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	<title>Arquivos coronavírus - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:58:46 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos coronavírus - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Médico pernambucano preside entidade condenada a pagar R$ 55 milhões por propaganda do &#8220;kit covid&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 20:21:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era o início do pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil quando no dia 23 de fevereiro de 2021 vários jornais de todo o Brasil estamparam o “Manifesto pela vida &#8211; médicos do tratamento precoce no Brasil”. Era um informe publicitário do grupo chamado Médicos pela vida. Manaus já havia passado pelo colapso sem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era o início do pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil quando no dia 23 de fevereiro de 2021 vários jornais de todo o Brasil estamparam o “Manifesto pela vida &#8211; médicos do tratamento precoce no Brasil”. Era um informe publicitário do grupo chamado Médicos pela vida. Manaus já havia passado pelo colapso sem oxigênio e a variante Gama corroía o país, matando uma média de mais de mil pessoas por dia &#8211; número que ainda iria quadruplicar nas semanas seguintes. A ciência, àquela altura, já havia há muito desconsiderado o chamado “kit covid”, defendido no anúncio: o uso do vermífugo ivermectina, e de outros medicamentos, para o tratamento precoce da doença.<br><br>Agora, o dano potencial à saúde que essa onda de mentiras provocou começa a ser reparado na Justiça. Ao julgar duas ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal no Rio Grande do Sul considerou que a publicação contraria a legislação e ato normativo que tratam da propaganda e publicidade de medicamentos. Nas sentenças, a Médicos pela vida (Associação Dignidade Médica de Pernambuco &#8211; ADM/PE) e as empresas Vitamedic Indústria Farmacêutica, Centro Educacional Alves Faria (Unialfa) e o Grupo José Alves (GJA Participações) foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 55 milhões por danos morais coletivos e à saúde, nos limites de suas responsabilidades. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/reuniao-do-gabinete-das-sombras-foi-solicitada-por-medicos-pernambucanos/" class="titulo">Reunião do &#8220;gabinete das sombras&#8221; foi solicitada por médicos pernambucanos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em uma das ações, o montante do pagamento imposto pela Justiça foi de R$ 45 milhões e, na outra, a condenação foi no valor de R$ 10 milhões. Ainda cabe recursos. <br><br>A associação Médicos pela Vida tem oficialmente sede no Recife &#8211; no mesmo imóvel do consultório da ex-vereadora Vera Lopes &#8211; mas a atuação acontece na internet, com site e canais em aplicativos de mensagem. O presidente da organização é o médico oftalmologista e ex-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Antônio Jordão.</p>



<p>Durante o governo Bolsonaro, o grupo participou de várias reuniões e encontros para discutir ações contra a covid-19 &#8211; e também articulou, como mostrou a CPI da Covid, para atrasar a chegada das vacinas ao Brasil. Antônio Jordão participou até de<em> lives</em> ao lado do então presidente Jair Bolsonaro (PL).<br><br>O grupo tem médicos associados em todos os estados do Brasil &#8211; com exceção do Acre e de Roraima. Uma pesquisa publicada na revista científica <em>Ciência &amp; Saúde Coletiva</em> mapeou 209 médicos na organização &#8211; sendo apenas dois infectologistas. A maior representação era de acupunturistas e homeopatas. Em Pernambuco, 21 médicos participavam do grupo.</p>



<p>A atuação política do MPV também se deu tentando influenciar os governos e assembleias estaduais. Em Pernambuco, a convite da então deputada estadual Clarissa Tércio, médicos do grupo participaram de uma audiência pública em dezembro de 2021 da Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para defender o kit covid e questionar as vacinas. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/comissao-de-saude-da-alepe-promove-audiencia-publica-antivacina-e-youtube-retira-video-do-ar/" class="titulo">Comissão de Saúde da Alepe promove audiência pública antivacina e YouTube retira vídeo do ar</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vitamedic pagou R$ 717 mil por anúncios</strong></h2>



<p>Para a Justiça do Rio Grande do Sul, o MPF conseguiu comprovar a cumplicidade entre a Vitamedic e a Associação Médicos Pela Vida. A empresa pagou R$ 717 mil para publicação da propaganda irregular nos jornais. <br><br>O fato foi admitido pelo próprio diretor da Vitamedic, Jailton Batista, durante depoimento na CPI da Covid. A empresa ganhou muito dinheiro na pandemia: o faturamento da Vitamedic com a venda de caixas de comprimidos de ivermectina em 2020 foi de cerca de R$ 469,4 milhões. O valor foi 2.925% superior ao faturamento de 2019 informado pela empresa, de R$ 15,5 milhões. Os dados foram divulgados pela CPI da Covid, em junho de 2021.</p>



<p>Já a Unialfa mantinha no ar o site do Médicos pela vida. Tanto a Unialfa como a Vitamedic fazem parte do Grupo José Alves, de Goiás.</p>



<p>Ao justificar o valor imposto nas sentenças, a Justiça do RS asseverou que “a só e pura publicidade ilícita de medicamentos, pelos riscos do seu uso irracional, já representa abalo na saúde pública e sua essencialidade impõe a devida reparação”. </p>



<p>A ação foi voltada para o informe publicado no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e não abarca outros estados onde o material mentiroso foi divulgado. Jornais de grande circulação nacional, como Folha de S. Paulo e O Globo, também publicaram o informe do MPV, o que, na época, levou a uma nota de repúdio de artistas e intelectuais. </p>



<p></p>
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			</item>
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		<title>Depois de mais de 3 anos, OMS retira alerta máximo da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/depois-de-mais-de-3-anos-oms-retira-alerta-maximo-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 May 2023 19:09:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[OMS]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em março de 2020 o mundo viveu o início de um pesadelo. Naquele mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou que a covid-19, ainda uma incompreendida pneumonia viral, era uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto alerta para uma doença. Rapidamente, o vírus Sars-Cov-2 se espalhou por todo o mundo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em março de 2020 o mundo viveu o início de um pesadelo. Naquele mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou que a covid-19, ainda uma incompreendida pneumonia viral, era uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto alerta para uma doença. Rapidamente, o vírus Sars-Cov-2 se espalhou por todo o mundo, causando oficialmente cerca de sete milhões de mortes, com 10% delas no Brasil. Nesta sexta-feira (05), mais de três anos depois, a OMS retirou a emergência de saúde da covid-19.</p>



<p>“Naquela época (março de 2020), fora da China, havia menos de 100 casos relatados de covid-19 e nenhuma morte relatada. Nos três anos desde então, a covid-19 virou nosso mundo de cabeça para baixo. Quase 7 milhões de mortes foram relatadas à OMS, mas sabemos que o número é várias vezes maior – de pelo menos 20 milhões&#8221;, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.</p>



<p>Para decretar o fim da emergência, a OMS analisou a conjuntura do último ano. “Por mais de um ano, a pandemia está em tendência de queda, com a imunidade da população aumentando devido à vacinação e infecção, a mortalidade diminuindo e a pressão sobre os sistemas de saúde diminuindo. Essa tendência permitiu que a maioria dos países voltasse à vida como a conhecíamos antes”, disse.</p>



<p>O Comitê de Emergência da OMS encerra os trabalhos, mas se cria um Comitê de Revisão, para desenvolver recomendações permanentes de longo prazo para os países sobre como gerenciar a covid-19 de forma contínua. É a primeira vez que um comitê desse tipo é criado após o fim de uma emergência.</p>



<p>Tecnicamente, o fim da covid-19 como uma emergência global não significa o fim da pandemia. A doença segue afetando muitos países e não está em um nível tão baixo para ser considerada uma endemia: em abril foram mais de 17 mil mortos pela doença no mundo, levando em conta só os casos oficiais. Assim como a Aids, descoberta há quatro décadas, a covid-19 segue sendo uma pandemia.</p>



<p>“Este é um momento de celebração. Chegamos a este momento graças à incrível habilidade e dedicação abnegada dos profissionais de saúde e assistência. A inovação dos pesquisadores e desenvolvedores de vacinas; as duras decisões que os governos tiveram que tomar diante das mudanças nas evidências; e os sacrifícios que todos nós fizemos como indivíduos, famílias e comunidades para manter a nós mesmos e uns aos outros seguros. Em outro nível, este é um momento de reflexão. A covid-19 deixou &#8211; e continua deixando &#8211; cicatrizes profundas em nosso mundo. Essas cicatrizes devem servir como um lembrete permanente do potencial de surgimento de novos vírus, com consequências devastadoras”, afirmou Adhanom.</p>



<p>O último <a href="https://www.cievspe.com/_files/ugd/3293a8_88c56ce8a2c44a1eb99290e69dbdcd65.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">boletim da covid-19 em Pernambuco</a> não registrou nenhum óbito confirmado e 32 novos casos, em uma semana. Desde o início da pandemia, foram 22.787 mortes confirmados em Pernambuco e mais de 1,1 milhão de casos. </p>



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<h2 class="wp-block-heading">Lula pede que população se vacine</h2>



<p>Em postagem nas redes sociais, o presidente Lula lamentou o negacionismo da ciência durante o governo Bolsonaro. &#8220;Infelizmente, o Brasil passou da marca de 700 mil mortos pelo vírus. E acredito que ao menos metade das vidas poderiam ter sido salvas se não tivéssemos um governo negacionista&#8221;, publicou. &#8220;Vidas perdidas pela negação da ciência. Por um governo que não comprou vacinas logo quando foram ofertadas ao país e incentivou o uso de remédios sem comprovação científica.&#8221;</p>



<p>Lula também aproveitou para pedir que a população se vacine. Desde o dia 24 de abril o Ministério da Saúde liberou a vacina bivalente para pessoas com mais de 18 anos. No Recife, não é preciso agendar para tomar a vacina nos postos de saúde. &#8220;Apesar do fim do estado de emergência, a pandemia ainda não acabou. Tomem as doses de reforço e não deixem de ter o esquema vacinal sempre completo. E o governo federal irá incentivar a saúde, ciência e pesquisa no nosso país. Irá atuar para preservar vidas&#8221;, escreveu Lula no twitter. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Covid-19 segue sendo doença a ser evitada</h3>



<p>A divulgadora científica e biomédica Mellanie Fontes-Dutra recebeu a notícia do fim da emergência em saúde com um misto de sentimentos. &#8220;Um alívio por chegarmos nesse cenário em que podemos dizer que a emergência finalizou, e tudo isso foi graças a um esforco global em prol da vacinação e da conscientização sobre riscos do vírus e como nos proteger dele. Porém, uma tristeza que é difícil de cessar, por todas as vidas perdidas e que poderiam estar entre nós se nossa reposta, por vezes, tivesse sido mais rápida, mais assertiva e com menos propagação de desinformação como vimos na pandemia da COVID-19 &#8211; e seguimos vendo&#8221;, afirmou à Marco Zero. </p>



<p>Mellanie espera que o mundo possa se preparar melhor para as próximas pandemias.  E que lembra que não se deve subestimar os agentes infecciosos  &#8220;Fizemos isso com a covid-19 no início da pandemia e vimos o horror que foram as diversas ondas do vírus e suas versões, enquanto ainda não tínhamos a vacinação pra nos ajudar a proteger dele. O preparo ideal é aquele que evita a pandemia. Portanto, aprendizados sobre investir em ciência, em vigilância genômica desses e de outros agentes infecciosos de interesse conhecidos e novos, além de preparar estratégias e contramedidas para um eventual surto é imperativo. Além disso, a conscientização da população pra evitar os riscos de exposição também são extremamente importantes&#8221;, enumera.</p>



<p>O imunologista e pesquisador Gustavo Cabral reforça que os investimentos em ciência seguem sendo extremamente necessários. “A doença está disseminada no mundo inteiro, mas só o fato de ter saído dessa emergência é um alívio enorme. Mas tem o outro lado: espero que isso não afete o desenvolvimento científico. Quando estamos em uma emergência de saúde pública, o suporte e a atenção são muito maiores do que em uma situação “normal”. É natural que os investimentos caiam, só não pode diminuir a ponto de afetar pesquisas importantes para o combate da covid-19. Por exemplo, precisamos ter continuidade na atualização das vacinas. Surgem variantes e subvariantes e precisamos acompanhar isso. Os governos precisam estar atentos”, acredita.</p>



<p>Para o cientista Jones Albuquerque, a retirada do alerta da OMS poderia ter sido feito mais paulatinamente, para evitar o risco de que a covid-19 vire mais uma doença negligenciada. “Sanitariamente ainda estamos em pandemia, mas socialmente, há mais de ano, já havíamos decretado seu fim com o fim das políticas de proteção à população. Agora, pelo que parece, apenas chancelou-se isso”, criticou.</p>



<p>“Agora corremos o alto risco de termos mais uma doença negligenciada, como chamamos, na lista de de enfermidades que assolam todos os mais vulneráveis, tanto imunologicamente quanto economicamente, sem acesso a antivirais, etc. E estamos deixando o &#8220;rastro&#8221;, crescente, de centenas de milhões de sequelados pela covid-longa”, afirmou.</p>



<p>É bom sempre lembrar que a covid-19 não é uma gripe. Mesmo pessoas vacinadas podem contrair a infecção, uma vez que as vacinas disponíveis são mais eficientes contra agravamento e morte. No twitter, a médica epidemiologista Denise Garrett, do Instituto Sabin, tem alertado sobre os perigos das repetidas infecções com o vírus.</p>



<p>“Reinfecções aumentam seu risco de doenças crônicas como diabetes, doença renal, falência de órgãos e até mesmo problemas mentais. Mantenha a vacinação em dia e use máscara em lugares cheios fechados/mal ventilados”, escreveu, lembrando que a vacinação também reduz o risco da covid longa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Esse gráfico c o aumento cumulativo do risco de complicações p cada reinfecção por COVID-19 precisa circular mais. <br>Isso c 3 reinfecções. Imagina com 4, 5, 6 ou +! Destruição de tecido cerebral, problemas vasculares, doenças autoimunes etc… Parem de falar q COVID é como a gripe. <a href="https://t.co/DEPuOBLXki">pic.twitter.com/DEPuOBLXki</a></p>&mdash; Denise Garrett, MD, MSc (@dogarrett) <a href="https://twitter.com/dogarrett/status/1652993688707149824?ref_src=twsrc%5Etfw">May 1, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Secretaria Estadual de Saúde deixa de publicizar boletins e imprensa não publica mais dados da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/secretaria-estaduall-de-saude-deixa-de-publicizar-boletins-e-imprensa-nao-publica-mais-dados-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 23:16:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Notou que os números sobre a covid-19 em Pernambuco sumiram do noticiário? Não é porque a pandemia acabou. Infelizmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declarou ainda o fim da pandemia iniciada em março de 2020. Também não é porque os números em Pernambuco estão tão baixos que nem precisam mais ser divulgados. Foram [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Notou que os números sobre a covid-19 em Pernambuco sumiram do noticiário? Não é porque a pandemia acabou. Infelizmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declarou ainda o fim da pandemia iniciada em março de 2020. Também não é porque os números em Pernambuco estão tão baixos que nem precisam mais ser divulgados. Foram 12.704 novos casos e 27 óbitos nestes 20 dias de 2023. Nas últimas duas semanas, Pernambuco é o estado do Nordeste com mais números de casos e o sétimo no Brasil.</p>



