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	<title>Arquivos jair bolsonaro - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos jair bolsonaro - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Cidadão honorário&#8221;, estratégia da extrema-direita garante palanque para Bolsonaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 22:22:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aparecida de Goiânia (GO), Apucarana (PR), Bauru (SP), Carpina (PE), Olinda (PE), Ribeirão Preto (SP), São Bernardo do Campo (SP), Santo André (SP) e Vitória do Santo Antão (PE). O que parece ser uma lista aleatória de municípios brasileiros revela, na verdade, uma das estratégias colocadas em andamento pela extrema-direita para garantir palanque e claque [&#8230;]</p>
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<p>Aparecida de Goiânia (GO), Apucarana (PR), Bauru (SP), Carpina (PE), Olinda (PE), Ribeirão Preto (SP), São Bernardo do Campo (SP), Santo André (SP) e Vitória do Santo Antão (PE). O que parece ser uma lista aleatória de municípios brasileiros revela, na verdade, uma das estratégias colocadas em andamento pela extrema-direita para garantir palanque e claque para o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua tentativa de sair impune da tentativa de golpe de Estado.</p>



<p>Desde que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou a denúncia contra o ex-presidente, as câmaras de vereadores de todos esses municípios aprovaram títulos de cidadão honorário para Bolsonaro ou para sua esposa, Michelle. Em duas capitais, São Paulo (SP) e Natal (RN), há projetos da mesma natureza em tramitação.</p>



<p>Nesta quarta-feira, em Olinda, os 14 vereadores da base de apoio à prefeita Mirella Almeida (PSD) votaram a favor do título para Bolsonaro. Só a petista Eugênia Lima (PT) votou contra, enquanto outros dois parlamentares estavam ausentes.</p>



<p>Durante a sessão em que o título de cidadão olindense foi aprovado, dezenas de pessoas protestaram nas galerias e diante da Câmara. A presença dos manifestantes refletiu o resultado das urnas na eleição presidencial de 2022, quando presidente Luiz Inácio Lula obteve 58,8% dos votos no segundo turno da eleição presidencial.</p>



<p>&#8220;É lamentável ver que, mesmo após a denúncia da Procuradoria-Geral da República por tentativa de golpe de Estado e por fazer parte de um esquema que tentou assassinar o atual presidente, o vice presidente e um ministro do STF, há uma mobilização coordenada para transformar Bolsonaro em cidadão honorário em diversas cidades. Isso não é homenagem, é palanque. Esses títulos são usados como ferramenta política para manter viva uma figura que afrontou a democracia brasileira. Está em curso uma construção de uma rede de sustentação para alguém que está respondendo à Justiça porcrimesgraves&#8221;, desabafou a vereadora Eugênia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Duas capitais</strong></h2>



<p>Em Natal, a tramitação do título foi interrompida na sessão plenária desta quinta-feira, pois o autor do projeto <a href="https://saibamais.jor.br/2025/04/sob-protesto-vereador-retira-projeto-de-titulo-de-cidadao-natalense-a-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">preferiu retirar o projeto da pauta</a> de votação ao perceber que a proposta seria rejeitada em plenário. Na véspera, havia sido aprovado com facilidade na comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Em São Paulo, a proposta apresentada por uma vereadora do PL está tramitando lentamente.</p>
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		<title>Escola de Sargentos e Arco Metropolitano podem desmatar mais de 336 mil árvores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 16:24:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[APA Aldeia-Beberibe]]></category>
		<category><![CDATA[Arco Metropolitano]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Exército]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se saírem do papel, duas obras previstas para os próximos anos na Região Metropolitana do Recife irão desmatar mais de 336 mil árvores em área de mata atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta e do qual, no Estado, só restam 15% da cobertura original. As construções, projetadas na Área de Proteção Ambiental (APA) [&#8230;]</p>
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<p>Se saírem do papel, duas obras previstas para os próximos anos na Região Metropolitana do Recife irão desmatar mais de 336 mil árvores em área de mata atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta e do qual, no Estado, só restam 15% da cobertura original. As construções, projetadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, são a <a href="https://marcozero.org/escola-de-sargentos-em-area-de-protecao-preocupa-ambientalistas-e-tecnicos-da-cprh/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Escola de Sargentos</a> e o <a href="https://marcozero.org/governo-de-pe-viola-lei-para-agradar-a-jeep-e-construir-estrada-na-maior-reserva-de-mata-atlantica-da-regiao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Arco Metropolitano</a>. Essa foi uma das conclusões do estudo realizado pelas universidades Federal de Pernambuco (UFPE), Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Federal de Alagoas (Ufal) e o Fórum Socioambiental de Aldeia, organização que reúne moradores e amigos da APA, cujo território se espalha por oito municípios (Abreu e Lima, Araçoiaba, Camaragibe, Igarassu, Paudalho, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata)</p>



<p>Em reunião em Brasília, na semana passada, o Exército apresentou algumas atualizações sobre o megainvestimento da Escola de Sargentos, da ordem de R$ 1,5 bilhão. Em vez dos iniciais 149 hectares de supressão vegetal, o projeto deve desmatar um total de 189 ha, o equivalente a quase 265 campos de futebol ou cerca de 26 Parques da Jaqueira, no bairro das Graças, zona norte do Recife.</p>



<p>A Escola deve ser instalada na mata do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), que pertence ao próprio Exército e é tratada como uma espécie de santuário, apelidada de “Amazônia da Região Metropolitana do Recife” (RMR). Ela também abriga mananciais que abastecem barragens da RMR, com destaque para a de Botafogo, historicamente problemática e que alimenta Olinda e o litoral norte de Pernambuco. </p>



<p>Com capacidade para concentrar 10 mil pessoas, entre alunos, professores, pessoal de apoio e famílias dos militares, o complexo deve ter, além da Escola, conjunto residencial com 24 prédios de seis andares, vila olímpica, pátio de tiros, ginásios cobertos, estacionamento e pátio de formaturas. </p>



<p>O referido estudo, intitulado <em>Empreendimentos planejados na APA Aldeia-Beberibe: impactos e futuro</em>, comparou a paisagem atual com a paisagem do futuro, após a implantação da Escola e do Arco utilizando, entre outras tecnologias, o escaneamento a laser. A equipe conseguiu fazer as projeções levando em consideração também realidades já existentes de degradação de floresta em outras áreas. O levantamento considerou árvores com caule acima de cinco centímetros de diâmetro.</p>



<p>“Haverá aumento da degradação ambiental e uma piora da qualidade dos habitats. Os impactos não ficarão restritos a essa área”, alerta a professora da UFRPE Ana Carolina Borges Lins e Silva, doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela apresentou o estudo na última sexta-feira (17) no seminário que comemorou e debateu os 13 anos da criação da APA Aldeia-Beberibe na universidade. </p>



<p>Aves vão perder a possibilidade de se locomover e a fauna terrestre pode ficar isolada por barreiras intransponíveis por causa das construções. Além disso, luz, som e partículas podem causar mudanças na dinâmica vegetal e animal por muitos quilômetros. O levantamento, que ficou pronto há duas semanas, foi elaborado com base na previsão inicial de desmatamento da Escola do Exército, de 149 hectares. Ou seja, o dano ambiental será ainda maior.</p>



<p>Veja o estudo completo:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/projetos-na-apaabavaliao-e-alternativasfinal-1pdf
</div></figure>



<p>Presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia e integrante do Conselho Gestor da APA Aldeia-Beberibe, Herbert Tejo, se queixa que o conselho não tem sido chamado para dialogar. Ele reforça a preocupação e destaca que cinco áreas de proteção integral integram a APA. Academia e sociedade civil já apresentaram ao governo alternativas locacionais que não precisem degradar áreas ainda preservadas. </p>



