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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Movimento Negro quer abrir os arquivos das igrejas evangélicas sobre a escravidão no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 May 2024 19:45:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O papel das igrejas protestantes durante a época da escravidão no Brasil ainda é um campo de pesquisa pouco explorado. Para o Movimento Negro Evangélico, entidade presente em dez estados brasileiros, isso acontece porque há poucas informações e dados sobre a extensão da participação dessas igrejas. Agora, uma campanha feita pelo Movimento quer mudar isso, [&#8230;]</p>
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<p>O papel das igrejas protestantes durante a época da escravidão no Brasil ainda é um campo de pesquisa pouco explorado. Para o Movimento Negro Evangélico, entidade presente em dez estados brasileiros, isso acontece porque há poucas informações e dados sobre a extensão da participação dessas igrejas. Agora, uma campanha feita pelo Movimento quer mudar isso, solicitando que as cinco maiores igrejas protestantes que tinham presença no Brasil durante o século 19 abram seus arquivos para pesquisadores e pesquisadoras.</p>



<p>A campanha <em>Escravidão: E a igreja com isso</em>? mira nos arquivos da Igreja Presbiteriana do Brasil, da Convenção Batista Brasileira, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, da Igreja Metodista do Brasil e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Apesar da dominação da Igreja Católica, todas essas cinco denominações evangélicas já tinham representações no Brasil antes de 1888, quando a escravidão foi extinta por lei no país.</p>



<p>“Entendemos que o processo de reparação começa com o acesso à memória. Então, precisamos, primeiro, garantir o acesso à memória para que a gente consiga levantar as informações, para, a partir disso, falar sobre justiça e reparação”, afirma o coordenador do Movimento Negro Evangélico em Pernambuco, Jackson Augusto.</p>



<p>Durante o período de escravidão no Brasil o estabelecimento dessas igrejas no país era em sua maioria por meio de missões. O Movimento já teve acesso, pontuais, a alguns documentos de algumas igrejas protestantes. São, por exemplo, diários de religiosos em que ficam expostas as relações com escravocratas, desde missionários que ficaram hospedados em casas de engenho até igrejas que compraram pessoas escravizadas.</p>



<p>Porém, a extensão dos benefícios da escravidão para essas igrejas ainda é desonhecido. “Há registros de integrantes da Igreja Luterana, no sul do Brasil, que tinham mais de mil escravizados. Essas igrejas recebiam parte do lucro do trabalho desses escravizados? As igrejas se beneficiaram com a escravidão? Temos algumas hipóteses. Uma desconfiança que temos é em relação às instituições em si, principalmente as instituições educacionais dessas igrejas. Se não fosse a estrutura escravocrata, essas instituições teriam conseguido se estabelecer aqui no Brasil?”, questiona Augusto.</p>



<p>A campanha quer que as próprias denominações protestantes façam internamente essa busca pela documentação e que, com o acesso liberado, pesquisadoras e pesquisadores possam se debruçar sobre a época. “Já sabemos que algumas igrejas ainda têm sim documentação daquela época. É necessário um mapeamento para que haja uma transparência maior sobre a atuação dessas igrejas na escravidão”, afirma o coordenador.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/escravidao-pe.jpg" alt="A imagem parece ter sido tirada de dentro de uma sala, olhando para fora através de uma grande janela com um padrão geométrico intrincado. O padrão consiste em inúmeras quadrículas com diferentes desenhos, lembrando uma treliça ou tela decorativa. Dentro da sala, há figuras borradas de pessoas e objetos, sugerindo movimento ou uma velocidade do obturador baixa usada na fotografia. Também é possível ver roupas penduradas em araras no lado direito da imagem, indicando que este pode ser um ambiente de loja ou mercado. Plantas suspensas podem ser vistas perto do topo da imagem, adicionando um toque de vegetação ao ambiente interno. A vista externa está obscurecida pela janela padronizada e pelas figuras borradas, tornando difícil discernir o que está além. A combinação de elementos interiores e vista externa obscurecida cria um efeito visual interessante que brinca com transparência e movimento." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">MNE quer pedido de desculpas das igrejas protestantes brasileiras
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Lucas Vieira/MNE Pernambuco</span>
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                    </figure>

	


<p>Em Pernambuco, ele cita como exemplo o envolvimento com a escravidão do norte-americano Charles Davis Daniel, um dos fundadores da Primeira Igreja Batista do Recife, aberta em 1886, dois anos antes da Lei Áurea. O livro <em><a href="https://novosdialogos.com/na-estante/o-racismo-na-historia-batista-brasileira-uma-memoria-inconveniente-do-legado-missionario/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Racismo na História Batista Brasileira: Uma memória inconveniente do legado missionário</a></em> detalha a atuação de Daniel em grupos segregacionistas dos Estados Unidos, como a Ku Klux Klan do Texas, e o pensamento racista em relação aos mexicanos. Não se sabe se existe, contudo, documentos sobre as ações e escritos de C.D. Daniel no Recife, por exemplo.</p>



<p>A partir da abertura desses arquivos, o Movimento Negro Evangélico vai estabelecer parcerias com universidades, algumas ligadas às próprias igrejas, para catalogar o material e definir linhas de pesquisas sobre esses documentos. Por ora, a campanha busca a participação voluntária das igrejas, por meio de um manifesto, que pode ser assinado <a href="https://drive.google.com/file/d/1tfAsbUGQ5K5KgC9_xPQzkwMU0Pw0qbFK/view">neste link</a>. Mas não descarta judicializar o pedido.</p>



<p>Além da abertura dos arquivos, o Movimento Negro Evangélico cobra também um pedido formal de perdão das cinco igrejas pelo envolvimento com a escravidão. “A Igreja Católica, grande aliada da escravidão no Brasil, já fez esse pedido, por meio do Vaticano. A Igreja Anglicana também já fez um pedido de perdão, mas algo geral, da sede da Inglaterra, e queremos algo específico, no contexto do Brasil”, afirma Jackson Augusto.</p>



<p>Outra ação da campanha é uma semana nacional de discussão sobre igreja, memória e escravidão, que vai ocorrer entre os dias 28 e 30 de junho, em várias igrejas e instituições do país. </p>
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		<title>Pesquisa aponta as necessidades dos terreiros de jurema no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2024 23:14:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[jurema]]></category>
		<category><![CDATA[mapeamento]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tradição afroindígena, o culto da jurema ainda é pouco mapeado em Pernambuco. Uma pesquisa encomendada pelo gabinete do vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) visitou oito terreiros de jurema em todas as seis Regiões Político Administrativa (RPAs) da capital e revelou que faltam políticas públicas que atendam às populações de terreiro na capital. A pesquisa [&#8230;]</p>
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<p>Tradição afroindígena, o culto da jurema ainda é pouco mapeado em Pernambuco. Uma pesquisa encomendada pelo gabinete do vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) visitou oito terreiros de jurema em todas as seis Regiões Político Administrativa (RPAs) da capital e revelou que faltam políticas públicas que atendam às populações de terreiro na capital. A pesquisa foi apresentada na terça-feira (26) em uma audiência pública na Câmara de Vereadores do Recife.</p>



<p>O levantamento dos terreiros de jurema foi realizado com o objetivo de aumentar a visibilidade e a importância desses espaços, para orientar a implementação de políticas públicas. “Não tem como cobrar política pública sem dados. E a falta de dados não é um acidente. É um projeto. Um projeto político de negligência. Se não conseguimos mapear minimamente os temas que envolvam povos e comunidades tradicionais, como os povos de terreiro, não conseguimos ver as demandas que esses povos necessitam. No último mapeamento realizado, o maior contingente de povos de terreiro no Recife eram os povos de jurema”, diz Henrique Falcão, um dos pesquisadores do estudo, ao lado de Ariana Nuala e Karla Fagundes.</p>



<p>O levantamento a que ele se refere é o <em>Mapeando o axé</em>, feito ainda em 2010, pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Foi a maior pesquisa sobre os terreiros com recorte nos municípios e aconteceu em quatro cidades do Brasil, sendo Recife a única no Nordeste. Na época, foram identificados 1.216 terreiros na capital pernambucana, de várias identificações afroindígenas.</p>



<p>“Nesta nossa pesquisa, mudamos a perspectiva. Porque ao invés da gente fazer o mapeamento pelas casas de candomblé, demos prioridade às casas que cultuam a jurema. E é uma forma também de valorizar a Jurema e conhecer como é que está a situação da jurema hoje”, diz Falcão. É comum que haja um hibridismo nos terreiros com o mesmo local &#8211; ou o mesmo grupo religioso &#8211; cultuando tanto os orixás quanto os caboclos. </p>



<p>A RPA2, onde fica o bairro de Água Fria, historicamente se destaca com mais terreiros de jurema e, por isso, teve duas casas visitadas na pesquisa. Em 2017, o geógrafo Bruno Maia Halley identificou a presença de 35 terreiros na região, que já foi chamada de “Catimbolândia” ou “cidade dos catimbozeiros”. Utilizado de forma pejorativa, o termo Catimbó foi sendo substituído por Jurema a partir dos anos 1980.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/jurema_a7.jpg" alt="Foto colorida de Karla Fagundes e Henrique Falcão em uma mesa com placas com seus nomes à frente. À esquerda, Karla está vestida com uma blusa amarela e tem um lenço colorido na cabeça. À direita, Henrique veste uma camisa vermelha e tem contas ao redor do pescoço. Há um copo descartável branco visível na mesa em frente à pessoa à direita. O fundo da imagem é indistinto, mas parece ser o interior de um edifício, durante evento." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Karla Fagundes e Henrique Falcão realizaram a pesquisa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A pesquisa ouviu principalmente as lideranças dos terreiros aplicando um questionário com 34 questões e também fazendo escutas e mapas conjuntos das casas. Os questionários revelaram a precaridade estrutural de muitos terreiros, localizados nas periferias da capital.</p>