<p>A impressão de que a covid-19 sumiu do mapa por aqui pode ser porque desde o dia 30 de dezembro o Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Saúde, não envia mais os resumos dos boletins para a imprensa. Também não faz mais a publicação dos boletins nas redes sociais, como fazia desde o início da pandemia. Com isso, as notas em sites locais de jornalismo e os posts nas redes sociais desses veículos pararam de falar sobre a situação da pandemia em Pernambuco.</p>



<p>A média móvel dos últimos sete dias no Brasil está hoje em 11 mil novos casos, bem abaixo dos 40 mil casos de um mês atrás. Mas é comum que haja uma queda nos dados e na divulgação em começos de ano. Isso aconteceu com as trocas de prefeituras em 2020/2021 e com o apagão de dados do SUS no começo de 2022. Mas os números baixos ou estáveis eram uma ilusão: em 2021, era a subida da onda da variante Gama, que causou a maior onda de mortes no Brasil, e no ano passado foi o tsunami da Ômicron, que cancelou o carnaval daquele ano, que antes era dado como certo.</p>



<p>No começo deste quarto ano de pandemia há algumas diferenças, mas o acompanhamento e a divulgação dos dados seguem imprescindíveis. Analisando desde março de 2020 os números da pandemia, Isaac Schrarstzhaupt, da Rede Análise, torce para que dessa vez essa relativa baixa seja mesmo um reflexo do mundo real. “Agora, o que estamos vendo é também uma queda nas testagens. Um dado que seria bom seria o da pesquisa dos sintomas da Universidade de Maryland com o Facebook, mas foi descontinuada. Óbitos e hospitalizações geralmente são dados sólidos, e o que estamos vendo hoje é também uma queda. Mas estamos em trocas de governo, com trocas de equipes, o que pode ter um impacto nos dados que estamos vendo”, adverte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gráfico do site https://covid19br.wcota.me com dados disponibilizados pelas secretarias de saúde </p>
	                
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<p>O cientista Jones Albuquerque, do Instituto de Redução de Riscos e Desastres (IRRD), alerta para o fato de que o <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">risco pandêmico</a> &#8211; que alerta quando a situação pode sair de controle &#8211; não está baixo em Pernambuco. “O risco pandêmico estava em queda, fato, mas tanto mundialmente como em Pernambuco esse risco se acende novamente”, diz. “O que observamos no Brasil é que desde o dia 18 de outubro a quantidade de mortes por milhão está em crescimento. Também percebemos que nosso melhor momento em Pernambuco foi entre 7 e 13 de outubro, no qual chegamos ao menor índice de risco. Mas mesmo assim, ainda alto”, afirma.</p>



<p>As vacinas conseguiram derrubar as mortes por covid-19, o que garantiu um certo retorno à normalidade. Mas ainda não são eficazes em barrar a infecção, o que exige a adoção de outras medidas. “<a href="https://www.nature.com/articles/s41579-022-00846-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um artigo publicado na Nature </a>mostra que pelo menos 65 milhões de pessoas estão com covid longa mundo afora. A pandemia, de fato, ainda é um problema. Se não adotarmos distanciamento, máscara em ambiente fechado, higienização e vacinação não vamos nos livrar da covid-19”, diz Jones.</p>



<p>O cientista também lamenta que a falta de relatórios diários é algo que está acontecendo em várias cidades, estados e países. O Cievs da Prefeitura do Recife, por exemplo, agora só divulga relatórios semanais. “Parece que a comunicação com a população sobre os riscos da covid-19 foi nosso grande erro durante esta pandemia. E isso é uma infelicidade, porque a população está cada vez mais acreditando que a pandemia acabou”.</p>



<p>Isaac Schrarstzhaupt afirma que os dados têm que ser “superdivulgados”. E faz uma analogia em que explica o porquê disso. “Pensa nos aplicativos sobre o tempo no celular. Não é bom saber que há, por exemplo, 40% de chuva em tal dia? Quando a gente vê esses dados sobre o clima, até por hora, a gente consegue tomar decisões melhores. Com os dados epidemiológicos de doenças é a mesma coisa. Se vamos fazer um evento, se vamos para um local fechado, a melhor coisa é entender efetivamente o que está acontecendo”, afirma.</p>



<p>Os boletins eram enviados diariamente para a imprensa e nas redes da SES-PE desde o início da pandemia. Nos últimos meses, passaram a ser em dias úteis. Com a mudança do governo de Paulo Câmara (PSB) para Raquel Lyra (PSDB) pararam de ser enviados. Não é algo transitório, mas uma decisão da SES-PE.</p>



<p>A Marco Zero questionou a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco sobre o motivo do boletim não estar sendo mais enviado. Não houve resposta. O que a secretaria informou, sem explicar o motivo da mudança, foi que desde o dia 4 de janeiro (na verdade, o último boletim divulgado foi no dia 30/12/2022) o boletim passou a ser disponibilizado na plataforma do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), no link: <a href="https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Casos de covid-19 somem da imprensa pernambucana</h2>



<p>A falta dos boletins na mídia é um problema, claro, também do jornalismo. Há como conseguir essas informações diariamente, mas elas estão com o acesso mais complicado. Ao invés de receber os boletins mastigadinhos, os jornalistas (ou qualquer pessoa interessada) agora têm que entrar no <a href="https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do Cievs</a>, ir até uma longa lista de boletins e acessar o boletim epidemiológico do dia, algo feito para pessoas da área de saúde. Com a crise do jornalismo local, as redações estão cada vez menores e os boletins feitos para divulgação na imprensa facilitavam muito que essa informação chegasse até a população em geral.</p>



<p>Os perfis de instagram da Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio acumulam, juntos, quase 2,5 milhões de seguidores. Não há nenhuma postagem deste ano sobre covid-19 em Pernambuco. Nas poucas postagens sobre o assunto em dezembro, a maioria se baseava justamente nos boletins da SES-PE enviados à imprensa.</p>



<p>No painel de dados do Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, divulgado pelo G1, Pernambuco aparece como um estado sem informações disponíveis. Além de Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Piauí e Paraíba também aparecem como estados sem divulgação dos dados.</p>



<p>No instagram oficial da SES-PE, o último boletim divulgado foi no dia 30 de dezembro, mesmo dia que o último boletim foi enviado para a imprensa. Há alguns comentários cobrando os boletins atualizados: “Não nos deixem na ignorância. Mais transparência”, pede uma mulher.</p>



<p>A jornalista, pesquisadora e professora de Jornalismo e Direitos Humanos Andrea Trigueiro, que por dois mandatos presidiu a comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope), acredita que os boletins ajudam a pautar a imprensa e, assim, levar a informação para a população.</p>



<p>&#8220;No estado democrático de direito, a imprensa tem papel fundamental como o lugar que vai publicizar informações relevantes de interesse público. O que é diferente do interesse do público. É o que diz respeito a toda sociedade. Claro que o papel do jornalismo é ir atrás dessas informações, mas quando o governo não disponibiliza essas informações de forma acessível, a transparência fica comprometida”, afirma. “É a partir da real situação da moradia, da saúde, da educação, segurança etc que a sociedade pode monitorar as políticas públicas. Mesmo com os processos de descredibilização da imprensa, a população ainda confia e acredita na imprensa. Quando um problema não está mais na imprensa, é como se esse problema não existisse mais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Kraken em Pernambuco?</h2>



<p>Uma vez ao mês, os boletins com casos e óbitos diários de covid-19 eram acompanhados também da situação das variantes do Sars-cov2 no estado. Esse boletim dava visibilidade à parceria com o trabalho da Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um projeto ainda em andamento para monitorar as variantes no Brasil.</p>



<p>As amostras de sangue analisadas pela Fiocruz-PE para o sequenciamento genético e a identificação do tipo da variante são de um laboratório da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), órgão da SES-PE. Os dados mais recentes disponíveis na <a href="https://www.genomahcov.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">plataforma da Rede Genômica</a> são de dezembro de 2022, já que leva algum tempo para analisar e processar esses dados, que são divulgados uma vez por mês.</p>



<p>Na sexta-feira passada, dia 13, a Fiocruz emitiu uma nota alertando para uma mudança: um aumento considerável de amostras sem a mutação Spike_69/70del, comum nas linhagens anteriores, do que se concluiu que essas amostras correspondem à linhagem XBB.1. É ela que foi batizada de Kraken &#8211; um gigantesco monstro da mitologia nórdica &#8211; e é considerada a mais transmissível já encontrada até agora.</p>



<p>Mas não há motivo para pânico: a OMS não considera que essa linhagem possa gerar uma doença mais grave, ainda que apresente um escape maior do sistema imune, seja por vacinação e/ou infecção prévia. “A Kraken tem se espalhado e aumentado o número de casos majoritariamente nos Estados Unidos. No Brasil, temos algumas detecções, em alguns estados. Em Pernambuco não detectamos a Kraken em dezembro e já estamos fazendo o sequenciamento de algumas amostras do início de janeiro e até agora não temos evidência de detecção dessa subvariante”, afirmou o pesquisador da Fiocruz-PE Gabriel Wallau, coordenador da Rede Genômica da Fiocruz em Pernambuco.</p>



<p>Em Pernambuco são duas as linhagens dominantes, de acordo com levantamento de dezembro &#8211; que não veio nos boletins, inexistentes. “São a BQ1 e BQ1.1, que são muito parecidas, e a DL1, que provavelmente surgiu em Pernambuco. Também é uma subvariante da Ômicron, que aumentou bastante de frequência no estado e se espalhou pelo Nordeste e também um pouco no Sudeste”, explica Wallau.</p>



<p>Para ele, é importante, sim, divulgar amplamente os dados sobre a covid-19, mas talvez não da forma que estava sendo feito até pouco tempo atrás. “Atualmente eu acredito que a covid-19 deveria entrar na comunicação corriqueira que já era feita para outros agravos. Como deveremos ter um período de endemicidade, com o Sars-cov2 infectando a população de tempos em tempos, entraria como mais um agravo. Mas todos os agravos devem ser amplamente divulgados: para que a população consiga se precaver e agir de acordo”, afirma.</p>



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		<title>Quanto tempo vai durar a onda da variante ômicron no Brasil?</title>
		<link>https://marcozero.org/quanto-tempo-vai-durar-a-onda-da-variante-omicron-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2022 23:52:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[omicron]]></category>
		<category><![CDATA[onda]]></category>
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		<category><![CDATA[variante omicron]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A onda da ômicron chegou como um tsunami. Nas últimas semanas, parece que todo mundo está com covid-19. Os centros de testagens vivem lotados, ambulatórios cheios e com filas enormes. Até nas farmácias está difícil conseguir um teste rápido.Há 15 dias, no dia 7 de janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco registrava 683 [&#8230;]</p>
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<p>A onda da ômicron chegou como um tsunami. Nas últimas semanas, parece que todo mundo está com covid-19. Os centros de testagens vivem lotados, ambulatórios cheios e com filas enormes. Até nas farmácias está difícil conseguir um teste rápido.<br><br>Há 15 dias, no dia 7 de janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco registrava 683 casos de covid-19. Há uma semana, 1,5 mil. Desde quarta-feira (19) esse número se mantém acima de 2,2 mil casos por dia, mesmo com toda a dificuldade da população em conseguir fazer o teste.<br><br>Essa aceleração era esperada. Acredita-se que a nova variante, que já responde por 90% dos casos no estado, tenha um poder de infecção de 5 a 10 vezes maior que a delta. No mundo, foram registrados na quarta-feira 4,23 milhões de casos de covid-19, um novo recorde. Desde o dia 23 de dezembro, a ômicron vem quebrando recorde atrás de recorde em número de casos, de acordo com dados do <em><a href="https://ourworldindata.org/">Our World in Data</a></em>.</p>



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	                                        <p class="m-0">Análise do IRRD coloca o estado de Pernambuco em alto risco de infecção para o SarsCov-2. Imagem: IRRD</p>
	                
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<p>A onda de ômicron tem uma aceleração vertiginosa. Não é uma curva, é uma reta para cima. Para se ter uma ideia, antes da ômicron o recorde diário de casos nos Estados Unidos havia sido de 280 mil em um só dia. Há uma semana, o país marcava perto de 1 milhão de casos diários.<br><br>Na África do Sul, onde a ômicron foi identificada pela primeira vez, a ascensão durou menos de um mês. Foi de uma média de 400 casos diários em 20 de novembro para 20 mil casos em 20 de dezembro. &#8220;Monitoro epidemias desde 2005 e nunca vi uma curva assim&#8221;, diz o epidemiologista de dados Jones Albuquerque, da Universidade Federal Rural de Pernambuco e do Instituto Para Redução de Riscos e Desastres em Pernabuco (IRRD-PE).<br><br>Do mesmo jeito que subiu na África do Sul, a ômicron caiu. O pico durou poucos dias e a onda já dá sinais de que ficou para trás. Há diversos especialistas que acreditam que o Brasil pode repetir esse padrão: uma onda forte, com recordes de casos, mas curta.</p>



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	                                        <p class="m-0">&#8220;Aqui a África do Sul mostrando que os picos anteriores foram todos rápidos, mostrando que houve algo para interrompê-los&#8221;. afirma Isaac Schrarstzhaupt. Imagens: Rede Análise Covid-19</p>
	                
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<p>O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, deu algumas entrevistas afirmando que, possivelmente, no final de fevereiro o pior já deve ter passado. O infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda também tem apostado em uma onda curta, seguindo os modelos de outros países.<br><br>Mas o Brasil não é todo mundo: o país tem tido um comportamento único ao longo da pandemia da covid-19. &#8220;Aqui não tivemos ondas com alto e baixos. Mas longos platôs, com picos que se prolongaram por semanas, meses&#8221;, lembra Jones Albuquerque. &#8220;Parece que vamos repetir as perguntas do começo da pandemia, quando subimos o número de casos e não baixamos mais&#8221;, diz.</p>