<p>Até o momento, a governadora Raquel Lyra (PSDB) não se posicionou sobre o tema. Ela não esteve na reunião na capital federal. À <strong>Marco Zero</strong>, em nota, o governo disse apenas que “se encontram em análise na Procuradoria Geral do Estado os processos relacionados à Escola de Sargentos”.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/sem-licenciamento-nem-projeto-bolsonaro-lanca-pedra-fundamental-de-escola-do-exercito-em-area-de-protecao-ambiental/">Sem licenciamento ambiental nem projeto</a>, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) veio a Pernambuco, em março do ano passado, lançar a pedra fundamental da Escola do Exército. Com base na legislação (Lei Complementar nº 140, de 2011), o Exército solicitou ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a dispensa de licenciamento da Escola, por se tratar de empreendimento de caráter militar “previsto no preparo e emprego das Forças Armadas”.</p>



<p>O Ibama confirmou a isenção, ainda em 2021, mas ressaltou que isso não dispensa o Exército de outras possíveis medidas de redução de impactos, controle e monitoramento e tampouco o exime de requerer autorizações de outros órgãos, “caso se façam necessárias”. O Exército, por sua vez, assegura que as construções serão ambientalmente sustentáveis.</p>



<p>O projeto do Arco Metropolitano, por sua vez, passaria na frente da área escolhida para a Escola de Sargentos. São, portanto, dois empreendimentos casados. O Arco, promessa desde a gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), tem como objetivo ser uma alternativa para desafogar a BR-101. Entre ida e vindas de projetos, protestos e sugestões de alternativas propostas por ambientalistas, o traçado do empreendimento ainda não está definido.</p>



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		<title>O gosto amargo da missa de 1 ano da morte de Olavo de Carvalho</title>
		<link>https://marcozero.org/o-gosto-amargo-da-missa-de-1-ano-da-morte-de-olavo-de-carvalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 21:15:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
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		<category><![CDATA[Igreja da Harmonia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Lula Pinto* O primeiro aniversário da morte do escritor bolsonarista Olavo de Carvalho não passou em brancas nuvens em Casa Amarela, um dos bairros mais populares da Zona Norte do Recife. Sob a responsabilidade do padre Paulo Sérgio Vieira Leite, a Igreja da Harmonia foi palco de uma homenagem a um dos responsáveis pela [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Lula Pinto</strong>*</p>



<p>O primeiro aniversário da morte do escritor bolsonarista Olavo de Carvalho não passou em brancas nuvens em Casa Amarela, um dos bairros mais populares da Zona Norte do Recife. Sob a responsabilidade do padre Paulo Sérgio Vieira Leite, a Igreja da Harmonia foi palco de uma homenagem a um dos responsáveis pela elaboração da linha ideológica que dá forma à extrema direita brasileira. A lembrança de Olavo aconteceu por meio de uma missa realizada durante a noite quente e abafada que fazia neste dia 24 de janeiro, durante a qual se celebrou também a passagem de quatro outros fiéis vinculados direta ou indiretamente à paróquia.</p>



<p>Às 19h00, quando a cerimônia começou, não mais que 40 pessoas estavam presentes na nave principal da igreja, que passou recentemente por uma reforma interna. O público fiel nesta terça-feira não destoava do perfil majoritariamente branco de classe média e pobre que frequenta as missas nos dias da semana. Exceção à presença de um já manjado conjunto local de seguidores dos cursos que o ex-astrólogo dava no Youtube, antes de essa plataforma o expulsar pelos discursos de ódio que propagava.</p>



<p>Percebi que Olavo foi o único dos mortos a ter o nome inteiro pronunciado ao longo da cerimônia. O que é compreensível: o autor preferido dos filhos de Bolsonaro, e de diferentes linhas de extremismo à direita no Brasil de hoje, estampou um dos posts do perfil da paróquia no Instagram, que recebeu uma chuva de comentários negativos e foi deletado no início da noite, pouco antes da missa começar. E o padre precisou, assim, logo no início do encontro, dar algumas justificativas para manter Olavo de Carvalho na lista, seguindo a solicitação que geralmente é enviada por parentes ou admiradores da pessoa homenageada.</p>



<p>A essa altura, passados somente cerca de 10 minutos do início da missa, e de ter me postado para assisti-la, achava que o calor teria arrefecido por causa dos muitos ventiladores que somavam zumbidos ao trânsito lá fora. O Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite desenhou o argumento que lhe conduziu até o final das homenagens: por um lado, a coincidência do dia 24 de janeiro, data da morte de Olavo, ser uma data reservada pela Igreja Católica para lembrar de São Francisco de Sales. Nascido em meio aristocrático, na família dos Barões de Boisy, em 1567, São Francisco de Sales é o patrono dos escritores e dos jornalistas.</p>



<p>E, por outro, a associação da própria vida de Olavo de Carvalho e sua obra à vida de São Francisco de Sales e seu trabalho junto à Igreja Católica num sentido muito específico. O Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite afirmou, ressaltando a importância de Olavo de Carvalho para a Igreja que: “Conheço muitas pessoas que se converteram (ao Catolicismo) por conta dos ensinamentos de Olavo de Carvalho”. E completou afirmando que, “Assim como São Franciso de Sales, que através das suas pregações ajudou muitas pessoas a voltarem ao seio da Igreja, Olavo fez da profissão dele seu apostolado”.</p>



<p>Os dois argumentos convergiram, então, na reflexão do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite, para um ponto pertubador: a necessidade de focar na piedade como instrumento para ler o mundo, as ações das pessoas e em especial a do senhor que vivia em Richmond, morto há um ano. Foi nesse ponto que me lembrei que o autor já havia argumentado que a cultura inferior de civilizações africanas é a razão da escravização que se intensificou em África partir do século XVI. E que por isso, negras e negros não merecem nenhum tipo de políticas de reparação no mundo contemporâneo.</p>



<p>Olavo também foi um apologista da superioridade da cultura ocidental em sua matriz judaico-cristã e da filosofia Grega sobre as de culturas de África, o que lhe serviu, em determinado ponto de suas aulas e escritos, a afirmar que negras e negros se beneficiaram dos processos de colonização.</p>



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	                                        <p class="m-0">Card divulgado nas redes sociais oficiais Paróquia do Bom Jesus do Arraial &#8211; Igreja da Harmonia</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Nesse ponto passei a me fazer aquela pergunta retórica que mutos andamos nos fazendo a tempo demais talvez: como foi que chegamos até aqui mesmo? Eu já suava um bocado, apesar disso não deixei de me arrepiar com a ideia que havia na entrelinha daquele argumento, que eu ouvia em stéreo – são muitas as caixas de ressonância. Porque o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite sugeria, apoiando-se num personagem da história da Igreja Católica, identificando o percurso de Olavo ao de São Francisco de Salles e no argumento básico do cristianismo (o amor e o perdão), algo que me pareceu a mais uma anistia, uma remissão ao horror, o tipo de conciliação que a dinâmica social brasileira não pode mais tolerar.</p>



<p>“Todos somos chamados a sermos instrumentos de Deus. E para sermos instrumentos de Deus, precisamos ter coragem, não passaremos ilesos, vamos sofrer decepção, dificuldades, difamação, tudo. Mas é preciso ter fé em Nosso Senhor. Então vamos nos preparar para a nossa celebração, protegidos por esse grande santo que encontrou atalhos para os casos mais graves tendo em vida piedade. Porque é a piedade no coração da gente, ter piedade é a forma de ver as coisas de maneira diferente. É a piedade que nos faz entrar na mensagem de hoje, fora disso é só ideologia, é só guerra, é só confusão, é tudo, menos, vida cristã”, ecoavam nas caixas de som a voz do Pároco.</p>



<p>Na sequência, um dos integrantes do coral entoou um “Senhor, que vieste salvar, os corações arrependidos”, ao que a nave respondeu: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”. “Ó Cristo que vieste chamar os pecadores humilhados”, a nave: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”. Senhor que intercedeis por nós, junto a Deus Pai que nos perdoa”: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”.</p>



<p>Estava assim entre esses pensamentos, mas percebendo também que nada nas palavras do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite gerou reação perceptível nas pessoas que estavam ali para honrar seus mortos. Ao final da missa, me aproximei de alguns fiéis para comentar a forte presença da defesa do trabalho de Olavo de Carvalho, feita pelo Pároco, saber como interpretavam ou consideravam a celebração. Ninguém me deu um depoimento definido. Ou por não querer comentar ou por não saber do que se travava.</p>



