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O ano da Marco Zero: jornalismo no lado certo da história

Sérgio Miguel Buarque / 31/12/2022

Dois mil e vinte e dois acabou melhor do que começou, com o Brasil voltando a respirar ares de democracia. Foi um ano também em que a Marco Zero atuou em várias frentes, desenvolveu mais de uma dezena de projetos, estabeleceu novas parcerias e, claro, produziu muito conteúdo jornalístico. Tudo isso, nos mantendo no mesmo lado em que estivemos nos últimos sete anos e meio, fazendo as perguntas que precisam ser respondidas, chamando as coisas pelos seus devidos nomes, ouvindo aqueles que historicamente foram silenciados no debate público e expondo os manipuladores da desinformação e dos discursos de ódio.

Em 2022 passamos das 2.500 reportagens publicadas desde que entramos no ar em 2015. Só esse ano, foram 442 conteúdos jornalísticos colocados no ar (em 2021 foram 416). Nossas reportagens tiveram mais de 3,5 milhões de visualizações.

As cinco mais lidas foram:

1) A volta das que não foram: máscaras devem ser usadas em ambientes fechados novamente – 295 mil visualizações

2) Proibido de atracar em Suape, porta-aviões fantasma permanece perto do litoral de Pernambuco – 106 mil visualizações

3) Doses de reforço ajudam a manter imunidade alta contra a covid-19, mesmo com vacinas desatualizadas – 87 mil visualizações

4) Prédio na zona norte do Recife com bandeira de Lula é atingido por tiros na madrugada – 84 mil visualizações

5) Polícia Federal recebe denúncia de carga de cocaína no porta-aviões fantasma – 52 mil visualizações

Em nossas redes sociais estamos relembrando várias reportagens marcantes que publicamos em 2022. Confere lá!

Duas parcerias editorias, que firmamos este ano, renderam reportagens de fôlego e profundidade: uma com o Instituto Fogo Cruzado e Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (com apoio da Fundação Friedrich Ebert Brasil) e outra com Nós Mulheres da Periferia, Alma Preta e Amazônia Real (com apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal).

Aqui, o resultado da primeira parceria:

Aqui, os da segunda:

A Terra é redonda

O foco da nossa cobertura continuou sendo a democracia, a representatividade e a justiça social, tanto no site quanto nas redes sociais, com a defesa dos direitos humanos sendo um tema transversal em todas as nossas reportagens. Mas, em um momento em que a ciência passou a ser contestada de forma sistemática, inclusive pelo presidente da República, abrimos espaço para o jornalismo científico, além de manter nossa cobertura sobre a covid-19 com 26 reportagens.

No especial #SOUdeHUMANAS, a Marco Zero usou o humor para revelar o tamanho da tragédia e, ao mesmo tempo, qual é o papel da Ciência no Brasil do amanhã. O projeto foi financiado por um edital do Instituto Serrapilheira e, além do site especial ( marcozero.org/soudehumanas ), teve também uma série de podcast.

Ainda dentro do jornalismo científico, publicamos três reportagens especiais produzidas com bolsas de jornalismo fornecida pelo Instituto ClimaInfo, por meio do apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia com o Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMU), no contexto da Iniciativa Climática Internacional (IKI):

Como a erosão costeira e o avanço do mar ameaçam o litoral do Grande Recife

Calor em habitações sociais compromete conforto, saúde e renda de moradores

Quanto maior o calor, menor é a produção de energia solar

Em agosto, participamos, em parceria com a Agência Bori, da campanha #ciêncianaseleições, que celebra o Mês da Ciência. Publicamos dois artigos:

Políticas públicas de saúde: desafios para o contexto pós-eleitoral

Impactos da subida do mar nos litorais e o cenário brasileiro

Eleição mais ampla, plural e analítica

Em 2022, realizamos a quarta e maior cobertura eleitoral feita pela Marco Zero, abordando as eleições mais importantes da história do país de forma mais ampla, plural e analítica. Publicamos 108 conteúdos jornalísticos em nosso site, sempre com foco na democracia, representatividade e justiça social. Entre os conteúdos, colocamos no ar dez episódios do podcast Arrumadinho , disponíveis nas principais plataformas de áudio e também no canal da Marco Zero no YouTube, uma novidade dessa temporada.

Pela primeira vez, a Marco Zero teve colunistas fixas em sua equipe , que produziram artigos quinzenais com temas de interesse público que não poderiam ficar de fora do debate político-eleitoral. Fizeram parte desse time Carmen Silva, Myrella Santana e Bia Pankararu. Ao todo, foram publicados 27 artigos, nove de cada uma das colunistas durante o primeiro e segundo turnos.

Dentro da cobertura das eleições, destaque para o encontro entre as candidatas feministas e antirracistas). O Encontro de Candidatas Feministas e Antirracistas de Pernambuco foi uma realização da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, SOS Corpo Instituto Feminista Para Democracia, Fórum de Mulheres de Pernambuco, Meu Voto Será Feminista, Eu Voto Em Negra e Marco Zero Conteúdo com apoio da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.

Acessibilidade jornalística

Depois de um ano de aprendizados na busca por um jornalismo mais diverso e inclusivo, o projeto “Acessibilidade jornalística – um problema que ninguém vê” lançou, em agosto, mais produtos e soluções voltados à inclusão das pessoas cegas e com baixa visão no consumo de conteúdo jornalístico de qualidade. Estão disponíveis no endereço www.lumeacessibilidade.com.br uma ferramenta de diagnóstico para portais jornalísticos e um manual de boas práticas para a construção de sites e conteúdos acessíveis.