<p>Para o coordenador na Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt, para uma onde ser curta ela tem de &#8220;ou ser interrompida ou ser tão forte a ponto de infectar todos os suscetíveis de uma vez só&#8221;. A primeira opção parece longe da realidade brasileira. &#8220;Aqui no Brasil nunca tivemos interrupções coordenadas da transmissão, apenas algumas tentativas que mesmo assim foram executadas tarde demais &#8211; quando já tínhamos UTIs lotadas, o que significa que a transmissão já estava rolando solta há tempos. Desta forma, eu acredito que para essa onda ser curta, apenas se ela infectar todo mundo muito rapidamente&#8221;, afirma Schrarstzhaupt.<br><br>Mas há um risco alto na aposta de uma onda ômicron seguindo seu curso natural. Não só pelo fato de uma altíssima demanda por leitos de hospitais e de UTIs, mas porque isso também prolongar a onda, em um patamar nunca antes visto. &#8220;Vamos supor que Pernambuco chegue a 10 mil casos por dia. Em uma população de 9,2 milhões de pessoas, quando tempo isso não poderia durar?&#8221;, questiona Jones. &#8220;É preciso se tomar atitudes para controlar a explosão do vírus&#8221;, diz.</p>



<p>Para se fazer a comparação entre os países, tem que se levar em conta vários fatores e não apenas o gráfico da ômicron, diz Isaac. &#8220;A África do Sul, por exemplo, teve não só essa, como todas as ondas anteriores muito mais curtas que os outros países, o que indica que elas foram interrompidas com medidas e/ou comportamento correto da população. O gráfico deles é muito instrutivo. Já no Reino Unido, a queda já está querendo começar a desacelerar de novo, como aconteceu na Áustria e na Alemanha (caiu rápido e subiu rápido novamente, em um pico após o outro). O que isso quer dizer? Que são tantos fatores simultâneos que colaboram para o comportamento da curva que não podemos nos fiar apenas nos países que a curva caiu para &#8216;torcer&#8217; que melhore&#8221;, diz.<br><br>Mesmo sendo uma variante mais &#8220;leve&#8221; que a delta, como a capacidade de infectar pessoas é potencializada na ômicron, ela ainda pode colapsar os sistemas de saúde. Em completamente vacinados, se estima que a ômicron leve 5% para o hospital e mate 0,1%, percentuais próximos aos da gripe. O <a href="https://covid19.healthdata.org/global?view=infections-testing&amp;tab=trend&amp;test=infections" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washigton </a>calculou que, até o final de março, metade da população mundial pode ser contaminada pela ômicron, o que, seguindo esses percentuais, daria 4 milhões de mortes e 200 milhões de pessoas, quase um Brasil, precisando de atenção hospitalar. O IHME projeta que o Brasil volta a ter mais de mil mortes diárias pela covid-19 nas primeiras semanas de fevereiro, com estabilização em um patamar baixo no final de março. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Regiões do Brasil sincronizadas</h2>



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<p>Outro fator faz com que os pesquisadores fiquem receosos em cravar uma onda mais curta: historicamente, a maior circulação dos vírus respiratórios começa por volta de março e se estende pelo inverno. Em 2020 e 2021 o SarsCov-2 seguiu mais ou menos esse padrão, mas não agora com a explosão em pleno janeiro. &#8220;Estamos entrando novamente em um início de ano com aumento na curva de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), o que é totalmente atípico levando em conta 2019 para trás&#8221;, conta Issac.<br><br>No Twitter, <a href="https://twitter.com/schrarstzhaupt/status/1483781555797516292?s=20" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ele fez um fio mostrando como o padrão de SRAG</a> (sigla que significa, a grosso modo, toda doença respiratória que necessita de internação hospitalar) foi mudado pela covid-19, e ainda mais acentuado pela ômicron.<br><br>Na coletiva de imprensa da Secretária Estadual de Saúde na quarta-feira passada, o secretário André Longo reforçou que as próximas três ou quarto semanas continuarão difíceis. Mas também lembrou que, em março, costuma começar em Pernambuco a circulação mais forte de vírus respiratórios sazonais. E de covid. &#8220;De março a maio são os meses mais complicados em Pernambuco. Esperamos que o que estamos vendo agora seja uma antecipação desse período, mas não não sabemos como vai ser a circulação destes vírus na nossa sazonalidade. O H3N2 pode voltar, assim como a covid-19 e outros vírus respiratórios&#8221;, afirmou Longo, na coletiva. O Instituto Butantan já está produzindo a vacina atualizada contra a gripe, que vai incluir a variante Darwin da cepa H3N2, responsável pela atual epidemia de gripe, mas a vacinação só deve começar em março, para grupos prioritários.<br><br>Além da possibilidade da ômicron emendar com outros vírus sazonais ou da onda se estender por mais tempo, outro risco que os especialistas veem é a sincronia entre as regiões brasileiras. Se na crise da falta de oxigênio no ano passado no Amazonas outros estados estavam em situação menos caótica e puderam socorrer, nesse ano, ao que tudo indica, o Brasil todo vai viver semanas de alta demanda.<br><br>&#8220;Acredito que devido à alta transmissibilidade dessa variante somada com a alta mobilidade das pessoas nessas férias de final de ano (ainda maior do que a da virada de 2020 para 2021) possa ter desencadeado um espalhamento que seja nacional e muito mais rápido. Se olharmos região por região nos gráficos vemos que a reversão de tendência de óbitos, por exemplo, é diferente em cada região do Brasil (no Centro Oeste começou antes do Natal, no Sudeste começou na primeira semana de janeiro), mas essa diferença é muito menor do que nas outras ondas, e isso me parece devido à alta transmissibilidade aliada à alta mobilidade das pessoas&#8221;, afirma o coordenador da Rede Análise Covid-19 .<br><br>O mais recente <a href="https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u34/resumo_infogripe_2022_02.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">boletim InfoGripe da Fiocruz</a>, que analisa os casos de SRAG do Brasil, foi publicado hoje e dá mostras dessa sincronia, com H3N2 misturada com covid-19: 22 das 27 Unidades da Federação apresentam ao menos uma macrorregião de saúde com nível de casos semanais de SRAG considerado muito ou extremamente alto. </p>



<p>&#8220;A covid-19 quebrou o conceito de sazonalidade, mas pode ser que, após a onda da ômicron, comece um declínio. A torcida é de que as próximas variantes sejam ainda menos letais e que as vacinas sejam logo atualizadas. Mesmo assim, não acredito que essa seja a última onda da covid-19, nem a última variante. Não sabemos como o vírus vai se comportar após uma onda tão grande como essa&#8221;, afirma Jones Albuquerque.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Segunda onda da covid e infecções respiratórias sazonais sobrecarregam hospitais pediátricos</title>
		<link>https://marcozero.org/segunda-onda-da-covid-e-infeccoes-respiratorias-sazonais-sobrecarregam-hospitais-pediatricos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2021 20:04:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[colapso na saúde]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi um fim de semana de caos no Hospital Barão de Lucena, uma das três emergências de porta aberta especializadas em pediatria no Recife. Em certo momento, a área de observação e de linha vermelha, que tem capacidade para 15 crianças, contava com 33, algumas em estado grave, todas dividindo o mesmo ambiente. A gota [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi um fim de semana de caos no Hospital Barão de Lucena, uma das três emergências de porta aberta especializadas em pediatria no Recife. Em certo momento, a área de observação e de linha vermelha, que tem capacidade para 15 crianças, contava com 33, algumas em estado grave, todas dividindo o mesmo ambiente. </p>



<p>A gota d&#8217;água foi a morte de um bebê de pouco mais de dois meses, que já chegou em estado grave. Não havia UTI de imediato e o bebê faleceu antes da solicitação por um leito ser atendida. A equipe da pediatria reagiu. Cansados das cobranças sem sucesso feitas à direção do hospital, foram para a imprensa. Várias matérias em sites e canais de televisão mostraram a situação alarmante do hospital, referência para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e covid-19 em crianças.<br><br>Alertada desde o final do ano passado sobre o risco de colapso por causa da mistura explosiva da sazonalidade das doenças respiratórias mais o recrudescimento da pandemia da covid-19, a Secretaria Estadual de Saúde só conseguiu abrir mais 10 leitos de UTI pediátrica no Instituto Materno Infantil (IMIP) na segunda-feira, 15 de março, logo após o fatídico fim de semana. Poucos dias depois, a ocupação já beira a metade.<br><br>No mesmo dia, chegaram também alguns insumos e medicamentos que estavam em falta no Hospital Barão de Lucena. E a Secretária de Saúde emitiu uma nota afirmando que Pernambuco conta com 143 leitos voltados para bebês e crianças acometidas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 51 leitos de UTI. &#8220;As estratégias para ampliação de leitos para crianças têm sido implementadas desde o final do ano passado, com abertura de vagas e reestruturação da rede, além de diálogo permanente com as entidades de classe sobre o cenário epidemiológico do novo coronavírus&#8221;, diz a nota, que também orienta à população a procurar as UPAs em casos leves.<br><br>A equipe do hospital novamente reagiu. Médicas, enfermeiras e técnicas de enfermagem emitiram uma nota, que soa mais como um desesperado desabafo, que deixa transparecer a exaustão da equipe: &#8220;Falta medicação e insumo sim, principalmente os de maior necessidade na hora de uma emergência. E só sofrem reparos pontuais quando passamos por situação de risco para o paciente e a equipe GRITA pedindo ajuda! O HBL não funciona de forma adequada. Ele tem padrão de tapar o sangramento com o dedo… ou tapar o sol com a peneira como diz o dito popular! &#8220;, afirma a nota.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Fechamento da urgência pediátrica da Maternidade Barros Lima sobrecarregou HBL (Crédito: equipe HBL)</p>
	                
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<p><br><br>Um dos pontos levantados pelos profissionais é o fechamento da urgência pediátrica da Maternidade Barros Lima para dar lugar a leitos de covid-19 para adultos. A Covid-19, por ora, parece não ter tanta demanda pediátrica. A SES diz que &#8220;dos 164 pacientes pediátricos com sintomas respiratórios atendidos no mês de fevereiro, apenas 6,5% teve resultado confirmado para Covid-19&#8221;.<br><br>A equipe, porém, rebate: &#8220;Não importa se é virose da época ou covid-19, o problema é ficar grave, morrer ou não! Os indicadores expressam números totais. Na vida real, esses números se concentram em picos de atendimento que, pelo espaço físico pequeno, material e insumos &#8211; há anos defeituosos e antigos e com manutenção precária e insuficientes para a demanda &#8211; , esses 143 leitos voltados para bebês e crianças não estão dando conta! E nunca deram conta nesse período específico sazonal do ano, não só agora com a pandemia, não! As estratégias para ampliação de leitos para crianças desde o ano passado não tem sido suficiente nessa nova fase da pandemia&#8221;, diz a nota.<br><br>Uma médica pediátrica que dá plantão no HBL relata uma situação de superlotação, com falta ou má qualidade dos insumos, entre eles monitores e tubos de entubação orotraqueal. &#8220;Só temos as máscaras não reinalantes para as crianças porque a equipe de pediatras já fez duas cotas e comprou. &#8220;, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/atentos-aos-sintomas-mas-sem-panico-sindrome-inflamatoria-em-criancas-e-rara/" class="titulo">Atentos aos sintomas, mas sem pânico: Síndrome Inflamatória  em crianças é rara</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Como todo paciente que chega com sintomas respiratórios é considerado suspeito para covid-19, ficam todos juntos no mesmo espaço. &#8220;Esse período sempre temos crises de asma e começam as viroses da época, sendo mais comuns os vírus sincicial respiratório e H1n1, porque ainda temos uma parcela das crianças não vacinadas. Essa lotação que estamos vendo traz vários riscos. Com um leito em cima do outro aumentam as chances de contaminação entre os pacientes e seus acompanhantes, além de expor a equipe de funcionários também&#8221;, denuncia.<br><br>Com as UPAS cheias e o fechamento da Barros Lima &#8211; seus profissionais foram remanejados para o Hospital Helena Moura sem que houvesse adaptação ou extensão física daquele local &#8211; o HBL está concentrando a maioria dos casos. &#8220;Estão chegando alguns casos mais graves, mas é o normal dessa época do ano, mas agora todo estado manda pra um hospital só. Aumentaram de fato um andar, com 20 leitos, mas desde o começo da pandemia esse andar já está lotado. Então, sobra para o pronto socorro. Resumo: o mesmo hospital que virou referência em covid-19, mesmo tendo condições precárias para isso, abre a boca pra dizer que não deixa de atender ninguém, mas a um custo grave na qualidade desse atendimento, colocando as pessoas em risco. E continua recebendo os recém nascidos que vem do interior que não são respiratórios e que precisam de vaga de UTI neonatal&#8221;, reclama a médica, cujo nome será preservado essa reportagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Temporada de gripes e infecções</h2>



