Trabalhadores de Pernambuco aderem à greve geral contra a reforma da previdência

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Por Helena Dias, Inês Campelo, Mariama Correia e Raíssa Ebrahim

Em Pernambuco, as principais categorias de trabalhadores aderiram à Greve Geral desta sexta-feira (14) contra a reforma da previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL). Antes mesmo do dia amanhecer, rodoviários já se mobilizavam em frente às garagens das empresas de transporte e a paralisação dos metroviários só não foi total por causa de ordem judicial da CBTU que estabeleceu o funcionamento em horários de pico.

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A união entre trabalhadores e a educação foi vista logo cedo, quando estudantes fecharam a entrada da Universidade Federal de Rural de Pernambuco (UFRPE) com cartazes em apoio à Greve Geral. No início da manhã, trabalhadores do Sindipetro e do Sintepav se posicionavam em frente a Refinaria Abreu e Lima, onde a adesão foi de 100% do primeiro turno. A paralisação chegou a 80% no setor administrativo e 70% nos terceirizados .

Nas estradas, o apoio à paralisação veio por meio do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) bloqueando a circulação de pessoas e mercadorias na Região Metropolitana do Recife (RMR). Foram quatro bloqueios: uma na BR-232 e três na BR-101. Houve paralisações ainda nas rodovias BR-104, PE-71 e PE-21. De acordo com a presidente da Fetape, Cícera Nunes, os 176 sindicatos ligados à federação estão fechados hoje. Em diversos municípios do estado, os setores do comércio que estão ligados aos sindicatos também aderiram à greve, como mostram as fotos enviadas pela Fetape que estão da galeria. Houve atos maiores nos municípios de  Garanhuns e Ouricuri. Em Flores, houve manifestação na Câmara de Vereadores do município.

Crédito: MST/PE

Crédito: MST/PE

Durante toda a semana, a paralisação dos rodoviários foi uma dúvida. O sindicato da categoria manteve o posicionamento frente à Greve Geral em suspenso, porque os trabalhadores estão em processo de campanha salarial que já foi protocolada. Caso aderissem à greve, informavam, a entidade estaria sujeita a multa. Contudo, a paralisação nesta sexta foi puxada pela oposição à gestão do sindicato que, desde quarta-feira, afirmava o desejo dos trabalhadores de se engajarem nas manifestações contra a reforma da previdência e o governo Bolsonaro.

“O sindicato agiu tentando desmobilizar a categoria, usando o argumento da campanha salarial para se munir de defesa e não aderir à paralisação”, diz Aldo Lima, da oposição do Sindicato dos Rodoviários. Para ele, o argumento da diretoria do sindicato expõe a postura de omissão da luta porque as rodadas de negociação nem sequer começaram.

Crédito: Mariama Correia e Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo

Crédito: Mariama Correia e Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo

Trabalhadores das empresas de ônibus Caxangá, Itamaracá e Vera Cruz estão mobilizados na Greve Geral. São cerca de 400 ônibus parados, somando as garagens da Caxangá e Itamaracá que aderiram 100%. No terminal integrado Tancredo Neves, onde operam mais de 20 linhas, houve uma redução de passageiros por conta das chuvas da última quinta-feira (13).

Já a adesão dos metroviários aconteceu mesmo com uma liminar da Justiça determinando o funcionamento de 100% das linhas do metrô recifense. Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindimetro), a adesão à greve geral foi massiva. Mais de 80% do operacional, que significa 1,7 mil funcionários, e 100% dos maquinistas estão participando da paralisação.

As estações do VLT Cajueiro-Cabo e Cajueiro-Curado estarão fechadas durante toda a sexta. As demais funcionam apenas nos horários das 5h às 10h e das 16h às 20h.

O diretor de comunicação do Sindimetro, Thiago Mendes, destacou que a categoria reivindica pautas para além da crítica à reforma da previdência. “Queremos melhores condições de trabalho, melhores salários, passagens mais acessíveis para os usuários e também somos contra a privatização do metrô”, ressaltou.