<p>“É uma questão estrutural, de racismo ambiental também. Houve esse deslocamento da população que morava no centro da cidade, nos mocambos, para áreas como Afogados e bairros da zona norte, como Água Fria. Isso também vai ter reflexos em uma relação estrutural na questão de acessos. Vimos que boa parte da periferia da zona norte tem pouco acesso à água. Ou quando tem, falta bastante. A questão da coleta de lixo também é outro ponto crítico”, diz a pesquisadora Karla Fagundes.</p>



<p>O racismo religioso, apesar de presente em alguns terreiros, não foi algo majoritariamente relatado nos oito terreiros visitados. “As casas têm uma importância muito grande para a comunidade. É uma relação em que elas operam não só no campo da espiritualidade, da religião, mas no campo comunitário, pensando em educação, pensando em saúde, pensando em questões políticas. Nas comunidades, os terreiros têm uma importância que pessoas que são de outras religiões também conseguem reconhecer” diz Ariana Nuala, também pesquisadora do estudo.</p>



<p>“Mas é claro que entendemos que isso não é uma totalidade. Outros terreiros têm problemas. Por exemplo, terreiros que ficam em Boa Viagem, terreiros que ficam em outros lugares onde a maior parte da população não é uma população negra, nem indígena. Nesse sentido, e aí acaba tendo uma relação de classe também muito forte, há um estigma ligado a um processo também de elite que faz com que esses terreiros não sejam tão bem recebidos dentro do próprio território”, completa a pesquisadora.</p>



<p>Entre os encaminhamentos da audiência pública, que contou com a presença de representantes de três secretarias da prefeitura do Recife, foi recomendada a conscientização de agentes de saúde e de endemias para atender sempre aos terreiros, já que houve relatos de preconceito religioso. Também foi destacada a necessidade de orientação para que os terreiros aproveitem a imunidade tributária garantida por lei a templos religiosos.</p>



<p>O estudo traz nove recomendações. Além das citadas acima, a necessidade de um amplo mapeamento dos tempos de religião afroindígenas na cidade do Recife, a geração de oportunidades, empregos e a inclusão dos sábios e sábias do povo de santo no sistema educativo, entre outras recomendações.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é a jurema</span>

		<p>A jurema tem como um marcador de sua identidade o uso de uma bebida &#8211; chamada também de jurema, jurema sagrada ou vinho de jurema &#8211; que leva ervas e a casca ou outras partes da árvore. A receita da bebida pode variar de terreiro para terreiro e é mantida em segredo.</p>
<p>O uso dos cachimbos e da fumaça também é um ritual inerente à jurema. E uma forma de se entrar em contato com a ancestralidade e a cosmologia da religião. “A fumaça é um dos oráculos da Jurema e o principal meio de limpeza espiritual e comunicação, não à toa que o culto também é chamado de Catimbó, referente a kaati’mbó, fumaça de mato; o maracá como instrumento de compasso e invocação dos espíritos nas reuniões, sendo o único instrumento presente em todas as modalidades de Jurema; as danças circulares como ato de comunhão e força, como o toré e as giras nos terreiros; por fim, a oralidade das narrativas e cânticos como instrumento de salvaguarda, pedagogia e manutenção da memória dos mais velhos e dos encantados; esse complexo compreende o sistema religioso catimbozeiro”, diz trecho da pesquisa.</p>
	</div>



<p></p>
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		<title>Cabo recebe 1° Encontro de Juremeiros um ano após invasão e depredação de terreiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 21:06:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jurema Sagrada]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, vai sediar, nesta quinta-feira, 21 de março, o 1° Encontro de Juremeiros. Será às 15h, em frente ao Palácio da Cultura, na praça Ministro André Cavalcanti, no centro da cidade, que sedia, até a sexta (22), uma exposição com elementos da jurema sagrada. O encontro [&#8230;]</p>
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<p>O Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, vai sediar, nesta quinta-feira, 21 de março, o 1° Encontro de Juremeiros. Será às 15h, em frente ao Palácio da Cultura, na praça Ministro André Cavalcanti, no centro da cidade, que sedia, até a sexta (22), uma exposição com elementos da jurema sagrada. O encontro está sendo promovido pela Organização de Juremeiros de Pernambuco, grupo recém-formado na luta pelos povos de umbanda e do candomblé e para combater a intolerância religiosa e o racismo. </p>



<p>Há quase um ano, no dia 25 de março de 2023, o terreiro Casa de Axé do Mestre Manuel Quebra Pedra, no Loteamento Cidade Garapu, foi invadido e depredado. No dia 15 do mês seguinte, representantes dos povos de terreiro da cidade se uniram num <a href="https://marcozero.org/candomble-jurema-e-umbanda-unidos-contra-destruicao-de-terreiro-no-cabo-de-santo-agostinho/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ato de protesto</a>, na praça Theo Silva, como mostrou a <strong>Marco Zero</strong>. O pai de santo Manuel reabriu a casa em outro lugar. O caso até agora não teve desfecho. “Vai completar um ano e a polícia nunca deu resposta para o crime que destruiu a nossa casa”, desabafa.</p>





<p>Agora a Organização de Juremeiros de Pernambuco quer pleitear um espaço permanente para uma mesa de jurema no Palácio da Cultura e que o Cabo institua  Dia do Candomblé. “Ano passado, no dia 21 de março, foi instituído no Brasil o Dia Nacional das Tradições Africanas do Candomblé e nós queremos que esse dia também entre no calendário da nossa cidade, pois os evangélicos e católicos também têm seus dias nas agendas do município”, argumenta o juremeiro Josemar Oliveira.</p>



<p><strong>EXPOSIÇÃO –</strong> Está em cartaz no Palácio da Cultura uma exposição com elementos da jurema sagrada, tradição religiosa nordestina iniciada com os indígenas da região norte e nordeste do Brasil tendo sofrido influências de variadas origens, da feitiçaria, pajelança, entre outras manifestações culturais. A exposição começou no dia 18 de março e segue até o dia 22 de março, aberta ao público das 9h às 17h.</p>
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		<item>
		<title>Depois da Virgem Maria negra, Baile do Menino Deus tem indígena fulni-ô no papel de José</title>
		<link>https://marcozero.org/depois-da-virgem-maria-negra-baile-do-menino-deus-tem-indigena-fulni-o-no-papel-de-jose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 01:41:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Baile do Menino Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rosália Vasconcelos Desde o início de novembro, a rotina do ator pernambucano Pedro Caíque Gomes Ferraz, de 34 anos, se divide entre Recife e Águas Belas, município localizado no agreste de Pernambuco. Nas quartas e nas quintas, o rapaz vinha para a capital do estado, ensaiar para o Baile do Menino Deus, em que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Rosália Vasconcelos</strong></p>



<p>Desde o início de novembro, a rotina do ator pernambucano Pedro Caíque Gomes Ferraz, de 34 anos, se divide entre Recife e Águas Belas, município localizado no agreste de Pernambuco. Nas quartas e nas quintas, o rapaz vinha para a capital do estado, ensaiar para o <em>Baile do Menino Deus</em>, em que representa o personagem José, pai de Jesus. Nos outros dias da semana, o ator voltava para a cidade onde reside com sua esposa e seus filhos. É que, durante os meses de primavera do ano &#8211; setembro, outubro e novembro &#8211; é realizado o ouricuri, ritual sagrado do povo indígena Fulni-ô, aldeado em Águas Belas e do qual o ator faz parte.</p>



<p>Caíque Ferraz é o primeiro ator indígena a representar o papel de José no <em>Baile do Menino Deus</em> e também o primeiro índigena a participar deste tradicional espetáculo pernambucano, que este ano completa 40 anos de encenação, sendo 20 deles de apresentações no Marco Zero. Durante os dois últimos meses, o ator vem vivenciando uma verdadeira experiência de sincretismo religioso.</p>



<p>“Hoje mesmo havia um compromisso com a equipe da indumentária, a prova de roupas, e eu não pude ir porque estou aqui em Águas Belas, concluindo os rituais sagrados. A primeira semana de setembro e a última semana de novembro são as mais emblemáticas para nós Fulni-ô, porque é o nosso encontro e a nossa despedida. Então, eu não poderia deixar de estar aqui com o meu povo”, contou o ator por telefone, no dia em que deu entrevista à repórter. Caíque vivenciava na época a última semana do seu ouricuri. No dia seguinte, contudo, ele estaria no Recife, participando dos ensaios.</p>



<p>Apesar de ter passado dois meses “dividido” entre os rituais de sua prática religiosa Fulni-ô e o mergulho na tradicional história do nascimento de Jesus, que fundamenta a origem do cristianismo, o ator, que se dedicou bastante aos estudos do personagem José, afirma que em nenhum momento sentiu que houve conflitos de valores religiosos. Pelo contrário.</p>