<p>De março a junho é comum que vírus respiratórios &#8211; como influenza, adenovírus e vírus sincicial &#8211; circulem entre crianças. E é comum e esperado que uma parte delas seja sintomática e precise de atendimento hospitalar. É por isso que, há anos, as emergências nesse período fiquem cheias e os atendimentos operem no limite.<br><br>Em 2019, por exemplo, foram 6 mil atendimentos de crianças nas emergências da rede estadual por mês. Em 2020, o primeiro ano da pandemia, ocorreu uma situação atípica. Sem aulas e com a mobilidade reduzida exatamente quando seria o início da circulação dos vírus respiratórios, os atendimentos a crianças com problemas respiratórios despencaram: Foram apenas 600 por mês, apenas 10% do total do ano anterior.<br><br>Mas 2021 também está sendo um ano atípico. A pandemia da covid-19 elevou o número de crianças em atendimento hospitalar em torno de 20%, como calcula o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe). No Barão de Lucena, a equipe médica estima que apenas 5% dos casos de sintomas respiratórios sejam de covid-19. É um aumento não tão expressivo, mas importante em uma situação que já estava no limite do esgotamento.<br><br>Outra diferença está no período em que se iniciaram os atendimentos respiratórios. É sim, em março, que tem início. Mas é um início devagar, com ainda poucos casos. O maior número de atendimentos começa mesmo em abril e se estende até junho. &#8220;Por razões que ainda não sabemos, nesse ano começou um mês antes. O que nos deixa bastante preocupados. Estamos neste grau de dificuldade e ainda estamos no começo&#8221;, afirma o pediatra intensivista Walber Steffano, vice-presidente do Simepe.<br><br>Um dano colateral da pandemia da covid-19 é a dificuldade de abrir novos leitos, seja para qual especialidade for. Um ponto crítico é que, na pediatria, há uma histórica falta de profissionais especializados tanto na equipe médica quanto na de enfermagem e auxiliares. &#8220;Estamos com equipes de enfermagem que nunca foram treinadas para parada cardíaca. É desesperador num momento de gravidade não ter a equipe funcionando preparada&#8221;, diz uma médica do HBL.<br><br>Steffano comenta que para o trabalho em UTIs essa deficiência é ainda mais severa: &#8220;Após as denúncias que fizemos à imprensa, o Governo do Estado providenciou medicações e materiais para o Barão de Lucena e conseguiu colocar os 10 leitos do IMIP para funcionar. Mas já havia cinco crianças intubadas esperando esses leitos. E acredito que até semana que vem já estarão lotados. E não temos profissionais capacitados para uma ampliação muito maior de leitos. Os profissionais estão exaustos, sem ânimo nem condições para pegar mais plantões&#8221;. <br><br>As UPAS, que deveriam ser a primeira escolha também para casos pediátricos, estão lotadas. &#8220;O que temos visto no Barão de Lucena também é um dano colateral do colapso da saúde no estado, por conta da pandemia do coronavírus&#8221;, relata Steffano.<br><br>Ele afirma que os bebês com menos de seis meses estão apresentando quadros respiratórios mais graves e alerta para as medidas de prevenção para o coronavírus &#8211; e que servem também para os demais vírus respiratórios. &#8220;Bebês abaixo de seis meses vão para as escolas? Ou saem andando pela cidade? Não, mas os pais se deslocam. Estamos tendo no máximo 20% de casos de covid-19 entre crianças com quadros respiratórios graves internadas em Pernambuco. Mas no meio do caos pediátrico, esses 20% fazem muita diferença&#8221;, diz o médico.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Variantes parecem não agravar covid-19 em crianças</h3>



<p>Na quarta-feira (17), a Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu uma nota técnica para tranquilizar sobre a situação da covid-19 em crianças e adolescentes. &#8220;Desde o começo da pandemia falamos que a covid-19 é em sua grande maioria de quadros assintomáticos ou leves em crianças. Esse levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostra que a situação não mudou, mesmo com as novas variantes circulando pelo Brasil&#8221;, explica Walber Steffano.<br><br></p>





<p>De acordo com os dados da SBP, a letalidade da doença em crianças está em queda. Quando se comparam as taxas de hospitalizações e de mortes por covid-19 em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos (grupos etários que representam mais de 25% da nossa população) no ano de 2020, com as respectivas taxas registradas no ano de 2021, observa-se que em 2020 o grupo de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos representou 2,46% do total de hospitalizações (14.638/594.587) e 0,62% de todas as mortes (1.203/191.552).</p>



<p>Em 2021, até o dia 1º de março, o percentual de hospitalizações e mortes em crianças e adolescentes foi respectivamente de 1,79% (2.057 de um total de 114.817 hospitalizações) e 0,39% (121 de um total de 30.305 mortes).<br>A ciência ainda não tem respostas sobre a proteção imunológica que as crianças têm. Mas para Steffano a queda nos índices reflete o conhecimento que se acumulou neste um ano de pandemia. &#8220;O manejo melhorou, sabemos tratar melhor os pacientes com a doença&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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		<title>Relatório inédito mostra impacto da pandemia sobre os povos indígenas de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/relatorio-inedito-mostra-impacto-da-pandemia-sobre-os-povos-indigenas-de-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 22:56:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19 indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O avanço do novo coronavírus sobre as cidades do interior de Pernambuco, ainda no ano passado, acendeu o alerta das autoridades para a proteção dos que vivem nos municípios menores e mais carentes de recursos quando comparados ao Recife. Esse cuidado, no entanto, não se estendeu aos povos indígenas, que mais uma vez tiveram que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O avanço do novo coronavírus sobre as cidades do interior de Pernambuco, ainda no ano passado, acendeu o alerta das autoridades para a proteção dos que vivem nos municípios menores e mais carentes de recursos quando comparados ao Recife. Esse cuidado, no entanto, não se estendeu aos povos indígenas, que mais uma vez tiveram que mostrar a força de sua organização para não sucumbirem à covid-19.<br><br>Barreiras sanitárias, rede de aquisição e doação de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o isolamento social &#8211; mais antiga estratégia indígena contra novas doenças &#8211; foram as medidas tomadas pelos quase 45 mil indígenas de 11 povos. Ainda assim, 73,7% sentiram o impacto da pandemia na renda, outros 39% perceberam o aumento na discriminação e mais de um terço ficaram sem ter o que comer.<br><br>As situações mais críticas são das comunidades Pankará Serrote dos Campos e Tuxá Campos, ambas em Itacuruba, e da Pankararu Brejinho da Serra, em Petrolândia. As três, além de localizadas no sertão, aguardam regularização do território, não contam com serviço de saúde nem saneamento básico e acesso à água. Cenário que, segundo os próprios indígenas, dificultam o combate à pandemia.<br><br>Os dados são do relatório “<a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/03/Estrate%CC%81gias-de-Enfrentamento-ao-novo-Coronavi%CC%81rus-entre-os-povos-indi%CC%81genas-em-Pernambuco-REMDIPE-Jan.21.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estratégias de enfrentamento ao novo coronavírus entre os povos indígenas em Pernambuco</a>” lançado nesta segunda-feira (8). O documento da Rede de Monitoramento dos Direitos Indígenas de Pernambuco (Remdipe) foi feito a partir dos dados coletados pelos próprios indígenas durante o segundo semestre de 2020, por meio de formulários eletrônicos.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1080 / 1080;" width="1080" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/03/11-comunidades-indigenas-estao-em-Pernambuco-45-mil-indigenas-aproximadamente-vivem-no-estado-837-pessoas-indigenas-foram-infectadas-pelo-coronavirus-16-indigenas-morreram-de-covid-19.mp4"></video></figure>



<p><br>Dos pontos positivos apontados pelo relatório, a Remdipe destaca o fortalecimento dos saberes populares para tratamento, diagnóstico e cura de enfermidades conduzidos pelos pajés. A rede também identificou que a maioria dos agentes de saúde indígenas, 54% dos entrevistados, avaliou como positivo o apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).<br><br>“É um documento importante para os apoiadores da causa indígena, mas também para os gestores, já que o relatório traz uma racionalidade indígena que pode ajudar e muito nas políticas públicas de saúde para essa população”, afirmou o professor Renato Athias, do Departamento de Antropologia e Museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<br><br>O relatório da Remdipe reforça ainda que há “uma realidade de preocupante invisibilidade para os casos dos indígenas que vivem nos centros urbanos e nas periferias das grandes cidades, que não estão sendo computados e, por isso, constituem parte significativa das subnotificações nas estatísticas sobre os povos indígenas no Brasil”. Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que até domingo (7), 837 indígenas haviam sido infectados pelo coronavírus e 16 morreram.</p>



<p><br><br>“Os indígenas que moram nas cidades até hoje estão fora do sistema de saúde. O relatório mostra que é urgente o enfrentamento da pandemia, assim como foi na primeira fase, com o que chamamos de comunicação intercultural, onde as populações participam das estratégias”, salientou Athias, que também coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (Nepe) da UFPE.</p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="x5W8eLFIR5"><a href="https://marcozero.org/indigenas-tem-suas-proprias-estrategias-para-combater-coronavirus/">Indígenas têm suas próprias estratégias para combater coronavírus</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Indígenas têm suas próprias estratégias para combater coronavírus&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/indigenas-tem-suas-proprias-estrategias-para-combater-coronavirus/embed/#?secret=fRkmQIcesB#?secret=x5W8eLFIR5" data-secret="x5W8eLFIR5" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong><em>Seja mais que um leitor da Marco Zero</em></strong></p><p><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em></p><p><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em></p><p><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em></p><p><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em></p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>É hora de assinar a Marco Zero</em></a></p></blockquote>



<p><br></p>
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		<title>Na pandemia, três mulheres foram vítimas de feminicídios por dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 12:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo sobrevivendo aos riscos do coronavírus, pelo menos 1.005 mulheres morreram entre os meses de março a dezembro de 2020 no país, revela monitoramento de mídias independentes Por Amazônia Real, AzMina, #Colabora, Eco Nordeste, Marco Zero Conteúdo, Ponte e Portal Catarinas O corpo de Bianca Lourenço foi encontrado dentro de um tonel no Rio de [&#8230;]</p>
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<p><em>Mesmo sobrevivendo aos riscos do coronavírus, pelo menos 1.005 mulheres morreram entre os meses de março a dezembro de 2020 no país, revela monitoramento de mídias independentes</em></p>



<p><strong>Por Amazônia Real, AzMina, #Colabora, Eco Nordeste, Marco Zero Conteúdo, Ponte e Portal Catarinas</strong></p>



<p>O corpo de Bianca Lourenço foi encontrado dentro de um tonel no Rio de Janeiro. Ela voltara à favela para visitar uma amiga, depois de fugir das ameaças do ex-namorado. No Amazonas, Emilaine de Souza Souza, 20 anos, recebeu 40 facadas nas costas, no pescoço e na nuca, de seu ex- companheiro. Bianca e Emilaine são duas das 1.005 mulheres que morreram pelo simples fato de serem mulheres durante os meses da pandemia de 2020, entre março e dezembro. Isso quer dizer que, por dia, pelo menos três mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Se é difícil para uma mulher romper o ciclo da violência por uma série de questões que passam por subjetividades emocionais até contextos práticos, como a dependência financeira, a pandemia impôs isolamento social e, portanto, mais um obstáculo para o enfrentamento dessa situação.</p>



<p>Os números dos feminicídios são do terceiro quadrimestre do ano de 2020 e do último monitoramento da série <strong>Um vírus e duas guerras. </strong>Os dados são referentes a 24 estados e Distrito Federal &#8211; Paraná e Sergipe não enviaram os dados solicitados. Apesar da estabilidade em nível nacional, o comportamento varia bastante entre os estados. O número de feminicídios, em dados absolutos, não teve quase alteração em 2020 comparado com 2019, que registrou 1.202 mortes. “Interessante observar o comportamento diferente de cada estado. Tivemos estados que aumentaram 59% em relação a 2019 exemplo do Mato Grosso e temos estados que caíram, como o Distrito Federal que teve uma redução de 48% nos casos de feminicídios”, afirma a analista de dados Maria Elisa Muntaner, responsável pelo estudo do monitoramento <strong>Um vírus e duas guerras</strong>.</p>



<p>Os monitoramento, que tem como base as estatísticas das Secretarias Estaduais da Segurança Pública, tem objetivo de visibilizar a violência doméstica e o feminicídio contra a mulher durante a pandemia e é realizado pela parceria das sete mídias independentes: <strong>Amazônia Real</strong>; <strong>AzMina</strong>; <strong>#Colabora</strong>; <strong>Eco Nordeste</strong>; <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>; <strong>Ponte</strong> e <strong>Portal Catarinas</strong>.</p>



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	                </figure>

	


<p>Durante os meses de pandemia, de março a dezembro, 14 estados apontaram aumento no número de feminicídios. Juntos, eles tiveram um aumento de 20% em comparação com o mesmo período de 2019. Mato Grosso e Pernambuco apresentaram a maior elevação em número absolutos: 22 (73%) e 16 (36%) casos a mais, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado. Outro destaque é o estado do Amazonas, que elevou o número de feminicídios em 67% neste período.</p>



<p>&#8220;O aumento da violência contra as mulheres e da subnotificação dessa violência é uma evidência mundial, e o Brasil não é exceção. A perspectiva é a de que, enquanto perdurar a pandemia da Covid-19, essa situação se agrave”, afirma Julieta Palmeira, secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia</p>



<p>Nos mesmos meses, dez estados apresentaram queda no número de feminicídios. Os estados que apresentaram as maiores quedas em porcentagem foram o Distrito Federal (- 57%) e Rio Grande do Norte (- 47%) e em números absolutos foram o Rio Grande do Sul, com 29 casos a menos e Minas Gerais e Distrito Federal, ambos com redução em 17 casos.</p>



<p>Em 2020, a taxa média de feminicídios por 100 mil mulheres foi de 1,18. Em 2019, a taxa foi de 1,19. Conforme a análise do monitoramento, 16 estados apresentaram taxas acima da média (veja no infográfico abaixo). Estes correspondem a 45% da população feminina dos estados analisados (102 milhões) e foram responsáveis por 61% das mortes ou 735 feminicídios. Os estados que apresentaram as maiores taxas são Mato Grosso 3,56 e Roraima 2,95 &#8211; ambos com o triplo da média dos 24 estados e do Distrito Federal). Na contramão, 11 estados apresentaram taxas abaixo da média: Ceará (0,57), Rio Grande do Norte (0,64) e São Paulo (0,74).</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Crianças são testemunhas da violência</strong></h3>



<p>A dificuldade em denunciar a violência se soma à falta de políticas públicas. Durante o ano de 2020, menos de 3% do orçamento que seria usado para iniciativas para mulheres pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos foi, de fato, gasto, segundo <a href="http://www.generonumero.media/orcamento-damares-2020-mulheres-lgbt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento</a> da Gênero e Número. Isso se reflete na realidade das vidas das mulheres. </p>



<p>É o caso do batalhão da PM em Chapecó, oeste catarinense, que atende 43 municípios. “Só em Chapecó, aos fins de semana, temos por vezes 80 chamadas por perturbação de sossego. Fechamos o dia atendendo 45, ou seja, às vezes, 30 ocorrências vão ficar sem atendimento”, revela o tenente-coronel Fábio Henrique Machado, comandante do batalhão.</p>



<p>A defasagem no efetivo da polícia somada à pequena quantidade de assistentes sociais nesses municípios demonstram as falhas da rede de apoio à mulher em situação de vulnerabilidade. Ariane Tenfen Mendes, de 21 anos, sentiu na pele os efeitos dessas falhas. Moradora de Águas Frias, uma das cidades atendidas pelo Batalhão de Chapecó, Ariane vivia um relacionamento violento com Altair Camargo Gonçalves, de 35 anos. Decidida a mudar essa realidade, ela se separou, mas as agressões continuaram. Dois dias após pedir medida protetiva contra o ex-companheiro, Ariane foi morta a facadas dentro de casa. A filha do casal de 3 anos testemunhou todo o assassinato.</p>