Já no https://anchor.fm/lumecast está uma série de três episódios do LumeCast sobre temas de interesse do universo das pessoas desse segmento. Em abril deste ano, o projeto, realizado pela Universidade Católica de Pernambuco e uma rede formada por nove organizações de jornalismo independente do Nordeste, entre elas a Marco Zero, já tinha lançado uma pesquisa sobre a oferta e o consumo de conteúdo jornalístico por pessoas com deficiência visual e um aplicativo curador de conteúdo acessível.

Em setembro, pouco antes do primeiro turno das eleições, lançamos uma série de três episódios do LumeCast que exploram as causas e consequências da desinformação, como identificar notícias falsas e como fazer uma leitura crítica da mídia. A série faz parte do programa Acelerando a Transformação Digital, realizado com recursos do International Center for Journalists (ICFJ) e do projeto de jornalismo da Meta.

Após as eleições, no final de novembro, o projeto Lume Acessibilidade realizou oficinas de educação midiática e produção de conteúdo destinadas às pessoas com deficiência visual. As capacitações buscaram possibilitar a inclusão das pessoas cegas na produção de conteúdos jornalísticos nas plataformas digitais e contribuir com a consolidação do pensamento crítico desse segmento ao consumir informações.

Trabalhando em rede

Seguimos apostando na criação e fortalecimento de parcerias, tanto editoriais quanto institucionais, como ponto central de nosso planejamento estratégico. Durante todo ano, foram uma série de ações e trabalhos realizados com dezenas de outras organizações de mídia e instituições da sociedade civil organizada. Além dos resultados práticos dessas ações, a Marco Zero repassou mais de R$ 115 mil para iniciativas de comunicação independente do Nordeste. Aqui, destacamos três desses trabalhos em rede:

Em abril, colocamos no ar o Mapa da Mídia Independente e Popular de Pernambuco. O evento de lançamento aconteceu no Edifício Pernambuco, no Centro do Recife, e contou com a presença de mais de 60 integrantes de 20 coletivos que produzem e disseminam conteúdos informativos no estado.

O Mapa traz informações sobre os principais temas abordados pelos coletivos, o seu público-alvo, a quantidade de integrantes, os meios pelos quais divulgam seus conteúdos e como se sustentam financeiramente. Também é possível acessar as redes sociais dos grupos e acionar os contatos vinculados a cada uma das iniciativas. O projeto, realizado pela Marco Zero, conta com a parceria do Coletivo Sargento Perifa, que atua na Linha do Tiro, Zona Norte de Recife, e o apoio da Repórteres Sem Fronteiras.

Dentro da lógica de trabalhar em rede e fortalecimento de coletivos de comunicação popular no estado, a Marco Zero apoiou, em maio, a segunda edição do ManINfestações: encontro das juventudes no Coque. O festival multilinguagem organizado por jovens de uma das comunidade mais estigmatizadas do Recifeteve na programação oficinas, rodas de diálogo, mesas, cinedebates e shows. O evento, que se espalhou por vários polos do território, é resultado de uma articulação em rede de diversos coletivos como o Neimfa, o Coquevídeo, o Revelar.si e a Casinha.

Festival de jornalismo

Três eventos, que tiveram a Marco Zero fazendo parte da organização, mostraram a força do jornalismo independente do Nordeste em 2022. O primeiro deles, realizado em agosto, foi a terceira edição do FALA! – Festival de comunicação, culturas e jornalismo de causas ( ). O evento, que aconteceu no Teatro Gregório de Mattos de forma gratuita, em Salvador (BA), teve como objetivo central criar um espaço de debate sobre o papel dos meios de comunicação e como eles podem servir de apoio para uma sociedade mais democrática, diversa, e romper os padrões do jornalismo tradicional, valorizando a cultura, identidade e diversidade de linguagens.

Em novembro, foi a vez do Festival 3i Nordeste. O evento, que no campus da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), reuniu participantes de todos os nove estados do Nordeste, além de pessoas do Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas, para um dia de conversas sobre novos projetos e estratégias para a sustentabilidade do jornalismo. A 4ª edição regional do evento de discussão sobre empreendedorismo e inovação no jornalismo foi realizada pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor), em parceria com a universidade e apoio da Fundação Ford.

Também em novembro aconteceu, na sede do Centro Cultural Luiz Freire, em Olinda, a 1ª Conferência de Jornalismos Plurais. O encontro, que debateu o cenário da liberdade de expressão no país a partir da perspectiva de iniciativas comprometidas com o direito à comunicação, é uma realização da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) no âmbito do Programa de Apoio ao Jornalismo no Brasil (PAJOR), em parceria com Marco Zero Conteúdo (PE), Caranguejo Uçá (PE), Alma Preta (SP), Nós Mulheres da Periferia (SP), Fala Roça (RJ), Data Labe (RJ), Rede Wayuri (AM) e Amazônia Real (AM).

Seja mais que um leitor da Marco Zero…

A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.

E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.

Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.

Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.

É hora de assinar a Marco Zero

AUTOR
Foto Sérgio Miguel Buarque
Sérgio Miguel Buarque

Sérgio Miguel Buarque é Coordenador Executivo da Marco Zero Conteúdo. Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou no Diario de Pernambuco entre 1998 e 2014. Começou a carreira como repórter da editoria de Esportes onde, em 2002, passou a ser editor-assistente. Ocupou ainda os cargos de editor-executivo (2007 a 2014) e de editor de Política (2004 a 2007). Em 2011, concluiu o curso Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais.