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	<title>Arquivos Destaque - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:16:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Destaque - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A declaração de Lula e os genocídios lembrados ou esquecidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 19:19:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Anderson Barbosa* No momento em que começo a escrever esse artigo quase 30 mil palestinos já foram assassinados pelo Estado de Israel. Entre eles, mais de 12 mil crianças. Mais de 1 milhão de pessoas foram expulsas de suas casas e se espremem em campos de refugiados improvisados, sofrendo a angústia de poderem ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Anderson Barbosa*</strong></p>



<p>No momento em que começo a escrever esse artigo quase 30 mil palestinos já foram assassinados pelo Estado de Israel. Entre eles, mais de 12 mil crianças. Mais de 1 milhão de pessoas foram expulsas de suas casas e se espremem em campos de refugiados improvisados, sofrendo a angústia de poderem ser as próximas vítimas dos bombardeios israelenses, ao mesmo tempo em que sofrem com a escassez quase completa de alimentos, sendo muitas vezes obrigadas a comer ração animal para não morrer de fome ou beber água poluída para não morrer de sede. Mais de 300 instalações de saúde foram atacadas e praticamente não existem mais locais para onde levar os feridos e doentes. E, mesmo quando existem ou existiam, não raras vezes as ambulâncias são impedidas por tanques de guerra ou por bombardeios de prestarem socorro às vítimas.</p>



<p>No momento em que você estiver lendo certamente os números acima já estarão desatualizados. É provável que já estejam mesmo agora, já que nem todas as vítimas e corpos puderam ser resgatados dos escombros e o número de assassinados tem tudo para ser muito maior que o oficial, registrado tanto pelas autoridades palestinas quanto pela Organização Mundial de Saúde.</p>



<p>Esse é o drama atual do povo palestino, ou melhor, é parte dele, já que minhas palavras são insuficientes para descrever o tamanho das atrocidades que estão sendo cometidas na Faixa de Gaza nos últimos quatro meses. Você pode chamar a isso pelo nome que quiser, mas isso não muda a realidade do que está acontecendo. A África do Sul chamou de genocídio e denunciou Israel na Corte Internacional de Justiça por isso. O Brasil, corretamente, endossou a acusação. No último 18 de fevereiro, o presidente Lula, de forma corajosa e correta, chamou novamente assim com todas as letras.</p>



<p>A verdade certamente dói aos ouvidos daqueles que idolatram a mentira. E de forma completamente esperada reagiram eles furiosamente à declaração de Lula. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o genocida carniceiro de Gaza, obviamente esperneou e, como é habitual, distorceu a declaração de Lula. Para surpresa de ninguém utilizou a carta curinga que utiliza toda vez que seus crimes são denunciados e expostos: acusou Lula de antissemitismo. Acusou Lula de minimizar o holocausto judeu. Obviamente mentiu, já que em nenhum momento Lula fez isso.</p>



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	                                        <p class="m-0">Presidente Lula durante a cerimônia de Abertura da 37º Cúpula da União Africana, na Etiópia. Foto: Ricardo Stuckert/PR</p>
	                
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<p>Curiosa essa acusação de Netanyahu contra Lula, já que minimizar os crimes dos nazistas foi exatamente algo que o próprio Netanyahu fez alguns anos atrás: “Hitler não queria exterminar os judeus na época”. Estas foram as exatas palavras proferidas pelo genocida Netanyahu. <a href="https://youtu.be/f9HmkRYlVZw?feature=shared">Declaração que pode ser facilmente conferida clicando aqui</a>.</p>



<p>À reação do carniceiro de Gaza juntou-se a de seus vassalos na mídia brasileira, assim como na extrema-direita bolsonarista. O mesmo segmento da mídia que se escandaliza com a fala de Lula mas oculta ou minimiza e justifica o assassinato de mais de 12 mil crianças palestinas. A mesma extrema-direita que não se escandalizou quando Bolsonaro se encontrou e tirou foto sorridente ao lado da líder do partido neonazista da Alemanha, Beatrix Von Storch.<br>Mas a hipocrisia dos citados acima já é velha conhecida e não merece mais consideração do que já foi dada aqui. Vamos tratar da declaração de Lula.</p>



<p>O genocídio que vitimou os judeus certamente é algo que deve horrorizar a humanidade e que deve ser sempre lembrado com repulsa.</p>



<p>Mas infelizmente ele não foi o primeiro nem o maior da História. Em termos de escala de mortos o genocídio dos povos originários na América foi muito maior. Não foi o primeiro nem o maior nem mesmo do século passado. No início do século XX, pelo menos dez milhões de congoleses foram exterminados sob o comando do rei da Bélgica, Leopoldo II. Sobre o genocídio do povo congolês é possível dizer que choca não só a brutalidade do acontecimento em si, mas o fato dele ser frequentemente esquecido ou ignorado. E talvez por isso mesmo ele guarde mais semelhanças com o atual genocídio em Gaza. Mas voltemos a isso mais à frente.</p>



<p>Mas antes é preciso dizer que, evidentemente, não se trata aqui de fazer uma competição ou ranqueamento sobre qual povo sofreu mais. Sob determinado aspecto e dimensão a dor e o sofrimento de cada povo é único e incomparável a qualquer outro, assim como são a dor e o sofrimento de cada indivíduo. Há algo individual e particular na dor que é impossível mensurar externamente. Mas certamente há ali também algo de geral e universal e é exatamente isto que torna possível nossa empatia por quem sofre. Entre os povos algo semelhante acontece. E se é verdade que a tragédia de cada povo guarda particularidades que só podem ser compreendidas conhecendo profundamente este povo. É verdade também que há um aspecto ou dimensão geral, onde não só é possível mas é necessário comparar ou equiparar tal sofrimento. Aliás, é precisamente porque é possível comparar e equiparar esses episódios é que podemos chamar a todos eles pelo mesmo termo: genocídio.</p>



<p>Os povos indígenas da América, o povo congolês, os judeus foram igualmente vítimas de genocídios. E assim como se deve evitar a comparação sobre quem desses povos sofreu mais ou menos, deve-se igualmente evitar a seletividade de alguns que só conseguem enxergar em um deles a qualificação de vítimas de genocídio.</p>



<p>Não coincidentemente, é essa mesma seletividade que impede estas pessoas de enxergar que o que acontece hoje na Palestina é um genocídio. É essa seletividade que faz com que essas pessoas quando falam do holocausto como o maior genocídio da História, esqueçam ou ignorem que mais de dez milhões de congoleses foram assassinados pelo governo belga no mesmo século.</p>



<p>Os métodos de limpeza étnica, de extermínio com base no critério racial entre todos esses casos são basicamente os mesmos. Na comparação entre o genocídio do povo judeu e o atual do povo palestino há ainda a semelhança entre os campos de concentração. E no que Israel tornou a Faixa de Gaza, senão num gigantesco campo de concentração? Os palestinos vivem hoje sob um regime brutal de colonização e apartheid, muito semelhante ao qual foram submetidos os judeus pelos nazistas. Os palestinos são vítimas inclusive de experimentos para as armas israelenses ou até de roubo de seus cadáveres pelo exército israelense para serem levados a laboratórios. Mesmos métodos empregados pelo regime nazista contra os judeus.</p>



<p>Mas certamente para as pessoas que compartilham dessa seletividade é conveniente esquecer ou minimizar genocídios e massacres na África, Ásia ou América. Para elas, as vidas que de fato importam e merecem ser lembradas são as dos europeus e/ou brancos. E elas acreditam realmente nisso ainda que não percebam.</p>



<p>É precisamente isso que as impede de se comover de fato com a dor e o sofrimento do povo palestino. Os palestinos não são europeus nem são majoritariamente brancos. Os palestinos pertencem à mesma categoria de seres humanos a qual pertencem os congoleses. A categoria daqueles por quem a empatia deve ser, no máximo, passageira. Daqueles cujo sofrimento não merece jamais ser comparado ou equiparado ao de europeus e/ou outras populações majoritariamente brancas.</p>



<p>E quem ousar fazer diferente disso deve ser alvo de toda a ira da civilização ocidental. Lula ousou dizer a verdade. Talvez mais que isso: ousou elevar palestinos à categoria de seres humanos iguais aos filhos do ocidente. E portanto, a ele deve ser destinado todo o ódio e fúria dos que se dizem porta-vozes da civilização ocidental.</p>



<p><strong>*Professor de História licenciado pela UFPE</strong></p>



<p><br><br></p>
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		<title>Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-recua-e-adia-reuniao-do-orgao-que-decide-aumento-da-tarifa-de-onibus-do-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 14:28:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de valor da tarifa de ônibus, já que a pauta ainda não foi divulgada. “Fica remarcada para o dia 22/02 (quarta-feira) às 08:30h, em primeira convocação, e às 09:00h, em segunda convocação”, avisou.</p>



<p>O CSTM justificou o motivo. “Nem todos os conselheiros confirmaram o recebimento da convocação (encaminhada em 25/01) para a data anteriormente designada, o que poderia comprometer a representatividade e eficácia dos trabalhos do conselho”. Os representantes também se comprometeram a enviar o conteúdo da pauta com antecedência. </p>



<p>Na quarta-feira (7), antes da assinatura do ofício que reviu a decisão, a Marco Zero Conteúdo publicou matéria avisando da reunião do CSTM &#8211; a primeira do governo Raquel Lyra (PSDB) &#8211; para a sexta-feira (9), um dia depois da abertura oficial do Carnaval de Recife e Olinda. A reunião havia sido convocada pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, considerado pessoa de confiança da governadora, com quem já trabalhou em Caruaru.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/" class="titulo">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a>
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		            </div>
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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		<title>Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:16:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. De acordo com o ofício de convocação, o encontro está marcado para acontecer de forma virtual e sem pauta definida previamente. O documento é assinado pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, também presidente do Conselho. Detalhe: esta será a primeira reunião em mais de um ano do governo Raquel Lyra (PSDB).</p>



<p>O CSTM é formado por representantes dos poderes Executivo e Legislativo de Pernambuco, das prefeituras e câmaras municipais de Recife e Olinda, donos de empresas de ônibus e segmentos de usuários. Ao todo, são 25 conselheiros. A sociedade civil indica apenas oito cadeiras, menos de um terço do colegiado. Dois dos conselheiros, Pedro Josephi e Márcio Morais, entraram com pedido administrativo de remarcação do encontro.</p>



<p>“Considerando que, durante o ano inteiro de 2023, não houve convocação e nem reuniões ordinárias ou extraordinárias deste Conselho; considerando que, após inquéritos civis abertos no Ministério Público estadual, o CSTM se comprometeu a apresentar um calendário de reuniões periódicas, como determina o regimento e a legislação aplicada”, argumenta trecho do documento em favor do reagendamento da reunião.</p>



<p>O presidente do órgão ainda não respondeu sobre o pedido dos conselheiros e, até o momento, a reunião está mantida. Pelas regras de funcionamento do CSTM, a presidência é sempre ocupada pelo secretário estadual da pasta da área.&nbsp;</p>



