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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quando o antirracismo vira performance: a Copa acabou, a luta continua?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 20:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Paraíba* “Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida) A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Tiago Paraíba*</strong></p>



<p><strong>“Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida)</strong></p>



<p>A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e espaços de opinião foram tomados por discussões sobre racismo, colonialismo, imigração e identidade nacional. Não havia apenas um jogo em disputa; havia também uma disputa por quem ocupava o lugar da maior consciência moral.</p>



<p>Esse fenômeno, embora revele um avanço importante, afinal, o racismo deixou de ser um tema invisível no futebol, também expôs um limite da forma como parte desse debate é conduzida. Em muitos momentos, o antirracismo apareceu menos como um compromisso político permanente e mais como uma performance pública de virtude.</p>



<p>Não se trata de negar a existência do racismo na Argentina, na Espanha, no Brasil ou em qualquer outro país. O racismo é um fenômeno histórico que assume diferentes formas em cada sociedade. O problema surge quando sua denúncia passa a obedecer à lógica do evento, da viralização e, da necessidade de demonstrar superioridade moral diante dos outros.</p>



<p>Durante a Copa, parecia que torcer por uma seleção ou outra definia automaticamente o grau de compromisso de cada pessoa com a luta antirracista. O debate político foi substituído por uma espécie de tribunal das consciências, em que o principal objetivo era identificar quem estava do “lado certo” da história.</p>



<p>Essa dinâmica pouco contribui para enfrentar aquilo que o sociólogo Clóvis Moura identificava como o caráter estrutural do racismo na formação da sociedade brasileira. Moura rompeu com a ideia de que o racismo seria apenas um problema cultural ou comportamental. Para ele, o racismo é uma engrenagem do próprio capitalismo dependente brasileiro, um mecanismo que organiza a exploração do trabalho, a desigualdade e a distribuição do poder. Não é um desvio da democracia; é parte da forma como ela foi construída no Brasil. </p>



<p>Se Moura nos ajuda a compreender as estruturas, Lélia Gonzalez nos ensina a olhar para as dimensões culturais e políticas que sustentam essas estruturas. Ao formular o conceito de amefricanidade, ela mostrou que as experiências dos povos negros e indígenas nas Américas produzem formas próprias de resistência e elaboração política, invisibilizadas por uma leitura eurocêntrica da história. Para Gonzalez, combater o racismo significa transformar as relações de poder e reconhecer os sujeitos historicamente silenciados não apenas fazer denúncias ocasionais quando o tema ganha espaço na mídia. </p>



<p>É justamente essa perspectiva que parece faltar quando o antirracismo se reduz à lógica das redes sociais.</p>



<p>A indignação torna-se episódica. Durante algumas semanas, tudo gira em torno do racismo no futebol. Passada a final da Copa, desaparecem as discussões sobre violência policial, encarceramento em massa, desigualdade educacional, racismo religioso, acesso ao mercado de trabalho, representação política ou financiamento de políticas públicas de igualdade racial.</p>



<p>O algoritmo muda de assunto, e boa parte da militância performática muda junto.</p>



<p>Existe ainda outro efeito preocupante: o antirracismo deixa de ser uma prática coletiva de transformação para se tornar um marcador de distinção moral. Em vez de produzir consciência política, produz hierarquias simbólicas entre aqueles considerados suficientemente “conscientes” e aqueles vistos como moralmente inadequados.</p>



<p>Essa postura pouco dialoga com a tradição do movimento negro brasileiro. Clóvis Moura analisava a resistência negra como prática histórica de organização coletiva da quilombagem às lutas contemporâneas e não como afirmação individual de superioridade ética. Da mesma forma, Lélia Gonzalez insistia que o enfrentamento ao racismo exigia construção política, articulação popular e ruptura com as estruturas coloniais que continuam organizando nossas sociedades.</p>



<p>Vale lembrar que o reconhecimento do racismo como problema estrutural no Brasil não surgiu espontaneamente, muito menos foi uma concessão das elites ou resultado da mobilização nas redes sociais. Foi fruto de décadas de organização e luta do movimento negro brasileiro. Das denúncias do Teatro Experimental do Negro às mobilizações do Movimento Negro Unificado, das formulações de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias do Nascimento e Clóvis Moura, às Marchas Zumbi dos Palmares e à Conferência de Durban, foi essa trajetória que obrigou o Estado brasileiro a reconhecer o racismo e construir políticas públicas de igualdade racial. </p>



<p>É curioso perceber que boa parte dos que hoje protagonizam um antirracismo performático durante grandes eventos raramente se mobilizam para defender esse legado. Não os vemos com a mesma disposição na defesa das cotas raciais, das ações afirmativas, da titulação dos territórios quilombolas ou da agenda de reparação histórica pelos mais de três séculos de escravidão. Também não os vemos na defesa das expressões culturais produzidas pelo povo negro. Pelo contrário: o silêncio costuma prevalecer diante da criminalização do funk, do brega, do hip hop, da capoeira e das religiões de matriz africana, manifestações que historicamente foram alvo de repressão, estigmatização e racismo institucional. Defender o antirracismo implica também defender o direito do povo negro de produzir sua cultura, professar sua fé e afirmar sua identidade sem ser tratado como caso de polícia ou expressão da marginalidade<strong>.</strong> A energia dedicada à performance moral nas redes nem sempre se converte em compromisso com as conquistas concretas construídas pelo movimento negro organizado</p>



<p>A Copa poderia ter sido um ponto de partida. Poderia servir para fortalecer movimentos negros, ampliar o debate sobre ações afirmativas, disputar políticas públicas e consolidar uma agenda antirracista permanente. Mas isso exige abandonar a lógica da performance.</p>



<p>Mais do que disputar quem ocupa o lugar da maior virtude pública, o desafio continua sendo aquele apontado por Clóvis Moura e Lélia Gonzalez: compreender que o racismo não é um acidente moral, mas uma estrutura histórica, e que sua superação exige organização política, transformação social e compromisso permanente.</p>



<p>A Copa acabou. A pergunta que permanece é simples: o antirracismo continuará em campo ou também ficará restrito aos 90 minutos do espetáculo?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Membro da Executiva Nacional do PSOL, militante da Ação Negra e torcedor do Santa Cruz.</p>
    </div>
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		<title>Organizações sociais lançam Rede de Adaptação Antirracista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 21:12:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[justiça climática]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[racismo ambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizações de diferentes estados brasileiros vão se reunir no próximo domingo, às 16h, na Associação de Moradores Vila Tancredo Neves, na UR-5/Ibura, para o lançamento oficial da Rede por Adaptação Antirracista. Pautados pelos desastres ambientais e o racismo que impactam a população negra e periférica afetadas pelas tragédias ambientais, 57 organizações de 15 estados criaram [&#8230;]</p>
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<p>Organizações de diferentes estados brasileiros vão se reunir no próximo domingo, às 16h, na Associação de Moradores Vila Tancredo Neves, na UR-5/Ibura, para o lançamento oficial da Rede por Adaptação Antirracista. Pautados pelos desastres ambientais e o racismo que impactam a população negra e periférica afetadas pelas tragédias ambientais, 57 organizações de 15 estados criaram a rede que, desde o ano passado, atua em diversas frentes.</p>



<p>O evento, que será aberto ao público, vai contar com as falas de representantes das organizações participantes, a apresentação dos trabalhos realizados pelo coletivo até o momento e, também, com apresentações culturais da cantora Poli e da poetisa Iyadirê Zidanes.</p>



<p>Uma das motivações que uniu as organizações foi a falta de representação dos movimentos negros e dos povos originários na articulação para desenvolver o novo Plano Nacional de Adaptação, o Plano Clima, do Governo Federal. </p>



<p>Por este motivo, os principais objetivos são conectar os movimentos de base com atuação territorial na pauta da adaptação às instituições e agências do terceiro setor que possam financiar e fomentar as atividades desses movimentos. E influenciar na pauta das políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas na esfera federal, dialogando com os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Igualdade Racial.</p>



<p>“Entendemos que não é possível discutir os impactos ambientais e nos territórios sem compreendermos como as pessoas, principalmente negras e periféricas, são afetadas por essas alterações. Ou seja, planos de adaptação efetivos de fato exigem a participação dessas populações na discussão e construção”, explica a secretária executiva da Rede Por Adaptação Antirracista, Joice Paixão, co-fundadora e atual presidenta, o Gris Espaço Solidário, do bairro da Várzea.</p>



<p>Aqui no estado, dez organizações fazem parte da Rede o Coletivo Caranguejo Tabaiares, Centro Popular de Direitos Humanos, Habitat para Humanidade, Coalizão Negra por Direitos, Instituto de Referência Negra Peregum, Greenpeace, Articulação Negra de Pernambuco, Conectas, entre outras.</p>



