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	<title>Arquivo de Democracia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 10 Jun 2026 17:53:22 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Democracia - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Entre “mimimi” e silenciamento, Câmara do Recife vira palco de violência contra mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 19:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência política de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Interrupções, gritos, zombarias, dedo em riste, intimidação e constrangimento público passaram a integrar a rotina da atual legislatura da Câmara Municipal do Recife. Vereadoras relatam um ambiente sistemático de violência política de gênero e apontam parlamentares da extrema direita como responsáveis pelos ataques. O plenário virou um espaço de tensão permanente. Sessões legislativas passaram a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Interrupções, gritos, zombarias, dedo em riste, intimidação e constrangimento público passaram a integrar a rotina da atual legislatura da Câmara Municipal do Recife. Vereadoras relatam um ambiente sistemático de violência política de gênero e apontam parlamentares da extrema direita como responsáveis pelos ataques.</p>



<p>O plenário virou um espaço de tensão permanente. Sessões legislativas passaram a acumular quase que diariamente episódios de tentativas de silenciamento, desrespeito e de desqualificação das falas das mulheres, além de muitas acusações de “mimimi” dirigidas principalmente às vereadoras de esquerda — mas não só. Os ataques extrapolam o ambiente institucional e ocupam também as redes sociais. </p>



<p>Os episódios mais recorrentes envolvem os vereadores Eduardo Moura (Novo) e Thiago Medina (PL) e têm como principais alvos Cida Pedrosa (PCdoB), Jô Cavalcanti (PSOL), Kari Santos (PT) e Liana Cirne (PT), mas também atingem a evangélica Ana Lúcia (Republicanos).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Violência política de gênero na Câmara do Recife" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/jKesN5Zo-J8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Em vídeos registrados durante sessões recentes da casa, é possível ver os parlamentares interrompendo falas femininas, fazendo gestos ostensivos e criando tumultos paralelos enquanto as vereadoras ocupam a tribuna. Muitas vezes a discussão abandona completamente o mérito político e se desloca para provocações pessoais e tentativas de desmoralização pública.</p>



<p>As cenas têm se repetido com frequência suficiente para que vereadoras de diferentes partidos passem a identificar o fenômeno não mais como casos isolados, mas como parte da própria dinâmica política instalada na Câmara Municipal.</p>



<p>A vereadora Cida Pedrosa afirma que o centro da disputa não está apenas nas divergências ideológicas entre esquerda e direita, mas no direito das mulheres existirem politicamente dentro das instituições. “O que está em disputa é o direito das mulheres ocuparem os espaços de poder. Quando uma vereadora é interrompida, quando tentam cortar sua voz, quando tentam deslegitimar sua presença naquele lugar, não estão atacando apenas aquela mulher individualmente. Estão atacando o mandato que ela representa, a população que a elegeu e a própria democracia”, diz.</p>



<p>Cida relata que as tentativas de silenciamento acontecem mesmo em situações protegidas pelo regimento interno da Câmara. “Eu sou frequentemente uma das vereadoras mais interrompidas na Câmara do Recife. E isso acontece mesmo quando o regimento garante que uma parlamentar não pode ser interrompida na tribuna, no aparte ou em uma questão de ordem”, explica.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/cida-pedrosa-foto-Guga-Matos.jpeg" alt="A imagem mostra Cida Pedrosa, mulher de meia-idade com cabelos curtos castanhos e óculos escuros, falando ao microfone em um ambiente de conferência. Ela veste uma blusa azul-clara bordada com desenhos brancos e segura um papel enquanto sorri de forma tranquila e confiante. À sua frente há um copo de água, e o fundo está desfocado, sugerindo um espaço formal com outras pessoas presentes." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Cida Pedrosa (PCdoB) é uma das vereadoras mais atacadas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Guga Matos/Câmara do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo ela, há um padrão repetitivo de intimidação direcionado às mulheres parlamentares: “toda vez que uma mulher ocupa um espaço legítimo de fala, determinados vereadores tentam atravessar essa fala, falar mais alto, impor o dedo em riste, criar constrangimento público”.</p>



<p>As imagens das sessões confirmam a descrição. Em diversos momentos, as vereadoras tentam concluir suas falas enquanto parlamentares homens conversam alto, fazem comentários paralelos ou provocam interrupções sucessivas. Em alguns episódios, o ambiente se deteriora a ponto de a sessão precisar ser temporariamente interrompida.</p>



<p>Para Jô, “isso revela que a política brasileira ainda carrega uma estrutura muito machista que aceita mulheres desde que elas não incomodem, não enfrentem e não disputem o poder de verdade”. “É por isso que a divergência política faz parte da democracia. O problema é quando a divergência vira silenciamento e humilhação ou tentativa de deslegitimar um mandato eleito pelo povo”, comenta.</p>



<p>Apesar de existir lei para combater a violência política de gênero, Jô acredita que “a lei sozinha não pode mudar uma cultura política construída durante séculos. Para nós mulheres, além da lei, é preciso responsabilização, formação institucional e mudança de prática. Quando uma vereadora é silenciada não é só ela que perde, perde quem votou nela, o debate público e também a democracia”, sustenta.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/jo-foto-camara-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Jô Cavalcanti, mulher negra de meia-idade, com cabelo crespo curto e óculos de armação escura, falando ao microfone em um ambiente formal, como uma sala de reuniões ou plenário. Ela veste uma blusa vermelha de gola alta e um blazer preto, transmitindo uma aparência elegante e profissional. O fundo tem paredes de madeira clara, partes de bandeiras e estruturas metálicas, sugerindo um espaço institucional. Sua expressão é atenta e firme, indicando que está discursando ou apresentando algo com convicção." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para Jô Cavalcanti (PSOL), &#8220;a política ainda carrega uma estrutura muito machista&#8221;. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara Municipal do Recife</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Violência política de gênero se espalha pelas Câmaras Municipais</h2>



<p>O que acontece no Recife acompanha um processo nacional documentado por organizações de direitos humanos, institutos de pesquisa e organismos internacionais. Levantamentos recentes apontam que as câmaras municipais brasileiras se consolidaram como um dos principais espaços de violência política de gênero no país.</p>



<p>Um dos estudos mais abrangentes sobre o tema foi produzido pelo Instituto Marielle Franco. O relatório <a href="https://www.violenciapolitica.org/baixe-a-pesquisa2023"><em>Violência política de gênero e raça no Brasil</em></a> reúne relatos de mulheres parlamentares e candidatas de diferentes regiões do país e aponta que interrupções constantes, desqualificação intelectual, ameaças, constrangimentos públicos e tentativas de silenciamento passaram a integrar a rotina institucional de mulheres na política.</p>



<p>Outro levantamento, produzido pela ONU Mulheres em parceria com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), aponta que a violência política aparece hoje como uma das principais barreiras à participação feminina nos espaços institucionais da América Latina. O estudo identifica que mulheres progressistas, feministas, negras e periféricas figuram entre os grupos mais expostos a ataques.</p>



<p>Dados do Observatório da Violência Política e Eleitoral também mostram crescimento contínuo dos registros de violência política de gênero desde as eleições municipais de 2020.</p>



<p>No Recife, as vereadoras afirmam reconhecer nas sessões da Câmara exatamente os padrões descritos pelas pesquisas nacionais. Para Kari Santos, a violência política deixou de ser excepcional e passou a operar como método de disputa institucional.</p>



