Crédito: Arquivo Fetaepe/2019

Trabalhadores e trabalhadoras do setor canavieiro da zona da mata de Pernambuco realizam neste domingo, 12 de setembro, assembleia geral para dar início à campanha salarial de 2021. A convenção acontecerá simultaneamente nas sedes dos sindicatos e nas chamadas “frentes de serviços” das usinas ou engenhos, e poderá envolver cerca de 45 mil pessoas que trabalham no corte da cana-de-açúcar, em 42 municípios da região. A mobilização dos canavieiros e canavieiras é, historicamente, uma das mais importantes do estado: a luta dessa categoria nas Ligas Camponesas, nos anos 1950, ajudou a moldar tanto o movimento sindical em Pernambuco quanto os movimentos sociais de trabalhadores sem terra no país.

Este ano, categoria votará o reajuste salarial de R$ 1.119 para R$ 1.280 e o aumento do piso salarial de R$ 19 para R$ 55 por hora trabalhada. De acordo com a convenção coletiva, esses profissionais assalariados têm direito a uma cesta básica mensal, atualmente os patrões pagam R$ 60 pelo kit, mas a partir do ano que vem os canavieiros e as canavieiras esperam receber R$ 85. Por “piso salarial”, entenda-se o valor acrescido ao salário para compensar a perda de 20% que a categoria recebia no reajuste em janeiro do salário mínimo, mas que foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O trabalhador e a trabalhadora rural assalariada não parou um dia sequer na pandemia e foi uma das categorias que ajudou a gerar a economia desse país mesmo correndo o risco de se contaminar. Há 42 anos estamos lutando e resistindo, e vamos para mais uma campanha com o grande desafio de manter as nossas conquistas”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetaepe), Gilvan Antunis.

Além de votarem por ganhos que contemplem ao menos a reposição da inflação, os canavieiros e as canavieiras também devem deliberar a respeito do cumprimento dos protocolos e orientações sanitárias de prevenção à covid-19, por parte do patronato. Segundo a Fetaepe, haverá a votação sobre a garantia de equipamentos de proteção individual (EPIs), transporte seguro para os trabalhadores, a ampliação do número de mulheres contratadas e o combate ao uso de agrotóxicos.

“O setor vive um grande desafio em Pernambuco que é a terceirização fraudulenta de trabalhadores. Essas empresas terceirizadas não têm honrado com a nossa convenção coletiva, não entregam EPIs, não pagam o 13º salário nem a rescisão no encerramento dos contratos. Falta transporte adequado e até água para esses canavieiros e essas camavieiras”, explicou Antunis.

Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.

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