<p>Em preparação para o lançamento, entre os dias 5 e 7 de julho, acontece o 1º Encontro Presencial da Rede por Adaptação Climática Antirracista, em Olinda, exclusivo para os integrantes do grupo, com o objetivo de estruturar o planejamento das ações e atividades para os próximos meses.</p>
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		<title>Semana do Audiovisual Negro tem programação gratuita no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 15:48:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[audiovisual]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 4ª edição da Semana do Audiovisual Negro iniciou nessa segunda-feira, 18 de março, no Museu da Abolição do Recife. A programação do festival, que conta com atividades formativas, seminários e exibições de filmes, segue até o dia 23 de março e é inteiramente gratuita. As sessões acontecem no Cinema da Fundação do Porto e [&#8230;]</p>
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<p>A 4ª edição da Semana do Audiovisual Negro iniciou nessa segunda-feira, 18 de março, no Museu da Abolição do Recife. A programação do festival, que conta com atividades formativas, seminários e exibições de filmes, segue até o dia 23 de março e é inteiramente gratuita. As sessões acontecem no Cinema da Fundação do Porto e no Cinema da UFPE.</p>



<p>Com mais de 70 obras selecionadas, entre curtas, médias e longas-metragens, neste ano, a Semana do Audiovisual Negro homenageia a escritora Inaldete Pinheiro, a professora Auxiliadora Martins e a militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Marta Almeida, falecida em setembro do ano passado.</p>



<p>“Tudo está sendo feito com muito carinho, com muito cuidado, para que os encontros que a Semana do Audiovisual Negro promove sejam repletos da potência. E para que todo mundo que participa possa se sentir contemplado e acolhido, para assim termos discussões que frutifiquem”, declarou a produtora do festival, Bruna Tavares.</p>



<p>As exibições dos filmes selecionados pelo festival acontecem nos dias 19 e 20 de março, no Cinema da UFPE, e nos dias 21, 22 e 23 de março, no Cinema da Fundação do Porto. Entre os selecionados está a produção “Pretas das História”, de Dani Valentim, uma obra seriada de curta duração que apresenta mulheres negras que foram ofuscadas pela história dita normativa.</p>



<p>No dia 23 de março, o festival promove a <em>masterclass</em> “Navegações Estéticas” com a cineasta baiana e diretora integrante da série Histórias (Im)possíveis da Rede Globo, Everlane Moraes, que acontece às 10h no Cais do Sertão. </p>



<p>Além das atividades no Recife, o festival contará com uma programação em Camaragibe, de 4 a 6 de abril, e em Afogados da Ingazeira, de 8 a 10 de abril. A programação completa das sessões de cinema e das atividades estão disponíveis no Instagram da Semana do Audiovisual Negro.</p>
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		<title>&#8220;A negação do racismo é algo muito comum em todo o mundo&#8221;, afirma cineasta francesa Rokhaya Diallo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jan 2024 21:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[baobácine]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rokhaya Diallo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Definida como uma das ativistas mais proeminentes da luta antirracista na França pelo The New York Times, a jornalista, escritora e cineasta francesa, Rokhaya Diallo esteve no Recife na última semana para participar da terceira edição da Mostra de Filmes Africanos e da Diáspora de Pernambuco &#8211; Baobácine.  Criada nos bairros operários de Paris, Rokhaya [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Definida como uma das ativistas mais proeminentes da luta antirracista na França pelo <a href="https://www.nytimes.com/2017/12/28/opinion/france-racism-rokhaya-diallo.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">The New York Times</a>, a jornalista, escritora e cineasta francesa, <a href="https://www.instagram.com/rokhayadiallo?igsh=MXdlOTc3cHRkdmhtcg==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rokhaya Diallo</a> esteve no Recife na última semana para participar da terceira edição da <a href="https://www.instagram.com/baobacine?igsh=MWQzYjFnaXBwaDl2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mostra de Filmes Africanos e da Diáspora de Pernambuco &#8211; Baobácine</a>. </p>



<p>Criada nos bairros operários de Paris, Rokhaya visitou o Nordeste do Brasil pela primeira vez para promover um intercâmbio de conhecimentos em debates com ativistas do movimento negro, que foram realizados pela organização da mostra. </p>



<p>As atividades do Baobácine aconteceram entre os dias 15 e 18 de janeiro nas cidades do Recife e Caruaru. A mostra contou com a exibição de três documentários dirigidos por Rokhaya Diallo, entre eles, o longa <em>Bootyful</em>, que promove um debate sobre os padrões de beleza e os estigmas em torno da bunda, pensando na hiper sexualização das mulheres negras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de Bootyful</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Reconhecendo a importância de manter o diálogo e criar confluências com as pessoas negras descendentes da diáspora africana, a ativista francesa utiliza de sua projeção para manter ativo os debates sobre o antirracismo. Para isso, Diallo dirige filmes que têm como tema principal a representatividade de pessoas negras nas mídias, além de escrever para jornais reconhecidos mundialmente como o <a href="https://www.theguardian.com/profile/rokhaya-diallo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">The Guardian</a>. A jornalista também já escreveu diversos livros e artigos e foi apresentadora de programas de rádio e TV na França. </p>



<p>De acordo com Rokhaya, realizar trabalhos com múltiplas linguagens em diferentes lugares do mundo é uma forma de combater um traço marcante do racismo: a negação. Em entrevista para a Marco Zero Conteúdo, a ativista francesa falou sobre sua passagem por Pernambuco e as afinidades da luta antirracista no Brasil e na França. </p>



<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Como foi a sua estadia no Brasil e a participação na Baobácine?</strong></p>



<p><strong>Rokhaya Diallo</strong> &#8211; Foi uma oportunidade de descobrir um espaço que eu não conhecia no Brasil, nunca tinha estado no Nordeste. Então eu pude ter uma nova perspectiva, um olhar diferente do que você costuma ouvir de como é o Brasil lá no exterior e o acolhimento das pessoas tem sido muito bom, vivi muitos encontros emocionantes. </p>



<p><strong>Você consegue reconhecer semelhanças na luta antirracista no Brasil e na França?</strong></p>



<p>Obviamente a situação política de todos os países é diferente. Mas o que noto em qualquer lugar que conheço e que vou falar sobre o antirracismo é que existe uma negação. A negação do racismo é algo muito comum em todo o mundo. Eu acredito que no Brasil, por ter uma população que em sua maioria se identifica como negra, o sentimento de injustiça é muito maior do que na França, então há também suas diferenças.</p>



<p><strong>Quais estratégias você adotou na sua trajetória profissional para se tornar uma figura pública de visibilidade internacional?</strong></p>



<p>Isso não foi planejado, eu nunca teria imaginado ter tanta visibilidade. Eu diria que minha jornada é, ao mesmo tempo, uma sucessão de acidentes e encontros, e eu precisei ser muito resistente. Não vou negar que sendo um das únicas mulheres negras no campo do jornalismo de opiniões eu enfrento muitas dificuldades, porque há muitos jornalistas negros na França, mas são poucos os que realmente fazem uma análise política de enfrentamento. Há muito racismo e seximos envolvidos, e eu já passei por situações de assédio, polêmicas, tentativas de intimidação, há muita gente que é contra o meu trabalho na França. Então eu posso dizer, entre aspas, que uma das minhas estratégias tem sido trabalhar para a mídia internacional. Por exemplo, atualmente eu escrevo para o<a href="https://www.washingtonpost.com/people/rokhaya-diallo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Washington Post</a> e o The Guardian e com isso eu acabo estabelecendo uma forma de ter autoridade, e assim as pessoas na França não conseguem me ignorar, elas precisam ouvir o que eu tenho a dizer. </p>



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	                                        <p class="m-0">A ativista francesa, Rokhaya Diallo, conversou com ativistas do movimento negro pernambucano. Crédito: Fran Silva/Baobácine </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Como foi para você poder encontrar com ativistas negros do Brasil durante essa participação na Baobácine e qual a importância desse intercâmbio?</strong></p>



<p>Para mim é muito enriquecedor. E eu acho muito importante porque isso permite com que a gente se situe em uma diáspora para observar, como tenho visto também nas idas aos Estados Unidos e em outros países, que temos lutas em comum e também precisamos criar espaços seguros para dialogar. O que eu vejo é que realmente há uma sede, uma sede de troca, uma sede de criar uma ligação e um espaço onde estejamos seguros e nesse sentido o trabalho da Baobácine tem muito mérito. </p>



<p><strong>Em seus documentários você traz sempre a questão da representatividade para o centro do debate. Por que você faz essa escolha? E para você, qual é a relação do cinema com a propagação do antirracismo?</strong></p>



<p>O cinema cria o imaginário coletivo e tem um impacto extremamente forte nas representações, tanto daquelas pessoas que são representadas quanto das que não estão representadas. O cinema é um lugar onde as pessoas podem ser vistas e, eu tenho certeza, que quando você nunca vê certas pessoas no cinema você começa a questionar a existência delas, você acha que essas pessoas são indignas de existir. Nina Simone dizia que o dever dela enquanto artista era refletir sobre o seu tempo e eu concordo com ela, acho essencial ecoar as questões que precisam ser debatidas na sociedade. </p>



<p>Eu trabalhei em um documentário intitulado <em>Onde estão os negros?</em> E neste documentário, uma das sociólogas que é entrevistada, Marie-France Malonga, diz que para as minorias negras existem três tipos de representações que são muito comuns no cinema francês. Há a representação de &#8220;selvagem&#8221;, essa é uma pessoa que não é adequada para viver em um ambiente civilizado. Há a representação da &#8220;vítima&#8221;, essa é uma pessoa que está sempre necessitada, que precisa ser salva, geralmente por pessoas brancas. E por fim, tem a figura do &#8220;encrenqueiro&#8221;, é um delinquente, um terrorista, uma pessoa que não é honesta e causa problemas. Estas são representações que ainda continuam muito presentes no cinema, mesmo que ao longo dos anos nós tenhamos evoluído nos debates raciais, porque há cada vez mais diretores negros que contam suas próprias histórias. </p>



<p><strong>Uma das principais dificuldades encontradas por cineastas negros no Brasil é conseguir aporte financeiro para produzir seus filmes. Você também enfrenta essa dificuldade na França?</strong></p>



<p>É muito difícil conseguir financiamento na França também. E é incrível porque meus filmes são muito mal financiados, mas depois de lançados, eles são muito úteis, ganham muito reconhecimento e circulação. Eu sempre tenho que trabalhar com orçamentos muito pequenos. Para conseguir fazer meu primeiro filme eu tive que apelar para a solidariedade, fiz um apelo nas redes sociais para que as pessoas colaborassem.  E o meu último filme, que eu codirigi, demorou oito anos para conseguir financiamento. Então, não é fácil, mas já fiz oito documentários e hoje digo a mim mesma que, se não tenho meios para fazer meu trabalho corretamente, não irei mais trabalhar, porque eu não acho normal que com a minha experiência eu ainda possa ter dificuldades em encontrar meios de financiar os meus trabalhos. </p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de Onde estão os negros?, de Rokhaya Diallo. </p>
	                
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                    </figure>

	


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-negacao-do-racismo-e-algo-muito-comum-em-todo-o-mundo-afirma-cineasta-francesa-rokhaya-diallo/">&#8220;A negação do racismo é algo muito comum em todo o mundo&#8221;, afirma cineasta francesa Rokhaya Diallo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Com bolsa de R$ 10 mil, formação em jornalismo antirracista tem inscrições até dia 15 de outubro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Oct 2023 18:30:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[mídia independente]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O programa formativo online &#8220;O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras&#8221;, iniciativa do Nós, mulheres da periferia, em parceria com Alma Preta Jornalismo e Marco Zero Conteúdo, está com as inscrições abertas até o dia 15 de outubro de 2023. Válido apenas para jornalistas, estudantes de jornalismo e comunicadores com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O programa formativo online &#8220;O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras&#8221;, iniciativa do <strong>Nós, mulheres da periferia</strong>, em parceria com <strong>Alma Preta Jornalismo</strong> e<em> </em><strong>Marco Zero Conteúdo</strong>, está com as inscrições abertas até o dia<strong> </strong>15 de outubro de 2023. Válido apenas para jornalistas, estudantes de jornalismo e comunicadores com atuação no nordeste do Brasil, o cadastro e participação são gratuitos, e a lista dos selecionados será anunciada em 30 de outubro, por e-mail e nas redes sociais. Os participantes terão a chance de concorrer a uma bolsa no valor de R$ 10 mil, juntamente com a mentoria para produção de uma reportagem.</p>



<p>A ação tem o apoio da <strong>Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal</strong>, organização que atua na defesa da garantia de direitos para a primeira infância.</p>



<p>Serão selecionadas 35 pessoas para participarem, em novembro, de quatro encontros semanais online, sempre às terças-feiras a partir das 18h30. As formações serão ministradas por especialistas nos temas de primeira infância e racismo, numa colaboração com as equipes do<a href="https://nosmulheresdaperiferia.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Nós, mulheres da periferia</a> e<a href="https://www.almapreta.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Alma Preta Jornalismo</a>. No final, uma oficina prática proporcionará aos jornalistas o aprofundamento no assunto através da escrita sensível e de posicionamento crítico.</p>



<p>As sugestões de pautas, contendo obrigatoriamente o recorte racial, deverão ser propostas em parceria por dois ou mais jornalistas. A dupla ou grupo contemplado pelo edital receberá uma mentoria editorial, realizada em seis encontros no decorrer de 2024, com as equipes do Alma e Nós. A reportagem vencedora será publicada em pelo menos dois veículos independentes e periféricos da região.</p>



<p>Esta proposta representa não apenas a oportunidade de aprendizado, mas também uma porta de entrada para a criação de conteúdo jornalístico inclusivo e interseccional &#8211; sobreposição de opressões e discriminações existentes que recaem principalmente em relação às minorias políticas &#8211; que destaca a importância de olhar para as distintas realidades e territórios ocupados por mulheres e crianças negras.</p>



<p>A intenção é que, cada vez mais, a imprensa brasileira apoie o desenvolvimento de reportagens que promovam a conscientização e a ação pela equidade racial (tanto dentro quanto fora das redações) e da defesa dos direitos das comunidades negras, fortalecendo assim o compromisso com a justiça social na sociedade para a adoção de políticas públicas eficazes.</p>



<p><strong>Clique <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSex7Rhcil7OOp_6gLNtIRKmK_l_aZ_z9itF7aGGAxfxl56Smg/viewform">aqui</a> para fazer a sua inscrição.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O perigo da história única</strong></h2>



<p>A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie ofereceu uma perspectiva valiosa sobre o <em>pode</em>r ao afirmar que ele reside na habilidade não apenas de contar as histórias de outras pessoas, e sim de fazê-la sua história definitiva. “Sempre senti que é impossível se envolver direito com um lugar ou uma pessoa sem se envolver com todas as histórias daquele lugar ou daquela pessoa. A consequência da história única é esta: ela rouba a dignidade das pessoas. Torna difícil o reconhecimento da nossa humanidade em comum. Enfatiza como somos diferentes, e não como somos parecidos”, relata no livro<strong> </strong><em><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/14734.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O perigo de uma história única</a></em>, publicado em 2018.</p>



<p>Pegar toda a complexidade de uma pessoa e de seu contexto e reduzi-los a um só aspecto, normalmente o negativo, é algo praticado no Brasil desde o período colonial, impondo às populações negras e indígenas condições subalternas e de marginalização. Dessa maneira, seguindo a previsibilidade dos fatos históricos num país de longa trajetória escravocrata, a chegada da imprensa por aqui no século 18, vinda de Portugal, sob o rigoroso monitoramento da Coroa portuguesa, ajudou a massificar, ao longo dos anos, as ideias racistas de exclusão do povo preto. O homem negro, na figura do bandido ameaçador, e a mulher negra, objetificada e sem espaço para a expressão intelectual, são os exemplos dos estereótipos únicos estampados até pouco tempo nos influentes veículos de comunicação do país.</p>



<p>Quando falamos da criança negra, notamos que, aos poucos, ela começa a ser escutada cuidadosamente pelos profissionais de comunicação.</p>



<p>Na contramão da mídia hegêmonica, o programa formativo pretende qualificar a cobertura jornalística antirracista. O foco é ampliar os conhecimentos a respeito das variadas narrativas e investigar os desafios que permeiam o cotidiano das mães, além de garantir as condições de existência das pessoas negras ainda na primeira fase da vida.</p>



<p>Na formação, os debates irão abordar a violência racial e suas manifestações na vida das crianças negras, o papel da política pública no cuidado às mães negras, a presença da criança na família, escola e na sociedade, bem como as melhores práticas e ética na cobertura jornalística dos direitos da primeira infância.</p>



<p>Mayara Penina, especialista em Educação Infantil e diretora de conteúdo do Nós, salienta a relevância dessa formação para fomentar discussões no ecossistema do jornalismo. “Este ciclo formativo tem o objetivo de debater nossa atuação jornalística quando abordamos infâncias negras em todas as editorias. O olhar cuidadoso e responsável para o nosso campo de atuação deve pautar um jornalismo antirracista”.</p>



<p>Já Pedro Borges,editor-chefe da Alma Preta Jornalismo, reconhece que o programa é fundamental para debater o racismo estrutural e seu impacto no cotidiano de mães e crianças negras. “Iniciativas como essas só poderiam vir de uma reunião desses veículos com compromisso com os direitos humanos nas suas diferentes perspectivas e interseccionalidades. Juntos, topamos o desafio de olhar para a primeira infância com olhar mais cuidadoso”.</p>



<p>A gerente de comunicação da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Sheila Ana Calgaro, defende o apoio a iniciativas em rede que incitem o debate no campo da comunicação sobre os direitos de crianças negras, como essencial para a reflexão sobre o racismo. &#8220;Através de projetos de comunicação colaborativos e interconectados, podemos construir um ambiente propício para a reflexão e discussão sobre os direitos das crianças negras, promovendo uma análise profunda do racismo em nossa sociedade.&#8221;</p>



<p>Sérgio Miguel Buarque, coordenador executivo da Marco Zero conta que a equipe da organização está muito empolgado com o início dos trabalhos. &#8220;Um projeto fundamental tanto no conteúdo quanto na forma. No conteúdo, por discutir caminhos para um jornalismo antirracista, comprometido com proteção das crianças negras. Na forma, por fortalecer redes de jornalismo, fora do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, atuando de forma colaborativa e integrada.&#8221;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Serviço</strong></p><p><strong>Programa formativo: </strong>O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras.</p><p><strong>Inscrições:</strong> <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSex7Rhcil7OOp_6gLNtIRKmK_l_aZ_z9itF7aGGAxfxl56Smg/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Aqui</a></p><p><strong>Prazo final: </strong>15 de outubro.</p><p><strong>Divulgação dos selecionados:</strong> 30 de outubro. </p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre o Nós, mulheres da periferia</strong></h3>