<p>“Quando um vereador me interrompe no meio de uma fala, quando vira as costas e começa a conversar alto enquanto eu falo, quando entra com processo na Comissão de Ética porque eu denunciei uma violência de gênero, ele não está discordando do meu argumento. Ele está dizendo que eu não tenho direito de estar aqui”, avalia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/kari-foto-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Kari Santos, mulher jovem de pele clara e cabelos loiros presos, usando óculos grandes de armação amarela. Ela veste uma camisa vermelha e um blazer preto, com um colar prateado e um pingente pequeno em formato de coração. Kari está sentada em um ambiente formal, possivelmente uma sala de reuniões ou plenário, com microfones e cadeiras de escritório ao redor. Sua expressão é séria e concentrada, sugerindo atenção ao que está sendo discutido." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Na avaliação de Kari Santos, &#8220;violência é estratégia para que mulheres desistam da política&#8221;. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara Municipal do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo Kari, existe uma estratégia contínua de desgaste psicológico e político direcionada às mulheres parlamentares. “Interromper é uma estratégia. Ridicularizar é uma estratégia. Processar é uma estratégia. Tudo isso serve ao mesmo objetivo: fazer com que a gente se canse, se cale, desista”, aponta.</p>



<p>Ela afirma que os ataques não se restringem aos momentos mais explícitos de confronto. Eles aparecem também nas pequenas dinâmicas cotidianas do funcionamento parlamentar. “O deboche, a caricatura da mulher como descontrolada e que faz ‘mimimi’ são instrumentos clássicos para tentar deslegitimar mulheres que ocupam o poder”, detalha.</p>



<p>Kari afirma ainda que a estrutura das casas legislativas ainda opera segundo uma lógica profundamente masculina. “A estrutura parlamentar foi construída para homens e por homens. Não existem mecanismos internos que reconheçam de fato a violência política de gênero nos regimentos ou nas comissões de ética”, critica.</p>



<p>Essa percepção aparece também nas falas de Ana Lúcia (Republicanos), partido que integra o campo conservador. Embora esteja em outro espectro ideológico, ela relata experiências semelhantes dentro da Câmara do Recife. “Quando uma parlamentar não consegue fazer uso da fala na tribuna, que é uma caixa de ressonância, e ela é interrompida, ou o barulho constante pela plateia eminentemente masculina faz com que a gente se desconcentre, isso é para nos ridicularizar”, avalia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/ana-lucia-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Ana Lúcia, vereadora do Recife, uma mulher de meia-idade com cabelos loiros e lisos, usando óculos de armação dourada. Ela veste uma blusa preta e um blazer claro com detalhes escuros nas bordas, transmitindo uma aparência elegante e profissional. Ana Lúcia está falando ao microfone, em um ambiente formal, possivelmente uma sessão plenária ou reunião institucional, com bandeiras e estruturas metálicas visíveis ao fundo. Sua expressão é séria e concentrada, sugerindo que está abordando um tema importante com firmeza e serenidade." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O que está em disputa, na visão de Ana Lúcia, é dizer &#8220;aqui não é lugar de mulher&#8221;.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara do Recife</span>
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                    </figure>

	


<p>Ana Lúcia afirma que a mensagem transmitida pelos ataques é direta. “O que está em disputa é uma única frase: ‘aqui não é lugar de mulher’”, resume. Ela descreve um ambiente em que manifestações de machismo aparecem de maneira naturalizada. “A gente escuta frases como ‘mulher fala demais’, ‘já começou’, ‘é porque é mulher’. Quando pedimos respeito para falar, dizem que somos histéricas, que queremos mandar”, relata.</p>



<p>A vereadora afirma que o problema não está apenas nos episódios individuais, mas na própria composição estrutural da Câmara. “Uma casa com 37 vereadores e apenas sete mulheres já diz muito sobre o quanto precisamos avançar”, contabiliza.</p>



<p>No ano passado, foi sancionada a Lei Municipal nº 19.387/2025, de iniciativa da vereadora, que cria oficialmente a Semana Municipal de Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tentativas de intimidação</strong></h2>



<p>A Marco Zero analisou pelo menos 60 horas de vídeos de sessões plenárias disponíveis no canal oficial da Câmara no YouTube da Câmara. Neles, a repetição dos comportamentos chama a atenção. As interrupções quase sempre ocorrem quando mulheres ocupam a tribuna ou fazem apartes críticos. Em vários momentos, vereadores homens se levantam durante os pronunciamentos, falam simultaneamente ou provocam tumultos paralelos.</p>



<p>As imagens também registram reações corporais típicas dos episódios relatados pelas vereadoras: sorrisos irônicos, gestos de impaciência, conversas paralelas e expressões caricaturais enquanto as vereadoras discursam.</p>



<p>Para as parlamentares, essas atitudes não são casuais. “Elas fazem parte de uma tentativa de ensinar pela punição qual seria o ‘lugar adequado’ da mulher na política”, afirma Kari Santos. “Ser dócil, obediente e silenciosa.”</p>



<p>A vereadora Liana Cirne afirma que a violência política de gênero se intensifica especialmente quando mulheres desafiam estruturas históricas de poder. “Quando uma mulher progressista apresenta projetos que questionam a ordem patriarcal, quando ocupamos a tribuna, quando não baixamos a cabeça, a reação é agressiva”, comenta.</p>



<p>Segundo ela, a violência não é apenas simbólica, “está em disputa quem tem direito de falar, quem tem direito de decidir, quem tem direito de questionar as estruturas de poder.” Liana concorda que o funcionamento da política institucional ainda é moldado por valores patriarcais.</p>



<p>“Como estamos em um lugar que não foi construído para nós (mulheres), eles resistem, seja cortando microfones, ridicularizando nossa aparência ou transformando nossa firmeza em histeria”, argumenta. Liana também relaciona os ataques à incapacidade de parte dos parlamentares de conviver democraticamente com mulheres em posição de poder. “Quando eles não conseguem vencer pelo argumento, recorrem à violência simbólica.”</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/liana-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Liana Cirne, mulher de pele clara e cabelos curtos grisalhos, falando ao microfone em um ambiente formal, provavelmente uma sessão plenária ou reunião institucional" class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para Liana Cirne, ataques revelam incapacidade de conviver com mulheres em posição de poder
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara do Recife</span>
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">A Lei 14.192, a estrutura e os limites da punição</h3>



<p>A violência política de gênero passou a ser tipificada no Brasil em 2021, com a aprovação da <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14192.htm">Lei 14.192</a>. A legislação alterou o Código Eleitoral para estabelecer normas de prevenção, repressão e combate à violência contra a mulher em ambientes políticos. A lei define como violência política qualquer ação que busque constranger, humilhar, perseguir ou impedir a atuação política feminina.</p>



<p>A norma prevê punições para ameaças, assédio, constrangimento público, humilhação e tentativas de impedir o exercício do mandato. Apesar disso, os dados apontam crescimento contínuo dos casos. Mas, para todas as parlamentares ouvidas, é unânime que a lei sozinha não será capaz de mudar a realidade, pois o problema é estrutural.</p>



<p>Segundo levantamento do Observatório da Violência Política e Eleitoral, os episódios de violência política contra mulheres aumentaram significativamente desde a aprovação da lei, especialmente em ambientes legislativos municipais.</p>



<p>Especialistas apontam que uma das principais dificuldades está na aplicação prática da legislação. Muitas das agressões aparecem disfarçadas de “debate político”, “liberdade de expressão” ou “embate parlamentar”.</p>



<p>Liana Cirne afirma que esse é hoje um dos entraves para a responsabilização. “Uma das principais dificuldades é a prova da motivação de gênero. Muitas agressões aparecem disfarçadas de crítica política”, diz.</p>



<p>Ela cita a própria experiência como exemplo dos limites institucionais da legislação: “fui agredida com spray de pimenta em 2021, denunciei, pedi investigação, a Câmara aprovou requerimento de apuração. Mas, e depois? Não houve punição”.</p>



<p>Liana relata que, após o episódio, passou a sofrer ameaças de morte, de estupro e de agressão. “As consequências disso apareceram até no meu desempenho parlamentar. Eu queria que aqueles que tiveram seus segundos de fama me agredindo nas redes fossem punidos. Mas não foram”, lamenta.</p>



<p>Para ela, a ausência de responsabilização reforça a sensação de impunidade. “Mesmo quando há denúncia formal e legislação, a vontade política de implementar justiça é frágil”, acredita.</p>



<p>Ana Lúcia faz avaliação semelhante: “Enquanto tivermos legislação sem aplicabilidade, os índices continuarão crescendo.” De acordo com ela, a violência política muitas vezes é minimizada até dentro das próprias instituições.</p>



<p>“Toda vez dizem ‘agora tudo é violência política’. Não. O que for violência política precisa ser reconhecido e encaminhado”, reivindica. Ela defende que casos sejam levados às comissões de ética das casas legislativas, pois “o vereador precisa responder por isso.”</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Violência afasta mulheres da política</strong></h3>



<p>Embora as vereadoras descrevam diferenças ideológicas entre si, todas convergem em um ponto: a violência política produz efeitos concretos sobre a permanência das mulheres na política institucional. Cida afirma que os impactos vão além do ambiente parlamentar, ao dizer que “a mulher parlamentar tem o mesmo trabalho, a mesma responsabilidade e a mesma tarefa que os homens, mas muitas vezes precisa exercer seu mandato sendo acossada todos os dias. Isso adoece”.</p>



<p>Ela afirma que a violência política pode afastar mulheres da vida pública. “O maior risco é que a violência política faça as mulheres desistirem da política. E isso seria uma derrota para a democracia”, avalia.</p>



<p>Kari também relaciona os ataques à tentativa de impedir o avanço da representação feminina: “cada mulher eleita é uma fissura a mais nessa estrutura construída para nos excluir.” Para ela, o crescimento da presença feminina na política explica parte da reação observada hoje nas câmaras municipais. “Eles têm medo porque nós temos coragem de enfrentá-los”, defende.</p>



<p>“O que a gente não pode aceitar é que dentro de uma casa legislativa eles coloquem suas posturas machistas para fora e a gente silencie”, defende.</p>
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		<title>Especialistas debatem IA, desinformação, eleições e futuro do jornalismo no Festival 3i</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 19:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[festival 3i]]></category>
		<category><![CDATA[futuro do jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[IA nas redações]]></category>
		<category><![CDATA[IA no Jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um momento de pressão global sobre o jornalismo, do avanço da inteligência artificial (IA) e às vésperas das eleições de 2026 no Brasil, o Festival 3i chega à sétima edição trazendo debates sobre os desafios da imprensa digital e o futuro da informação. O evento acontece entre 29 e 31 de maio, no Porto [&#8230;]</p>
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<p>Em um momento de pressão global sobre o jornalismo, do avanço da inteligência artificial (IA) e às vésperas das eleições de 2026 no Brasil, o Festival 3i chega à sétima edição trazendo debates sobre os desafios da imprensa digital e o futuro da informação. O evento acontece entre 29 e 31 de maio, no Porto Maravalley, no Rio de Janeiro, e marca os cinco anos da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), realizadora do evento que a Marco Zero ajudou a criar. A programação reúne painéis, workshops e apresentação de cases, além de novidades como o 3i Talks, o Troca de Ideias e o lançamento da edição em português do livro “Captura”. Os ingressos já estão disponíveis pelo link <a href="https://bit.ly/festival_3i">https://bit.ly/festival_3i</a></p>



<p>O festival reúne convidados do Brasil e do exterior que atuam na interseção entre jornalismo, tecnologia e inovação para ampliar o intercâmbio de experiências e discutir desafios contemporâneos da produção e da circulação de notícias, do fortalecimento do jornalismo local e independente à busca por modelos sustentáveis para a atividade. A programação aborda temas como distribuição de conteúdo, impacto das plataformas digitais, estratégias para restabelecer a conexão e a confiança do público na informação jornalística e o avanço da desinformação.</p>



<p>Entre os nomes confirmados, estão o italiano <a href="https://www.lse.ac.uk/people/mattia-peretti" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mattia Peretti</a>, especialista em inteligência artificial aplicada às redações e fundador do News Alchemists; a paraguaia Jazmin Acuña, cofundadora do El Surti e criadora do <a href="https://www.changejournalism.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Change-Centric Journalism</a>, que busca impacto social por meio de reportagens baseadas no cuidado, engajamento significativo e experiências coletivas; a norte-americana <a href="https://madraekaras.com/">Madison Karas</a>, especialista em design de serviços para mídia, a queniana Daisy Okoti, editora de impacto do <a href="https://www.nationmedia.com/">Nation Media Group</a> e Elizabeth Otálvaro, codiretora executiva do <a href="https://mutante.org/">Mutante</a>, um veículo de comunicação premiado com o Prêmio Rei da Espanha como melhor meio ibero-americano em 2024.</p>



<p>“O Festival 3i chega à sua sétima edição em um ano decisivo para o jornalismo brasileiro. As eleições majoritárias de 2026 acontecem em um cenário de transformação acelerada. A inteligência artificial generativa reconfigura a relação com o público, a desinformação se amplifica em velocidade e escala sem precedentes e a sustentabilidade financeira segue como um desafio estrutural. É nesse ambiente que o 3i se consolida como o ponto de encontro do jornalismo latinoamericano, um espaço onde não apenas se discute o futuro, mas onde se constroem parcerias, se compartilham soluções e se fortalece uma rede de colaboração essencial para o ecossistema. Neste contexto tão adverso, vamos também compartilhar soluções criativas e inspiradoras que contribuam para nortear o futuro que queremos construir”, destaca Maia Fortes, diretora-executiva da Ajor.</p>



<p>Para discutir como veículos e profissionais podem atuar na cobertura eleitoral e na garantia da qualidade da informação, o evento terá mesas e workshops dedicados aos desafios que hoje atravessam o ecossistema digital de notícias. Entre os destaques, estão os painéis como “IA e pensamento estratégico em redações jornalísticas”, “Onde deve estar o foco do jornalismo nas eleições de 2026” e “Virada para a audiência: conexão, vínculos e estratégias”. A programação também inclui workshops sobre curadoria humana na era da inteligência artificial e sobre o desenvolvimento de assistentes próprios de IA para apoiar o trabalho nas redações.</p>



