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	<title>Arquivos comunicação - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 12 Sep 2025 16:48:48 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos comunicação - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;O pobre e o negro precisam saber quem são seus inimigos&#8221;, afirma Jessé Souza na Flup</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 16:48:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até este domingo (15) o vão de entrada do Compaz do Alto Santa Terezinha recebe a Festa Literária das Periferias de Pernambuco, a Flup-PE. A noite de abertura, na quarta-feira (10), contou com uma instigante conversa entre o sociólogo Jessé Souza e a escritora Bianca Santana sobre a juventude negra e seus desafios, com mediação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Até este domingo (15) o vão de entrada do Compaz do Alto Santa Terezinha recebe a Festa Literária das Periferias de Pernambuco, a Flup-PE. A noite de abertura, na quarta-feira (10), contou com uma instigante conversa entre o sociólogo Jessé Souza e a escritora Bianca Santana sobre a juventude negra e seus desafios, com mediação da educadora Jéssica Santos. Para uma plateia cheia, Jessé e Bianca falaram sobre como a esquerda precisa se comunicar com esse numeroso e importante público – e que, em tempos de capitalismo selvagem, sonhar e imaginar outros mundos é imprescindível.</p>



<p>Em uma de suas falas, Jessé argumentou que a esquerda brasileira falhou em transmitir suas ideias de forma eficaz, focando apenas em políticas econômicas sem conseguir conectar-se verdadeiramente com as massas. O sociólogo citou uma pesquisa que coordenou em 2010 com pessoas das periferias que haviam ascendido social e economicamente pelos programas dos governos de esquerda. Ao serem questionadas a quem atribuíam sua melhoria de vida, a maioria atribui a convicções religiosas, sem reconhecer as ações governamentais.</p>



<p>Para mudar essa realidade, Jessé Souza aponta que o caminho é a informação. “O pobre e o negro precisam saber quem são seus inimigos&#8221;, afirmou. &#8220;Você tem que reconstruir uma interpretação que faça com que o jovem negro saiba quem é o inimigo dele. O inimigo dele tem nome, está na Faria Lima. É esse pessoal que vai comprar o Congresso, que tem a imprensa, que vai dominar o Banco Central, que vai montar o sistema de juros”, continuou.</p>



<p>O sociólogo, que é um dos idealizadores do <a href="https://iclnoticias.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Conhecimento Liberta (ICL)</a>, acredita que é necessário um esforço conjunto para reconstruir a interpretação do mundo dos brasileiros, de forma crítica e bem informada. “Não temos um DNA que vai definir como é que vai ser o nosso comportamento. Nós somos seres humanos. Isso significa que as ideias são o que é mais importante no mundo. Se você muda a interpretação que você tem de você e do mundo na sua cabeça, você já mudou. Uma população que é oprimida, reduzida à miséria, precisa ser esclarecida. E a maior parte das pessoas que estão com a mão na massa da política sequer percebem isso como uma necessidade”, criticou.</p>



<p>“Sem tocar na questão da hegemonia das ideias, não vamos conseguir mudar o Brasil. Há muita gente que acha que isso é uma questão acadêmica. Não, isso é um assunto prático. Se você não tem informação plural para formar sua própria opinião, você vai ser manipulado, você vai ser feito de imbecil”, pontuou. “Temos no país, já há algum tempo, coisas boas que são feitas pela imprensa alternativa. Mas não chega na periferia, não chega no interior. É consumido pela classe média, basicamente. Eu acho que faltam políticas públicas para informar a população”, disse.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Imaginar novos mundos</h2>



<p>Para Bianca Santana, a disputa de narrativa, de que o Jessé Souza fala, passa também pela produção de literatura, arte, cultura e mídia. “Passa por a gente disputar no imaginário coletivo qual é a verdade, qual é a nossa história e o que a gente deseja”, disse.</p>



<p>Bianca falou sobre a importânica de pessoas pretas produzirem literatura e descreveu o conceito da escrevivência, proposto pela escritora Conceição Evaristo. “A escrevivência surge como um ato de apropriação da pena, em que as mulheres negras passam a contar suas próprias histórias e as histórias do Brasil a partir de suas próprias experiências vividas e dos seus corpos, escrevendo em primeira pessoa, falando de si mesmas, desafiando as narrativas dominantes”, detalhou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A escritora Bianca Santana falou sobre a importância de ler para imaginar novos caminhos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Juliana Amara/FlupPE/Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p>A escritora afirmou que hoje as pessoas negras produzem literatura de todo tipo, para todo gosto. “E, ainda assim, a gente precisa demais. Porque quando eu leio essa literatura – que pode ser sobre um lugar perto da gente, ou sobre o futuro, ou uma redenção do passado, até de um lugar muito diferente do meu – isso me abre possibilidades novas de existência. Eu posso imaginar, por exemplo, para mim, para a minha família, para o meu coletivo, o que eu não tinha imaginado ainda. Eu posso inventar possibilidades  que eu não teria condições de inventar se eu não tivesse lido”, afirmou.</p>



<p>Além das mesas com discussões, a Flup-PE conta com uma feira de livros e barraquinhas com comidas vegetarianas. Um dos destaques do festival é a presença do premiado escritor Itamar Vieira Júnior, nesta sexta-feira, às 19h. O Compaz do Alto Santa Terezinha fica na avenida Aníbal Benévolo, s/nº. Não é necessário reservar ingresso, é só chegar por lá.</p>



<p>Confira a programação completa da festa, que nesta primeira edição em Pernambuco homenageia o poeta Solano Trindade:</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>SEXTA-FEIRA (12 de setembro)</strong><br />
<strong><br />
15h</strong> &#8211; Lançamento de autores independentes: Samuel Santos (Maria Preta), Luciene Nascimento (Tudo nela é de se amar) e Marcondes FH (Rosa Menininho)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>17h</strong> &#8211; Mesa 1: A força e a resistência do sagrado em Pernambuco</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Pai Ivo, Mãe Beth de Oxum</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Pai Lívio</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h30</strong> &#8211; Mesa 2 : A arte como vetor, movimento e inspiração</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Salgado Maranhão, Isaar</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Luciana Queiroz</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>20h</strong> &#8211; Mesa 3: A quem a arte incomoda? E a quem deve servir?</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Itamar Vieira Jr, Vitor da Trindade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Lenne Ferreira</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>21h30</strong> &#8211; Lançamento de Livros de Itamar Vieira e Vitor da Trindade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>SÁBADO (13 de setembro)</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>14h</strong> &#8211; Lançamento de Livros de autores independentes: Eron Villar (editor de O Carnaval de Capiba), Vera Lúcia e Wedna Galindo (Espanador não limpa poeira) e Fátima Soares (Ossos)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>15h</strong> &#8211; Mesa 1: Sonhos vivos: o poder da cultura na construção social</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Jeff Alan, Andala Quituche</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Thayane Fernandes</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>16h30</strong> &#8211; Mesa 2: O futuro é agora e feminino. E a literatura também</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Marilene Felinto, Lorena Ribeiro</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Bell Puã</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h30</strong> &#8211; Mesa 3: Pioneiras, sim! Sozinhas, não!</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Sônia Guimarães, Robeyoncé Lima</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Renata Araújo</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h</strong> &#8211; Lançamento de livros com Thayane Fernandes, Lorena Ribeiro, Marilene Felinto</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>20h30</strong> &#8211; “Se eu fosse Malcolm” &#8211; apresentação teatral de Eron Villar e DJ Vibrasil</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>DOMINGO (14 de setembro)</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>14h</strong> &#8211; Lançamento de livros de autores independentes: João Gomes (Revezamento Secreto), Célia Martins (Ara-Y), Maria Cristina Tavares (As aventuras de Bayo em Terras Africanas) e Robson Teles (Ave, Guriatã)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>15h</strong> &#8211; Mesa 1: Acessos e permanências: nosso lugar é todo lugar</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Luciany Aparecida, Amanda Lyra</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Érico Andrade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>16h30</strong> &#8211; Lançamento de livros</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Érico Andrade e Luciany Aparecida</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>17h</strong> &#8211; Mesa 2: Entre sons e sensações: palavra é música e música é poesia</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Ellen Oléria, Lucas dos Prazeres</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Marta Souza</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>19h</strong> &#8211; Encerramento com apresentação artística de Lucas dos Prazeres e participação da cantora Ellen Oléria</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Acessibilidade: o que o Congresso Inova.aê nos ensina sobre inovação real</title>
		<link>https://marcozero.org/acessibilidade-o-que-o-congresso-inova-ae-nos-ensina-sobre-inovacao-real/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 16:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Pâmela Melo* Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um apêndice, um detalhe a ser considerado apenas no fim de um processo, se sobrassem tempo, orçamento ou interesse. Essa lógica excludente, que coloca as pessoas com deficiência à margem do planejamento e da inovação, ainda é uma triste realidade em muitos espaços públicos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Pâmela Melo</strong>*</p>



