Conheça André Ventura, o “Bolsoluso” que disputa as eleições na Europa

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Por Wilfred Gadêlha (Lisboa)

Estamos num acanhado gabinete, em um prédio de cinco andares quase em frente ao Palácio dos Condes do Redondo, sede principal da Universidade Autónoma de Lisboa, próximo à Avenida da Liberdade, uma das mais importantes da capital portuguesa. O ambiente é simples: uma pequena mesa, um móvel com pouco mais de uma dezena de livros – entre eles O Efeito Trump e o Brexit, de Jorge Castela -, fotos de família, uma caneca do Benfica. Para chegar até a sala de número 500, é preciso subir quatro andares de elevador mais um lance de escadas.

Era final de tarde do dia 3 de maio e o ocupante do escritório volta de uma breve saída para buscar água, que traz em dois copos descartáveis. Sorrindo, pede para que eu explique sobre o que é a entrevista e para quem escrevo. Depois de tirar-lhe as dúvidas, ligo o gravador e inicio a conversa.

É neste modesto cenário que se “esconde” o que muitos consideram uma ameaça à democracia portuguesa: André Ventura, professor de direito da UAL, comentarista esportivo – dos encarnados, claro – da CMTV, cabeça-de-lista da coligação Basta! ao Parlamento Europeu nas eleições de hoje, 26 de maio, e líder-fundador do partido Chega!.

(Atualização às 21h25min de 26 de maio: abertas as urnas, Ventura e seu Basta! fracassaram: sua coalizão havia recebido, até o momento, 1,49% dos votos e não elegeu nenhum representante)

Suas declarações, a defesa apaixonada de temas como a prisão perpétua para condenados por crimes hediondos, a castração química de abusadores sexuais de crianças, a metralhadora giratória contra a corrupção, os ataques à comunidade cigana e o fim da chamada “subsídio-dependência” – o equivalente às críticas ao programa Bolsa-Família no Brasil – são dignas dos pontos de exclamação das agremiações que criou, mas Ventura se distancia, pelo menos diante do gravador ligado, do estereótipo caricato e histriônico de líderes mundiais de seu espectro político da atualidade, como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou Viktor Orbán, nem gesticula teatralmente como Benito Mussolini ou Adolf Hitler.

Sempre sorrindo, suas falas são calculadas, com malabarismos silogísticos no limiar do que se poderia considerar racismo, xenofobia ou fascismo – atribuídos a ele por muitos atores e cientistas políticos portugueses, que não titubeiam em lhe carimbar o rótulo de extrema-direita. Ventura diz não se importar com o rótulo e mantém as opiniões que costuma proferir, seja nas redes digitais, seja na mídia: “Se isso é ser de extrema-direita, nós somos de extrema-direita”.

Nascido em Lisboa, em 1983, Ventura se licenciou em direito pela Universidade Nova de Lisboa, é católico fervoroso – talvez com o mesmo teor com que repudia o que chama de “marxismo cultural” ou “politicamente correto”. (Qualquer semelhança com Bolsonaro não é coincidência, vamos ver isso mais adiante). O mais próximo da cor vermelha que chega é o estampado no uniforme de seu time de coração, o Benfica -, faltou a um debate promovido pela emissora RTP no último dia 13 para atuar como comentarista do desempenho do time lisboeta na CMTV, o que lhe rendeu uma saraivada de críticas e, até mesmo, a possibilidade de perder a candidatura.

Diz admirar o presidente brasileiro, mas considera Bolsonaro “um pouco exagerado”. “Há uma coisa em que eu acho que o presidente Bolsonaro tem mérito: disse aquilo que não era politicamente correto, conseguiu mostrar ao povo brasileiro que é possível fazer política fora do mainstream, dos interesses instalados. E isso é o que eu acho o mais importante: a capacidade de ter enfrentado os interesses instalados, de ter enfrentado inclusive aos partidos do sistema, enfrentado à Justiça, aos grandes interesses econômicos e ter dito: ‘A partir de agora, vai ser tudo diferente’”.

“Bolsoluso”

Apesar da admiração, Ventura rejeita o apelido de “Bolsoluso”. “Eu e o presidente Bolsonaro temos sido muito comparados”, reconhece o ex-vereador de Loures, uma cidade de 26 mil habitantes na Grande Lisboa. “Mas são estilos completamente diferentes, temos percursos profissionais completamente diferentes. Acho que o presidente Bolsonaro tem condições de fazer um bom trabalho e é isto que eu espero que faça. Agora, não sou o Bolsonaro português nem ele será o André Ventura brasileiro.”