<p>Depois de argumentar que não devemos julgar e condenar ninguém por seus atos em vida e de lembrar a necessidade de rezar pelos cristãos como era o mais célebre falecido, uma das falas do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite voltou a tratar de forma direta de Olavo e da polêmica que havia se armado no tal post da Paróquia.</p>



<p>O padre defendeu a necessidade de rezar para o cristão que se arrepende, diferenciando esse ato da simples homenagem, e completou: “Eu fico surpreso com o número de pessoas convertidas através da palavra de Olavo de Carvalho, aqui mesmo há pessoas. Eu tenho tido muitos contatos com essas pessoas, que tem se aproximado da religião, deixado de ser protestante, outras… através desse homem. Que era desbocado, que tinha uns radicalismos, quem de nós não tem na época eleitoral?”. Antes de finalizar a celebração, o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite ainda confirmou que há diversos pontos nos escritos de Olavo de Carvalho que valoriza.</p>



<p>Sem perceber, a meio tom entre ligeiro e devagar, numa igreja meio cheio e meio lotada, sob o calor pleno de uma noite na Zona Norte, o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite homenageava sim um ideólogo do caos e da banalidade do mal.</p>



<p>Eles devem ser sempre bem lembrados. Lembrá-los bem significa a necessidade ética de qualquer pessoa e instituição de colocá-los diante do valor da vida em toda as suas formas e intensidades e fazer escolhas.</p>



<p>Saí da igreja da Harmonia com um gosto amargo na boca e com um frio, apesar do calor, me perguntando coisas. Até que ponto vamos presenciar as diversas formas de defesa da anistia? Qual o real nível da aproximação de setores de instituições como a Igreja no Brasil de grupos e formadores da extrema direita?</p>



<p><strong>* Lula Pinto é jornalista, formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente é coordenador do Mestrado em Indústrias Criativas e professor do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco.</strong></p>



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		<title>Família Bolsonaro provocou 801 ataques à imprensa no Twitter, constata pesquisa da Abraji</title>
		<link>https://marcozero.org/familia-bolsonaro-provocou-801-ataques-a-imprensa-no-twitter-constata-pesquisa-da-abraji/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 20:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[mentiras de Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 e 5 de maio de 2022, analisou 14.918 tweets e retweets feitos pelo presidente da república e seus filhos com cargos eletivos.</p>



<p>Dados dos <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>monitoramentos de ataques</strong></a> e <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-violencia-de-genero-contra-jornalistas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>violência de gênero contra jornalistas</strong></a> da Abraji demonstram que, nos últimos dois anos, o clã Bolsonaro, seguidos por aliados e apoiadores do governo, lideram como principais autores de ataques contra profissionais ou veículos da imprensa. O vereador Carlos Bolsonaro foi o integrante da família que mais atacou veículos de comunicação e jornalistas com 351 publicações, respostas e compartilhamentos de assuntos hostis no Twitter. Em seguida, estão o deputado federal Eduardo Bolsonaro, com 340 ataques e conteúdos ofensivos, e o senador Flávio Bolsonaro, com 76. Já o presidente Jair Bolsonaro somou 34 postagens e repostagens sobre a imprensa, com conteúdos que afirmaram uma postura agressiva contra a mídia e aos comunicadores.</p>



<p>Em relação ao conteúdo das postagens sobre a mídia feitas por membros da família Bolsonaro, ataques, críticas e tentativas de descredibilização da imprensa foram maioria e chegaram a ser mencionados em 73% dos tweets do presidente e seus filhos. Os discursos estigmatizantes proferidos por autoridades e as campanhas sistemáticas de intimidação a jornalistas despontam como os principais tipos de agressão contra a imprensa, chegando a 74,6% dos casos registrados em 2021 e 64,5% dos episódios identificados entre janeiro de 2022 até o momento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Print de publicação do Twitter do presidente Jair Bolsonaro</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Print de uma publicação do Twitter de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) </p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma rede formada por políticos e influenciadores</strong></h2>



<p>Os dados coletados pela Abraji evidenciam o potencial das redes sociais como ferramentas de ataques contra jornalistas e membros da imprensa, uma vez que 62,5% dos alertas realizados por profissionais de comunicação em 2021 e 60,1% em 2022 tiveram origem ou repercussão na internet. As informações revelam um padrão de violência contra a imprensa que cresce no ambiente online: atores políticos iniciam a hostilização e seus seguidores a amplificam. Com isso, uma rede de ataques é formada e espalhada de forma articulada.</p>



<p>A exemplo disso estão os casos das jornalistas Míriam Leitão e Vanessa Lippelt. Em abril de 2022, Eduardo Bolsonaro fez uma publicação no Twitter debochando da prisão e da tortura sofridas por Míriam Leitão no período da ditadura militar no Brasil, a agressão ecoou e a jornalista foi vítima de diversos ataques na internet. Já a editora do site Congresso em Foco, Vanessa Lippelt, passou a sofrer ataques e ameaças de violência &#8211; inclusive de estupro &#8211; após a <a href="https://www.abraji.org.br/abraji-repudia-ameacas-de-morte-a-jornalista-de-brasilia?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=associados-abraji" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicação de um matéria que revelava a mobilização de um fórum anônimo para produzir conteúdo com desinformações em favor do presidente.</a></p>



<p>A análise dos tweets da família Bolsonaro sobre a imprensa revelou uma rede de conexões entre contas que são frequentemente respondidas e retweetadas pelo quatro políticos em seus ataques. Essa rede é majoritariamente formada por figuras políticas conhecidas nacionalmente e influenciadores que possuem milhares de seguidores no Twitter.</p>



<p>Um gráfico feito pela Abraji mostra as conexões entre os perfis da família Bolsonaro e contas no Twitter que receberam interações em ataques contra a imprensa.</p>



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</div></figure>



<p>O vereador Carlos Bolsonaro interage frequentemente com as contas de Elisa Brom (@brom_elisa), que tem 125,3 mil seguidores na plataforma; Iara BG (@iaragb), com 74 mil seguidores; e Sarita Coelho (@saritacoelho), com 74,5 mil seguidores. Carlos também divide ataques com o influenciador Kim Paim (@kimpaim), que possui 678,2 mil seguidores no Twitter e 629 mil inscritos no YouTube, e com atores políticos como o ex-secretário especial de Cultura, Mário Frias (@mfriasoficial), o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Heleno (@gen_heleno), o ex-secretário nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, André Porciúncula (@andreporci), o comentarista político Rodrigo Constantino (@RConstantino) e o pastor Marco Feliciano (@marcofeliciano).</p>



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	                                        <p class="m-0">Print de publicações do Twitter do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ) </p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O deputado federal Eduardo Bolsonaro retweetou com frequência seus próprios conteúdos e, assim como o irmão, interagiu com Elisa Brom, André Porciuncula, General Heleno, Kim Paim e Rodrigo Constantino. Já o senador Flávio Bolsonaro deu visibilidade aos tweets de perfis da própria família, compartilhando com frequência conteúdos de Carlos e Jair Bolsonaro, e também de contas influentes na plataforma, como TeAtualizei (@taoquei1), com 1,1 milhões de seguidores, e do ministro das Comunicações, Fabio Faria (@fabiofaria), com 495,7 mil seguidores.</p>



<p>Entre os ataques à imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, 5,9 são retweets e 50% são respostas &#8211; todas à própria conta. Bolsonaro só compartilhou publicações do filho Carlos e do comandante da Força Aérea Brasileira, Brigadeiro Baptista Jr (@CBaptistaJr).</p>



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	                                        <p class="m-0">Publicação de Jair Bolsonaro no Twitter em abril de 2021. Crédito: reprodução / Twitter</p>
	                