<p>Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um apêndice, um detalhe a ser considerado apenas no fim de um processo, se sobrassem tempo, orçamento ou interesse. Essa lógica excludente, que coloca as pessoas com deficiência à margem do planejamento e da inovação, ainda é uma triste realidade em muitos espaços públicos e privados.</p>



<p>De acordo com o IBGE (<a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/34889-pessoas-com-deficiencia-e-as-desigualdades-sociais-no-brasil.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Censo 2022</a>), mais de 14,4 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, o que representa cerca de 7,3% da população. Entre eles, mais de 6 milhões convivem com deficiência visual, cerca de 2,3 milhões com deficiência auditiva, além de milhões de pessoas com deficiências físicas ou intelectuais.</p>



<p>Apesar de representarem uma parcela significativa da sociedade, essas pessoas continuam enfrentando barreiras sistemáticas para acessar informações básicas, conteúdos digitais e serviços públicos.<a href="https://www.un.org/development/desa/disabilities/resources/disability-and-the-media.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Um relatório da ONU (2021) sobre acessibilidade na mídia global</a> revelou que mais de 90% dos sites de órgãos públicos e veículos de imprensa no mundo não são plenamente acessíveis () .</p>



<p>No Brasil, a situação também é alarmante: segundo um<a href="https://nic.br/noticia/na-midia/pesquisa-mostra-que-menos-de-3-dos-i-sites-i-brasileiros-foram-aprovados-em-todos-os-testes-de-acessibilidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> estudo da W3C Brasil</a>, apenas 3% dos sites governamentais seguem as diretrizes básicas de acessibilidade na web () . Isso significa que milhões de brasileiros não conseguem, por exemplo, ler uma notícia, entender um comunicado oficial ou navegar em um site institucional sem enfrentar obstáculos.</p>



<p>Porém, há sinais de mudança e um deles brilhou com força em Pernambuco. A 2ª edição do Congresso Inova.aê, realizada de 26 a 29 de agosto, no espaço Apólo 235, no Bairro do Recife, mostrou que é possível e urgente repensar a maneira como acessibilidade é tratada no Brasil. Idealizado e organizado pelo<a href="https://eficientes.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Eficientes</a>, o evento se firmou como um espaço de inovação social, onde a acessibilidade não é um complemento, mas o ponto de partida.</p>



<p>Em vez de adaptar soluções prontas para depois “incluir” pessoas com deficiência, o congresso propôs algo revolucionário, embora óbvio: pensar desde o início com e para essas pessoas. O resultado é um processo mais humano, mais eficaz e, sobretudo, mais justo. Afinal, não se trata apenas de tecnologia ou design inclusivo, mas de reconhecer que todas as pessoas, com ou sem deficiência, têm o direito de acessar, participar e contribuir plenamente com a sociedade.</p>



<p>Nesse contexto, eventos como o Inova.aê tornam-se não apenas relevantes, mas essenciais para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Hackaton de acessibilidade comunicacional e tecnologia assistiva</strong></h2>



<p>Um dos momentos mais potentes do congresso foi a realização da maratona Hackathon, uma espécie de laboratório vivo de inovação acessível. Ao longo de quatro dias, 16 jovens de diferentes áreas foram divididos em equipes com a missão de criar soluções tecnológicas e comunicacionais voltadas à acessibilidade.</p>



<p>Mais do que um exercício criativo, a maratona foi uma experiência intensa de empatia, escuta ativa e construção colaborativa. A metodologia incluiu etapas de identificação de problemas reais, brainstorming, prototipagem e apresentação de pitches a um painel de mentores. O mais relevante foi ver que, nesse processo, necessidades frequentemente invisíveis foram colocadas no centro da discussão.</p>



<p>A equipe vencedora, formada por Alex Souza, Jéssica Marinho, Ísis Marieli e Estevão Enoque, se destacou pela criatividade, sensibilidade e viabilidade da proposta apresentada, reforçando que quando se escuta quem vive os desafios, as soluções se tornam verdadeiramente transformadoras.</p>



<p>Essa dinâmica mostrou que acessibilidade não é um entrave técnico, mas uma decisão ética e criativa. Quando desenvolvedores, comunicadores, pessoas com deficiência e especialistas se sentam à mesma mesa, é possível construir soluções que de fato dialogam com a vida cotidiana das pessoas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Pâmela Melo dos Santos</strong> é jornalista, estudante de Direito e pessoa com deficiência. Idealizadora do site sexualidade sem barreiras, o qual visa apresentar o empoderamento sexual da mulher com deficiência, Pâmela já foi finalista dos prêmios Cristina Tavares e Intercom Nordeste. Primeira jornalista com deficiência a cobrir o carnaval de Recife através do Eficientes. Atua no setor de comunicação do Congresso Inova.aê</p>
    </div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Com apoio britânico, Beth de Oxum lança projeto de tecnologia e empreendedorismo em Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/com-apoio-britanico-beth-de-oxum-lanca-projeto-de-tecnologia-e-empreendedorismo-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Nov 2023 02:43:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[formação]]></category>
		<category><![CDATA[periferias]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Projeto promove uso consciente das tecnologias e empoderamento de jovens periféricos. Foto: Nin lá Croix/Divulgação</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Abrindo o mês da consciência negra, o LabCoco, com o apoio do Governo Britânico através do <a href="https://www.gov.uk/government/case-studies/uk-brazil-tech-hub-partners-with-future-females-business-school" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UK Brazil Tech Hub</a>, lançará neste sábado (04) o <a href="https://www.instagram.com/p/CzJsN0oLwPP/?img_index=1">&#8220;Projeto Tecnologia de Quebrada&#8221;</a>, durante a tradicional Sambada de Coco do Guadalupe, em Olinda, a partir das 20h. Para o lançamento está prevista a roda de conversa &#8220;Papo de cria: tecnologia e identidade&#8221;, com a participação dos parceiros Science Studio e Pajubá Tech, que, ao lado do M.I.N.A.S &#8211; Mulheres em Inovação Negócios e Artes, estarão presentes no processo de formação. </p>



<p>Para promover o letramento digital, o senso de pertencimento, inovação e rentabilidade para negócios de periferias, além do fortalecimento de comunidades a partir do uso consciente das tecnologias, o projeto formará 20 jovens da Região Metropolitana do Recife. &#8220;Vamos aprender juntos, na prática, sobre como usar várias ferramentas digitais para se organizar melhor, construir sua marca e fazer a comunicação&#8221;, afirma a fundadora e presidente de honra do Ponto de Cultura, Mãe Beth de Oxum. </p>