<p>Pedro Josephi também é advogado. No ano passado, ele entrou com representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) questionando a não convocação de reuniões por parte do CSTM e mais outros dois pontos: a ausência de ar condicionado nos ônibus e a retirada de veículos da frota em circulação que atende a cerca de 1,8 milhão de pessoas usuárias.&nbsp;</p>



<p>A iniciativa teve desdobramentos e inquéritos civis foram instaurados pelo MPPE. “A gente teve uma primeira audiência agora em janeiro. Após isso, o governo, para dar uma resposta, resolveu convocar essa reunião. Mas sem apresentar pauta nem o que vai ser discutido e votado”, contextualiza Pedro Josephi.&nbsp;</p>



<p>O ofício circular assinado pelo secretário Diogo Bezerra foi emitido no dia 25 de janeiro. “A pauta será devidamente encaminhada nos termos do inciso IV, artigo 10 da Resolução nº 20/2016”, avisa o gestor, no documento endereçado aos demais 24 conselheiros. Na manhã de quarta-feira (7), a reportagem enviou questionamento à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura em que pergunta se a pauta já foi definida. Mas, até o momento, não recebeu resposta.</p>



<p>“A depender de qual seja, vamos judicializar para que não haja deliberação de aumento de passagem, que precisa seguir um rito de transparência e prazos. ”, informa Josephi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em 2022 o valor da tarifa subiu para R$ 4,10</strong></h2>



<p>Os governos evitam os termos reajuste ou aumento de passagem. Preferem usar o eufemismo “realinhamento tarifário”. Eufemismo é a figura de linguagem que atenua ou suaviza o impacto das palavras.&nbsp;</p>



<p>O último “realinhamento tarifário” foi aprovado em janeiro do último ano da gestão Paulo Câmara (PSB), de 9,69%. O índice fez o Anel A &#8211; utilizado por mais de 80% dos passageiros &#8211; saltar de R$ 3,75 para R$ 4,10.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/parece-um-forno-mas-e-um-onibus-o-calor-na-rotina-de-quem-usa-transporte-publico-no-grande-recife/" class="titulo">Parece um forno, mas é um ônibus: o calor na rotina de quem usa transporte público no Grande Recife</a>
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		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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		<title>Mobilizados, afoxés tentam evitar redução de apresentações no carnaval do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mobilizados-afoxes-tentam-evitar-reducao-de-apresentacoes-no-carnaval-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Feb 2024 16:10:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do prédio sede da prefeitura, onde se reuniu com o secretário municipal de Cultura, Ricardo Mello, para pleitear maior espaço na grade.&nbsp;</p>



<p>A movimentação dos grupos com atuação no Grande Recife surtiu algum efeito. A gestão acenou com a possibilidade de cada afoxé voltar a ter, ao menos, duas apresentações individuais este ano. “Isso foi o que ficou como possibilidade de resposta (da gestão). Mas precisamos coadunar mais força”, disse, num vídeo selfie, Fabiano Santos, presidente do Alafin Oyó, sediado em Olinda. O grupo foi um dos que tiveram o espaço reduzido para apenas uma apresentação, no polo de Três Carneiros, na zona sul do Recife. </p>





<p>Fundador e presidente do Ará Omin, sediado em Nova Descoberta, zona norte da cidade, Lourival Santos avalia como prejudicial a redução do espaço da linguagem da cultura popular. “É prejudicial porque o trabalho de um afoxé é o ano todo. Na nossa comunidade, além das oficinas gratuitas de percussão e dança, fazemos campanhas solidárias. Um afoxé é mais do que um grupo cultural, é uma forma de organização social, um quilombo”, avalia.</p>



<p>O Ará Omin fez duas apresentações individuais ano passado, para além da presença no Ubuntu, que reúne todos os grupos para abrir o Carnaval na quinta-feira à tarde no Bairro do Recife. Este ano, pela programação oficial divulgada, teria uma só apresentação, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, na zona sul.</p>



<p>No Recife, o afoxé é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial desde 2022, por conta da aprovação pela Câmara Municipal de um projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL). No ano passado, a União dos Afoxés de Pernambuco pediu ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o reconhecimento da linguagem também como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, o que ainda está em análise.</p>



<p>Procurada pela reportagem, a gestão informou que novos afoxés foram habilitados no edital do Carnaval 2024, assim como novos representantes das demais linguagens da cultura popular. “O esforço da gestão é para conseguir contemplar na programação dos 49 polos a maior quantidade possível de grupos culturais, seja afoxés, maracatus, grupos de dança, tribos, caboclinhos, orquestras, escolas de samba e demais linguagens”.&nbsp;</p>



<p>Para este ano, a Secretaria e a Fundação de Cultura do Recife destacam que quatro afoxés passaram a integrar a cerimônia do Ubuntu, totalizando 29 grupos. “Cada um deles recebe R$ 25 mil por essas participações. Para além delas, os afoxés também integram a programação de chão de polos centralizados, descentralizados, infantis, corredores da folia e o Circuito de Pátio a Pátio”.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plano Recife Matriz da Cultura Popular</strong></h2>



<p>Lançado em dezembro do ano passado, no Teatro Santa Isabel, o Plano pretende garantir até R$ 17 milhões de investimento municipal nos próximos dois anos, a partir do redesenho de mecanismos já existentes, como subvenções, premiações, cachês e editais. “A gente lança um movimento para mostrar a matriz da nossa cultura popular e poder trazer uma nova releitura, entender o contemporâneo, sem perder a nossa essência”, disse o prefeito João Campos (PSB), no evento de lançamento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinte e nove afoxés participarão do Ubuntu, cerimônia de blocos afro na abertura do carnaval do Recife. Crédito: Camila Leão/PCR</p>
	                
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>. </p>
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		<title>Selo orgânico e agroflorestas: a experiência que está transformando quintais quilombolas no Piauí</title>
		<link>https://marcozero.org/selo-organico-e-agroflorestas-a-experiencia-que-esta-transformando-quintais-quilombolas-no-piaui/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 21:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luan Matheus Santana e Tânia Martins, do Ocorre Diário*Projeto Redação Nordeste** A paisagem árida da Caatinga pode até enganar quem não é daqui. Mas, nesse chão de solos argilosos, rasos e pedregosos, há também uma grande quantidade de minerais que fazem desse bioma um território fértrtil para o plantio. Quem vive nessas terras há [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Luan Matheus Santana e Tânia Martins, do <a href="https://ocorrediario.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ocorre Diário</a>*<br>Projeto Redação Nordeste**</strong><br></p>



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<p>A paisagem árida da Caatinga pode até enganar quem não é daqui. Mas, nesse chão de solos argilosos, rasos e pedregosos, há também uma grande quantidade de minerais que fazem desse bioma um território fértrtil para o plantio. Quem vive nessas terras há muito tempo sabe disso, mas sabe também que, além do manejo adequado, é preciso saber conversar com a Caatinga. Porque aqui, como nos ensinou o mestre Antônio Bispo dos Santos (falecido em dezembro de 2023), é terra de “biointeração”, onde todos os seres são importantes, se conectam e se interrelacionam.&nbsp;</p>



<p>É nesse contexto que, na comunidade Queimada da Onça, localizada no Quilombo Lagoas, no município de São Lourenço do Piauí, distante 550 quilômetros de Teresina, foi plantada a primeira semente para o nascimento de uma iniciativa que busca ser o espelho para outra relação de produção agrícola no Estado, a <a href="https://www.instagram.com/apaspi.opac/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (Apaspi)</a>.&nbsp;</p>



<p>Hoje, com cerca de 170 associados distribuídos em sete municípios do sul do Piauí (São Raimundo Nonato, São Lourenço, Coronel José Dias, Canto do Buriti, Paulistana, São Francisco de Assis e Queimada Nova), a Apaspi já nasceu com o selo orgânico, expedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). É a primeira associação de agricultores do Estado a conquistar esse selo, um sistema que certifica coletivamente os produtos e agrega valor à produção.&nbsp;</p>



<p>Isso potencializou a comercialização dos produtos e consequentemente da produção. De 2019 até o ano passado, os agroecologistas do semiárido já produziram mais de 10 mil toneladas de pluma de algodão (produto resultante do processo de beneficiamento que separa a pluma do caroço do algodão) orgânico. A maior parte é vendida para uma grife francesa que produz sapatos e tênis com matéria-prima sustentável. No ano passado, a associação conseguiu comercializar 49,6 toneladas.&nbsp;</p>



<p>“O que temos aqui é um consórcio agroecológico, que associa algodão e culturas agroalimentares, como milho, feijão, gergelim, amendoim e girassol. Essas são culturas que os agricultores já vinham cultivando há muito tempo nos territórios. O que a gente fez foi um rearranjo de um desenho para que se pudesse produzir de forma sustentável, em harmonia com o meio e resiliente ao clima do semiárido. Pensamos nessa estratégia para encabeçar a agroecologia no semiárido e tem dado certo, porque conseguimos levar o debate e expandir”, afirma Gean Magalhães, quilombola agroecologista e idealizador da Apaspi.</p>



<p>A partir da produção de pluma de algodão, os agricultores extraem o caroço, que ainda serve de alimentação para pequenos animais em períodos de seca. Só no ano passado, 28 toneladas de caroços foram distribuídas entre os agricultores associados.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Agricultora Valquíria, do Piauí, mostra a produção de algodão orgânico. Do Quilombo Lagoas, ela é uma das sócias fundadoras da Apaspi. Crédito: Diaconia </p>
	                
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<p>Além disso, eles venderam a produção de gergelim, milho, feijão e girassol e também de outros alimentos destinados a programas governamentais, com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e pregões eletrônicos destinados a ofertar alimentos para os institutos federais da região.&nbsp;</p>



<p>Toda capacidade produtiva e capilaridade de comercialização de produtos são conquistas antes inimagináveis para a maioria dos agricultores e das agricultoras, mas que se fizeram possíveis graças à insistência de uma jovem mente inquieta, à época com 17 anos e hoje com 32 anos, Gean Borges.&nbsp;</p>



<p>Desde pequeno, ele se incomodava com a forma de plantio que seus pais e avós praticavam. “Não entendia por que abriam novas áreas, por que queimavam para plantar, sempre achei que aquilo estava errado”, pontua</p>



<p>Gean é nascido e criado na comunidade quilombola Queimada da Onça, na aridez do município de São Lourenço. Queimada da Onça é uma das 119 comunidades pertencentes ao Quilombo Lagoas, um território ancestral delimitado em uma área situada dentro de seis municípios no sul do Piauí. As comunidades, juntas, compõem a terceira maior população quilombola do Brasil, com 5.042 quilombolas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um quintal quilombola como vitrine</strong></h2>



<p>A Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (Apaspi) está presente em oito comunidades quilombolas do Piauí, sendo seis delas no Território Quilombola Lagoas, o maior quilombo do Piauí e o terceiro maior do Brasil, e uma no Território Quilombola Chupeiro, município de Paulistana. A produção em larga escala da associação só se tornou viável porque ela é fruto de um trabalho coletivo.&nbsp;</p>