<p>“A concepção de valores cristãos é muito semelhante à concepção dos valores indígenas. As formas ritualísticas é que se diferenciam. As duas religiões comungam da mesma matriz do divino, do sagrado, e de toda a maravilha que é a concepção de um ser iluminado que veio proteger os seres humanos de suas próprias fragilidades. No meu entendimento, o que muda é que diferentes culturas dão nomes diversos”, defende Caíque.</p>



<p>Ele também diz que, como muitos brasileiros não cristãos, viveu em contato direto com a cultura religiosa cristã durante toda a sua vida. “O povo Fulni-ô é um povo milenar, que vive e resiste em uma reserva indígena a quatro quilômetros do bairro de Aldeia, em Águas Belas. Por conta das missões jesuítas para catequizar o nosso povo na época que os europeus invadiram o Brasil, foi construída uma igreja católica no meio da aldeia indígena. Então, de alguma forma, nós tivemos relação com o catolicismo”, lembra.</p>



<p>Segundo o ator, ensaiar o personagem José no <em>Baile do Menino Deus</em> também trouxe para ele um recorte diferente da vida de Jesus. “O roteiro do Baile traz que a escolha pelo homem José para ser o pai de Jesus teve um motivo, não foi em vão. Ele era um homem forte que acolheu Maria virgem, uma mulher que havia engravidado sem a presença da figura masculina. Imagina que para uma sociedade machista, muito mais naquela época do que hoje, José teve que enfrentar sua religiosidade, sua cultura e seu povo. A vida de Jesus é iluminada antes e depois do seu nascimento”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Direito de ser fulni-ô</h2>



<p>Caique Ferraz é ator, do coletivo de teatro <a href="https://www.youtube.com/@resta1coletivodeteatro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resta1</a> e fez participação na série Cangaço Novo, do canal por assinatura Prime Vídeo. Ele nasceu no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), localizado no bairro dos Coelhos, área central do Recife, mas sua mãe e sua família materna nasceram todos na região de Águas Belas, onde está situado o povo Fulni-ô.</p>



<p>Apesar de ter crescido no bairro da Boa Vista, no Recife, desde criança a mãe o levava para participar do ouricuri nos três meses de primavera do ano, o que o deu direito a ser um fulni-ô. Durante sua adolescência e início da vida adulta, viveu entre Recife, Águas Belas e Flores, cidade natal do seu pai. Já adulto, após um período do que Caíque chamou de “crise existencial&#8221;, decidiu fixar sua residência de vez junto ao seu povo, em Águas Belas.</p>



<p>Sua esposa e seus filhos são naturais de Águas Belas e também são da etnia Fulni-ô. “Meus filhos vivem na Aldeia, vivenciando a cultura do nosso povo. É algo que faço questão”, orgulha-se Caíque, que além da língua portuguesa, é fluente no idioma dos fulni-ô, chamada Yaathê, que tem dicionário próprio, tamanha sua complexidade. De acordo com os pesquisadores linguistas Adair Pimentel Palácio e Aryon Rodrigues &#8211; dois nomes referências quando o tema é língua indígena brasileira &#8211; o povo Fulni-ô é o único do Nordeste a manter intacto seu idioma e um dos únicos no Brasil a manter viva diariamente sua língua nas atividades do dia-a-dia.</p>



<p>“A partir de janeiro de 2024, quero investir mais tempo em produção audiovisual, pretendo trabalhar no Coletivo Fulni-ô de Cinema, que veio a existir depois da minha formação como ator. Aqui em Águas Belas, temos maravilhosas paisagens e material humano incrível. Temos muitas habilidades a desenvolver e ninguém melhor do que nós para retratar a nossa história e nossa cultura”, planeja Caíque.</p>



<h3 class="wp-block-heading">40 anos de sincretismo no Baile</h3>



<p>O <em>Baile do Menino Deus</em> completa 40 anos em 2023 e se notabilizou ao longo desse tempo por contar a história do nascimento de Jesus, que embasa as festividades natalinas, mas pautada nos elementos da cultura brasileira, contrariando estrangeirismos típicos da época, como neve, papai noel, renas e pinheiros.</p>



<p>Mas não só isso. É um espetáculo que narra um nascimento mítico a partir das culturas formadoras do Brasil. Os três reis magos, por exemplo, representam em suas indumentárias um africano, um indígena e um ibérico, “a sínteses do povo brasileiro”, segundo as palavras de um dos autores da peça, Ronaldo Correia de Brito.</p>



<p>“O divino existe em todas as culturas do mundo. E os povos têm mitos semelhantes a respeito do nascimento do divino. Nós partimos do mito do nascimento de Jesus e ampliamos para um mito mais universal, que celebra nascimentos divinos”, justifica o escritor.</p>



<p>Ele entende que, embora tenha havia um processo de invasão e dominação entre os povos, nenhuma cultura é totalmente dominada por outra. “A forma de resistência cultural dos povos dominados era elaborar uma cultura própria a partir da cultura que estava sendo imposta a eles. E o baile recupera essa intersecção”, afirma Ronaldo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Correia de Brito explica que escolha de Caíque foi técnica e não pela etnia. Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</p>
	                
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<p>Durante essas quatro décadas, o <em>Baile do Menino Deus</em> buscou representar essa sinergia cultural do povo brasileiro não apenas no religioso, mas também em outras formas de expressão, como nas roupas, nas músicas e nas danças. Em seus primeiros anos de encenação, a partir de 1983, no Teatro Waldemar de Oliveira, o figurino, por exemplo, teve inspiração na cultura bizantina e depois passou a ter elementos do Natal do leste europeu. Na época, 13 atores formavam o elenco e a música era em <em>playback</em>.</p>



<p>Com o passar dos anos, a ampliação de outros elementos culturais aos religiosos foi um processo natural. No Marco Zero, a partir de 2003, o espetáculo traz um elenco de cerca de 60 pessoas, com orquestra ao vivo, coro adulto, coro infantil, corpo de baile e atores.</p>



<p>“No processo de concepção, fomos atrás de músicas dos séculos 15 e 16, algumas delas do processo de catequese de indígenas e africanos. E o Baile recupera também o contato desses povos com a cultura ibérica (portuguesa e espanhola) através desses cantares”, conta Ronaldo Correia de Brito. Já o texto da dramaturgia se manteve.</p>



<p>Mais recentemente, a direção do espetáculo tem inserido elementos culturais urbanos, como o hip hop e o breakdance. Nas apresentações deste ano, que acontecem nos dias 23, 24 e 25 de dezembro, o espetáculo conta com a participação do Rapper Okado do Canal. “A inserção dessas manifestações reflete bem a forma como o Baile se atualiza e absorve a cultura que está viva e que tem essa multiculturalidade”, frisa o escritor.</p>



<p>Sobre a participação do primeiro ator indígena nos 40 anos de cena, Ronaldo Correia de Brito afirma que Caíque Ferraz não foi selecionado por sua etnia, mas por sua qualidade técnica. “A seleção foi natural. Caíque passou por uma audição e nessa audição ele foi selecionado por mim, que sou uma pessoa extremamente exigente. O espetáculo é um guarda-sol aberto, debaixo do qual incluímos todo mundo. Basta ter talento. Ano passado, Maria foi uma atriz negra. Este ano, a Maria é ruiva. Nós selecionamos pela qualidade técnica”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Laís, a Maria mestiça</h3>



<p>A atriz que interpreta Maria em 2023 é Lais Senna, que prefere se identificar como mulher mestiça ou “negra de pele clara”. Sua formação cultural e religiosa representa exatamente o cerne do <em>Baile do Menino Deus</em>.</p>



<p>“Apesar de negra de pele clara, sou batizada e crismada na Igreja Católica. Mesmo assim, minha família frequentava centros espíritas e budistas. Não tenho vivência de terreiro, mas dancei dois anos no Balé de Cultura Negra do Recife, o que me fez ter contato com elementos das religiões africanas, porque trazíamos isso para o palco. Atualmente, pratico o Sukio Mahikari, que não é exatamente uma religião, mas uma prática religiosa de origem japonesa e que abraça outras religiões”, conta Laís.</p>



<p>Para ela, o Baile dialoga uma narrativa que já está no inconsciente coletivo com a fé das comunidades, a partir do entendimento do que é justo, do que é belo e do que é verdadeiro.</p>



<p>“Enxergo no Baile a grande celebração da cultura em torno do sagrado. A partir de um símbolo católico, o espetáculo traz outras possibilidades do que é sagrado e do que merece ser celebrado. O próprio mito cristão da castidade tem uma releitura a partir do momento em que Maria é humanizada no sentido de sentir dor, de enfrentar dificuldades e de ter o próprio romantismo na sua história com José. É neste sentido que o <em>Baile do Menino Deus</em> se sustenta e se renova, com uma diversidade legitimada e com a celebração da vida. Parece ser óbvio, mas não é”, declara Laís Senna.</p>



<p>Este ano, o B<em>aile do Menino Deus: Uma Brincadeira de Natal</em> acontece de 23 a 25 de dezembro, na Praça do Marco Zero, sempre a partir das 20h. O acesso é gratuito e, seguindo sua proposta de diversidade, o espetáculo possui acessibilidade para cadeirante, audiodescrição e intérprete em libras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Peça foi encenada pela primeira vez há 40 anos e está há 20 no Marco Zero. Crédito: Marcos Pastich/PCR</p>
	                
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		<title>&#8220;Deixa o paraíso pra depois&#8221;. A cor púrpura e a urgência da nossa liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 20:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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<p><strong>Por Jackson Augusto</strong>*</p>



<p>Antes de mais nada queria dizer que esse artigo contém <em>spoilers</em>, mas nada de mais. Afinal, estamos falando de uma história que marcou gerações, &#8220;A Cor Púrpura&#8221;, seja em livro, filme ou musical atravessa a realidade do povo negro, sobretudo, nas Américas. Com um enredo que fala de religião, abusos sexuais, raça, problemas familiares e retorno à África, a pergunta que eu faço é: Tem como não se identificar? O musical conta a história da comunidade negra, não aquela idealizada por alguns, sem nenhuma falha ou contradições, mas resgata a nossa humanidade em toda a sua radicalidade, de um povo que foi escravizado e que teve o direito de amar tomado de assalto. O auto ódio dos homens negros e sua adesão a uma cultura de violência e sexismo protagonizam toda a história, nesse enredo todos são vítimas, mas as mulheres negras, como na vida real, continuam sendo as violadas, abusadas e exploradas em toda a sua força, inclusive, pelos nossos. A protagonista é uma adolescente negra, que é abusada pelo seu suposto pai. Celie é uma menina de fé, que vai à igreja aos domingos e grita para Deus: “Eu não poderei dar nada mais que essa oração”. A única coisa que restou para ela foi sua fé, não tinha poder sobre si, sobre sua história e seu corpo. Caminhava para uma morte em vida, abandonada, sem amor e cantava a Deus quase como um pedido de socorro, para levá-la dali, ela queria ir para o céu, pois no céu não existiria mais dor, abandono ou abusos, mas a esperança brota da coragem que encarna em nosso povo.</p>



<p>A cor púrpura não é somente uma cor, mas quase que uma visão da &#8220;terra prometida&#8221;, da possibilidade de futuro, de olhar o horizonte e perceber a importância de quem somos, do cuidado de Deus para as que são excluídas e ele dizendo: “olha o que eu fiz pra você”, pois a grande questão filosófica da história é como Deus permite tantos abusos para quem ora todos os dias por uma vida melhor, esse Deus só pode ser &#8220;um homem como outro qualquer&#8221;, mas e se olharmos ao redor? Perceberemos Deus do nosso lado, nos pássaros, no amor que resiste entre os nossos, perceberemos Deus na cor púrpura dos campos, e quando percebermos isso teremos esperança e coragem para romper laços de violência. Essa é a maior mensagem do espetáculo, como o povo negro vai buscando insaciavelmente caminhos de liberdade.</p>



<p>Mas não é possível falar de liberdade, sem voltar ao passado, a temporalidade na história negra não é linear, preciso olhar para trás, para a nossa ancestralidade, para a África e tudo o que ela nos deu e representa, com os pés voltados para o futuro. Por isso, cantar &#8220;somos um povo iluminado&#8221; que temos &#8220;uma cor só&#8221;, é um canto de quem descobriu que a história que nos contaram era uma grande mentira. A cor púrpura fala de uma fé negra protestante de origem afro-americana, e isso faz total diferença na história, enquanto uma fé branca euro-americana tem um histórico colonial, uma espiritualidade negra, sobretudo em tempos de opressão sistêmica, volta para a África para aprender e contribuir de maneira comunitária. As orações que temos durante todo o musical, são de pessoas negras, são de mulheres oprimidas. Inclusive surge a seguinte questão: “Se Deus ouvisse uma mulher pobre e preta, esse mundo seria muito diferente”. E eu digo mais, se o mundo ouvisse as orações das mulheres negras ele seria um lugar melhor, pois na urgência do nosso povo existe uma sede e fome gigante por justiça e liberdade.</p>



<p>Portanto, nessa perseguição constante por liberdade, em um domingo de páscoa vemos o mar vermelho se abrir, e quase como tão certo quanto o nascer do sol no outro dia, o grito guardado ecoa, a liberdade chega não como um destino mas como um caminho a ser percorrido que não tem mais volta, e literalmente, nessa passagem do cativeiro para um lugar onde o amor e as segundas chances são possíveis inclusive para os homens negros, vamos testemunhar a emacipação do nosso povo e a existência das possibilidades, das escolhas e das autonomias. Se antes éramos cativos, agora somos livres, se antes não podíamos decidir, agora temos a caneta da nossa própria história.</p>



<p>A cor púrpura é quase uma visão, uma miragem tão real quanto a história de tantas e tantos dos nossos, e esse espetáculo está em Recife e tem apresentações de 9 a 12 de março, com seis sessões, no Teatro do Parque. É a primeira vez que o musical está fazendo essa tour no Nordeste, com um elenco totalmente negro e vozes de tirar o fôlego.</p>



<p><strong>* Jackson Augusto é pernambucano, graduando de jornalismo e teologia, coordenador de projetos no PerifaConnection. Já foi colunista no The Intercept Brasil, atualmente integra a coordenação nacional do Movimento Negro Evangélico, Coalizão Negra Por Direitos e é conselheiro do Fogo Cruzado Brasil.</strong></p>
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		<title>Caminhada dos Terreiros acontece em clima de alívio e esperança</title>
		<link>https://marcozero.org/caminhada-dos-terreiros-acontece-em-clima-de-alivio-e-esperanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 21:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A 16ª Caminhada dos Terreiros de Pernambuco foi uma festa marcada pelo alívio e pela esperança. Com concentração no Marco Zero, foi a primeira manifestação de rua no Recife organizada por movimentos sociais com o sabor da vitória de Lula (PT) nas urnas. Uma vitória que também é do povo de axé, que viu a perseguição e a intolerância religiosa crescerem no governo de Bolsonaro.</p>



<p>Uma das lideranças da Rede de Articulação da Caminhada dos Terreiros de Pernambuco (Rede ACTP), pai Edson Axé comemorou a vitória. “Estamos eufóricos. O Brasil volta novamente a celebrar a democracia. Celebrar esse dia de hoje, com o povo de terreiro na rua, é muito importante, porque o presidente que ainda está aí traz uma cultura de ódio. Aqui, o povo de candomblé vem para rua dizer o quão importante é amar o próximo”, disse.</p>



<p>Pai Edson Axé defende que uma das pautas mais urgentes do governo Lula seja o fortalecimento da laicidade. “O estado laico permite que possamos ter o exercício da nossa cidadania plena. O católico, o judeu, o evangélico, e até o ateu, possam se declarar o que são sem medo de ser feliz”, disse.</p>



<p>Referência das religiões afro em Pernambuco, o pai Ivo de Xambá se mostrou aliviado com a vitória de Lula. “Para as pessoas de terreiro não foi só uma eleição. Foi uma questão de sobrevivência. O candidato oposto se colocava contra nós. A eleição de Lula foi importantíssima para que possamos ter nosso espaço”, afirmou.</p>



<p>Uma das homenageadas da Caminhada com o grupo Baque Mulher, a mestra Joana Cavalcanti, da Nação Maracatu Encanto do Pina, lembrou que a luta pelos direitos não cessa nunca. “Que nossos orixás, ancestrais e entidades nos guiem. O período mais difícil nós conseguimos ultrapassar, que foi a pandemia com aquela gestão terrível. Agora nosso povo de matriz africana segue sempre na luta. Esse momento é para reafirmarmos que somos guerreiros”, afirmou. “Agora vai ser o povo a favor de Lula e Lula a favor do povo”.</p>



<p>Participante do conselho religioso da Rede ACTP, o pai Tarcísio de Ògìyán defendeu a coletividade como uma saída para o obscurantismo político no Brasil. “Ano passado estivemos aqui em denúncia ao estado. O povo de terreiro enfrentou a pandemia quase só. Esse ano a conjuntura política fez com que a sociedade brasileira se polarizasse e a caminhada vem com a ideia de que “eu sou porque somos”. Nós não somos individuais”, diz. “A conjuntura atual está muito bagunçada. Mesmo com Lula eleito, temos muito a avançar. Mas agora temos esperança e possibilidade de caminhar”, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para povo dos terreiros, vitória de Lula era questão de sobrevivência. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Relação com Raquel Lyra</h2>



<p>A Rede ACTP quer fazer com <a href="https://marcozero.org/direita-tradicional-volta-ao-poder-em-pernambuco-com-eleicao-de-raquel-lyra-e-priscila-krause/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a governadora eleita Raquel Lyra </a>uma conversa institucional. “Respeitamos o resultado das urnas e vamos conversar com ela sobre a importância do fortalecimento de uma campanha de combate à intolerância religiosa e ao crime religioso”, diz o pai Edson Axé.</p>



<p>Pai Ivo de Xambá vê a eleição de Raquel como uma oportunidade de trabalho conjunto. E destaca que a política de Bolsonaro é muito diferente da de Raquel Lyra. “Vi as entrevistas de Raquel e tive a oportunidade de ir a Caruaru e conversar com as pessoas de terreiro. E realmente ela trata essa nossa minoria de uma forma muito diferente de como Bolsonaro trata. Não votei em Bolsonaro porque não posso ser sócio da minha miséria, mas com Raquel Lyra nós vamos poder trabalhar juntos”, acredita.</p>