<p>A transformação na produção de conteúdo e no consumo de notícias também ganha destaque no Festival 3i. Dados indicam que 32% dos veículos online no Brasil são iniciativas individuais ou blogs e que 33% dos brasileiros afirmam se informar por meio de influenciadores. Para entender esse cenário cada vez mais diverso, o painel “Quando o influenciador vira repórter, o que muda?” discute os impactos dessa mudança, um movimento que desafia o jornalismo a se reposicionar não apenas na produção de notícias, mas também na forma de se relacionar com o público, restabelecendo vínculos de confiança e pertencimento. O tema dialoga com debates como “Criatividade e emoção no engajamento da audiência”, que exploram novos caminhos de interação com os leitores.</p>



<p>As discussões sobre sustentabilidade financeira integram com destaque a agenda do festival. Em um cenário em que o percentual de brasileiros que pagam por notícias caiu de 20% em 2023 para 17% em 2025, o evento dedica parte da programação à busca de caminhos para viabilizar o jornalismo. O painel “Presente e futuro da sustentabilidade financeira do jornalismo” discute como redações e iniciativas independentes podem estruturar modelos economicamente viáveis a partir de novas formas de geração de valor, em um contexto que exige maior engajamento do público, inovação e colaboração entre diferentes atores do setor. Entre as novidades desta edição, o 3i Talks traz entrevistas com convidados nacionais e internacionais durante todo o evento. Já o Troca de Ideias propõe um formato mais participativo, com rodas de conversa mediadas por representantes de organizações associadas à Ajor, voltadas à troca de experiências e à construção de caminhos possíveis para o jornalismo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Serviço</span>

	    <p><strong>Festival 3i 2026</strong><br />
<strong>Quando:</strong> 29, 30 e 31 de maio<br />
<strong>Onde:</strong> Porto Maravalley (Av. Professor Pereira Reis, 76 &#8211; Santo Cristo, Rio de Janeiro)</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>&#8220;Clamor&#8221;, livro sobre rede de apoio a refugiados de ditaduras será adaptado para o cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 22:32:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Madeira]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro sobre a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mouhamed Harfouch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem Clamor, do jornalista Samarone [&#8230;]</p>
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<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem <em>Clamor</em>, do jornalista Samarone Lima, está sendo adaptado para o cinema.</p>



<p>O filme será dirigido por Malu de Martino, cujo trabalho mais marcante foi o longa-metragem <em>Como esquecer</em>, e filmado em Santos e em Valparaíso, no Chile. A produção ainda está nas fases iniciais, com o elenco sendo montado.</p>



<p>A atriz <a href="https://www.instagram.com/estianomarjorie/">Marjorie Estiano</a> (da série <em>Sob pressão</em> e do filme <em>Ainda estou aqui</em>) foi a primeira a ser anunciada; ela fará o papel da jornalista inglesa Jan Rocha, ex-correspondente no Brasil da BBC durante a ditadura, uma das criadoras do grupo Clamor. Seu marido, o brasileiro Plauto, será interpretado por <a href="https://www.instagram.com/mouhamedh/">Mouhamed Harfouch</a>, que atuou em novelas globais como <em>Cordel Encantado</em> e <em>Verdades Secretas</em>. O ator, de ascendência síria por parte de pai, é ativista em organizações de solidariedade a refugiados sírios no Brasil.</p>



<p>A jornalista britânica, que, até hoje, vive no Brasil, é a figura central na história do Clamor.</p>



<p>Em razão do seu trabalho como correspondente estrangeira, era constantemente procurada por militantes exilados que fugiam da máquina repressiva das ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai ou por parentes de desaparecidos nesses países. Na época, pressionados internamente e pela opinião pública internacional, os militares brasileiros iniciavam a &#8220;abertura&#8221; política do regime, o que tornou o país um refúgio próximo de casa para os perseguidos vindos do Cone Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano-254x300.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano.jpeg" alt="A imagem mostra uma mulher sentada em uma poltrona cinza clara, em um ambiente interno elegante. Ela veste um vestido longo de cetim marrom e sapatos de salto alto amarelos, que criam um contraste marcante. Usa colar e pulseira dourados, e tem o cabelo curto e ondulado, penteado de forma descontraída. Está com uma expressão confiante e um leve sorriso, com uma das mãos apoiada na cabeça. Ao lado, há uma mesa redonda de madeira com um abajur dourado e branco e um telefone preto, compondo um cenário sofisticado e acolhedor." class="" loading="lazy" width="503">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Marjorie Estiano será a protagonista do filme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @estianomarjorie</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Junto com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o pastor presbiteriano Jaime Wright, ela criou o Clamor. Sob a proteção de dom Paulo Evaristo Arns, o grupo passou a ter como sede uma sala na Cúria Metropolitana de São Paulo, ora prestando assistência jurídica aos refugiados, ora articulando uma rede para ajudá-los a encontrar casa, trabalho e alimento. No entanto, a atividade do grupo de maior impacto eram os boletins com relatos de casos e fotos de prisioneiros ou desaparecidos.</p>



<p>Graças ao boletim publicado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o Clamor chegou aos personagens que protagonizaram o fato detalhado por Samarone Lima no livro e que será recontado no cinema: a localização de Anatole e Victoria, duas crianças uruguaias desaparecidas. Anos após o sumiço dos irmãos, o grupo descobriu que o menino e a menina foram abandonados por militares argentinos no meio da rua em Valparaíso, a mais de 1.400 quilômetros de Buenos Aires, onde seus pais tinham sido assassinados pela repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Solidariedade brasileira</h2>



<p>Aos 86 anos e vivendo no Brasil desde 1969, <a href="https://marcozero.org/ao-falar-que-a-amazonia-e-nossa-bolsonaro-diz-que-a-amazonia-e-do-crime-afirma-jornalista-britanica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jan Rocha </a>acredita que o filme será importante ao tratar de um aspecto da história do Brasil pouco conhecido do público do país. &#8220;Sei que um filme nunca consegue captar tudo, sei que serão necessárias licenças poéticas para melhor condensar a história, mas será uma oportunidade para que o Clamor alcance uma audiência maior do que a do livro&#8221;, afirma a jornalista, autora de um livro sobre o grupo, <em>A solidariedade não tem tem fronteiras,</em> expressão usada pelo cardeal Arns para justificar seu apoio.</p>



<p>Ela acredita que, além da própria história do grupo, &#8220;também não é muito conhecido o fato de o Brasil ter recebido milhares de refugiados de toda a América do Sul naqueles anos em que o Brasil vivia uma fase diferente da ditadura, a partir de 1977, principalmente&#8221;. O processo de reabertura permitiu, por exemplo, a instalação de dois escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Rio de Janeiro e em São Paulo.</p>



<p>Os brasileiros foram muito generosos e acolhedores com esses refugiados. Essa é a impressão que, quase meio século depois, permanece na memória de Jan Rocha. &#8220;A solidariedade brasileira vai chegar às telas do cinema; espero que o filme consiga mostrar isso&#8221;, diz a inglesa.</p>



<p>Na sala cedida pela Cúria Metropolitana ao Clamor chegavam pessoas vivendo situações dramáticas, a exemplo de esposas com maridos desaparecidos e pais cujos filhos foram assassinados ou presos em locais desconhecidos. Mesmo assim, Jan Rocha recusa o rótulo de &#8220;heroísmo&#8221; à atuação do grupo. &#8220;Fazíamos o que precisava ser feito diante de tanto desespero&#8221;, garante.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Direitos sem fronteiras</h3>



<p>No final dos anos 1990 e início dos 2000, quando trabalhava no jornal da Arquidiocese de São Paulo, Samarone Lima teve acesso ao acervo de documentos, recortes de jornais de vários países, depoimentos e fotografias armazenados nos arquivos do Clamor, desativado em 1991, logo após o fim da última ditadura sul-americana, a de Pinochet, no Chile. A pesquisa municiou a dissertação de mestrado do jornalista na Universidade de São Paulo (USP), base para o livro publicado e m 2005.</p>



<p>&#8220;O maior legado do Clamor é a ideia de que solidariedade não tem fronteiras geográficas, étnicas, religiosas, de crenças. É a grande lição para todos os grupos de direitos humanos que, por vezes, atuam solitários tentando alguma pequena conquista&#8221;, resume o autor do livro.</p>



<p>Samarone ressalta que o posicionamento de dom Paulo Evaristo vinha da convicção de que a luta contra a violação dos direitos humanos é universal: &#8220;Dom Paulo tinha conexões com igrejas em todo o mundo, e, com isso, o Clamor recebeu financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, que bancou sua estrutura, custeou a viagem secreta para o Chile em busca de Anatole e Vicky&#8221;.</p>



<p>No filme, o arcebispo de São Paulo será interpretado por Augusto Madeira, que atuou na novela <em>Três Graças</em> e na série <em>A menina que matou os pais</em>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg" alt="A imagem mostra um chão de asfalto coberto por desenhos e palavras feitas com giz branco e azul. No centro, lê-se “FUE GENOCIDIO”, expressão em espanhol que significa “foi genocídio”. O texto está dentro de um contorno que lembra um lenço triangular, símbolo das Mães da Praça de Maio, movimento argentino que denuncia os desaparecimentos durante a ditadura militar. Dois pares de pés com tênis escuros aparecem caminhando sobre ou perto dos desenhos, sugerindo uma cena de rua, possivelmente durante um ato de memória ou protesto. No canto inferior direito, há a assinatura “@sebastianmiquel”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O grupo Clamor deu apoio a perseguidos das ditaduras na América do Sul
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @sebasmiquel</span>
                                    </figcaption>
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<p></p>
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		<title>Escola da Democracia abre formação para jovens mulheres da zona norte do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 18:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por formulário eletrônico, e apoio presencial nos dias 14 [&#8230;]</p>
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<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform" type="link" id="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform">formulário eletrônico</a>, e apoio presencial nos dias 14 e 15 no Compaz Eduardo Campos, o programa prevê bolsas mensais de R$ 500 e busca estimular o pensamento crítico, a participação cidadã e o acesso à formação política e social.</p>



<p>Serão disponibilizadas 42 vagas, divididas em duas turmas presenciais no Compaz Governador Eduardo Campos, localizado no Alto Santa Terezinha. Os encontros ocorrerão às terças e quintas, das 14h às 18h, entre maio e julho de 2026. O projeto recebeu o nome &#8220;Se adiante: é hora de colar no corre da democracia” e integra a Rede Compaz, vinculada à Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz do Recife.</p>



<p>A iniciativa é destinada a jovens em situação de vulnerabilidade social, moradoras de bairros como Água Fria, Alto José Bonifácio, Arruda, Cajueiro, Linha do Tiro, Porto da Madeira e bairros do entorno do Alto Santa Terezinha. Para concorrer, é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio em escola pública, possuir responsável inscrito no CadÚnico ou ser beneficiária de programas sociais, além de ter renda familiar per capita de até um salário-mínimo. Do total de vagas, 60% serão reservadas para jovens mulheres negras.</p>



<p>“Será um espaço para trocas e aprendizados sobre democracia a partir do que atravessa a vida de meninas e mulheres no cotidiano. É sobre direitos, território e consciência crítica para ler o mundo enquanto cidadãs”, apontou Madalena Rodrigues, diretora executiva da Escola da Democracia.</p>



<p>A programação será dividida em quatro módulos que abordam temas como democracia, poder e cidadania no Brasil, justiça interseccional, justiça socioeconômica, ambiental e climática, além do direito à comunicação. O resultado final será divulgado em 21 de maio, e a aula inaugural ocorrerá em 25 de maio, seguida pelo início das atividades regulares nos dias 26 e 28. Mais informações podem ser conferidas no <em>instagram</em> da Escola da Democracia (<a href="https://www.instagram.com/aescoladademocracia/">@aescoladademocracia</a>).</p>



<p></p>
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		<title>Começou o greenwashing eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 17:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[greenwashing]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Milton Tenório* O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou greenwashing como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Milton Tenório*</strong></p>



<p>O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou <em>greenwashing</em> como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o desfecho nós já conhecemos: ataques aos biomas, desmatamento desenfreado e o aterro criminoso de nascentes e manguezais — muitas vezes com a conivência do poder público.</p>



<p>É preciso separar o &#8220;parolar&#8221; da ação concreta.</p>



<p>A falta de histórico de participação em conselhos ambientais, de votações favoráveis ao meio ambiente e a ausência de propostas com embasamento técnico revelam o oportunismo. Políticas públicas eficientes não nascem em gabinetes isolados: elas surgem do diálogo com movimentos sociais, ONGs e cientistas que conhecem a fundo a Mata Atlântica e outros biomas.</p>



<p>Outro sinal de alerta é verificar se a autoridade que quer seu voto ignora ou ataca os movimentos sociais, as organizações locais e os cientistas. Quem está no chão da floresta ,nos movimentos socioambientais , sabe onde o desmatamento aperta, o que ele provoca e quais são as pressões econômicas locais.</p>



<p>Sem o apoio de quem já atua na área, as promessas eleitorais raramente se transformam em projetos de lei exequíveis. Para não cair no canto da sereia desses &#8220;oportunistas de plantão&#8221;, vale observar alguns critérios:</p>



<p>O que esse político fez nos últimos quatro anos? Ele votou a favor de pautas que flexibilizam o licenciamento ambiental ou que protegem as áreas de preservação?</p>



<p>Promessas vagas valem pouco. Planos reais citam metas, orçamentos ,projetos socioambientais e parcerias com órgãos de fiscalização.</p>



<p>Esse pré-candidato ou candidato é visto em diálogos com lideranças ambientais apenas agora ou sempre esteve presente nas audiências públicas e denúncias?</p>



<p>De um lado, a emergência climática, os ambientalistas, a ciência e a sobrevivência de várias espécies da fauna e flora; do outro, a retórica e o debate intelectual que, se não sair do campo das ideias (ou da &#8220;parolagem &#8220;), acaba permitindo que a tragédia aconteça.</p>



<p>O &#8220;desenvolvimento&#8221; que ignora a ciência e destrói o futuro dos nossos filhos e netos é uma fraude. A emergência climática já bateu à porta. Não aceite que empurrem um planeta degradado para as próximas gerações.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Ativista ambiental , fundador do Movimento Gato-Maracajá e morador de Aldeia.</p>
    </div>
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		<title>Oficina pública discute plano museológico participativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 20:35:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para debater diretrizes voltadas à preservação da memória das lutas democráticas no estado, especialmente no contexto da ditadura militar brasileira.</p>



<p>Aberto ao público e com inscrições gratuitas por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfj24JoNq6PfD3IyTLaK14oW2JarL3xuJv0ZK20dY_MFTe-JA/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener">formulário online</a>, o tema da oficina será &#8220;Quem Conta a História? Curadoria e Memória na Construção do Memorial&#8221;, para discutir os programas de acervo, exposição e pesquisa. O debate gira em torno dos desafios éticos e metodológicos enfrentados por instituições que lidam com registros de violência e violações de direitos humanos.</p>