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<p></p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Quem foi José Mariano, o herói abolicionista que dá nome à medalha que Bolsonaro pode receber no Recife?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 21:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abolicionismo]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A medalha de mérito José Mariano, que os vereadores Dilson Batista (Avante) e Michele Collins (PP) pretendem colocar no peito de Jair Messias Bolsonaro, recebe o nome de um dos mais importantes ativistas da luta contra a escravidão no Brasil. José Mariano Carneiro da Cunha também foi um dos políticos mais populares de Pernambuco no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A medalha de mérito José Mariano, que os vereadores Dilson Batista (Avante) e Michele Collins (PP) pretendem colocar no peito de Jair Messias Bolsonaro, recebe o nome de um dos mais importantes ativistas da luta contra a escravidão no Brasil. José Mariano Carneiro da Cunha também foi um dos políticos mais populares de Pernambuco no final do Império e nos primeiros anos da República. Gilberto Freyre dizia que ele foi o “o pernambucano mais amado pelas multidões”.</p>



<p>Ao longo de sua trajetória, José Mariano chegou a ser chamado pelos senhores de engenho de radical, anarquista e também de “comunista”, conforme conta o historiador e doutorando em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Db4veBIy4o">Arthur Dani</a><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Db4veBIy4o" target="_blank" rel="noreferrer noopener">l</a><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Db4veBIy4o">lo de Souza</a>.<br><br>José Mariano nasceu em 1850, no engenho de sua família, em terras do atual município de Ribeirão, na Mata Sul. Na época, o sobrenome Carneiro da Cunha era sinônimo de poder político e riqueza gerada pela mão de obra nos canaviais e na produção de açúcar. Seu pai, Mariano Xavier Carneiro da Cunha, era tenente-coronel da guarda nacional. Ele, no entanto, contrariou a aristocracia canavieira a qual pertencia e aderiu ao movimento abolicionista ainda na faculdade de Direito, onde se formou na mesma turma de Joaquim Nabuco.</p>



<p>Como ativista, Mariano inaugurou a prática de falar em praça pública, quase sempre em cima de uma carroça, defendendo a libertação dos escravizados diretamente a pessoas de quaisquer classes sociais, ao contrário dos políticos ligados à aristocracia, que só discursavam nos salões elegantes e clubes sofisticados. Ele chamava essa tática de “club popular”. Deu certo: aos 28 anos de idade foi eleito deputado-geral com muitos votos entre os pequenos comerciantes do bairro de São José. A eleição tornou ainda mais intensa sua atuação abolicionista.</p>



<p>O historiador Arthur de Souza, integrante da Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da UFPE conta que a sua atuação pública na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, passou a conviver com a atuação clandestina e ilegal em Pernambuco. Como parlamentar, apresentou propostas para aumentar o fundo que emancipava negros escravizados com recursos vindos dos impostos sobre o consumo. Fora da lei, ele fazia parte de um dos mais ativos grupos abolicionistas da história do Brasil, Clube do Cupim, formado por ativistas liberais de pelo menos 13 províncias.</p>



<p>Os integrantes do Clube do Cupim providenciavam dinheiro e documentos para cartas de alforria, providenciavam a fuga de escravizados para outros estados ou recebiam e conseguiam trabalho em suas cidades para fugitivos enviados pelos outros participantes do grupo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quilombo do Poço da Panela</strong></h2>



<p>Uma das maiores proezas do Cupim teve José Mariano como protagonista: na noite de 23 de abril de 1888, 119 pessoas escravizadas, fugindo de seus “senhores”, embarcaram numa canoa de capim no cais que havia no quintal de sua casa, no Poço da Panela, e foram flutuando pelo Capibaribe até o ponto onde hoje está a ponte da Capunga, nas Graças. De lá, havia outros abolicionistas os esperando em dois botes para levá-los no navio Flor de Liz, ancorado no porto do Recife e que os levou para outro estado, provavelmente o Ceará.</p>



<p>Passavam tantos escravizados pela casa de Mariano, que o local era conhecido como “quilombo dao Poço da Panela”.</p>



<p>Por sua atuação, Mariano foi “depurado” (o equivalente a cassado) de seu mandato como deputado do Império.</p>



<p>Mariano abraçou outras causas em sua vida. Em 1891, já na República, ele foi preso no Forte do Brum por ter escrito artigos e participado de protestos contra o autoritarismo e o militarismo do marechal Floriano Peixoto, um linha-dura do exército que foi o segundo presidente do país.</p>



<p>Quando morreu no Rio de Janeiro, em 1912, seu corpo foi embalsamado e enviado para o Recife, onde foi sepultado no cemitério de Santo Amaro em um túmulo exatamente em frente ao do seu amigo, o também abolicionista Joaquim Nabuco. Seu enterro foi acompanhado por 80 mil pessoas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: site da Prefeitura da Cidade do Recife</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Vergonha e insulto&#8221;<br></h3>



<p>A professora e doutora em História pela UFPE, Suzana Cavani Rosas, pesquisadora das questões agrárias e a escravidão em Pernambuco, não tem dúvidas que a condecoração seria &#8220;um insulto à memória e à vida de José Mariano. Ele não iria gostar nada de ver seu nome sendo usado para homenagear um homem que não tem vínculo nenhum com os movimentos populares nem com as camadas mais pobres da população. Pelo contrário, é um fascista&#8221;.</p>



<p>Se a homenagem for aprovada, a pesquisadora não rem dúvidas: &#8220;Vai ser uma vergonha para Pernambuco. Um vexame&#8221;.</p>



<p>A professora traz mais uma informação histórica que torna ainda menos recomendável a homenagem ao presidente usando o nome do abolicionista pernambucano: &#8220;Em 1874, na chamada &#8216;Questão Religiosa&#8217; envolvendo Dom Vital, Mariano defendeu a separação entre Igreja e o Estado. Se posicionar a favor do Estado laico era algo muito avançado para a época&#8221;. O episódio ao qual a pesquisadora se refere é o conflito entre o Império e a Igreja Católica iniciado pelo bispo de Olinda, Dom Vital Gonçalves Oliveira, que fechou as irmandades religiosas ligadas à maçonaria, conforme ordem do papa. O problema é que os nobres maçons ocupavam postos importantes na burocracia do Império e o bispo acabou preso. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O racismo de Bolsonaro</strong></h4>



<p>Todas essas informações sobre um dos mais aguerridos abolicionistas brasileiros estão disponíveis nos sites da <a href="http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php?option=com_content&amp;id=382:jose-mariano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Joaquim Nabuco</a>, dos <a href="http://blogs.diariodepernambuco.com.br/historiape/index.php/category/movimento-abolicionista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jornais locais</a> e da própria <a href="https://www.recife.pe.leg.br/comunicacao/noticias/cem-anos-de-morte-de-jose-mariano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Câmara Municipal do Recife</a>, que produziu um documentário em 2012, data do centenário da morte de José Mariano.</p>



<p>Com ajuda do Google, os vereadores também poderão comparar a biografia de José Mariano com <a href="https://esquerdadiario.com.br/Nesse-20N-confira-nove-das-inumeras-falas-racistas-de-Bolsonaro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">as declarações racistas de Bolsonaro</a>, que em 2011, disse para Preta Gil que não corria risco de casar com uma mulher negra, pois &#8220;foi bem criado&#8221;. Seis anos depois, já como pré-candidato a presidente, Bolsonaro falou em uma palestra que os negros quilombolas “Não servem para nada, nem para procriadores servem mais”. Na presidência da República, Bolsonaro apontou para um de seus apoiadores no “cercadinho” e comparou o cabelo <em>black power</em> do rapaz a um “criatório de baratas”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. Apoie o jornalismo que está do seu lado.</cite></blockquote>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Reforma administrativa é o pior ataque de Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/reforma-administrativa-e-o-pior-ataque-de-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jun 2021 13:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[paulo guedes]]></category>
		<category><![CDATA[reforma administrativa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=38562</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Isaltino Nascimento* Tema quente na esfera federal, a PEC da Nova Administração Pública de bonita só tem o nome. Na verdade, trata-se de um dos piores ataques do Governo Federal aos brasileiros. A partir dessa reforma, esvazia-se o poder legislativo de estados e municípios e concentra-se as necessidades da estrutura administrativa na caneta do [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Isaltino Nascimento*</strong></p>



<p>Tema quente na esfera federal, a PEC da Nova Administração Pública de bonita só tem o nome. Na verdade, trata-se de um dos piores ataques do Governo Federal aos brasileiros. A partir dessa reforma, esvazia-se o poder legislativo de estados e municípios e concentra-se as necessidades da estrutura administrativa na caneta do poder executivo. Esse é um dos mais profundos retrocessos.</p>