<p>A filha de Ariane também é exemplo de um outro problema observado na pandemia: diante do isolamento social, cada vez mais crianças e adolescentes testemunham a morte ou espancamento de suas mães, avós ou cuidadoras. Mas sem critérios definidos e padronizados para quantificar os casos, essa percepção de crescimento no número de crianças e adolescentes afetadas pela violência doméstica durante a pandemia é apenas uma “observação” de quem trabalha constantemente no atendimento dos casos.</p>



<p>“Tenho percebido esse aumento no número de casos em que as mulheres são mortas na frente dos filhos, mas como esse é um dado que não entra nas estatísticas oficiais, apenas em outras etapas da investigação, não há como precisar o quanto cresceu”, conta a delegada Paula Meotti, titular da 1ª Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Goiânia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Mulheres com deficiência</strong></h3>



<p>Outras vítimas que acabam invisibilizadas quando se fala de violência contra a mulher são aquelas que têm alguma deficiência. Em São Paulo, houve queda de 51% nos registros de violência doméstica contra mulheres com deficiência: foram 467 boletins de ocorrência no ano passado e 708 em 2019, revelando mais uma faceta da subnotificação no período.</p>



<p>“Se para mulheres sem deficiência, fazer uma denúncia de um abuso, de um assédio, em uma delegacia já é um super processo, imagina para mulheres com deficiência. Seus próprios agressores são seus cuidadores e, muitas vezes, há falta de acessibilidade para receber essas denúncias”, diz a educadora Desiree Casale, integrante do Coletivo Feminista Hellen Keller.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Morte por facadas revelam extermínio no Norte</strong></h3>



<p>Na Região Norte do Brasil, registros policiais nos sete estados apontam que as facas aparecem muito mais do que revólveres e pistolas como instrumentos do ódio. A partir de 11 mil boletins de ocorrência, o Observatório de Violência de Gênero (Ovgam), da Universidade Federal do Amazonas, juntou os relatos de mulheres do interior do Amazonas para descobrir essa face até então oculta da violência de gênero. Para a antropóloga Flávia Melo, fundadora do Ovgam, esse fato revela “uma circunstância de agressão ainda mais violenta, porque a utilização da arma branca requer muito mais intensidade que o disparo de uma arma de fogo”.</p>



<p>No Amazonas, mulheres têm sido exterminadas a golpes de faca. Emilaine recebeu 40 facadas nas costas, no pescoço e na nuca. Em Jacira, foram mais de 30. Kimberly, Maria Eliza e Miriam também se tornaram vítimas de feminicídio. Além da morte brutal por esfaqueamento, todas foram mortas por seus ex-companheiros, em alegados e injustificados atos por ciúmes.</p>



<p>Socos e pontapés são outras formas que os homens encontram para matar mulheres no Norte. Em Tocantins, o ano de 2020 terminou com uma tragédia no movimento indígena. Myriwekwde Karajá, de 36 anos, moradora da aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal, foi espancada pelo marido, também indígena. Ela teve politraumatismo, hemorragia interna e recebeu diagnóstico positivo para a Covid-19. Morreu no dia 10 de janeiro. Ele fugiu.</p>



<p>Eliana Karajá, da coordenação do Coletivo de Mulheres Iny e da Associação Indígenas do Vale do Araguaia (Asiva), diz que esconder que houve o espancamento no contexto indígena é um comportamento que vem do medo das consequências que isso pode ter dentro da própria comunidade. “Por muitas vezes, tratar a questão como cultural dá mais apoio aos homens e agressores do que às vítimas. Pode acontecer de a mulher que denuncia ser xingada pela família do agressor e até apanhar novamente ao voltar para a aldeia”, diz Eliana. Para ela, “a Lei Maria da Pena não foi pensada nas mulheres indígenas”.</p>



<p>O monitoramento Um vírus e duas guerras analisou os dados de feminicídios por quadrimestres em 2020 do que em relação a 2019. Os gráficos mostram que no primeiro quadrimestre houve um aumento dos casos. Nos outros meses, não houve alteração entre os dois anos. Mas, a cada sete horas uma mulher é morta vítima de feminicídio no Brasil.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Expectativas para 2021</strong></h3>



<p>&#8220;Nessa pandemia, eu sofri violência. Quando pegava dinheiro emprestado, meu marido tomava. Quando reclamava, ele me batia. Vivi muito tempo isolada por causa dele. E passei muito tempo também apanhando por causa de dinheiro. Meu auxílio, ele também tomava&#8221;. O depoimento é de Fátima, cujo sobrenome foi preservado para não colocá-la em risco, moradora da comunidade Santa Luzia, no Recife. Como muitas outras mulheres, ela está desempregada, aguardando a volta do auxílio emergencial para ter alguma forma de levar comida para a família no momento em que o Brasil atravessa o pior cenário da pandemia do novo coronavírus, mesmo depois de um ano de convívio com a doença.</p>



<p>Se o ano de 2020 foi particularmente difícil para as mulheres, especialmente as vítimas de violência doméstica, 2021 corre o risco de ser ainda pior porque não há qualquer perspectiva de que o país reverta as crises sanitária, econômica e política que enfrenta simultaneamente.</p>



<p>&#8220;O que a gente pode esperar de 2021 com um auxílio de valor baixo, arrocho fiscal e pandemia em alta é o aprofundamento da pobreza. A fome vai aumentar exponencialmente. E as mais atingidas continuarão sendo as mulheres. Elas foram as mais beneficiadas pelo auxílio emergencial e são as principais impactadas pela diminuição do valor. Estamos agora vivendo um cenário de horror, com desastre sanitário e fome. É um quadro irreparável&#8221;, afirma Verônica Ferreira, pesquisadora do SOS Corpo &#8211; Instituto Feminista para a Democracia e integrante da campanha Campanha da Renda Básica Emergencial, que lembra que o auxílio financeiro para muitas mulheres pode significar uma porta de saída para situações de violência.</p>



<p>As políticas adotadas pelo Governo Federal tendem a agravar a situação. “O governo federal deveria apoiar os estados no enfrentamento à violência contra as mulheres, mas, ao invés disso, libera as armas num quadro de altos índices de violência doméstica. Imagine com o agressor tendo uma arma em casa o que vai acontecer&#8221;, diz Julieta Palmeira, secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Falta de dados pode refletir nas políticas públicas</strong></h3>



<p>Além da ausência de respostas às solicitações de dados pelos estados do Paraná e Sergipe, o monitoramento observou uma grande desigualdade no tratamento aos números da violência contra a mulher. Enquanto o Rio Grande do Norte faz um levantamento detalhado e, neste monitoramento, entregou um relatório completo com informações sobre idade, ocupação, escolaridade, raça, localidade do crime, meio empregado e tipo de morte relativos aos crimes contra mulheres em geral, distinguindo feminicídios, homicídios de mulheres e violência doméstica, a Paraíba só atendeu aos pedidos da reportagem mais de um mês depois do primeiro contato e por meio de insistentes pedidos feitos ao Sistema de Informações ao Cidadão (SIC) do Estado.</p>



<p>&#8220;Os números não são para a gente olhar para eles e dizer ‘ah, tadinhas! tantas mulheres morrendo’. Os números têm uma função: indicar caminhos para as políticas públicas&#8221;, diz a cientista social e coordenadora executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) de Pernambuco, Edna Jatobá.</p>



<p>Mais do que dados estatísticos, cada um desses casos traz a história de uma mulher, de uma vida interrompida, de famílias que passam a viver com a dor da perda de uma filha, mãe, irmã, tia&#8230;, vítimas da agressividade dos seus companheiros. “Falta um olhar para essas ‘vítimas ocultas’. Sim, elas ainda são invisíveis, a gente ainda tem muito que avançar nesse sentido. É cruel pensar isso, mas é verdade, porque quando acaba o processo na Justiça, a denúncia na delegacia, o assassino vai preso e pronto! Está resolvido o problema para o Estado. Só que ninguém verifica o que está por trás disso, as implicações que essa violência vai causar para os seres humanos que sobreviveram àquilo tudo”, afirma a defensora pública Pollyana Souza Vieira, que lidera o Projeto Órfãos do Feminicídio, do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado do Amazonas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Como foi realizado o monitoramento?</strong></h3>



<p>A série<strong> Um vírus e duas guerras </strong>monitorou de março a dezembro de 2020 os casos de feminicídios e de violência doméstica no período da pandemia do novo coronavírus. O objetivo é dar visibilidade a esse fenômeno silencioso, fortalecer a rede de apoio e fomentar o debate sobre a criação ou manutenção de políticas públicas de prevenção à violência de gênero no Brasil.</p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-enfrentam-em-casa-a-violencia-domestica-e-a-pandemia-da-covid-19/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No primeiro levantamento com 20 estados, os casos de feminicídios aumentaram</a> em 5% em 2020. Somente nos dois primeiros meses da pandemia, 195 mulheres foram assassinadas, enquanto em março e abril de 2019 foram 186 mortes.</p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/uma-mulher-e-morta-a-cada-nove-horas-durante-a-pandemia-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">De maio a agosto,  a pesquisa apontou que 304 mulheres perderam a vida</a>, mas houve uma queda de 11% em relação ao mesmo período de 2019. </p>



<p>Um dos resultados do monitoramento é o relatório <a href="https://azmina.com.br/reportagens/relatorio-mostra-dificuldades-e-aponta-caminhos-para-obtencao-de-dados-sobre-violencia-contra-a-mulher/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Um Vírus, Duas Guerras: Soluções e Boas Práticas na Coleta e Divulgação de Dados sobre Violência Contra a Mulher na Pandemia”</a>, que aponta desafios e sugestões de melhorias na coleta, organização e disponibilização dos dados sobre a violência de gênero. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Leia as reportagens por regiões</strong></h3>



<p><strong>Região Norte</strong></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=71538" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mulheres na mira dos homens de farda em Belém</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=71605" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mortes a facadas marcam os feminicídios no Amazonas</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/roraima-tem-aumento-de-150-nos-feminicidios/">Roraima tem aumento de 150% nos feminicídios</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/ele-mudou-a-cena-do-crime-diz-mae-de-talita-portugal-vitima-de-feminicidio-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Ele mudou a cena do crime”, diz mãe de Talita Portugal, vítima de feminicídio em Rondônia</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/acre-tem-uma-denuncia-de-violencia-domestica-a-cada-quatro-horas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acre tem uma denúncia de violência doméstica a cada quatro horas</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/tocantins-registra-brutal-feminicidio-de-indigena-karaja/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tocantins registra brutal feminicídio de indígena Karajá</a></p>



<p><strong>Região Nordeste</strong></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/as-vidas-alem-dos-numeros-do-feminicidio-no-nordeste-durante-a-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">As vidas além dos números do feminicídio no Nordeste durante a pandemia</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/orfaos-do-feminicidio-as-dores-dos-filhos-das-vitimas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Órfãos do feminicídio: as dores dos filhos das vítimas</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/empregadas-domesticas-podem-recorrer-a-lei-maria-da-penha-por-violencia-de-genero/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Empregadas domésticas podem recorrer à Lei Maria da Penha por violência de gênero</a></p>



<p><a href="http://www.marcozero.org/novas-vitimas-velhos-problemas-ate-quando-as-mulheres-vao-morrer-apenas-por-sua-condicao-de-genero" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Novas vítimas, velhos problemas: até quando as mulheres vão morrer apenas por sua condição de gênero?</a></p>



<p><a href="http://www.marcozero.org/mulheres-trans-morrem-de-forma-mais-violenta-e-nordeste-lidera-casos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mulheres trans morrem de forma mais violenta e Nordeste lidera casos</a></p>



<p><a href="https://marcozero.org/feminicidios-sao-noticiados-sem-o-termo-crime-passional-mas-com-as-mesmas-justificativas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Feminicídios são noticiados sem o termo “crime passional” mas com as mesmas justificativas</a></p>



<p><a href="http://www.marcozero.org/aumento-da-covid-19-fim-do-auxilio-e-mais-armas-receita-explosiva-para-2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aumento da covid-19, fim do auxílio e mais armas: receita explosiva para 2021</a></p>



<p><strong>Região Centro-Oeste</strong></p>



<p><a href="https://azmina.com.br/reportagens/filhos-violencia-genero-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Filhos da violência de gênero: como crianças e adolescentes são afetados pela violência doméstica</a></p>



<p><strong>Região Sudeste</strong></p>



<p><a href="https://projetocolabora.com.br/ods5/morta-apenas-por-ser-mulher/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em meio à pandemia, violência doméstica se agrava no Rio de Janeiro</a></p>



<p><a href="https://projetocolabora.com.br/ods5/com-mais-prisoes-de-agressores-espirito-santo-registra-queda-de-feminicidios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Com mais prisões de agressores, Espírito Santo registra queda de feminicídios</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/e-dificil-a-mulher-do-campo-ter-coragem-de-denunciar-afirma-vitima-de-violencia-domestica-em-mg/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“É difícil a mulher do campo ter coragem de denunciar”, afirma vítima de violência doméstica em MG</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/agressao-ameaca-e-silencio-a-rotina-de-violencia-domestica-contra-uma-mulher-com-deficiencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agressão e silêncio: a rotina de violência doméstica contra uma mulher com deficiência</a></p>



<p><strong>Região Sul</strong><br><br><a href="https://catarinas.info/durante-pandemia-cinco-mulheres-ou-meninas-foram-vitimas-de-estupro-por-dia-no-rs/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Durante pandemia, cinco mulheres ou meninas foram vítimas de estupro por dia no RS</a></p>



<p><a href="https://catarinas.info/santa-catarina-esta-entre-os-estados-mais-feminicidas-na-pandemia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Santa Catarina está entre os estados mais feminicidas na pandemia</a></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os 25 estados que enviaram os dados de 2019/2020</strong></h3>



<p>Alagoas (AL), Amapá (AP), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Distrito Federal (DF), Espírito Santo (ES), Goiás (GO), Maranhão (MA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Rondônia (RO), Roraima (RR), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) e Tocantins (TO).</p>