<p>Entre os pontos centrais estão o papel dos museus na reparação histórica, a inclusão de vozes silenciadas nos acervos e os limites entre documentação e sensibilidade na abordagem dessas narrativas. A atividade contará com a participação da professora Letícia Julião (UFMG) e da pesquisadora Deborah Neves (Unifesp), que possuem experiências em projetos ligados à memória e aos direitos humanos.</p>



<p>A programação será dividida em momentos de sensibilização, debate e construção coletiva. Após a apresentação inicial do projeto, os participantes serão organizados em grupos temáticos para contribuir com propostas que servirão de base para o rascunho do plano museológico.</p>
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		<title>O diabo veste farda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 18:48:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[APA Aldeia-Beberibe]]></category>
		<category><![CDATA[Escola de Sargentos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Milton Tenório* É conhecido o histórico de sucessivos golpes, como o que levou à queda da monarquia (1889) em que o Exército brasileiro foi protagonista. O Exército foi o pilar da &#8220;Revolução &#8221; de 1930 (Getúlio Vargas ). No Governo Juscelino Kubitschek nos anos 1950 foram duas tentativas de golpe, ambas frustradas. Uma delas [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Milton Tenório*</strong></p>



<p>É conhecido o histórico de sucessivos golpes, como o que levou à queda da monarquia (1889) em que o Exército brasileiro foi protagonista.</p>



<p>O Exército foi o pilar da &#8220;Revolução &#8221; de 1930 (Getúlio Vargas ). No Governo Juscelino Kubitschek nos anos 1950 foram duas tentativas de golpe, ambas frustradas. Uma delas para impedir a posse de JK.</p>



<p>Em 1964, a deposição de João Goulart estabeleceu uma ditadura de 21 anos com repressão, perseguições, torturas e mortes.</p>



<p>A &#8220;permissão&#8221; silenciosa de acampamentos nas portas dos quartéis e a tentativa de golpe em 2023 trouxe novamente a discussão sobre a politização das tropas e a impunidade, levando à mobilização da sociedade civil e os poderes constituídos, um deles o STF, a prender medalhões das Forças Armadas e julgá-los exemplarmente.</p>



<p>O Caso da Escola de Sargentos do Exército na APA Aldeia Beberibe é, atualmente, um dos maiores pontos de conflito entre o Exército e a sociedade civil (especialmente ambientalistas e acadêmicos).</p>



<p>A área em questão é um dos últimos remanescentes contínuos de Mata Atlântica no Nordeste. O desmatamento para viabilizar a construção desse Complexo Militar, ameaça o Aquífero Beberibe, responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana do Recife. Espécies endêmicas dependem daquele microclima.</p>



<p>A construção vai romper, destruir corredores ecológicos fundamentais.</p>



<p>O Exército Brasileiro por vezes age como um &#8220;Estado dentro do Estado&#8221;,priorizando projetos próprios em detrimento da preservação ambiental e da estabilidade democrática.</p>



<p>O Brasil precisa lutar para definir o lugar das Forças Armadas em uma democracia plena, onde elas devem ser subordinadas ao poder civil e às leis de proteção ao patrimônio natural do povo brasileiro.</p>



<p>Quando o Estado (ou o Exército, como no caso da Escola de Sargentos) propõe uma obra em área de Mata Atlântica sob o argumento de “segurança estratégica” ou “interesse público”, ele entra em rota de colisão direta com o espírito do artigo 225 da Constituição Brasileira de 1988.</p>



<p>O “interesse social” de uma escola militar é colocado na balança contra o “interesse difuso” (de todos os cidadãos) à preservação de um bioma do qual resta menos de 12% da sua cobertura original. Pela Constituição, a preservação da biodiversidade e das nascentes não é apenas um desejo ecológico, é um comando, é lei.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ministério Público Federal</strong></h2>



<p>Por fim, trago uma atualização em relação ao processo n° 126.000.000690/2022-59 ação movida pelo Fórum Socioambiental de Aldeia. O procurador Fabio Holanda, do Ministério Público Federal da 5° Região, ainda não acatou a Ação Civil Pública diante de indícios suficientes de dano ambiental que deve ser julgado na Justiça Federal. Qualquer leigo entende que é um magistrado quem terá o poder de conceder, por exemplo, uma liminar para suspender as obras até que o mérito seja julgado, ou decidir se as compensações oferecidas são legalmente aceitáveis ou não.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Profissional autônomo, ativista ambiental e fundador do Movimento Gato-Maracajá</p>
    </div>
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		<title>UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:49:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão desde investigações sobre atividades “subversivas” até demissões, cancelamentos de bolsas e expulsões. Desse total, 132 pessoas foram presas ou detidas e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão.</p>



<p>O evento <em>A UFPE e o compromisso com as memórias</em> acontece a partir das 9h, no auditório João Alfredo, na Reitoria, em uma data simbólica: os 62 anos do golpe militar. Além de detalhar os números e perfis das vítimas, a comissão anunciará as próximas etapas do trabalho de investigação e reconstrução histórica da repressão na instituição entre 1964 e 1985. </p>



<p>Como parte das atividades, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: <em>Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985</em> e <em>Tecendo memórias e lutas</em>, com foco nos assassinatos políticos de Soledad Barret e padre Henrique. Também será lançado um conjunto de vídeos de três minutos sobre estudantes da UFPE mortos pela repressão, que passarão a ser exibidos como interprogramas na TVU a partir das 18h.</p>



<p>Os produtos de memória são resultado de uma experiência pedagógica que envolveu estudantes de jornalismo no semestre passado, sob orientação das professoras Paula Reis e Yvana Fechine. Alunos produziram os vídeos no Laboratório de Imagem e Som (LIS) e também realizaram 18 reportagens e entrevistas que serão disponibilizadas no site da comissão. O levantamento de dados, por sua vez, conta com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, sob supervisão de especialistas.</p>



<p>A escolha do Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, carrega simbolismo histórico. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife à época do golpe de 1964, foi vítima da repressão e acabou renunciando ao cargo poucos meses depois, sob pressão de militares e setores que o acusavam de abrigar “comunistas” na instituição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/" class="titulo">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/" class="titulo">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Imprensa, medo e a coragem de dizer em tempos difíceis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 15:21:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jane Santos* “O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em Boa Noite e Boa Sorte) Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jane Santos*</strong></p>



<p>“O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em<em> Boa Noite e Boa Sorte</em>)</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Good Night and Good Luck Trailer" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/1Qg9ZahBu8c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, <em>Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)</em> é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward R. Murrow e um tempo histórico em que a suspeita passou a valer mais do que os fatos, o devido processo legal foi relegado a um lugar secundário e não havia espaço para o contraditório. Em jogo não estava apenas a carreira de um profissional e de sua equipe, mas o próprio papel da imprensa quando o medo se organiza como método.</p>



<p>Murrow não foi um jornalista qualquer. Foi um dos nomes fundadores da prática jornalística moderna e uma referência de integridade profissional em um dos períodos mais sombrios da história política dos Estados Unidos. O escritor David Halberstam o definiu como “um dos raros casos de homem do tamanho do mito” &#8211; alguém cuja estatura ética resistiu ao tempo e às pressões do poder. Em uma era em que o jornalismo eletrônico ainda engatinhava, Murrow ajudou a consolidar a ideia de que informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública.</p>