<p>O Nós, mulheres da periferia é um site jornalístico dedicado a repercutir a opinião e a história de mulheres negras e periféricas. Seu compromisso é oferecer um outro jeito de ver os acontecimentos no Brasil e no mundo e contribuir para a construção de uma sociedade plural, antirracista e não patriarcal. Em atividade desde 2014, o objetivo do veículo é democratizar o debate público e aproximá-lo da realidade brasileira, que tem uma população majoritariamente formada por mulheres negras. Seguindo uma linha editorial transparente com suas leitoras e leitores, o fazer jornalístico do Nós, mulheres da periferia é guiado por valores como ética, confiabilidade e independência.<br><br><strong><a href="https://www.nosmulheresdaperiferia.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.nosmulheresdaperiferia.com.br/</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Alma Preta Jornalismo</strong></h3>



<p>A Alma Preta é uma agência de jornalismo especializada na temática racial. O objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente. A história da agência começou em 2015 como um coletivo de universitários e comunicadores negros, que perceberam desde jovens a necessidade de produzir pautas antirracistas no Brasil. Desde então, o veículo ganhou notoriedade pelo caráter político na produção de nossos conteúdos editoriais por acreditarem que seu trabalho tem o dever de informar, visibilizar e potencializar a voz da população negra.<br><br><strong><a href="http://www.almapreta.com.br">www.almapreta.com.br</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Marco Zero Conteúdo</strong></h3>



<p>A Marco Zero Conteúdo é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que tem por objetivo qualificar o debate público promovendo o jornalismo investigativo e independente. Em um cenário de concentração de mídia e perda de credibilidade dos meios de comunicação tradicionais, como vem ocorrendo no Brasil, a Marco Zero aposta na produção de reportagens e conteúdos que exponham as relações de poder, dando destaque a temas de interesse público invisibilizados pela mídia corporativa.</p>



<p><strong>Sobre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal</strong></p>



<p>Organização que atua desde 2007 aos direitos da primeira infância. Atua para transformar a vida das crianças do nascimento até os 6 anos, principalmente as mais vulneráveis, abrindo caminho para um futuro com mais perspectivas e um país com mais equidade. Para tanto, elegem quatro prioridades: mobilizar as lideranças públicas, sociais e privadas; sensibilizar a sociedade; fortalecer as funções dos pais e dos adultos responsáveis pelas crianças e melhorar a qualidade da educação infantil no nosso país.</p>



<p><a href="http://www.fmcsv.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>www.fmcsv.org.br</strong></a></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Programa de formação em jornalismo antirracista oferece bolsa de R$ 10 mil para reportagem</title>
		<link>https://marcozero.org/programa-de-formacao-em-jornalismo-antirracista-oferece-bolsa-de-r-10-mil-para-reportagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 22:01:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ajor]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[curso de jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia independente]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No mês da primeira infância, celebrado em agosto, o Nós, mulheres da periferia, em parceria com Alma Preta Jornalismo e Marco Zero Conteúdo, lança o programa formativo “O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras”. A ação tem o apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização que atua na defesa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No mês da primeira infância, celebrado em agosto, o <strong>Nós, mulheres da periferia</strong>, em parceria com <strong>Alma Preta Jornalismo</strong> e<strong> Marco Zero Conteúdo</strong>, lança o programa formativo “O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras”. A ação tem o apoio da <strong>Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal</strong>, organização que atua na defesa da garantia de direitos para a primeira infância.</p>



<p>Para marcar o lançamento do programa e a importância do mês de agosto para o tema, será realizado no dia 30 de agosto, das 19h às 21h, o evento online &#8220;Mães e crianças negras: sementes de comunidades vivas&#8221;.</p>



<p>As crianças negras e indígenas, juntamente com suas cuidadoras são as mais impactadas pelas desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira. Por isso, é fundamental que o assunto esteja presente nos noticiários, trabalhos acadêmicos e pesquisas, contribuindo para a consolidação e reivindicação de políticas públicas.</p>



<p>O evento contará com a participação de convidados especiais que têm experiência em áreas relacionadas à maternidade, racismo, jornalismo e primeira infância. Os nomes das participantes serão divulgados em breve, tanto no site quanto nas redes sociais do Nós, mulheres da periferia.</p>



<p>Para participar, é preciso fazer inscrição pelo <a href="https://materiais.nosmulheresdaperiferia.com.br/eventomaesecriancasnegrassementesdecomunidadesvivas"><u>link</u></a> <a href="https://materiais.nosmulheresdaperiferia.com.br/criancasnegras"><u>bit.ly/nos-maesecriancas</u></a> até o dia 30 de agosto, quarta-feira, às 14h. Jornalistas, comunicadores e interessados no tema de todo o Brasil poderão assistir. Será concedido certificado de participação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Inscrições para a formação</strong></h2>



<p>No dia do evento, além do espaço para escuta e diálogo, serão abertas as inscrições para o programa formativo online “O papel do jornalismo periférico e antirracista na proteção das crianças negras”. Este ciclo é voltado para jornalistas, estudantes de jornalismo e comunicadores com <strong>atuação no nordeste do país.</strong></p>



<p>Serão selecionadas 35 pessoas para participarem de quatro encontros online, cada com duas horas e trinta minutos de duração. Cada aula terá um eixo temático e será conduzida por uma profissional de relevância na área. Ao final, todas as pessoas participantes poderão concorrer a uma bolsa de R$10 mil para financiar uma reportagem comprometida com a proteção das crianças e mulheres negras.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jornalismo antirracista</strong></h2>



<p>Essa iniciativa contribui para a missão dos veículos e parceiros de trazer à tona histórias e narrativas sobre os desafios que permeiam o cotidiano de mães, bem como a importância de garantir os direitos de crianças negras.</p>



<p>Mayara Penina, especialista em Educação Infantil, e diretora de conteúdo do Nós salienta a relevância desta formação para fomentar discussões no ecossistema do jornalismo. “Este ciclo formativo tem o objetivo de debater nossa atuação jornalística quando abordamos infâncias negras em todas as editorias. O olhar cuidadoso e responsável para o nosso campo de atuação deve pautar um jornalismo antirracista”.</p>



<p>Para Pedro Borges, editor-chefe da Alma Preta Jornalismo, o programa é fundamental para debater o racismo estrutural e seu impacto no cotidiano de mães e crianças negras. “Iniciativas como essas só poderiam vir de uma reunião desses veículos com compromisso com os direitos humanos nas suas diferentes perspectivas e interseccionalidades. Juntos, topamos o desafio de olhar para a primeira infância com olhar mais cuidadoso”.</p>



<p>A gerente de comunicação da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Sheila Ana Calgaro, defende o apoio a iniciativas em rede que incitem o debate no campo da comunicação sobre os direitos de crianças negras, como essencial para a reflexão sobre o racismo.<br>&#8220;Através de projetos de comunicação colaborativos e interconectados, podemos construir um ambiente propício para a reflexão e discussão sobre os direitos das crianças negras, promovendo uma análise profunda do racismo em nossa sociedade.&#8221;</p>



<p>Sérgio Miguel Buarque, coordenador executivo da Marco Zero conta que estão muito empolgados com o início dos trabalhos. &#8220;Um projeto fundamental tanto no conteúdo quanto na forma. No conteúdo, por discutir caminhos para um jornalismo antirracista, comprometido com proteção das crianças negras. Na forma, por fortalecer redes de jornalismo, fora do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, atuando de forma colaborativa e integrada.&#8221;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre o Nós, mulheres da periferia</strong></h3>



<p>O Nós, mulheres da periferia é um site jornalístico dedicado a repercutir a opinião e a história de mulheres negras e periféricas. Seu compromisso é oferecer um outro jeito de ver os acontecimentos no Brasil e no mundo e contribuir para a construção de uma sociedade plural, antirracista e não patriarcal. Em atividade desde 2014, o objetivo do veículo é democratizar o debate público e aproximá-lo da realidade brasileira, que tem uma população majoritariamente formada por mulheres negras. Seguindo uma linha editorial transparente com suas leitoras e leitores, o fazer jornalístico do Nós, mulheres da periferia é guiado por valores como ética, confiabilidade e independência.<br>www.nosmulheresdaperiferia.com.br</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Alma Preta Jornalismo</strong></h3>



<p>A Alma Preta é uma agência de jornalismo especializada na temática racial. O objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente. A história da agência começou em 2015 como um coletivo de universitários e comunicadores negros, que perceberam desde jovens a necessidade de produzir pautas antirracistas no Brasil. Desde então, o veículo ganhou notoriedade pelo caráter político na produção de nossos conteúdos editoriais por acreditarem que seu trabalho tem o dever de informar, visibilizar e potencializar a voz da população negra.</p>



<p><a href="http://www.almapreta.com.br">www.almapreta.com.br</a></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Marco Zero Conteúdo</strong></h3>



<p>A Marco Zero Conteúdo é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que tem por objetivo qualificar o debate público promovendo o jornalismo investigativo e independente. Em um cenário de concentração de mídia e perda de credibilidade dos meios de comunicação tradicionais, como vem ocorrendo no Brasil, a Marco Zero aposta na produção de reportagens e conteúdos que exponham as relações de poder, dando destaque a temas de interesse público invisibilizados pela mídia corporativa.</p>



<p><strong>Sobre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal</strong></p>



<p>Organização que atua desde 2007 aos direitos da primeira infância. Atua para transformar a vida das crianças do nascimento até os 6 anos, principalmente as mais vulneráveis, abrindo caminho para um futuro com mais perspectivas e um país com mais equidade. Para tanto, elegem quatro prioridades: mobilizar as lideranças públicas, sociais e privadas; sensibilizar a sociedade; fortalecer as funções dos pais e dos adultos responsáveis pelas crianças e melhorar a qualidade da educação infantil no nosso país.</p>



<p><a href="http://www.fmcsv.org.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.fmcsv.org.br</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Serviço</strong>: </h4>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Evento online: Mães e crianças negras: sementes de comunidades vivas.</p><p>Data: 30 de agosto, quarta-feira</p><p>Horário: das 19h às 21h (horário de Brasília)</p><p>Gratuito</p><p><a href="https://materiais.nosmulheresdaperiferia.com.br/eventomaesecriancasnegrassementesdecomunidadesvivas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Inscrições neste link </a><a href="https://materiais.nosmulheresdaperiferia.com.br/criancasnegras">bit.ly/nos-maesecriancas</a></p></blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/programa-de-formacao-em-jornalismo-antirracista-oferece-bolsa-de-r-10-mil-para-reportagem/">Programa de formação em jornalismo antirracista oferece bolsa de R$ 10 mil para reportagem</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Articulação Negra de Pernambuco recomenda votos em nove candidaturas antirracistas</title>
		<link>https://marcozero.org/articulacao-negra-de-pernambuco-recomenda-votos-em-nove-candidaturas-antirracistas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Sep 2022 17:05:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), organização que reúne mais de 20 coletivos do estado, lançou uma plataforma política de apoio a candidaturas que concorrem a cargos na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional nas eleições 2022.A Articulação realizou um evento para apresentar a plataforma e as candidaturas negras apoiadas pelo coletivo. Além disso, foi [&#8230;]</p>
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<p>A Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), organização que reúne mais de 20 coletivos do estado, lançou uma plataforma política de apoio a candidaturas que concorrem a cargos na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional nas eleições 2022.A Articulação realizou um evento para apresentar a plataforma e as candidaturas negras apoiadas pelo coletivo. Além disso, foi entregue uma carta compromisso com diretrizes e propostas antirracistas a serem adotadas nos mandatos.</p>



<p>A iniciativa integra as ações da plataforma Quilombo nos Parlamentos, realizada pela Coalizão Negra por Direitos, que reúne indicações de candidaturas negras e antirracistas de todo o Brasil a fim de reivindicar uma maior ocupação do movimento negro na política institucional.</p>



<p>“A Articulação Negra de Pernambuco tem compromisso e está sempre se colocando como ponto de partida nas lutas de enfrentamento ao racismo aqui no nosso estado, por isso, nós entendemos a importância de colocar em evidência o nome das pessoas que estamos apoiando nas eleições. Para nós não é suficiente ter apenas uma pessoa negra na política, é necessário que seja uma pessoa negra do movimento negro, que tenha compromisso com a agenda de luta”, explicou Myrella Santana, integrante da Anepe e da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conheça as candidaturas apoiadas pela Anepe</strong></h2>



<p>A Articulação Negra de Pernambuco tem sido responsável por realizar atos de mobilização com o objetivo de promover uma mudança política e social para a população negra em Pernambuco. A entidade se notabilizou por atuar em casos de violações de direitos humanos, como a morte do menino Miguel, além de organizar ações de apoio à população que vive em situação de extrema vulnerabilidade, como a campanha “Tem Gente Com Fome”, que distribuiu milhares de cestas básicas no período crítico da pandemia da covid-19 no Brasil.</p>



<p>Este ano, é a primeira vez que a organização resolveu criar uma plataforma própria em apoio direto a candidaturas negras em Pernambuco, uma iniciativa que fortalece a incidência de políticas antirracistas no âmbito institucional e a organização coletiva do movimento negro.</p>



<p>Para Luiza Carolina, integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e candidata a deputada federal pelo PSOL, o aumento de candidaturas negras em 2022 tem uma explicação. “Eu acredito que esse crescimento no número de candidaturas e a mudança no formato da comunidade negra em fazer uma política coletiva e organizada é um estímulo pra gente pensar o enfrentamento radical ao desgoverno de Bolsonaro, porque esse governo expressa todos os antagonismos do projeto político que a gente representa”, afirmou a candidata.</p>



<p>Luiza é uma das candidatas apoiadas pela Anepe e integra um grupo formado por nove candidaturas: três que concorrem ao cargo de deputada federal, e seis que concorrem ao cargo de deputada ou deputado estadual. As candidaturas contempladas pela plataforma antirracista são: Débora Aguiar (Rede); Robeyoncé Lima, Luiza Carolina, Ailce Moreira, Dani Portela , Juntas Codeputadas e Elaine Cristina (estas do PSOL); Suzineide Rodrigues e Vinicius Castello (ambos do PT). </p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Da esquerda para a direita: Luiza Carolina (PSOL); Dani Portela (PSOL); Vinicius Castello (PT); Suzineide Rodrigues (PT); Elaine Cristina (PSOL); Ailce Moreira (PSOL); (Kátia Cunha &#8211; Juntas (PSOL); Débora Aguiar (Rede); Robeyoncé Lima (PSOL). Crédito: Marlon Diego. </p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Centralizar as questões de raça</strong></h3>



<p>A plataforma da Anepe evidencia o protagonismo das mulheres negras no contexto político atual, e a pluralidade das identidades dessas candidaturas também é algo marcante. Em termos de gênero, sexualidade, religião e experiência política, cada candidatura apresenta uma particularidade que as difere, porém, se encontram em um único ponto de partida: a raça.</p>



<p>Tratar a raça como ponto de partida é justamente o que norteia os compromissos apresentados pela Articulação Negra às candidaturas, como defende Myrella Santana: “nós elencamos alguns eixos que para nós são centrais e que estamos debatendo ao longo dos últimos anos, como saúde, educação, cultura, enfrentamento ao racismo religioso, direito à cidade, geração de emprego e renda, e tudo a partir de uma perspectiva racial, porque a gente acredita que raça não é recorte, é ponto de partida”.</p>



<p>“Por exemplo, quando falamos de direito à cidade nós precisamos olhar para as periferias, e pensar como é para o jovem negro de periferia se locomover dentro da cidade do Recife, principalmente se for uma jovem mulher”, concluiu a ativista.</p>



<p>Único homem a receber apoio pela Anepe, o vereador de Olinda e candidato a deputado estadual pelo PT, Vinicius Castello, afirmou que é fundamental que o movimento negro esteja atuando de maneira mais estratégica na política e declarou que: “a gente precisa ainda fazer um verdadeiro quilombo nos espaços para que, de fato, a gente tenha uma política antirracista que respeite a dignidade humana, que consiga entender toda a pluralidade existente no nosso povo [negro] e que consiga, principalmente, tornar evidente as lideranças negras que acabam enfrentando, de maneira institucional e estrutural, violências que a maioria dos corpos que ocupam a política ainda não enfrentam”.</p>



<p>Durante o seu mandato na Câmara de Vereadores de Olinda, Castello tem trabalhado na elaboração de projetos de lei pautados no antirracismo, entre eles o PL 149/2021, que tem o objetivo de proibir homenagens a escravocratas e acontecimentos históricos ligados a escravidão e também a exaltação do golpe militar de 1964. Além dos projetos de lei que instituíram o Dia da Favela e o Dia do Menino Miguel.</p>



<p>“Eu acho que há muito a ser feito, principalmente na escuta ativa que precisa existir nas periferias pernambucanas, das pessoas que realmente vivenciam a situação de completo abandono do poder público. [&#8230;] Eu acho que atuar de maneira antirracista no estado de Pernambuco é também permitir que pessoas que vivenciam as violações voltadas as questões raciais possam estar a frente desse processo político”, comentou o candidato pelo PT sobre a atual conjuntura política no estado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<title>Coalizão Negra lança projeto para impulsionar candidaturas do movimento negro e declara apoio a Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jun 2022 21:38:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[antirracista]]></category>
		<category><![CDATA[candidaturas negras]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento negro]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Institucional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Centenas de ativistas do movimento negro se reuniram nessa segunda-feira, 6 de junho, na Ocupação 9 de julho, no centro de São Paulo, para prestigiar o lançamento da iniciativa “Quilombo nos Parlamentos” promovida pela Coalizão Negra por Direitos. O projeto tem o objetivo de apoiar e fortalecer as pré-candidaturas de pessoas negras que irão disputar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Centenas de ativistas do movimento negro se reuniram nessa segunda-feira, 6 de junho, na Ocupação 9 de julho, no centro de São Paulo, para prestigiar o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3cbWSo0R-UE" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>lançamento da iniciativa “Quilombo nos Parlamentos”</strong></a><strong> </strong>promovida pela Coalizão Negra por Direitos. O projeto tem o objetivo de apoiar e fortalecer as pré-candidaturas de pessoas negras que irão disputar vagas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas nas eleições deste ano.</p>



