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Câmara do Recife rejeita projeto que proibia uso de “todes” e “querides” nas escolas da cidade

Inácio França / 29/05/2023
Ativistas do movimento LGBTQIA+ fazem bandeiraço com as bandeiras com as cores do arco-íris na ponte Duarte Coelho, centro do Recife, tendo edifícios da avenida Guararapes ao fundo.

Crédito: Beto Figueiroa

Em meio a uma discussão bastante parecida com a da semana passada, a Câmara Municipal do Recife realizou a segunda votação do projeto de lei que tentava proibir estudantes e professores de usarem a linguagem neutra em todas as escolas da capital pernambucana. Ao contrário do que aconteceu na terça-feira, 23 de maio, desta vez a proposta do vereador Fred Ferreira (PSC) foi rejeitada por 20 votos a 13, marcando mais uma derrota da agenda de costumes da extrema-direita no legislativo municipal.

A segunda votação não teve tantos momentos bizarros como na primeira. Mesmo assim, na esperança de convencer seus colegas da suposta ameaça que o uso de “todes” e “querides” representariam para as crianças, o autor da proposta reciclou a surrada mentira da falsa cartilha que ensinaria crianças de cinco anos a se masturbarem.

Ivan Moraes (PSOL), Cida Pedrosa (PCdoB), Osmar Ricardo (PT) e Liana Cirne (PT) voltaram a usar os microfones para atacar o projeto, mas o fator determinante para a mudança no placar de votação teria sido a atuação nos bastidores do líder do PSB, Rinaldo Júnior, convocando a bancada governista a comparecer ao plenário e votar contra o projeto.

A única abstenção foi de Aline Mariano (PP). Muito irritada, a vereadora explicou que se abstinha de votar porque aquele projeto não deveria nem ter chegado ao plenário, tanto pela irrelevância quanto pela inconstitucionalidade: “A comissão de Legislação e Justiça deveria ter banido esse projeto de lei. Essa discussão toda foi uma perda de tempo, esse tema não é da alçada do município, mas sim do Congresso Nacional”.

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AUTOR
Foto Inácio França
Inácio França

Jornalista e escritor. É o diretor de Conteúdo da MZ.