Neste ano, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Pernambuco soma pouco mais de 6,7 milhões de eleitores. As mulheres representam 53,7% do eleitorado, com mais de 3,6 milhões dos votos no estado. Ou seja, somos a principal fatia do eleitorado e o voto feminino tem força para ganhar qualquer disputa no primeiro turno.

Apesar disso, as políticas públicas voltadas para as mulheres não são muito contempladas ou lembradas pelos candidatos e candidatas em campanha. A saúde é um exemplo, como mostramos aqui.

Se as mulheres representam a maioria absoluta no eleitorado, quando falamos de candidaturas… está muito longe da igualdade. Pernambuco é o estado que tem a menor proporção de mulheres candidatas nestas eleições: 32,6% do total, só um pouquinho acima da cota de 30%. 

Das 6.868 candidatas em Pernambuco, a imensa maioria (6.614) concorre para o cargo de vereadora. Para o cargo de prefeita, há apenas 104 mulheres concorrendo, o que representa 1,51% das candidaturas femininas. 

A pesquisadora Renata Cavalcanti, do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falou aqui nesta matéria sobre a falta de apoio e recursos para que as mulheres disputem mais cargos majoritários. “Os partidos políticos usam as mulheres também como estratégia com o intuito de mostrar o quão representativos eles são. Mas, na verdade, os partidos continuam sem dar o suporte necessário às mulheres. Nas eleições de 2014, aqui em Pernambuco, para o cargo de deputado federal, 112 mulheres e 40 homens se candidataram. Mas só uma mulher se elegeu para as 25 cadeiras”.

Quando falamos de mulheres negras se candidatando, tivemos neste ano um pequeno aumento em Pernambuco. O maior aumento se deu entre as mulheres que se autodeclaram pretas: em 2016, foram 440, cerca de 7,34% das mulheres naquela eleição. Agora, são 668 mulheres pretas.

Mas participar de uma eleição não é nada fácil para as mulheres. A violência política de gênero tem várias formasElas têm enfrentado sistematicamente intimidações, ameaças de agressões sexuais, mensagens não solicitadas de fotos de órgãos sexuais masculinos, fake news, xingamentos e até discriminação dentro dos próprios partidos.

As mulheres concorrem menos e também são menos votadas. Nas últimas eleições municipais, o Brasil elegeu prefeitas em apenas 11% dos municípios. No Nordeste, apenas duas mulheres se elegeram prefeitas de capitais nos últimos 20 anos. Foi em Fortaleza e em Maceió. 

Para este domingo, vale a máxima de que não adianta só votar em mulheres. É preciso votar em mulheres que vão trabalhar por uma agenda de igualdade, de políticas públicas voltadas para a justiça social. Quer ajudar a eleger mais mulheres e fortalecer a democracia? Há algumas plataformas que divulgam candidaturas de mulheres do campo progressista, como o projeto Eu voto em negra e o Meu voto será feminista.