<p>As inscrições ficarão abertas de 04 de novembro à 23 de dezembro, e os detalhes e todas as dúvidas podem ser tiradas no perfil do instagram do LabCoco (<a href="http://@llabcoco" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@llabcoco</a>). E as aulas acontecerão no espaço do Ponto de Cultura Coco de Umbigada que funciona no Beco da Macaíba, em Guadalupe.</p>



<p>A prioridade será para pessoas de comunidades periféricas, negras, indígenas, LGBTQIA+, mães, mulheres, com deficiência, estudantes de escola pública, pertencentes a grupos tradicionais ou comunidades como quilombolas, casas de candomblé, maracatus, cirandas, frevos, grupos de capoeira e coco.</p>



<p>O LabCoco promove capacitação em tecnologia nas periferias desde 2005, reunindo tecnologia, arte, cultura, representatividade e ancestralidade por meio de plataformas de games educativos, laboratórios com metodologias para a construção de jogos e soluções em software e formação cultural para combater a desigualdade social, o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.  <br></p>





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		<title>Festival 3i de jornalismo e empreendedorismo acontece neste fim de semana no Rio de Janeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/festival-3i-de-jornalismo-e-empreendedorismo-acontece-neste-fim-de-semana-no-rio-de-janeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 May 2023 18:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[festival 3i]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo digital]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e democracia]]></category>
		<category><![CDATA[mídia independente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos maiores eventos de jornalismo e empreendedorismo da América Latina, o Festival 3i – Festival Inovador, Inspirador e Independente acontece entre sexta-feira (5) e domingo (7) no Rio de Janeiro. Seis anos depois de sua primeira edição nacional, em 2023 o 3i volta à capital carioca para um encontro presencial na Casa da Glória, [&#8230;]</p>
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<p>Um dos maiores eventos de jornalismo e empreendedorismo da América Latina, o <a href="https://festival3i.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Festival 3i – Festival Inovador, Inspirador e Independente</a> acontece entre sexta-feira (5) e domingo (7) no Rio de Janeiro. Seis anos depois de sua primeira edição nacional, em 2023 o 3i volta à capital carioca para um encontro presencial na Casa da Glória, casarão histórico localizado na região central da cidade. Com um formato novo, que combina as tradicionais mesas de debates com workshops e cases de sucesso, o evento marca o retorno para o formato original do festival e também celebra os dois anos de fundação da <a href="https://ajor.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação de Jornalismo Digital (Ajor)</a>, sua atual realizadora.</p>



<p>Com duração de três dias e muito networking, o Festival 3i 2023 reunirá respeitados profissionais para discutir inovação, empreendedorismo, sustentabilidade e a potência do jornalismo digital brasileiro e latino-americano. Em pauta, a sustentabilidade do ecossistema de mídia e os melhores caminhos em busca do fomento ao jornalismo cada vez mais inovador, inspirador e independente.</p>



<p>As inscrições para participar presencialmente são pagas e podem ser feitas através deste <a href="https://www.sympla.com.br/evento/festival-3i-2023-jornalismo-inovador-inspirador-e-independente/1909890" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>. O encontro também contará com transmissão gratuita no <a href="https://www.youtube.com/@Festival3i" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Youtube do 3i</a>.</p>



<p>O evento contará ainda, como perspectivas para o novo jornalismo, com alguns princípios norteadores, como: o uso de dados e o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para melhor execução do trabalho jornalístico, a preocupação com o bem-estar e a segurança de profissionais, a flexibilidade e experimentação, além da adaptação às novas plataformas de distribuição, o desenvolvimento de novas metodologias de gestão e o desenvolvimento e os princípios de diversidade.</p>



<p>Uma das cofundadoras da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>, Carolina Monteiro participa do evento no domingo (7) mostrando o case <a href="https://marcozero.org/soudehumanas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sou de Humanas</a>. Usando o humor como linguagem, o Sou de Humanas é uma reportagem multimídia que mostra a importância das Ciências Humanas em projetos de ponta no Brasil. Ela vai relatar, junto com a jornalista, repórter e roteirista Mariana Filgueiras, como foi o desenvolvimento da iniciativa, que contou com o apoio de estudantes da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Carolina é jornalista com especialização em Design da Informação, master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS)/Universidade de Navarra e mestrado e doutorado em Design pela UFPE. Também é professora e diretora da Escola de Comunicação da Unicap.</p>



<p>O Festival 3i é uma realização da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Esta edição conta com patrocínio de Google, Meta, Luminate, TikTok, Fundação Tide Setubal e Clua (Climate and Land Use Alliance), apoio de Ford Foundation e Oak Foundation e produção da Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos.</p>



<p>Para seguir as redes sociais do Festival 3i: <a href="https://www.instagram.com/festival3i/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a> | <a href="https://twitter.com/Festival3i" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Twitter</a> | <a href="https://www.youtube.com/@Festival3i" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Youtube</a></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Extrema-direita usa as pesquisas eleitorais para atingir credibilidade da imprensa</title>
		<link>https://marcozero.org/extrema-direita-usa-as-pesquisas-eleitorais-para-atingir-credibilidade-da-imprensa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 19:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa eleitoral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos dias para a eleição do segundo turno há um bombardeio de pesquisas eleitorais. Desta quarta-feira (26) até o sábado (29), véspera das eleições, serão divulgadas pelo menos 11 pesquisas para presidente. Após o primeiro turno deste ano, com vários resultados fora da margem de erro das pesquisas divulgadas dias antes, teve início um [&#8230;]</p>
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<p>Nos últimos dias para a eleição do segundo turno há um bombardeio de pesquisas eleitorais. Desta quarta-feira (26) até o sábado (29), véspera das eleições, serão divulgadas pelo menos 11 pesquisas para presidente. Após o primeiro turno deste ano, com vários resultados fora da margem de erro das pesquisas divulgadas dias antes, teve início um feroz movimento no Congresso para a punição dos institutos de pesquisa.</p>



<p>A busca por criminalizar as pesquisas eleitorais não é algo novo e há registros de projetos de lei neste sentido desde  a primeira eleição da redemocratização do Brasil. Ainda assim, chama a atenção as movimentações das últimas semanas encabeçadas pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, que conseguiu aprovar a urgência de um projeto de lei que amplia multas a institutos de pesquisa e altera o conceito de pesquisa fraudulenta, prevendo até prisão.</p>



<p>Além deste projeto de lei, aliados do presidente Bolsonaro, incluindo o filho Eduardo Bolsonaro (PL), protocolaram na sexta-feira (21) um pedido de uma CPI para investigar os institutos, que também é apoiada por Lira.</p>



<p>Alvo dos bolsonaristas, pesquisadores também têm sido agredidos no Brasil afora. Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) repudiaram nesta semana as agressões. “As empresas de pesquisa realizam um trabalho importante para o processo eleitoral, fornecendo informações relevantes à população. A tentativa de interferir no trabalho dessas empresas ou descredibilizá-las representa uma afronta à liberdade de expressão e à própria democracia”, afirmam as associações.</p>



<p>Ainda que não devam ser criminalizadas, as pesquisas eleitorais precisam ser olhadas de uma forma mais realista, acreditam especialistas. “A pesquisa é uma estimativa do momento em que foi realizada, e não pode ser encarada como previsão do futuro”, afirma o professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, pesquisador das áreas de comunicação e economia.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres, doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), faz coro ao ratificar que as pesquisas são um retrato do momento. “Não têm a intenção de prever o resultado eleitoral. Uma das formas que se utiliza para ver se os institutos foram bem ou não é comparando com o dia da eleição. Mas existem outras formas mais adequadas. Todas essas situações de incerteza do eleitorado no voto, de migração de última hora para um possível voto útil podem também ter acontecido no primeiro turno. Mas um sintoma que vem sendo identificado é que as pesquisas estão subestimando os votos em Bolsonaro”, avalia Antônio Torres.</p>



<p>Essa fenda em relação ao total de votos em Bolsonaro é bem nítida quando se compara o resultado das urnas às pesquisas do dia anterior ao primeiro turno. As pesquisas de voto em Bolsonaro variavam entre 34% (Datafolha e Ipec) e 37,3% (Paraná Pesquisas) – ou seja, de -7,29 a -3,99 pontos em relação ao resultado das urnas que foi de 43,2%. </p>



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	                                        <p class="m-0">Carlos Figueiredo. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Minar a credibilidade da imprensa é uma das principais estratégias da extrema-direita e as pesquisas estão também sendo usadas para isso. Um exemplo é o pedido do Ministro das Comunicações, Fábio Faria, para que os eleitores de Bolsonaro boicotassem as pesquisas. “No primeiro turno, o voto envergonhado pode ter sido o voto em Bolsonaro e não no Lula, como muita gente acreditava. É muito difícil verificar essa hipótese, mas pode ter existido a influência da guerra comunicacional que a extrema-direita trava nos dias que antecedem às eleições, e que pode ter conquistado o eleitor de Ciro Gomes e Simone Tebet. A discrepância entre as pesquisas e o resultado das urnas acaba se tornando um elemento utilizado pela extrema-direita para desacreditar os institutos de pesquisa e a imprensa, que veicula esses levantamentos”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<p>Além da estratégia da extrema-direita, o atraso no Censo, que deixa uma infinidade de dados no Brasil defasados, também pode ter influenciado nas discrepâncias. Figueiredo aponta que o instituto Atlas, que divulgou resultados mais próximos das urnas, usou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2021, e não o Censo 2010. “As amostras podem ter representado equivocadamente determinadas classes sociais, grupos religiosos entre outros, pois os dados utilizados para construir as amostras estão defasados e não correspondem mais à realidade. Quanto à metodologia, não sei se seria o caso de mudá-la radicalmente. Mas a construção da amostra deveria utilizar, sim, dados mais recentes”, acredita.</p>



<p>Outro ponto levantado por Carlos Figueiredo é que a abstenção é difícil de ser medida por meio das pesquisas eleitorais. “O cientista político Antônio Lavareda, que possui larga experiência de atuação em campanhas políticas, apontou que a abstenção eleitoral pode ter desempenhado um papel muito relevante. Poucas pessoas confessam que não votarão quando respondem a pesquisas, mas a abstenção alcançou 20,95%, quase 33 milhões de votos. Os números de brancos e nulos também foram muito baixos, cerca de 4,3%, quase metade da média histórica. Esses números apontam para um voto decidido no último momento”, aponta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pesquisas eleitorais no centro da cobertura</h2>



<p>As pesquisas de intenção de voto são super exploradas pela imprensa? Há um peso exacerbado dessas pesquisas na cobertura jornalística? Tema de vários estudos acadêmicos, é difícil falar de cobertura eleitoral na grande mídia sem que as pesquisas estejam no centro da cobertura eleitoral. Emissoras de TV e grandes portais gastam centenas de milhares de reais com pesquisas, eleições após eleições.</p>



<p>Para o professor da UFS, as pesquisas ocupam essa centralidade porque jornalistas precisam transformar a política em uma narrativa atraente. Mas a cobertura das estratégias dos grupos políticos, embora sejam pratos cheios para narrativas envolventes e com emoção, tendem a ser repletas de informações de bastidores, observações, sentimentos, frases e expressões que carecem de “objetividade”.</p>



<p>“Para comentar sobre política de forma &#8216;objetiva&#8217; os jornalistas precisam de dados que sustentem essa pretensa objetividade. As pesquisas fornecem esse dado objetivo coletado e analisado a partir de uma metodologia sólida. Nos períodos não-eleitorais, é comum jornalistas dos canais de notícias por assinatura discutirem as taxas de aprovação dos governos estaduais e federal, por exemplo. Nas eleições, essa lógica é exacerbada. A partir das mudanças nas pesquisas, que podem sugerir tendências do eleitorado, os comentaristas da mídia postulam possíveis estratégias, dão veredictos, criticam as ações das campanhas dos candidatos, por exemplo, sempre com base em dados que seguem critérios científicos com larga tradição nas ciências sociais”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres vê que há uma ansiedade na imprensa e que as pesquisas políticas acabam sendo veiculadas de forma equivocada. “Principalmente quando se chega na reta final da campanha e as manchetes focam nos votos válidos. Acaba sendo um uso que, de certa forma, quer buscar uma antecipação do resultado, que não é o propósito das pesquisas”, diz.</p>



<p>Esse foco nas pesquisas, acredita Antônio, se intensificou nestas eleições com os sites que agregam várias pesquisas e a proliferação dos institutos fazendo pesquisa eleitoral. “É difícil não colocar a pesquisa como central nessa cobertura quando o que temos visto é mais e mais pesquisas sendo feitas. Isso pode confundir os eleitores, porque tem várias pesquisas, com metodologias diferentes que não são comparáveis. E essa diferença de percentuais entre institutos acaba fazendo que haja ainda mais discussões, deixando as pesquisas ainda mais centrais”, diz.</p>



<p>Para Carlos Figueiredo, o problema de colocar as pesquisas nessa centralidade da cobertura é que questões envolvendo os problemas públicos e desafios dos governos a serem eleitos passam ao largo da cobertura, que acaba tomando um rumo despolitizante. “É o que alguns estudiosos chamam enquadramento da &#8216;corrida de cavalos&#8217;. A eleição é tratada como uma corrida em que cada participante traça suas estratégias, cujo sucesso será debatido a cada nova pesquisa eleitoral. O grande problema é que vivemos em um mundo em que as instituições parecem desmoronar diante dos nossos olhos, e determinadas ações como ataques às instituições, desinformação, entre outros, são tratadas simplesmente como &#8216;estratégias&#8217;. É um mundo complexo, e isso exige que os jornalistas políticos se esforcem para explicá-lo ao público”, afirma.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Engessados e previsíveis, debates perdem importância na luta por eleitor indeciso</title>
		<link>https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 19:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[anderson ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana decisiva para as eleições, a televisão é inundada por debates políticos. Para o governo de Pernambuco, ontem a TV Guararapes/Record exibiu o primeiro debate da semana. Na quinta-feira, às 11h, acontece o da TV Jornal/SBT. E, hoje, aquele deve ter mais audiência e é considerado o mais importante, o da TV Globo, logo [&#8230;]</p>
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<p>Na semana decisiva para as eleições, a televisão é inundada por debates políticos. Para o governo de Pernambuco, ontem a TV Guararapes/Record exibiu o primeiro debate da semana. Na quinta-feira, às 11h, acontece o da TV Jornal/SBT. E, hoje, aquele deve ter mais audiência e é considerado o mais importante, o da TV Globo, logo após a novela <em>Pantanal</em>. Com um modelo que tem tido poucas mudanças ao longo dos anos, os debates desta semana geram uma expectativa maior pela disputa acirradíssima tanto em Pernambuco, com uma situação inédita com cinco candidatos competitivos, quanto nacionalmente, com a possibilidade de Lula vencer Bolsonaro já no primeiro turno. Mas também levantam questionamentos sobre a importância para as campanhas e os resultados nas urnas. </p>



<p>Para o professor de comunicação da UFPE Heitor Rocha os debates são uma conquista da população e que “não são apenas vitrines, mas uma oportunidade de esclarecimento da população sobre as questões trazidas pelas candidaturas”, diz Heitor. &#8220;Ampliando um pouco, há o guia eleitoral que funciona também como um debate entre as campanhas. Acho que são grandes conquistas do sistema brasileiro”, diz, lembrando que o guia eleitoral foi instituído antes de 1964 e eram exibidos ao vivo.</p>