Tamanha semelhança não é à toa. Além da retórica antissistema, em que pese as palavras de Ventura terem um pouco mais de, digamos, sutileza, a temática de sua campanha a uma das 21 vagas portuguesas no Parlamento Europeu é praticamente a mesma do ex-deputado federal em 2018: segurança e corrupção.  Sobre o primeiro ponto, Ventura defende penas mais duras para crimes hediondos, inclusive a prisão perpétua. “Nós temos pedófilos e violadores que não chegam a entrar no sistema prisional, têm penas suspensas, voltam a atacar mal saem de onde estão. Temos homicidas violentíssimos que o máximo que têm são 25 anos de prisão, mas na verdade cumprem 13 ou 14 e saem do sistema de Justiça a gozarem com o sistema de Justiça”, afirma ele.

Os dados, entretanto, contradizem essa aura de violência que o líder do Chega! propagandeia. De acordo com o governo de Portugal, hoje dirigido pelo socialista Antônio Costa, os crimes violentos diminuíram em 9% no ano passado em relação a 2017 – apesar do crescimento do número de homicídios de 82 para 110 em 2018 (ou seja, 34,1%). Segundo o Instituto para a Economia e Paz, um think tank australiano que analisa as relações entre criminalidade e desenvolvimento, o país é europeu é o quarto mais pacífico do mundo, no ranking do Índice Global da Paz. Para se ter uma ideia, o Brasil ocupa a 106ª posição na mesma lista.  Vale lembrar que Portugal tem pouco mais de 10 milhões de habitantes e uma taxa de 0,97 assassinatos por 100 mil habitantes – com base em indicadores do World Atlas, que, por sua vez, usa números do United Nations Office on Drugs and Crime (Unodc).

A tática de Ventura para solucionar problemas que existem, mas não são da magnitude que deixa a entender, é tradicional entre os políticos de oposição: negar os números oficiais. “Os dados apontam que Portugal hoje é um paraíso em termos de segurança. Eu não acredito em dados nenhuns de segurança vindos de entidades oficiais. Todos os anos, antes das eleições, a criminalidade violenta e organizada desce miraculosamente. Sempre, em anos de eleição. Por quê? Porque os dados podem ser facilmente manipuláveis”, dispara.

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Num dos países mais seguros do mundo, o candidato da extrema direita também usa o fantasma da insegurança

Na sua ótica, o problema não é a polícia. (Seu partido conta com o apoio de sindicatos de agentes de segurança – logo mais os polícias, como são chamados em Portugal, vão reaparecer nesta reportagem. Espera só um pouquinho.) Para Ventura, “o sistema de Justiça de Portugal é uma brincadeira. O fato de ser um país seguro não impede nem inviabiliza que sejamos neste momento um país com pouca Justiça. O que queremos é manter Portugal um país seguro, mas também com Justiça.  Não podemos ter homicídios gravíssimos, de três, quatro, cinco pessoas, com dez ou 11 anos de prisão. É ridículo. Não acontece em espaço nenhum na Europa.” Ele prossegue, citando os vizinhos: “A Espanha, aqui ao nosso lado, há dois anos, aprovou uma reforma que reintroduziu a prisão perpétua para crimes muito graves. Isto não quer dizer que a pessoa fique presa toda a vida.  A pena pode ser reavaliada de 20 em 20 anos, ou de 25 em 25 anos”.

Na área de emprego, as taxas também vêm melhorando, com a recuperação da economia do país depois da crise de 2008 e da amarga intervenção da União Europeia e da chamada Troika, que terminou com a queda do governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (PSD), em 2015.

Em janeiro de 2013, a taxa de desemprego no país ibérico era de 17,4%. O dado mais recente, de fevereiro deste ano, aponta 6,3%, abaixo da média da União Europeia (6,4%) e muito abaixo de potências como Itália (10,7%) ou mesmo do vizinho de península, a Espanha (13,9%).  Mas, para Ventura, o mérito pelo bom momento econômico em seu país é justamente do governo anterior e não dos socialistas, que, juntos com Bloco de Esquerda (BE), Partido Comunista de Portugal (PCP), Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e Pessoas, Animais e Natureza (PAN), formaram, em 2015, a inédita coalizão de esquerda alcunhada pela oposição de Geringonça – o apelido pegou e até mesmo os integrantes do governo a usam.

“Nós somos um país que teve uma boa evolução do ponto de vista do emprego nos últimos anos, sobretudo por força do trabalho que tinha sido feito anterior a este governo, o ajuste econômico e financeiro. E, aparentemente, este governo está a colocar tudo em causa novamente”, acusa o direitista, que arriscou uma previsão: “Hoje, neste momento em que estamos a falar, há a possibilidade de o governo cair hoje ainda”. O “hoje” foi 3 de maio, mas neste domingo, 26, o primeiro-ministro ainda é Antônio Costa.

Ameaça real ou blefe?

