Nestas eleições, Pernambuco ocupa o topo de um pódio constrangedor: é o pior estado brasileiro em representação feminina nessas eleições. Das 20.804 candidaturas, 6.684 são de mulheres, o que representa 32,1% do total. Não que o estado com melhor representação esteja tão bem assim: é Roraima, com 35,5% de participação feminina.

O pior percentual em Pernambuco, de 15%, está entre as candidatas à prefeitura. De todas as 6.684 mulheres que participam das eleições 2020 em Pernambuco, apenas 99, o que significa 1,37% das candidatas, estão de olho em um cargo de prefeita. Entre os homens, são 549 (3,88% dos homens), representando 85% dos prefeituráveis.

Levantamento feito pela Marco Zero, na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que pelo menos nas últimas 3 eleições Pernambuco não teve nem cem mulheres candidatas à prefeituras em um única eleição. E houve até um decréscimo em relação às eleições de 2016, quando 1,64% (98) das 5.992 mulheres que participaram daquela eleição concorrem para o cargo majoritário. Em 2012, foram apenas 66 mulheres disputando uma prefeitura.

Em relação às mulheres eleitas prefeitas, porém, houve aumento entre 2012 e 2016 em Pernambuco: de 17 subiu para 26 prefeitas nos 184 municípios pernambucanos.

Quando vamos para os números do Brasil o cenário é de leve queda entre as eleições de 2012 e 2016. De acordo com o TSE, as 641 mulheres eleitas para o cargo de prefeita nas eleições municipais 2016 representaram 11,57% do total. Em 2012, foram 659 prefeitas eleitas, o que correspondeu a 11,84% do total.

Para a a pesquisadora Renata Cavalcanti, do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falta apoio e recursos para que as mulheres disputem mais cargos majoritários. “Os partidos políticos usam as mulheres também como estratégia com o intuito de mostrar o quão representativos eles são. Mas, na verdade, os partidos continuam sem dar o suporte necessário às mulheres. É isso que acontece também quando pessoas negras se candidatam. Nas eleições de 2014, aqui em Pernambuco, para o cargo de deputado federal, 112 mulheres e 40 homens se candidataram. Mas só uma mulher se elegeu para as 25 cadeiras. Isso talvez seja um indicativo dessa falta de recurso”, comenta.

Os cargos majoritários, como o de prefeita, também não costumam ser a porta de entrada para as mulheres na política. “As mulheres hesitam em concorrer a cargos majoritários porque não acreditam que irão conseguir se eleger, então preferem cargos “menores”, cargos proporcionais. É por meio do legislativo que elas conseguem aumentar o número de representação. Então, a barreira de “ser mulher” ainda importa”, diz.

Vereadoras

Se nas eleições para a Câmara Municipal as mulheres participam mais, ainda que representem apenas 33,25% dos candidatos neste ano em Pernambuco, quando vamos ver entre os eleitos, a sub-representação é ainda maior. De 2016 para 2012, mais um retrocesso: foram apenas 206 mulheres eleitas vereadoras, sete a menos do que em 2012, no total de 2.161 vereadores em Pernambuco. Ou seja, menos de 10%.

Um levantamento do TSE mostrou que o número de mulheres eleitas para o cargo de vereadora apresentou redução em 13 capitais nas eleições de 2016, na comparação com 2012. O Recife ficou na mesma: foram eleitas apenas seis vereadoras, em cada eleição. Em 2016, foram mais de 300 mulheres disputando uma das 39 vagas da Câmara Municipal. Neste ano, o Recife conta com 286 candidatas.