Crédito: Bruna Valença

O Centro das Mulheres do Cabo (CMC) iniciou nesta terça-feira (20) uma maratona de entrevistas virtuais com as candidatas as eleições municipais deste ano. Serão seis dias com debates: de hoje até sexta-feira (23) e também nos dias 26 e 27 de outubro. A inciativa tem parceria com o Projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, e apoio da ActionAid Brasil e Fundação OAK.

As conversas ocorrem sempre às 15h, com transmissão pelo Facebook do Cento das Mulheres do Cabo. A maratona começou com uma conversa com as candidaturas coletivas de mulheres à verança do município. A ideia é de que as candidatas possam apresentar suas propostas e ideias para projetos de lei, além das suas bandeiras de lutas.

No município, das 538 candidaturas registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral de Pernambuco (TSE), 122 mulheres negras se candidataram nesta eleição, representando um aumento de 160% em comparação a 2016, conforme apontou o site Vote Nas Pretas.

Coordenadora do CMC, Nivete Azevedo lembra que o centro já tem a prática de promover falas públicas das candidatas, sobretudo nas eleições locais. Por conta da pandemia do novo coronavírus, tudo teve que ser virtual desta vez. “Neste ano temos um número bastante elevado de mulheres candidatas e estamos nesta ação de apoio e fortalecimento dessas candidaturas, principalmente das mulheres negras. É muito importantente saber quais suas propostas e metas, tanto para fortalecer o espaço de fala pública das mulheres quanto para falar dos desafios de se pleitear uma vaga na câmara”, diz.

O eleitorado do Cabo de Santo Agostinho é composto em sua maioria por mulheres (52%), mas em toda a história política da cidade só elegeu sete vereadoras, uma vice-prefeita e uma deputada estadual. Das 17 cadeiras ocupadas na Casa Vicente Mendes, apenas uma mulher foi eleita em 2016 e uma outra ocupou recentemente uma vaga, porque um vereador teve o mandato cassado.

“Sabemos como chegar nesses espaços de poder ainda é desigual para as mulheres, no sentido da estrutura e das condições. É um ambiente ainda com muita influência da força dos homens e para as mulheres não é fácil disputar uma eleição. Mas queremos falar dessa luta feminista, da chegada das mulheres ao poder e a Câmara Municipal é um espaço sobretudo de força dos nossos direitos”, comenta Nivete Azevedo. “A maratona é uma forma de dar uma contribuição no fortalecimento dessas candidaturas e tornar público o que elas estão pensando. Ainda mais em um momento de pandemia, onde há mais dificuldade de entrar em contato com o eleitorado”, acrescenta.