É preciso aqui parar um pouco para um freio de arrumação. André Ventura é mesmo uma ameaça à democracia ou é apenas um surfista querendo dropar a onda da extrema-direita que, cada vez mais quebra nas costas do mundo? Na opinião do professor e pesquisador do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL) Riccardo Marchi, é preciso ficar alerta ao simbolismo de uma candidatura como a do ex-vereador de Loures. “Em 45 anos de democracia portuguesa, nestas eleições aqui é a primeira vez que temos vários players que se colocam abertamente à direita do espectro político”, explica. Marchi salienta que o “tradicional” partido alinhado aos arroubos, digamos, fascistas é o Partido Nacionalista Renovador (PNR), que nunca conseguir emergir do 1% dos votos. O pesquisador diz não entender o porquê de André Ventura buscar apoios em agremiações “irrelevantes” para formar a coligação Basta!: Partido Popular Monárquico (PPM), Partido Cidadania e Democracia Cristã (PCDC) e o movimento Democracia 21. “É uma coisa ainda estranha, não percebo porque ele criou uma coligação com partidos totalmente irrelevantes, considerando que ele tem um capital social muito mais importante que esses partidos. Não faz sentido. Hoje em dia a política é personalizada. Eu teria ocupado 100% das minhas forças em promover a minha pessoa. Não perderia tempo à procura de outros micropartidos.”

Para entender melhor, é bom lembrar que as eleições deste domingo em Portugal são voltadas para a escolha dos 21 representantes do país no Parlamento Europeu, que reúne 751 representantes dos 28 integrantes da UE. Atualmente, o PS tem oito, o PSD coligado com o CDS-PP têm sete, o Bloco de Esquerda tem uma, os comunistas têm quatro e há um deputado independente.

A depender das sondagens de opinião, os socialistas, cujo cabeça-de-lista é Pedro Marques, ex-ministro do Planejamento e das Infraestruturas, devem aumentar sua bancada, enquanto que o PSD, do eurodeputado Paulo Rangel, figura em segundo lugar. E a coligação Basta!? Em pesquisa divulgada no fim de abril, aparecia com 1,8% das intenções de voto, insuficiente para chegar ao Parlamento Europeu. Mas Ventura apela para o “exemplo” brasileiro e, nas suas redes sociais, postou print de notícia publicada no site da emissora TVi24 mostrando Fernando Haddad  (PT) se aproximando de Bolsonaro em 2018, com o texto: “Também no Brasil as sondagens do sistema tentaram travar o candidato que combatia o politicamente correcto. Faz como os brasileiros, mostra que a verdadeira sondagem é feita nas urnas! Vote BASTA!”.

A imprensa portuguesa, lembra Marchi, tem acompanhado com interesse essas movimentações à direita – muito em função dos partidos Vox (Espanha), Brexit (Reino Unido), Liga (Itália) e AfD (Alemanha), que têm crescido nos últimos anos com uma agenda de matizes muito aproximados de uma paleta neofascista, quando não escancarados. “Há uma diferença de oportunidade eleitoral para estes sujeitos. Para se diferenciar dos outros, Donald Trump saiu-se com uma imagem de populista e direita dura. Uma estratégia de marketing para se promover. Aqui, pode-se falar a mesma coisa: uma estratégia para marcar posição na cena política portuguesa”, opina o pesquisador. “O populismo na Europa hoje em dia se caracteriza por um antieuropeísmo muito marcado. Estes sujeitos políticos sabem que isso não pega em Portugal. A opinião pública portuguesa é bem pró-europeia. André Ventura sempre diz que podem lhe chamar do que quiserem, menos de nacionalista, porque ele é pró-Europa”, diz Marchi.

Portugal é um dos quatro países da Europa que não têm representantes da extrema-direita em seus Legislativos. Até maio eram cinco, quando o Vox obteve 10% dos votos, elegendo 24 deputados – e a Espanha deixou o grupo. O resultado dos radicais espanhóis foi uma faca de dois gumes: de um lado, extremistas de direita em todo o mundo ficaram animados; por outro, líderes tradicionais de direita, centro e esquerda respiraram aliviados, uma vez que havia sondagens de opinião mostrando que seria muito maior o crescimento do partido de Santiago Abascal – autor de “pérolas” como “sou um partidário da discriminação” ou “o feminismo quer nos oprimir”. (Avisamos lá no começo que as “coincidências” são muitas.)

Para Riccardo Marchi, o fato de André Ventura ser comentarista do Benfica na CMTV – uma emissora do grupo Correio da Manhã – não é coincidência. “Ele não surge do nada. É comentador televisivo na CMTV, que, com o jornal Correio da Manhã, faz uma linha bem Fox News: lei e ordem, criminalidade, esse gênero de discurso. Ele utiliza muito esse discurso e quer se apresentar como um dos campeões do antipoliticamente correto, que não é tão comum aqui em Portugal. Não o encontraremos a condenar Trump ou Bolsonaro. O centro-direita mainstream de Portugal, pelo contrário, fez isso desde o princípio”, prossegue.

Por outro lado, salienta o também pesquisador e professor João Miguel de Carvalho, do Instituto Universitário de Lisboa (ICSTE-IUL), Ventura, como o próprio se vangloria, não tem papas na língua e diz em público o que, segundo ele, os portugueses falam nos cafés . “Nas chamadas questões culturais, ele é contrário à adoção de crianças por casais do mesmo sexo, a favor da conversão de homossexuais, chegando muito próximo ao conservadorismo extremo. Mas o Chega!, em termos econômicos, é bem neoliberal”, afirma Carvalho.   “Os partidos de direita mainstream não aceitam esse discurso. O André Ventura foi corrido do PSD”, completa.

