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Mais um carnaval em que choveram relatos de agressões sem motivo a foliões e uso desmedido da força policial em blocos e shows. Em Olinda, uma mulher denunciou nas redes sociais que estava andando na Rua do Sol com a família quando, do nada, levou um tapão no peito de um policial militar. Em vídeos feitos no tradicionalíssimo O Homem da Meia-Noite, policiais militares apareceram usando os cacetetes indiscriminadamente, acertando quem passasse por perto. Violência semelhante ocorreu no show do rapper Djonga, no festival Rec-Beat, no Recife Antigo, na noite de terça-feira (17).
Em nota de repúdio, o festival afirmou que não houve nenhum incidente até a intervenção policial, se solidarizou com as vítimas e disse que a “garantia de segurança pública deve estar alinhada ao respeito aos direitos fundamentais, à integridade física das pessoas e à preservação do caráter cultural e democrático de um evento dessa magnitude”.
O cantor Djonga também se manifestou nas redes sociais. “Eu avisei, com todo o respeito, que o show era assim mesmo. Depois de certa resistência e alguns empurrões na galera, eles saíram. Fui para o público e fiz o de sempre. Mas, no final, depois que saí do palco, começaram a agredir meus fãs numa postura que não tem nada a ver com o cumprimento da lei. Eu não vi nada de errado acontecendo, mas, se tivesse, o certo não era agredir, né?”, questionou.
Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, o Governo do Estado apresentou o balanço do carnaval. “Foi o Carnaval mais seguro de todos os tempos”, afirmou o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho. De acordo com o balanço da pasta, houve redução de 17,9% nas ocorrências gerais e redução de 16,8% nos furtos nos focos de folia. Os homicídios diminuíram 5%: 57 homicídios no Estado, o menor número de toda a série histórica, iniciada há 22 anos, segundo a SDS. Também houve uma redução de 40,1% nos assaltos entre a quinta (12) e a terça-feira (17) e redução de 51% no roubo de celulares.
O reconhecimento facial, que foi implementado em 2024, neste ano ajudou em três prisões no Galo da Madrugada e no Recife Antigo. Os presos, de acordo com a pasta, eram pessoas que eram procuradas por homicídio, tráfico de drogas e furto.
Sobre o uso desmedido da força por parte dos PMs, o secretário afirmou que “o Governo do Estado, a Secretaria (de Defesa Social) e a Polícia Militar não coadunam com nenhum tipo de excesso, nenhum tipo de violência. Eu tomei conhecimento de alguns fatos, só que as imagens que nos chegam ou que foram publicadas em redes sociais já mostram o momento da intervenção, não mostram o que aconteceu antes”, contemporizou. Neste ano, três mil novos policiais, os chamados “laranjinhas”, estavam nas ruas: foram justamente PMs com bonés laranjas que estavam envolvidos nas agressões no festival.
Sobre o caso do Rec-Beat, ele informou que até a manhã de hoje a corregedoria não havia recebido ainda uma denúncia formal, mas uma investigação para apurar as agressões já foi iniciada. “Eu determinei à corregedoria da Secretaria de Defesa Social que instaurasse um procedimento. Então, nós vamos apurar, como nós sempre fazemos, para entender o que ocorreu e se houve excesso do grupo ou do policial e se não há uma justificativa, porque a força tem que ser utilizada até cessar uma agressão que esteja ocorrendo. Se houve excesso, o policial vai responder por esse excesso”, disse.
O secretário também afirmou que houve mais registros formais de violência contra policiais do que os praticados por eles. Segundo a pasta, foram 13 boletins de ocorrência que foram registrados no Carnaval tendo policiais como vítimas de agressões.
Em entrevista para a Marco Zero, o delegado Daniel Silvestre, da Corregedoria Geral da SDS, afirmou que só três denúncias contra policiais foram formalmente registradas durante o carnaval. Outras duas – a da mulher e a do Rec-Beat, citadas no começo dessa matéria – também estão sendo apuradas, já que foram expostas publicamente.
As três denúncias formais não foram divulgadas, para proteger a identidade das vítimas. “Não estou com os números exatos aqui, mas houve uma diminuição da quantidade de registros de ocorrências (contra policiais) em relação ao ano passado. Ainda podemos receber outras denúncias, mas com os números que temos até o momento, há uma redução de casos de violência praticados por policiais e um aumento dos casos de policiais como vítima”, afirmou o delegado.
Para fazer denúncias contra policiais, a vítima deve procurar a corregedoria na Avenida Conde da Boa Vista, 428, na Boa Vista. Também pode ligar para o número 3184-2756. A corregedoria afirma que garante o anonimato das vítimas.
Jornalista pela UFPE. Fez carreira no Diario de Pernambuco, onde foi de estagiária a editora do site, com passagem pelo caderno de cultura. Contribuiu para veículos como Correio Braziliense, O Globo e Revista Continente. Contato: carolsantos@marcozero.org