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Sábado, dia 30 de maio, vai ter Marcha da Maconha no centro do Recife

Marco Zero Conteúdo / 28/05/2026
A foto mostra uma grande manifestação noturna em uma avenida urbana, com centenas de pessoas caminhando juntas em clima de mobilização e engajamento. No centro, um grupo segura uma faixa branca com letras pretas que diz “MACONHA É SAÚDE. SAÚDE É DIREITO.”, destacando o caráter político e social do evento. A multidão é diversa, composta por jovens e adultos, alguns sorrindo, outros atentos, e todos participando de forma pacífica. As luzes da rua e dos prédios iluminam o cenário, reforçando a atmosfera vibrante e coletiva. O registro transmite energia, união e reivindicação por direitos e políticas de saúde relacionadas ao uso da cannabis.

Crédito: Fran Silva/Divulgação

O Recife será palco, neste sábado (30), de mais uma edição da Marcha da Maconha, movimento que desde 2008 reúne vozes em defesa da legalização e regulamentação da cannabis no Brasil. Com concentração marcada para as 14h na Praça do Derby, os participantes seguem em passeata às 16h20 até o caranguejo da rua da Aurora, tudo com aval das autoridades públicas e ofício devidamente enviado à Polícia Militar.

O tema deste ano é direto: “Usuário não é criminoso: em luta por liberdade, reparação e direitos”. A ideia é colocar em debate as consequências das políticas de drogas no Brasil e como a criminalização tem atingido, sobretudo, negros e periféricos. “A chamada guerra às drogas nunca foi sobre substâncias. Foi e segue sendo uma política de controle social, que criminaliza e encarcera em massa corpos negros e periféricos”, afirma Joanna Santos, uma das organizadoras.

A marcha, que acontece desde 2008 e é uma das mais antigas do país, chega em um momento crucial: o debate em torno da PEC 45, a chamada “PEC das drogas”. A proposta surgiu como resposta do Senado à decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal — até 40 gramas ou seis plantas fêmeas. Mas a PEC 45 incluiu na Constituição a criminalização da posse de qualquer quantidade de droga, deixando ao juiz a decisão de quem é usuário e quem é traficante.

Entre as pautas da marcha estão o fim do proibicionismo, a descriminalização de usuários, a legalização da cannabis com justiça econômica, o desencarceramento por crimes sem violência, a reparação histórica às populações criminalizadas, o cultivo doméstico e associativo, o acesso à cannabis medicinal e políticas de redução de danos.

Joanna reforça que o impacto da política proibicionista é ainda mais violento para mulheres negras, periféricas, pessoas trans, travestis, não binárias e LGBTQIAPN+. “São esses corpos que sustentam famílias diante do encarceramento em massa, enfrentam a violência institucional e muitas vezes são criminalizadas em contextos de sobrevivência.”

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Marco Zero Conteúdo

É um coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.