“Aprendiz”

À retórica Trump-Bolsonaro de André Ventura já há reações, seja dos portugueses, seja dos imigrantes – incluindo brasileiros. No tradicional protesto do 1º de Maio, ouvimos algumas opiniões dos presentes à caminhada que saiu do bairro de Martim Muniz em direção à Alameda, na capital. Em meio a bandeiras vermelhas, um boneco do premiê António Costa e até mesmo faixas de “Lula Livre”, a aposentada portuguesa Manuela Almeida, 63 anos, chamou Ventura de “aprendiz de feiticeiro”. “Ele se inspira na extrema-direita. É preciso estarmos atentos e, apesar de ser algo residual, não podemos dar nada como adquirido”, reconheceu ela.

Presidente da Associação Solidariedade ao Imigrante, o angolano Jorge Silva, 62 anos, foi mais enfático. “Ele faz parte de uma agenda que vem de fora e não é só no Brasil. Está-se espalhando pela Europa e pela América. André Ventura é perigoso para a democracia. Não podemos menosprezar essas figuras. Essa gente usa a democracia contra a democracia. No poder, essa gente vai nos reprimir”, reforça Silva. Coordenadora do Núcleo Lisboa do Partido dos Trabalhadores (PT), a assistente social Evonês Santos, 40, o compara ao presidente brasileiro.  “O modelo é o mesmo em um contexto diferente. Ele está tentando a sorte como Bolsonaro. Estamos atentos a isso”, diz a militante, nascida em Rondônia.

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Ventura mimetiza o discurso bolsonarista, tentando inflamar um eleitorado moderado

Ventura sabe que o seu discurso extremo incomoda e ele faz questão de se colocar como comensal não convidado ao banquete. Usa e abusa de palavras de ordem explosivas e também se coloca como o incompreendido ou perseguido pela mídia e pelo “sistema”. Nas redes sociais, é comum que explore memes irônicos ou agressivos contra os adversários, sejam de esquerda, sejam de direita.

A grande imprensa praticamente o ignora, com o argumento de que só cobre campanhas dos candidatos cujos partidos tenham assento na Assembleia Nacional – o Chega! foi oficializado em abril e já está sendo investigado pelo Ministério Público por irregularidades em mais de 2 mil das 7,5 mil assinaturas necessárias para a sua formalização no Tribunal Constitucional, com direito a registros de crianças, gente morta e de policiais, o que a legislação portuguesa proíbe. Os outros políticos também evitam falar sobre ele. Como a coordenadora do Bloco de Esquerda – uma espécie de PSOL luso -, deputada Catarina Martins. Durante o protesto do 1º de Maio, ela cantou, junto com outros integrantes do partido, incluindo Marisa Matias, única eurodeputada do BE e concorrente de Ventura, músicas que “elogiavam” o presidente brasileiro. Mas, sobre André Ventura, nenhuma palavra: “Não falo sobre esta pessoa. É perda de tempo”.

Na entrevista exclusiva à Marco Zero, Ventura não deixou pergunta sem resposta. Sorridente, falou sobre suas propostas, sobre o que os adversários acham dele – “Ninguém me dá lições de fascismo” – sobre as comparações com Bolsonaro e sobre os planos de chegar ao poder e, em quatro anos, sentar na cadeira hoje ocupada por António Costa. “Minha missão é maior do que a própria vida”, diz ele, em tom ufanista. Depois de 20 minutos de conversa um tanto corrida – antes de entrar no seu gabinete ele me pediu que esperasse porque dava outra entrevista -, nos despedimos. Ainda arrisco uma pergunta, uma mistura de futebol com política: “E o senhor espera ter votos da torcida do Sporting?”. Ele sorri e arremata: “Se tiver os do Benfica, está bem”.

Leia agora a entrevista exclusiva com André Ventura:

Marco ZeroQuais são as razões que o levaram a criar o partido Chega e a disputar um assento no Parlamento Europeu?

André Ventura - Fui durante muitos anos membro do PSD, que é o maior partido português, um partido de centro-direita português, que governou Portugal por durante uma grande parte. Fui dirigente no final do PSD, fui candidato a uma das maiores câmaras do país pelo PSD, a Câmara Municipal de Loures. Entendi, no fim do ano passado, que o tempo no PSD tinha chegado ao fim. Por quê? Porque o partido era incapaz de se comprometer com políticas mais duras do ponto de vista da segurança, mais duras do ponto de vista da imigração, mais duras no sentido de proteção a quem efetivamente precisa de proteção. Entendi que era preciso dar um salto em frente. O PSD estava muito preso ao politicamente correto. Eu já tinha sentido na minha campanha em Loures uma grande luta dentro do PSD contra mim, por causa das ideias que eu tinha defendido e achei que era a hora de criar um projeto político alternativo, eu sentia nas ruas que as pessoas queriam um projeto alternativo, que o PSD já não os representava. Era preciso outra direita: sem complexos, sem medo de dizer que é de direita, e foi por isso que eu procurei criar o Chega, que é o sinal dessa afirmação de uma direita sem complexos, sem medos, sem politicamente corretos. E com respeito à nossa história, à nossa memória. No fundo é isso, foi isso que gerou o surgimento do Chega.