<p>Apesar das muitas emendas propostas, podemos entender a lógica gestada dessa reforma administrativa por meio de três grandes eixos. O primeiro, é aumentar a autonomia do poder executivo na gestão do funcionamento da máquina pública. O governo poderá, por decreto, modificar toda a estrutura administrativa sem precisar submeter à aprovação do legislativo. Ou seja, aumenta o poder do chefe do executivo na organização da esfera administrativa, seja nacional, estadual ou municipal.</p>



<p>Nesse aspecto, a reforma é um cheque em branco para que o poder executivo possa mexer como queira na estrutura administrativa. Transformar cargos vagos ou fazer uma alteração de carreira, por exemplo, será possível por decreto. O único requisito é não haver aumento na despesa. Com isso, vemos então a possibilidade do total esvaziamento do poder legislativo na organização da estrutura do Estado e a grande possibilidade de criar privilégios.</p>



<p>O segundo ponto é que essa reforma mexe com o vínculo dos servidores. Hoje temos o vínculo efetivo, o comissionado e o por prazo determinado para atender alguma necessidade excepcional do poder público. Os cargos efetivos serão transformados em cargos típicos de estado e cargo por prazo determinado. A garantia de estabilidade será reduzida e o poder executivo poderá diminuir despesa se houver alguma dificuldade financeira.</p>



<p>Para estados e municípios essa reforma abrirá um rombo na previdência, uma vez que as carreiras não típicas serão celetistas. Ou seja, é prejudicial para o financiamento da previdência que sofrerá certamente uma sangria.</p>



<p>Por fim, a reforma administrativa também prevê a ampliação das possibilidades de parcerias privadas na execução de serviços públicos. Escancara-se a janela para propostas de terceirização, o que pode servir aos interesses de quem está à frente de prefeituras, estados e união.</p>



<p>Preocupante por demais. Estamos vendo o governo federal colocar em risco a autonomia do serviço público, a retirada do poder das casas legislativas e, de quebra, promover a instabilidade na carreira do servidor. Essa é uma reforma autoritária, que definitivamente faz encolher a nossa democracia.</p>



<p><strong>*Deputado estadual em Pernambuco pelo PSB</strong></p>



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		<title>Entenda o que é e como funciona uma CPI</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-o-que-e-e-como-funciona-uma-cpi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Apr 2021 09:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[CPI da covid]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia e política]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
		<category><![CDATA[senadores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir desta terça-feira, dia 27 de abril, a instalação de uma nova  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tem tudo para, novamente,  atrair as atenções do país para o que acontece nos salões e corredores do Senado.  A CPI que vai investigar como e porque a covid-19 provocou quase 400 mil mortes no Brasil, começará [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A partir desta terça-feira, dia 27 de abril, a instalação de uma nova  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tem tudo para, novamente,  atrair as atenções do país para o que acontece nos salões e corredores do Senado.  A CPI que vai investigar como e porque a covid-19 provocou quase 400 mil mortes no Brasil, começará a funcionar com foco nas ações de combate à pandemia adotadas pelo governo Bolsonaro, as possíveis omissões do Poder Executivo na contenção da crise sanitária e a aplicação dos recursos federais por estados e municípios. </p>



<p>As investigações da CPI serão conduzidas por um grupo de 11 senadores. Quatro são declaradamente governistas: Ciro Nogueira (PP-PI), Jorginho Melo (PL-SC), Marcos Rogério (DEM-RO) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Os outros sete são oposicionistas ou dizem ser “independentes”, mas estão discutindo e definindo suas respectivas atuações em bloco: Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Renan Calheiro (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE).</p>



<p>Na primeira reunião, serão escolhidos o presidente, vice-presidente e relator da comissão. Tudo indica que Omar Aziz será o presidente. Apesar das pressões de Bolsonaro e de suas milícias digitais, Renan Calheiros deve assumir o importante cargo de relator.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mas, o que é uma CPI?</h2>



<p>A Comissão Parlamentar de Inquérito é uma comissão formada por parlamentares, que tem como objetivo principal investigar possíveis danos e/ou crimes cometidos por agentes públicos ou políticos que sejam relevantes para a ordem social e econômica do país.</p>



<p>As CPIs são temporárias, ou seja, têm data de abertura e conclusão. Geralmente o prazo inicial é de 90 dias, mas esse prazo pode ser prorrogado. A expectativa é de que as investigações da CPI da Covid se estendam até os primeiros meses de 2022.</p>



<p>Existem as CPIs mistas, convocadas conjuntamente pela Câmara Federal e pelo Senado, formadas tanto por deputados federais quanto por senadores, e as CPIs exclusivas de cada uma das casas legislativas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Quem pode criar uma CPI?</h3>



<p>Qualquer parlamentar pode propor a CPI, porém, para que ela seja instaurada é preciso o apoio de um terço dos parlamentares das casas legislativas, Senado ou Câmara. A comissão também pode ser aprovada através de uma apreciação no Plenário (órgão da Câmara e do Senado responsável por deliberar de maneira definitiva sobre as propostas dos parlamentares).</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que ocorre após a instalação da CPI?</h3>



<p>Depois de instaurada, a CPI pode convocar pessoas para depor, solicitar informações sigilosas e análise de documentos e também quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico de indiciados na investigação.</p>



<p>Por fim, a comissão elabora um relatório, no qual parlamentares podem recomendar mudanças na legislação e punições, que variam entre cassações de mandatos e prisões. Todas as recomendações do relatório são avaliadas por órgãos de controle, como o Ministério Público, e pelo Judiciário, que decidem como o material coletado na CPI será utilizado para definir os destinos dos investigados.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A CPI pode resultar no impeachment do presidente?</strong></h3>



<p>As CPIs não podem julgar nem punir os investigados, as aplicações das leis e punições cabem ao Poder Judiciário e não ao Legislativo. A CPI é responsável por investigar e indicar aos órgãos competentes o parecer do caso, através da relatoria, e o plano de ação que pode ser acatado ou não. Sendo assim, nenhuma prisão ou cassação de mandato pode ser decretada diretamente pela comissão.</p>



<p>Apesar disso, como é possível perceber através dos fatos históricos da política brasileira, a CPI pode ser responsável por descobrir e tornar público casos graves de fraude e corrupção, dando base legal para a instauração de um processo de impeachment.</p>



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	                                        <p class="m-0">Atividades da CPI da Covid-19 serão híbridas, ora online, ora em Brasília (Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>CPIs que fizeram história</strong></h4>



<p>Houve um tempo em que a sigla CPI era bem mais conhecida pela maioria da população brasileira, pois, nas últimas décadas, algumas investigações provenientes das comissões revelaram crimes e fraudes capazes de abalar governos e organizações públicas e privadas.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>CPI do PC Farias</strong>: sem dúvidas, essa é uma das mais famosas, afinal, seu principal desdobramento foi a abertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, que renunciou ao cargo em 29 de dezembro de 1992. A comissão investigou um esquema de corrupção que envolvia o empresário Paulo César Farias, assessor e tesoureiro da campanha de Collor à presidência no ano de 1989.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>CPI dos Anões do Orçamento</strong>: o Brasil ainda lembrava os detalhes da CPI do PC, quando essa comissão foi criada em 1993 para investigar irregularidades no orçamento da União e revelou que deputados e senadores mantinham um esquema para manipular emendas parlamentares e desviar verbas públicas. Na ocasião, seis parlamentares tiveram os seus mandatos cassados.</li></ul>



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	                                        <p class="m-0">CPI para investigar PC Farias (à direita) derrubou Fernando Collor (Crédito: Acervo/Câmara Federal)</p>
	                
