Crédito: Reprodução Instagram/Unegro

Filiado ao PCdoB, partido pelo qual já foi candidato em duas eleições, o historiador e mestre da religião jurema Alexandre L’Omi L’Odò foi afastado das suas funções e obrigações partidárias. A direção municipal da agremiação em Olinda passou a manhã de sábado reunida e decidiu pela suspensão imediata até “até decisão transitada em julgado pelos órgãos e instâncias do Poder Judiciário”.

Em nota oficial, os comunistas de Olinda asseguraram que a conduta do seu militante contrariou “a nossa defesa intransigente dos direitos e da proteção à criança e ao adolescente; nossa luta incessante contra as desigualdades de gênero, e da violência contra as mulheres”. Além da suspensão, a direção do PC do B expressou o “repúdio veemente à ação registrada em vídeo contra uma adolescente, menor de 14 anos e, por isso, em condição de vulnerabilidade”.

L’omi L’odò também não encontrou apoio na entidade de luta contra o racismo do qual faz parte, a Unegro. A organização informou que sua direção executiva reuniu-se ainda na sexta-feira à noite para tratar do assunto com urgência, decidindo pela suspensão imediata do jurumeiro e “abertura de processo disciplinar para acompanhar os desdobramentos do caso e, a partir de então, e levá-los ao Conselho Deliberativo da entidade”. A depender da conclusão das investigações, ele poderá ser expulso.

Repulsa do próprio terreiro

O próprio terreiro fundado pelo historiador também se posicionou. A nota foi assinada por filhas, “filhos e filhes do terreiro de culto” que fazem parte do conselho religioso da Casa das Matas do Reis Malunguinho, e repudia “qualquer delito de cunho sexual, moral e violento voltado contra mulheres, crianças e adolescentes, seja o assédio, o abuso sexual ou mesmo qualquer aspecto do machismo que venha violar esses corpos e existência”.

Com sinceridade, os responsáveis pelo terreiro admitem que não terão condições de oferecer apoio à família da vítima, agradecendo aos demais terreiros que assumiram a tarefa de proporcionar o acolhimento psicológico e espiritual.

Os integrantes do terreiro admitem que, devido ao importante papel exercido por L’omi, a denúncia “fragiliza a batalha que estamos tendo a mais de 500 anos contra todo e qualquer racismo e todas suas consequências” e que, por essa razão, se solidarizam “com todas as casas de axé que também estão sofrendo como nós e também lutam pelas mesmas causas”. A nota reconhece que o comportamento do sacerdote “tem uma proporção imensurável”.

Com receio da retaliações violentas, o terreiro demonstrou preocupação com “reações públicas com teor violento e ameaçador contra a vida e contra os espaços físicos do sagrado, práticas que mais remetem aqueles que se utilizam de quaisquer argumentos para prática do racismo religioso”. Por fim, asseguram que esperam “que a justiça seja feita nos termos da lei”.