Marco Zero – No manifesto de fundação do partido e na internet, o senhor fala muito na questão da segurança pública.  No ano passado, Portugal foi considerado o quarto país mais pacífico do mundo, de acordo com o Índice Global de Paz, medido pelo Instituto de Economia e Paz. Como o senhor analisa esta questão, uma vez que parte de seu discurso se baliza pela questão da segurança pública?

André Ventura - Os dados apontam que Portugal hoje é um paraíso em termos de segurança.  Portugal e alguns países europeus. O que nós temos hoje na verdade é um sistema de Justiça primário. Eu não acredito em dados de segurança vindos de entidades oficiais. Eu não acredito. Todos os anos, antes das eleições, a criminalidade violenta e organizada desce miraculosamente. Sempre, em anos de eleição. Por quê? Porque os dados podem ser facilmente manipuláveis. Eu posso ter determinados crimes que deixam de fazer parte do crime organizado e dos crimes violentos. E no outro ano já fazem parte, permitindo aumentar ou diminuir esses crimes violentos. Segundo: o sistema de Justiça de Portugal é uma brincadeira. Nós temos pedófilos e violadores que não chegam a entrar no sistema prisional, têm penas suspensas, voltam a atacar mal saem de onde estão. Temos homicidas violentíssimos que o máximo que têm são 25 anos de prisão, mas na verdade cumprem 13 ou 14 e saem do sistema de Justiça a gozarem com o sistema de Justiça. Isso tem se repetido tantas vezes que hoje eu tenho certeza de que, se fizerem uma sondagem com os portugueses sobre o que é que de pior funciona em Portugal, não há dúvida de que é o sistema de Justiça. O fato de ser um país seguro não impede nem inviabiliza que sejamos neste momento um país com pouca Justiça. O que queremos é manter Portugal um país seguro, mas também com Justiça. Não podemos ter homicídios gravíssimos, de três, quatro, cinco pessoas, com dez ou 11 anos de prisão. É ridículo. Não acontece em espaço nenhum na Europa.

Marco Zero - Quer dizer: o senhor não questiona a polícia, mas sim a Justiça.

André Ventura – A Justiça, efetivamente. Dou-lhe um exemplo: Espanha, aqui ao nosso lado, há dois anos, aprovou uma reforma que introduziu ou reintroduziu a prisão perpétua para crimes muito graves. Isto não quer dizer que a pessoa fique presa toda a vida.  A pena pode ser reavaliada de 20 em 20 anos, ou de 25 em 25 anos. O que não pode acontecer é alguém que mata uma pessoa ter a mesma pena de quem mata 10. Ou quem mata 15, ou 20, ou 30. Isto é ridículo e mostra um sistema que não funciona. E nem sequer funciona do ponto de vista da prevenção. A Justiça também tem que ser prevenção. Como é que eu previno se eu digo: “Quantas pessoas matastes? Dezesseis, 17? Bom, a pena vai ser dez anos, 11. Vinte e cinco, mas se tiveres bom comportamento, estás cá fora.” E as vítimas? Quem é que se preocupa com a vida das vítimas, das famílias. Ninguém. E é isso que queremos fazer: uma mudança completa no nosso sistema de Justiça e que Portugal seja visto não só como paradigma de segurança, mas também como paradigma de Justiça.

Marco Zero – Como o senhor analisa as condições de emprego e renda em Portugal?

André Ventura – Nós somos um país que teve uma boa evolução do ponto de vista do emprego nos últimos anos, sobretudo por força do trabalho que tinha sido feito anterior a este governo, o ajuste econômico e financeiro. E, aparentemente, este governo está a colocar tudo em causa novamente. Hoje, neste momento em que estamos a falar, há a possibilidade de o governo cair hoje ainda.  Os juros da dívida já estão a aumentar novamente e Portugal pode vir a ter uma situação muito semelhante àquela que teve em 2008, com a chegada da Troika e da ajuda internacional. Este governo é de uma incompetência tremenda na gestão dos dinheiros públicos. Está apenas a fazer é distribuir dinheiro pra deixar toda a gente contente. Mas isto não dura pra sempre. Vai haver um momento que querem mais, mais, mais e não há dinheiro para dar mais. E aí o que é que acontece? O governo vai-se embora e tem que vir a direita novamente para governar e equilibrar as contas públicas. Eu diria que a questão do emprego e da renda têm se mantido estáveis, mas neste momento estão em sério risco de colapso, quer o nível de desemprego, que, se a economia voltar a cair, vai voltar a aumentar, quer o nível de rendimento dos portugueses.  Porque, num cenário de crise, como parece a acontecer ainda hoje ou amanhã, os dados macroeconômicos vão saltar absurdamente. E isto só é responsabilidade de um grupo de pessoas: os que neste momento fazem o governo de Portugal. Nós vamos lutar contra isto veementemente. Os portugueses precisam de uma situação econômica estável, nós temos que dar estabilidade às pessoas. Isto não pode acontecer de quatro em quatro anos: nova crise, desemprego, aumento dos juros, intervenção externa, apertar os cintos. Os portugueses estão fartos disso.