<p>&#8212;<br><em>Sofre ou conhece alguém que sofre de violência doméstica? Pelo número 180 é possível registrar a denúncia e receber orientações sobre locais de atendimento mais próximos. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.</em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Equipe da série: <strong>Um vírus e duas guerras</strong></p><cite>Monitoramento setembro a dezembro de 2020<br><strong>Amazônia Real</strong>: Kátia Brasil (editora-executiva); Eduardo Nunomura (editor); Alícia Lobato, Bruna Mello, Roberta Brandão, Nicoly Ambrozio, Werica Lima, Maria Fernanda Ribeiro (repórteres); Juliana Pesqueira e Gilmar Correia (ensaio fotográfico “Sobrevivendo”); Pablito (Ilustrador) e Alberto César Araújo (editor de fotografia)<br><strong>AzMina</strong>: Helena Bertho (editora); Jamile Santana (repórter), Bárbara Libório (editora)<br><strong>#Colabora</strong>: Fernanda Baldioti (editora), Liana Melo (repórter), Fernando Alvarus (infografia), Helena Cunha (ilustrações), Raphael Monteiro (designer)<br><strong>Eco Nordeste</strong>: edição &#8211; Maristela Crispim; textos &#8211; Adriana Pimentel, Líliam Cunha, Rose Serafim e Yara Peres; fotografia &#8211; Adriana Pimentel; design &#8211; Flávia P. Gurgel<br><strong>Marco Zero Conteúdo</strong>: Carol Monteiro (editora); Maria Carolina Santos (repórter)<br><strong>Portal Catarinas</strong>: Paula Guimarães (editora), Inara Fonseca, Juliana Rabelo, Morgani Guzzo (repórteres) e Beatriz Lago (ilustrações).<br><strong>Ponte Jornalismo</strong>: Maria Teresa Cruz (editora), Jeniffer Mendonça (repórter), Antonio Junião (ilustrações) e Maria Elisa Muntaner (análise de dados)<br></cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong></em></p><cite><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em><br><br><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em><br><br><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em><br><br><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em><br><br><em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em><strong>É hora de assinar a Marco Zero</strong></em></a></em></cite></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</title>
		<link>https://marcozero.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-e-nao-tinha-a-quem-perguntar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2021 20:50:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>…ou quase tudo.Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>…ou quase tudo.<br><br>Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda não há tempo suficiente para tê-las&#8221;, explica o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rafael Dhalia, nosso entrevistado.</p>



<p>Aos 11 anos, Dhalia começou a estudar em um campus universitário, no Colégio de Aplicação da UFPE, e não saiu mais. Em 2005, ao terminar o doutorado em Biologia Molecular na Universidade de Brasília, com um ano de estudos na Universidade de Cambridge, ele entrou no mundo das vacinas. Foi por acaso. &#8220;Estava ficando angustiado com o fim do doutorado e fui apresentado ao pesquisador e imunologista Ernesto Marques, do Laboratório de Virologia e Terapia Experimental do <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/">Instituto Aggeu Magalhães – Fiocruz/PE</a>&#8220;, lembra.</p>



<p>Logo depois, passou em um disputado concurso para a Fiocruz. É o inventor, junto com Ernesto Marques, de uma vacina de DNA contra a Febre Amarela, com patente internacional, e desenvolveu vacinas de DNA contra os vírus Zika e Chikungunya. Hoje, é coordenador local dos testes Fase III da vacina tetravalente contra a Dengue, desenvolvida pelo <a href="https://butantan.gov.br/">Instituto Butantan</a> junto com o NIH (National Institutes of Health, agência de fomento à pesquisa dos Estados Unidos). </p>



<p>Ciente das dificuldades que a ciência enfrenta no Brasil, nem cogitou começar uma pesquisa para desenvolver uma vacina contra a Covid-19. &#8220;Achei que não ia mais ter relevância quando chegasse ao mercado. Hoje temos no Brasil mais de 20 vacinas sendo desenvolvidas, cinco em estágios mais avançados, embora todas ainda em fases pré-clínicas&#8221;, diz.</p>



<p>O cientista lembra também que o Instituto Butantan e Biomanguinhos, da Fiocruz, são responsáveis, juntos, por 75% das vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). &#8220;Mas nenhuma delas com desenvolvimento 100% nacional. A vacina da febre amarela, por exemplo, que é da década de 30, é fruto de uma transferência tecnológica da Fundação Rockefeller (EUA). Há muitos entraves&#8221;, lamenta.</p>



<p>Na pandemia, Dhalia tem se dedicado a uma outra tarefa também essencial: a divulgação científica. &#8220;Nunca fui de dar entrevistas, mas é tanta desinformação, tanta idiotice sendo fomentada, que abracei a missão de tentar passar informação científica em uma linguagem mais acessível&#8221;, conta Dhalia, que se atualiza diariamente sobre o desenrolar das vacinas contra a Covid-19.</p>



<p class="has-text-align-center">***</p>



<p><strong>Parecia que o Sars-Cov-2 era visto como um vírus que tinha poucas mutações significativas. Mas do fim de 2020 para cá, temos visto notícias preocupantes de variantes da África do Sul, do Reino Unido, do Brasil, da Califórnia. O que aconteceu?</strong><br>Na verdade, estamos correndo contra o tempo. As coisas vão acontecendo e só vemos que é um problema quando analisamos retrospectivamente. De março para abril de 2020, no começo da pandemia, a cepa que veio de Wuhan, surgida em dezembro de 2019, já foi praticamente substituída por uma nova variante no mundo todo: a cepa D614G, que já apresentava um aumento na capacidade do vírus em se dividir. Com essa mutação, ele conseguia se multiplicar mais rápido que a cepa original de Wuhan. Então isso aumentou também a sua transmissibilidade, já que ele conseguia alcançar uma maior carga viral. Mas, por outro lado, não teve alteração de seu reconhecimento pelos anticorpos induzidos pelas vacinas. Aí, em agosto de 2020, veio a nova variante do Reino Unido.</p>



<p><strong>Essa que começamos a ouvir falar no final do ano?<br></strong>Isso, o pico da transmissão foi entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, mas não quer dizer que ela começou aí. Ela foi identificada primeiro em agosto, mas para se observar o efeito da mutação e até a substituição por outra cepa, você só consegue ver lá na frente. Estamos sempre atrasados contra o vírus. As cepas que são transmitidas mais rápido se disseminam mais, é natural que elas ganhem espaço na concorrência. Vai ficando mais prevalente, e as outras cepas vão sumindo. Quando o vírus menos transmissível chega na pessoa, ela já está contaminada pela outra cepa. Essa variante britânica foi rapidamente detectada em outros países, com a mutação N501Y. É uma mutação na proteína spike, porém, não está na região crucial da proteína, a que o vírus usa para entrar na célula. Foram feitos testes com as vacinas da Pfizer e Moderna e, até aí, não havia maiores impactos nas eficácias dessas vacinas em relação à esta variante.</p>



<p><strong>E quando isso muda e as variantes começam a pressionar as vacinas?<br></strong>Isso muda agora, na verdade já mudou. Porque essas variantes vão dando origem a outras variantes. A mudança de agora foi em cima de outra, que já tinha acontecido. As variantes que estão dando problema agora, surgiram a partir da variante N501Y. Não teríamos esse problema hoje se a pandemia tivesse sido melhor controlada. Quanto mais o vírus se espalha, mais mutações ele pode sofrer. Hoje temos pelo menos três variantes preocupantes. Uma é a da Califórnia, que começa a apresentar mutações na parte da proteína spike que se liga às células humanas, chamada de RBD. Essa mutação é a L452Y, mas ainda não foi estudado o impacto da eficácia das vacinas em relação a ela. Uma bronca é a variante identificada na África do Sul, a N501Y.V2, uma variante que vem da cepa do Reino Unido. O problema da cepa sul africana é que ela tem mais modificações dentro do RBD ou muito perto dele. Em tese, afeta o reconhecimento por parte dos anticorpos que as vacinas induzem. Porque alguns anticorpos das vacinas são específicos contra esse RBD, para bloquear a entrada do vírus na célula. Quando essa região começa a ter modificações, pode ser que as vacinas não controlem tão bem o vírus.</p>



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                <a href="https://marcozero.org/e-impossivel-que-vacina-cause-alteracoes-geneticas-garantem-especialistas/" class="titulo">É impossível que vacina cause alterações genéticas, garantem especialistas</a>
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<p><strong>Já foram feitos testes para conferir a eficácia das vacinas na cepa de Manaus?<br></strong>Ainda não. A de Manaus é bem parecida com a da África do Sul, o que é um problema. A Moderna fez testes com a cepa sul africana e viu que a eficácia de sua vacina é seis vezes menor, em relação a essa variante. Tem testes de uma nova vacina de subunidade proteica desenvolvida nos Estados Unidos, da Novavax, que deu 90% de eficácia contra a cepa do Reino Unido, mas só 49% contra a sul africana. Fica abaixo do que a Anvisa quer, mas essa taxa é polêmica. Porque existe a taxa de controle da doença, de contaminação, e a taxa para reduzir casos graves. Resumindo: não dá para falar que as vacinas atuais não vão servir contra as novas variantes. Sabemos que há uma queda nos anticorpos neutralizantes, mas não é possível dizer só com isso que as vacinas não são eficientes, porque a resposta de anticorpos é um dos tipos de resposta imune. Há também a resposta celular, que ainda não foi avaliada para essas novas cepas. E outra: mesmo que haja redução de anticorpos, não quer dizer que os que restam não sejam capazes de impedir a infecção. É preciso mais estudos.</p>



<p><strong>Vamos precisar de vacinas atualizadas?</strong><br>Pela lógica, à medida que o vírus for acumulando mutações, provavelmente seja necessário atualizar as vacinas. Porque essas mutações estão ocorrendo uma em cima da outra. Chega uma hora que são tantas mutações acumuladas que o repertório todo da vacina não é possível mais para aquele vírus, como acontece com a vacina da gripe, que é reformulada todo ano.</p>



<p><strong>Das duas vacinas que temos aqui no Brasil, a de vírus inativado, que é a Coronavac, e a de Oxford/ AstraZeneca, que usa um vetor de adenovírus, qual a que teoricamente se comportaria melhor contra as novas variantes?</strong><br>Ainda não dá para dizer hoje, qual das duas seria melhor. Agora se houver a necessidade de adaptar a vacina para uma cepa nova, é muito mais fácil fazer isso com a de Oxford. Porque a vacina de adenovírus é parecida com a de RNA: ao invés de carregar um RNA ela carrega um DNA da proteína Spike, que é inserido no núcleo da célula. E é muito mais fácil você alterar um pedacinho do DNA para que aquela proteína fique semelhante à Spike do vírus que está circulando na natureza, do que você modificar o vírus inteiro.</p>



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                <a href="https://marcozero.org/falta-de-estrategia-nacional-pode-prejudicar-vacinacao-no-brasil/" class="titulo">Falta de estratégia nacional pode prejudicar vacinação no Brasil</a>
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<p><strong>A atualização tem um processo mais rápido de testes?</strong><br>Acredito que sim. Mas o que precisamos fazer agora é vacinar rapidamente, respeitando os intervalos entre a primeira e a segunda dose. Porque se você não respeita esse intervalo, é o mesmo de estar jogando fora as doses. Como não sabemos hoje qual será o verdadeiro impacto dessas vacinas nas novas cepas, temos que acelerar a imunização, porque isso já vai diminuir a transmissão, independentemente se for variante ou não. Estamos muito devagar.</p>



<p><strong>Há quem diga que a Coronavac poderia ser mais eficiente contra as novas variantes, porque usa o vírus inteiro. Isso faz sentido?</strong><br>Pode ser que sim. Pois na superfície do vírus inativado além da proteína Spike (S), tem a proteína M (membrana) e a proteína envelope (E). Nesse caso, a resposta imune vai ser produzida contra essas 3 proteínas: S, M e E. Então mesmo que tenha variações em S que diminuam o seu reconhecimento, talvez anticorpos adicionais contra M e E possam compensar. Mas prefiro aguardar os testes para ter certeza, ou não. A Sinovac, desenvolvedora da Coronavac, tem a intenção de fazer um mix das variantes na sua próxima reformulação, fazer uma mistura desses novos vírus e inativar tudo junto. Demora um pouco e a intenção é iniciar daqui a uns 2 meses.</p>



<p><strong>Todos os estados do Norte do Brasil estão com alta na média móvel de mortes. Pode se atribuir isso à nova cepa?</strong><br>Com certeza. O vírus está sendo transmitido com muito mais força. Ainda não dá para dizer que é uma cepa mais virulenta, embora haja indícios. Como ela tem facilidade de entrar nas células, entram mais vírus e se multiplicam mais rápido. Os médicos do Amazonas estão relatando que em uma semana os pacientes já estão com pneumonia grave. Isso aumenta muito o número de mortes. Tem também uma mudança de perfil, acometendo um percentual maior de jovens. Mas o aumento de mortes não necessariamente significa dizer que o vírus mudou e está matando mais, mas que como ele consegue contaminar mais gente, pode infectar mais vulneráveis e também vai superlotar hospitais e, consequentemente, maior número de número mortos. Estamos vendo a alta no Norte como se não fosse chegar aqui.</p>



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<p><strong>Vemos que vários países estão fechando as portas para o Brasil. Parece que há uma preocupação maior lá fora do que aqui com essa variante de Manaus. O que o governo deveria fazer?</strong><br>As principais recomendações não só para o Brasil, mas para qualquer país, são pelo menos cinco. A primeira é rastrear indivíduos vacinados. Acompanhar essas pessoas e ver quem se infecta. Se algum vacinado tiver a doença, é necessário isolar o vírus para estudar se há resistência, ver a vacina que tomou, para checar se é um vírus que está ou não resistindo às vacinas. Depois, é preciso manter um sistema de sequenciamento viral, que a gente não tem no Brasil. A gente fica falando de cepa tal, mas só sabe isso porque alguém isolou e sequenciou o vírus. Tem que ser algo intensivo, até para dar suporte para as novas vacinas. Outro ponto é manter um banco sorológico dos vacinados. Pegar a pessoa que já recebeu a segunda dose e 15 dias depois, já com anticorpos, coletar uma amostra de sangue dela. Qual a importância disso? Ver se os anticorpos induzidos são capazes, ou não, de neutralizar uma determinada variante do vírus. Aí você consegue ver quais as vacinas que estão funcionando melhor. A quarta é investir em vacinas de RNA e adenovírus, que são as mais rapidamente modificáveis, como alternativas de intervenções mais emergenciais. A última são as medidas de prevenção e distanciamento social, incluindo <em>lockdown</em>. Infelizmente o governo brasileiro é um péssimo exemplo em relação ao combate da pandemia. Somos corresponsáveis pelo aumento da circulação das variantes. O discurso de imunidade de rebanho via infecção natural, que não existe porque há reinfecção, foi um paraíso para as novas cepas.</p>