<p>Para o debate para o governo de Pernambuco na Globo, há duas faltas hoje: Anderson Ferreira (PL), presente em apenas um dos debates, e Marília Arraes (SD), que não foi a nenhum debate. Havia, então, a expectativa de que ambos finalmente fossem ao da Globo, o mais tradicional. Mas Anderson deu preferência a receber hoje pela manhã o presidente Bolsonaro, que fez em Petrolina sua segunda visita ao estado em menos de 15 dias. Já Marília Arraes divulgou agenda sem presença no debate.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres, doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acredita que os debates não são balas de prata, mas estão longe de ser dispensáveis para as campanhas. “Estamos falando aqui em Pernambuco de uma disputa que está muito acirrada. Qualquer movimento, qualquer desempenho que diferencie um candidato dos outros já pode trazer um benefício”, diz.</p>



<p>Mesmo com a previsão do debate acabar perto de 1h, o que seria uma barreira para a audiência, isso não influi nas estratégias de campanhas. “Os debates hoje não funcionam mais como antes, quando o espectador que perdia o debate só iria ver trechos dele nos jornais da própria emissora ou na imprensa. Hoje não é mais assim. Na maioria das vezes, os debates servem para frases de efeito e ataques que sejam rápidos e bem elaborados para que sejam replicados várias e várias vezes nas redes sociais dos próprios candidatos”, diz Torres.</p>



<p>Para o debate de hoje, a expectativa é de muitos ataques a Marília Arraes (estando ou não presente), já que ela está na dianteira da pesquisa. Mas também será preciso que os outros três presentes &#8211; Danilo Cabral (PSB), Miguel Coelho (UB) e Raquel Lyra (PSDB) &#8211; que lutam (com o ausente Anderson Ferreira) pelo segundo turno se ataquem entre si. “Esses ataques visam principalmente destruir a candidatura do oponente para conseguir esse pouquinho de voto que falta para ir ao segundo turno”, afirma Antônio Torres.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Formato não evoluiu</h2>



<p>Os formatos dos debates mudaram pouco ao longo das últimas décadas, com candidaturas fazendo perguntas entre si ou blocos em que jornalistas fazem as perguntas.</p>



<p>O modelo é considerado engessado por muitos pesquisadores. Há o tempo cronometrado, que não favorece o desenvolvimento de ideias ou planos mais complexos. “O formato não ajuda. Quando há perguntas entre candidatos, às vezes fica me parecendo com a escolinha do professor Raimundo”, compara o professor Heitor Rocha.</p>



<p>Outro ponto é levantado pelo professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, pesquisador das áreas de comunicação e economia: o formato também privilegia um esquema de sabatina por jornalistas que trazem uma agenda muito próxima àquela proposta pelo próprio jornalismo.</p>



<p>“Ou seja, não foge daquilo que é debatido pelos jornalistas nas mesas redondas de canais como GloboNews ou CNN Brasil, por exemplo. Os candidatos já são treinados de forma exaustiva para responder justamente essas perguntas, tornando a discussão circular. Há também os questionamentos entre os candidatos, mas as equipes de comunicação estudam as táticas das candidaturas adversárias, tornando a dinâmica do debate previsível”, diz.</p>



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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">José Serrra, Marina Silva, Dilma Rousseff e Plínio Arruda Sampaio na Globo, em 2010. Crédito: Thays Cabette</p>
	                
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<p>Para sair dessa circularidade, analisa Carlos, os candidatos buscam frases de efeito. “Essas frases são valorizadas devido ao embate político nas mídias sociais. O candidato pode apresentar uma performance discreta no debate, mas brilhar em duas ou três oportunidades. A equipe de comunicação do candidato pode fazer cortes desses momentos para exibir nas mídias sociais ou no Horário Eleitoral Gratuito”, exemplifica Carlos.</p>



<p>Para Heitor Rocha uma atualização muito bem-vinda aos debates seria a incorporação da checagem de dados e fatos durante a transmissão. “Iria qualificar e esclarecer melhor a população sobre o que os políticos estão apresentando”, acredita.</p>



<p>Carlos Figueiredo também vê a checagem como um freio para a disseminação de mentiras e desinformação. “A não checagem legitima dados mentirosos usados por candidatos mal-intencionados”, afirma.</p>



<p>Para ele, uma alternativa seria que o último bloco dos programas de debate fosse reservado para que o candidato que traz dados falsos fosse confrontado. “Assim, uma equipe de jornalistas poderia checar esses dados em tempo real. O problema é que os candidatos usam muitos dados e números a serem checados em pouco tempo, mas isso pode ser resolvido com algum ajuste logístico. Creio que um grande problema seria a negociação entre as emissoras de televisão e as equipes dos candidatos quanto às regras dessa checagem. Também pode haver o receio das emissoras de serem acusadas de parciais ao expor as mentiras de um candidato simplesmente porque este mente em profusão. Mas creio que essa é uma medida que deve ser tomada urgentemente pelas emissoras”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Cenário nacional</h3>



<p>Na quinta-feira, a Globo exibe seu tradicional debate entre as candidaturas à presidência. Deve começar por volta das 22h30 e se estender até depois da 1h, com três intervalos. Vai ser o segundo debate com a presença de Lula e de Bolsonaro &#8211; o primeiro debate, na Band, também teve a participação de ambos.</p>



<p>Assim como em Pernambuco, a disputa está acirrada. Mas é pela decisão no primeiro turno, já que as pesquisas têm colocado Lula com pouco mais de 50% dos votos válidos. “A priori, não enxergo muito espaço para grandes alterações nas escolhas dos eleitores. As pesquisas apontam para um cenário em que os eleitores dos candidatos mais bem colocados apresentam uma convicção muito forte em relação à sua escolha”, acredita Carlos Figueiredo.</p>



<p>Na dianteira, Lula deverá optar por uma estratégia mais segura. “Ele provavelmente buscará não cometer grandes erros no seu discurso, e relembrar os feitos dos seus dois governos, muito bem avaliados, buscando comparações com os números do governo Bolsonaro. Espera-se também que Lula busque atrair os eleitores de Ciro e Simone Tebet dispostos a mudar de voto no último instante para evitar um segundo turno”, diz o professor da UFS.</p>



<p>Já Bolsonaro vai usar o debate como oportunidade para tentar tirar votos de Lula e garantir o segundo turno. “Creio que Bolsonaro tentará relembrar as denúncias de corrupção surgidas nos governos do PT. Entretanto, o eleitor já conhece todos esses casos. Foi um tema exaustivamente debatido e divulgado, e o leitor do Lula parece estar dando de ombros”, diz.</p>



<p>Para Carlos, essa estratégia pode não dar retorno. “Esta eleição não é sobre corrupção. Temas como inflação, custo de vida e retorno da fome parecem preocupar mais o eleitorado”, aponta.</p>



<p>Outro fator importante a ser observado, segundo ele, é a postura dos candidatos que apresentam poucas chances de figurar em um segundo turno. “As interações podem indicar futuras alianças ou, até mesmo, guinadas ideológicas. Como as candidatas Simone Tebet e Soraya Thronicke vão se comportar? Vão acenar para uma composição em um novo governo do ex-presidente ou vão atacá-lo para enfraquecê-lo e poder negociar o posicionamento de seus partidos com Lula ou Bolsonaro em um possível segundo turno? Qual será a postura do candidato do PTB, Padre Kelmon, acusado de ter atuado como linha auxiliar do Bolsonarismo no último debate?”, questiona.</p>



