Encontro com candidatas acontece na Ilha de Deus

adalgisasaberturaTão importante quanto saber em quem não votar é, claro, saber em quem votar. A plataforma Meu voto será feminista – em parceria com a Action Aid, Caranguejo Uça e Ciranda de Mulheres – promove neste sábado (29) uma roda de conversa sobre as eleições e a importância de se ter mulheres no poder.

O encontro começa às 8h, no anfiteatro da Caranguejo Uça, na Ilha de Deus, na Imbiribeira. As atividades devem acontecer até às 11h, para que as mulheres se organizem para estarem juntas, a partir das 14h, no ato contra Bolsonaro na Praça do Derby.

Mulheres do Recife unidas contra Bolsonaro: ato acontece a partir das 14h, no Derby

Entre as candidatas que confirmaram presença no evento estão Juntas (estadual), Dani Portela (governo), Liana Cirne (estadual), Gabi Conde (federal), Eugênia Lima (senado), Flávia Hellen (federal) e Amanda Palha (federal). Sylvia Siqueira Campos (estadual) também está na plataforma Meu Voto Será Feminista, mas ainda não confirmou participação.

Por mais representação

A plataforma faz parte d’A Partida, um movimento de mulheres em busca de participação política e nos espaços de poder. “É para a mulher estar nos lugares onde se decide. E um desses lugares é a política institucional e partidária”, comenta uma das representantes d’A Partida em Pernambuco, Juliana Romão.

A Partida surgiu em 2015 justamente para que as mulheres não fossem mais silenciadas e negligenciadas dentro dos partidos políticos. Em 2016, A Partida chegou no Recife. É um movimento suprapartidário, orientado à esquerda, e autogestionado em cada cidade. O que une as participantes são As princípias, um conjunto de normas que envolve temas da pauta feminista, como direito as decisões sobre seu próprio corpo, ética política que mude o valor do capital, diálogo com movimento sociais, entre outras pautas.

“Já temos casos exitosos como Áurea Carolina, vereadora mais votada em Minas Gerais em 2016. Ela faz um trabalho maravilhoso de engajamento para a participação da mulher na política, levantando as pautas feministas e antirracistas em tudo que ela faz”, conta Juliana.

Festival pela vida das Mulheres pelo direito ao aborto legal e seguro

O sentimento para estas eleições em 2018 é que não dá mais para esperar uma nova eleição para, mais uma vez, ver as mulheres brasileiras sub-representadas. “Quando a gente fala em democracia representativa, a gente deveria entender que é um lugar onde todos os perfis da população deveriam estar ali representados, para que o debate seja democrático. Se a gente corta as mulheres, as pessoas negras, as pessoas com deficiência, a gente vai deixar ali só um tipo de representação. Quanto menos diverso é o Congresso, menos democracia a gente tem. A legislação é regida por um grupo específico, uma visão única do mundo”, comenta Juliana.

A campanha “Meu voto será feminista” nasceu para tentar reverter esta sub-representação. Além do trabalho com as candidatas, há um trabalho de base, que começou em março, para que o eleitorado feminino perceba a importância de se votar em mulheres feministas. “A ideia da palavra feminista exige traduções quando a gente vai para as bases. As mulheres entendem o que é feminismo e o que representação quando a gente fala do mundo de cada uma, no salário, dos motivos de não se ter uma creche, no tolhimento dentro de casa, do medo de ser estrupada, da violência doméstica. Quando a gente fala sobre indignações a gente fala sobre a luta das mulheres. Se isso te incomoda e você quer mudar essa realidade, você também é feminista. O feminismo se traduz de diversas formas”, diz Juliana.

Pelo site da plataforma é possível conhecer um pouco das propostas e das histórias de todas as candidatas que se comprometeram com a pauta do movimento nestas eleições, em todo Brasil. Para quem não é candidata, mas quer participar do movimento, há também uma parte no site em que é possível se voluntariar para a campanha.