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<ul class="wp-block-list"><li><strong>CPIs dos Bancos, do Judiciário e do Narcotráfico</strong>: todas aconteceram em 1999 e mobilizaram o Congresso Nacional e a mídia naquele ano e no ano seguinte. A primeira apurou irregularidades no sistema financeiro, com suspeita de que instituições federais passavam informações privilegiadas a determinados bancos. A segunda levou à cassação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dono do grupo OK, e à condenação do juiz Nicolau dos Santos Neves, envolvidos no desvio de R$ 169 milhões da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. O escândalo levou à cassação do mandato do então senador e garantiu a notoriedade nacional do magistrado, que ganhou o apelido de “Juiz Lalau”. A terceira comissão investigou crimes relacionados ao tráfico de drogas e resultou na cassação de mandatos de deputados e vereadores, a maioria do estado do Acre. O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal teve o mandato cassado em consequência da CPI, pois apontado como principal narcotraficante no Acre, acusado de mandar assassinar e esquartejar os corpos dos seus inimigos com uma motosserra.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>CPI do Mensalão</strong>: instalada no ano de 2005, é conhecida até hoje como o ponto de partida da derrocada do PT. Na época, o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), que estava sendo investigado pela CPI dos Correios após ser flagrado pagando propina ao chefe do departamento de Contratação <a href="https://www.politize.com.br/jornada-do-intraempreendedorismo-correios/">dos Correios</a>, Maurício Marinho, revelou que existia um plano de pagamento mensal a parlamentares da base aliada pelo governo em troca de apoio político. De acordo com as investigações, o esquema era conduzido pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares e por José Dirceu, então ministro da Casa Civil.</li></ul>



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		<title>Sem coordenação federal, coronavírus viaja livremente de ônibus e avião pelo Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-coordenacao-federal-coronavirus-viaja-livremente-de-onibus-e-aviao-pelo-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Mar 2021 18:46:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aeroportos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[vigilância sanitária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto o mundo fecha as portas para os brasileiros, aqui a falta de coordenação federal para reverter o caos da segunda onda de covid-19 permite que viajantes circulem quase que normalmente em aeroportos e rodoviárias, com medidas sanitárias insuficientes e pessoas contaminadas viajando livremente. Sem uma condução nacional, o que dificulta a adoção de medidas [&#8230;]</p>
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<p>Enquanto o mundo fecha as portas para os brasileiros, aqui a falta de coordenação federal para reverter o caos da segunda onda de covid-19 permite que viajantes circulem quase que normalmente em aeroportos e rodoviárias, com medidas sanitárias insuficientes e pessoas contaminadas viajando livremente.</p>



<p>Sem uma condução nacional, o que dificulta a adoção de medidas por estados e municípios, o descontrole de embarques e desembarques contribui para agravar o que já é considerado pela Fiocruz o <a href="https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u34/boletim_extraordinario_2021-marco-16-red-red-red.pdf">maior colapso sanitário da história do Brasil</a> e espalhar as variantes do vírus &#8211; sobre as quais, aliás, <a href="https://marcozero.org/sem-distanciamento-social-nem-lockdown-variantes-do-coronavirus-espalham-se-pelo-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">se sabe ainda muito pouco porque não há no país pesquisas genômicas suficientes</a>.</p>



<p>Entidades de saúde e governadores têm feito um apelo por medidas restritivas em âmbito nacional, mas o que escutam do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) são ameaças e um discurso que se repete na tentativa de jogar a culpa para os estados.</p>



<p>Em live nesta quinta-feira (18), quando o Brasil registrou mais 2.659 mortes em 24 horas, atingindo o 20º dia seguido de recorde na média de óbitos, ele anunciou que o governo, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para suspender os efeitos de decretos estaduais de restrição e toques de recolher, tidos pelo presidente como abusivos.</p>



<p>Bolsonaro disse ainda que apresentaria, nesta sexta (19), um Projeto de Lei (PL), com regime de urgência, para definir quais são as atividades essenciais que podem funcionar durante a pandemia. E adiantou que são atividades que servem para que os brasileiros consigam colocar o “pão na mesa”. “Então, praticamente tudo é essencial”, resumiu.</p>



<p>Só no dia 11 deste mês é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nova resolução atualizando o que pode e o que não pode em relação às máscaras em aeroportos e voos domésticos. A medida chega com atraso, pois diversos países exigem há bastante tempo as máscaras N95/PFF2 em meios de transporte ou em determinados locais de maior risco. </p>



<p>Agora aqui estão vetadas bandanas, lenços, máscaras de plástico (<em>face shields</em>), máscaras de acrílico, N95 ou PFF2 com válvula. Máscaras de algodão e tricoline devem ter mais de uma camada, o que inclui opções que já foram consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como insuficiente para barrar a transmissão do vírus.</p>



<p>Dentro do avião, os passageiros só podem retirar a própria máscara para beber água ou das crianças com menos de 12 anos no momento em que estiverem sendo alimentadas. Nos terminais dos aeroportos, só para beber água ou se alimentar, mantendo um distanciamento mínimo de um metro de outras pessoas.</p>



<p><em>Confira, ao final da matéria, a diferença entre o depoimento de dois brasileiros que viajaram recentemente de avião, uma em voo doméstico e o outro em voo internacional.</em></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estudo-expoe-gargalos-de-lotacao-e-falta-de-protecao-a-covid-19-nos-onibus-do-grande-recife/" class="titulo">Estudo expõe gargalos de lotação e falta de proteção contra covid-19 nos ônibus do Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre a política e o judiciário</strong></h2>



<p>Na avaliação do médico, advogado sanitarista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Paris, Daniel Dourado, a questão das restrições em aeroportos, rodoviárias, portos e ferrovias está no meio do caminho entre o político e o jurídico. Ele faz parte do grupo de oito renomados profissionais da saúde que entraram com um pedido de impeachment de Bolsonaro, o primeiro a chegar à mesa na gestão do novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).</p>



<p>Também fazem parte do grupo o fundador e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, e o ex-ministro da Saúde no governo Lula, José Gomes Temporão.</p>



<p>Apesar de a questão das responsabilidades e fronteiras já ser razoavelmente resolvida no STF e no Congresso, o presidente Bolsonaro insiste em acionar o judiciário para justificar seu discurso e culpar os demais entes federativos. “A estratégia de Bolsonaro é disseminar o vírus”, reforça Daniel, que esteve nesta sexta (19) no programa Fora da Curva, da Rádio Universitária Paulo Freire, debatendo o tema <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WGeF4ioYFCM" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;Trocar o ministro da Saúde resolve?&#8221;</a>.</p>



<p>Numa situação dita “normal”, quem tem competência para legislar sobre fronteiras é a União, com atuação complementar dos estados. Na pandemia, porém, passou a vigorar a possibilidade de “restrições excepcionais e temporárias” por causa da emergência em saúde pública, com o objetivo de proteger a coletividade.</p>



<p>O STF decidiu que as autoridades estaduais e municipais podem, dentro de suas competências e com embasamento técnico dos órgãos de vigilância, estabelecer restrições. Isso significa que, apesar de não ser possível fechar completamente as fronteiras, os estados podem, por exemplo, estabelecer barreiras sanitárias nas rodovias, impondo restrições e diminuindo a circulação de pessoas e veículos.</p>



<p>Sobre os aeroportos, a questão é mais complexa, porque, mesmo naqueles administrados pela iniciativa privada, a concessão é federal. O que se poderia fazer, cita Daniel, é a vigilância pelos estados, por exemplo montando postos de testagem. Mas, por enquanto, somente os voos internacionais exigem teste negativo de covid-19. “Aqui não se vê isso, não há esse movimento dos governos de criar espécies de cordões sanitários”, comenta.</p>



<p>Na França, onde Daniel reside atualmente, foi anunciado um novo confinamento em que moradores das cidades mais populosas não pode se afastar por mais de 10 quilômetros de sua casa. “Mas no Brasil, os governos estaduais estão tendo muita dificuldade em tomar essas medidas porque não há apoio do Governo Federal”, reforça citando o caso de Portugal, que tem uma população semelhante a de Pernambuco e conseguiu reverter o quadro catastrófico de colapso de janeiro com um <em>lockdown</em> rigoroso e hoje é o país com menor da taxa de transmissão da Europa.</p>