<p>O debate da Globo também vai servir para analisar os rumos futuros de Ciro Gomes, que, pressionado para desistir da candidatura, resolveu prosseguir, com ataques ao PT e Lula. “O grande dilema de Ciro Gomes é que seu discurso vem se aproximando, em termos estéticos e de conteúdo, àquele apresentado pelo bolsonarismo. Isso pode causar um incômodo em seus eleitores posicionados na centro-esquerda do espectro político, levando a uma possível migração para o Lula. Algo que só pode ser confirmado após a apuração dos votos dado o pouco tempo de campanha que resta”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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		<title>Após dias de debates e celebração da comunicação plural e independente, Festival FALA! lança instituto</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-dias-de-debates-e-celebracao-da-comunicacao-plural-e-independente-festival-fala-lanca-instituto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 17:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo de causas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um encontro para demarcar o protagonismo da comunicação e da cultura como fundamentos na construção de uma democracia pautada na justiça social, é dessa forma que a terceira edição do festival FALA! deve ser lembrado por aqueles que participaram do evento. Unindo apresentações artísticas e debates, realizados por uma maioria feminina e negra, o FALA! [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um encontro para demarcar o protagonismo da comunicação e da cultura como fundamentos na construção de uma democracia pautada na justiça social, é dessa forma que a terceira edição do festival FALA! deve ser lembrado por aqueles que participaram do evento. Unindo apresentações artísticas e debates, realizados por uma maioria feminina e negra, o FALA! demonstrou como as novas formas de produção de informações estão preocupadas em quebrar o mito do jornalismo imparcial, enfatizando que sempre há um lado a ser legitimado e visibilizado.</p>



<p>A primeira edição presencial do evento não poderia ter acontecido em outro local senão o Centro de Salvador, uma capital que carrega uma tradição formada e sustentada pelo povo negro e onde as ruas contam histórias de um Brasil muitas vezes invisibilizado pela mídia corporativa. “Muitas vezes, são pessoas periféricas e querem de alguma forma comunicar que estão ali, que estão resistindo e quem têm o direito de intervir neste espaço urbano”, declarou a artista visual Luna Bastos em sua fala sobre o poder da arte em ocupar a cidade com narrativas de vida das pessoas minorizadas.</p>



<p>Fortalecendo o discurso de Luna e defendendo o poder da arte e da cultura na construção de uma narrativa social mais justa e inclusiva, a cineasta pernambucana Yane Mendes falou sobre a sua experiência na Rede Tumulto, um coletivo que promove ações de formação para jovens das periferias do Recife. “Não me interessa produzir um filme que não chegue nos ‘pirraia’ da minha comunidade&#8230; A comunicação é uma arma, quando eu peguei a câmera pela primeira vez eu me senti poderosa”, disse durante sua participação na mesa de debates “Novas formas de ver e contar o mundo”.</p>



<p>A poetisa do Slam das Minas, Fabiana Lima, que dividiu a mesa com Yane, defendeu a importância de ter pessoas negras e periféricas no centro das produções artísticas ao afirmar que: “todo mundo pode fazer poesia marginal, mas poesia preta é diferente, nós temos uma oralidade que é só nossa e isso é poderoso”.Além das falas das mesas de debates, as performances artísticas presentes no festival evidenciaram a pluralidade e diversidade dos modos de fazer comunicação no Brasil. No terceiro e último dia do evento, a performance de Diego Mamba Negra e o show de encerramento de Gabi Guedes com o grupo Pradarrum foram potentes imersões na ancestralidade e na resistência e sensibilizaram o público.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gabi Guedes e o grupo Pradarrum fecharam o festival com uma apresentação artística que sintetizou a perspectiva da ancestralidade enfatizada nas mesas de debate como marca da comunicação independente que vai se consolidando em várias partes do país. Crédito: Fernanda Maia</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Brasil do cocar e do quilombo</strong></h2>



<p>A participação de lideranças indígenas foi algo marcante no festival FALA!. A mesa “Nós por nós: identidade, cultura ancestral e combate ao silenciamento”, que encerrou a programação da terceira edição do evento, contou com discursos contundentes de Erisvan Guajajara, Joyce Cursino e Natureza França.</p>



<p>Coordenador da rede  Mídia Índia, que reúne produções jornalísticas e artísticas dos povos indígenas de todo o Brasil, Erisvan Guajajara enfatizou a necessidade de fortalecer iniciativas de comunicação realizadas pelos povos originários e apoiar projetos políticos voltados para essa população. “Antes do Brasil da coroa, existia o Brasil do cocar. Precisamos lembrar disso. Nós queremos participar do governo para lutar por nós”, disse Erisvan.</p>



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	                                        <p class="m-0">Erisvan Guajajara, coordenador do Mídia Índia, participou da mesa “Nós por nós: identidade, cultura ancestral e combate ao silenciamento”. Crédito: Fernanda Maia.</p>
	                
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<p>Já a educadora Natureza França expôs a invisibilidade dos povos indígenas ao declarar que &#8220;ainda há um vazio muito grande, um silenciamento muito grande&#8221;. &#8220;Nas escolas ainda não está o que a gente precisa saber, mas vamos tentando buscar nesse silêncio e nessas violências todas que atravessam a vida de uma mulher na periferia. Uma mulher negra, pensando no IBGE, tem a caracterização preta e parda, mas onde está a minha ancestralidade Tupinambá nessa história?”.</p>



<p>Com os debates da última mesa foi possível notar a demanda urgente em unir as pautas das pessoas minorizadas na construção de uma contranarrativa à comunicação hegemônica, que foi responsável pela violência e pelo apagamento das histórias de diversos povos, sobretudo os negros e indígenas.</p>



<p>Pensando ainda nas contranarrativas, a oficina de encerramento do FALA! teve a participação das jornalistas da TV brasileira Joyce Ribeiro (TV Cultura), Aline Midlej (Globonews) e Valéria Almeida (TV Globo). Com o tema “Pluralidade: representatividade e empoderamento no centro do debate”, as jornalistas falaram sobre a experiência de serem mulheres negras em um espaço de maioria masculina e branca e as estratégias criadas para pautar o racismo na produção jornalística da TV.</p>



<p>“Nós fazemos parte dessa mudança na forma de nos expor, de expor as nossas comunidades, valorizando e buscando espaço para que a gente tenha capacidade de (nos) desenvolver plenamente em todos os aspectos possível. Eu acho que é essa a nossa missão”, afirmou a apresentadora do Jornal da Tarde da TV Cultura, Joyce Ribeiro.</p>



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	                                        <p class="m-0">Valéria Almeida, Joyce Ribeiro, Rosane Borges e Aline Midlej debateram os caminhos da representatividade e do empoderamento de jornalistas negras no jornalismo produzido pelas TVs brasileiras. Crédito: Fernanda Maia</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lançamento do Instituto FALA!</strong></h2>



<p>Ao final do festival, os representantes dos veículos de comunicação 1 Papo Reto, Alma Preta, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo anunciaram o lançamento do Instituto FALA!. A instituição, que será coordenada pelas mesmas organizações realizadoras do festival, buscará impulsionar as discussões e os debates sobre o jornalismo de causas.</p>



<p>O primeiro projeto do instituto é o Edital FALA!, que tem o objetivo estimular a produção de conteúdos jornalísticos que dialoguem com narrativas e linguagens sobre arte e culturas comprometidas com a diversidade e em defesa dos direitos humanos e da democracia a partir das vivências dos territórios periféricos.</p>



<p>O edital, que tem previsão de lançamento para os próximos meses, será destinado a grupos de mídia independente, coletivos de comunicação popular e jornalismo local, arte e cultura. As propostas apresentadas devem ser voltadas à produção de conteúdo informativo que visibilize histórias e cultura de resistência nos territórios periféricos.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong style="font-size: inherit;">Uma questão importante!</strong><em style="font-size: inherit;">Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a style="font-size: inherit;" href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em style="font-size: inherit;">ou, se preferir, usar nosso</em><strong style="font-size: inherit;">PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em style="font-size: inherit;">.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></p><p></p></blockquote>
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		<title>Franklin Martins e Jean Wyllys debatem como o jornalismo pode resistir aos algoritmos</title>
		<link>https://marcozero.org/franklin-martins-e-jean-wyllis-debatem-como-o-jornalismo-pode-resistir-aos-algoritmos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 21:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação e política]]></category>
		<category><![CDATA[Franklin Martins]]></category>
		<category><![CDATA[Intercom]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A resposta para a ultra segmentação dos algoritmos está na rua, na ágora”. É o que defende Franklin Martins, jornalista e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, entre 2007 e 2010, no governo do ex-presidente Lula. “Tem que ter tecnologia, mas tem que ter a embocadura da praça pública. A ultra segmentação é coisa para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A resposta para a ultra segmentação dos algoritmos está na rua, na ágora”. É o que defende Franklin Martins, jornalista e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, entre 2007 e 2010, no governo do ex-presidente Lula. “Tem que ter tecnologia, mas tem que ter a embocadura da praça pública. A ultra segmentação é coisa para impedir que a política seja feita e decidida em praça pública. Temos que sair da bolha, falar com quem pensa diferente da gente”.</p>



