Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo

Governado por um presidente de extrema-direita que costura por dentro do sistema político um golpe contra a democracia, o Brasil entrou numa espiral de brutalidade e retrocessos chocante até mesmo para o nosso histórico de iniquidades. As elites autoritárias contaram com a adesão de uma minoria estridente e a indiferença das maiorias para perpetrar seus crimes. 2022 é o ano de subverter essa equação.

Esse é o compromisso que a Marco Zero renova com seu público neste 16 de junho de 2022 quando completamos 7 anos de vida. Subverter a lógica da indiferença que naturaliza a violência política e banaliza a morte por arma de fogo, fome ou intolerância. Reafirmamos a prática de um jornalismo posicionado em defesa dos direitos humanos, da democracia e do enfrentamento às desigualdades.

Implicado no aprofundamento da democracia para além de uma perspectiva de redução de danos.

Isso passa necessariamente por ampliar a participação de grupos sociais subrepresentados nos espaços institucionais de poder político, entendendo-os como lugares estratégicos para fazer avançar uma agenda de justiça social e equidade capaz de neutralizar o pacto de destruição da Constituição de 1988 mobilizado pelas bancadas da bala, da bíblia e do boi.

A subrepresentação política de mulheres, negros, indígenas, LGBTQIA+ e jovens nos poderes Legislativo e Executivo dão a dimensão do desafio que temos pela frente.

Elas ocupam apenas 15% das cadeiras no Congresso Nacional, 2% de mulheres negras. Uma única indígena é deputada federal. Embora sejam mais da metade da população, as pessoas negras ocupam somente 23% das cadeiras do Parlamento em Brasília. No Executivo, 1 mulher foi eleita governadora em 2018, enquanto 88% das prefeituras são comandadas por homens.

Esse cenário é a estrada por onde passa a boiada do governo Bolsonaro, com sua política armamentista, de devastação da Amazônia, abandono das políticas de proteção aos povos tradicionais, criminalização dos movimentos sociais e da cultura, desestruturação da ação pública nas áreas de saúde, educação e proteção social, financeirização do patrimônio público e outras tantas agressões.

Não somos neutros porque não somos indiferentes à vertigem de viver num país onde 33 milhões de pessoas passam fome.

Um país em que seis em cada dez brasileiros enfrentam algum grau de insegurança alimentar: 125,2 milhões de brasileiros para sermos mais exatos. E essa catástrofe humana nem está na pauta do governo cujo presidente ameaça descumprir ordem judicial em favor dos povos indígenas e é aplaudido por políticos, empresários e militares.

Realizaremos a cobertura das próximas eleições do mesmo lado em que estivemos nos últimos 7 anos. Fazendo as perguntas que precisam ser respondidas, chamando as coisas pelos seus devidos nomes, ouvindo aqueles que historicamente foram silenciados no debate público; expondo, sem concessões, os manipuladores da desinformação e dos discursos de ódio.

Não estamos entre aqueles que minimizam as ameaças de um golpe. Ele, na verdade, já está em curso. Mobilizado por setores reacionários das elites políticas e econômicas – civis e militares – com o respaldo das milícias urbanas e rurais que crescem no Brasil.

Entendemos que o jornalismo independente é um dos instrumentos fundamentais da sociedade civil para barrar esse processo, restabelecendo os parâmetros mínimos do diálogo democrático para construir uma agenda pública socialmente inclusiva e ambientalmente responsável.

Ainda mais quando setores expressivos da mídia corporativa enquadram a cobertura da política a partir do olhar militante do mercado, seus ganhos na Bolsa, com a flutuação do dólar e o endividamento público.

Nosso ativismo é outro.

Por democracia, representatividade e justiça social.

As histórias que contamos e o modo como as contamos pautam um outro Brasil.

Uma questão importante

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