<p>Apesar disso, foi no quintal da casa do Gean Borges que essa ideia começou a ser germinada. Filho e neto de agricultores, aprendeu com os mais velhos a gostar da roça. Sabia que era aquilo que ele queria para sua vida, mas o modo de produção —&nbsp; baseado na queimada e abertura de novas áreas — lhe incomodava.&nbsp;</p>



<p>Diante desse impasse, não viu outra opção senão buscar conhecimento para um uso mais eficiente da terra. “Queria entender como eu poderia trabalhar de forma mais sustentável. Gerar renda, mitigar os impactos desses trabalhos, porque eu vinha de um histórico familiar forte de uma cultura de desmatamento e queimada”, conta.</p>



<p>Foi então que, ao terminar o Ensino Fundamental, matriculou-se no curso Técnico de Agropecuária na Escola Agrícola da cidade de São Lourenço. “Tive professores que entenderam e me estimularam a mudar a técnica de plantio usada pelos meus antepassados. Também era necessário mitigar os impactos que o plantio convencional promoveu”, completa.</p>



<p>Foi aí que tudo mudou. No quintal da família, mesmo com certa resistência, Gean conseguiu estimular uma mudança no modo de produção e, com isso, estimular outras comunidades do Quilombo Lagoas a seguirem o caminho de plantar&nbsp; pelo Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a criarem pequenos animais, ovinos e caprinos, principalmente, no mesmo sistema. Os SAFs são formados por plantios de diversas e diferentes espécies vegetais na mesma área e ao mesmo tempo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Imagem aérea mostra o Sistema Agroflorestal na comunidade Queimada da Onça, no Quilombo Lagoas, no Piauí. Crédito: Caritas/Márcio Bigly/Misereor</p>
	                
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<p>A coragem de fazer dos sonhos uma ação foi impulsionada com apoio e projetos sociais que tornaram possível o desenvolvimento da associação. É o caso dos projetos apoiados pelas Cáritas Brasileira, pela Diaconia e pela Brazil Foundation.</p>



<p>Já em 2018, a produção foi considerada muito boa. Em 2019, começaram as comercializações, entre elas a do algodão, cultura que sempre foi tradição na região, mas que havia acabado devido à praga do inseto bicudo. Com contribuições de instituições e entidades como a Diaconia, os agricultores passaram a conhecer técnicas que dão sustentação ao solo e fortalecem as culturas produzindo de forma consorciada.&nbsp;</p>



<p>Plantaram, além do algodão, gergelim, milho, feijão, girassol e demais culturas agrícolas da dieta do sertanejo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Protagonistas de um outro modo de produção</strong></h2>



<p>Outros jovens das comunidades que integram o Quilombo Lagoas, o maior do Piauí em território, são exemplos de superação dos desafios impostos aos filhos do bioma Caatinga. Assim como Gean, acreditaram que era possível mudar o cenário de aridez, desmatamentos e queimadas em áreas férteis, produtivas e sem uso de agrotóxicos.&nbsp;</p>



<p>Valquiria Viana é uma das sócias fundadoras da Apaspi. Nascida na Lagoa das Cacas, comunidade também pertencente ao Quilombo Lagoas, a trajetória dela é semelhante à de Gean. Tudo começou a mudar ainda em 2008, quando iniciou os estudos na escola agrícola, onde passou quatro anos.&nbsp;</p>



<p>“Eu sempre trazia para a comunidade. Aprendia as técnicas e trazia para o roçado, juntamente com meu pai. Em 2011, concluí o meu curso e surgiu a ideia de montar uma associação, em 2012. Daí então a gente vem sempre trabalhando com agroecologia. Antes a gente vivia trabalhando na forma como nossos avós trabalhavam, hoje a gente reaproveita, fazendo adubação verde, não usando agrotóxicos. Antigamente a gente produzia e não tinha rendimento. Através da Apaspi, hoje a gente tem bastante oportunidade”, afirmou.</p>



<p>Se Gean e Valquiria hoje têm muitas certezas sobre os acertos que tiveram, uma delas é a de que, sem a juventude, o projeto não seria viável. Por isso, a metodologia usada para atrair a juventude do quilombo para se adequarem ao Sistema Agroflorestal foi mostrar que só é possível construí-la de forma coletiva.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Gean em oficina de formação com crianças e jovens. Crédito: Apaspi</p>
	                
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<p>“Hoje trabalhamos com jovens e trabalhadores multiplicadores, que plantam as unidades de experiência participativa, que servem como vitrines para que outros agricultores possam conhecer”, disse Gean. Ele se refere aos módulos de formação, criados para acompanhar as culturas do plantio à colheita.</p>



<p>“Nossa juventude é como se fosse nossa ferramenta, são eles que vão levar a produção agroecológica adiante”, ensina, acrescentando que atualmente eles se organizam em grupos locais, cada um jovem rural no papel de animar o grupo, fazer apresentação das atividades, dos protocolos de plantio e manejo.&nbsp;</p>



<p>Esses jovens no geral são agricultores e têm o papel de articulação para estimular e inserir outros no processo. “Temos feito busca ativa dos jovens, filhos e filhas de pequenos agricultores quilombolas, para experienciar os processos agroecológicos”, detalha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio de produzir e preservar a Caatinga</strong></h2>



<p>Conviver com a casa comum — como costumam falar os agricultores do quilombo ao se referirem à Caatinga, que tanto respeitam, admiram e defendem — é questão sentimental para a maioria de seus habitantes. Por isso, o trabalho da Aspapi não se concentra apenas na produção de toneladas de alimentos, mas também na conscientização política de que é preciso mudar a nossa relação com o meio ambiente.&nbsp;</p>



<p>Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal da Paraíba (UFPB), Federal de Pernambuco (UFPE), Federal de Viçosa (UFV) e do Instituto Federal Goiano (IFGoiano) divulgaram, em 2023, um estudo preocupante acerca da relação da Caatinga com as mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, a previsão é que, até 2060, haja uma redução de pelo menos 40% no volume de chuvas na região. Esse cenário coloca a Caatinga como um dos biomas mais ameaçados pelas mudanças climáticas.&nbsp;</p>



<p>Um cenário que torna ainda mais importante pensar soluções capazes de recuperar o que já foi destruído. “Tanto na produção de pequenos animais como de alimentos,&nbsp; o semiárido precisa avançar para os sistemas agroflorestais. Respeitar a Caatinga, lutando para manter ela viva é nosso grande desafio hoje na região”, observa Gean, ao tempo em que chama a atenção para a qualidade do bioma e suas ameaças.&nbsp;</p>



<p>“Por ter sido degradada ao longo dos anos, a caatinga, que é um bioma único, tem dificuldade enorme de se regenerar por si só. Então a agrofloresta entra tanto com estratégia de regeneração das áreas degradadas como com preservação e manutenção das áreas&nbsp; que existem”, explica, acrescentando que essa foi a grande defesa que trouxe para o quilombo, da discussão dos Sistemas Agroflorestais como ferramenta de convivência com o semiárido.</p>



<p><em>*O </em><a href="https://ocorrediario.com/"><em>Ocorre Diário</em></a><em> é uma plataforma de comunicação popular e colaborativa do Piauí que ousa sonhar-fazer uma comunicação das potências emancipatórias, dialógicas, plurais e decoloniais da informação.&nbsp;</em></p>



<p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p>



<p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p>



<p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p>



<p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da Marco Zero</em></p>
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		<title>Presidente da Alepe debocha de Raquel Lyra em áudio vazado e inflama crise entre poderes</title>
		<link>https://marcozero.org/presidente-da-alepe-debocha-de-raquel-lyra-em-audio-vazado-e-inflama-crise-entre-poderes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 21:21:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[governo Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Após a governadora Raquel Lyra (PSDB) deixar o plenário da Assembleia Legislativa, tudo indicava que a sessão de reabertura dos trabalhos terminaria de forma protocolar, na manhã desta quinta-feira (1º de fevereiro). A expectativa por conta da disputa entre Raquel e o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), havia se dissipado. Nas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Após a governadora Raquel Lyra (PSDB) deixar o plenário da Assembleia Legislativa, tudo indicava que a sessão de reabertura dos trabalhos terminaria de forma protocolar, na manhã desta quinta-feira (1º de fevereiro). A expectativa por conta da disputa entre Raquel e o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), havia se dissipado. Nas falas oficiais, frases de efeito, prestação de contas e chavões da política. Tudo previamente escrito pelas assessorias. Até vazar no sistema de som trecho de áudio do deputado debochando do discurso de Raquel.&nbsp;</p>



<p>“No dela, não entenderam nada. Conversou merda demais e não disse nada”, falou, em conversa com colegas, ainda sentado na cadeira central da mesa diretora. O presidente da Assembleia demonstrou ter conhecimento que permanecia sendo ouvido no plenário. Quando um parlamentar disse que queria perguntar à governadora onde era aquele Estado a que ela se referiu em discurso, Álvaro prosseguiu: “eu também queria saber. Está aberto aqui o (microfone), posso até perguntar”. Em seguida, risos de alguns deputados.</p>



<p>A disputa que o presidente do legislativo e a governadora travam desde o primeiro semestre do ano passado vem subindo de tom. O que antes era restrito a conversas reservadas em gabinetes passou a ser visível também em eventos públicos, como no lançamento do programa Juntos Pela Segurança, em novembro, até ir parar no Supremo Tribunal Federal (STF).&nbsp;</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/presidente-da-alepe-distorce-fatos-sobre-prisao-de-pms-do-bope-para-constranger-raquel-lyra/" class="titulo">Presidente da Alepe distorce fatos sobre prisão de PMs do Bope para constranger Raquel Lyra</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Recentemente, a governadora entrou com ação na Suprema Corte contra dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2024, aprovada pela maioria dos deputados no ano passado. Raquel vetou os trechos questionados, mas a Assembleia derrubou os vetos, num movimento que contou com a articulação de Álvaro Porto.</p>



<p>O discurso mais esperado da sessão de retomada dos trabalhos legislativos era o da governadora. Ela chegou acompanhada da vice Priscila Krause (Cidadania) e de uma comitiva de secretários. Assim que chegou à tribuna, estendeu sobre a estrutura uma bandeira de Pernambuco que carregava dobrada consigo.&nbsp;</p>



<p>Antes de cumprimentar, nominalmente, os deputados e deputadas presentes à sessão, Raquel disparou: “não é simples ser mulher na política, muito menos com filho pequeno”. Ela se dirigia à líder da bancada de oposição, Dani Portela (PSOL), que deu à luz há 20 dias, mas o recado tinha outro destinatário. A governadora não quis deixar passar a oportunidade de frisar a questão de gênero e fez a declaração acima, que não estava prevista no discurso que levou impresso.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PSDB se posiciona ao lado de Raquel</h2>



<p>À tarde, a executiva nacional do PSDB postou em seus perfis nas redes sociais uma nota se colocando ao lado de Raquel Lyra, condenando a fala do presidente da Assembleia, considerando que a governadora foi agredida: &#8220;Nós, tucanos, temos muito orgulho de termos eleito uma jovem e competente mulher como governadora de Pernambuco e não podemos tolerar manifestações agressivas contra ela venha de quem vier. Muito menos de um deputado do próprio PSDB. O Conselho Nacional de Ética e Disciplina do PSDB está pronto para avaliar eventuais medidas disciplinares contra o deputado Álvaro Porto.</p>





<p>Foi preciso a direção nacional do seu partido se posicionar duramente e a repercussão negativa do vazamento do seu áudio para que Porto se pronunciasse sobre o caso. E nem sequer pediu desculpas. Inicialmente, ele admitiu apenas o uso de &#8220;expressão não condizente com o contexto e local&#8221;, mas nos parágrafos seguintes da nota de esclarecimento preparada por sua assessoria em terceira pessoa, o presidente reitera que está disposto a manter o clima de guerra contra Raquel Lyra ao declarar que sua &#8220;reação é fruto de indignação em relação à falta de resultados do governo em questões sérias como saúde e segurança, por exemplo. Afirma ainda ter o direito e o dever de avaliar e criticar discursos que não correspondam à realidade observada&#8221;.</p>



<p>A governadora também demorou a se posicionar. Em entrevista a uma emissora de rádio na manhã desta sexta-feira, Raquel Lyra afirmou que a frase teria sido um &#8220;ato lamentável de violência política&#8221;. Na rede X, ela completou com críticas ao machismo do deputado estadual, mas sem mencionar seu nome: &#8220;parece que para alguns o que me condena é simplesmente o fato de eu ser mulher&#8221;.</p>





<p><br></p>





<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Má relação desde a campanha eleitoral</strong></h2>



<p>Embora sejam do mesmo partido, o PSDB, o presidente da Assembleia e a governadora do estado não possuem um bom relacionamento desde o primeiro turno das eleições de 2022. Em algumas cidades do interior, o deputado subiu no palanque da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil), alegando ser por conta de questões locais e características da eleição proporcional.</p>



<p>No segundo turno, Álvaro passou a estar mais junto à campanha de Raquel. Aliados da governadora dizem que isso só aconteceu quando o cenário passou a se mostrar favorável à então candidata do PSDB, que disputava o cargo com Marília Arraes (Solidariedade).</p>



<p>Com Raquel já empossada governadora, o primeiro grande desentendimento ocorreu depois do Carnaval de 2023, quando Álvaro encontrou dificuldades para emplacar em lugar de destaque no Executivo seu sobrinho Felipe Porto, ex-prefeito de Quipapá, município do Agreste pernambucano.</p>



<p>O deputado não conseguiu convencer nem “dobrar” a governadora. Meses depois, articulou uma outra função para o parente. Em novembro do ano passado, Felipe Porto assumiu o escritório em Pernambuco da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), já na gestão do ministro pernambucano Silvio Costa Filho (Republicanos) à frente do Ministério dos Portos e Aeroportos.</p>



<p>De lá para cá, a disputa entre Álvaro Porto e Raquel Lyra seguiu cada vez mais tensionada. Por conta de uma mudança no regimento da casa, o presidente da Assembleia sabe que ficará no cargo até o final do mandato da governadora, o que permite a leitura de que novos capítulos&nbsp;estarão por vir.&nbsp;</p>



<p>A reportagem fez contato com as assessorias da governadora e do deputado. Ambas informaram que não vão comentar o vazamento do áudio ao final da sessão de reabertura dos trabalhos legislativos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Clima amistoso do início deu lugar a deboche no final da sessão na Alepe. Crédito: Roberto Soares/Ascom Alepe</p>
	                
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<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
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		<title>Em Sergipe, juventude aposta em projetos sociais para preservar o meio ambiente</title>
		<link>https://marcozero.org/em-sergipe-juventude-aposta-em-projetos-sociais-para-preservar-o-meio-ambiente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2024 21:02:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Redação Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Díjna Torres, da agência Mangue Jornalismo* Projeto Redação Nordeste** Em São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, a 25 quilômetros de Aracaju, o projeto Pescando Memórias faz do resgate da história e do fortalecimento da identidade local um caminho para valorizar e preservar o meio ambiente. Banhado pelo Rio do Sal e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Díjna Torres, da agência </strong><a href="https://manguejornalismo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Mangue Jornalismo</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<p>Em São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, a 25 quilômetros de Aracaju, o projeto Pescando Memórias faz do resgate da história e do fortalecimento da identidade local um caminho para valorizar e preservar o meio ambiente. Banhado pelo Rio do Sal e pelo Riacho do Moleque, o povoado, que surgiu na década de 1940 com apenas três cabanas de pescadores e uma fazenda de sal, hoje reúne cerca de 40 moradias e é local de carcinicultura.</p>



<p>Nascido em São Braz, Givanildo dos Santos criou, quando tinha 20 anos, o Pescando Memórias, juntamente com a esposa, Isabela Bispo, na ideia de estreitar os laços com o passado de tradição pesqueira e ribeirinha. Em vez da pesca, atualmente são ocupações como pedreiro e manicure que dão renda a boa parte da comunidade.</p>



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	                                        <p class="m-0">Orlinha em frente à sede do projeto Pescando Memórias, no povoado São Braz. Crédito: Díjna Torres/Mangue Jornalismo</p>
	                
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<p>Um dos objetivos do projeto é discutir a preservação de um território que beira o rio e fornece a subsistência das famílias, com trabalho de consciência ambiental para a preservação das águas a partir de ações de limpeza, educação ambiental e preservação da memória.&nbsp;São iniciativas que constroem e reforçam não somente a identidade do povo como a autoestima da população ribeirinha, de pescadores e de marisqueiras.</p>



<p>Além da questão ambiental, o Pescando Memórias desenvolve oficinas que geram renda e envolvem todas as idades, ensinando crochê, macramê, uso de madeira para embarcações, customização de sandálias, boas práticas alimentares e capoeira. As ações já impactaram cerca de 20 mil pessoas de Nossa Senhora do Socorro e dos arredores.&nbsp;</p>



<p>Givanildo, que é pescador, assim como o pai e os irmãos, viu no processo solidário e criativo uma forma de resgate histórico cultural que ampliasse os olhares sobre os costumes, as crenças e as tradições do povoado e disseminasse informações a outros jovens por meio também de oficinas de cultura popular e artes visuais.</p>



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	                                        <p class="m-0">O Pescando Memórias nasceu da iniciativa do casal Givanildo e Isabela, do povoado São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>“O resgate da memória e do fortalecimento da identidade é uma forma de transformar a realidade”, ensina Givanildo. “Isso aqui só era mostrado de maneira negativa, como se fosse um lugar ruim. E hoje a gente já conseguiu mostrar as transformações que fizemos”, comemora. Em meio ao cenário de mudanças climáticas com destruição de territórios, injustiças e racismo socioambiental, o projeto é uma forma de buscar soluções e trazer novos horizontes, sobretudo para crianças, jovens e mulheres.&nbsp;</p>





<p></p>



<p>Gilmaria de Andrade Cruz Santos, de 26 anos, e seus dois filhos, de 10 e 6 anos, vivem no povoado São Braz e o Pescando Memórias mudou a vida da família. “Eu não trabalhava porque sofria de transtorno de ansiedade e depressão. Depois do curso (de culinária), minha vida mudou muito porque comecei a colocar coisas em minha mente e pude oferecer uma alimentação melhor para meus filhos. Através do projeto, realizei o meu sonho de participar do curso de culinária, porque eu nunca tive essa oportunidade. Meus filhos hoje têm outros pensamentos, eles pensam num futuro melhor. Com o projeto, eles viram que têm a possibilidade de fazer cursos, de crescer e por isso eu agradeço demais por essa transformação em minha vida e de minha família”, celebra.</p>



<p>São Braz é um território na mira da especulação imobiliária, de indústrias e de empreiteiras, com o aval do poder público. Essas iniciativas não somente problematizam e dão visibilidade a questões de suma importância como apontam caminhos e pressionam o poder público e a sociedade por soluções.&nbsp;“Aqui é uma comunidade tradicional. A gente sofre bastante porque, por exemplo, essa do campo o governo estadual doou para fazer um condomínio. Daqui a pouco, a gente vai ser o quintal do condomínio”, explica Givanildo.&nbsp;</p>



<p>“A gente vem trabalhando com a comunidade de forma que eles aprendam a empreender com o que têm e a lutar pelo território, porque não dá para esperar pelo poder público ou pela iniciativa privada. Se tivéssemos mais incentivo e apoio de outras instâncias, certamente teríamos avançado muito mais e transformado muitas outras vidas ”, reforça.</p>



<p>Em 2023, o retorno dos editais de financiamento para projetos acendeu a esperança de Givanildo para conseguir mais recursos para o Pescando Memórias, que se sustenta também com doações. Mas, sem o apoio da iniciativa privada, reforça ele, ainda é muito difícil realizar as ações como o projeto gostaria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Intervenção urbana sustentável e educação ambiental</strong></h2>



<p>Saindo do norte da grande Aracaju e partindo para o outro lado da cidade, está o <a href="https://www.instagram.com/coletivo.camaleao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Camaleão Urbano</a>. Iniciativa que nasceu em 2017, o grupo multidisciplinar reúne jovens para realizar ações em áreas degradadas da cidade.&nbsp;</p>



<p>Atendendo populações em situação de vulnerabilidade social e promovendo intervenções urbanas nos espaços públicos, o Camaleão foca em projetos colaborativos, educação ambiental, reciclagem, plantio de mudas, disseminação da arte regional e grafitagem. O grupo é formado por profissionais e alunos de arquitetura e urbanismo, artes visuais, gastronomia, fisioterapia e engenharia florestal das universidades Tiradentes (Unit) e Federal de Sergipe (UFS).</p>



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	                                        <p class="m-0">Dauane Santana e Larissa Teresa, do Coletivo Camaleão Urbano. Crédito: Díjna Torres</p>
	                
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<p>Dauane Santana, de 28 anos, arquitetura, conta que um dos trabalhos do grupo foi construir um mapeamento participativo da comunidade Vitória da Resistência, no bairro Lamarão, zona periférica da capital. A ação, que durou cerca de um ano, consiste em mapear as histórias dos cidadãos que fazem parte das comunidades, suas dificuldades e seus planos futuros para tornar o local mais inclusivo, mobilizando os moradores para transformar espaços com materiais doados e motivar as pessoas através das oficinas artísticas e de educação ambiental.</p>



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	                                        <p class="m-0">Através de um mapeamento participativo construído coletivamente, o Camaleão buscou envolver a comunidade Vitória da Resistência com oficinas artísticas e de educação ambiental. Crédito: acervo Camaleão</p>
	                