<p>Figura central na resistência contra a ditadura militar, Franklin falou, nesta sexta-feira, 8 de outubro, sobre “jornalismo de resistência” durante o <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>. Descartando a contratação de um “super marqueteiro”, como nas disputas anteriores, Lula convidou Franklin para coordenar a comunicação de sua pré-campanha a 2022. O jornalista, naturalmente, não quis falar sobre as estratégias que serão adotadas ao ser perguntado sobre o convite ao final da mesa no congresso.</p>



<p>Franklin dividiu o momento com o jornalista e ex-deputado federal Jean Wyllys e o juiz federal Edevaldo de Medeiros. A mediação foi de Felipe Pena, jornalista, psicólogo, roteirista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). <a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Paulo Freire e a comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania</a> são os grandes temas deste ano do maior evento científico da área de comunicação da América Latina, que acontece na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, até este sábado, 9 de outubro.</p>



<p>A mesa &#8211; sem participação de nenhuma mulher, diga-se de passagem -, frisou o tempo inteiro: resistência é a palavra-chave para entender o momento brasileiro. Como disse Pena, citando o guerrilheiro Che Guevara, lembrando dos exatos 54 anos de seu assassinato, em 8 de outubro de 1967, “A revolução vai começar depois que vencermos essa guerra”.</p>



<p>Franklin também falou sobre censura e pluralidade: “Não é só a censura um gravíssimo problema. Ela é intolerável, inadmissível, mas ela é um dos perigos que ameaçam a liberdade de imprensa e do resto da sociedade de se informar. O outro é a falta de pluralidade. Se houver monopólio, com agentes decidindo entre si o que pode ou não ser publicado, eles estão controlando uma área essencial, da circulação da informação e da organização do debate político”.</p>



<p>“Jornalismo e resistência são duas coisas muito ligadas, principalmente nas épocas mais sombrias da sociedade”, pontuou Franklin, que fez parte do movimento estudantil e começou a fazer jornalismo ainda na adolescência, na boca do golpe militar. “Minha geração cometeu vários erros, mas não cometeu o pior erro, que seria não lutar&#8221;, relembrou, ao frisar que a ideia de insubmissão foi essencial na construção da democracia e do jornalismo no Brasil.</p>



<p>Tão crítico quanto otimista, Franklin defendeu que “o jornalismo de manipulação esconde os grandes interesses da sociedade para fazer com que discursos que não têm consistência na sociedade possam dominar”. A fala dele cabe perfeitamente no atual momento em que narrativas valem mais do que verdades e também na análise da cobertura da Vaza Jato e, agora mais recentemente, do Pandora Papers. Nas palavras do jornalista, “a imprensa sentou em cima” dessas coberturas ao não repercuti-las como “gravidade monumental”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O aquário das bigtechs</h2>



<p>Partindo também da própria experiência de resistência individual, Jean Wyllys, que precisou renunciar ao mandato de deputado federal e hoje vive em Barcelona, na Espanha, disse que vem estudando modos de furar as bolhas e como ter comportamentos que não nos aprisionem às redes. “Com diversificação de conteúdo, perfis e produções que não possam ser escrutinadas pelos algoritmos”, cita.</p>



<p>Para ele, “as tecnologias não são em si problemáticas, nós humanos é que somos”. Sobre seu retorno ao Brasil, Jean adiantou: &#8220;Vamos criar um cinturão sanitário em torno da direita e, quando isso acontecer, eu vou voltar, eu vou querer voltar”.</p>



<p>Os debates do Intercom têm sido bastante permeados pela <a href="https://marcozero.org/intercom-discute-os-efeitos-perversos-do-monopolio-das-cinco-gigantes-da-internet/">discussão em torno das bigtechs</a>, das cinco gigantes Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft (“Gafam”). Sobre isso, Jean também defende a ideia das plataformas como colonizadoras do espaço e redutora das relações, num certo sentido: “Tínhamos um oceano a nossa frente e as plataformas e seus algoritmos, a forma como programa operam, criaram em torno de nós um aquário”. Tudo isso, complementa, para servir a um modelo de negócios, um capitalismo de plataforma, e que teve impactos negativos sérios nos processos democráticos e decisórios, levando à ascensão da extrema-direita em diferentes partes do mundo.</p>



<p>Não por acaso, em 2022, ano de eleições, o tema central do Intercom será desinformação.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Intercom discute os efeitos perversos do monopólio das cinco gigantes da internet</title>
		<link>https://marcozero.org/intercom-discute-os-efeitos-perversos-do-monopolio-das-cinco-gigantes-da-internet/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Oct 2021 21:20:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[apagão do facebook]]></category>
		<category><![CDATA[Apple]]></category>
		<category><![CDATA[bigtechs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/intercom-discute-os-efeitos-perversos-do-monopolio-das-cinco-gigantes-da-internet/">Intercom discute os efeitos perversos do monopólio das cinco gigantes da internet</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e pequenos empresários que dependem dessas plataformas foi bem maior, proporcionalmente, do que para o lucro estratosférico de uma das (poucas) gigantes da internet.</p>



<p>As denúncias de Frances Haugen, de que Facebook “&amp; cia” manipulam os desejos dos usuários para fazer dinheiro, não são exatamente uma novidade. Mas, vindas de alguém que viveu isso por dentro, têm um grande peso na discussão sobre a internet como um ambiente regulado num mundo altamente conectado através de uma rede monopolizada e colonizada por Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft (“Gafam”).</p>



<p>É nessa trincheira que se encontra a comunicação, com o desafio da democratização dos meios não só pelo acesso, mas também pela equidade tecnológica. Esse foi um dos pontos debatidos nesta quinta, 7 de outubro, no <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>, na mesa “Sobre o direito e o dever de resistir: a comunicação na trincheira”, com os debatedores Fernando Oliveira Paulino (UnB/Socicom), Helena Martins (UFC) e Marcos Dantas (UFRJ), com mediação de Erick Felinto (Uerj).</p>



<p><a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/">Paulo Freire e a comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania</a> são os grandes temas do maior evento científico da área de comunicação da América Latina que acontece este ano na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, até o próximo sábado, 9 de outubro.</p>



<p>Professor titular de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos lembrou do poder de destruição ética e estética que a internet e as redes sociais introduziram na sociedade e que não é a tecnologia que determina relações sociais; são as relações sociais que determinam o rumo das tecnologias. “A internet tornou-se tão essencial quanto a energia elétrica”, resumiu, ao falar do apagão da última segunda, enfatizando a necessidade de submeter esses rumos a algum controle público, um movimento que conta com a resistência de segmentos que lutam por efetiva democratização dos meios através de um sistema regulatório. “Cada vez mais, o mundo clama por regular a internet, mais precisamente as grandes plataformas que operam sobre a internet”, afirmou.</p>



