></h2>



<p>“A gente não quer só doar alimento, a gente precisa organizar o povo. Então é através da questão da fome e da distribuição de comida que a gente vem tocando os trabalhos de base”, explica. Entre as principais propostas da sua plataforma política, está incentivar o governo e os parlamentares de Pernambuco por um compromisso de combate emergencial à fome.</p>



<p>“Hoje, o MST tem nove cozinhas comunitárias espalhadas pela Região Metropolitana do Recife e a gente precisa fazer com que o Estado, que tem condições, crie restaurantes populares”, defende. “Não adianta dizer que o feijão está caro, que o arroz está caro, porque o povo chega no mercado e a conta não fecha no final do mês. Isso vai demorar para a gente ter uma mudança novamente na qualidade de vida da população. Então é preciso criar restaurantes para que as pessoas tenham onde se alimentar”, reforça.</p>



<p>Um outro ponto que Rosa defende como pauta é a criação de um mecanismo estadual para desapropriação de terras. “Queremos que o estado de Pernambuco compre terras para fins de reforma agrária, através de um órgão específico responsável pelo processo de democratização das nossas terras, que regulamente e dê destinação”, coloca.</p>



<p>Rosa tem uma verba de campanha enxuta, em torno de R$ 200 mil. É menos da metade do que têm outros nomes do PT que, junto com ela, têm expectativa de votação expressiva pelo partido, como Doriel Barros e João Paulo, ambos com verbas na casa de R$ 500 mil.</p>



<p>Com uma militância bastante orgânica e jovem, a campanha de Rosa tem ocupado espaços e eventos de rua no Recife com bandeirões do MST e batucadas, usando como um de seus símbolos o boné vermelho do movimento, que ganhou o desenho de uma rosa na lateral, a marca dela. No interior, Rosa tem realizado plenárias e encontros em diversos municípios com agricultores e agricultoras familiares.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rosa Amorim Assentamento Normandia, em Caruaru. crédito: Rebeca Martins</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Uma carne assada, mas também uma boa salada orgânica”</strong></h3>



<p>Filiada ao PT em março deste ano, para concorrer às eleições, Rosa destaca a mudança de discurso de Lula. “Lula antes falava que o povo brasileiro no governo dele comia uma picanha no final de semana. Lula hoje quer que o povo volte a comer a sua carne assada, mas também uma boa salada orgânica”, compara ao ser perguntada sobre que demandas o movimento tem colocado à mesa nas negociações com Lula nessa nova relação construída nos últimos anos.</p>



<p>“Quem produz essa salada orgânica e quem vem lutando por uma comida sem veneno é o MST. E qual é o meio principal hoje de escoação da nossa produção? São as nossas cooperativas”, acrescenta Rosa, falando do entendimento com Lula de que o desenvolvimento dos assentamentos, dos acampamentos e da agricultura familiar passa por ter os próprios meios de produção e de escoamento. O MST é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil e da América Latina.</p>



<p>Outro ponto de pactuação com Lula é a criação de um Ministério da Reforma Agrária, que cuide da agricultura familiar, com um olhar específico para o campo, e não de desenvolvimento agrário.</p>



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