<p>Para a mestra Joana Cavalcanti, que já teve problemas com evangélicos na rua onde fica o maracatu, a proximidade de Raquel Lyra com <a href="https://marcozero.org/igreja-radio-e-comunidade-terapeutica-o-fundamentalismo-religioso-por-tras-do-casal-tercio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">políticos evangélicos fundamentalistas </a>assusta. “É temeroso. Em nenhum momento a gente vê o posicionamento dela, em quem votou. Vamos enfrentar mais uma batalha. Sabemos o quanto a perseguição é grande. E quando tem pessoas no poder que fortalecem o outro lado, a gente sofre muito. Mas estamos aí para lutar”, disse.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pessoas trans acolhidas nos terreiros</h3>



<p>Uma das homenageadas do evento foi a coordenadora da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais (Amotrans), Choppelly Santos. Mesmo não seguindo as religiões afrobrasileiras, ela falou da importância do acolhimento. “Enquanto todas as religiões condenam a gente ao inferno, os terreiros abrem as portas para receber as travestis e transexuais. Essa homenagem é o reconhecimento de todas as pessoas trans que foram acolhidas pelos pais e mães de santo”, afirmou Choppelly.</p>



<p>O próximo governo Lula é de muita expectativa para a população LGBTI+. “Vamos ter 40 anos em quatro”, comemora, parafraseando o slogan de desenvolvimento do governo de Juscelino Kubitschek. “Lula foi o pai das políticas LGBTIQA+. Vamos começar a refazer o Brasil de novo, para o povo. Que a gente consiga finalmente uma secretaria nacional que possa cuidar não só da comunidade trans, mas da comunidade LGBTQIA+, combatendo o enorme índice de assassinatos que o Brasil tem”, afirmou.</p>



<p>A chegada de Raquel Lyra ao governo de Pernambuco é vista pela coordenadora da Amotrans-PE como uma oportunidade para o diálogo. “Esperamos um programa Pernambuco sem LGBTfobia. O Rio de Janeiro fez o programa logo no início do movimento. Esperamos nada menos que isso”, diz Choppelly, que cita a vice Priscila Krause e o deputado não reeleito Daniel Coelho como possíveis pontes com o futuro governo. “Eles já tiveram um bom diálogo com o movimento LGBTQIA+. Nosso trabalho como movimento social é esse, levar nossas pautas para os governantes eleitos. O diálogo vai acontecer, se vai ser concretizado ou não, o tempo vai dizer”, disse.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pais e mães-de-santo elogiam postura de Raquel Lyra sobre as religiões de matriz afro. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>&#8220;A eleição será muito mais suja, cristãos conservadores recebem muito dinheiro de fora&#8221;, afirma Lívia Reis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jun 2022 13:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olhar para as eleições passadas pode ser como espiar pela brecha o quem vem em outubro. E uma das certezas que se antevê é de que a pauta moral, com lastro na religiosidade, vai continuar forte. Em 2020, as candidaturas com identidade religiosa foram mapeadas em oito capitais do Brasil em uma pesquisa do Instituto [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-left">Olhar para as eleições passadas pode ser como espiar pela brecha o quem vem em outubro. E uma das certezas que se antevê é de que a pauta moral, com lastro na religiosidade, vai continuar forte. Em 2020, as candidaturas com identidade religiosa foram mapeadas em oito capitais do Brasil em uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser). O Recife foi uma dessas capitais &#8211; e a cidade onde a carta da religiosidade foi mais usada pelos candidatos.<br><br>Coordenadora nacional do estudo &#8220;<a href="https://religiaoepoder.org.br/artigo/iser-divulga-resultados-da-pesquisa-sobre-candidaturas-com-identidade-religiosa-nas-eleicoes-municipais-de-2020/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Religião e Voto: uma fotografia das candidaturas com identidade religiosa nas Eleições 2020</a>&#8220;, a pesquisadora Lívia Reis, doutora em ciências sociais, diz que a expectativa é de que o conservadorismo esteja ainda mais presente nas estratégias dos políticos. “Os religiosos conservadores vão adotar a narrativa dos ataques à religião cristã e à família tanto pelos governos que consideram “comunistas” quanto pelo STF. E esse tipo de ataque também é uma corrosão da democracia. É um poder atacando o outro e não permitindo o diálogo, mas pedindo o aniquilamento. Esse tipo de narrativa, com cristofobia e cerceamento de liberdades, vem com força nas eleições de 2022”, diz.</p>



<p>Na entrevista abaixo, Lívia Reis destrincha como as pautas morais, ligadas ao cotidiano, são usadas pelas candidaturas conservadoras com identidade religiosa. E como essas narrativas estão corrompendo a democracia brasileira.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p>Marco Zero Conteúdo &#8211; <strong>A pesquisa mostra que, apesar de representar 10% na eleição passada, candidaturas com identidade religiosa ocupam, em média, 51% das cadeiras nas câmaras municipais das oito capitais analisadas. É uma boa estratégia para ser eleito no Brasil?</strong></p>



<p><strong>Lívia Reis &#8211; </strong>Política e religião nunca foram uma coisa separada, sobretudo no Brasil. Temos a influência da Igreja Católica aqui, que acompanha a história da formação do Estado brasileiro. De novidade, não tem nada. O que está acontecendo é uma maior ênfase em pautas morais para a mobilização de candidaturas que, de alguma forma, apresentam certa identidade religiosa. Nessa pesquisa, tivemos o cuidado de avaliar mais especificamente como a religião é mobilizada pelas candidaturas. Não apenas no campo do que podemos chamar de conservador. A religião é mobilizada por progressistas também. Nesse campo, o mais comum é na religiosidade de matriz africana, com a pauta do fim da intolerância religiosa. Mas também pelos cristãos. Vimos nesta eleição da pesquisa, a de 2020, movimentos como <em>Cristãos contra o fascismo</em> e <em>Bancada Evangélica Popular,</em> que estavam ali também disputando o cristianismo durante a campanha eleitoral, dizendo &#8220;o cristianismo que a gente quer não é o do Bolsonaro, há outros tipos de cristianismo&#8221;. O que está acontecendo é que a pauta moral de base religiosa está ganhando mais espaço nas discussões eleitorais. Religião é uma variável importante na sociabilidade dos brasileiros, nunca esteve ausente da vida pública. Quando falo de pauta moral, não estou falando só de pautas como ideologia de gênero, como eles chamam, ou de aborto. Mas coisas mais cotidianas, como educação, violência contra a mulher, empreendedorismo, que são coisas que estão tematizadas dentro das igrejas. Então quando isso é trazido para o debate público durante as campanhas eleitorais, encontram uma certa equivalência de quem vai para as igrejas. Quando um candidato conservador está ali falando sobre cuidado, ele sabe que está falando para um público específico, que vai saber do que está sendo falado. Não precisa abertamente falar de religião para falar de religiosidade. Esse é um ponto. Por um lado, e nossa pesquisa mostra, isso é eficiente. Esse é um achado importante. Mas é importante pontuar que há diversas formas da mobilização da identidade religiosa. Então aquilo que chamamos de candidatura religiosa são aquelas pessoas que fizeram da religiosidade uma pauta central da campanha. Mas tem quem não usa como pauta central ou apenas é religioso. Tivemos o cuidado em separar essas candidaturas na pesquisa.</p>



<p><strong>A candidatura com identidade religiosa acontece mais na direita? Por que?</strong></p>



<p>A mobilização é diferente. Não é sobre a religião do candidato, é sobre quais pautas ele mobiliza durante o debate eleitoral. Isso, para quem está dentro das igrejas, comunica muito. Então você não precisa ficar batendo no seu peito e falando &#8220;olha, eu sou dessa tal igreja. Você fala assim: &#8220;Eu sou a favor do combate à intolerância religiosa porque os cristãos estão sendo perseguidos no mundo. Eu não quero que isso se torne uma realidade no Brasil&#8221;. Ou &#8220;eu defendo empreendedorismo, porque eu quero que as pessoas tenham liberdade e sejam incentivadas através de seus próprios méritos e seu esforço individual a alcançar a prosperidade&#8221;. Isso tem relevância dentro das igrejas. Ou quando o candidato fala que &#8220;eu não quero que educação sexual seja um tema dentro das escolas, porque eu acho que isso é um dever da família&#8221;. Então, quando o candidato levanta essas pautas no debate público durante as campanhas, ele está comunicando ao eleitor o tipo de cristianismo que ele pratica. Ele não precisa falar diretamente. Obviamente, alguns falam. As campanhas são feitas dentro das igrejas. O candidato da igreja Universal circula mais dentro dessas igrejas.  A questão do cuidado, por exemplo. Isso foi o slogan de campanha do Crivella, o &#8220;vou cuidar das pessoas&#8221;. Aí você transfere essa coisa do cuidado, que tem uma equivalência muito importante nas igrejas, que estão ali fazendo ações de assistência social o tempo inteiro, incentivando que seus membros façam assistência social. As pessoas que estão vendo ali dentro das igrejas, aquelas práticas de cuidado, podem pensar &#8220;tira isso da mão do Estado e passa para a mão da igreja&#8221;. As pessoas fazem suas associações sem que seja necessariamente importante você falar sobre o seu pertencimento religioso. As candidaturas que têm essas pautas no centro da sua candidatura são consideradas pela nossa pesquisa como candidaturas religiosas e no, caso do Recife, as candidaturas que mobilizaram a religião diretamente correspondem a 65,71% do total de candidaturas com a identidade religiosa.</p>