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<p>Outros projetos do Camaleão são o (Re)Viva o Parque, de revitalização do parque infantil do Parque dos Cajueiros, na zona sul de Aracaju; a Semana Lixo Zero; plantio e educação ambiental no Residencial Vitória da Resistência; e intervenções na Praça General Valadão.&nbsp;</p>



<p>“A gente plantou as árvores e vimos a reação das pessoas como se estivessem sem acreditar que nós voltaríamos. A praça não tinha nada, era tipo um descampado e o chão era de terra batida. A gente plantou, fez canteiro com pneu, oficina de grafite, além de outras ações de bem-estar e educação, uma vez que muitas dessas comunidades são relegadas e esquecidas”, relata Dauane.&nbsp;</p>



<p>Raíla da Silva, de 26 anos, é coordenadora de base do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto&nbsp; (MTST) e conheceu o Coletivo Camaleão através do movimento. “Eu nunca tinha feito curso, foi algo gratificante tanto para mim quanto para minhas companheiras. O projeto teve um impacto para as comunidades porque, aqui na ocupação Beatriz Nascimento, hoje a gente pode dizer que tem uma formação e isso é muito importante, principalmente para uma mulher preta e mãe como eu, que já sofre tanta discriminação na sociedade”, celebra.</p>



<p>Raíla e suas companheiras fizeram parte do projeto Sabor da Resistência, do Camaleão, patrocinado pelo Instituto Precisa Ser e pela Farm, através de um edital de 2022 voltado para ações urbanas periféricas no Brasil. Tendo como objetivo o empoderamento feminino e o fortalecimento econômico na ocupação que fica no bairro de Japãozinho, as mulheres participaram de aulas e oficinas de gastronomia de salgados, nutrição e marketing para venda de alimentos. Também houve doação de carrinho para vendas itinerantes e uso compartilhado da comunidade.</p>



<p>Larissa Teresa, de 28 anos, arquiteta que também faz parte do coletivo, detalha que, para realizar essas ações, há uma frente de financiamento com a venda de <a href="https://abacashi.com/p/camaleao-urbano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">produtos oficiais do Camaleão</a>, a exemplo de bottons com estampas exclusivas, copos e caderninhos. Outra parte do dinheiro é proveniente de editais que já foram aprovados e os próximos que elas buscam se inscrever.</p>



<p>“Sempre com o intuito de contemplar a tríade do desenvolvimento sustentável nos espaços: o social, o econômico e o ambiental”, explica Larissa.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Projeto (Re)Viva o Parque, no Parque dos Cajueiros, em Aracaju. Crédito: acervo Camaleão</p>
	                
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<p>Na visão da estudante de arquitetura, “o conceito da sustentabilidade é o equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e fator econômico”. “Não é só falar de árvore e de meio ambiente. É envolver as pessoas, ver a questão da qualidade de vida”, detalha, contando que o Camaleão hoje recebe muitos convites de escolas e instituições e até de shopping.&nbsp;</p>



<p>“Ainda há uma dificuldade em popularizar os benefícios da sustentabilidade e da educação ambiental e como isso proporciona qualidade de vida à população, seja através de intervenções em espaços públicos para tornar o ambiente mais acolhedor e seguro, seja proporcionando cursos para empoderar e elevar a autoestima da comunidade, melhorando assim índices econômicos. Isso tudo é atravessado pela questão ambiental”, pontua.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*A </em><a href="https://manguejornalismo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Mangue Jornalismo</em></a><em> é uma agência de jornalismo independente com sede em Aracaju (SE), movida para promover o jornalismo como lugar de debate no interesse público, com participação democrática, que prima pela rigorosa apuração, busca da verdade no relato dos acontecimentos e precisa apresentação do conteúdo jornalístico.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>**<em>Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como jovens baianas se mobilizam para pensar a sustentabilidade e o futuro do planeta</title>
		<link>https://marcozero.org/como-jovens-baianas-se-mobilizam-para-pensar-a-sustentabilidade-e-o-futuro-do-planeta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 19:37:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Karina Costa, do Conquista Repórter* Projeto Redação Nordeste** Os caminhos de Ísis Fernanda Salles, de 24 anos, e Kinda Silva van Gastel, de 27 anos, se cruzaram pela primeira vez durante uma conferência realizada em Salvador em agosto de 2019. Foi na Climate Week (Semana do Clima), evento regional da Convenção-Quadro das Nações Unidas [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Karina Costa, do </strong><a href="https://conquistareporter.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Conquista Repórter</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<p>Os caminhos de Ísis Fernanda Salles, de 24 anos, e Kinda Silva van Gastel, de 27 anos, se cruzaram pela primeira vez durante uma conferência realizada em Salvador em agosto de 2019. Foi na Climate Week (Semana do Clima), evento regional da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que Ísis teve a oportunidade de ouvir Kinda falar sobre o <a href="https://engajamundo.org/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Engajamundo,</a> uma organização que reúne jovens com um único propósito: enfrentar os problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo.</p>



<p>A partir desse encontro, Ísis, soteropolitana e moradora da região da Cidade Baixa, no Bairro da Ribeira, pôde se conectar com outros jovens que, assim como ela, buscam agir para garantir o futuro do planeta. Mas antes mesmo de se tornar voluntária no Engajamundo, ela já se interessava pelo ativismo e por entender as questões sociais que afetam os territórios.</p>



<p>“Com 16 ou 17 anos, eu entendi que queria trabalhar com as pautas que atravessam o futuro do planeta, da juventude e do meio ambiente. Comecei a pesquisar por organizações às quais eu poderia me juntar e foi aí que acabei encontrando o ‘Engaja’ na Climate Week”, conta Ísis, graduanda em Geografia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>



<p>O espírito de liderança veio da bisavó Dalva Salles, que viveu até os 104 anos. A matriarca não atuou como líder de movimento social, mas ensinou à bisneta como se opor às injustiças a partir da amorosidade. Ísis também aprendeu sobre as estruturas que movem a sociedade ao ouvir a história do avô, que saiu da Paraíba e enfrentou diversas violações de direitos. “Hoje eu tento levar essa percepção sobre o meu território e o meu ativismo para dentro do meu ciclo familiar”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ainda na adolescência, a ativista Ísis entendeu que queria trabalhar com pautas sobre futuro do planeta, juventude e meio ambiente. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>A jovem baiana também desenvolve pesquisas sobre conflitos socioterritoriais no <a href="https://geografar.ufba.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Grupo GeografAr,</a> vinculado à UFBA. Aos 24 anos, ela já é reconhecida como um exemplo de liderança da juventude na causa socioambiental, após ter coordenado por dois anos o Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) do Engajamundo.</p>



<p>Ísis foi eleita para coordenar o GT ODS no início de 2020, alguns meses após ter se juntado à organização. Uma das ações realizadas pelo grupo de trabalho é a confecção do <a href="https://gtagenda2030.org.br/relatorio-luz/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório Luz,</a> um documento anual que mostra o desempenho do país para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. O Brasil é um dos 193 estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que se comprometeram a alcançar 17 ODS.</p>



<p>Erradicar a pobreza, acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Esses são alguns dos objetivos que fazem parte da Agenda 2030, como é chamado o plano de ação pactuado pelos países que integram a ONU. O Relatório Luz é produzido por diversas organizações da sociedade civil e uma delas é o Engajamundo, que, apesar de já ter dissolvido o GT ODS, <a href="https://brasilnaagenda2030.files.wordpress.com/2023/10/rl_2023_v8-webcompleto-lr.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segue contribuindo para a elaboração do documento.&nbsp;</a></p>



<p>De acordo com Ísis, o GT ODS deixou de existir porque a organização entendeu que precisava pensar sobre o desenvolvimento e a sustentabilidade por outras perspectivas. “Por trabalharmos com comunidades tradicionais de diversos tipos, como ribeirinhas, quilombolas e indígenas, a gente percebeu que precisaria olhar para os ODS, mas não só para eles”, explica a jovem ativista.</p>



<p>Criado em 2012, o Engajamundo hoje possui 24 núcleos em 18 estados e reúne mais de 200 voluntários ativos, além de uma rede de mais de duas mil pessoas. A organização é dividida em GTs, Casas ou Núcleos Locais (Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica) e Laboratórios (Lab Pimenta e Lab Inovação). As atividades acontecem de forma online e offline.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Educação, mobilização, participação e advocacy</strong></h2>



<p>No Núcleo Caatinga, em Feira de Santana (BA), a cerca de 115 quilômetros de Salvador, está Kinda Silva van Gastel, de 27 anos. Fotógrafa, poetisa, ativista e comunicadora socioambiental, ela faz parte do conselho do Engajamundo, mas também já atuou como diretora executiva e coordenadora de comunicação. Assim como Ísis, sempre se interessou pelas temáticas que envolvem a sociedade e o meio ambiente.</p>



<p>“Minha mãe vem de uma história de militância, muito envolvida com pautas que atravessam gênero e raça, e meu pai envolvido com agricultura familiar e economia solidária, então eu já tinha isso de base. Mas acabava não encontrando espaços coletivos para colocar em prática essa minha vontade de colaborar”, relembra Kinda.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">A jovem ativista Kinda é fotógrafa, poetisa, ativista e comunicadora socioambiental. Crédito: Danielle Amaral</p>
	                
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<p>Foi na universidade, em 2015, que a jovem encontrou o Engajamundo. “Eu achei um espaço que fez meus olhos brilharem, um coletivo que trabalhava com a pauta socioambiental, feito para a juventude e pela juventude”, afirma a ativista, que cursou Energia e Sustentabilidade, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Feira de Santana. “Era um lugar em que a gente podia sonhar e construir juntos”, complementa.</p>



<p>Como voluntária da organização, Kinda pôde conhecer diversos lugares e pessoas. Em 2017, ela teve a oportunidade de participar de um encontro nacional do Engajamundo na Amazônia. “Foram mais de 100 jovens do Brasil inteiro, indígenas, quilombolas. Muitas pessoas discutindo temas importantes”, conta.&nbsp;</p>



<p>Já em 2019, a jovem foi selecionada para compor a diretoria executiva da organização, permanecendo até maio deste ano. Foi nessa posição que atuou mais ativamente com base nos quatro pilares que guiam o trabalho do Engajamundo: educação, mobilização, participação e advocacy.&nbsp;</p>



<p>O primeiro se concretiza por meio da realização de formações online e presenciais, além da produção de materiais que contribuem para o entendimento das temáticas socioambientais. Já o segundo pilar, a mobilização, é posto em prática com a articulação de ações nas ruas e as parcerias com outras entidades.</p>



<p>A participação é possibilitada através da criação de delegações para que os jovens possam atuar em conferências, reuniões e fóruns dentro e fora do país. Por fim, advocacy é definida pelo grupo como “a arte de defender, apoiar e influenciar causas”, por meio de ações como pressionar tomadores de decisão, por exemplo.</p>



<p>Durante o período em que esteve à frente da diretoria executiva do Engajamundo, a própria Kinda vivenciou o pilar da participação. Em novembro de 2022, ela esteve no Egito, junto com outros 18 jovens, para participar da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), em Sharm el-Sheikh.</p>