<p>Quando a imprensa abdica desse papel, não é apenas a informação que se fragiliza — é a própria democracia que perde seus mecanismos de defesa. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> mostra que regimes autoritários não se impõem apenas pela força, mas pela erosão gradual dos espaços de contraditório, pelo medo disseminado e pela naturalização do silêncio.</p>



<p>A narrativa do filme é contida, quase austera. Não há heróis de linguagem rebuscada nem vilões caricatos. Há redações, microfones, decisões difíceis — e silêncios. O roteiro expõe como a intimidação pode se infiltrar nas rotinas, como o autocontrole pode deslizar para a autocensura e como o silêncio, muitas vezes apresentado como prudência, já configura renúncia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;Informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública&#8221;.</p>
</div>


<p>Esse rigor ético encontra eco na linguagem cinematográfica. O super elenco— com David Strathairn, Patricia Clarkson, Jeff Daniels, Robert Downey Jr. e o próprio George Clooney — sustenta interpretações precisas, sem excessos. O uso do preto e branco reforça a dimensão temporal e moral do relato, aproximando o espectador do clima documental da época e dialogando com a tradição do cinema noir.</p>



<p>A fotografia e a montagem são primorosas, criando uma sensação quase claustrofóbica de repetição, vigilância e tensão permanente. Um gesto especialmente potente é o uso de imagens reais do senador Joseph McCarthy, que “atua” como ele mesmo: o arquivo histórico dispensa caricaturas.</p>



<p>E a vinculação do filme com os tempos atuais? Vivemos hoje um momento marcante para a humanidade, atravessado por desafios impressionantes que frequentemente são encobertos por uma sensação enganosa de normalidade &#8211; como se tudo estivesse sob controle, em um clima artificial de “estabilidade”.</p>



<p>Nesse contexto, a comunicação ocupa um lugar decisivo. A parcialidade disfarçada de equilíbrio, a omissão apresentada como cautela e a desinformação amplificada por interesses editoriais e mecanismos de visibilidade não são desvios técnicos: são escolhas que moldam o espaço público e redefinem o que pode &#8211; ou não &#8211; ser dito.</p>



<p>Não se trata apenas de mentiras explícitas. Muitas vezes, a manipulação opera pelo enquadramento: títulos que destacam meias verdades, a escolha deliberada do pior ângulo de uma situação, a hierarquização seletiva de informações para produzir desgaste, medo ou descrédito. Textos que parecem neutros, mas carregam vieses sutis; coberturas que silenciam contextos essenciais enquanto amplificam suspeitas. Em paralelo, redes sociais fervilham e apostam também fortemente na desinformação. O resultado não é informação. É ruído orientado.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="800" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp" alt="" class="wp-image-74722 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp 600w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-225x300.webp 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-150x200.webp 150w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Quem já trabalhou e atuou em instituições sob pressão reconhece esse movimento. O silêncio raramente é neutro. Ele preserva posições, evita conflitos, garante sobrevivências &#8211; mas também autoriza excessos. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> lembra que a comunicação pública não é apenas um direito; é uma responsabilidade histórica. Quando dela se abdica, não se perde apenas relevância — perdem-se sentidos e memórias, como bem destaca Murrow em discurso, quando homenageado.</p>
</div></div>



<p>Falo disso não como abstração. Ao longo da minha trajetória profissional — e como cidadã — aprendi que o medo raramente se apresenta de forma explícita. Ele se instala em camadas: na sugestão de cautela excessiva, no convite à espera, no argumento de que “não é o momento”. Reconhecer esse método — e decidir não se omitir — nunca foi simples. Os bons e as boas jornalistas sabem disso. Mas é exatamente aí que ética e responsabilidade precisam deixar de ser conceitos e se tornar prática.</p>



<p>Há um fio claro que liga este filme com o que apresentei anteriormente. Se em <em>O Vento Será Tua Herança</em> discutíamos o direito de pensar, aqui o deslocamento é decisivo: trata-se do dever de dizer.</p>



<p>Pensar em silêncio não basta quando o medo se organiza, quando o ruído substitui o debate e quando novas formas de controle já não precisam de censura explícita — contam com a naturalização do silêncio e com a dispersão programada da atenção, como refletem pensadores contemporâneos que estudam a comunicação, a política e a sociedade da informação, a exemplo de Noam Chomsky e Christian Dunker.</p>



<p>Nessa perspectiva, o filme termina lembrando que a coragem, muitas vezes, não está no gesto heroico, mas na decisão cotidiana de não se furtar ao papel que se ocupa. Em tempos difíceis, esse papel não diminui. Ele se torna ainda mais inadiável.</p>



<p>Não falo como especialista em comunicação, mas como alguém que consome informação cotidianamente e busca, sempre, identificar a desinformação e suas nuances.</p>



<p>Se for assistir o filme, considere partir de dois questionamentos: O que acontece com a democracia quando a imprensa confunde prudência com omissão — e silêncio com responsabilidade? e Que silêncios este filme nos ajuda a reconhecer — e quais conversas ele ainda nos convoca a ter?</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Onde assistir?</strong></li>
</ul>



<p><em>Boa Noite, e Boa Sorte</em> não está atualmente disponível de forma regular nas plataformas de streaming por assinatura no Brasil. O filme pode ser encontrado em edições físicas (DVD e Blu-ray), à venda em livrarias especializadas e lojas on-line. Em alguns países, o título aparece de forma intermitente em catálogos internacionais de plataformas digitais, para aluguel ou compra, com disponibilidade variável conforme a região. Trata-se, hoje, de um filme que circula sobretudo por aquisição direta &#8211; o que também diz algo sobre a necessidade de preservar obras fundamentais para a memória crítica do nosso tempo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Médica sanitarista e psiquiatra, atuou como gestora pública e integrou o staff do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), onde se aposentou como especialista em políticas públicas do escritório regional para os estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.</p>
    </div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sem imigrantes a economia pararia”, diz chef português ao criticar voto dos imigrantes portugueses do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 17:43:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[imigrantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na condição de &#8220;delegado eleitoral&#8221; voluntário, o empresário e chef de cozinha Jaime Fernandes Alves passou dois dias inteiros acompanhando a movimentação dos seus conterrâneos que foram votar para presidente no consulado português no bairro de Boa Viagem. Na noite do domingo, 18 de janeiro, ele foi tomado por um misto de vergonha e indignação com o resultado da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na condição de &#8220;delegado eleitoral&#8221; voluntário, o empresário e <em>chef</em> de cozinha Jaime Fernandes Alves passou dois dias inteiros acompanhando a movimentação dos seus conterrâneos que foram votar para presidente no consulado português no bairro de Boa Viagem. Na noite do domingo, 18 de janeiro, ele foi tomado por um misto de vergonha e indignação com o resultado da urna do Recife: o candidato da extrema direita que baseia sua campanha atacando os imigrantes em Portugal, André Ventura, teve 49,6% dos votos dos 260 eleitores portugueses que vivem na região e se dispuseram a votar — a abstenção ultrapassou os 95%.</p>