<p><strong>Se uma pessoa tomar uma dose da Coronavac e outra dose da Oxford/AstraZeneca tem efeito?</strong><br>Não há nenhum estudo sobre o uso dessa combinação. Em tese, teria efeito sim. E me parece algo inevitável. Como a quantidade de vacinas é limitada no mundo todo, vai chegar uma hora que vai ter combinação de vacinas sim. O que é que a vacina Coronavac está levando para o sistema imune? A proteína Spike. O que a de Oxford está levando? Um DNA que se transforma num RNA, que vai virar a proteína Spike. Então, no final das contas, quem está induzindo a resposta imune é a proteína Spike. Eu tomaria, mas ainda não posso recomendar como pesquisador, porque não há estudos com essas duas vacinas juntas.</p>



<p><strong>Por que as vacinas contra o novo coronavírus são com duas doses?<br></strong>Porque quando você dá a dose de reforço, estimula o sistema imune a criar mais células de memória. E essas células de memória permanecem mais tempo no sistema imune do que as induzidas por uma infecção natural. A vacina fica mais eficaz com a dose de reforço. Tanto é que as vacinas que estavam sendo testadas para serem dadas em dose única, aparentemente funcionam melhor com duas doses. Até a vacina dose única de adenovírus da Janssen, por exemplo, também vem testando o regime de duas doses. A da Cansino, também de adenovírus, diz que é dose única, mas há poucas informações sobre essa vacina (inclusive a sua eficácia ainda não foi divulgada). Existe uma corrida mercadológica muito grande.</p>



<p><strong>A resposta imune de uma vacina é mais forte do que pela infecção?</strong><br>Sim, também por conta da dose de reforço. Em relação às vacinas de material genético, adenovírus e de subunidade proteica, existe ainda o fato de a proteína Spike ser expressa na sua forma de pré-fusão estabilizada. A forma de pré-fusão é a forma que essa proteína se apresenta antes de entrar na célula. Quando ela se liga ao receptor ACE-2 (por onde o novo coronavírus entra na célula humana) ela assume a forma de pós-fusão. Então estabilizando ela na forma de pré-fusão, você induz a produção de anticorpos para neutralizar os vírus antes de eles mudarem de conformação e entrar nas células, o que é o ideal. A forma estabilizada é muito mais eficiente de induzir a formação de anticorpos neutralizantes. Se você não estabilizar nessa forma, a proteína Spike fica flexível. O que significa dizer que ela vai assumir diversas conformações, inclusive a de pré-fusão (é o que acontece quando nos contaminamos com o vírus). Dessa forma, vamos produzir anticorpos sim, mas contra várias conformações da proteína Spike, incluindo a de pré-fusão. Se a gente estabiliza a proteína, para se apresentar unicamente na forma de pré-fusão a resposta contra o vírus é muito mais eficiente, entende? Resumindo, uma grande vantagem dessas vacinas, em relação ao vírus, é apresentar a proteína Spike na forma de pré-fusão estabilizada. Esse é o principal fator que pode ser atribuído as altas eficácias observadas em relação as vacinas de RNA, adenovírus e de subunidade proteica.</p>



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<p><strong>É verdade que as vacinas de RNA são as mais eficazes já produzidas?</strong></p>



<p>Eficácia é um parâmetro que se mede ao longo do tempo… O que está sendo visto hoje são eficácias preliminares, que são muito boas. Mas precisamos saber como se comportarão ao longo do tempo e para isso, o tempo tem que passar. Medir a eficácia semanas após a segunda dose, seria o mesmo que medir anticorpos semanas depois que a pessoa contraiu o vírus. A vacina da Febre Amarela, por exemplo, que vem sendo utilizada desde a década de 30, oferece uma proteção de 10 anos. Só depois de 10 anos você precisa de uma dose de reforço. Será que essas vacinas contra Covid-19 vão nos dar uma proteção tão duradoura? Eu acho improvável… Embora o mérito científico de se chegar tão rápido em 20 vacinas na fase 3, com sete delas em uso emergencial e três liberadas para vacinação em massa, tenha de ser fortemente reconhecido!</p>



<p><strong>Se o Brasil não tiver uma vacinação ampla e rápida contra o coronavírus poderemos viver em um <em>looping</em> sem fim de novas cepas?</strong></p>



<p>Sim, mas é pior do que isso. A partir do momento que uns países começam a tomar mais cuidados e outros não, a política externa vira um desastre. Não adianta Israel chegar à imunidade rebanho em abril e chegar lá um brasileiro, com uma cepa nova. Pode botar a perder o plano de Israel. Aí ninguém vai querer brasileiro. Já não podemos ir para Portugal, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, etc. O que pode acontecer é um isolamento do Brasil: os leprosos do século XXI. Vamos começar a sofrer uma pressão internacional muito grande. E o amiguinho de Bolsonaro, Trump, não está mais no poder. E Biden já vem sinalizando que não está muito contente com o governo brasileiro. Se o Brasil não se cuidar, passa a ser um problema mundial. O Brasil pode ser foco de novos surtos e a partir do momento que um brasileiro sair daqui, pode se iniciar um novo ciclo. Vai chegar uma hora que, querendo ou não, o Brasil vai ter que controlar o vírus. Não é mais um problema de país, mas de mundo.</p>



<p><strong>Então é urgente que o Brasil acelere a vacinação.<br></strong>Quanto mais o Brasil vacinar, mais vai impedir a circulação do vírus, inclusive de novas variantes. Mesmo que a eficácia da vacina caia, ela não fica zerada. Estamos com 20 vacinas atualmente na fase 3. Vão chegar novas vacinas, ainda mais eficientes e adaptadas. Todas as vacinas, sem exceção, são e serão importantes. Temos que começar de algum ponto, mas isso é uma corrida e saímos atrás. Só temos essas duas vacinas hoje por conta do Butantan e da Fiocruz, duas instituições seculares muito importantes para a história do Brasil. Temos que vacinar com a vacina que for. Precisaríamos de algo em torno de 8 milhões de doses por semana no Brasil, durante 10 meses, para poder chegar à imunidade de rebanho, com cerca de 150 milhões de pessoas vacinadas. Dependemos de política de governo para isso, e a atitude do Governo Federal é genocida.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-e-nao-tinha-a-quem-perguntar/">Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Dez meses após os primeiros casos, Pernambuco dá início à vacinação contra a Covid-19</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2021 01:10:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[butantã]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<category><![CDATA[vaina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi no dia 12 de março de 2020 que os primeiros dois casos de infecção pelo novo coronavírus foram registrados em Pernambuco. Pouco mais de dez meses depois, e mais de 10 mil mortos pelo vírus no estado, um avião comercial da Latam pousou nesta noite no Recife. No porão, 270 mil doses da Coronavac, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi no dia 12 de março de 2020 que os primeiros dois casos de infecção pelo novo coronavírus foram registrados em Pernambuco. Pouco mais de dez meses depois, e mais de 10 mil mortos pelo vírus no estado, um avião comercial da Latam pousou nesta noite no Recife. No porão, 270 mil doses da Coronavac, vacina contra o novo vírus desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Ao lado da vacina de Oxford/AstraZeneca, é um dos imunizantes aprovados no domingo pela Anvisa para uso emergencial no Brasil. E, espera-se, o início do fim da maior pandemia dos últimos cem anos.<br><br>Por enquanto, o Brasil todo dispõe apenas de seis milhões de doses da Coronavac, que foram importadas pelo Butantan ao longo dos últimos dois meses. Um carregamento de dois milhões de doses da AstraZeneca está preso na Índia, que ainda não liberou o envio para o Brasil. Somente na noite de ontem o Ministério da Saúde divulgou a planilha com a distribuição das vacinas pelos estados e o Distrito Federal.<br><br>O Ministério da Saúde elaborou as regras para as fases de vacinação. O plano inicial prevê quatro grupos prioritários, que incluem profissionais de saúde, indígenas aldeados, idosos e pessoas que fazem parte dos grupos de risco. Somente esses grupos representam quase um quarto da população brasileira, cerca de 50 milhões de pessoas. Serão necessárias 108,3 milhões de doses de vacina, já incluindo 5% de perdas previstas pelo Ministério da Saúde, um percentual considerado baixo.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="wCWbVPvLXf"><a href="https://marcozero.org/insumos-para-vacinacao-alimenta-politizacao-da-pandemia/">Insumos para vacinação alimentam politização da pandemia</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Insumos para vacinação alimentam politização da pandemia&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/insumos-para-vacinacao-alimenta-politizacao-da-pandemia/embed/#?secret=D6lMcCCWyA#?secret=wCWbVPvLXf" data-secret="wCWbVPvLXf" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>Em Pernambuco, 2,9 milhões de pessoas estão incluídas nestas quatro fases prioritárias. Para vacinar apenas as pessoas do primeiro grupo prioritário,  630 mil pessoas de acordo com o Governo do Estado, Pernambuco iria precisar de 1,26 milhão de doses de vacina.</p>



<p>Mas para essa primeira leva de vacinas, os governos estaduais estreitaram os critérios, já que são pouquíssimas doses.<br><br>Com a doses entregues hoje irão ser vacinados 34% dos trabalhadores de saúde pernambucanos, que somam 99 mil pessoas. As demais doses irão para todos os 26,5 mil indígenas, todos os 2,5 mil idosos institucionalizados e todas as 130 pessoas com deficiência institucionalizadas. O restante das doses são de prováveis perdas e também para os agentes de saúde responsáveis pela vacinação. A imunização já é com reserva da segunda dose, que será aplicada entre duas e quatro semanas após a primeira.<br><br>O governo do estado afirma que todos os municípios deverão receber doses da Coronavac. &#8220;Neste primeiro momento, de acordo com o quantitativo que vamos receber, nossa prioridade será imunizar os trabalhadores de saúde que estão atendendo pacientes da Covid-19 nas nossas enfermarias e leitos de UTI. Havendo doses, devem ser atendidos os serviços de urgência, atenção primária e agentes comunitários de saúde, respeitando a gradação de acordo com o perfil que cada município tem de sua rede de atenção à Covid-19&#8221;, afirmou o secretário estadual de Saúde, André Longo, em material enviado pela assessoria de comunicação do órgão.<br><br>Por ora, as vacinas serão dadas nas próprias instituições de saúde, abrigos e aldeais, já que é apenas para esse público restrito. Ainda não há previsão de quando outras remessas serão entregues a Pernambuco.<br><br>Outros 40 milhões de doses da Coronavac aguardam liberação emergencial, que deve sair em até dez dias. Mas um insumo farmacêutico necessário para a produção da vacina, o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), ainda não foi liberado pela China para o envio ao Brasil. Tanto o Butantan quanto a Fiocruz precisam desse insumo para a produção nacional.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="gfmjkaaULm"><a href="https://marcozero.org/medidas-do-governo-de-pernambuco-para-conter-covid-19-sao-insuficientes-avaliam-especialistas/">Medidas do governo de Pernambuco para conter Covid-19 são insuficientes, avaliam especialistas</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Medidas do governo de Pernambuco para conter Covid-19 são insuficientes, avaliam especialistas&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/medidas-do-governo-de-pernambuco-para-conter-covid-19-sao-insuficientes-avaliam-especialistas/embed/#?secret=I757TMWzAF#?secret=gfmjkaaULm" data-secret="gfmjkaaULm" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>Do aeroporto do Recife/Guararapes, o primeiro lote de vacinas seguiu para um depósito no bairro de Casa Amarela. A vacinação terá início com a imunização dos funcionários do plantão noturno do Hospital Oswaldo Cruz. A primeira pessoa escolhida para se vacinar contra o novo coronavírus em Pernambuco foi a técnica de enfermagem do HUOC Perpétua do Socorro Barbosa dos Santos.</p>



<p>Moradora do Ibura, com 52 anos de idade, Perpétua trabalha há 25 anos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). &#8220;Estou emocionada. É um momento histórico pra mim e para todos&#8221;, disse Perpétua, após ser vacinada. &#8220;Estamos vitoriosos diante dessa situação&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vacinação no Recife</h2>



<p>Durante toda a tarde o governador Paulo Câmara, o secretário de saúde André Longo e outros representantes do governo se reuniram online com secretários municipais e prefeitos para discutir a distribuição do lote nos municípios. As doses das vacinas devem ser levadas nesta terça-feira (19) para as 12 gerências de saúde do estado. Os municípios devem pegar suas respectivas doses lá.<br><br>Antes mesmo da reunião, a <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/noticias/18/01/2021/prefeito-joao-campos-lanca-plano-recife-vacina">Prefeitura do Recife já divulgou</a>, pela manhã, o esquema de vacinação da capital. Serão 67 mil doses que irão ser utilizadas em 33,5 mil pessoas do Recife. Os grupos são os mesmos: profissionais de saúde da linha de frente (32,5 mil pessoas), idosos e pessoas com deficiência que moram em instituições e residências inclusivas.<br><br>Para as remessas seguintes, a Prefeitura do Recife definiu inicialmente 65 salas de vacinação e ainda três locais com vacinação drive-thru. O agendamento será somente online, mas haverá pontos de apoio físicos para quem não tiver acesso à internet. Ainda não há data para novas remessas de vacina para Pernambuco. </p>



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		<title>Medidas do governo de Pernambuco para conter Covid-19 são insuficientes, avaliam especialistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2021 19:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir desta sexta-feira (15), está proibido por 30 dias som, mecânico ou ao vivo, em praias, bares, restaurantes, boates e estabelecimentos afins. Se houver novas aglomerações nas praias no fim de semana &#8211; o que vem acontecendo há meses com regularidade -, o governo de Pernambuco cogita fechar novamente o acesso. A Marco Zero [&#8230;]</p>
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<p>A partir desta sexta-feira (15), está proibido por 30 dias som, mecânico ou ao vivo, em praias, bares, restaurantes, boates e estabelecimentos afins. Se houver novas aglomerações nas praias no fim de semana &#8211; o que vem acontecendo há meses com regularidade -, o governo de Pernambuco cogita fechar novamente o acesso. A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> conversou com quatro especialistas e todos foram unânimes: as medidas anunciadas pelo estado para conter aglomerações e combater a Covid-19 são insuficientes.</p>