<p>Para os municípios, por sua vez, a briga também é complicada, porque aí são as prefeituras que muitas vezes não estão dispostas a comprar a briga com o estado. “Por isso que a questão é jurídica e política”, resume Daniel.Para ele, as restrições intermunicipais poderiam surtir efeito e ser interessantes. “Está ruim no estado inteiro, mas, se você mantém as pessoas sem poder ir a cidades vizinhas, isso diminui a circulação porque nesse deslocamento elas podem contaminar outras pessoas”, coloca.</p>



<p>“Cada estado tentar fazer suas medidas por conta própria, com o Governo Federal boicotando, é muito difícil porque é de Brasília que vem o dinheiro. A situação é muito preocupante”, lamenta. </p>



<p>Em resposta à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlljkiQsE4Q">coletiva de imprensa</a> nesta quinta (18), o secretário de Planejamento e Gestão de Pernambuco, Alexandre Rebelo, afirmou que, diferente da primeira onda, em que a doença chegou ao Recife, depois se distribuiu pela região metropolitana e só depois atingiu com força o interior, agora a distribuição tem se dado ao mesmo tempo em todo o território. Por isso a circulação está livre desta vez, com a gestão suplicando para que a população fique em casa.</p>



<p>“No atual momento, não temos medidas de restrição de transporte intermunicipal em estudo”, disse Rebelo, frisando que isso não quer dizer que as medidas não possam mudar em outro momento.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/quarentena/" class="titulo">Nova quarentena em Pernambuco é medida certa, porém atrasada, avaliam especialistas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Articulações entre estados</strong></h3>



<p>O professor de direito da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Glauco Salomão Leite vai na mesma linha. “A interpretação do STF foi enviesada pelo Governo Federal, que tentou tirar o corpo fora. Na verdade, a União não pode atrapalhar (o combate à pandemia por estados e municípios)”, reforça.</p>



<p>Sem iniciativa nacional, realmente fica complicado restringir e impor regras ao tráfego aéreo, cuja regulação e fiscalização também competem à União, detalha. “Estamos numa situação limite porque há, de fato, uma opção do Governo Federal, e que não é de agora”, avalia Glauco.</p>



<p>Ele acredita que o caminho é de pressão política em cima do presidente da República para que sejam tomadas medidas que alcancem todo o território. Glauco acha que, com mais articulação entre as unidades da federação, pode haver campo para dialogar e pensar ao menos em restrições de rodovias de forma não isolada.</p>



<p>“O que temos observado é que o governo federal estabelece uma polarização: ou se toma medidas a favor da economia ou da saúde pública. Essa polarização não existe. Quanto mais rápido se combate a pandemia, mais rápido se retoma a economia. Mas, a partir dessa polarização, se cria um discurso de que culpa é dos governadores e prefeitos”, opina o professor sobre a jogada política de Bolsonaro.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>As diferentes regras entre Brasil e Europa</strong></h4>



<p><strong>Ornela Fortes, professora</strong></p>



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	                                        <p class="m-0">crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu viajei em um voo diurno, no início de fevereiro, período de final das férias. Se não fosse pelas máscaras que denunciavam o momento de pandemia que estamos vivendo, seria um dia normal (e lotado) no aeroporto do Recife. Me senti bastante tensa e insegura ao perceber que o risco real de contaminação era bem maior do que a previsão que eu tinha feito, especialmente por ter visto um amplo descumprimento das recomendações.</p><p>Foi uma sucessão de absurdos. Ao me posicionar na fila de check in, logo notei que poucas pessoas estavam dispostas a respeitar as marcações de distanciamento sinalizadas no chão do aeroporto. Ainda no check in, ao ir me aproximando do balcão de atendimento, notei a insatisfação de uma passageira, solidamente manifestada pela gesticulação e voz alta direcionada à atendente da companhia aérea, pelo que entendi da situação, a passageira era brasileira, moradora dos EUA há alguns anos, mas estava indignada de ter que apresentar um teste negativo para covid-19 no momento do embarque.</p><p>Já na fila de raio-x, a situação era caótica, muita gente em uma área pequena. Somada às tensões de horário de embarque, fazia o desrespeito ao distanciamento ser ainda mais intenso do que na fila do check in. Já no avião, me chamou a atenção o fato de que, apesar das companhias aéreas não estarem servindo lanches para evitar a retirada das máscaras, alguns passageiros levaram seus biscoitos e snacks e comeram no avião.</p><p>Muito uso inadequado de máscara, inclusive uma das comissárias de bordo estava com máscara tapando a boca, mas não o nariz. Um pesadelo. Ainda não voltei para casa porque estou com bastante receio. A situação se agravou muito, o sistema de saúde colapsou e as medidas adotadas pelo governo demoraram a ocorrer, o que resta é nos protegermos.</p></blockquote>



<p><strong>Marcelo Pereira, diretor e coreógrafo</strong></p>



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	                                        <p class="m-0">crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>No Brasil, nos aeroportos existiam cuidados, mas muita gente viajando e gente que não se liga em filas e distanciamento. Você precisa realmente estar se distanciando dos outros. Não exigem nenhuma máscara “mais forte”, melhores. No aeroporto de São Paulo, senti uma melhor organização para o embarque internacional. Para entrar na Suíça, você tem que apresentar o exame de covid-19 válido por 72h, não pode passar disso.</p><p>Você tem que fazer um registro na polícia suíça, passando seus dados e informações de data de saída e chegada, se comprometendo a uma quarentena mínima de dez dias. Tudo isso já é exigido na saída do Brasil. Se você não cumprir, é multado. Quando terminou minha quarentena, a polícia me avisou por e-mail que eu já estaria livre e eu precisaria assinar um documento. Mas se eu estivesse com algum sintoma, precisaria ainda ficar em casa. Eu voltei porque sou residente, pago impostos, então tive como entrar. Mas como turismo realmente há uma grande restrição a brasileiro neste momento.</p></blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pessimista-nicolelis-diz-que-neuronios-dos-politicos-brasileiros-sao-mais-lentos-que-o-virus/" class="titulo">Pessimista, Nicolelis diz que neurônios dos políticos brasileiros são mais lentos que o vírus</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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		<title>Irritado com outdoor, Bolsonaro manda PF abrir inquérito contra docentes da UFRPE</title>
		<link>https://marcozero.org/irritado-com-outdoor-bolsonaro-manda-pf-abrir-inquerito-contra-docentes-da-ufrpe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2021 18:36:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[autoritarismo]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[universidades censuradas]]></category>
		<category><![CDATA[universidades federais]]></category>
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<p>Após utilizar a Controladoria Geral da União (CGU) para censurar dois professores universitários da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi além e pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito contra uma professora, desta vez de Pernambuco. A educadora e atual vice-presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Aduferpe), Erika Suruagy, está sendo acusada por crime de injúria contra o presidente da República.<br><br>Por meio de ofício enviado à superintendência da PF no estado, Bolsonaro pede o indiciamento da docente com base nos artigos 140 e 141 inciso 1 do Código Penal por causa da instalação de outdoors, no final de 2020, com os dizeres “‘O senhor da morte chefiando o país. No Brasil, mais de 120 mil mortes por COVID-19’. #ForaBolsonaro”. A pena para esse crime varia entre 1 e 4 anos de detenção.<br><br>As peças que fizeram o presidente mobilizar a PF foram parte de uma campanha que reuniu diversas entidades sindicais e associações, em setembro do ano passado. As instituições foram responsáveis por divulgar as mensagens em 72 outdoors nas principais avenidas de todas as regiões do estado. <br><br>Erika, por ser presidente da Aduferpe na época, foi intimada a prestar depoimento à PF no último dia 26 de fevereiro. A professora foi ouvida pela delegada Aline Carvalho Miranda que está finalizando o inquérito que corre sob sigilo. Docente do ensino superior desde 2004, a educadora afirma nunca ter passado por situação parecida “como essa de tentativa de silenciamento”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Érika Bandeira, professora da UFRPE, foi intimada pela Polícia Federal (Crédito: Arquivo Pessoal)</p>
	                