Marco Zero – E como o senhor vê a oposição de direita a Antônio Costa?

Wilfredluso2André Ventura – Eu vim do maior partido da oposição, que é o PSD, e saí precisamente porque deixou de ser oposição. Neste momento, o PSD quer se tornar uma espécie de Partido Socialista 2. Ora, quando temos o Partido Socialista original e o Partido Socialista 2, já ao menos votamos no original. O PSD e o CDS não conseguiram fazer uma oposição verdadeira de direita em Portugal. Na segurança, na Justiça, no emprego, na imigração, no ensino, no marxismo cultural, nas escolas públicas. Isso levou as pessoas a níveis de abstenção históricos. Nas últimas eleições europeias, em 2014, houve uma abstenção superior a 65%. Significa que mais da metade das pessoas querem sair do sistema político. É isso que nós queremos mudar. Nós temos de ir a essas pessoas, dizer que vale a pena votar e que o voto deles conta e que vai contar desta vez. E é esse o nosso esforço.  Não é ir a buscar, também, mas não é fundamentalmente buscar os que votam nesses partidos há 30, 40 ou 50 anos. É ir buscar aqueles que não votam. É ir buscar quem está descontente com o sistema e que quer um sistema diferente. É por isto que o Chega existe.

Marco Zero – O senhor tem sido criticado por parte da imprensa e por figuras de ambos os espectros políticos por ter um discurso xenófobo, homofóbico e fascista, atribuindo-lhe a condição de extrema-direita. No entanto, o senhor nega esse rótulo. Por quê?

André Ventura – O que chamarem de extrema-direita ou de não extrema-direita é muito pouco importante. Eu nasci já no pós-25 de Abril, pós-Revolução dos Cravos. O meu pai lutou em África por causa do regime anterior ao 25 de Abril. Mandado para lá por causa do regime anterior ao 25 de Abril.  E toda a minha família sofreu com o regime ditatorial que tivemos em Portugal. Então, ninguém me dá lições sobre fascismo e sobre extrema-direita. Agora, defender penas mais pesadas é ser de extrema-direita? Defender que os pedófilos devem ser quimicamente castrados é ser de extrema-direita? Bom, então, nesse caso, se querem, eu sou de extrema-direita. O que eu não aceito é que isto seja extrema-direita. Hoje o que esta esquerda conseguiu é que qualquer coisa que seja diferente, que seja mais agressiva, é considerada extrema-direita. É para porem medos nas pessoas. Medo. E nós não vamos aceitar isso.  Portanto, nós queremos prisão perpétua? Queremos, como já há em outros Estados da Europa. Nós queremos a castração química dos pedófilos? Queremos. Nós queremos fronteiras europeias controladas. Hoje, se você for pela Europa, qualquer pessoa entra, de qualquer maneira. Se chega ali na zona externa da União Europeia – e Portugal é uma das fronteiras, há outras -, entra-se de qualquer maneira. E, depois, estamos à espera que as pessoas se integrem por si próprias. Não se integram por si próprias. Põem a receber subsídios em casas em bairros de subúrbios das grandes cidades – Lisboa, Madri, Munique, Londres, Paris – e o que é que acontece? As pessoas se sentem desapoiadas, desintegradas e algumas delas radicalizam-se. Isto é problemático para o terrorismo que temos hoje.  Portanto, se isso é ser de extrema-direita, nós somos de extrema-direita, não temos nenhum problema com isso. A nós, não nos dão lições de fascismo nem de revisionismo histórico. Nós somos democratas. É por isso que nos apresentamos às eleições. Temos as funções diferentes. O sistema não gosta, mas vai ter que viver conosco a partir de agora.

Marco ZeroÉ muito similar isso que o senhor tem colocado com o que o presidente Jair Bolsonaro fala no Brasil. Qual a sua opinião sobre ele e como tem visto estes quatro primeiros meses de mandato?

André Ventura - Eu e o presidente Bolsonaro temos sido muito comparados.

Marco ZeroEstão lhe chamando lá de Bolsoluso.