<p>Com a participação de candidatos e candidatas filiados a diversos partidos de esquerda como PT, PSOL e PCdoB, e diversas lideranças do movimento negro que atuam em todo o território nacional, o evento sinalizou o apoio da Coalizão Negra ao ex-presidente Lula (PT), em chapa conjunta com Geraldo Alckmin (PSB).</p>



<p>Lula não pôde participar presencialmente do lançamento da iniciativa, pois foi diagnosticado com covid-19 e cumpre quarentena, mas fez uma aparição online e discursou para o grupo. “Eu fico feliz como a pessoa que tem vocês lado a lado na tentativa de reconquistar a democracia nesse país, para que as pessoas voltem a sorrir, para que as pessoas voltem a ter direitos, para que as pessoas voltem a sonhar e para que todo mundo diga em alto e bom som ‘não ao racismo’”, afirmou o pré-candidato. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A trajetória da Coalizão Negra </strong>na política</h2>



<p>A <a href="https://coalizaonegrapordireitos.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Coalizão Negra por Direitos</strong></a> é uma organização social do movimento negro do Brasil. Formada por mais de 200 ONGs, associações e movimentos sociais de luta antirracista no território nacional, a coalizão é vista atualmente como o maior coletivo negro em atividade no país.Durante o momento mais crítico da pandemia da covid-19, nos anos de 2020 e 2021, a coalizão negra, em parceria com a Oxfam Brasil, realizou a campanha<strong> </strong><a href="https://www.oxfam.org.br/ajuda-humanitaria/tem-gente-com-fome/?gclid=CjwKCAjw7vuUBhBUEiwAEdu2pBaUHRLuwCJzPTHOq_X8l4BDR8FE97SudQ9Ioy34a9XhCUj1VOqjZBoCqVkQAvD_BwE" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>&#8220;Tem Gente Com Fome&#8221;</strong></a>, que doou toneladas de alimentos e mais de 54 mil cartões de alimentação para pessoas em situação de vulnerabilidade social por todo o país.</p>



<p>A trajetória política da organização teve como marco inicial o lançamento do <strong>manifesto </strong><a href="https://comracismonaohademocracia.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>“Enquanto Houver Racismo Não Haverá Democracia”</strong></a>, publicado em 2020. Desde então, a Coalizão Negra por Direitos tem promovido atividades de formação, de capacitação técnica e de busca por recursos financeiros para dar suporte a diversas iniciativas, além de criar plataformas que ajudam a ampliar relações entre os diferentes grupos e movimentos sociais.</p>



<p>O projeto Quilombo nos Parlamentos nasceu como forma efetiva de consolidar mais de 100 candidaturas negras para ocupar espaços políticos, fortalecendo as respectivas campanhas eleitorais em 2022. Para isso, a coalizão criou <a href="https://quilombonosparlamentos.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>um site onde os nomes dos</strong> <strong>candidatos e candidatas serão expostos e atualizados</strong></a>, a fim de tornar as candidaturas mais visíveis e acessíveis. Outra iniciativa criada é a<strong> <a href="https://votoantirracista.com.br/sobre-os-comites/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;Comitês Antirracistas&#8221;</a></strong><a href="https://votoantirracista.com.br/sobre-os-comites/">,</a> que reúne dicas e materiais de apoio para impulsionar as campanhas eleitorais.</p>



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	                                        <p class="m-0">Participação de Lula no evento de lançamento do projeto &#8220;Quilombo nos Parlamentos&#8221;. Crédito: Reprodução/YouTbe</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Protagonismo das mulheres negras: sementes de Marielle </strong></h3>



<p>A pernambucana e integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Mônica Oliveira, é uma das lideranças da Coalizão Negra por Direitos e durante o seu discurso no evento “Quilombo nos Parlamentos” enfatizou a longa história de luta do movimento negro em todo o Brasil e o seu legado na política.</p>



<p>“O que a gente está fazendo hoje aqui é continuidade de um processo longo, histórico e político do movimento negro nesse país. [&#8230;] Nós do movimento negro sempre pertencemos a esse campo chamado esquerda, nós construímos essa esquerda, nós mulheres negras, como bem diz Vilma Reis e várias outras lideranças como Sueli Carneiro, nós empurramos a esquerda para a esquerda”, afirmou Mônica.</p>



<p>Além de Mônica Oliveira, as pernambucanas Ingrid Farias, da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, e as pré-candidatas Dani Portela (PSOL), Robeyoncé Lima (PSOL), Elaine Cristina (PSOL) e Débora Aguiar (Rede) estavam presentes no evento. Todas fizeram questão de mencionar a tragédia causada pelas chuvas em Pernambuco, que até esta terça-feira, 7 de junho, resultou na morte de 129 pessoas e deixou outras 9.134 desabrigadas, e enquadraram o caso como racismo ambiental. “É um cenário de guerra, pessoas que perderam tudo, inclusive a própria vida”, afirmou Dani Portela.</p>



<p>O protagonismo das mulheres era nítido durante todo o evento, com discursos marcados por falas que destacavam a vivência das mulheres negras, mães e periféricas. Além de disputar as narrativas impostas pelo racismo ficou nítido que as integrantes do movimento negro querem disputar os mandatos, como defendeu Robeyoncé Lima: “É preciso que a gente aquilombe a política com lideranças negras dentro de espaços de poder e de tomada de decisão, a gente não vai mais admitir uma política feita sem os nossos corpos e sem o nosso protagonismo. [&#8230;] Travestis negras no comando da nação”.</p>



<p>“A gente precisa ter a caneta na mão e não só a caneta que cria as leis no parlamento, mas a caneta no executivo. Eu quero que esse quilombo dos parlamentos um dia chegue ao congresso nacional e que o Brasil seja governado por uma mãe, mulher, preta. É esse o país que eu quero”, reforçou Dani Portela.</p>



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	                                        <p class="m-0">Identidade visual da iniciativa da Coalizão Negra por Direitos</p>
	                
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<p>A vereadora do Recife e pré-candidata a deputada estadual também fez questão de relembrar as ameaças que vem sofrendo e que a fizeram solicitar uma proteção policial e questionou: “quantos e quantas dos nossos e das nossas estão neste momento ameaçados por ousarem ocupar o lugar que é nosso por direito?”.</p>



<p>O discurso de Dani Portela corroborou com as menções a Marielle Franco, citada por diversas candidatas como uma inspiração para a consolidação do movimento negro na política e para a ascensão de mulheres negras nos parlamentos.</p>



<p>Em seu discurso, Anielle Franco, irmã da vereadora do Rio de Janeiro assassinada no dia 14 de março de 2018, e presidenta do Instituto Marielle Franco, também reforçou a importância de cuidar e garantir a segurança das mulheres negras envolvidas na política. “Eu espero que a gente hoje se fortaleça nesse evento, eu espero que a gente se cuide, eu espero não só eleger, não basta elegermos todos que falaram aqui, a gente precisa cuidar. Eu falei isso em 2020 e perguntei “quem cuida das mulheres negras eleitas?”, eu cheguei pra ver minha irmã com cinco tiros na cabeça, 13 no carro, não desejo isso a ninguém. [&#8230;] Eu quero celebrar as mulheres negras enquanto elas estão vivas!”, declarou a educadora.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Passos que vêm de longe</strong></h3>



<p>Personalidades que foram fundamentais para o avanço da ocupação de espaços públicos por pessoas negras estavam presentes no evento que reverenciou a ancestralidade como causa maior da revolução. Entre os discursos mais esperados da noite estava o de Milton Barbosa, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado, uma das organizações pioneiras na luta antirracista no Brasil, criada em 1978.</p>



<p>“Nós vamos derrotar a extrema direita. Nós progressistas, nós negros revolucionários que queremos a transformação, queremos dar norte para este país, vamos dar norte para este país, para as Américas e para o mundo. [&#8230;] Esse momento mostra que estamos fortes e vamos efetivamente ocupar espaços de fundamental importância no parlamento”, declarou o ativista.</p>



<p>A filósofa e escritora Sueli Carneiro, também discursou enfatizando a importância histórica do lançamento do projeto Quilombo nos Parlamentos. “Vivenciamos um fato inédito e histórico: o lançamento de um conjunto de candidaturas negras de dimensões nacionais que tem a potencialidade de, pela primeira vez, eleger uma bancada negra significativa construída pela nossa ação política coletiva sob a liderança da Coalizão Negra por Direitos. É também inédito e histórico que esse quilombo parlamentar seja prestigiado pelo candidato a presidência do país que é líder das intenções de voto e depositário das esperanças das forças progressistas de que o ambiente democrático, embora de baixa intensidade de sempre, seja restabelecido de forma a que as disputas indispensáveis para o avanço das nossas agendas possa acontecer, sem isso nós não temos nenhuma chance”.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Combate ao racismo reúne diversos movimentos sociais na Marcha da Consciência Negra no centro do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/combate-ao-racismo-reune-diversos-movimentos-sociais-na-marcha-da-consciencia-negra-no-centro-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Nov 2021 00:53:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[20 de novembro]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso miguel]]></category>
		<category><![CDATA[dia da consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[Mirtes Renata Santana]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=42005</guid>