<p>No evento, a delegação do Engajamundo entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um documento feito coletivamente pelos voluntários da organização, intitulado <a href="https://drive.google.com/file/d/1NY91Kf5encFYa2GP6W2ZH_J1AzgAc3kD/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Visão das Juventudes do Engajamundo para o Desenvolvimento do Brasil”.</a> Além disso, na conferência, os jovens realizaram um ato para denunciar a violência contra defensores ambientais no Brasil.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Insustentável é também a morte de uma liderança”</strong></h2>



<p>Seja numa conferência no Egito ou em atividades realizadas nos núcleos locais, os voluntários do Engajamundo estão unidos pela crença de que a juventude brasileira deve estar consciente do seu impacto socioambiental e engajada em processos de decisão. Para Kinda Silva van Gastel, não é possível pensar nas questões ambientais e climáticas de maneira isolada.&nbsp;</p>



<p>“Não vamos conseguir alcançar um mundo em que os problemas ambientais e climáticos estejam superados sem que a gente coloque na centralidade as injustiças sociais, raciais e de gênero”, diz a comunicadora e fotógrafa. Para ela, é necessário desconstruir e reconstruir a imagem do ativista socioambiental presente no coletivo imaginário dos brasileiros.&nbsp;</p>



<p>“Quando as pessoas pensam em ativistas, lembram de alguém segurando um cartaz. Mas existem muitas batalhas diárias, questões fundiárias, luta por acesso à saneamento básico, movimentos por moradia, problemáticas com enchentes”, afirma Kinda, que hoje atua como conselheira do Engajamundo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Kinda com integrantes do Engajamundo em ato de cortejo fúnebre pelos ativistas socioambientais. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>A estudante de Geografia Ísis Fernanda Salles compartilha da visão de Kinda sobre o que significa ser um ativista socioambiental. “Hoje eu entendo que as pessoas que mais defendem o meio ambiente não somos nós que vamos para grandes conferências. São as pessoas que colocam o seu corpo na luta diariamente, as comunidades lutando por questões agrárias e as periferias que se reinventam cotidianamente para garantir o básico”, destaca.</p>



<p>Para Ísis, o debate sobre sustentabilidade e justiça climática ainda é elitista. “Precisamos entender que o desenvolvimento sustentável que atua no norte global e em grandes cidades do Sul e Sudeste do Brasil não funciona em comunidades do Nordeste, que enfrentam grilagem e a morte de suas lideranças todos os dias”, explica. “Às vezes o que é sustentável para essas comunidades não é separar o lixo, o que é insustentável é a morte de uma liderança”, crava.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência contra ativistas brasileiros&nbsp;</strong></h2>



<p>Em agosto de 2023, na Bahia, <a href="https://www.intercept.com.br/2023/08/18/as-duas-mortes-de-mae-bernadete/">o assassinato de Mãe Bernadete Pacífico,</a> líder quilombola, ganhou destaque na mídia regional e nacional por marcar a violência contra comunidades e povos tradicionais no Brasil. Morta a tiros, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, ela chefiava o Quilombo Pitanga dos Palmares e fazia parte da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). Seu filho, Binho do Quilombo, também foi assassinado, em 2017.</p>



<p>A morte violenta de Mãe Bernadete foi denunciada na ONU (Organização das Nações Unidas) em outubro. Ativistas brasileiros destacaram que a ialorixá estava registrada no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) quando foi assassinada.&nbsp;</p>



<p>“É o que nós recebemos, ameaças, principalmente de fazendeiros, de pessoas da região. Hoje eu vivo assim, não posso sair que estou sendo revistada, com minha casa toda cheia de câmeras, me sinto até mal”, <a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/09/04/suspeitos-de-matar-lider-quilombola-mae-bernadete-sao-presos-na-bahia-pra-publicar-assim-suspeito-prisao-mae-bernadete.ghtml">afirmou a mãe de santo</a> em evento público realizado em julho de 2023 e que contou com a presença da então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber.&nbsp;</p>



<p>Mãe Bernadete é mais uma liderança assassinada em território brasileiro. De acordo com o <a href="https://www.globalwitness.org/pt/decade-defiance-pt/#decade-killings-globally-pt">relatório da Global Witness</a>, publicado em setembro de 2022, 1.733 defensores da terra e do meio ambiente foram mortos ao redor do globo, entre 2012 e 2021. Nessa década, no Brasil, registrou-se o assassinato de 342 ativistas. Cerca de um terço dos mortos eram indígenas ou negros e mais de 85% das execuções aconteceram na Amazônia, segundo o documento.</p>



<p>Os conflitos por direito à terra são o principal motivo de assassinato de ativistas socioambientais brasileiros. É o que apontam os dados da Global Witness e também da publicação <a href="https://drive.google.com/file/d/1-N8b6-AZdbrNCpASK3lLHqoe2T30VYWk/view?usp=share_link">Conflitos no Campo Brasil 2022<strong>,</strong></a><strong> </strong>organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) Bahia, pela Associação de Advogados(as) de Trabalhadores(as) Rurais (AATR) e pelo Grupo GeografAR/UFBA.</p>



<p>No Nordeste, os Estados que registraram maior número de conflitos no campo nos últimos quatro anos foram Maranhão e Bahia. De 2019 a 2022, o território baiano contabilizou 587 ocorrências, enquanto o solo maranhense somou 702 registros. Os conflitos por terra, na pesquisa da CPT, incluem ações de resistência e enfrentamento pela posse, pelo uso e propriedade, além de acesso a recursos naturais.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*O Conquista Repórter faz jornalismo local de qualidade sobre e para Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com cobertura plural, independente e humanizada.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
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		<title>Comunidade pesqueira do Piauí acusa PF e MPF de perseguição para beneficiar empresários</title>
		<link>https://marcozero.org/comunidade-pesqueira-acusa-pf-ocorre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 19:38:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[`Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[conflito fundiário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Da redação do Ocorre Diário Dezenas de famílias de pescadores e agricultores que ocupam uma área da União na praia Barra Grande, no município de Cajueiro da Praia, a 357 quilômetros, de Teresina (PI), e a utilizam para plantar roças há várias gerações, foram acusadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal de pertencerem a uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p><strong>Da redação do <a href="https://ocorrediario.com/pescadores-artesanais-de-cajueiro-da-praia-pi-denunciam-perseguicao-por-especulacao-imobiliaria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ocorre Diário</a></strong></p>



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<p>Dezenas de famílias de pescadores e agricultores que ocupam uma área da União na<strong> </strong>praia Barra Grande, no município de Cajueiro da Praia, a 357 quilômetros, de Teresina (PI), e a utilizam para plantar roças há várias gerações, foram acusadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal de pertencerem a uma quadrilha de estelionatários e abrir uma associação para camuflar a grilagem do terreno.</p>



<p>Os moradores negam e não se conformam com as acusações. Para eles, empresários, políticos, policiais e servidores públicos tentam incriminá-los para ficarem com a área. Essa seria apenas mais uma das investidas do progresso predatório do turismo e da especulação imobiliária, que vêm expulsando comunidades tradicionais de pescadores e agricultores em Cajueiro da Praia. </p>



<p>A cada semana, novos e intensos capítulos envolvem decretos que permitem a devastação de áreas nativas, ações da Polícia Federal e derrubada de casas, destruição de pesqueiras, canoas, roças e outros artifícios. Áreas como Morro Branco, Ponta do Socó e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Delta<strong> </strong>também foram invadidas por grileiros.</p>



<p>O caso da Nova Barra Grande, comunidade tradicional de agricultores e pescadores, tomou uma proporção maior devido a ação da Polícia Federal que prendeu dez integrantes da comunidade na operação Terra Prometida.  </p>



<p>“Só falta agora matarem um de nós, o que pode acontecer se o Estado não interferir para proteger os povos nativos daqui”, fala o presidente da Associação de Projeto de Assentamento da Nova Barra Grande, Demétrio Oliveira, sobre as ameaças que sofrem.</p>



<p>A associação foi criada em 2022, sob orientação de órgãos públicos para que a comunidade pudesse lutar de forma legítima por seus direitos. A comunidade conta que no passado existiu uma outra associação, que esteve envolvida em vendas de terrenos, no entanto, segundo Demétrio ela não é reconhecida pelos moradores tradicionais.</p>



<p>Os conflitos ficaram cada vez mais frequentes na área até que, na madrugada do dia <a href="https://ocorrediario.com/pescador-idoso-e-preso-no-litoral-apos-lutar-contra-grilagem-de-terras-no-cajueiro-da-praia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">13 de novembro 2023, 150 policiais federais entraram na comunidade </a>e realizaram a prisão de moradores e a destruição de casas e roças na área da Nova Barra Grande sob a justificativa de que os moradores ali seriam grileiros.</p>



<p>Ao contrário, a comunidade diz usar a terra alvo da operação para sua subsistência. “A mesma mão que pega o peixe no mar, semeia a terra para ter a farinha de comer com o peixe”, resumiu o pescador Edvar Alves, ao explicar porque precisam da área para plantar alimentos.</p>



<p>É importante observar que na operação apenas foram presos e investigados os atores comunitários, de mais baixa renda e mais vulneráveis.</p>



<p>Demétrio, nativo de Cajueiro da Praia, filho e neto de pescador, diz que realiza atividades agrícolas na área reivindicada desde a primeira infância, na década de 1980. “Querem nos tirar do mapa, não respeitam as comunidades tradicionais”, acusa, rebatendo aqueles que os acusam de atraírem famílias de fora da comunidade para camuflar a comercialização de terrenos. “Não vendemos terras, muito menos em duplicidade, se investigarem vão descobrir quem está por trás e tenta nos incriminar”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Casas de famílias de pescadores foram destruídas pelos policiais em novembro. Crédito: Vivian Cardoso/Ocorre Diário</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Destruíram tudo”</strong></h2>



<p>Para a comunidade, o mentor das ameaças não faz questão de anonimato. “Ele não se esconde, vem pessoalmente ameaçar os posseiros, sempre acompanhado por jagunços”, diz o pescador Antônio Carlos Araújo, que morava em uma casinha simples, com o quintal rico em frutas como maracujá, banana, coco, macaxeira e legumes. “Os policiais não deixaram nada em pé, destruíram tudo”. Desolado e sem teto, o pescador foi conduzido a situação vexatória. Passou a morar de favor de favor com seu filho e fica a maior parte dos seus dias na rua em situação de adoecimento e tristeza.</p>



<p>Márcia Marques, 23 anos, mãe de duas crianças pequenas, conta que os policiais arrombaram a porta de sua casa e apontaram arma para sua cabeça. Ela explica que ficaram das 5h da manhã às 16h da tarde trancados em casa, pois ninguém era permitido entrar ou sair da área até que a operação acabasse. “Quando eles chegaram ficamos assustados. Pedimos misericórdia porque não tínhamos para onde ir”.</p>