<p><strong>Foi a mais alta entre as oito capitais?</strong></p>



<p>Sim, dentro tipo de candidatura que mobiliza diretamente. O que gente tira disso é que quem mobiliza diretamente as pautas morais ligadas à religião são mais eleitas. A pesquisa demonstra que esse tipo de abordagem atraiu o eleitorado.</p>



<p><strong>Por que algumas candidaturas evangélicas usam o discurso de que são perseguidas?</strong> </p>



<p>Nos chamamos de retórica persecutória. A narrativa dos cristãos evangélicos para ingressarem na política &#8211; e estamos falando de 30, 40 anos atrás &#8211; é uma narrativa de perseguição. E que de fato existia. A narrativa de que os evangélicos não tinham espaço no debate público porque eles eram considerados uma minoria &#8220;burra&#8221; ou despolitizada foi um gancho muito utilizado para justificar a entrada dos evangélicos na política. Mas esse quadro mudou. Hoje, o que a gente vê é uma narrativa de cristofobia, que é diferente. Apesar dos evangélicos estarem cada vez mais presentes no espaço público, a narrativa que está em voga &#8211; e que está sendo disputada hoje &#8211; é a de que com as políticas progressistas do PT, como as ações afirmativas, eles foram perseguidos. Há um debate de raça muito intrínseco. A categoria raça virou uma disputa. Quando se diluiu aquele mito da igualdade racial, das três raças que convivem pacificamente, e se falou &#8220;não, as pessoas negras são discriminadas, por isso precisam de ações afirmativas&#8221;, essas políticas de integração para corrigir desigualdades não foram vistas com bons olhos. <br><br>Outra coisa foi o kit gay. Era, na verdade, um projeto de educação sexual nas escolas, muito diferente de um kit gay. Mas isso foi apropriado pela direita como sendo o kit gay. Diante dessa tentativa de redução de desigualdades e de ampliação do direito de minorias perseguidas — e estamos falando de combate à intolerância afro religiosa, de pessoas LGBTQIA+ — ,diante desses progressos na pauta dos direitos das minorias, veio colada uma narrativa de que existe uma perseguição aos cristãos. &#8220;Olha, se esse povo tá querendo falar de de ideologia de gênero nas escolas, isso é uma obra do demônio que precisa ser combatida&#8221; ou &#8220;eles vão transformar todos os nossos filhos em homossexuais&#8221;. Nisso, se propaga a ideia de que o avanço nos direitos das minorias é uma perseguição às moralidades cristãs. Outra coisa forte foi a equiparação da homofobia ao crime de racismo pelo STF. Isso tem uma ligação muito direta com a pauta da despatologização da homossexualidade, que já foi considerada doença, passível de cura. Então houve toda uma disputa, no Conselho Federal de Psicologia, para proibir os tratamentos de reversão sexual que eram praticados dentro das igrejas, por psicólogos. A partir do momento que o STF reconhece a homofobia como um crime, você não pode ficar dentro das igrejas falando que homossexualidade é uma doença. E isso também é considerado uma perseguição ao cristão. Essa narrativa de perseguição muda de configuração, mas ela vem de uma mesma linha. Quando o segmento religioso que hoje chamamos de evangélicos começa a crescer, lá na década de 1970, ele tem uma narrativa de perseguição: &#8220;A gente não tem o direito de professar nossa fé&#8221;. E isso vira a chave para entrada na política, porque também querem espaço e os direitos respeitados. Só que depois eles foram crescendo, cada vez mais, embora hoje tenhamos um cenário que indica uma estabilização, tanto da queda do catolicismo, quantos do crescimento do segmento evangélico. Essa narrativa de perseguição mudou de configuração e isso vai ser muito explorado nas próximas eleições. O Bolsonaro, quando leva isso para <a href="https://news.un.org/pt/story/2020/09/1727002" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a abertura da assembleia geral da ONU</a>, quando ele pede o combate à cristofobia, ele está falando disso, das pautas morais. O Brasil conseguiu avançar minimamente no que diz respeito à proteção dos direitos de minorias políticas e esse avanço foi usado para criar uma narrativa de perseguição às moralidades cristãs. Cristãs conservadoras, no caso, porque não é de todo o cristianismo que estamos falando.</p>





<p><strong>Então podemos esperar que, mesmo com temas tão fortes no Brasil atual, a pauta moral também virá com força?</strong></p>



<p>Com muita força. E vão muito além de aborto, ideologia de gênero e cristofobia. Agora em 2020, durante o auge da pandemia, isso foi muito explorado nas campanhas. Porque, entre as medidas sanitárias estava o fechamento das igrejas, que foi encarada como perseguição aos cristãos. Isso vira um argumento que corrobora o posicionamento do Governo Federal e dos seus atores. E qual que vai ser o argumento? Se o PT voltar, isso vai continuar acontecendo. E para isso deixar de acontecer, para as nossas liberdades individuais e de crença continuem sendo respeitadas, a gente não pode votar no PT. E quem é visto como o aliado dos &#8220;esquerdistas&#8221; nessa perseguição aos direitos dos cristãos? o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso vai aparecer nas campanhas de uma forma muito articulada. A pauta moral é uma das chaves importantes da campanha das próximas eleições. Eu acho que essa pesquisa que fizemos já mostra muito como a pauta moral já está sendo articulada. O <em>homeschooling</em>, por exemplo, que já estava ali nas eleições de 2020 e vimos agora ser aprovado no Congresso.</p>



<p><strong>Isso vai ser um dos trunfos dos conservadores nas próximas eleições?</strong></p>



<p>Sim, porque tem a ver com ideologia de gênero, tem a ver com o cristofobia: &#8220;Eu quero que o meu filho não aprenda essa coisas&#8221;. A escola é associada não como um espaço seguro, mas como um espaço de perigo. E aí, quando você convence as pessoas que a escola não é um espaço seguro, a educação em casa é uma forma de assegurar a integridade das crianças. Então a proteção à criança e o cuidado com a família apresentam essas sutilezas. E estamos falando de família num sentido mais amplo, de responsabilidade de vínculos, não só de crianças, mas dos idosos também. Nas últimas eleições de 2020 tinha muito, muito político conservador com essa pauta de proteção dos idosos. O Governo Federal tem uma Secretaria Nacional de Idosos, então essas coisas são muito articuladas. Tem essas pequenas sutilezas de cuidados com a família, que são muito bem exploradas por esses políticos conservadores e que ligam a vida cotidiana à religiosidade. E aí que mora o perigo para a democracia. Passa-se uma falsa impressão de que se o Bolsonaro não ganhar, essas coisas vão estar em perigo.</p>



<p><strong>A pesquisa do Iser levantou 15 temas que são mais debatidos pelas candidaturas de identidade religiosa. E nessa lista tem o da segurança pública. Essa dupla arma e bíblia é algo historicamente ligado às candidaturas de identidade religiosa ou é algo que cresceu agora com Bolsonaro?</strong></p>



<p>Eu acho que ganhou novos contornos. Vemos um aumento progressivo dessa associação de identidade religiosa com militar. Até em nomes de urnas. Salvador, por exemplo, tem um Pastor Sargento Isidório. Houve um aumento nas últimas eleições, foi mais acionado, e isso tem a ver com essas articulações feitas. Quem nem são feitas pelo Bolsonaro, mas por um movimento mais amplo que podemos chamar de bolsonarismo ou neoconservadorismo, que fala da proteção às liberdades individuais. E a lógica é que se o Estado não me protege, eu não vou mais cobrar do Estado essa proteção: eu quero ter o direito de proteger a minha família. Entra na chave da defesa da família.</p>



<p><strong>Assim como o <em>homeschooling</em>, que também se pauta na defesa de uma &#8220;liberdade&#8221; individual. Processos que não passam pelo Estado, mas pelo núcleo familiar?</strong></p>



<p>Sim, e a consequência mais direta é uma corrosão do Estado de bem-estar. Vai minando. O que esse tipo de política propõe é que o Estado não é capaz de gerir a vida das pessoas, então você vai individualizando cada vez mais. Isso é uma característica de sociedades neoliberais. Vai minando tudo o que for para para promover o bem social, os direitos sociais e coletivos, que vão sendo colocados de lado em nome dos direitos individuais, das liberdades individuais. E falando de liberdade em um sentido muito amplo. O nosso sistema é de contrapesos, em que nenhum poder deve se sobrepor ao outro (individuais e coletivos). O ideal é que esses direitos estejam balanceados. E o que a gente está vendo é um desbalanceamento, no sentido de uma de uma superposição das liberdades individuais. É o discurso de &#8220;dane-se que minorias estão sendo prejudicadas por esse discurso de ódio, é a sua liberdade&#8221;.</p>



<p><strong>A pesquisa mostra que há poucos candidaturas religiosas de não cristãos e ainda menos eleitos. Em Recife, foram duas candidaturas, nenhuma eleita.  É comum essa subrepresentação?</strong></p>