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<p>“O presidente da República está utilizando a PF, que tem tanta coisa para investigar, para criminalizar uma campanha de liberdade de expressão e opinião que nos é garantida pela Constituição Federal. Estou perplexa diante desse absurdo de usar as instituições para calar e atentar contra a democracia”, disse Erika.<br><br>A expectativa é de que nos próximos dias o inquérito seja concluído e remetido ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por oferecer a denúncia à Justiça ou pedir o arquivamento da ação. Por meio da assessoria de comunicação, a PF informou que não comenta inquéritos em andamento.<br><br>Para Erika, a tentativa de Bolsonaro de tolher a liberdade de expressão e de opinião não só da Aduferpe, mas da sociedade em geral, não surtirá efeito. “Chega de censura. Nós precisamos mais do que nunca falar alto para que a sociedade acorde e possamos restabelecer o estado democrático de direito. Quem tem que retroceder e dar um passo atrás é o Governo Federal, nós vamos continuar firmes denunciando os arbítrios”, declarou.<br><br>A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) emitiu nota em solidariedade a Erika e a Aduferpe. “Reafirma-se o direito legítimo a manifestações públicas, sejam de origem do movimento sindical ou de qualquer outra, ressaltando-se o caráter inconstitucional e inadmissível da censura”, diz um trecho do manifesto.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>&#8230;</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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		<title>O inferno são os outros</title>
		<link>https://marcozero.org/o-inferno-sao-outros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2020 15:59:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[discurso de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[gabinete do ódio]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma mensagem e um vídeo enviados por whatsapp funcionaram quase como uma colonoscopia: vi como os intestinos da milícia digital bolsonarista continuam a funcionar em plena pandemia, criando culpados e tentando transferir para outros as responsabilidades por uma crise que se mostra além das capacidades de quem está no Governo Federal. Quem me enviou os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma mensagem e um vídeo enviados por whatsapp funcionaram quase como uma colonoscopia: vi como os intestinos da milícia digital bolsonarista continuam a funcionar em plena pandemia, criando culpados e tentando transferir para outros as responsabilidades por uma crise que se mostra além das capacidades de quem está no Governo Federal.</p>



<p>Quem me enviou os zaps foi um sujeito (ex-militar, aposentado, morador de prédio chique em bairro de classe média alta) que não me mandava nada há mais de um ano. O conheci por causa de futebol, único ponto de convergência que poderia nos fazer dialogar, caso fosse do meu interesse desperdiçar tempo e paciência.</p>



<p>Recordo agora que, há algumas semanas, ele saiu do nada para comentar uma postagem no facebook em que compartilhei uma matéria do Intercept sobre os áudios dos pastores que aproveitariam a presença de Ricardo Lopes Dias para converter índios na marra. Um trecho dos seus comentários dá para ter ideia do que passa pela cabeça do personagem: “…Toda civilização tem contato com outras religiões , no Brasil, os esquerdistas desejam que os nossos índios vivam como primatas”</p>



<p>No zap enviado sexta-feira, esse senhor me “convida” a assistir um vídeo que, segundo ele, era de um “analista militar”. Imaginou um especialista em temas relativos à forças armadas? Esqueça, trata-se de um canal de youtube chamado “Hoje no Mundo Militar” com vídeos curtos narrados em off por um locutor com aquela entonação de voz enjoada, forçada, na falta de um adjetivo mais preciso. Um produto com a marca registrada do “gabinete do ódio” dos Bolsonaro, pai e filhos.</p>



<p>Antes de bloquear o contato do sujeito, assisti ao vídeo que pretendia provar porque a China seria a responsável pela pandemia do coronavírus. Foi muito didático: entendi um monte de coisas. Nenhuma delas, porém, tem a ver com o tal mundo militar ou com a epidemia em terras chinesas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção para a cronologia</h2>



<p>Pra começar, vamos às datas: o ensurdecedor panelaço contra o chefe do clã aconteceu na noite de 18 de março; o zero-três (ou Eduardo Bananinha, de acordo com o próprio vice-presidente) usou as redes sociais para responsabilizar a China no da seguinte, 19 de março; no dia 20, o vídeo é colocado no ar e, imediatamente, começa a circular nos grupos bolsonaristas, alcançando 358 mil visualizações enquanto escrevo. Ainda em 20 de março, à noite, duas faixas com insultos ao embaixador chinês são colocadas diante da Embaixada. No domingo, 22, outro canal bolsonarista, o Jornal da Cidade, voltava a publicar mais um vídeo responsabilizando a ditadura chinesa pela doença.</p>



<p>Mais outro fato, antes de partir para minhas deduções: não há novidade alguma no tal vídeo, revelação bombástica passa longe. É apenas um resumo distorcido para alimentar a matilha de cães hidrófobos do whatsapp.</p>



<p>Quem fez o vídeo teve pouco trabalho. Bastou um corta-e-cola em notícias sobre o médico chinês que deu o primeiro alerta para um surto de doenças respiratórias em Wuhan para depois ser enquadrado pela polícia local (no vídeo, foi o “partido comunista” quem o enquadrou) e o requentamento de notícias antigas sobre o desaparecimento de dois jornalistas que cobriam a epidemia (no vídeo o número foi multiplicado por cinco, sem nomes nem circunstâncias para os outros oito desaparecidos). </p>



<p>Todas essas informações estão disponíveis em sites brasileiros e europeus. A tal “mídia comunista” não escondeu nada disso. Aliás, não fosse as notícias dos portais, o pseudo “analista militar” sequer poderia fazer seu vídeo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Para quê?</h3>



<p>Para culpar os outros, livrando-se da própria responsabilidade e incapacidade de coordenar nacionalmente as ações contra a pandemia. Ou de entendê-la.</p>



<p>No final de semana, além da China, o gabinete do ódio escolheu outro alvo: os governadores, que segundo o presidente, seriam responsáveis por espalhar o pânico ao impor quarentena e paralisar o país. No sábado, antes de atacar a China, o Jornal da Cidade postou um vídeo com um médico anestesista (sim, anestesista!) dizendo que há “pânico desnecessário” sobre o tema. O site, porém, continua com maior parte de suas manchetes apontadas para os chineses. O comando para virar a chave ainda não foi dado.</p>



<p>Ao mesmo tempo, nos grupos de whatsapp passou a circular mais uma teoria da conspiração:</p>



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<p>O gabinete do ódio parece ter voltado ao modo “campanha eleitoral”.</p>



<p>O panelaço deu a real dimensão de como foi devastador para o capital político de Bolsonaro o impacto das suas próprias palavras, das cenas em que se atrapalhava com uma máscara cirúrgica e, mais ainda, ter desrespeitado a quarentena para se misturar aos participantes das manifestações de 15 de março.</p>



<p>Os cães raivosos continuaram a babar, porém encostaram seus respectivos traseiros na parede, acuados pelas panelas. Era preciso estimulá-los com um pouco de carne fresca para que voltassem a latir e urrar. Era preciso encontrar novos culpados para as presas e mandíbulas digitais dos apoiadores.</p>



<p>Foi aí que o zero-três ou algum dos jovens bem remunerados do “gabinete do ódio” teve a ideia genial (alerta de ironia) de insultar o maior parceiro comercial do Brasil.</p>



<p>A surrada pregação ideológica surtiu efeito apenas entre a matilha digital. Atiçados pelo vermelho da bandeira chinesa, os cães raivosos voltaram ao ataque. Um deles, um contador de Rondônia, decidiu processar a República Poplular do China, alguns colocaram as faixas na frente da embaixada, outros espalharam o vídeo feito sob encomenda para os esquerdistas mais à mão. Fora dela, até os aliados que fazem negócios com a China, reagiram mal.</p>



<p>Os ataques devem continuar, porém esta semana a mira parece que irá se voltar contra os governadores dos estados que se mobilizam para conter o vírus (mancomunados com a China, segundo a paranoia bolsonarista). A ira da família Bolsonaro se dirige mais ao governador João Dória, de São Paulo, e a Wilson Witzel, do Rio de Janeiro. Por conta da pandemia, ambos têm cadeira cativa nos telejornais nacionais e podem conquistar o próprio eleitorado do atual presidente.</p>



<p>É uma aposta arriscada do presidente e de sua milícia digital. A cada cadáver, a cada novo boletim com milhares de novos casos, a doença passa a ser uma realidade próxima para todos os brasileiros, não mais uma epidemia na distante China ou na rica Itália.</p>
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