<p>Dona Rita Oliveira conta que seus nervos não pararam mais de tremer que <a href="https://ocorrediario.com/pescador-idoso-e-preso-no-litoral-apos-lutar-contra-grilagem-de-terras-no-cajueiro-da-praia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">os policiais prenderam seu marido, o pescador Bernardo Oliveira – conhecido como seu Jandaia &#8211; durante a operação</a>. Ele ficou tão abalado depois de ficar preso cinco dias que não conseguia sair nem até a calçada de casa, contou a esposa.  “O pior mesmo foi ser acusado daquilo que você não fez”, completa seu Jandaia.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Terras em disputa</h3>



<p>As tensões na Nova Barra Grande são consideradas complexas pelas autoridades envolvidas como a Superintendência de Patrimônio da União (SPU), Prefeitura de Cajueiro da Praia, ICMBio, Ministério Público Federal,  Defensoria Pública da União e Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí (Semarh). </p>



<p>O território do município de Cajueiro da Praia está fincado em terras da União. Segundo o Secretário de Governo da Prefeitura de Cajueiro, Thiago Ribeiro, não existe delimitação entre as áreas que pertencem ao município e à União, assim, o território fica sob a sob a tutela&nbsp; da&nbsp; SPU. Neste caso, a prefeitura afirma que se encontra impossibilitada de resolver a situação, já que não tem autoridade sobre a área.</p>



<p>O empresário Fábio Jupi é um dos envolvidos nos diversos conflitos espalhados pelo município. Além da sua presença na Nova Barra Grande, ele é acusado pelo Ministério Público Federal de se apropriar de duas áreas  em território da União: 18 hectares na Área de Proteção Ambiental  do Delta do Parnaíba  (APA) e de,  aproximadamente,  dois mil metros quadrados  na região da Praia do Socó. <a href="https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2022/11/14/justica-proibe-fabio-jupi-de-desmatar-area-de-protecao-em-cajueiro-da-praia-537993.html">Nesses casos o Ministério Público Federal embargou e multou o empresário</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Defensoria da União</h3>



<p>No último dia 20 de janeiro a Defensoria Pública da União (DPU), representada pelo defensor José Rômulo Plácido Sales, realizou reunião com as comunidades de Cajueiro da Praia que passam por conflitos. Na ocasião foram discutidas as situações da área denominada de Nova Barra Grande e também sobre o povoado Morro Branco, dentre outras. Sob um barracão improvisado, o encontro contou com mais de 100 pessoas da comunidade. </p>



<p>Indagada pelo Defensor sobre onde estavam no dia da operação da PF, Esmeraldina Alves, pescadora e agricultora relata: “No dia que vieram fazer a ação para derrubar a minha casa eu estava pescando. Eu venho pra roça e também eu vou pescar! Só que infelizmente a gente tem medo de vir [para roça]. Meu tio teve um revólver na cabeça tem 15 dias. Eu saí para pescar 1h da manhã. Eu ia saber que eles iam chegar 5h da manhã?”, questiona. </p>



<p>Ao depoimento de Esmeraldina se juntam outros agricultores que tiveram suas casas destruídas, pois também tinham saído para trabalhar no dia da operação. Outros relatos mencionam ameaças de mortes por homens não identificados, antes e depois da operação policial, a quem vai nas roças plantar ou colher.</p>



<p>Após o encontro, o defensor público Rômulo Sales explica que “a reunião foi para mapear os problemas e também identificar a forma de resolução destes. Na área em que houve a operação da Polícia Federal, nós iremos propor tanto à SPU quanto ao Ministério Público Federal, que a gente faça levantamento das pessoas que moram lá para dar solução à moradia dessas pessoas, seja na área, ou seja incluindo em programa de habitação do estado ou da prefeitura”, afirma. </p>



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	                                        <p class="m-0">Comunidade passou a contar com mediação da DPU. Crédito: Vivian Cardoso/Ocorre Diário</p>
	                
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<p>O defensor acrescenta que irá observar a questão das áreas de roças. “Nós também iremos propor à SPU e ao MPF que a gente faça um mapeamento da situação e um levantamento socioeconômico dessas famílias para que a gente possa tentar viabilizar o desenvolvimento dessas atividades, até para prevenir que elas sejam objeto de invasão por outras pessoas para cometimento de crimes ambientais ou outra destinação”.&nbsp;</p>



<p>Presente na reunião, Liliana Sousa, presidenta da Comissão Ilha Ativa, ONG que vem prestando apoio à comunidade, afirma que já entraram com vários pedidos de regularização fundiária desde 2021. Além disso, realizaram denúncias – tais como destruição de pesqueiras (palhoças à beira-mar usando como ponto de apoio), desmatamento de mangues, violação de direitos humanos – e solicitaram Termo de Autorização de Uso (TAUS), documento que garante às comunidades utilizarem o território para a realização de suas atividades tradicionais de pesca, cultivo, entre outras. No entanto, segundo ela, os processos se encontram parados.</p>



<p>Sobre o caso de Nova Barra Grande, Liliana acrescenta: “Recentemente recebemos uma manifestação da SPU dizendo que a associação atende aos requisitos básicos para a regularização. No entanto, a gente questiona quais são os cadastros que estão na área e não temos respostas em relação a isso, pois tem outras pessoas que pedem regularizações particulares e que, neste processo, a gente considera que não cabe, pois entendemos que o interesse público deve se sobressair ao interesse particular”, argumenta. </p>



<p>Moradores do povoado Morro Branco, outra comunidade também situada em Cajueiro da Praia, tiveram a oportunidade de apresentar suas queixas durante a reunião com a DPU. Nesta localidade, a população reclama de derrubada de roças, devastação de mata nativa, destruição de mangues e construção de megaempreendimentos. O secretário de Governo, Tiago Ribeiro, informou que os empresários que estão construindo na área se sustentam por um RIP (Registro Imobiliário Patrimonial) datado de 1943 e por isso a prefeitura emitiu decreto permitindo o início das obras.</p>



<p>Manuel Silva, presidente da Associação de moradores do Morro Branco, relata que teve sua luz cortada como forma de intimidação para sair do local, mas resistiu morando no local por três anos. No entanto, “eu tive que me afastar, pois ameaçaram passar com o trator por cima de mim. Tem, inclusive, processo no Ministério Público. Hoje moro de favor porque os proprietários de RIP vem nos derrubar”, conta.</p>



<p>É também Manoel quem questiona a justificativa usando a própria lei que tem sido usada para garantir a derrubada das matas, memórias e histórias. Em sua análise o RIP pode ser cancelado em favor da comunidade “instrução normativa nº 4, de 14 de agosto de 2018. Se você olhar ela, o quê que ela diz? Que você tem que ocupar toda a área do RIP ou 80%. Será que esse rapaz aí ocupa 80% da área desse RIP? O decreto de 1943 disse que se no fim de três anos você não ocupar toda a área do RIP ou 80%, você sabe o que acontece? O RIP é extinto. Então cadê esse RIP se você não ocupa? Se você não plantou nada aqui, se você não fez nada?”, argumenta. </p>



<p>No que diz respeito à esta área do Morro Branco, Rômulo Sales responde que “vamos fazer o levantamento dos empreendimentos que lá existem, do amparo legal deles e também ver como eles  afetam a comunidade e quais são as pessoas, quais as comunidades tradicionais que são afetadas por esses empreendimentos e quais especificamente  a pretensão delas. Será outro levantamento que faremos a partir do contato, novamente, com a SPU e com o Ministério Público Federal, para saber a real situação legal e fática da região”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Posição da PF e da União</h3>



<p>Procurada por nossa equipe, a Polícia Federal emitiu a seguinte nota “A Polícia Federal informa que todas as suas investigações e ações são pautadas no princípio da legalidade, bem como no respeito e preservação dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos brasileiros”.</p>



<p>Já a Superintendência de Patrimônio da União respondeu confirmando o recebimento da solicitação de reportagem e informando que &#8220;estamos no aguardo da posição do Órgão Central referente a autorização para a entrevista”.</p>



<p>Na último dia 26, o governador Rafael Fonteles, convocou reunião com SPU, Incra, Instituto da Regularização Fundiária e do Patrimônio Imobiliário do Estado do Piauí (Interpi), secretarias estaduais de Planejamento e de Administração e Investe Piauí para agilizar regularização fundiária no litoral, principalmente nos municípios Luís Correia e Cajueiro da Praia. De acordo com <a href="https://cidadeverde.com/luiscorreia/125134/uniao-aciona-pf-contra-milicias-atuando-no-conflito-de-terras-no-litoral-governo-adota-medidas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o site Cidade Verde</a>, na reunião, foi mencionado que a meta é distribuir mais de 10 mil títulos de terra até o final deste ano para reduzir os conflitos na região. Na ocasião, o  superintendente do Patrimônio da União (SPU), João Martins Neto, confirmou nesta quinta-feira (25) que acionou a Polícia Federal para investigar atuação de  “milícias” acirrando o conflito de terras no litoral do estado&#8221;. Martins não detalhou quem seriam os integrantes das tais &#8220;milícias&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Área em disputa por comunidade pesqueira e empresários no litoral do Piauí. Crédito: Google Earth</p>
	                
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunidade-pesqueira-acusa-pf-ocorre/">Comunidade pesqueira do Piauí acusa PF e MPF de perseguição para beneficiar empresários</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Coletivo do Entra Apulso, no Recife, faz da agroecologia urbana semente para futuro mais sustentável</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-do-entra-apulso-no-recife-faz-da-agroecologia-urbana-semente-para-futuro-mais-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 18:25:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maya Santos, do Portal Afoitas* Projeto Redação Nordeste** Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Maya Santos, do </strong><a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil habitantes, vivencia mudanças que, além de aquecerem a economia local, transformam a mentalidade da população tendo a agroecologia como promotora do bem-viver.</p>
</div></div>



<p>O coletivo <a href="https://www.instagram.com/chiedoentra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Chié do Entra</a> atua como disseminador de estratégias sustentáveis que proporcionam novas narrativas para a comunidade por meio de ações que envolvem compostagem urbana, fabricação de sabão e detergente ecológicos, intervenções em áreas esquecidas pelo poder público, palestras e formações.</p>



<p>Atuando há pouco mais de três anos, o grupo formado por 13 pessoas negras foi fundado a partir da necessidade de resolver um problema que chegou com o saneamento básico na favela do Entra Apulso: os entupimentos causados pelo óleo de cozinha nas encanações.</p>



<p>Movidos por uma ideia, estudos e muitos testes, surgiu uma solução simples e criativa para minimizar os impactos do descarte inadequado de óleo de cozinha: a produção de sabão e detergente ecológicos.</p>





<p>“Eu basicamente não tinha noção de como era o descarte desse óleo, pois antes a gente deixava aqui (na loja) e depois uma pessoa levava, mas aí eu não sabia o destino que ia ter. Agora sabemos o que está sendo feito com esse óleo, que acabava sendo jogado no lixo”, afirma o morador Maximillian Marinho, de 22 anos, atendente na LM Doces e Salgados.&nbsp;</p>