<p>Sim, infelizmente. Apesar de que agora estamos vendo uma mudança nesse quadro. Candidaturas que se auto definem como afro religiosas e têm a pauta da intolerância e da defesa da cultura dos povos das culturas negros estão vendo que a representação na política institucional se tornou o requisito para a sobrevivência das religiosidades, que foi justamente o que fizeram os evangélicos 30, 40 anos atrás. Não estamos falando de equivalência de poder, é uma religiosidade que ainda não compõe nem 5% da população brasileira. Católicos e cristãos compõem mais de 80% da população, então essa subrepresentação se dá também na sociedade. As afro religiões nunca fizeram política institucional, é outra dinâmica de ocupação e relação com o espaço público e com a natureza. Historicamente, há essa ocupação como cultura. Tem toda uma história no PDT, pro exemplo, que tem um histórico de candidaturas negras com uma pauta mais ligada à cultura. O PT concentra mais candidaturas de católicos por conta da ligação histórica do PT com as comunidades eclesiais de base, com as pastorais da juventude. Agora estamos vendo mais candidaturas afros ligadas à religião, porque a representação política está sendo entendida como importante para a manutenção e garantia dos seus direitos. Infelizmente, porque, teoricamente, a religião da pessoa não não deveria influenciar no tipo de direito que é reivindicado. Se você tem pessoas comprometidas com a democracia e com os direitos humanos, não precisa de um representante da sua religião para ter seus direitos garantidos.<br><br><strong>O debate público, principalmente das esquerdas, ainda é muito voltado para o conservadorismo evangélico. Mas também existe um forte conservadorismo católico. Aqui no Recife, em 2020, teve um movimento das comunidades católicas que foi até a porta de um hospital público para tentar impedir o aborto legal em uma criança de dez anos. Como é esse conservadorismo católico nas eleições?</strong></p>



<p>Não é à toa que o Recife elegeu sete candidatos católicos, com diferentes graus de envolvimento com a igreja. Como coordenadora dessa pesquisa, fiquei um pouco impressionada também com a relação da igreja católica em Recife e esse setor de conservadores da igreja católica. Existe um conservadorismo católico que passa pela renovação carismática, mas que já começa a ir além dela. Existem muitos setores conservadores católicos que estão se mobilizando junto também com evangélicos conservadores e cristãos conservadores. Tem muitos conservadores que se denominam cristãos e são católicos. Quando precisam, eles se juntam. Das 39 cadeiras da Câmara de Vereadores do Recife, 20 candidatos com identidade religiosas foram eleitos. Desses 20, nove eram ligados ao PSB. Outra coisa importante também é que os católicos eleitos são majoritariamente brancos. São dados importantes a se trabalhar. Como o catolicismo é muito naturalizado, porque ele tende a ser visto como a religião dos brasileiros, começa a passar batido com a emergência do debate público dos evangélicos. Mas não é que eles deixam de existir: eles só ficam apagados. Eles ainda têm muito poder, ainda são muito conservadores e ainda têm um papel muito importante na manutenção dessas estruturas autoritárias de poder. É importante mostrar essa dimensão porque no Recife ficou muito evidente. É uma maioria branca, ligada a partidos conservadores &#8211; não no caso do PSB, que é um partido mais de centro-direita. Recife também foi a capital com mais candidaturas com identidade religiosa identificada em relação às candidaturas totais. A média nacional foi 10%. Recife foi 12,56 %: de 836 candidatos, foram 105 com identidade religiosa.</p>



<p><strong>O que podemos esperar das candidaturas com identidade religiosa para as eleições de 2022?</strong></p>



<p>Está sendo muito importante ver um crescimento da disputa pelo cristianismo também por setores de esquerda. Eu acho que isso é uma tendência que vai aumentar. É importante pontuar isso, de que existem muitos tipos de cristianismo e não só o conservadorismo cristão, uma direita cristã. O que está mandando no país atualmente não é o único tipo de cristianismo e isso está sendo disputado no espaço público. Estamos vendo também uma organização maior de afro religiosos, em torno da ocupação desse espaço, que eu não acho é necessariamente um indicativo da nossa qualidade democrática. Acho que é o contrário, indica que a nossa democracia está tão fraca que essas pessoas estão precisando recorrer a esses espaços para ter seus direitos garantidos. Enquanto minorias que são, a não representação delas nesses espaços têm significado um ataque cada vez maior a essas religiosidades. A maioria não está protegendo a minoria, o que mostra uma piora da nossa democracia.<br><br>Os ataques de um poder sobre o outro também são outro importante fator de risco para a nossa democracia nessas eleições. E isso vai ser feito muito por meio dessa pauta da cristofobia. O discurso, por exemplo, de que os valores cristãos e a família cristã estarão sob ameaça se o PT voltar. Os religiosos conservadores vão adotar a narrativa dos ataques à religião cristã e à família tanto pelos governos que consideram “comunistas” quanto pelo STF. E esse tipo de ataque também é uma corrosão da democracia. Não comporta o diferente. Esse tipo de narrativa, com cristofobia e cerceamento de liberdades, vem com força nas eleições de 2022. Vai ser uma eleição muito mais suja. Cristãos conservadores, sobretudo católicos, têm uma rede internacional de articulações, então recebem muito dinheiro de fora para investir nas narrativas. É tudo muito bem articulado.</p>



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		<title>Velório do padre Reginaldo Veloso acontece ao lado da igreja do Morro da Conceição, de onde ele foi expulso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 May 2022 14:25:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vítima de um câncer, o ex-padre Reginaldo Veloso faleceu no final da noite de quinta-feira, 19 de maio, aos 84 anos. O velório do religioso, que foi um dos expoentes da teologia da libertação em Pernambuco, está acontecendo na no Morro da Conceição, na Escola Estadual Padre João Barbosa, Morro da Conceição, exatamente por trás [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vítima de um câncer, o ex-padre Reginaldo Veloso faleceu no final da noite de quinta-feira, 19 de maio, aos 84 anos. O velório do religioso, que foi um dos expoentes da teologia da libertação em Pernambuco, está acontecendo na no Morro da Conceição, na Escola Estadual Padre João Barbosa, Morro da Conceição, exatamente por trás da imagem da santa e da igreja de onde ele foi expulso pelo arcebispo dom José Cardoso, em 1889. Veloso deixa um filho, João José, e a esposa, Edileuza Osório Pereira Veloso, com quem era casado desde 1994. O horário e local do sepultamento ainda não foram divulgados.</p>



<p>O local do velório foi alterado de última hora. Inicialmente marcado para ocorrer na sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos, no bairro da Boa Vista, acabou acontecendo na escola do Morro da Conceição em razão da mobilização de lideranças políticas e de setores católicos. Apesar do salão da igreja onde ele foi pároco não ter recebido o velório, as celebrações religiosas estão acontecendo no templo.<br><br>Nascido em São José da Lage, em Alagoas, a vida pública do ex-pároco foi ligada ao Morro da Conceição e aos trabalhos sociais. Desenvolveu por anos trabalhos de base na comunidade, recebendo o apoio e a admiração do então arcebispo de Olinda e Recife dom Hélder Câmara.<br><br>Após estudar em Roma na década de 1950, Reginaldo Veloso voltou ao Brasil sentindo a necessidade de aproximar a igreja das comunidades e ajudar as pessoas de forma mais efetiva, com conscientização política. Em maio de 1973, foi um dos divulgadores do documento &#8220;Eu Ouvi os Clamores do Meu Povo&#8221;, considerado revolucionário na trajetória política da igreja Católica no Brasil ao denunciar o desemprego, a miséria, a falta de liberdade e outras mazelas sociais durante a ditadura militar.</p>





<p><br>Por conta disso, Reginaldo Veloso foi perseguido pela ditadura e chegou a ser preso para interrogatório. &#8220;Me despiram e colocaram numa jaula que tinha um metro e meio quadrado. Era um cubículo. Fui interrogado por três militares que queriam saber quem havia escrito o documento. Na época, coloquei nomes de figurões da extrema-direita como autores do texto&#8221;, contou, no documentário <em>Reginaldo Veloso: O Amor Mais Profund</em>o, curta-metragem de Daniela Kyrillos.</p>



<p>Ao longo do dia, vários personagens que são referências dos movimentos sociais e dos grupos de católicos progressistas, como o monge e teólogo Marcelo Barros e o frade franciscano Aloísio Fragoso, comentaram sobre a importância do papel desempenhado por Veloso nas lutas sociais em Pernambuco. &#8220;Deixou-nos órfãos de uma voz profética, no sentido mais bíblico da palavra, sempre coerente, colocando o Bem do Povo de Deus acima das suas conveniências&#8221;, resumiu frei Aloísio.</p>



<p>Ativista católica, Maria Tereza Braga de Morais é integrante do Comitê Católico de Luta pela Vida, que está colaborando na organização das missa solene em homenagem ao padre. &#8220;Ele sempre esteve ao lado dos mais pobres, dos mais necessitados. Na próxima semana, a oração do terço contra a fome e favor da democracia que fazemos todas as sextas na calçada da igreja de Santo Antônio, no centro do Recife, será em sua homenagem&#8221;, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Velório aconteceu na escola a poucos metros da igreja de onde Veloso foi expulso pelo arcebispo. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Expulsão do Morro da Conceição</h2>