André Ventura – Mas são estilos completamente diferentes, temos percursos profissionais completamente diferentes. Há uma coisa em que eu acho que o presidente Bolsonaro tem mérito: disse aquilo que não era politicamente, com um estilo às vezes um pouco exagerado, em minha opinião, mas conseguiu mostrar ao povo brasileiro que é possível fazer política fora do mainstream dos interesses instalados. E isso é o que eu acho o mais importante. É o mérito que eu dou ao presidente Bolsonaro: a capacidade de ter enfrentado os interesses instalados, de ter enfrentado inclusive aos partidos do sistema, enfrentado à Justiça, aos grandes interesses econômicos e ter dito: “A partir de agora, vai ser tudo diferente”. Já vi dados do Brasil que o número de homicídios baixou, que, em termos de segurança, as coisas estão melhores. Em termos de economia, está a melhor um bocadinho. Acho que  o presidente Bolsonaro tem condições de fazer um bom trabalho e é isto que eu espero que faça. Agora, temos estilos muito diferentes. Não sou o Bolsonaro português nem ele será o André Ventura brasileiro.

Marco ZeroE o senhor aspira algum dia chegar à cadeira de primeiro-ministro?

André Ventura – Esse é o nosso objetivo: ganhar as eleições. Estamos no início, as sondagens nos apontam bons resultados, mas só no dia das eleições é que podemos comprovar estes resultados efetivamente existem. Para já, nós queremos chegar ao Parlamento nacional, começar a fazer mudanças legislativas e políticas para daqui a quatro anos podermos chegar ao comando da nação e fazer as mudanças que Portugal precisa. Portugal e a Europa. Neste momento, não faz sentido falar de Portugal sem falar da Europa.  A Europa precisa de fortes mudanças em nível interno e é isto também que queremos.

Marco ZeroO senhor também propõe a diminuição do número de cadeiras na Assembleia da República. O senhor crê que esta é uma proposta factível, uma vez que deve dialogar com outros deputados para levá-la a cabo?

André Ventura – Procuraremos fazê-lo. Nós temos um Parlamento com 230 deputados. Completamente desnecessário.

Marco ZeroMas o fato de Portugal não ter Senado…

André Ventura – É um fator comparativo, porque outros países têm Senado e, portanto, aumenta o número de representantes. Nós não temos. Mas temos a Assembleia Legislativa Regional dos Açores e da Madeira, são mais dois Parlamentos, na verdade. Mas os deputados do continente, vamos dizer assim, são 230. Isto significa que temos um número de deputados superior à Bélgica, por exemplo.  Ou à Holanda, que tem uma população muito superior à nossa. Mas, independentemente disso, a questão não é a comparação. É que são inúteis. Você vai ver: muitos deles não fizeram uma intervenção em um ano. Uma! Para estarem sentados e a levantarem a mão e a abaixarem a mão, e, na maior parte das vezes, não aparecerem, não vale a pena estarem lá, não vale a pena estarmos a pagar-lhe os salários. Prefiro dar o salário deles a ajudar instituições que apoiam os mais pobres. Agora, estarem 230 pessoas que não servem absolutamente para nada, vamos reduzir para 100. E cem servem perfeitamente, não é preciso mais.

Marco ZeroComo o senhor avalia a investigação do Ministério Público a respeito de supostas fraudes no recolhimento de assinaturas para a formalização do Chega?

André Ventura – É muito simples: fomos nós próprios que pedimos ao Ministério Público que investigasse, logo que fomos confrontados com esta situação. Por uma razão simples: nos entregaram assinaturas que não são verdadeiras.  Como é que esse processo funciona? Milhares de assinaturas vieram-nos pelo correio, outras milhares vieram-nos por voluntários e promotores que estavam pelo país todo, na rua…

Marco ZeroSimpatizantes, no caso.

André Ventura – Sim, simpatizantes. O que isto significa? Que alguém ou um grupo de pessoas nos enviou assinaturas que não eram verdadeiras.  E, portanto, fez isso com que motivos, com que razões? É isto que o Ministério Público agora tem que investigar e fomos nós próprios que pedimos ao Ministério Público para investigar. Portanto, queremos saber quem nos entregou estas assinaturas e por que motivo para que possamos também puni-lo na esfera judicial.

Marco ZeroUma vez que o senhor defende esta questão da lisura na política…

André Ventura – Evidente! Nem fazia sentido nós pedirmos justiça e deixarmos passar processos dessa natureza, porque isso mostra um nível muito básico e baixo de política. Assinaturas que não existem, de pessoas que já morreram. Temos que saber quem nos entregou estas assinaturas. Uma assinatura ou duas, é engano. Centenas não são engano. Centenas foram deliberadamente entregues.  Nós queremos saber por quê. Agora, repara, não fazia sentido sermos nós próprios a fazermos isso. Até porque o Tribunal (Constitucional) notificou-nos disso e nós, em quatro dias, juntamos mais 2 mil ou 3 mil assinaturas. Não estávamos com falta de assinaturas. Aliás, muitas mais nos chegaram nestes últimos dias pelo correio que já não são mais precisas. O que queremos agora é punir severamente quem quer que tenha feito isso assim que as autoridades descobrirem quem foi porque é muito difícil efetivamente identificar quem são estas pessoas.