<p>Ele explica que a iniciativa proporciona uma forma de consumo inteligente e sustentável para a comunidade em que trabalha e vive. Além desse estabelecimento, outros empreendimentos e outras pessoas da região participam do sistema de doação do óleo de cozinha, ingrediente principal para a fabricação do sabão, do detergente e da pasta de limpeza. Em troca, recebem os produtos confeccionados pelo Chié do Entra.</p>



<p>A coleta é realizada todas as quintas-feiras pela manhã. Ao chegar à sede do coletivo, começa o processo de confecção do sabão. Após alguns dias de cura, ele fica&nbsp; pronto para uso doméstico. Desde que iniciou as atividades, o coletivo já coletou seis mil litros de óleo e fabricou 50 mil barras de sabão. Destas, metade foi distribuída na própria comunidade no sistema de troca com o óleo usado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Maximillian Marinho, de 22 anos, comemora o consumo inteligente e sustentável através do reuso do óleo de cozinha no Entra Apulso. Crédito: Maya Santos/Portal Afoitas</p>
	                
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<p>Em entrevista ao <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a>, Roni Paixão, de 29 anos, explica como começou a sua atuação na comunidade em que nasceu e foi criado. O Instituto Shopping Recife iniciou um projeto chamado Pulsa Bairro, que tinha como um dos eixos principais o meio ambiente. Com isso, moradores passaram pela formação de agentes ambientais comunitários, tutorados pela <a href="https://www.instagram.com/kapiwara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Kapiwara</a>, organização que atua em comunidades com agroecologia urbana, educação e comunicação popular.</p>



<p>“Em algum momento, vimos a necessidade de criar o coletivo. Então, em abril de 2021, já configurado como um coletivo de agroecologia comunitária, fechamos com o Instituto Shopping um contrato de prestação de serviço. Tivemos a oportunidade de ser um coletivo comunitário com fonte de renda e isso possibilitou uma maior dedicação no nosso território, trabalhando especificamente com gestão de resíduos e educação ambiental”, detalha Roni.</p>



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	                                        <p class="m-0">Roni Paixão, de 29 anos, fala do Chié do Entra como oportunidade comunitária com fonte de renda e maior dedicação no nosso território. Crédito: Fran Silva/Portal Afoitas</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Semeando futuros</h2>



<p>Com uma atuação que pensa na longevidade da iniciativa, o grupo interage com crianças, jovens e adultos da própria comunidade. Ao aproximar as pessoas das ações por meio de relações afetivas e de conexão com o território, o coletivo objetiva despertar e desenvolver o sentimento de pertencimento na população local.</p>



<p>“De modo geral, os jovens e as crianças participam das oficinas e das rodas de conversa promovidas pelo próprio Coletivo Chié, assim como de mutirões”, explica a integrante Ranielly Paixão, de 27 anos. Sua fala retrata com exatidão a relação da juventude com o território, que é replicada para diversas pessoas na comunidade e em várias faixas etárias.&nbsp;</p>



<p>Em relato sobre o mutirão para construção de uma nova praça na comunidade, Ranielly conta que é papel do coletivo “fazer uma soma em rede e realizar o convite para que eles (jovens e crianças) se integrem e participem das ações”.</p>





<p></p>



<p>A força do coletivo Chié do Entra reside na dedicação de seus integrantes e aglutina cada vez mais pessoas. Os irmãos Ana Maria da Silva Bezerra, 47 anos, e José Fabiano, de 38 anos, sentiram o impacto das inovações que vêm acontecendo na comunidade e se tornaram agentes multiplicadores.&nbsp;</p>



<p>Ana explica que fazer parte do coletivo mudou desde a percepção sobre o território que habita até a dinâmica de sua vida. “Para mim, é tudo mágico, o sabão, a compostagem, essas praças que a gente fez em maio. Sou de fazer tudo, mas, no jardim, eu me realizo, lá é como se eu saísse do planeta. Quando eu estou lá dentro, só sou eu e o jardim”, compartilha ela sobre sua vivência na praça Evandro Cavalcanti, na divisa entre o Shopping Recife e a favela.<em>&nbsp;</em></p>



<p>Além do impacto ambiental por meio de ações que alteram o cenário pouco verde da comunidade para um local mais confortável e sustentável para os moradores e as moradoras, Ana enfatiza a inclusão de pessoas com Síndrome de Down, como é o caso de José Fabiano.&nbsp;</p>



<p>“É importante para cuidar mais do meio ambiente e para ter mais inclusão, tiro por ele (José Fabiano) e tem Wilson também. É importante para as outras pessoas verem que, se a gente pode, eles também podem mudar a comunidade deles”, comemora.&nbsp;</p>



<p>O cultivo de plantas medicinais compõe o leque de estratégias de conhecimento ancestral compartilhadas no coletivo e que reverberam na comunidade. Moradora do Entra Apulso há 35 anos, Vilma Barros, de 64 anos, é uma das cuidadoras da Farmácia Viva, uma horta com plantas medicinais construída para atender a comunidade bem ao lado do posto de saúde Jader de Andrade.&nbsp;</p>



<p>“O pessoal da comunidade frequenta mesmo a Farmácia Viva, onde temos as plantas medicinais. Tem boldo, tem rabo da raposa, que serve para coceira, tem esse capeba e tem até cana-de-macaco, que é para os rins, sabe? Aí o pessoal tira e faz chá e banhos”, diz.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Agroecologia pedagógica</h2>



<p>Com um olhar de quem semeia um futuro mais sustentável, a compostagem é caminho de educação agroecológica na prática, principalmente para as crianças. Prova disso foi a atividade promovida na Semana do Meio Ambiente, Zeis do Entra Apulso, lançada no mês de junho de 2023 em toda a rede escolar da comunidade. Zeis é a sigla para Zonas Especiais de Interesse Social.</p>



<p>“Durante a atividade, os alunos coloriram suas tampinhas com emojis e gravatinhas e coloram em seus lápis e canetas. Debatemos sobre a separação dos resíduos e como eles contribuíram para que mais de 10 mil tampinhas não fossem descartadas de modo incorreto”, traz relato nas redes sociais do Chié.&nbsp;</p>



<p>Além dessa ação, parte das tampinhas recolhidas foi destinada ao projeto Tampinhas Solidárias. Lá elas foram recicladas e revertidas em recursos destinados aos beneficiários do Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE). Esse é mais um caminho das transformações tocadas pelo coletivo, que realizou essa atividade em parceria com o Instituto Shopping Recife e a Associação Kapiwara.</p>





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<p>A compostagem também é um braço educacional para alcançar e envolver as crianças e os adolescentes. Através da iniciativa permanente na comunidade, o coletivo já detectou mais de nove toneladas de resíduos orgânicos entre composteiras caseiras (146 famílias) e pedagógicas (escolas, instituto e creche) e&nbsp; nas composteiras de beco.</p>



<p>Em 2010, a Lei 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada para estimular a redução de geração de resíduos, reutilizando, reciclando e promovendo o tratamento, assim como a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Uma responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e sociedade na gestão dos resíduos. Atualmente, no Brasil, menos de 2% dos resíduos sólidos urbanos são destinados para compostagem.&nbsp;</p>



<p>Recife também conta com um Plano de Resíduos Sólidos para a Região Metropolitana, atualizado em 2018, no então governo de Paulo Câmara (ex-PSB). De acordo com os dados, a cidade gerou até 2014 cerca de 836.640 mil toneladas de resíduos sólidos.</p>



<p>Em 2023, por meio do programa municipal Tá Arrumado, mais de 590 mil toneladas de resíduos domiciliares foram recolhidos no Recife. Questionada sobre as medidas socioeducativas, a Prefeitura do Recife, sob comando de João Campos (PSB), explica sua estratégia para alcançar a população.<br>“A Prefeitura do Recife erradicou 421 pontos críticos de lixo na cidade, realizou 65 reuniões comunitárias e ações socioeducativas, plantou 4.047 mudas em novas jardineiras, instalou 80 placas de sinalização para sensibilizar os moradores sobre a questão dos resíduos. Além disso, 40 painéis de arte urbana e/ou pinturas com brincadeiras lúdicas foram criados, especialmente voltados para as crianças, incorporando temas ambientais e contribuindo para a conscientização e embelezamento da paisagem urbana”, detalha a gestão a <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Afoitas</strong></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Entra Apulso no mundo</h2>



<p>Saber ouvir e repetir as boas práticas é o diferencial do Chié do Entra. Atuando na comunidade do Entra Apulso, o movimento do coletivo reverbera não somente na Região Metropolitana do Recife. O grupo foi selecionado para participar do 12º Congresso Brasileiro de Agroecologia, um momento importante para visibilizar as ações na comunidade.&nbsp;</p>



<p>“Voltamos com mais ideias de como continuar nosso trabalho aqui na favela”, adianta Roni, que, junto com o coletivo, aspira consolidar cada vez mais boas práticas de preservação do meio ambiente construindo um legado para as próximas gerações.&nbsp;</p>



<p>No entanto, antes mesmo de participar de um dos eventos mais importantes para a agroecologia, o coletivo obteve reconhecimento por meio da premiação Periferia Viva. A premiação recebeu mais de 1,3 mil inscrições de iniciativas de todo o Brasil. Dos 54 contemplados, o coletivo Chié do Entra ocupa o 12° lugar do Nordeste. A honraria foi realizada pelo Ministério das Cidades através da Secretaria das Periferias.</p>



<p>Em entrevista, Rafaela Maria, de 31 anos, estudante de serviço social e integrante do grupo, relembrou como a colaboração em equipe num mesmo objetivo contribuiu para essa conquista, que potencializa o trabalho do coletivo no Entra Apulso. Com tom de celebração, Rafa, como é chamada, reforça que “esse prêmio chega agora para a gente pensar e sistematizar todo o trabalho que está sendo feito até para o futuro. Pensar um pouco no presente e pensar um pouquinho no futuro”.</p>



<p>Destacando a importância do protagonismo comunitário, ela reforça que a compreensão dessa construção faz o coletivo entender que é possível estar em outros espaços e alcançar mais pessoas com as ações de forma efetiva, mas não só para a comunidade como para outras comunidades ao redor e, quem sabe, no mundo.&nbsp;</p>



<p>“Tem um significado muito especial, o prêmio é poder conectar também todos esses trabalhos que estão sendo feitos em vários territórios e compreender que a gente não está só”, finaliza.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*O </em><a href="https://afoitas.com.br/"><em>Portal Afoitas</em></a><em> surge como um portal interessado em revelar as histórias escritas por jornalistas negras e indígenas, cis ou trans, como forma de ir na contramão de redações que se espalham pelo país, formada majoritariamente por pessoas brancas e cisgênero masculino.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><br><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivo-do-entra-apulso-no-recife-faz-da-agroecologia-urbana-semente-para-futuro-mais-sustentavel/">Coletivo do Entra Apulso, no Recife, faz da agroecologia urbana semente para futuro mais sustentável</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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