<p>Um episódio bastante conhecido da vida do ex-padre ocorreu quando foi expulso da igreja do Morro da Conceição. Em 1985, Dom Helder Câmara renunciou à arquidiocese de Olinda e Recife. No lugar dele assumiu o conservador dom José Cardoso Sobrinho, que perseguiu alguns padres progressistas, entre eles, Reginaldo Veloso.<br><br>Em 1989, o arcebispo destituiu o padre Reginaldo da Paróquia do Morro da Conceição. Também o suspendeu dos exercícios de sacerdócio, alegando insubordinação. A comunidade, porém, se uniu contra a decisão de dom José e ficou ao lado do padre Reginaldo, que se recusou a deixar a igreja.<br><br>A situação chegou a tal ponto que a Polícia Militar foi chamada para retirar o padre da igreja, cumprindo ordem judicial. Há um episódio, quase anedótico, que é contado também no documentário: quando a polícia chegou, os moradores esconderam a chave da igreja em um balão, que soltaram no céu. Retirado à força da paróquia, padre Reginaldo abandonou a igreja e se casou em 1994. Até o fim da vida se manteve ativo nos trabalhos sociais do Morro da Conceição, que permaneceu ao lado do ex-padre.</p>



<p>Curiosamente, o site da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organismo que representa a hierarquia eclesiástica no país, informou <a href="https://www.cnbb.org.br/faleceu-o-compositor-reginaldo-veloso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a morte do &#8220;compositor&#8221; Reginaldo Veloso</a> e o apresentou como &#8220;mestre em Teologia e História, escritor, compositor e especialista em liturgia (&#8230;) colaborou com a Igreja no Brasil oferecendo diversas músicas que animaram celebrações e atividades pastorais em todo o Brasil no pós-concilio&#8221;. Nem uma palavra sobre seus vínculos com as lutas do setor progressista da igreja ou o episódio da expulsão da paróquia, um dos mais marcantes de sua vida e na história da igreja Católica em Pernambuco.</p>



<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<p><br></p>
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		<title>Filme produzido por evangélicas denuncia violência contra mulheres em espaços religiosos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 20:39:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta sexta-feira, 25 de março, às 18h, o Coletivo Vozes Marias lança o documentário “Vozes no caminho: o silêncio não é mais possível”. A exibição acontecerá de forma híbrida: presencialmente, na Primeira Igreja Batista, no bairro de Bultrins, em Olinda, e online, com transmissão ao vivo no perfil do coletivo @vozesmarias . O documentário, que [&#8230;]</p>
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<p>Nesta sexta-feira, 25 de março, às 18h, o Coletivo Vozes Marias lança o documentário “Vozes no caminho: o silêncio não é mais possível”. A exibição acontecerá de forma híbrida: presencialmente, na Primeira Igreja Batista, no bairro de Bultrins, em Olinda, e online, com transmissão ao vivo no perfil do coletivo @vozesmarias .</p>



<p>O documentário, que tem o objetivo de denunciar a violência institucional religiosa sofrida por mulheres, conta a história de duas vítimas de violência que decidem romper o silêncio e expõem as violências vividas dentro de um gabinete pastoral. O pastor acusado pelas mulheres foi indiciado por cometer diversos crimes, entre eles, estupro, violação sexual, injúria racial e difamação, e praticou os delitos contra dezenas de vítimas por mais de 25 anos, em uma igreja localizada na Zona Norte do Recife.</p>



<p>A produção audiovisual mostra a experiência dolorosa das vítimas, que foram acolhidas pelo Coletivo Vozes Maria e se fortaleceram na luta pelo combate à violência de mulheres religiosas. “As violências, muitas vezes, acontecem no campo institucional religioso e a igreja, ao invés de acolher, revitimiza as mulheres. Quando elas entram nos serviços da rede de atendimento à mulher, elas também são revitimizadas”, afirmou Bárbara Aguiar, articuladora do coletivo.</p>





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		<title>A rezadeira do sertão do Moxotó que atrai gente de todo o Brasil à procura de bençãos, orações e proteção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2021 21:19:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dona Helena Alves de Siqueira, 77, é uma das rezadeiras mais famosas do sertão do Moxotó. Moradora do povoado Mulungu, zona rural de Custódia, há mais de 50 anos, ela recebe em sua casa, todos os dias, pessoas que recorrem aos seus conhecimentos espirituais, buscando cura e proteção para o corpo e o espírito.&#160;&#160; Segundo [&#8230;]</p>
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<p>Dona Helena Alves de Siqueira, 77, é uma das rezadeiras mais famosas do sertão do Moxotó. Moradora do povoado Mulungu, zona rural de Custódia, há mais de 50 anos, ela recebe em sua casa, todos os dias, pessoas que recorrem aos seus conhecimentos espirituais, buscando cura e proteção para o corpo e o espírito.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo dona Helena, o seu dom foi revelado em sonho, quando ela completou 22 anos. “Eu vi uma luz muito forte onde eu estava dormindo com meus filhos. E nesse tempo, não tinha energia, não tinha iluminação. Eu pensei que o candeeiro tinha caído e queimado a casa. Uma mulher muito bonita apareceu em meu sonho e me disse que eu tinha esse dom. Que eu tinha a missão de receber em minha casa pelo menos seis pessoas para rezar, benzer. Eu não sei ler, mas, graças a Deus, sei passar a palavra”. </p>



<p>Os visitantes de dona Helena, que ela costuma chamar de “pacientes”, são fiéis. Fazem visitas frequentes e chegam de toda parte. O povoado Mulungu recebe pessoas de outras cidades, de outros estados e até de outras regiões. “ Vem gente de Recife, Serra Talhada, Juazeiro do Norte, de&nbsp; Minas Gerais e também São Paulo. Se eu for dizer a você o tanto de gente que frequenta aqui, você não vai acreditar ”, conta a rezadeira.</p>



<p>Essa não é primeira vez que visito a casa de orações de dona Helena. Quem primeiro me levou até lá foi o meu amigo e conterrâneo Augusto Moraes, jornalista de sensibilidade admirável. Desde a nossa última visita, muita coisa mudou. O local onde acontecem as reuniões, que, no início, era improvisado num pequeno quarto pegado à casa de dona Helena, foi reformado e ganhou mais espaço. As fotografias de fiéis que tomavam as paredes do antigo quartinho &#8211; agora todo pintado de branco &#8211; foram retiradas e guardadas.</p>



<p>Parece uma casa nova, onde, inclusive, dona Helena se prepara para encerrar a sua missão. Ela pretende passar o seu posto para José Mateus, um de seus 17 netos. Dos descendentes da rezadeira, ele é o único que, segundo ela, demonstra ter nascido com o mesmo dom. “Ela me descobriu quando eu tinha 12 anos. Eu via e escutava muitas coisas, quando era pequeno. Cansava de ver. Era vulto, voz. Sonhava com muitas coisas. A minha mãe dizia que era coisa da minha cabeça, até eu contar a vó Helena. Quando comecei a frequentar as reuniões, os guias espirituais dela me revelaram como o sucessor”, conta Mateus.</p>



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	                                        <p class="m-0">O neto José Mateus, de 17 anos, é o herdeiro espiritual de dona Helena. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Quando conversamos, Mateus estava se preparando para ir até Custódia, fazer a primeira prova do Enem deste ano. Ele quer ser psicólogo e deseja manter a casa de orações ativa mesmo depois de se formar. “Acredito que eu não poderei atender todos os dias, como minha vó atende, mas quero manter a casa aberta. E ela também vai continuar rezando de olhado, benzendo as pessoas. Só não vai poder mais fazer os trabalhos com os seus guias espirituais”.&nbsp;</p>



<p>Os guias espirituais a que Mateus se refere seriam os espíritos de duas das oito beatas que viviam em torno do padre Cícero Romão, Maria de Araújo e Joanna Tertulina de Jesus (a beata Mocinha), frequentemente citadas como testemunhas dos supostos milagres do padre do Juazeiro. Dona Helena &#8220;trabalhou&#8221; com a beata Maria Araújo durante 18 anos e, depois, seguiu com a beata Mocinha, com quem &#8220;trabalha&#8221; até hoje. Quanto aos guias espirituais de Mateus, que são outros, o rapaz diz que só poderá revelá-los quando assumir o lugar de sua avó.</p>



<p>Mateus não demonstra insegurança quando perguntado se está pronto para levar adiante a missão, o prestígio e a confiança que dona Helena conquistou. “Na verdade, eu não acho que estou pronto. Eu tenho certeza. Como a minha avó Helena sempre fala, eu nasci pronto pra isso. Eu também já não tenho escolha, tenho que estar preparado”.</p>



<p> Mesmo com o sol forte e as condições precárias das estradas de terra que dão acesso à casa da rezadeira, o seu espaço de oração nunca está vazio. Há mais de dez anos, o agricultor Manoel Oliveira, 58, morador de Rio da Barra, distrito do município de Sertânia, visita dona Helena com frequência. “Quem vem pra cá, tem que ter fé, mesmo. As estradas do jeito que estão, fica ruim pra passar carro baixo. Além da necessidade, tem que acreditar. Hoje eu vim do Rio da Barra  trazendo o meu neto para fechar o corpo. Com dona Helena, tudo sempre dá certo”.</p>



<p>Dona Helena não cobra nenhum valor pelas consultas espirituais que oferece a quem lhe procura. Cada um retribui como quer ou como pode. “Nunca cobrei um centavo de ninguém. Já vi várias pessoas chegando aqui amarradas até com corrente de arado. Quem me deu a missão não me permite fazer isso e eu também não quero cobrar. Eu vivo pra ajudar as pessoas”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Dona Helena preparou sua casa para &#8220;encerrar sua missão&#8221;. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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