Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar

Jeniffer Oliveira / 24/07/2026
A imagem mostra duas pessoas em uma área alagada e cheia de lama, próximas a um muro desgastado com cartazes antigos. Uma delas, uma mulher de blusa e guarda-chuva azul que caminha no alagamento, enquanto a outra, um homem de blusa listrada e bermuda carrega uma bolsa infantil.

Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero

Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.

O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.

Trecho da Carta Manifesto

“As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores”.

Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.

O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.

A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”.

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Jeniffer Oliveira

Jornalista formada pelo Centro Universitário Aeso Barros Melo (UNIAESO). Contato: jeniffer@marcozero.org.