O Sindicato dos Urbanitários confirmou a participação na Greve Geral e funcionários da Compesa cruzaram os braços hoje. Segundo a entidade, houve 50% de adesão dos trabalhadores que são da Chesf, Compesa e Celpe.

Já os bancários, realizaram ato público na frente do Banco do Nordeste, na Avenida Conde da Boa Vista, antes de seguirem para o ato unificado no início da tarde na Avenida Guararapes. 19 agências bancárias na RMR ficaram paralisadas até o meio dia no corredor das avenidas Conde da Boa Vista, Guararapes e Dantas Barreto. Há, também, agências fechadas nos municípios de Arcoverde e Brejo da Madre de Deus.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, explicou que a categoria decidiu aderir à Greve Geral em resistência à pauta de perda de direitos promovida pelo governo Bolsonaro. “Essa greve significa que nós, enquanto classe trabalhadora, não aceitamos o desmonte que este governo está fazendo em nossos direitos e, principalmente, a nefasta reforma da previdência. Ela prejudica os trabalhadores e trabalhadoras rurais, os viúvos e viúvas. A proposta de capitalização só vai beneficiar os bancos. Esse estado não tem compromisso social com os trabalhadores nem com os pobres”, criticou.

Centrais sindicais
CUT, CTB, Conlutas, Força Sindical, Intersindical, Nova Central Sindical, UGT e CGTB puxam a greve desta sexta-feira contra a reforma da previdência. É um marco na história dos movimentos sindicais, já que a divergências entre as centrais foram deixadas de lado em prol de mobilizações unificadas. O relatório da reforma da previdência foi apresentado na comissão especial da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (13) e começará a ser debatido na próxima quinta (18).

O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Paulo Rocha, afirma que a luta dos trabalhadores é também contra a reforma trabalhista.  “Nós vamos continuar na luta contra a reforma previdenciária e para retirar a reforma trabalhista. Senão, as pessoas vão continuar sem direito nenhum. É para lembrar o que Bolsonaro disse, que a população precisa escolher se tem direito ou emprego. Foi dito que a reforma trabalhista iria gerar emprego, mas não gerou. Gerou desemprego”.

O integrante da executiva nacional da CSP-Conlutas, Hélio Cabral, convocou a população para participar do ato unificado, às 14h, na Avenida Guararapes.“Nós estamos convocando você que está em casa, no trabalho e que está indo à escola. Que não vá, que venha aqui para a Avenida Guararapes, onde vai ser a grande concentração da finalização da Greve Geral. O coroamento de uma grande mobilização nacional para barrar a reforma da previdência”, disse em vídeo para a Marco Zero.

O presidente da Força Sindical de Pernambuco e vereador do Recife, Rinaldo Júnior, evidenciou a unidade entre as centrais. “Que os trabalhadores consigam enxergar que o futuro do país está nas nossas mãos e a forma mais certa que nós temos é reivindicar. Aqui em Pernambuco não é diferente. A gente está enxergando uma unidade muito grande, diversas centrais sindicais e diversos atores do movimento sindical pernambucano unidos em uma só causa que é barrar a reforma da previdência”.

Tumulto
No centro do Recife, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) interditou uma via próxima à Avenida Conde da Boa Vista. Pneus em chamas fecharam a rua e houve tumulto entre manifestantes e pessoas contrárias ao protesto. A militante do MTST, Elizângela Silva, tentou impedir que um homem mexesse nos pneus e levou um soco no braço. No mesmo local, um ambulante foi abordado pela polícia porque estava filmando o tumulto e pessoas interviram na abordagem. A codeputada das Juntas (PSOL-PE), Jô Cavalcanti, que estava acompanha da codeputada Carol Vergolino, questionou os policiais: “Só porque o rapaz é ex-detento. Cadê a ressocialização do estado?”.

Na Avenida Guararapes, no centro do Recife, todas as categorias já estão se organizando para o ato unificado da Greve Geral, que será iniciado às 14h.

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