<p>Diante da situação de Manaus &#8211; onde pacientes estão morrendo asfixiados por falta de oxigênio -, do aparecimento de variantes do vírus no Brasil <a href="https://marcozero.org/novas-linhagens-do-coronavirus-ainda-nao-foram-identificadas-em-pernambuco/">(ainda não detectadas em Pernambuco)</a> e localmente do crescimento de casos e óbitos e do recorde de pacientes internados em leitos públicos de UTI, as medidas e campanhas de comunicação deveriam estar sendo muito mais enérgicas.</p>



<p>Para os chefes de estado, sem auxílio federal, com um governo em descontrole e pressões dos setores econômicos, impor novo lockdown é um desafio enorme e um preço político muito alto. Porém, como anunciou no Twitter o neurocientista e coordenador científico do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis, “se nada for feito, estas cenas trágicas (de Manaus) vão se repetir em outras partes do país”. Nicolelis vem defendendo lockdown imediato no Grande Recife.</p>



<figure class="wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Manaus entrando em colapso neste momento. E se nada for feito estas cenas trágicas vão se repetir em outras partes do país</p>&mdash; Miguel Nicolelis (@MiguelNicolelis) <a href="https://twitter.com/MiguelNicolelis/status/1349780290026303489?ref_src=twsrc%5Etfw">January 14, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>Em entrevista à reportagem esta semana, o médico infectologista Bernardino Albuquerque, pesquisador da Fiocruz Amazônia, também foi enfático: <a href="https://marcozero.org/tudo-que-o-amazonas-esta-passando-agora-os-outros-estados-poderao-passar-amanha-diz-pesquisador-da-fiocruz-amazonia/">“Tudo que o Amazonas está passando agora os outros estados poderão passar amanhã”</a>.</p>



<p>A Secretaria Estadual de Saúde registrou, nesta sexta (15), mais 1.702 casos da Covid-19, sendo 76 (4%) de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Seag) e 1.626 (96%) leves. Pernambuco agora totaliza 239.155 casos confirmados. Também foram confirmados mais 18 óbitos. Com isso, são 9.964 mortes ao total.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="VKvC1yxV0g"><a href="https://marcozero.org/como-reduzir-os-riscos-de-contaminacao-por-coronavirus-durante-o-enem/">Como reduzir os riscos de contaminação por coronavírus durante o Enem</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Como reduzir os riscos de contaminação por coronavírus durante o Enem&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/como-reduzir-os-riscos-de-contaminacao-por-coronavirus-durante-o-enem/embed/#?secret=2UhT6aeGQn#?secret=VKvC1yxV0g" data-secret="VKvC1yxV0g" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p><strong>Confira os principais trechos da conversa com especialistas:</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tereza Lyra</strong></h2>



<p><em>médica, doutora em saúde pública, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco</em></p>



<p>O governo de Pernambuco está atrasado nas medidas. Casos e óbitos não param de aumentar. Todo mundo que trabalha com dados sabe que isso estava sendo vislumbrado desde novembro. Proibir som é uma medida insuficiente. Deveríamos ter medidas muito mais restritivas. As aglomerações são constantes em praias, bares, restaurantes.</p>



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	                                        <p class="m-0">Tereza Lyra (crédito: Fiocruz PE)</p>
	                
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<p>Esse aumento de casos que estamos vivenciando desde o fim de dezembro e nestas últimas semanas são reflexo das aglomerações irresponsáveis de Natal e Ano Novo. Isso ainda vai se refletir provavelmente nos óbitos, pois os casos tendem a se agravar a partir do 7º ao 10º dia.</p>



<p>No Brasil, desde o início, a gente vem lidando com uma crise sanitária e política de contrainformação por parte de quem deveria dar os esclarecimentos à população.</p>



<p>Há uma sucessão de erros que não foram corrigidos até agora. Do ponto de vista de Pernambuco e do Recife, desde o começo da epidemia, não há inteligência epidemiológica coordenando os trabalhos. Se testa pouco, se sabe pouco sobre como a doença se distribui no espaço. Isso certamente ajudaria a definir estratégias mais focadas.</p>



<p>Também não existe uma política agressiva de comunicação para os diversos segmentos. Muita gente sem utilizar máscaras em espaços públicos, parques, paradas de ônibus. Era para haver uma sistemática constante da divulgação do porquê utilizar máscara é importante. As cidades eram para estar “coalhadas” de outdoor, outbus, spots diferenciados para diferentes populações.</p>



<p>Estamos vivendo esta semana uma crise de desabastecimento de água da Compesa quando uma das principais recomendações para combater a pandemia é lavar as mãos, o rosto e cuidar da higiene pessoal.</p>



<p>Não se pensa em locais intermediários para se isolar sintomáticos leves e moderados que não têm condições de fazer isso no domicílio. Por que ainda não se utiliza a rede hoteleira ociosa para quarentenar pacientes? Grande parte dos surtos é de contaminação familiar. Não estamos tendo uma catástrofe maior porque as comunidades têm uma capacidade de organização impressionante.</p>



<p>Tem que haver ampliação de leitos, mas também o que estamos colocando desde o início, que é usar a rede de saúde na sua totalidade. Nós temos o SUS, que tem salvado a população, e temos o Programa de Saúde da Família, com capilaridade territorial, mas que não vem sendo utilizado adequadamente na pandemia. As Unidades de Saúde da Família poderiam ser identificadoras de “brotos epidêmicos”, surtos e encaminhamentos quando os quadros se agravassem. Durante esse tempo, não houve nenhum movimento para mudar algo nesse sentido.</p>



<p>Ou Pernambuco toma medidas precocemente ou vamos chegar a uma situação como a de Manaus, que é inconcebível. As notícias lançam uma urgência tão grande no país que, se não forem tomadas medidas enérgicas e corajosas, que vão de encontro a uma série de interesses, que não são os da coletividade, vários estados brasileiro vão viver situações bastante semelhantes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jones Albuquerque</strong></h2>



<p><em>epidemiologista do Instituto para Redução de Riscos e Danos de Pernambuco (Irrdpe)</em></p>



<p>Depois do lockdown nos cinco municípios da Região Metropolitana do Recife, em maio, decidimos por conviver com o vírus. Com isso, mudamos completamente a forma de monitorar a doença, fomos monitorar os óbitos e casos graves. Com isso, estamos monitorando o fim da pandemia, e não o início dela.</p>



<p>Dito isso,  que deveria estar sendo feito agora? Como estamos em expansão da infecção e ainda não na expansão de óbitos (ainda leve), deveríamos estar diminuindo toda e qualquer aglomeração, decretando algum estado de fechamento de atividades à noite, como alguns países fizeram, a exemplo da Espanha, que hoje colhe bons frutos, restringindo qualquer atividade que não fosse essencial.</p>



<p>Também precisamos combater os óbitos, a Secretaria de Saúde está abrindo leitos, isso é fato e verdade, tem que ser feito. Mas, se quisermos combater a doença, temos que combater a infecção, como a grande maioria dos países faz. </p>



<p>Reabrir hospitais de campanha, isso é para conter óbitos. E, se a infecção tomar a proporção que vem tomando e as consequências de óbitos que aconteceram na Europa e nos Estados Unidos, sim, teremos um cenário em que a reabertura de hospitais de campanha deverá acontecer, inevitavelmente e infelizmente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jones Albuquerque (crédito: reprodução TV Globo)</p>
	                
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<p>Era para estarmos pensando em toque de recolher, com suspensão de quaisquer atividades a partir de 20h, 21h até 6h da manhã para conter e diminuir a circulação do vírus, reduzindo ao máximo a mobilidade dos indivíduos. Observando o calendário da infecção no estado com o de eventos, com feriadões, eleições, festas fim de ano, percebemos que tudo isso incrementou a ocupação de leitos por Covid-19. </p>



<p>Era para estarmos pensando em novo lockdown? Sim, mas lockdown na estrita definição da palavra parece não funcionar muito bem aqui, no Brasil como um todo, por causa das aglomerações nas comunidades, vivemos aglomerados.</p>



<p>Com os atuais números e incidências, temos todos os índices que tínhamos lá em maio para tomada da decisão, com todos os indicadores, as curvaturas de Ricci, o R(t), a quantidade de infectados por dia. Todos os indicadores de hoje são piores ou iguais aos que tínhamos lá na semana de 11 a 15 de maio, na qual decretamos lockdown nos municípios. </p>



<p>Naquela situação, o lockdown era para tentar segurar a infecção nos cinco municípios, o que parece que não funcionou porque não vetamos a BR-232 e o vírus se espalhou rapidamente para o interior. Agora o vírus está totalmente espalhado no estado. Ou transformamos em medidas em bloco no estado todo ou não temos como dar lockdown em pedaços.</p>



<p>Os anúncios de que ainda estamos em pandemia precisam ser mais agressivos, precisam dizer que estamos em alto risco, ainda hoje não temos placas nas paradas de ônibus, terminais de integração, feiras livres. A gente continua permitindo eventos de até 150 pessoas, isso não faz sentido nenhum na atual conjuntura da pandemia e atual conjuntura mundial. </p>



<p>Estamos muito próximo de nos tornar um local do qual as pessoas terão aversão de passar porque somos endêmicos de uma doença grave, infelizmente. Precisaríamos estar muito mais agressivos, tanto nas campanhas quanto nas ações, isso é um fato.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Aristóteles Cardona</strong></h2>



<p><em>médico com atuação em Petrolina e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)</em></p>



<p>As ações que estão sendo tomadas agora são muito insuficientes, especialmente quando pensamos no que foi adotado há meses, no início da pandemia. São ações muito tímidas diante do agravamento que não é só no estado, é no país inteiro. Já vimos que o comportamento da doença termina acontecendo num formato de ondas. </p>



<p>O que temos visto são muitas palavras, sinalizações, que são importantes, mas, concretamente, estamos vendo pouco. Quando você dá justificativa de que vai inibir som para evitar a concentração pode vir a ajudar, mas é insuficiente. No que mais aglomera e junta pessoas, não estamos vendo absolutamente nada.</p>



<p>É simbólico evitar qualquer aglomeração, mas não faz sentido do ponto de vista científico fechar primeiro a praia do que locais fechados. Assim como a proibição do som parece interessante, mas com a manutenção dos bares abertos, não sei como vai se fiscalizar isso e se teria efetividade uma fiscalização dessa forma.</p>



<p>Tudo que for feito é válido, mas temos visto medidas em outros lugares do mundo e do Brasil que poderiam estar sendo utilizadas. A primeira é com relação a restrição de horários para circulação, por exemplo, o comércio, por serem locais de grande circulação, não só pelo comércio em si, mas porque, por mais que haja fiscalização, e sabemos que não há tanta, é um local onde pessoas têm que pegar transporte público e sair para almoçar. Que não seja um fechamento total, mas talvez um rodízio de serviços, por exemplo.</p>



<p>Se agora não estamos chegando em valores ainda mais elevados de ocupação de leitos é porque mais leitos foram abertos. Precisamos urgentemente apresentar um plano para população do que precisa ser feito em relação a abertura de novos. O fato de ainda não termos chegado a um colapso, como em Manaus, não deve nos deixar tranquilos. Por isso a importância de se ter um planejamento e um apontamento do que fazer.</p>



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<p>Não tenho dúvidas de que se estivéssemos vendo, por parte de todos os níveis de governo, os cuidados, que inclusive foram vistos no início da pandemia, as medidas deveriam estar sendo muito mais restritivas. Mas sabemos também que houve uma oposição política forte ligado a setores do comércio, tudo isso gera desgaste e o pessoal agora parece que quer comprar menos esse desgaste. </p>



<p>Mas a hora é essa. Senão não vai adiantar pedir às pessoas individualmente para lavarem as mãos e usarem máscara. Tudo isso é fundamental, mas chega num ponto que não dá conta. Não tenho dúvidas de que o caso de Pernambuco, mas não só do estado, exige que mais medidas fossem tomadas para evitar mais prejuízos nas próximas semanas.</p>



<p>Nos acostumamos a normalizar isso, mas queria problematizar, a gente vem vendo na mídia tradicional medidas a serem adotadas a depender da ocupação dos leitos de UTI. Mas isso em si já é muito cruel, pois já é à custa de muito sofrimento e muitas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Bruno Ishigami</strong></h2>



<p><em>médico infectologista do Hospital Oswaldo Cruz e mestrando em saúde pública pela Fiocruz</em></p>



<p>Restringir som é uma medida importante, porque música alta favorece que pessoas cantem, bebam mais, se aglomerem. No entanto, não é uma medida suficiente. Estamos no pior momento de ocupação de UTI, com mais de 800 pacientes em leitos de UTI do SUS, e não tivemos isso em nenhum momento. Precisamos adotar medidas mais restritivas, começar a restringir eventos, restaurantes, bares e horários de funcionamento, para, em breve, a gente começar a fechar.</p>



<p>Tivemos agora em dezembro de forma mais significativa um aumento no número de óbitos. Estamos vendo no boletim com frequência mais de 30 óbitos por dia, fazia tempo que não tínhamos isso. Acredito, portanto, que as medidas anunciadas são tímidas diante do agravamento.</p>



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<p>Uma grande questão, que é difícil para o estado dar conta sozinho, é o auxílio emergencial, que está acabando. Não sei se o estado tem recurso para enfrentar um novo lockdown sem auxílio federal. Tudo isso precisa entrar na conta, é uma decisão complexa. Mas, do ponto de vista técnico, da saúde, precisamos refletir sobre restrições mais severas, voltar a dar orientações para que as pessoas saiam de casa para o que for estritamente necessário, como foi em outros momentos da pandemia.</p>



<p>Em relação a reabertura de hospitais de campanha, temos o anúncio de mais 80 leitos no Hospital do Idoso. Acho que cabe começar a refletir sobre necessidade de lockdown sim, a hora de refletir sobre isso é agora.</p>



<p>Precisamos ser mais enfáticos nas campanhas de divulgação e conscientização. Em março, abril, sinto que batíamos mais nas teclas da necessidade de distanciamento social, cuidados com higienização, necessidade do uso de máscaras. Precisamos bater nessas teclas para chegar na sociedade civil porque, se chegamos nesse grau de disseminação, em boa parte é porque não conseguimos nos comunicar com a população, tanto pela falta de articulação no país quanto pelas fake news que estamos precisando combater em meio a pandemia.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero&#8230;</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/medidas-do-governo-de-pernambuco-para-conter-covid-19-sao-insuficientes-avaliam-especialistas/">Medidas do governo de Pernambuco para conter Covid-19 são insuficientes, avaliam especialistas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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