<p>A denúncia da ex-funcionária do Facebook vem reforçar que não somente os usuários, mas, em grande parte, os provedores de acesso e as grandes plataformas são também responsáveis pelo conteúdo que circula na rede, com seus algoritmos e impulsionamentos para gerar mais vínculos e interações. O problema é que estão nisso conteúdos de ódio, fake news e obscurantismo. “Esses discursos sempre existiram. A questão é se têm direito de circular livremente pela internet”, provocou Marcos, que é membro eleito do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e foi, entre outros cargos públicos, secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério das Comunicações (2003).</p>



<p>No Brasil, o Projeto de Lei 2630, conhecido como PL das Fake News, busca impor alguns desses limites a toda essa “liberdade”. O projeto trata da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, cujo parecer do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), tem data de entrega agendada para esta sexta, 8 de outubro.</p>



<p>Professora da Universidade do Ceará, Helena Martins afirmou que “não dá mais para manter esse estado das coisas e ver a internet se transformar em mais um campo de mercantilização, como aconteceu com o rádio e a TV”. “Há urgência de pensar não só o uso, mas a superação desse estado de coisas”, explicou. Para ela, essa crise mais recente demanda uma retomada do pensamento crítico que faça uma articulação de resistência com estratégias em relação às formas de comunicação.</p>



<p>O professor Fernando Oliveira Paulino, da Universidade de Brasília, destacou que, nesse hall de ataques, há um alvo muito presente: as instituições públicas de educação. Ele definiu o sistema acadêmico brasileiro como sendo ainda muito “autofágico, autocentrado”. “O baixo grau de educação científica no país contribui com esse desaguar de ressentimentos com as instituições”, avaliou ele, que também é da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Sociocom).</p>



<p>A fala de Fernando foi para reforçar a importância de a comunicação das universidades e dos institutos fortalecerem a difusão de suas produções, atividades, pesquisas e extensões e também o diálogo entre os pares e com a sociedade. “Uma grande trincheira é necessidade de trabalhar ombro a ombro nesse momento”, definiu.</p>



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		<title>A comunicação sob a ótica de Paulo Freire no centro dos debates do 44º Intercom</title>
		<link>https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2021 21:11:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Freire]]></category>
		<category><![CDATA[Pedagogia do Oprimido]]></category>
		<category><![CDATA[UnB]]></category>
		<category><![CDATA[Venício A. de Lima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É difícil falar em comunicação sem remeter aos pensamentos do pernambucano Paulo Freire, que faria 100 anos neste último mês de setembro. Para o patrono da educação brasileira, a comunicação é uma troca dialógica (em forma de diálogo) que necessariamente carrega um ponto de vista político e social. Quando levamos isso para a comunicação popular, [&#8230;]</p>
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<p>É difícil falar em comunicação sem remeter aos pensamentos do pernambucano Paulo Freire, que faria 100 anos neste último mês de setembro. Para o patrono da educação brasileira, a comunicação é uma troca dialógica (em forma de diálogo) que necessariamente carrega um ponto de vista político e social. Quando levamos isso para a comunicação popular, comunitária e periférica, os ensinamentos freireanos encontram uma potência enorme, sobretudo em tempos de obscurantismo e ameaças democráticas. Afinal, é a comunicação um dos grandes marcadores das democracias, cuja base fundamental é a pluralidade de vozes.</p>



<p>O educador faleceu em 1997. Na época, o protagonismo do espaço público e da formação da opinião pública, relembra o professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), Venício Artur de Lima, era da chamada velha mídia, sobretudo da TV, cujas concessões são dos grandes grupos privados. Paulo Freire, logicamente, não viveu a época atual da revolução digital, da popularização da internet &#8211; com outros grandes grupos dominantes -, o uso frenético das redes sociais e a controversa infodemia, com enxurradas de <em>fake news</em>.</p>



<p>Dar opiniões colocando-se no lugar de alguém que já partiu é uma tarefa por vezes complicada. Mas, no caso de Freire, sabendo-se o mínimo sobre ele, fica relativamente fácil imaginar o caminho que as críticas dele teceriam. “Ele evidentemente ficaria muito triste com a situação em que nós vivemos, onde a mentira virou uma estratégia política, e há, inclusive, justificativas teóricas de que a mentira é um meio válido para se atingir determinados fins. Paulo Freire evidentemente não concordaria com isso”, diz Venício, provocado por uma pergunta da <strong>Marco Zero</strong>, o veterano e pioneiro no estudo da obra de Freire para além da alfabetização.</p>



<p>Num contexto que deixa nítido que vozes são silenciadas e que vozes são amplificadas pelas grandes empresas de comunicação, colocar Paulo Freire em evidência para debater comunicação é vital, sobretudo diante dos ataques reacionários à sua contribuição intelectual e transformadora para diversos países, não só o Brasil.</p>



<p>A comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania é um dos grandes temas do <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>, que começou nesta segunda-feira, 4 de outubro, e vai até sábado, 9 de outubro. O maior evento científico da área de comunicação da América Latina acontece este ano na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife.</p>



<p>“Com relação à chamada infodemia, nem ele (Paulo Freire) nem ninguém que tenha o mínimo de racionalidade pode contar com a divulgação de notícias falsas que tem como resultado a perda de vidas”, reforça Venício, relembrando o sujeito que o educador era, comprometido com o homem, a vida, o amor e felicidade.</p>



<p>“Paulo, quando encostava na parede para opinar sobre a mídia de massa, sempre remetia o interlocutor para o conceito de comunicação dele, que se apoia numa teoria do conhecimento”, recorda o pesquisador, com a licença que possui para chamar Freire somente pelo primeiro nome. O estudioso, aliás, fala justamente sobre isso em seu recém-lançado livro, <em>Paulo Freire: a prática da liberdade, para além da alfabetização</em> (Autêntica e Fundação Perseu Abramo). Venício estuda Freire há nada menos do que 50 anos, enfatizando a relação entre comunicação e cultura.</p>



<p>Com relação aos meios de comunicação de massa, &#8220;Paulo Freire reconhecia a importância deles no mundo em que vivia, mas também fazia críticas&#8221;, recorda Venício. Falava que era preciso ver criticamente os meios de comunicação, por serem os principais portadores e reprodutores dos mitos, que o educador lista em <em>Pedagogia do oprimido</em> e que mantinham boa parte da população no silêncio, na falta de voz no espaço público, sem que certas vozes fossem levadas em conta nos grandes debates.</p>



<p>Diante disso, o professor acredita, sem qualquer prepotência nesse exercício de trazer Paulo Freire para uma análise da atualidade, que qualquer pessoa que sabe o mínimo sobre a vida do educador pode imaginar os compromissos que ele tinha com a humanização do homem, a verdade e a justiça.</p>



<p>Essas e outras diversas temáticas em torno do legado freireano estão sendo apresentadas e debatidas no Intercom, olhando para o agir comunicativo de forma horizontal e libertadora, como pregava o eterno Paulo Freire.</p>



<p>Nesta segunda, 4, o primeiro dia do congresso contou com a primeira parte do colóquio “A pedagogia freireana e a comunicação para a transformação social &#8211; práticas de resistência na construção da cidadania”, com participação de José Luiz Aguirre (Universidad Católica Boliviana San Pablo/Bolívia) e Manuel Chaparro Escudero (Universidad de Málaga/Espanha) e medicação de Cicilia Krohling Peruzzo (Uerj/Ufes). O colóquio seguiu nesta terça, 5, com Jorge Gonzalez (Unam/México) e Gustavo Cimadevilla (UNRC/Argentina).</p>



<p>Nesta terça, 5, o assunto também foi tema da mesa “Comunicação e a pedagogia libertadora de Paulo Freire”, que o professor Venício participou junto com Andrea Trigueiro (Unicap), Cicilia Peruzzo (Uerj) e Ismar Soares (USP) e medicação de Juçara Brittes (Ufop).</p>



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<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/">A comunicação sob a ótica de Paulo Freire no centro dos debates do 44º Intercom</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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