Marco ZeroEu tenho mais duas perguntas. Uma delas é com relação ao financiamento da sua campanha. O senhor previu um gasto de 500 mil euros. Algumas pessoas têm questionado a origem destes recursos, se vêm de fora. Eu gostaria que o senhor esclarecesse isso.

Andŕe Ventura – É muito simples. O orçamento que é apresentado é uma estimativa, uma previsão. Em que nós estamos a assentar a maior parte dos nossos fundos? Em angariação de fundos. Estamos a lançar uma campanha nesse final muito forte de angariação de fundos. As pessoas estão a contribuir. Tivemos já três comícios, todos eles completamente cheios. Vamos amanhã a um outro, em Setúbal, completamente esgotado já de gente. As pessoas estão fartas do sistema. Querem uma mudança. Estão dispostas a contribuir. Daí nós previrmos este nível de colaboração e este nível de contribuição. É apenas uma estimativa. No final, entregaremos todos os documentos: quanto nós recebemos, quanto nós gastamos e tudo isso. O que não posso aceitar são suspeitas de que estamos sendo financiados pelos Estados Unidos, por movimentos nacionalistas europeus, por Steve Bannon…

Marco Zero – Pelo Irã…

André Ventura – Isto é o que eu não posso aceitar. Nós negamos isto veementemente. Não há um cêntimo anônimo nem um cêntimo estrangeiro nesta campanha.

Marco ZeroO senhor já declarou que diz em público o que as pessoas dizem nos cafés. O que os portugueses dizem nos cafés, mas não têm coragem de dizer em público?

André Ventura – Que os pedófilos devem ser castrados quimicamente. Dizem nos cafés e não são capazes de dizer em público. Que os presos devem ser punidos a sério e que a prisão não deveria ser um hotel de três ou quatro estrelas. Não dizem em público. Que a comunidade cigana não cumpre as regras do Estado de direito e que deveria, uma grande parte da comunidade cigana. Estas são coisas que eu vou continuar a dizer mesmo que me encham de processos atrás de processos. Há um momento na vida que temos que fazer opções. Tenho uma vida pessoal, profissional, familiar etc, mas há um momento em que nós temos que dizer que a missão que temos é maior do que o que podemos sofrer. E a minha missão, a nossa missão, neste momento, em Portugal e na Europa, é muito maior do que a nossa própria vida. Nós não vamos desistir até conseguirmos ganhar. Podem nos prender, podem nos botar processos, podem fazer o que quiserem. Nós não vamos desistir até arrasarmos o sistema português e o sistema europeu de governação.

Marco Zero - Os brasileiros que moram em Portugal têm algo a temer com a sua ascensão?

André Ventura – Não.  Nada. Até porque, no início, e acho que isto depois vai ser público, das nossas comunidades no estrangeiro e as comunidades estrangeiras que mais se aproximaram do Chega, foram comunidades brasileiras, quer residente em Portugal, quer a comunidade brasileira vivendo no Brasil. Aliás, nós temos pessoas que nos ajudam em pequenas coisas, como marketing e campanha digital, e são brasileiros que se identificam conosco e querem ajudar e participar. Não podem ajudar financeiramente porque a lei não permite. Mas querem dar seu corpo e seu manifesto. A comunidade brasileira não é o nosso problema. Nosso problema são as grande comunidades marginais que vivem em volta das grandes cidades e que continuam a querer viver à custa dos impostos dos contribuintes. E que querem continuar a viver isolados numa ilha, como se não houvesse regras para eles. É isto que nós não queremos. A grande maioria dos brasileiros que vêm para Portugal, assim como os portugueses que vão para o Brasil, vão para trabalhar e para juntar dinheiro e para se integrar. Os brasileiros não têm nada a temer com a nossa vitória. Pelo contrário: acho que têm muito a ganhar.

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Sobre o autor

Formado em Jornalismo na Unicap, aprendeu mesmo o ofício como repórter de polícia do Diário Popular (SP) . Passou pela sucursal paulista de 'O Globo' e 'Diário de Pernambuco'. Ganhou os prêmios Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos, Cristina Tavares, Ayrton Senna de Jornalismo e menção honrosa no Ibero-Americano de Jornalismo pelos Direitos da infância. Saiu das redações para ser secretário de Comunicação de Olinda. Em seguida, foi oficial e consultor de comunicação do UNICEF, assessor de imprensa pouco inspirado na secretaria de Ciência e Tecnologia de PE. Também viu de perto os intestinos do futebol como diretor de Comunicação do Santa Cruz F.C. Publicou a novela 'Terezas' (2017), uma trilogia de crônicas de futebol com Samarone Lima (2013-2014) e dois livros de entrevistas e memória com a cineasta Tuca Siqueira (2009 e 2014). É casado com uma mulher que ama desde a adolescência e tem três filhos.

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