					<description><![CDATA[<p>O que se viu no centro do Recife, neste sábado 20 de novembro, foi uma verdadeira aliança entre movimentos sociais e entidades civis, ligados a diferentes causas, empenhados em construir um futuro onde a violência e a morte não serão mais a sina do povo brasileiro.  Independente de raça, classe e gênero, os manifestantes presentes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que se viu no centro do Recife, neste sábado 20 de novembro, foi uma verdadeira aliança entre movimentos sociais e entidades civis, ligados a diferentes causas, empenhados em construir um futuro onde a violência e a morte não serão mais a sina do povo brasileiro. </p>



<p>Independente de raça, classe e gênero, os manifestantes presentes na Marcha da Consciência Negra, que aconteceu no histórico pátio do Carmo, defenderam que a luta antirracista precisa estar interligada a uma pluralidade de outras lutas, atravessadas pela violência que é fruto do racismo estrutural do Brasil. Por uma moradia digna, pelo fim da fome, por uma infância tranquila e saudável, por uma educação de qualidade, pelo fim da violência policial e por outras diversas causas, esse foi o tom das falas dos representantes de organizações sociais que seguraram o microfone no pátio e ao longo do trajeto até o Marco Zero, no Bairro do Recife. </p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;<strong>Faremos Palmares de novo</strong>&#8220;</h2>



<p>Ao longo da concentração, entre 14h e 16h, foi possível perceber a diversidade de bandeiras presentes. A pluralidade, contudo, não dificultou o clima de unidade dos que ali estavam. Em torno do mote do racismo, concentrados no local que há 40 anos foi palco da Missa dos Quilombos, foi possível perceber uma verdadeira consciência da luta antirracista e seus atravessamentos. </p>



<p>“É uma data que é de protesto e de resistência, mas é também uma data de confraternização de toda a diversidade do que é o movimento no Brasil e neste ano, especialmente, numa conjuntura política de um Governo Federal que é extremamente perverso com a população negra”, declarou Edilson Silva, presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro) no Recife.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pátio do Carmo é espaço simbólico na luta antirracista no Brasil.  Foto: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>O clamor pelo Fora Bolsonaro e Mourão foi bastante presente durante toda a manifestação, mas, também houve um apelo dos manifestantes para que a estrutura do racismo, que segue se perpetuando ao longo de todos os anos independente de governos, não fosse esquecida. </p>



<p>“Para nós, é muito importante que essa grande articulação dos movimentos sociais não se resuma ao dia de hoje por causa do Fora Bolsonaro, porque a luta contra o racismo no Brasil é muito mais do que tirar Bolsonaro. É claro que, nesse momento, tirar Bolsonaro é uma prioridade, mas é importante compreender que isso não vai acabar com o racismo”, disse Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e da Coalizão Negra por Direitos.</p>



<p>As referências ao Quilombo dos Palmares e aos maiores símbolos nacionais de luta anti escravocrata, Zumbi e Dandara, estiveram bastante presentes nos atos. Os gritos de “faremos Palmares de novo” estava traduzido em palavras, mas também de forma simbólica com a forte presença dos movimentos de luta por moradia no ato do Dia da Consciência Negra.</p>



<p>Se Zumbi e Dandara lutaram para construir uma vida digna e feliz para o povo negro e tinham na garantia de um lugar seguro para morar e prosperar o seu maior objetivo, o crescimento do protagonismo dos movimentos por moradia é a prova de que existe um saber ancestral que segue potente no povo negro.</p>



<p>“Essa luta não é só do povo negro, ela também é de todo o povo pobre. Nós acreditamos no movimento popular e temos a consciência que precisamos lutar para que as transformações necessárias aconteçam na nossa sociedade”, afirmou Vítor Henrique, do Movimento de Luta por Terra e Trabalho (MLTT). </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A dor e a luta das mulheres negras</strong></h3>



<p>A Marcha do Dia da Consciência Negra foi puxada pelas mulheres negras. Durante todo o percurso, foi notável o protagonismo das mulheres, tanto na organização quanto na condução da manifestação. </p>



<p>“As mulheres negras são depositárias da resistência negra, depositárias do nosso sagrado, depositária da nossa cultura e as mulheres negras sempre tiveram um papel político importantíssimo. São as organizações de mulheres negras que têm atuado de forma mais consistente, mais qualificada e mais permanente e sistematicamente nessa luta contra o racismo”, declarou Mônica Oliveira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mulheres negras assumiram a linha de frente do ato. Foto: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Para muitas dessas mulheres negras, o dia 20 de novembro é uma triste e dolorida lembrança de violências e injustiças sofridas pelos seus filhos. Emocionada, Mirtes Renata, <a href="https://marcozero.org/um-ano-apos-a-morte-do-menino-miguel-mirtes-renata-continua-se-mobilizando-em-busca-de-justica/">mãe do menino Miguel</a>, morto quando estava sob cuidados da patroa em junho de 2020, esteve presente no ato e fez questão de reforçar a importância da luta antirracista. “Eu tô aqui hoje para, junto com os movimentos sociais, tentar combater esse racismo que vem destruindo nossos povos. A minha luta não é só por justiça por Miguel, mas também pela vida das nossas crianças negras que sofrem com o racismo até dentro do judiciário ”, disse. </p>



<p>Maria do Carmo Arcanjo, <a href="https://marcozero.org/apos-justica-decretar-prisao-preventiva-mae-de-arcanjo-reafirma-inocencia-do-filho/">mãe de André Arcanjo</a>, homem negro preso sob acusação de latrocínio, também esteve presente no ato clamando por justiça pelo seu filho. “Meu filho está preso injustamente, ele é um homem bom”, disse a mãe. Amigos e familiares de André carregaram faixas durante a manifestação e demonstraram toda a indignação com o caso. </p>



<p>Ao final do ato, no Marco Zero do Recife, os manifestantes acenderam velas, ligaram as lanternas dos celulares, e fizeram um jogral em homenagem às vítimas do racismo. Em seguida, após gritos carregados de revolta, um silêncio de dor marcou o minuto final da manifestação.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mirtes Renata denuncia que o racismo continua presente no Judiciário.  Foto: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>O Pátio do Carmo e a Consciência Negra </strong></p><p>Há exatos 40 anos, muito antes do 20 de Novembro fazer parte do calendário escolar e se tornar feriado em vários estados, o pátio do Carmo foi cenário de uma das mais marcantes celebrações da data. No domingo, 22 de novembro de 1981, milhares de pessoas lotaram o espaço do centro do Recife, para assistir à Missa dos Quilombos, articulada por dom Hélder Câmara e dom Pedro Casaldáliga, e celebrada por dom José Maria Pires, o arcebispo negro de João Pessoa que era conhecido por Dom Pelé.</p><p>Com Milton Nascimento interpretando músicas compostas especialmente para a celebração, dezenas de dançarinos e dançarinas proporcionavam um inédito espetáculo de ritmos afros, misturando elementos do cristianismo e do candomblé. A homilia de dom José Maria Pires é considerada por teólogos como um marco na virada da relação entre a Igreja Católica e a população negra brasileira. &#8220;No passado, a Igreja não foi suficientemente solidária com a causa dos escravos, não condenou a escravidão do negro, não denunciou a tortura de escravos, não amaldiçoou o pelourinho&#8221;, pregou o arcebispo da Paraíba, depois de afirmar que o público presenciava &#8220;os sinais de uma nova aurora&#8221;. </p></blockquote>





<p> <em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project</a>.</strong></em></p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/combate-ao-racismo-reune-diversos-movimentos-sociais-na-marcha-da-consciencia-negra-no-centro-do-recife/">Combate ao racismo reúne diversos movimentos sociais na Marcha da Consciência Negra no centro do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O racismo que não acaba na virada do ano</title>
		<link>https://marcozero.org/o-racismo-que-nao-acaba-na-virada-do-ano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2020 20:41:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso miguel]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Institucional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você postou um quadrado preto na sua conta de Instagram, uma #hashtag contra o racismo ou compartilhou imagens e mensagens sobre ser antirracista em 2020? Quantos dos casos de racismo que surgiram na sua tela chegaram a uma conclusão? O assassinato de George Floyd incendiou o mundo com protestos, assim como o homicídio de Beto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você postou um quadrado preto na sua conta de Instagram, uma #hashtag contra o racismo ou compartilhou imagens e mensagens sobre ser antirracista em 2020? Quantos dos casos de racismo que surgiram na sua tela chegaram a uma conclusão? O assassinato de<a href="https://marcozero.org/a-nossa-revolta-com-o-racismo-e-dor-nao-e-espetaculo-jornalistico/"> George Floyd incendiou o mundo com protestos</a>, assim como o <a href="https://marcozero.org/pm-tenta-incriminar-mulher-negra-em-ato-contra-racismo-no-carrefour/">homicídio de Beto Freitas em uma loja do Carrefour mobilizou o Brasil</a>, principalmente as pessoas negras.</p>



