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Pernambuco vai entrar na terceira década do século XXI com seu cenário político moldado pelo peso das mesmas famílias que determinaram disputas, acordos, avanços e recuos desde a segunda metade do século XX.

A juventude de Marília Arraes (PT) e do seu primo João Campos (PSB) são a nova face do legado do ex-governador Miguel Arraes de Alencar, um homem que venceu sua primeira eleição majoritária em 1959, quando se elegeu prefeito do Recife, cargo que a neta e o bisneto disputam agora.

Nas mais importantes cidades do interior não é diferente. Miguel Coelho (MDB), prefeito reeleito em Petrolina com mais de 76% dos votos, não é apenas o filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). A dinastia é ainda mais antiga. Seu bisavô Clementino Coelho, um típico coronel do sertão, controlou com mãos de ferro a cidade em suas origens. O poder e a prática autoritária para mantê-lo teve sequência com seus filhos Nilo, senador e governador de Pernambuco durante a ditadura militar, e Osvaldo, várias vezes deputado federal.

Em Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), também foi reeleita com facilidade e carregando um sobrenome protagonista no agreste do estado. Seu pai, o ex-governador João Lyra Neto, também administrou a cidade. Antes dele, o patriarca João Lyra foi prefeito na condição de opositor dos militares.

A partir de agora, boa parte das movimentações e articulações políticas dessas famílias terá como objetivo construir a sucessão de Paulo Câmara em 2022. A maior novidade será a presença de um desses clãs no Partido dos Trabalhadores, legenda que, em Pernambuco, nasceu entre sindicalistas e trabalhadores do campo, e que, por isso, parecia distante, das famílias tradicionais.