<p>Veja os resultados completos<a href="https://www.rtp.pt/eleicoes/presidenciais-resultados/2026/regiao-america/pais-brasil/consulado-recife/920306#resultados" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<p>Na véspera do segundo turno, previsto para acontecer no próximo domingo, 8 de fevereiro, Alves retornará ao consulado de seu país para votar no candidato da centro-esquerda, Antônio José Seguro, que aparece à frente das pesquisas em Portugal com uma vantagem confortável. No entanto, ele não acredita que o cenário de apatia irá mudar. &#8220;A reação possível é a do voto útil. Antônio José Seguro, <strong>que</strong> é filiado ao Partido Socialista mesmo não sendo um homem da esquerda, recebeu os votos de parte da direita séria e civilizada que existe em Portugal e receberá o voto útil tanto da esquerda, como o meu, que não quer a extrema direita de volta ao poder&#8221;, especula o <em>chef</em>.</p>



<p>Jaime Alves revela o motivo de sua indignação. &#8220;Não há razão nenhuma para hoje sermos contra os imigrantes. Portugal foi sempre um país de emigração. Nos vários países do mundo existem mais de 4 milhões de imigrantes portugueses espalhados, o que representa 40% da população que vive em Portugal, um país que vive, essencialmente, do turismo e das entradas de receitas enviadas pelos trabalhadores emigrantes portugueses&#8221;.</p>



<p>Segundo ele, mesmo quando esses emigrantes retornam para a terra natal depois de aposentados, a economia portuguesa é diretamente beneficiada: quem regressa &#8220;do Canadá, da Suíça, da França e de muitos outros lugares, como Luxemburgo e Bélgica, volta recebendo as suas grandes aposentadorias, cinco a seis vezes maiores do que as aposentadorias de Portugal. Isso gera entradas de dinheiro fabulosas todos os dias nos cofres daquele país&#8221;.</p>



<p>Esta é uma realidade que ele conhece bem, pois passou a maior parte de sua vida em terras estrangeiras. Antes de migrar para o Brasil em 2009, ano em que abriu um restaurante de comida lusitana em Olinda, ele vivia na cidade<strong>de</strong>Nanterre, vizinha a Paris, onde também era dono de um restaurante. &#8220;Emigrei pela primeira vez aos 11 anos. Fui morar com meus avós e trabalhar como garçom numa taverna no norte da Espanha, pois o salário que se pagava a uma criança na Espanha era maior do que um salário de adulto em Portugal na época da ditadura de Salazar&#8221;. Antônio Salazar, inspirador de André Ventura e do seu partido, o Chega, governou o país por 36 anos, de 1932 a 1968.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/como-brasileiros-que-vivem-em-portugal-alimentam-o-racismo-xenofobia/" class="titulo">Como brasileiros que vivem em Portugal alimentam o racismo, a xenofobia e o desprezo a imigrantes pobres</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>Imigrantes levam a culpa pelo insucesso alheio</strong></p>



<p>Em seu contato com os eleitores de Ventura que vivem em Pernambuco, Alves costuma ouvir frases como &#8220;os ciganos têm mais regalias que os portugueses&#8221;, &#8220;Portugal está uma bandalheira por causa dos muçulmanos&#8221; ou &#8220;os hospitais agora só curam os imigrantes&#8221;. Não é à toa que um dos slogans do Chega é &#8220;Portugal não é Bangladesh&#8221;.</p>



<p>Jaime Alves é implacável ao interpretar esse tipo de reação dos eleitores de direita: &#8220;as pessoas não conseguem admitir os próprios erros ou as verdadeiras causas de suas frustrações, então culpam os imigrantes pelo próprio insucesso. Culpam ciganos porque não entendem que foram as decisões dos políticos que elegeram que estão entregando os serviços médicos para o setor privado, e que empresários só têm interesse no lucro e não na saúde das pessoas&#8221;.</p>



<p>Ele conta que os ciganos estão há 300 anos em Portugal, então são portugueses, mas continuam sendo vítimas de preconceito se são pobres. &#8220;Quando o cigano é dono de joalheria, não é discriminado, é visto como português. O jogador<a href="https://rumores.pt/ricardo-quaresma-reage-de-forma-inesperada-a-vitoria-de-antonio-jose-seguro-nas-presidenciais/189693/"> Ricardo Quaresma</a>, por exemplo, jogava no Sporting e na seleção portuguesa, mas ninguém o chamava de jogador cigano, e sim de atleta português&#8221;. Quaresma, aliás, decidiu participar ativamente da campanha eleitoral pedindo votos contra Ventura.</p>



<p>O <em>chef</em> português também acredita que os interesses financeiros impedem que os políticos e parte da sociedade portuguesa apontem os dedos para os verdadeiros responsáveis pelo aumento da violência em seu país. &#8220;Nada dizem sobre os grupos armados brasileiros do PCC e do Comando Vermelho que estão se instalando nos subúrbios das cidades portuguesas. E sabe por que nada dizem? Porque esses grupos armados estão financiando campanhas eleitorais e empreendimentos privados para lavar dinheiro&#8221;, acusa.</p>



<p>E por falar em dinheiro, as contribuições previdenciárias dos trabalhadores imigrantes garantem o pagamento de <a href="https://www.publico.pt/2024/11/20/publico-brasil/noticia/imigrantes-garantem-recursos-pagamento-17-aposentadorias-portugal-2112695" target="_blank" rel="noreferrer noopener">17% das aposentadorias</a> de portugueses. Só os brasileiros deixam o equivalente a <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/portugal-giro/post/2026/02/brasileiros-pagam-a-previdencia-r-31-bi-e-desmentem-ultradireita-em-portugal.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">R$ 31 bilhões</a> no sistema de seguridade social de Portugal. Alves recorda esses fatos ao mencionar o constrangimento que o extremista Ventura enfrentou nesta última semana de campanha ao visitar uma área agrícola atingida pelas tempestades que provocaram estragos em, pelo menos, 69 municípios portugueses.</p>



<p>&#8220;Vi hoje um vídeo do Ventura indo visitar uma empresa, agora na campanha, e o diretor da empresa foi ao encontro dele e disse &#8216;queria lhe comunicar que aqui nesta empresa todos os funcionários são imigrantes, são estrangeiros, só um é que não é, só tem um que não é, que é um engenheiro. E do resto, de todos os imigrantes, Portugal não vive hoje sem imigração&#8217;. É isso mesmo, sem os imigrantes a economia pararia, ficaria um caos&#8221;, contou Alves.</p>



<p>O episódio citado pelo <em>chef</em> aconteceu numa região chamada Torres Vedras, onde <a href="https://www.noticiasaominuto.com/politica/2932226/no-oeste-ventura-ouve-nos-dependemos-100-de-mao-de-obra-estrangeira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o empresário Paulo Maria</a> o confrontou durante um evento de campanha junto a empresários da região. No mesmo dia, o governo de centro-direita anunciou que, por falta de mão de obra na construção civil, teria de abrir &#8220;vias de entrada&#8221; para <a href="https://eco.sapo.pt/2026/02/04/governo-vai-ter-de-abrir-via-de-entrada-de-trabalhadores-para-reconstrucao-imigrantes-claro-diz-marcelo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais imigrantes trabalharem na reconstrução</a> nas áreas atingidas pelas tempestades.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Em maio de 2019, a Marco Zero entrevistou André Ventura, que se apresentava como o Bolsonaro de Portugal:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/conheca-andre-ventura-o-bolsoluso-que-disputa-as-eleicoes-na-europa/" class="titulo">Conheça André Ventura, o &#8220;Bolsoluso&#8221; que disputa as eleições na Europa</a>
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