<p>Na virada do ano em que o debate sobre racismo e práticas antirracistas ganhou destaque nas redes sociais e na mídia, a pergunta que não pode deixar de ser feita é o quanto e como esse debate continuará a ser travado em 2021. #VidasNegrasImportam é mais sobre ações e práticas do que a própria hashtag.</p>



<p>De acordo com o relatório &#8220;A cor da violência policial: a bala não erra o alvo&#8221;, da Rede de Observatório da Segurança, em Pernambuco, para cada dez pessoas mortas no estado, nove são negras &#8211; um percentual de 93%. O número de mortos pela polícia em 2019 é o dobro de 2015. E apenas no primeiro semestre de 2020 foram registradas 55 mortes em ações policiais.</p>



<p>Quando 2020 acabar, a extensão dos danos do racismo continuará para milhares de famílias. No Recife, a Marco Zero noticiou e vem acompanhando ao longo do ano três casos que mostraram a perversidade de como o racismo atua e estrutura a sociedade, nas suas diferentes expressões.</p>



<p>Em todos eles, meninos e jovens negros foram vítimas do racismo institucional, da violência policial e do racismo estrutural. Márcio, Miguel e Lucas &#8211; o primeiro segue vivo. Mas, para cada um deles a justiça ainda não foi feita, tampouco houve reparação. Os três casos seguem em aberto, com a angústia da vítima, das famílias que lutam por justiça e de quem luta para ver o nome ser limpo. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Reprodução Facebook.</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo institucional</strong></h2>



<p>Em 4 de fevereiro, durante a Terça Negra, evento tradicional organizado pelo movimento negro, no Pátio de São Pedro, <a href="https://marcozero.org/terca-negra-em-acao-racista-guarda-municipal-do-recife-atira-em-meia-a-multidao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um jovem negro foi abordado e detido arbitrariamente pela Guarda Municipal, quando um dos agentes disparou tiros de arma de fogo em meio a uma multidão</a>. Como resultado, o rapaz foi incriminado e poderia responder a um inquérito policial por porte de drogas &#8211; que ele afirmou que não estavam com ele &#8211; enquanto, por outra via, foi aberta investigação para identificar o agente que atirou, mesmo quando no Recife o porte de armas é proibido, por lei, para agentes municipais de segurança.</p>



<p>Dez meses depois, <a href="https://marcozero.org/vitima-de-racismo-na-terca-negra-ainda-nao-foi-ouvida/">a lentidão da burocracia que já apontava que o caso não seria resolvido rapidamente</a> se confirma. Oficialmente, os advogados que acompanham o caso de Márcio da Silva sequer foram notificados de movimentações no processo. Uma das possibilidades é de que o processo tenha sido arquivado, como pedia a defesa, ou que esteja parado. Enquanto isso, durante todo este tempo, segundo a advogada de Márcio, Josenira Nascimento, ele disse não ter recebido nenhuma notificação em casa.</p>



<p>A ausência de resposta das instituições diz muito. Márcio foi vítima do racismo institucional, poderia ter sido morto por um dos tiros disparados por agente da Guarda Municipal e ainda precisa seguir a sua vida com receio de que seja incriminado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo estrutural</strong></h2>



<p>Semana a semana, 2020 possivelmente se transformou no ano mais longo da vida de muitas pessoas. Uma dessas pessoas é Mirtes Renata, mãe de Miguel, menino de cinco anos que caiu do nono andar de um prédio de luxo e morreu no dia 2 de junho. A criança ficou sob responsabilidade de Sarí Corte Real, ex-patroa de Mirtes, enquanto a trabalhadora doméstica passeava com o cachorro da família.</p>



<p>Para ela e Dona Marta, avó de Miguel, assim como não existe clima para celebrar as festas de fim de ano, enquanto não houver justiça por Miguel, sua luta não terá descanso. &#8220;Eu vou ficar em casa mesmo. Só o que eu tenho a fazer é botar meu joelho no chão, agradecer a Deus por ele está cuidando do meu filho, à vida de cada pessoa que está me ajudando nessa luta e pedir forças para continuar lutando”, conta.</p>



<p>A luta de Mirtes desde junho não tem data para acabar. <a href="https://marcozero.org/querem-transformar-meu-filho-no-demonio-e-sari-em-santa-diz-mirtes/">No último dia 3 de dezembro aconteceu a primeira audiência de instrução do caso</a>. No entanto, a escuta de todas as testemunhas não terminou porque algumas pessoas indicadas por Sarí Corte Real não compareceram, nem respondem às cartas precatórias (instrumento jurídico para intimar pessoas residentes em outras localidades). No dia 17 de Dezembro deveria ter sido instituída nova data para resposta das cartas, mas não saiu. Agora só depois do retorno do judiciário é que haverá a definição de uma nova data. &#8220;Se não tiver, vamos ter que fazer mobilização cobrando as datas”, afirma Mirtes.</p>



<p>&#8220;Eu estou bem indignada. Querem culpar Miguel, uma criança!”, diz sobre a audiência. A defesa de Sarí, que é ex-primeira dama de Tamandaré, está tentando construir a narrativa de que Miguel seria responsável pelo que aconteceu. Mesmo sendo ela adulta e ele uma criança de cinco anos. &#8220;É revoltante saber que Miguel era uma criança que não tinha o direito de ser protegida porque é filho de empregada, era uma criança negra”, desabafa Mirtes.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mirtes e Dona Marta, avó de Miguel. Para Mirtes, seu menino virou um anjo. Na casa em que vivem, ele está em todo canto. Fotos: Inês Campelo / MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Ao longo do tempo, o racismo que atravessou e atravessa pessoas como Sarí ficou nítido para Mirtes. &#8220;Alguns pontos que aconteceram na audiência deu para enxergar bem que era o racismo. Os filhos deles tinham que ser protegidos, a filha da amiga dela tinha direito de ser protegida. Eram crianças que podiam receber cuidados. Mas meu filho não era uma criança que merecia ser cuidada e protegida na visão deles”.</p>



<p>Como Mirtes, são muitas as mães que veem seus filhos e filhas negros e negras serem vítimas do racismo e ainda criminalizadas. <a href="https://marcozero.org/mirtes-sem-miguel-eu-defendia-meu-filho-em-vida-vou-defender-na-morte-tambem/">Na sua busca por justiça, se fortalecido com o apoio de movimentos sociais, do movimento negro, artistas e da sociedade</a>.</p>



<p>&#8220;Eles estão querendo me cansar psicologicamente, para atrasar o caso, para me cansar e eu desistir. Eles têm o poder do dinheiro, eu tenho o poder da fala, da coragem, do justo. Eu tenho caráter, coisa que eles não têm”, diz, sabendo que 2021 ainda é parte da batalha para preservar a memória do seu filho e ver a justiça ser feita. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Extermínio de jovens negros</strong></h2>



<p>No dia 17 de outubro, um sábado, um grupo de jovens estava reunido em uma escadaria no Alto da Colina, no bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, quando <a href="https://marcozero.org/adolescente-negro-morto-pela-policia/">a Polícia Militar chegou atirando e Lucas da Luz Marques da Rocha, um adolescente negro de 17 anos, foi atingido por um tiro de fuzil no tórax</a>. Ele morreu cerca de quatro horas depois no Hospital Otávio de Freitas. </p>



<p>O sofrimento de Lucas, no entanto, não acabou no momento que levou o tiro, nem o de sua família acabou até hoje. Depois da morte de Lucas, a família soube que ele havia sido incriminado pela polícia, que afirmou que ele reagiu à abordagem e estaria com uma arma. Desde então, a luta é para provar que a ação da polícia foi ilegal e limpar o nome do adolescente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Família de Lucas pede por justiça em ato (esquerda). Lucas da Luz, de 17 anos (direita). Créditos: Jéssica Lopes e acervo pessoal.</p>
	                
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<p>O relato do que aconteceu naquela noite é de horror. De acordo com a família, os policiais arrastaram o menino até a viatura para levar ao hospital. Ele teria ficado 20 minutos sem respirar durante esse trajeto, segundo a equipe médica. No hospital, durante as horas de espera por notícias do irmão, Renata da Luz tentou saber dos policiais que o levaram o que havia acontecido e só encontrou indícios de irregularidades e contradições. Alguns rapazes que estavam com Lucas no momento que a polícia chegou atirando foram detidos e levados na mesma noite do ocorrido à delegacia, mas foram liberados no dia seguinte sem qualquer acusação, apenas o adolescente assassinado foi incriminado.</p>



<p>Em nota à Marco Zero, a Polícia Civil de Pernambuco, por meio da 13a Delegacia de Polícia de Homicídios/DHMS, informou que o inquérito sobre o homicídio foi concluído e remetido ao Ministério Público de Pernambuco.O inquérito que, em teoria, investigava também a ação dos policiais aconteceu sob sigilo e assim continua, já que o MPPE ainda não apresentou denúncia. Nem os advogados que acompanham o caso tiveram acesso ao documento. Devido à pandemia, muitos prazos se perderam e, o que já demorava, não tem data certa para acontecer. Oficialmente, não se sabe se os policiais foram denunciados e caso tenham sido denunciados, pelo quê.</p>



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